Basílica de São Pedro

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Basílica de São Pedro
Basílica Sancti Petri
Basilica di San Pietro
Basílica de São Pedro em dia ensolarado.
Estilo Renascentista e Barroco
Arquiteto Donato Bramante
Antonio Cordiani
Michelangelo
Vignola
Giacomo della Porta
Carlo Maderno
Giacomo Vignola
Construção 1506-1626
Diocese Roma
Padre Angelo Comastri
Local Vaticano

A Basílica de São Pedro (em latim: Basilica Sancti Petri, em italiano Basilica di San Pietro) é uma basílica no Estado do Vaticano. Trata-se do maior e mais importante edifício religioso do catolicismo e um dos locais cristãos mais visitados do mundo.[1] [2] [3] Cobre uma área de 23 000 m² ou 2,3 hectares (5.7 acres) e pode albergar mais de 60 mil devotos (mais de cem vezes a população do Vaticano). É o edifício com o interior mais proeminente do Vaticano, sendo a sua cúpula uma característica dominante do horizonte de Roma, adornado com 340 estátuas de santos, mártires e anjos.[4] Situada na Praça de São Pedro, a sua construção recebeu contribuições de alguns dos maiores artistas da história da humanidade, tais como Bramante, Miguel Ângelo,[5] Rafael e Bernini.

Especificamente classificada pela UNESCO, catalogada e preservada como Património Mundial da Humanidade, a Basílica de São Pedro foi considerada o maior projeto arquitectónico da sua época e continua a ser um dos monumentos mais visitados e celebrados do mundo. Foi provado que sob o altar da basílica está enterrado São Pedro[nt 1] (de onde provém o nome da basílica) um dos doze apóstolos de Jesus e o primeiro Papa e, portanto, o primeiro na linha da sucessão papal. Por esta razão, muitos Papas, começando com os primeiros, têm sido enterrados neste local.[6] Sempre existiu um templo dedicado a São Pedro em seu túmulo, inicialmente extremamente simples, com o passar do tempo, os devotos foram aumentando o santuário, culminando na atual basílica. A construção do atual edifício, no local da antiga basílica erguida pelo Imperador Constantino, começou em 18 de abril de 1506 e foi concluída em 18 de novembro de 1626,[7] sendo consagrada imediatamente pelo Papa Urbano VIII. A basílica é um famoso local de peregrinação, pelas suas funções litúrgicas e associações históricas.

A Basílica de São Pedro é uma das quatro basílicas patriarcais de Roma, sendo as outras a Basílica de São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Extramuros. Contrariamente à crença popular, São Pedro não é uma catedral, uma vez que não é a sede de um bispo.[8] Embora a Basílica de São Pedro não seja a sede oficial do Papado (que fica na Basílica de São João de Latrão), certamente é a principal igreja que conta com a participação do Papa, pois a maioria das cerimónias papais são realizadas na Basílica de São Pedro devido à sua dimensão, à proximidade com a residência do Papa, e a localização privilegiada no Vaticano.

Localização e aspecto geral[editar | editar código-fonte]

Basílica de São Pedro.

A Basílica de São Pedro é uma igreja do estilo renascentista localizada em Roma a oeste do Rio Tibre, perto da colina Janículo e do Mausoléu de Adriano. É através da Praça de São Pedro que a basílica é abordada, onde se destacam duas estátuas de 5,55 metros de altura dos apóstolos do século I Pedro e Paulo. A sua cúpula domina o horizonte de Roma, elevando-se a uma altura de 136,57 metros.[9] [10] Apesar dos primeiros projetos desenvolvidos repercutirem para uma estrutura de planta centralizada, o que é ainda evidenciado na sua arquitetura, a basílica é cruciforme, com uma alongada nave de cruz latina. O espaço central é dominado tanto no interior como no exterior, por um dos maiores domos do mundo. A entrada é feita através de um nártex, que se estende por toda a frente do edifício.[9]

O interior abarca dimensões descomunais quando comparado com outras igrejas.[7] Um autor escreveu: "Gradualmente, a basílica alvorece sobre nós - enquanto observamos as pessoas aproximarem-se para este ou aquele monumento, estranhamente elas parecem encolher, pois elas são, evidentemente, ofuscadas pelo tamanho de toda a construção. Esta (basílica) por sua vez, esmaga-nos."[11]

A basílica em planta de cruz latina, possui três naves totalmente abobadadas, com pilares de apoio às abóbadas de berço. A nave principal é a mais alta de todas as igrejas. Estas são enquadradas por amplos corredores completados por um número de capelas a eles adjacentes. Em torno da cúpula existem também capelas, entre as quais fazem parte o Batistério, a capela da Apresentação de Nossa Senhora, a Capela Sistina, a capela do Papa Clemente I com o altar do Papa Gregório I, a Sacristia no transepto esquerdo com altares da Crucificação de São Pedro, São José e São Tomé, o altar do Sagrado Coração de Jesus, a capela de Madonna de Colonna, o altar de São Pedro e o Paralítico, a abside com a cátedra de São Pedro, o altar de Miguel Arcanjo, o altar de La Navicella; no transepto direito, com altares de Erasmo de Formia, Santos Processo e Martiniano, e de Venceslau I, o altar de São Basílio, a capela Gregoriana, com o altar de Nossa Senhora do Socorro, a capela maior do Santíssimo Sacramento, a capela de São Sebastião e a Capela de Pietà.[9] No coração da basílica, sob o altar-mor, está a Capela da Confissão, em referência à confissão de fé de São Pedro, que levou ao seu martírio. Duas escadarias curvas em mármore conduzem-nos a esta capela subterrânea ao nível da igreja constantiniana, onde logo acima se situa o túmulo de São Pedro.

Todo o interior da basílica está ricamente decorado com mármore, relevos, esculturas arquitectónicas, retábulos e ornamentos com acabamentos a ouro. A basílica contém um grande número de túmulos não só de papas como também de outras notáveis personalidades, muitos dos quais são considerados verdadeiras obras de arte reconhecidas mundialmente. Existem também uma série de esculturas em nichos e capelas, incluindo a Pietà de Miguel Ângelo. No entanto, a característica central é o baldaquino sobre o Altar Papal, projetado por Gian Lorenzo Bernini. O santuário culmina num conjunto escultural, também de Bernini que contém a simbólica Cátedra de São Pedro.[12]

História[editar | editar código-fonte]

No Império Romano[editar | editar código-fonte]

Planta do Circo de Nero, em comparação com a basílica de constantiniana e a basílica atual.

No início do Império Romano, pouco antes do nascimento de Cristo, o local foi ocupado com algumas construções residenciais, erguidas em torno dos jardins imperiais da propriedade de Agripina Maior. O seu filho, Calígula (37-41 d.C.), construiu nesse local um circo privado, o Circo de Nero, cujo obelisco do Vaticano permanece ainda como um dos poucos monumentos comemorativos deixados daquela época. Neste circo e nos jardins a ele adjacentes, tiveram lugar os martírios de vários cristãos em Roma no templo do então imperador Nero (54-68). Um espaço imemorial que coloca o martírio do Apóstolo São Pedro personificado no recinto - entre os dois terminais (duas "metas") da "spina", onde no seu centro foi acrescentado o Obelisco do Vaticano. De acordo com a tradição católica, descrita nos livros apócrifos (como os Atos de Pedro), o apóstolo foi crucificado por volta do ano 65. Pedro foi crucificado de cabeça para baixo como gesto de humildade perante Cristo, uma vez que não se considerava digno de morrer como o Filho de Deus. No entanto, outra versão afirma que este gesto pode ter sido de uma crueldade adicional infligida deliberadamente pelos romanos.[13]

Túmulo de São Pedro[editar | editar código-fonte]

Cúpula da Basílica de São Pedro sobre o baldaquino.

Depois da crucificação de Jesus, na segunda metade do primeiro século da era cristã, está registado no livro bíblico Atos dos Apóstolos, que um de seus doze discípulos, conhecido como Simão Pedro, um pescador da Galileia, assumiu a liderança entre os seguidores de Jesus, exercendo um papel importante na fundação da Igreja Cristã. O nome é Pedro "Petrus" em latim e "Πέτρος" (Petros) em grego, decorrente de "petra", que significa "pedra" ou "rocha" em grego. Pedro depois de um ministério com cerca de trinta anos, viajou para Roma e evangelizou grande parte da população romana.[14] Pedro foi executado no ano 64 d.C durante o reinado do imperador romano Nero e crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, perto do Obelisco no Circo de Nero.[15] [16]

Os restos mortais de São Pedro foram enterrados fora do Circo, na Colina do Vaticano, a menos de 150 metros do local da sua morte. O seu túmulo foi inicialmente marcado apenas com uma pedra vermelha, símbolo do seu nome. Um santuário foi construído neste local alguns anos mais tarde. Quase trezentos anos depois, a Antiga Basílica de São Pedro foi construída neste sítio.[15]

A partir dos anos 1950, intensificaram-se as escavações no subsolo da basílica, após extenuantes e cuidadosos trabalhos, inclusive com a remoção de toneladas de terra correspondente do corte da Colina Vaticana que serviu para a terraplanagem da construção da primeira basílica na época de Constantino. A equipe chefiada pela arqueóloga italiana Margherita Guarducci encontrou o que seria uma necrópole atribuída a São Pedro, e inclusive uma parede onde foi inscrita a expressão Petrós Ení, que, em grego, significa "Pedro está aqui".[17]

Também foram encontrados, num nicho, fragmentos de ossos de um homem robusto e idoso, entre 60 e 70 anos de idade, envoltos em restos de tecido púrpura com fios de ouro que se acredita, com muita probabilidade, pertencerem São Pedro. A data real do martírio, de acordo com um cruzamento de datas feito pela arqueóloga, seria 13 de outubro de 64 d.C. e não 29 de junho, data em que se comemorava o traslado dos restos mortais de São Pedro e São Paulo para a estada dos mesmos nas Catacumbas de São Sebastião durante a perseguição do imperador romano Valeriano em 257.[18]

Antiga Basílica de São Pedro[editar | editar código-fonte]

As traseiras da basílica vistas do exterior, como eram vistas até 1450.

O imperador Constantino entre 326 e 333 d.C. ordenou a construção da Antiga Basílica de São Pedro.[19] Desta basílica nada restou, porém, através de descobertas arqueológicas, descrições de peregrinos e desenhos antigos os especialista obtiveram as noções básicas da sua estrutura. Como em quase todas as igrejas da antiguidade, seguiu-se o modelo da basílica cívica romana: um salão retangular, dividido em nave central e naves laterais, que oferecia espaço bastante para a congregação dos fiéis. As cerimónias no altar eram realizadas na abside ao fim da nave central, bem visíveis a todos. Um fresco do século XVI na igreja de San Martino ai Monti deu-nos uma ideia aproximada da aparência interior, com a sua cobertura em madeira, porém é totalmente desconhecido quais estátuas ou pinturas que a ela pertenceram.[20]

A basílica atual, com um estilo renascentista e barroco, foi erguida sobre a antiga, o que exigiu que o edifício fosse orientado para oeste, mas também que a necrópole antiga fosse aterrada, sendo construídas muralhas de suporte para criar uma enorme base que servisse como alicerce. Na plataforma, construiu-se então a basílica, com nave central e quatro naves laterais, ricamente adornada com frescos e mosaicos, e um grande átrio dianteiro, demarcado com colunas. Várias vezes alterado e restaurado, o edifício de Constantino, conhecido por velha igreja de São Pedro, sobreviveu até ao início do século XVI.[21]

Plano de Reconstrução[editar | editar código-fonte]

No final do século XV, após o papado de Avignon, a basílica paleocristã encontrava-se bastante deteriorada, com sérios riscos de desabar. O primeiro papa a considerar uma reconstrução ou pelo menos realizar radicais intervenções na estrutura, foi Nicolau V em 1452. Assim, o trabalho foi encomendado a Leon Battista Alberti e Bernardo Rossellino (ambos arquitetos), que se encarregaram de projetar as modificações mais importantes a cumprir. No seu projeto, Rossellino manteve o corpo longitudinal das cinco naves com cobertura ababadada e renovou o transepto, com a construção de uma abside mais ampla à qual acrescentou um coro. Esta nova intersecção entre o transepto e a abside seria coberta por uma cúpula. Tal configuração desenvolvida por Rossellino influenciou o projecto futuro de Donato Bramante. O trabalho foi interrompido três anos depois da morte do Papa, quando as paredes apenas haviam alcançado um metro de altura. Entretanto, o papa ordenou a demolição do Coliseu de Roma e, até ao momento da sua morte, 2 522 carradas de pedra tinham sido transportadas para uso do novo edifício.[15] [22]

Cinquenta anos depois, em 1505, sob orientação do Papa Júlio II, as obras foram retomadas, com o propósito de que o novo edifício fosse um marco importante e apropriado para acomodar o seu túmulo. O papa pretendia com a obra "engrandecer-se a si mesmo nos ideais do povo".[nt 2] [8] Foi então celebrado um concurso para o projecto, existindo actualmente vários dos desenhos na época elaborados, na Galleria degli Uffizi, em Florença. No pontificado de Júlio II (1503 a 1513) decidiu-se afinal derrubar a igreja velha e em 18 de abril de 1506, Bramante recebeu o encargo de desenhar a nova basílica. Os seus planos eram de um edifício centralmente planificado, com um domo inscrito sobre o centro de [[cruz grega]], forma que correspondia aos ideais da Renascença pela semelhante relação com um mausoléu da antiguidade. Uma sucessão de papas e arquitetos nos 120 anos seguintes participariam da construção que culminou no edifício atual. Iniciada por Júlio II, continuou através dos pontificados do Papa Leão X (1513-1521), Papa Adriano VI (1522-1523). Papa Clemente VII (1523-1534), Papa Paulo III (1534-1549), Papa Júlio III (1550-1555) , Papa Marcelo II (1555), Paulo IV (1555-1559), Papa Pio IV (1559-1565), Papa Pio V (santo) (1565-1572), Papa Gregório XIII (1572-1585), Papa Sisto V (1585-1590), Papa Urbano VII (1590), Papa Gregório XIV (1590-1591), Papa Inocêncio IX (1591), Papa Clemente VIII (1592-1605), Papa Leão XI (1605), Papa Paulo V (1605-1621), Papa Gregório XV (1621-1623), Papa Urbano VIII (1623-1644)[23] e Papa Inocêncio X (1644-1655).[24]

Renascença[editar | editar código-fonte]

Um método utilizado para financiar a construção da Basílica de São Pedro foi a concessão de indulgências em troca de contribuições daqueles que com esmolas ajudaram na reconstrução da basílica. O grande promotor deste método de angariação de fundos foi Alberto de Mainz, que se viu forçado a liquidar as dívidas à Cúria Romana, contribuindo para o programa de reconstrução. Para facilitar, Alberto nomeou o alemão Johann Tetzel, pregador da Ordem dos dominicanos, cuja arte de propaganda e venda de indulgências motivou um avultado escândalo.[25] O agressivo marketing de Johann Tetzel em promover esta causa foi mal encarado por alguns eclesiáticos, até que um padre alemão agostiniano, Martinho Lutero, escreveu ao arcebispo Alberto, argumentando contra essa "venda de indulgências", incluindo porém a sua "disputa de Martinho Lutero sobre o poder e eficácia das indulgências", que veio a ser conhecido pelas "95 Teses"[26] (Tetzel seria inclusive punido por Leão X pelos seus sermões, que iam muito além dos ensinamentos reais sobre as indulgências). Embora Lutero não negasse o direito do Papa ou da Igreja de conceder perdões e penitências,[27] exigia no entanto, a correção de abusos na prática. Isto tornou-se um factor importante para o início da Reforma Protestante, com o nascimento do protestantismo.[28] [29]

Um século mais tarde o edifício ainda não estava completado. A Bramante sucederam, como arquitetos, Rafael, Giovanni Giocondo, Giuliano da Sangallo, Baldassare Peruzzi, Antonio da Sangallo. O Papa Paulo III (pontificado de 1534-1549) em 1546 entregou a direção dos trabalhos a Miguel Ângelo.[5] Este, aos 72 anos, deixou-se fascinar pela cúpula, concentrando nela os seus valorosos esforços, apesar que não ter conseguido completá-la antes de sua morte em 1564. O zimbório é visível de toda a cidade de Roma, dominando seus céus, e tem diâmetro de 42 m, ligeiramente menor ao domo do Panteão, contudo é mais imponente por ser significativamente mais alto, com 132,5 m.[15] Graças aos seus planos e a um modelo em madeira, seu sucessor, Giacomo della Porta, foi capaz de terminar a cúpula com ligeiras modificações. O modelo segue o da famosa cúpula que Brunelleschi ergueu na catedral de Florença, que cria impressão de grande imponência. A diferença é que, ao contrário do que Miguel Ângelo havia planeado, não se trata de uma cúpula semicircular, mas afunilada o que cria um movimento de impulso para cima até culminar na lanterna cujas janelas, inseridas em fendas entre duas colunas, deixam a luz inundar o seu interior.[30] Terminada em 1590, ainda é uma das maravilhas da arquitetura ocidental. Vignola, Pirro Ligorio, Giacomo della Porta continuaram entretanto os trabalhos na basílica.[31]

Construção[editar | editar código-fonte]

Durante o exílio dos papas em Avinhão, de 1309 a 1377, a igreja ficou bastante deteriorada e perdeu-se grande parte de sua magnificência. O desejo de uma igreja de grandiosidade apropriada para servir à cristandade, assim como a transferência da residência papal para o Vaticano, fez nascer planos de uma igreja nova. Sob o papado de Nicolau V (pontificado de 1447 a 1455) os trabalhos tiveram início num coro novo e no transepto, mas foram logo abandonados por falta de recursos. O papa Júlio II propôs dar continuidade às obras iniciadas por Nicolau V, contudo, em 1505, decidiu construir uma nova basílica segundo a nova estética renascentista.[24]

A construção do actual edifício teve início a 18 de Abril de 1506. O projecto foi incumbido ao arquiteto Donato di Angelo di Pascuccio, que acabava de chegar de Milão, depois deste ganhar confiança do papa que o escolheu em detrimento de Giuliano da Sangallo. O projecto consistia num edifício com planta de cruz grega inscrita num quadrado e coberta por cinco cúpulas – onde a central seria a de maior dimensão em relação às abobadas das extremidades - e apoiada em quatro grades pilares inspirados na Basílica de São Marcos, seguindo o padrão da planta centralizada típica do Renascimento.[32] A cúpula central, inspirada no Panteão de Agripa, situava-se acima do cruzeiro e as restantes nos quatro cantos da planta de cruz grega inscrita. Este conceito do projecto foi expressa numa medalha cunhada por Caradosso para comemorar a colocação da primeira pedra do templo a 18 de Abril de 1506.[33]

Os trabalhos começaram com a demolição da basílica paleocristã. Isto foi bastante criticado dentro e fora da igreja por personalidades como Erasmo de Rotterdam e Miguel Ângelo.[34] Bramante foi apelidado de "mestre ruinoso” enquanto que Andrea Garner zombaria dele na sátira Scimmia ("Mono"), publicada em Milão em 1517, onde apresenta como crítica o falecido arquitecto anterior a São Pedro, que repreendeu a proposta de demolição quando lhe foi argumentada a reconstrução da cobertura na igreja.[35]

Projecto de Rossellino[editar | editar código-fonte]

Projeto de Rossellino recriado por Martino Ferrabosco no século XVII.

Sob a coordenação do Papa Nicolau V (1447 - 1455), a basílica constantiniana, depois de resistir a saques e incêndios ocorridos na cidade após a queda do Império Romano do Ocidente, foi submetida a um projeto que visava a completa reconstrução confiada a Bernardo Rossellino. Este concebeu a estruturação de um corpo longitudinal com cinco naves cobertas por tectos abobadados sobre pilares incorporados nas antigas colunas. A abside foi restaurada com a expansão do transepto e a adição de um coro que se deu pela continuidade da nave e sua intersecção com o transepto, coberta por uma cúpula sobre o cruzeiro. Esta configuração teve de certo modo, influência sobre o futuro projeto de Bramante que visava uma completa reconstrução do edifício. Este, por sua vez, veio a fazer uso de algumas partes do que já tinha sido construído para concepção do seu novo projeto.[36] A obra teve início por volta de 1450. Entretanto, com a morte do papa, o projeto estagnou, e manteve-se suspenso durante os pontificados seguintes. A retomada parcial da construção teve lugar entre 1470 e 1471 sob a direção de Giuliano da Sangallo, que elaborou um projeto de reestruturação para o Papa Paulo II, o qual acabou por não ter continuidade.[37] Em 1505 as fundações da abside e as paredes do coro foram erguidas a uma altura de 1,75 m.

Projecto Bramante[editar | editar código-fonte]

Planta de Bramante.

Dentro de um clima cultural de pleno renascimento do qual a igreja fez parte, a construção de um nova e colossal basílica foi retomada em 1506 por Júlio II, dando continuidade ao trabalho iniciado por Nicolau V. Isto motivou o surgimento de um grande número de propostas de vários arquitetos de renome. Em 1505, o projeto de Donato Bramante foi o escolhido para a construção da futura basílica, tomando então início em 1506.[38] O pontífice consultou os principais artistas da época, como Giovanni Giocondo que enviou de Veneza um projeto com planta de cuz inscrita com cinco cúpulas inspirado na Basílica de São Marcos. Entretanto, o trabalho foi incumbido a Bramante, que acabara de chegar de Milão. O seu projeto superou, inclusive, o de Giuliano da Sangallo, reforçando o lugar enquanto arquiteto mais influente do alto renascimento.[39] [40]

O debate repercutiu em polémicas e rivalidades no decorrer de 1505. A ideia de construir um edifício com planta centralizada era compartilhada e defendida pelos arquitetos e intelectuais da Cúria, incluindo o neoplatónico Egidio da Viterbo. Bramante não deixou um único projeto final da basílica, porém a opinião de que as suas ideias originais proporcionaram um sistema revolucionário de cruz grega, que se caracterizava por uma grande cúpula hemisférica ao centro do complexo arquitectónico, era consensual.[41] Esta configuração pode ser confirmada segundo uma imagem impressa numa moeda de Cristoforo Foppa, cunhada em comemoração da colocação da primeira pedra do templo, a 18 de abril de 1506 e, especialmente, como símbolo do próprio projeto, onde a busca pelo perfeito equilíbrio entre as partes levaram o arquiteto a omitir a relevação eminente do altar-mor, um sinal claro de que os ideais do Renascimento foram congregados no projeto do interior da igreja.[39] A aceitação deste projeto foi um momento crucial para a evolução da arquitetura renascentista, actuando como resultado de vários estudos e experiências conceptuais e pensamentos como confluência de múltiplas referências da arquitetura. A grande cúpula inspirada no Panteão de Agripa, seria construída com a utilização de conglomerados, que em geral, todos os projetos de referência da arquitetura romana se caracterizam por possuir paredes de alvenaria com massas plásticas (cimento e pedras), capazes de articular o espaço num sentido dinâmico o suficiente para a configuração deste tipo de coberturas.[42]

A aplicação de estudos teóricos de Francesco di Giorgio, Filarete e, principalmente, de Leonardo da Vinci, sobre igrejas de planta centralizada, foi de extrema importância para a construção da Igreja, cujos resultados foram claramente inspirados na planta octogonal da Basílica de Santa Maria del Fiore.[nt 3] [43] Outras referências que influenciaram o modelo da basílica fundamentaram-se na arquitetura renascentista de Florença, em particular de Giuliano da Sangallo, que já havia empregue a planta de cruz grega e até mesmo proposto um projeto com planta centralizada para a Basílica de São Pedro.[39]

No entanto, nem todos os projetos realizados por Bramante indicaram soluções perfeitas com um projeto de planta de cruz grega, o que sugere que a configuração final da basílica estava ainda em aberto. Com tudo isto, Bramante não pôde presenciar o avanço da obra uma vez que viria a falecer em 1514 quando apenas tinham sido construídos pouco mais do que quatro grandes pilares que sustentariam a cúpula central.

Projectos de Rafael Sanzio e Antonio Cordiani[editar | editar código-fonte]

Planta de Rafael.

A partir de 1514, Rafael Sanzio, Giovanni Giocondo e Antonio Cordiani assumiram a direcção da obra ao lado de Baldassare Peruzzi, após a morte de Rafael em 1520. Assim, a planta de Bramante foi alterada, optando-se por desenhos inspirados na tradicional planta basilical de cruz latina com um corpo longitudinal de três naves.[32] Antonio Sangallo, em 1546, apresentou um dispendioso modelo de madeira - o qual se encontra armazenado na basílica - onde sistematizava todas as ideias tidas anteriormente para o projecto. Antonio defendeu a planta centralizada concebida por Peruzzi, a qual era coberta por uma enorme cúpula, maior do que a planeada por Bramante em que um tambor duplo apoiaria o domo. O conjunto foi ladeado por duas altas torres sineiras.

Peruzzi[editar | editar código-fonte]

Em 1520, Rafael morre com 37 anos de idade. O seu sucessor, Baldassare Peruzzi, manteve as alterações propostas por Rafael para o modelo interior com três absides principais, porém interveio com outras modificações, aproximando-se à planta de cruz grega, servido com outros detalhes empregues na planta de Bramante.[44] Em 1527, Roma foi saqueada pelo imperador Carlos I. Peruzzi morreu em 1536 antes da conclusão do seu projeto.[8]

Antonio da Sangallo, o Jovem[editar | editar código-fonte]

Posteriormente, Antonio Cordiani, apresentou um projeto que combinava os modelos de Peruzzi, Rafael e Bramante, dinamizando a perspectiva do edifício com uma nave reduzida em proporção com a frente da enorme fachada ornamentada com duas torres colossais que acompanha a imensa cúpula que a elas precede. Comparativamente com a cúpula de Bramante, esta apresentava um estrutura mais complexa assim com a sua decoração, escorada com nervuras exteriores. Como Bramante, Sangallo propôs uma complexa e grandiosa lanterna sobreposta à cúpula. O trabalho mais significativo deu-se sobre os pilares centrais de sustentação do tambor que suportava a cúpula, considerando a reduzida resistência do anteriores.[15]

Projecto de Miguel Ângelo[editar | editar código-fonte]

Projeto de Miguel Ângelo.

Após a morte de Sangallo, em 1546, o papa Paulo III confiou a direcção das obras a Miguel Ângelo Buonarroti a 1 de janeiro de 1547, que assumiu a ideia da planta de Bramante de cruz grega. Miguel Ângelo foi considerado o principal autor da basílica tal qual a conhecemos e o principal arquiteto com o qual o projeto foi acabado.[45]

A história do projeto de Miguel Ângelo foi documentada por uma série de manuscritos, desenhos do próprio artísta e de outros testemunhos contemporâneos, como Giorgio Vasari. Porém, as informações obtidas são muitas vezes contraditórias entre si. O principal motivo reside no facto de Miguel Ângelo nunca ter elaborado um projeto final para a basílica do Vaticano. No entanto, após a morte de Miguel Ângelo, foram impressas várias gravuras numa tentativa de recuperar uma visão geral do projeto concebido pelo artista tuscano, entre os quais o trabalho de Stephen Duperac, que imediatamente se estabeleceu como o mais amplamente utilizado e aceito pelos vários pesquisadores.[5]

Considerando as principais ideias dos arquitetos anteriores, Miguel Ângelo reconheceu a qualidade do projeto original de Bramante e, sem destruir as suas características centrais de Donato del Pasciuccio, corrigiu e aperfeiçoou alguns dos problemas estruturais da basílica. Voltado para uma planta centralizada, enfatizou o impacto da cúpula e anulou, contudo, a perfeita simetria projetada por Bramante, com a projeção de uma antecâmara (pronaos) a leste do complexo.[5] Esta escolha levou à rejeição da ideia de Antonio da Sangallo e do seu dispendioso projeto, considerando a facto deste possuir poucas entradas de luz e ser esteticamente pobre. Algumas críticas impuseram-se pelos defensores do modelo de Sangallo, principalmente por Nanni di Baccio Bigio que aspirava dirigir a construção, argumentando que o custo para mais demolições não se justificaria. Por forma a evitar que o seu projeto fosse alterado após a sua morte, Miguel Ângelo começou a construção em diferentes partes da basílica (com excepção da fachada, onde havia ainda indícios da antiga igreja), de modo a forçar os seus sucessores a darem continuidade à obra de acordo com a sua concepção.[5]

Miguel Ângelo opondo-se aos ideais do renascimento, quebrou a força e o dramatismo pelo seu génio artístico com que encarou a obra. Inicialmente, projetou uma fachada com colunas encimadas por um ático, proporcionando uma orientação a todo o edifício e então, após demolir partes da construção erigidas pelos arquitetos antecessores (tal como o deambulatório projetado por Sangalo na extremidade da abside), reforçou o sistema estrutural de apoio à cúpula, progredindo para proporções longe das delicadas colunas de Bramante. Na planta deste último, com uma maior área de implantação, onde a planta seria ladeada por quatro pequenas cruzes nos seus extremos e respectivas coberturas hemisféricas, Miguel Ângelo alterou o projeto num deambulatório quadrado, simplificando assim a concepção do espaço interior. Desta forma, o novo foco do projeto seria a cúpula inspirada na concepção do celebre domo de Filippo Brunelleschi na catedral florentina de Santa Maria del Fiore.[5]

Sob a orientação de Miguel Ângelo, as paredes da abside abraçaram uma imponente monumentalidade. A contribuição mais importante do genial artista italiano foi a grande cúpula que se encontra sobre o altar-mor e onde se pressupõe a localização da tumba do apóstolo São Pedro. A enorme estrutura, apesar do seu peso foi capaz de transmitir a leveza e harmonia pretendidas.[46] Vinte e quatro anos depois da morte de Miguel Ângelo, a cúpula foi concluída segundo o desenho final de Domenico Fontana e Giacomo della Porta que pouco modificaram os planos do seu mestre.[47] Os mosaicos existentes no interior da obra são de Giuseppe Cesari e representam as diferentes hierarquias de santos na glória celestial, em que o Deus Pai é representado na lanterna central.[5] [15] [24] [48]

Fachada de Miguel Ângelo.

Conclusão da obra[editar | editar código-fonte]

A configuração actual da basílica em forma de cruz latina foi obra de Carlo Maderno, que durante o pontificado de Paulo V, acrescentou três novas crújias e projetou a fachada, composta por colossais ordens de colunas coríntias. Apesar dos vários pormenores ainda por arrematar, a basílica deu-se por concluída em 1626 e foi solenemente consagrada pelo Papa Urbano VIII.[15]

Vista da basílica do Castelo de Santo Ângelo mostra a cúpula que se ergue atrás da fachada de Maderno.

Gian Lorenzo Bernini, a pedido de Alexandre VII, projectou a grande Praça de São Pedro, assim como as colunatas que a rodeiam. Por todo o perímetro da praça podem ser vistas numerosas estátuas de santos de várias épocas e diferentes regiões.[49] Acima da fachada encontram-se as estátuas dos apóstolos (excepto de São Pedro), incluindo São João Batista e, no centro, Cristo. Bernini foi também responsável pela realização dos desenhos e plantas das torres sineiras que deveriam completar a fachada projetada por Marderno. Porém, devido ao tamanho colossal das torres - seis vezes mais pesadas do que as torres originais - e uma vez assentadas sob terreno pantanoso, a primeira e única torre concluída sob a direcção de Bernini, entre 1638 e 1641, teve que ser demolida após evidentes sinais de instabilidade da estrutura. Isto porque dois meses depois da entrega da primeira torre de Bernini ao público, em julho de 1641, rachaduras começaram a aparecer espalhando-se pela fachada principal da igreja.[50] Em 1644, o papa Urbano VIII, amigo de Bernini e defensor das suas torres, morre. A 23 de fevereiro de 1646, o Papa Inocêncio X toma a decisão de demolir a torre sul de Bernini. A demolição durou 11 meses com a obra entregue a Borromini. Em 1790, este problema foi sanado. As bases das torres sineiras permaneceram. Visto que Giuseppe Valadier estava determinado a não planear a construção de torres na fachada, após o insucesso de Bernini, os relógios que ocupam as extremidades da fachada foram por ele incluídos em finais do século XVIII.[51]

Bernini ocupou-se também da decoração interior do templo. Aqui, o seu maior trabalho foi o espectacular baldaquino de bronze sólido acrescentado sobre o altar-mor. O bronze empregue na construção do dossel foi extraído dos cofres da cúpula do Panteão de Agripa, em Roma, o que deu origem à frase: "Quod non fecerunt barbari, fecerunt Barbarini", expressão latina que significa "O que não fizeram os bárbaros, fizeram os Barberini", referindo-se a Urbano VIII. O baldaquino é formado por quatro colunas torsas decoradas por volutas com motivos florais, anjos e texturas simuladas num fuste retorcido. Por todas elas estão representadas abelhas, símbolo heráldico dos Barberini e cuja à família pertencia o pontífice.[52]

Bernini interveio também na decoração interior da abside, projetando a brilhante "Gloria" em trono de um óculo com a pomba representando o Espírito Santo. Abaixo, um relicário com a Basílica de São Pedro, suportado por gigantes esculturas de bronze dos Padres da Igreja.[53] A decoração dos pilares da cúpula foi também desenvolvida por Bernini, que concebeu espécies de nichos para acalentar as relíquias mais famosas da basílica. Sob a sua orientação, foram colocadas quatro monumentais esculturas, representado a Santa Helena, Santo André, Santa Verónica e São Longino, tendo ele mesmo realizado esta última.[54] O arquitecto foi definitivamente o favorito dos papas durante o século XVII, e a sua marca está presente em todo o interior do templo. Além das obras citadas, Bernini criou também a decoração da Capela do Santíssimo Sacramento, com um pavilhão ladeado por anjos; o monumento funerário da condessa Matilde de Canossa, protector do papado na Idade Média; assim como os túmulos dos papas Urbano VIII e Alexandre VII, duas peças-chave da escultura barroca.[55] Muitos outros artistas trabalharam para a basílica ao longo dos séculos. Entre eles o escultor Alessandro Algardi, autor do famoso relevo A Expulção de Átila, obra prima barroca, e o mestre do neoclassicismo Antonio Canova, que esculpiu um monumento ao papa Clemente XIII.[56] Algumas obras anteriores à própria construção da basílica servem actualmente como parte do seu ornamento. Entre eles destacam-se o mosaico representando A tempestade do Lago de Tiberíades, mais conhecido por La Navicella, uma obra de Giotto (retocada posteriormente) situada no sopé do templo,[57] ou o monumento funerário do Papa Inocêncio VIII, projetado por Antonio Pollaiuolo. Porém, a mais famosa obra de arte presente no interior da Basílica é a Pietà de Miguel Ângelo, uma das grandes realizações, que é venerada na primeira capela à direita.

Descrição[editar | editar código-fonte]

Planta da Basílica.

A Basílica de São Pedro é um dos maiores edifícios católicos do mundo. Possui 218 metros de comprimento[58] e 136 m de altura (incluindo a cúpula) e apresenta uma área total de 23 000  . O edifício está ligado ao Palácio Apostólico por um corredor em direção à Scala Regia, construída por Sangallo,[59] junto da fachada da Praça de São Pedro, e dois corredores que o ligam com a sacristia a ele adjacente. Esses viadutos foram projectados por Miguel Ângelo, por forma a que a sua presença não perturbe o perímetro da basílica, permitindo a existência de ramificações no templo. O exterior foi construído com travertino, e caracteriza-se pelo uso da ordem colossal a partir do qual se assenta o ático. Esta configuração foi idealizada por Miguel Ângelo e manteve-se no corpo longitudinal adicionado por Carlo Maderno.[24]

O interior da basílica abriga 45 capelas e 11 altares que abarcam obras de arte bastante valiosas, entre as quais algumas da antiga basílica, como a estátua em bronze de São Pedro (nº 89), atribuída a Arnolfo di Lapo.[60]

Exterior[editar | editar código-fonte]

As paredes exteriores da basílica, com excepção da fachada principal são compostas por superfícies planas separadas por pilastras. A primeira seção apresenta enormes nichos onde esculturas de santos, encomendadas por João Paulo II foram colocadas, para homenagear os santos e fundadores do nosso tempo; sobre estas encontram-se as grandes janelas que iluminam o interior do templo. Sobre o entablamento abrem-se outras janelas de menor tamanho. Algumas das esculturas presentes no exterior são as da Santa Teresa dos Andes da autoria de João Eduardo Fernandes Cox;[61] Santa Teresa de Jesus Jornet,[62] Santa Mariana de Jesus, São Josemaria Escrivá, trabalho de Romano Cosci,[63] Genoveva Torres Morales, de Alessandro Romano,[64] Santa Maria Soledad Torres Acosta,[64] Santa Brígida da Suécia; Santa Catarina de Siena; São Josep Manyanet i Vives;[65] São Gregório, o Iluminador;[66] Santa Maria Josefa Sancho de Guerra;[67] São Marcelino Champagnat;[68] Santa Rafaela Maria do Sagrado Coração, desenhada por Marco Augusto Dueñas;[67] e São Maron, do mesmo autor, que ocupou em 2011 o último nicho deixado livre na basílica.[69]

Fachada Principal[editar | editar código-fonte]

A fachada principal da basílica possui 115 m de largura e 46 m de altura.[70] Foi construída pelo arquiteto Carlo Maderno entre 1607 e 1614. É articulada através do uso de colunas de ordem colossal que enquadram a entrada e a Varanda das bênçãos - lugar onde é anunciado aos fiéis a eleição do novo papa, e no qual este dá a bênção Urbi et Orbi. Atrás da varanda, existe um enorme salão usado pelo papa para algumas audiências e outros eventos, chamada de Sala das bênçãos. Em continuidade, existe um alto-relevo de Ambrogio Buonvicino feito em 1614, intitulado A entrega das chaves a São Pedro. A fachada é precedida por duas estátuas de São Pedro e São Paulo, esculpidas em 1847 por Giuseppe de Fabris e Adamo Tadolini, respectivamente,[71] para substituir algumas anteriores feitas por Paolo Taccone e Mino del Reame em 1461. Na parte superior da fachada encontra-se o ático, onde abrem oito janelas decoradas com pilastras. Coroando o ático localiza-se uma balaustrada onde estão presentes estátuas de 5,7 metros: no centro está o Cristo Redentor, João Batista à direita, acompanhados por onze dos doze apóstolos, excepto São Pedro.[71] As esculturas são (da esquerda para a direita): Judas Tadeu, Mateus, Filipe, São Tomé, Santiago Maior, João Batista, Cristo Redentor, André, João Evangelista, Santiago Menor, Bartolomeu, Simão e Matias. Em cada lado existe dois relógios feitos em 1785 por Giuseppe Valadier. Sob os relógios encontram-se dois dos seis sinos da basílica. A fachada foi restaurada por ocasião do Jubileu do ano 2000. No entablamento, sob o frontão central, está gravada a inscrição:

• IN HONOREM PRINCIPIS APOST PAVLVS V BVRGHESIVS ROMANVS PONT MAX AN MDCXII PONT VII
Em honra do Príncipe dos Apóstolos, Paulo V Borghese Roman Pontífex Maximus 1612 sétimo ano do seu pontificado.

Pórtico[editar | editar código-fonte]

Pórtico da basílica.

O pórtico (ou atrium) possui cinco grandes entradas da praça para o nártex, e cinco portas correspondentes que levam ao interior da basílica. Entre elas estão quatro placas de pedra com inscrições antigas e modernas, e no chão um revestimento com brasões dos vários papas. Nas extremidades do pórtico existem dois vestíbulos, que abrigam oito estátuas em nichos, e por fim as estátuas equestres de Constantino (norte) e Carlos Magno (sul). O teto foi decorado com relevos em estuque de cenas da vida de São Pedro, e nas lunetas estão trinta e oito relevos dos Papas santificados. Acima da entrada central encontra-se o famoso mosaico Navicella de Giotto, e na parede oposta está o relevo Pasce Oves Meas de Bernini. As cinco portadas que compõem a entrada da basílica são: Porta da Morte, Porta do Bem e do Mal, Porta de Filarete, Porta dos Sacramentos e Porta Santa.[72]

Nave central[editar | editar código-fonte]

Nave central da basílica.

O espaço interior está dividido em três naves separadas por pilares. A nave central,[73] com 187 metros de comprimento e 45 metros de alturaé coberta por abóbadas de berços. Entre 1962 e 1965 esta nave sediou as sessões do Concílio Vaticano II. É de destacar o notável trabalho do chão de mármore que apresenta elementos da antiga basílica, como o disco de pórfiro vermelho egípcio onde Carlos Magno se ajoelhou no dia da sua coroação. A nave central possui uma área de dez mil metros quadrados de mosaico, resultado do trabalho de inúmeros artistas dos séculos XVII e XVIII, como Pietro da Cortona, Giovanni de Vecchi, Cavalier D'Arpino e Francesco Trevisani. Nos arcos encontram-se as estátuas das virtudes.[73] Nos pilares da esquerda, começando com a porta, a autoridade eclesiástica, a justiça divina, a virgindade, a obediência, a humildade, a paciência, a justiça e a fortaleza. À direita, a partir do altar, a caridade, a , a inocência, a paz, a constância, a misericórdia e a força. Nos pilares os nichos albergam as 39 esculturas dos principais santos. Nos pilares à direita, estão as estátuas de Santa Teresa de Jesus de 1754; Santa Madalena Sofia Barat de 1934; São Vicente de Paulo de 1754; São João Eudes de 1932; São Filipe Néri de 1737; São João Batista de La Salle de 1904; a antiga estátua de bronze de São Pedro de 1300; e São João Bosco de 1936. Nos pilares à esquerda: São Pedro de Alcântara de 1713; Santa Lúcia Filippini de 1949; São Camilo de Lellis de 1753; São Luís Maria Grignion de Montfort de 1948; São Inácio de Loyola 1733; Santo António Maria Zaccaria de 1909; São Francisco de Paula de 1732; São Pedro Fourier de 1899.[74] No perímetro da nave está anunciado no entablamento sob a abóbada, em letras de dois metros, a inscrição:[75]

• QVODCVMQVE LIGAVERIS SUPER TERRAM, ERIT LIGATVM ET IN COELIS, ET QVODCVMQVE SOLVERIS SVPER TERRAM, ERIT SOLVTVM ET IN COELIS • EGO ROGAVI PRO TE, O PETRE VT NON DEFICIAT FIDES TVA, ET TV ALIQVANDO CONVERSVS, CONFIRMA FRATRES TVOS
Tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que tu desligares na terra será desligado no céu. • Eu roguei por ti, para que tua fé não desfaleça, e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos

Nave da Epístola[editar | editar código-fonte]

Pietà de Miguel Ângelo.

A nave da Epístula situa-se no lado direito. A primeira capela abriga a Pietà de Miguel Ângelo (núm. 9).[76] Ao longo da nave encontram-se os monumentos funerários de Leão XII (núm. 10), obra de Giuseppe de Fabris; e a rainha Cristina da Suécia (núm. 11), de Carlo Fontana. Abaixo encontra-se a capela de São Sebastião (núm. 13),[76] [77] presidido por um mosaico alusivo ao martírio do santo, obra de Pietro Paolo Cristofari que se baseou numa pintura de Domenico Zampieri; o teto é decorado com mosaicos de Pietro da Cortona. Sob o altar estão preservados desde 2 de maio de 2011, os restos mortais do Papa João Paulo II, atrás de uma laje de mármore com a inscrição "BEATVS IOANNES PAVLVS PP. II".[78]

Na capela foram também preservados monumentos funerários de Pio XI (núm. 12) e Pio XII (núm. 14), feitos durante o século XX. Abaixo estão as lembranças dirigidas a Inocêncio XII (núm. 15), de Filippo della Valle (1746), e a Matilde de Canossa (núm. 16),[77] de Gian Lorenzo Bernini (1633). A seguir encontra-se a Capela do Santíssimo Sacramento (núm. 17),[76] protegida por uma porta projetada por Francesco Borromini. Nesta capela está preservado o Santíssimo Sacramento. Ao lado do cibório de bronze e do lápis-lazúli onde preside o altar, existem duas estátuas de anjos, iluminados por enormes lâmpadas a óleo que ardem continuamente. A capela foi projetada por Carlo Maderno para conectar a basílica atual com o corpo da antiga. É caracterizada por um telhado mais baixo do que o corpo da basílica, de modo a que se feche com uma plataforma que oculta a diferente elevação da cobertura. Nela estão presentes dois monumentos: Gregório XIII (núm. 18), de Camillo Rusconi em 1723, e o Gregório XIV(núm. 19). A partir daqui começa o deambulatório que circunda o espaço ao redor da cúpula.[77]

Nave do Evangelho[editar | editar código-fonte]

Tumba de Leão XI.

A nave do Evangelho está localizada à esquerda. A primeira capela é a "Capela do Baptismo" (núm. 71),[76] desenhada por Carlo Fontana e decorada com mosaicos de Baciccio realizados mais tarde por Francesco Trevisani. O mosaico atrás do altar é uma reprodução da pintura de Carlo Maratta presente na basílica Santa Maria degli Angeli e dei Martiri. Por trás desta capela estão as tumbas funerárias que contêm os túmulos de Maria Clementina Sobieski (núm. 70),[77] obra de Pietro Bracci de 1742, e a obra da família Stuart (núm. 69), de Antonio Canova em 1829, com os túmulos do rei Jaime Francisco Eduardo Stuart e dos seus filhos Carlos Eduardo Stuart e o cardeal Henrique Benedito Stuart. Segue-se a "Capela da Apresentação" (núm. 67),[76] cujo no altar se encontra o corpo de São Pio X. Nas paredes estão os monumentos de João XXIII (núm. 66)e Bento XV (núm. 68), realizados no século XX. A seguir o túmulo de São Pio X (núm. 65), de 1923, e a tumba de Inocêncio VIII (núm. 64),[77] realizado por Antonio Pollaiuolo no século XV. Por último está a Capela do Coro (núm. 63), presidida pelo "Altar da Imaculada Conceição" (núm. 62).[76] A capela é idêntica à "Capela do Santíssimo Sacramento", localizada ao lado da epístola, tendo portanto a mesma configuração. Na última coluna antes de passar para o deambulatório estão os monumentos de Leão XI (núm. 61), e de Inocêncio XI, obra de Alessandro Algardi em 1644 (núm. 60).[77]

Deambulatório[editar | editar código-fonte]

Relevo do Papa Leão I expulsando Átila.

O deambulatório é o espaço em torno dos quatro pilares de sustentação da cúpula e é o coração da igreja tal como Miguel Ângelo tinha projetado. Na coluna correspondente à nave da Epístola está o altar de São Jerónimo (núm. 20), com o túmulo do Papa João XXIII, sobre o qual se encontra um grande mosaico com pintura de Domenichino. O espaço entre a Capela do Sacramento e o cruzeiro, abriga a Capela Gregoriana (núm. 21), coberta por uma abóbada que forma uma das duas cúpulas menores. Aqui está o monumento de Gregório XVI,(núm. 22),[76] [77] obra de Luis Amici em 1848-1857. Ao lado deste, na parede norte, situa-se o "Altar de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro" (núm. 23), onde se encontram as relíquias de São Gregório de Nazianzo. Ao lado fica o Altar de São Basílio,(núm. 24), decorado por um mosaico do século XVIII, onde repousam os restos mortais de Josafat Kuncewicz e, de frente para ele, a tumba do Papa Bento XIV (núm. 25).[76] [77]

Uma vez atravessado o transepto surge-nos o Altar de Navicella (núm. 32), e em frente o monumento de Clemente XIII (núm. 31), obra de Antonio Canova em 1787-1792. Seguido dos altares de São Miguel Arcanjo (núm. 33), da Santa Petronilha (núm. 34) e de "São Pedro e ressurreição de Tabitha" (núm. 36). Na parede oeste está o Monumento de Clemente X (núm. 35),[76] [77] obra de Mattia de Rossi, no final do século XVII.

Tumba de Clemente X.

A sul do Deambulatório encontra-se, na coluna da cúpula, um altar presidido por um mosaico com o famoso quadro da Transfiguração de Rafael (núm. 59), cujo altar onde se encontra o corpo do Beato Inocêncio XI. A capela adjacente, similar à Gregoriana, é a Capela Clementina (núm. 58); nela se encontram os monumentos funerários de São Gregório Magno (núm. 56) e de Pio VII (núm. 57),[76] [77] obra de Bertel Thorvaldsen em 1831, o único artista não-católico que trabalhou na basílica. Em seguida localiza-se o Altar da Mentira (núm. 55)[76] decorado com um mosaico do século XVIII. De frente para o mesmo, a estátua de Pio VIII, obra de Pietro Tenerani em 1866, com uma porta que leva à Sacristia Maior da Basílica.[79] Do outro lado do transepto está o monumento funerário do Papa Alexandre VII (núm. 47),[77] uma obra notável de Gian Lorenzo Bernini representando o Papa em profunda oração, onde a morte é representada por um esqueleto que segura uma ampulheta acima de uma porta que simboliza a entrada para a vida após a morte. Em frente está o "Altar do Sagrado Coração de Jesus" (núm. 48),[76] com mosaicos de 1930. Posteriormente, a "Capela de Nossa Senhora do Pilar" (núm. 44), onde se encontram os altares dedicados à Virgem do Pilar (núm. 46) e o Papa Leão I (Leão Magno) (núm. 45), com um magnífico altar em mármore por Alessandro Algardi depois da expulsão de Átila feita entre 1645-1653. Finalmente, antes do presbitério, está o "Altar de São Pedro curando um paralítico" (núm. 43),[76] do século XVIII, e o túmulo do Papa Alexandre VIII (núm. 42).[77]

Órgão[editar | editar código-fonte]

O órgão da basílica está localizado entre o deambulatório e o presbitério que foi construído por Antonio Tamburini em 1962.[80] Tem dois corpos que estão localizados nos braços do deambulatório partindo do presbitério, respectivamente apelidado de "Cornu Epistolae" e "Cornu Evangelii".[81] Estes dois corpos correspondem a dois órgãos construídos no início do século XX por Vegezzi-Carlo Bossi e Walker. O órgão do primeiro corpo inclui os registos do segundo e terceiro teclado, enquanto que ao segundo corpo corresponde ao primeiro e o quarto teclados. Os registos de pedais estão divididos em duas partes, de acordo com a necessidade do organista. Este faz uso de duas consolas de transmissão elétrica, uma situa-se entre os bancos do canto coral durante as celebrações no interior, enquanto que a outra está localizada na praça para celebrações ao ar livre. Foram construídos pelo fabricante Mascioni em 1999. Em 1875, Aristide Cavaillé-Coll ofereceu ao Papa Pio IX o projeto de um grande órgão que nunca chegara a ser construído, à semelhança de tantos outros provenientes de França.

Transepto[editar | editar código-fonte]

O transepto norte estende-se até ao Palácio Apostólico e foi projetado e construído por Miguel Ângelo, que ampliou o deambulatório que os seus antecessores haviam projectado, acrescentando alguns altares constituídos por grandes janelas. No transepto a norte,[82] existem três altares dedicados a São Venceslau (núm. 27), São Erasmo (núm. 29), e no centro o dos santos mártires Proceso e Martiniano (núm. 28). O transepto sul é semelhante ao anterior,[76] [82] onde se encontram os altares dedicados a São José (núm. 51), no centro, e os da Crucificação de São Pedro(núm. 52) e São Tomé.(núm. 50).[76]

Ao longo do transepto, nos recantos das colunas são colocadas estátuas de santos e santas fundadores de ordens religiosas e congregações. No transepto direito: São Bonfiglio Monaldi (núm. 30, 1906); São José Calasanz (núm. 30, 1755); São Paulo da Cruz (núm. 85, 1876); São Bruno (núm. 85, 1744); Santa Luísa de Marillac (núm. 26, 1954); São Pedro Nolasco (núm. 26, 1742); Santa Maria Eufrásia Pellettier (núm. 86, 1942); e São João de Deus (núm. 86, 1745).[74] No transepto esquerdo: São Guilherme de Vercelli (núm. 49, 1878); São Norberto de Xanten (núm. 49, 1767); Santa Ângela de Merici (núm. 79, 1866); Santa Juliana Falconieri (núm. 79, 1740); Santa Joana Antida Thouret (núm. 53, 1949); São Jerónimo Emiliano (núm. 53, 1757); Santa Francisca Cabrini (núm. 77, 1947); São Caetano de Thiene (núm. 77, 1738).[74]

No perímetro do transepto esquerdo surge-nos no entablamento sob a abóbada e em letras de dois metros, a inscrição:[75]

• DICIT TER TIBI PETRE IESUS DILIGIS ME? CUI TER O ELECTE RESPONDENS AIS: O DOMINE TU QUI OMNIA NOSTI TU SCIS QUIA DILIGO TE
Ele disse pela terceira vez: Simão, filho de Jonas, tu me amas? Pedro entristeceu-se porque Jesus lhe perguntou pela terceira vez: 'Amas-me?
E ele disse: Senhor, tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo. Disse-lhe Jesus: Pastoreia as minhas ovelhas.
 
Bíblia, João 21:17.

Por sua vez, no transepto direito, é-nos possível observar a inscrição:[75]

• O PETRE, DIXISTI TU ES CHRISTUS FILIUS DEI VIVI, AIT IESUS: BEATUS ES SIMON BAR IONA QUIA CARO ET SANGUIS NON REVELAVIT TIBI
Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Jesus respondeu: Bendito és tu, Simão, filho de Jonas, porque não és de carne e osso.
 
Bíblia, Mateo 16:16-17.

Presbitério[editar | editar código-fonte]

Presbitério da basílica.

O presbitério apresenta uma estrutura semelhante à das extremidades do transepto. No seu centro encontra-se a Cátedra de São Pedro (núm. 39).[76] É uma obra monumental, um relicário concebido por Gian Lorenzo Bernini, contendo uma cadeira que remonta da época paleocristã, que segundo consta foi usada por São Pedro; a cadeira foi baseada nas esculturas dos quatro Padres da Igreja. Este conjunto está iluminado por um vitral com uma pomba que simboliza o Espírito Santo. À esquerda da cadeira encontra-se a estátua de Paulo III (núm. 40), projetado por Giacomo Della Porta. Enquanto isso, no lado direito está o túmulo de Urbano VIII (núm. 38), por Bernini em 1627, o monumento é baseia-se numa representação de uma estátua do papa no ato da bênção, a flanquear o sarcófrago estão as figuras da Caridade e da Justiça e no centro, um esqueleto inscreve o epitáfio.[77] Nas colunas encontram se as esculturas de São Domingos de Gusmão (núm. 37, 1706);[74] São Francisco Caracciolo (núm. 37, 1834); São Francisco de Assis (núm. 41, 1727); São Afonso Maria de Ligório (núm. 41, 1839). Por sua vez, nos pilares da cúpula encontram-se as esculturas de São Bento de Núrsia (núm. 81, 1735); Santa Francisca romana (núm. 81, 1850); São Francisco de Sales (núm. 83, 1845), São Elias de 1727.(núm. 83, 1727). Ao longo do perímetro do presbitério é descrita uma inscrição em latim e grego:[74]

• O PASTOR ECCLESIAE TU OMNES CHRISTI PASCIS AGNOS ET OVES • ΣΥ ΒΟΣΚΕΙΣ ΤΑ ΑΡΝΙΑ, ΣΥ ΠΟΙΜΑΙΝΕΙΣ ΤΑ ΠΡΟΒΑΤIΑ XΡΙΣΤΟΥ
Oh pastor da Igreja, alimenta todos os cordeiros e as ovelhas de Cristo
 
Bíblia João 21:15-19.

Altar Papal[editar | editar código-fonte]

Altar Papal.

O Altar Papal situa-se no cruzeiro sob a cúpula, enquadrado pelo monumental baldaquino de São Pedro (núm. 82),[76] trabalho de Gian Lorenzo Bernini, construído entre 1624 e 1633. O altar foi feito em bronze retirado do Panteão e possui uma altura de 30 m. É suportado por quatro colunas salomónicas com imitação do Templo de Salomão e do tabernáculo da antiga basílica, cujas colunas foram recuperadas e colocadas como adornos nos pilares da cúpula de Miguel Ângelo. No centro, sob o baldaquino, encontra-se um bloco paralelepípedo de mármore branco, rodeado por um enorme espaço sob a cúpula (o altar papal), e sobre ele um crucifixo feito de bronze e um conjunto de sete castiçais, onde apenas o papa pode celebrar a Eucaristia em ocasiões solenes no altar papal. Ele foi colocado verticalmente sobre o túmulo de São Pedro e consagrado a 5 de junho de 1594 pelo Papa Clemente VIII. Este altar é conhecido por "Altar da Confissão", estando situado no lugar conhecido como "Confessio", o túmulo do apóstolo que com o seu martírio confessou sua fé.[83] [84] [85]

Nos pilares que sustentação a cúpula estão quatro esculturas que enfrentam o altar, encomendadas por Urbano VIII, são elas: São Longino (núm. 88), de Gian Lorenzo Bernini em 1639; Santa Helena(núm. 84)[74] de Andrea Bolgi, em 1646; Santa Verônica(núm. 80); de Francesco Mochi em 1632; Santo André (núm. 76);[74] de François Duquesnoy em 1640. Sobre cada uma das estátuas existe uma varanda fechada atrás da qual estão presentes diversos relicários: na de São Longino, a relíquia da Lança Sagrada; na Santa Helena encontra-se parte da Vera Cruz; na Santa Verónica é preservado o tecido com o rosto impresso de Cristo; em Santo André, irmão de São Pedro, foi preservado o crânio do apóstolo que, no entanto, Paulo VI ofereceu-o aos ortodoxos como um gesto de boa vontade.[86] Na parte superior de cada pilar existem quatro mosaicos que representam os evangelistas com a sua respectiva representação iconográfica.[87] No entablamento, onde foram colocados quatro santos acima do baldaquino, está a inscrição:

• HINC VNA FIDES • MVNDO REFULGET • HINC SACERDOTTI • VNITAS EXORITVR •
Aqui se espalha por todo o mundo a única e verdadeira fé, aqui nasce a unidade do sacerdócio
 

Cúpula[editar | editar código-fonte]

Domo da Basílica.

A cúpula da catedral tornou-se um marco no estudo de engenharia de estruturas. Para reforçar a sua estrutura foi elaborado o primeiro cálculo estrutural conhecido. A cúpula apresentava uma concepção conservadora. De forma hemisférica, seria formada por quatro grandes arcos de 26 metros de vão e 46 metros de altura, sustentada por quatro grandes pilares ainda hoje existentes. A cúpula da Basílica de São Pedro eleva-se a uma altura total de 136,57  m do chão até ao topo da cruz no exterior. A mais alta cúpula do mundo, o seu diâmetro interno é de 41,47  m, um pouco menor que duas das três grandes cúpulas que a precederam: a do Panteão de 43,3  m, e a da Catedral de Florença com 44  m. Os arquitectos da Basílica de São Pedro usaram como base essas duas cúpulas para encontrar formas de conceber aquela que se tornou a maior cúpula da cristandade.[33]

O primeiro a realizar alguma modificação foi Sangallo, quem reprojetou a cúpula mudando-a de hemisférica para a forma obtida com a revolução de um arco segmentar e aumentando a altura da cúpula em nove metros. Após Sangallo, Miguel Ângelo assume-se como responsável pela grande maioria dos detalhes e esquemas estruturais existentes até hoje. Adoptou novamente a cúpula na forma hemisférica, porém projetada com duas camadas estruturais que a tornavam mais sólida. Além disso, os pilares sofreram novos reforços. Vinte e cinco anos após a morte de Miquel Ângelo, Giacomo della Porta e Domenico Fontana concluíram a cúpula. Em 1740, a cúpula passou a apresentar fissuras e desgastes que ameaçavam a sua segurança. Entretanto, um grande número de especialistas foi consultado, dentre eles Giovanni Poleni e uma solução de reforço tornou-se emergencial. Poleni, com o auxílio da literatura da época e com experimentos, como o emprego de catenárias, conseguiu determinar os esforços horizontais gerados pela cúpula e garantir a segurança da estrutura. Mais tarde, em 1742, com vista a uma maior segurança, mandou instalar cinco anéis de ferro adicionais, obra executada por Luigi Vanvitelli.[88] [89]

Sacristia[editar | editar código-fonte]

A sacristia maior refere-se a um edifício externo à basílica, localizado na parte sul, que se conecta com o templo através de dois corredores sobre arcos que acedem a basílica atravessando o túmulo de Pio VIII e a Capela do Coro. Em 1715 foi realizado um concurso para a construção da sacristia, onde o vencedor foi o projeto de Filippo Juvarra, cuja maquete de madeira está ainda preservada nas arrecadações da basílica. Porém, devido ao seu elevado custo a execução desse complexo foi impossibilitada. Em 1776, o Papa Pio VI encomendou a Carlo Marchionni a realização do actual edifício, concluído em 1784. O trabalho final foi bastante criticado, especialmente pelo estudioso Francesco Milizia, que inclusive forçou Marchionni a deixar a cidade. A sacristia apresenta uma planta octogonal e é coberta por uma cúpula. É ladeada por vários edifícios entre os quais a Sacristia dos Cânones e dos Beneficiários, a Casa do Capítulo e do Tesouro.[90]

Praça de São Pedro[editar | editar código-fonte]

Uma das duas fontes no centro da praça.

A leste da basílica situa-se a Piazza di San Pietro (Praça de São Pedro). A mais importante praça da cristandade é um exemplo das intervenções barrocas no espaço construído, tomado pelo casario medieval, em Roma. Este espaço de inspiração barroca, construído entre 1656 e 1667 por Bernini, segue contudo um estilo clássico. No seu centro foi erguido um obelisco que remonta do século XIII, de Heliópolis, Antigo Egito. A peça foi assentada frente à fachada de Maderno. Este obelisco, conhecido como A Testemunha, possui 25 metros de altura, e todo o conjunto, incluindo a base e a cruz no topo, alcança os 40 metros, sendo o segundo maior obelisco existente, e o único a permanecer em pé, desde a transferência do Egito e recolocação no Circo de Nero em 37 AD, onde se pensa testemunhar a outrora crucificação de São Pedro.[91] Esta alternância de sítios foi ordenada pelo Papa Sisto V e projetada por Domenico Fontana a 28 de setembro de 1586. Esta foi uma difícil operação, perto de terminar em desastre quando as cordas que seguravam o obelisco começaram a fumegar devido à fricção. Felizmente esse problema foi notado por um marinheiro, que pela sua rápida intervenção, foi-lhe outorgadas palmas como agradecimento, habitualmente realizadas na basílica a cada Domingo de Ramos.[15]

Outro conjunto característico da praça com o qual Bernini teve que lidar, foi a utilização das fontes projetadas por Maderno em 1613 e acrescentadas a cada um dos lados do obelisco, em paralelo com a fachada. O projeto de Bernini fez uso deste eixo horizontal como uma das principais características com o seu único, dinâmico e altamente simbólico design. As soluções a considerar seriam efetivamente, ou uma praça rectangular de grandes proporções projetada com relação ao obelisco no centro e a fonte a ele próximo, o que poderiam ser incluídos, ou uma praça trapezoidal que se desdobra-se a partir da fachada principal tal como a frente do Palazzo Pubblico localizado em Siena. Os problemas da planta quadrada seriam causados pelo facto da largura necessária ao seu cumprimento, implicaria a demolição de várias construções, incluindo algumas do Vaticano, minimizando contudo o efeito da fachada. Por outro lado, planta trapezoidal iria aumentar a aparência da fachada, sendo portanto percebida como um erro a desconsiderar.[30]

A engenhosa solução de Bernini foi criar uma praça com duas secções. A parte mais próxima da basílica é trapezoidal, porém, ao invés de abrir a partir da fachada do edifício, esta se fecha, contrariando assim a perspectiva visual. O que significa que através da segunda parte da praça, a construção parece mais próxima do que o é, na verdade. Assim, a largura da fachada é minimizada transmitindo a sensação de uma maior altura e proporção com a sua largura. O segundo lado da praça é composto por um enorme circulo elíptico que estreita delicadamente para o centro, do obelisco. Estas duas distintas áreas estão ladeadas por uma imponente colunata formada por dois pares de colunas que suportam o entablamento da subtil Ordem toscana.[30]

A colunata que delimita a elipse não a circunda por completo, estendendo-se em duas curvas, que simboliza os braços da "Igreja Católica Romana, que acolhem os seus seguidores".[30] Com isto, Bernini equilibra o espaço com outra fonte em 1675. A abordagem à praça costumava ser através de um aglomerado de prédios antigos, o que acrescenta um elemento surpresa para a vista que se abre na passagem pela colunata. Hoje em dia, uma longa e larga rua, a Via della Conciliazione, construída por Mussolini após a conclusão dos Tratados de Latrão, estende-se desde o rio Tibre até à praça, proporcionando aos visitantes uma ampla e distante visão da Catedral de São Pedro.[15]

As alterações de Bernini foram concebidas totalmente ao estilo Barroco. Enquanto que Bramante e Miguel Ângelo conceberam uma obra "auto-suficientemente isolada", Bernini fez com que todo o complexo "se relaciona-se entusiasticamente com o seu meio ambiente. Banister Fletcher afirma:"Nenhuma outra cidade tem proporcionado uma abordagem tão ampla na aproximação da sua catedral, nenhum outro arquiteto poderia ter concebido um projeto de maior nobreza... (é) o maior de todos os átrios ante da maior de todas as igrejas da cristandade".[8]

Praça de São Pedro, a basílica e o obelisco, da Piazza Pio XII.

Grutas do Vaticano[editar | editar código-fonte]

As Grutas do Vaticano foram criadas a partir da elevação entre a nova e a velha basílica. Possui a forma da igreja subterrânea com três naves e têm sido usadas como local para sepultar vários papas. O acesso realiza-se através de uma escadaria dupla cercada por uma elegante balaustrada sobre a qual ardem 99 velas. A escada parte da frente do altar papal e termina atrás da Confessório de São Pedro - obra de Carlo Maderno. Antes do mosaico de Cristo Pantocrator encontra-se o cofre que reúne os pálios. Depois do cofre estão os restos da tumba de mármore de São Pedro construída pelo imperador Constantino.[92] Na parte inferior encontra-se a bola de bronze, com o nome "catarata" ou "billicus confessionis" que era a entrada a partir da construção da primeira basílica para o túmulo de São Pedro.[93]

O Papa Pio XII, recém-eleito em 1939, concedeu a pesquisa arqueológica que em dez anos trouxe à luz o primeiro andar da Basílica de Constantino e mais tarde, os restos de uma necrópole romana que ocupava a encosta da Colina do Vaticano, tendo sido enterrada pelos construtores da primeira basílica. A existência desta área subterrânea confirma a crença de que o local do sepultamento de São Pedro está localizado no sítio onde foi erguido um monumento em memória do apóstolo, e em seguida a basílica.[94] Durante a escavação, entre 1953 e 1957, foi encontrado um nicho onde foi possível reconhecer uma gravação incompleta em grego com o nome de Pedro, dentro estavam alguns ossos embrulhados num pano roxo e fios de ouro. Esta descoberta foi anunciada por Pio XII convencido que os restos mortais eram do corpo de São Pedro. Estes restos mortais foram colocados no porão, na posição original, que se localizam exatamente sob Altar Papal, o baldaquino e a cúpula.[92] [94]

Arciprestes da basílica desde 1053[editar | editar código-fonte]

O arcipreste da Basílica de São Pedro é um chefe executivo do culto e cuidado pastoral da basílica, e é sempre um cardeal. Alguns dos mais proeminentes arciprestes da basílica foram os cardeais Giovanni Gaetano Orsini (1276-1277) e Pietro Barbo (1445-1464) que mais tarde se tornaram papas, Nicolau III e Paulo II, respectivamente. Actualmente, o cardeal Angelo Comastri é quem ocupa o cargo desde 10 de outubro de 2006.[95] [96]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Desde a Reforma, duvidou-se se São Pedro havia sido martirizado realmente em Roma e seus restos mortais estavam nesta Basílica, porém atualmente os historiadores concordam que São Pedro foi de fato martirizado em Roma e após uma minuciosa e meticulosa investigação nos anos 1950, o Papa Pio XII na enciclícia "Domenico Cardinale Tardini" (pág.:76), confirmou que haviam sido achados os ossos do mártir.
  2. A tumba de Júlio II ficou inacabada e por fim foi construída na Igreja de San Pedro ad Vincola.
  3. Leonardo da Vinci, por volta de 1490, realiza alguns estudos em plantas de igrejas: quase sempre estas organizações expandiram-se a partir do núcleo central, encimado por uma cúpula octogonal, semelhante à de Brunelleschi, a qual é flanqueada por cúpulas menores nas extremidades.

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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