Atos dos Apóstolos

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Os Atos dos Apóstolos (pré-AO 1990: Actos dos Apóstolos) (em grego: Πράξεις των Αποστόλων; transl.: ton praxeis apostolon; em latim: Acta Apostolorum) é o quinto livro do Novo Testamento. Geralmente conhecida apenas como Actos, ele descreve a história da Era Apostólica. O autor é tradicionalmente identificado como Lucas, o Evangelista.

O Evangelho de Lucas e o livro de Actos formavam apenas dois volumes de uma mesma obra, o qual daríamos hoje o nome de História das Origens Cristãs[1] . Lucas provavelmente não atribuiu a este segundo livro um título próprio. Sòmente quando seu evangelho foi separado dessa segunda parte do livro e colocado junto com os outros três evangelhos é que houve a necessidade de dar um título ao segundo volume[2] . Isso se deu muito cedo, por volta de 150 d.C. Tanto em sua intenção quanto em sua forma literária, este escrito não é diferente dos quatro evangelhos[3] .

Escritores dos séculos II e III fizeram várias sugestões para nomear essa obra, como O memorando de Lucas (Tertuliano) e Os actos de todos os apóstolos (Cânon Muratori). O nome que finalmente iria consagrar-se aparece pela primeira vez no prólogo antimarcionita de Lucas (final do século II)[4] ) e em Ireneu[5] . A palavra Actos denotava um gênero ou subgênero reconhecido, caracterizado por livros que descreviam os grandes feitos de um povo ou de uma cidade[2] . O título segue um costume da literatura helenística, que conhecia os Actos de Anibal, os Actos de Alexandre, entre outros.

O objetivo desse livro é mostrar a acção do Espírito Santo na primeira comunidade cristã e, por ela, no mundo em redor. O conteúdo do livro não corresponde ao seu título, porque não se fala de todos os apóstolos, mas somente de Pedro e de Paulo. João e Filipe aparecem apenas como figurantes. Entretanto, não são os actos desses apóstolos que achamos no livro, mas antes a história da difusão do Evangelho, de Jerusalém até Roma, pela acção do Espírito Santo[3] .

Composição[editar | editar código-fonte]

Autoria[editar | editar código-fonte]

Enquanto a identidade exata do autor é debatida, o consenso é que este trabalho foi composto por um gentio de fala grega que escreveu para uma audiência de cristãos gentios. Os Pais da Igreja afirmaram que Lucas era médico, sírio de Antioquia e um adepto do Apóstolo Paulo. Os estudiosos concordam que o autor do Evangelho de Lucas é o mesmo que escreveu o livro de Actos dos Apóstolos. A tradição diz que os dois livros foram escritos por Lucas companheiro de Paulo (nomeado em Colossenses 4:14 ). Essa visão tradicional da autoria de Lucas é "amplamente aceite, visto que a autoria Lucana é quem mais satisfatoriamente explica todos os dados"[6] . A lista de estudiosos que mantém a autoria de Lucas é longa e representa a opinião teológica maioritária[7] . No entanto, não há consenso. De acordo com Raymond E. Brown, a opinião corrente sobre a autoria de Lucas é 'dividida'.

Título[editar | editar código-fonte]

Ilustração bizantina do século X. Nela, Lucas escreve seu dois livros do Novo Testamento. De acordo com os especialistas, os livros de Lucas e Actos faziam parte da mesma obra.

O título Actos dos Apóstolos (grego Πράξεις ἀποστόλων praxeis Apostolon) não fazia parte do texto original. Foi usado pela primeira vez por Ireneu no final do século II. Alguns têm sugerido que o título de Actos deve ser interpretado como Os Actos dos Espírito Santo ou ainda Os Actos de Jesus, uma vez que Actos 1:1 dá a impressão de que esses actos foram definidos como algo que Jesus continuou a fazer e ensinar, sendo Ele mesmo o principal personagem do livro.

O Evangelho de Lucas e o livro de Actos formavam apenas dois volumes de uma mesma obra, o qual daríamos hoje o nome de História das Origens Cristãs[1] . Lucas provavelmente não atribuiu a este segundo livro um título próprio. Somente quando seu evangelho foi separado dessa segunda parte do livro e colocado junto com os outros três evangelhos é que houve a necessidade de dar um título ao segundo volume[2] . Isso se deu muito cedo, por volta de 150 d.C. Tanto em sua intenção quanto em sua forma literária, este escrito não é diferente dos quatro evangelhos[3] .

Escritores dos século II e III fizeram várias sugestões para nomear essa obra, como O memorando de Lucas (Tertuliano) e Os actos de todos os apóstolos (Cânon Muratori).O nome que finalmente iria consagrar-se aparece pela primeira vez no prólogo antimarcionita de Lucas (final do século II)[4] ) e em Ireneu[5] . A palavra Actos denotava um gênero ou subgênero reconhecido, caracterizado por livros que descreviam os grandes feitos de um povo ou de uma cidade[2] . O título segue um costume da literatura helenística, que conhecia os Actos de Anibal, os Actos de Alexandre, entre outros.

Género[editar | editar código-fonte]

A palavra Actos denotava um gênero reconhecido no mundo antigo, que era característico dos livros que descreviam os grandes feitos de pessoas ou de cidades. Existem vários livros apócrifos do Novo Testamento, incluindo dos Actos de Tomé até os Actos de André, Actos de João e Actos de Paulo. Inicialmente, o Evangelho segundo Lucas e o livro de Actos dos Apóstolos formaram uma única obra; Foi só quando os evangelhos começaram a ser compilados em conjunto que o trabalho inicial foi dividida em dois volumes com os títulos acima mencionados.

Os estudiosos modernos atribuem uma ampla gama de gêneros para os Actos dos Apóstolos, incluindo a biografia, romance e história. Entretanto, a maioria interpretam o gênero do livro de histórias épicas dos primeiros milagres cristãos, da história da igreja primitiva e das conversões[8] .

Fontes[editar | editar código-fonte]

O autor de Actos invocou várias fontes, bem como a tradição oral, na construção de sua obra do início da igreja e do ministério de Paulo. A prova disso é encontrada no prólogo do Evangelho de Lucas, onde o autor faz alusão às suas fontes, escrevendo:

Muitos já se dedicaram a elaborar um relato dos factos que se cumpriram entre nós, conforme nos foram transmitidos por aqueles que desde o início foram testemunhas oculares e servos da palavra. Eu mesmo investiguei tudo cuidadosamente, desde o começo, e decidi escrever-te um relato ordenado, ó excelentíssimo Teófilo, para que tenhas a certeza das coisas que te foram ensinadas. (Lucas 1:1-4)

A mesma maneira de se falar "Teófilo", é encontrada apenas em (Lucas 1:1-4) e em (Actos 1:1-2), indicando uma provável autoria de Lucas em Actos dos Apóstolos.

Fiz o primeiro tratado, ó Teófilo, acerca de tudo que Jesus começou, não só a fazer, mas a ensinar, até ao dia em que foi recebido em cima, depois de ter dado mandamentos, pelo Espírito Santo, aos apóstolos que escolhera. (Actos 1:1-2)

Alguns estudiosos acreditam que o nós das passagens encontradas no livro de Actos são exatamente algumas citações dessas fontes que anteriormente acompanharam Paulo em suas viagens. Acredita-se que o autor de Actos não teve acesso a colecção de cartas de São Paulo. Uma parte das evidências sugerem que, apesar do livro citar o autor acompanhando São Paulo em boa parte de suas viagens, Actos nunca cita diretamente nenhuma das Epístolas paulinas, nem menciona que São Paulo escrevia cartas. As discrepâncias entre as epístolas paulinas e Actos apoia ainda a conclusão de que o autor de Actos não tem acesso a essas epístolas ao redigir seu livro.

Entretanto, a melhor explicação para o uso do pronome nós a partir de Actos 16 é que o próprio São Lucas esteve com São Paulo nessas ocasiões. A sua lembrança como testemunha ocular, juntamente com o contacto pessoal bastante próximo com o apóstolo São Paulo, explica melhor o material de Actos 16-28.

Outras teorias sobre as fontes de Actos são ainda mais controversas. Alguns historiadores acreditam que os o livro toma emprestado fraseologia e elementos do enredo de As Bacantes e de Eurípedes[9] . Alguns acham que o texto de Actos mostra evidências de ter usado o historiador judeu Flávio Josefo como fonte[10] , mas essas duas evidências anteriores já se mostraram serem pràticamente impossíveis.

Local de composição[editar | editar código-fonte]

O lugar de composição e os leitores que São Lucas tinha em mente ao escrever seu livro ainda é incerto. A tradição liga Lucas com Antioquia. Existe uma pequena evidência interna que faz essa ligação. Outra possível localidade da composição desse livro é Roma, uma vez que a história de Actos termina ali.

Existe ainda outros estudioso que crêem que o livro foi escrito em Éfeso, visto que São Lucas demonstra considerável interesse por essa cidade. Observe as alusões feitas no livro de Actos a Escola de Tirano (Actos 19:9) e a Alexandre (Actos 19:33), além da detalhada topografia de Actos 20:13-15. Qualquer dos assuntos dessa região, incluindo o futuro da igreja em Éfeso (Actos 20:28-30), são tratados como se fossem de especial interesse de Teófilo e seu círculo. Existe também uma antiga tradição que afirma que São Lucas morreu perto na Bitínia. Por fim, foi nessa região que surgiram algumas controvérsias e alguns protestos públicos contra ele (por exemplo, Actos 19:23-41). Sendo assim, o trabalho de São Lucas seria uma tentativa de fazer uma apologia da Igreja Primitiva contra as acusações da Sinagoga que pretendia influências a política romana. É bom lembrar que o judaísmo tinha muita força na Ásia[11]

Precisão histórica[editar | editar código-fonte]

A questão da autoria está amplamente ligado ao valor histórico do conteúdo. A maioria dos estudiosos acreditam que o livro de Actos é històricamente exacto e válido segundo a arqueologia[12] , enquanto os críticos acham o trabalho muito impreciso, especialmente quando comparado com as epístolas de São Paulo[13] . A questão-chave da controversa da historicidade do livro é a descrição que Lucas faz de Paulo. De acordo com o ponto de vista da maioria, Actos descreve São Paulo diferente de como ele descreve a si mesmo em suas epístolas, tanto historicamente quanto teologicamente. Actos difere das cartas de São Paulo sobre questões importantes, tais como a Lei, o apostolado de São Paulo, bem como sua relação com a Igreja de Jerusalém. Os estudiosos geralmente preferem os relato de São Paulo. No entanto, alguns historiadores e estudiosos proeminentes, representando a visão tradicional, vêem o livro de Actos como sendo bastante precisos e corroborados pela arqueologia[14] , além de afirmar que a distância entre São Paulo das epístolas e o São Paulo do livro de Actos é exagerada pelos estudiosos.

Data da redacção[editar | editar código-fonte]

O cerco e destruição de Jerusalém, por David Roberts (1850). Para os especialistas, a não menção da rebelião judaica e da destruição da cidade ocorrida em 70 d.C. aponta para uma data anterior ao episódio

A atmosfera cultural e política descrita no livro de Actos sugere que o livro tenha sido escrito no século I[15] . Entretanto, as datas propostas para o livro vão de 62 d.C., ano em que ocorre o último acontecimento narrado no livro Atos 28:30, até meados do século II, quando ocorre a primeira referência explícita ao livro de Actos[16] . Para consultar a opinião de vários especialistas veja When was the Book of Acts witten?

Anterior a 70 d.C.[editar | editar código-fonte]

Donald Carson, Douglas Moo e Leon Morris datam o livro em 62 d.C.[17] . Os três especialistas observam que a ausência de qualquer menção à destruição de Jerusalém seria pouco provável se o livro tivesse sido escrito depois de 70 d.C.. Leon Morris sugeriu que a não menção da morte de Paulo, personagem central do livro, aponta para uma data antes de sua morte, em 64 d.C.. Além disso, não há referência no livro de Actos da morte de Tiago (62 d.C.) e de Pedro (67 d.C.). Howard Marshall observa que Lucas parece não ter lido as cartas de São Paulo[18] . Isso torna ainda mais improvável uma data avançada para o livro de Actos, uma vez que as cartas de São Paulo circulavam nas igrejas. Outros argumentos que apontam para essa data recente são: (1) a descrição que São Lucas faz do judaísmo como uma religião autorizada, uma situação que teria mudado abruptamente com a erupção da rebelião judaica contra Roma em 66 dC; (2) o facto de São Lucas omitir qualquer referência à perseguição promovida por Nero, a qual, caso tivesse acontecido enquanto São Lucas escrevia certamente teria afectado de alguma maneira a sua narrativa; (3) os detalhes vívidos da narrativa do naufrágio e da viagem (Actos 27:1 - 27), o que sugere uma experiência bem recente[19] . Outro ponto é que Lucas nota o cumprimento da profecia de Ágabo (Actos 11:28). Se estivesse escrevendo depois de 70 d.C., seria lógico esperar que mencionasse em algum lugar o cumprimento da profecia de Jesus de que a cidade seria destruída (Actos 21:20

Entre 80 e 95 d.C.[editar | editar código-fonte]

Actualmente, a maioria dos estudiosos acredita que Actos foi escrito nos anos 80 d.C. ou um pouco depois [20] . Um pequeno indicador sobre a possível datação do livro pode estar em Actos 6:9, que menciona a província de Cilícia. Essa Província romana tinha sido perdida em 27 d.C. e foi restabelecida pelo Imperador Vespasiano apenas em 72 d.C.[21] , o que dataria a obra depois dessa data. Entretanto, uma vez que São Paulo era da Cilícia e refere-se a si mesmo utilizando esse nome (veja Actos 21:39 e Actos 22:3), parece natural que o nome da província teria continuado a ser usado entre os seus moradores, apesar do hiato na nomenclatura oficial romana.

Outro argumento para essa datação é o pressuposto de que Actos foi escrito depois do Evangelho de São Lucas. Esses estudiosos costumam datar essa obra depois do ano 70 d.C. baseados em duas suposições: São Lucas foi escrito depois da queda de Jerusalém pelos romanos; a outra é que o Evangelho de Marcos, que Lucas provavelmente empregou, deve ser datado em meados dos fins do anos 60 d.C.. Isso colocaria o livro de Actos em meados de 75 d.C.[22] .

Uma data no século II[editar | editar código-fonte]

Hoje em dia poucos eruditos acreditam que Actos é uma obra do século II[23] . Mas o estudiosos que defendem essa hipótese apontam os vários paralelos existentes entre o livro de Actos e as duas mais importantes obras de Flávio Josefo: A Guerra dos Judeus (75–80 d.C.) e Antiguidades Judaicas (94 d.C.)[24] . Alguns eruditos argumentam que Lucas utilizou material das duas obras de Josefo, ao invés do contrário, o que indicaria que Actos foi escrito por volta do ano 100 d.C. ou um pouco mais tarde[25] [26] . Três pontos de contato principais com as obras de Flávio são citados: (1) As circunstâncias que rodearam a morte de Agripa I em 44 d.C.. Aqui Actos 12:21-23 é em grande parte paralela à Antiguidades Judaicas 19.8.2; (2) O tribuno romano confunde Paulo com o falso profeta egípcio que iniciou um revolta no Monte das Oliveiras Actos 21:38. Josefo cita essa revolta em A Guerra dos Judeus 2.13.5 e em Antiguidades 20.8.6; (3) As revoltas de Teudas e Judas, o galileu são citados por ambos os autores (Actos 5:36 e Antiguidades 20.5.1).

De acordo com John Townsend, não é antes das últimas décadas do século II que se encontra vestígios indiscutíveis do trabalho [livro de Actos][27] . Townsend, voltando-se para as fontes por trás dos escritos de pseudo-Clemente, argumenta que a data para a composição final da obra está na metade do século II. Entretanto, de acordo com Richard Pervo, o ensaio [de Townsend] é prudente mas metodològicamente aventureiro e em última análise é lição valiosa do perigo de se estabelecer a data de Actos ou de qualquer trabalho, alegando para o mais cedo possível de origem[28] .

Os argumentos mais fortes que ajudaram a minar esse ponto de vista foram os vestígios que Donald Guthrie encontrou do livro Actos na Epístola de Policarpo aos Filipenses (110 d.C.) e em uma epístola de Inácio (117 d.C.)[29] . De acordo com Guthrie, Actos provavelmente era bastante conhecido em Antioquia e Esmirna por volta de 115 d.C., e em Roma, perto de 96 d.C.[30] .

Principais acontecimentos[editar | editar código-fonte]

O Livro de Actos inicia-se com a ascensão de Jesus, o qual determinou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que fossem revestidos com por uma unção celestial que é descrita nos factos ocorridos durante o dia de Pentecostes. A escolha do discípulo Matias que foi precedida do suicídio de Judas, nos versículos de 1:16 -20 São Pedro fala sobre o campo (Aceldama) que ele adquiriu com as 30 moedas de prata.

Os capítulos seguintes relatam os primeiros momentos da igreja primitiva na Palestina sob a liderança de Pedro, as primeiras conversões de judeus e depois dos gentios, o violento martírio de Estêvão por apedrejamento, a conversão do perseguidor Saulo de Tarso (Paulo) que se torna a partir de então um apóstolo, mencionando depois as missões deste pelas regiões orientais do mundo romano, mais precisamente pela Ásia Menor, Grécia e Macedônia, culminando com a sua prisão e julgamento quando retorna para Jerusalém e, finalmente, fala sobre sua viagem para Roma.

Pode-se dizer que do começo até o verso 25 do capítulo 12, o Livro de Actos dá um enfoque maior ao ministério de São Pedro, em que, depois da ressurreição de Jesus Cristo e do Pentecostes, o apóstolo pregou corajosamente e realizou muitos milagres, relatando, em síntese, o estabelecimento e a expansão da Igreja pelas regiões da Judeia e de Samaria, seguindo para alguns países da Ásia Menor.

Já a outra metade da obra centraliza-se mais no ministério de São Paulo (do capítulo 13 ao final) e poderia ser subdividido em seis partes:

  1. a primeira viagem missionária liderada por São Paulo e Barnabé;
  2. o Concílio de Jerusalém;
  3. a segunda viagem missionária de São Paulo em que o Evangelho é levado à Europa;
  4. a terceira viagem missionária;
  5. o julgamento de São Paulo;
  6. a viagem de São Paulo a Roma.

Importante destacar que no livro de Actos é narrada a rejeição contínua do Evangelho pela maioria dos judeus, o que levou à proclamação das Boas Novas aos povos gentios, principalmente por São Paulo.

Estabelecimento da Igreja[editar | editar código-fonte]

Narra o livro de Actos que, antes de subir aos Céus, Jesus determinou aos seus discípulos que permanecessem em Jerusalém até que recebessem o poder do alto através do Espírito Santo e que a partir de então eles se tornariam suas testemunhas até os confins da terra. Enquanto aguardavam o cumprimento da promessa, foi escolhido o nome de São Matias em substituição a Judas Iscariotes que se tinha suicidado. Com a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes, ocorre uma experiência sobrenatural em que os judeus de outras nacionalidades que estavam presentes na festa ouviram os discípulos falando em seus próprios idiomas, o que chamou a atenção de uma multidão de pessoas para o local onde estavam reunidos.

Corajosamente, São Pedro inicia um discurso explicando o motivo do acontecimento em que três mil pessoas são convertidas para o Cristianismo que foram baptizados, passando a congregar levando uma vida de comunitária de muita oração onde se presenciavam prodígios e milagres feitos pelos apóstolos.

De acordo com os versos 42 a 44 do capítulo 2, os cristãos primitivos tinham todos os seus bens em comum, o que parece ter-se mantido por anos na igreja de Jerusalém. Já os versos 32 a 37 do capítulo 4 informam que "ninguém considerava exclusivamente sua nenhuma das coisas que possuía" e que os que eram donos de propriedades vendiam suas terras ou casas e depositavam o valor da venda perante os apóstolos para que houvesse distribuição entre os que tinham necessidades materiais.

Um milagre importante, a cura de um homem coxo de nascença que pedia esmola na porta do Templo, é relatado logo no capítulo 3 do livro, o que provoca a prisão de São Pedro e do Apóstolo João que são trazidos perante o Sinédrio. Repreendidos pelas autoridades judaicas para que não pregassem mais no nome de Jesus, os dois apóstolos, os quais responderam que estavam praticando a vontade de Deus e não dos homens.

Novas prisões dos apóstolos ocorrem no livro de Actos, pois o crescimento da Igreja incomodava o sumo sacerdote e a seita dos saduceus, conforme é narrado nos versos de 17 a 42 do capítulo 5 da obra. Porém, com o parecer dado pelo rabino Gamaliel, o Sinédrio resolve libertar São Pedro e os demais, depois de castigá-los com açoites.

Com o crescimento do número de discípulos, é instituído o cargo de diácono para ajudar nas atividades da Igreja, entre os quais estavam Estêvão e Filipe, o Evangelista que muito se destacaram em seus ministérios. Porém, Estêvão é preso, conduzido ao Sinédrio e condenado à morte.

As primeiras perseguições e a expansão da fé cristã[editar | editar código-fonte]

Após o apedrejamento de Estêvão, Saulo de Tarso empreende uma grande perseguição à Igreja em Jerusalém, o que dispersou vários discípulos pelas regiões da Judeia e Samaria, chegando também o Evangelho à Fenícia, Chipre e Antioquia.

Algumas obras de Filipe, o Evangelista, são narradas em Actos, entre as quais a sua passagem por Samaria e a conversão de um eunuco etíope na rota comercial de Gaza.

Saulo de Tarso ao tentar empreender novas perseguições, converte-se quando viajava para Damasco e tem uma visão de Jesus, ficando cego por três dias, até ser curado quando se encontra com Ananias.

Depois destes acontecimentos, a Igreja passa por um período de paz. Dois milagres de destaque narrados nesse momento da obra de São Lucas são a cura do paralítico Eneias, em Lida, e a ressurreição de Dorcas, na cidade de Jope.

Vimos em Dorcas um exemplo de alguém que se doou para que a Igreja nascente tivesse razão social de ser, além de razão espiritual convincente. Se a Igreja manifestava Jesus Cristo como aquele capaz de conduzir o homem a Deus pelo seu grande amor e doação pelos seres humanos, Deus usava seres humanos como Dorcas para manifestar o seu grande amor aos demais seres humanos numa dimensão horizontal. Foi assim que, morrendo Dorcas, a Tabita querida, Deus pode e quis ressuscitá-la pelo seu grande poder e amor diante do clamor dos que foram por ela favorecidos - toda a comunidade jopeana.

O Evangelho chega aos gentios[editar | editar código-fonte]

Narra o capítulo 10 de Actos que Simão Pedro, encontrando-se em Jope, recebe uma visão em que Deus lhe ordena alimentar-se de vários animais considerados imundos ou impróprios para o consumo (v.11), conforme a lei mosaica. Pedro entende então o real significado. A visão não o estava pedindo ou mudando a lei no que se refere a carne de animais imundos, mas que Deus estava o orientando para não fazer discriminação, pois o evangelho deveria ser pregado a todos independente da origem, judeus ou gentios (v.28). Entendendo isso, Pedro prega o Evangelho na casa de um centurião romano de Cesareia chamado Cornélio, o qual se converte juntamente com todos os que ouviram o discurso do apóstolo, sendo depois batizados.

Por este motivo, Pedro é questionado pelos outros apóstolos e cristãos da Judeia que se convencem.

Actividades missionárias de Paulo[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas. 
  2. a b c d CARSON, D A et al. Actos in Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1997. Pág. 203;
  3. a b c CULLMAN, Oscar. A formação do Novo Testamento. São Leopoldo: Sinodal, 2001. Pág. 37;
  4. a b BRUCE, FF. The Book of Actos. Grand Rapidis: Londres, 1954. Pág. 5 nota 6;
  5. a b Adv. Haer. 3.13.3;
  6. Donald Guthrie em New Testament Introduction (Leicester, Inglaterra: Apolo, 1990) diz que a visão tradicional é "amplamente aceite como o ponto de vista que mais satisfatòriamente explica todos os dados." (p. 119), enquanto RE Brown em Introdução ao Novo Testamento. (São Paulo: Paulinas, 2009) afirma que a opinião sobre a questão é "dividida" (p. 267-8);
  7. Para listar apenas algumas: H. Marshall, Actos - Introdução e Comentário (2009), p. 44-45; FF Bruce, The Acts of the Apostles (1952), p. 1-6; CSC Williams, The Acts of the Apostles, In: Black's New Testament Commentary (1957); W. Michaelis, Einleitung, p. 61-64; Bo Reicke, Glaube und Leben Der Urgenmeinde (1957), p. 6-7; FV Filson, Three Crucial Decades (1963), p. 10; M. Dibelius, Studies in the Acts of the Apostles (1956); Grant RM, A Historical Introduction to the New Testament (1963), p. 134-135; B. Gärtner, The Aeropagus Speech and Natural Revelation (1955), WL Knox, Sources of the Synoptic Gospels; RR Williams, The Acts of the Apostles; EM Blaiklock, The Acts of the Apostles, in Tyndale New Testament Commentary (1959); W. Grundmann, Das Evangelium nach Lukas, p. 39.
  8. THOMAS, Phillips. The Genre of Acts: Moving Toward a Consensus? Currents in Biblical Research 4, 2006, pág. 365 - 396;
  9. Randel McCram Helms (1997) Who Wrote The Gospels.
  10. STEVE, Mason. Josephus and the New Testament. Peabody: Hendrickson, 2003, pág. 185–229.
  11. Sir WM Ramsay, As Cartas às Sete Igrejas . ch, XII
  12. Acts & Archaeology: The College of Theology
  13. Catholic Encyclopedia: Acts of the Apostles: acusações contra a autenticidade do livro de Actos foram feitas por Bauer, Schwanbeck, De Wette, Davidson, Mayerhoff, Schleiermacher, Bleek e Krenkel. A principal objecção é retirada da discrepância Actos 9.19-28 com Gálatas 1.17-19. Em Gálatas, São Paulo, declara que, imediatamente após sua conversão, ele partiu para a Arábia, e voltou outra vez a Damasco. Então, depois de três anos, subi a Jerusalém para conhecer Cefas. Em Actos, nenhuma menção é feita à viagem de São Paulo à Arábia; e a viagem a Jerusalém é colocada imediatamente após o anúncio de São Paulo pregando nas sinagogas de Damasco. Hilgenfeld, Wendt, Weizäcker, Weiss, e outros alegam que há aqui uma contradição entre São Lucas e São Paulo.
  14. F F Bruce. Merece Confiança o Novo Testamento?. São Paulo: Vida Nova, 2010. "Um escritor que relaciona a própria narrativa com o contexto mais amplo da história secular se sujeita a sérias dificuldades, se não for cuidadoso; pois oferece ao leito crítico muitas oportunidades para testar sua exatidão. São Lucas enfrenta esse risco e passa no teste de forma formidável".
  15. WILLIAMS, David. Actos. São Paulo: Vida, 1996, pág. 24;
  16. Apologia1.50.12, de Justino
  17. CARSON, D.A. et al. Actos in Introdução ao Novo Testamento. São Paulo, Nova Vida, 1997;
  18. MARSHALL, Howard. Actos - Introdução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 2008, pág. 47
  19. HERMER, Book os Actos, pág. 376-390 e também LONGENECKER. Acto. pág. 236-238
  20. KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 1975, págs. 185-187
  21. A dictionary of the Roman Empire. Escrito por Matthew Bunson. Consulte a página 90
  22. WILLIAMS, David. Actos. São Paulo: Vida, 1996, pág. 25;
  23. CARSON, D.A. et al. Actos in Introdução ao Novo Testamento. São Paulo, Nova Vida, 1997. Pág. 215;
  24. CARRIER, Richard. Luke and Josephus Secular Web. Visitado em 4 de Janeiro de 2011.
  25. MASON, Steve. Josephus and the New Testament. Hendrickson Publishers: Peabody, Massachusetts, 1992, págs. 185-229;
  26. BURKITT, F C. The Gospel history and its transmission. 3 ed. págs. 105-110;
  27. TOWNSEND John. The Date of Luke-Acts in TALBERT, Charles H. Luke-Acts: New Perspectives from the Society of Biblical Literature Seminar. New York: Crossroad, 1984, pág. 47;
  28. PERVO, Richard I. Dating Acts: Between the Evangelists and the Apologists. Santa Rosa : Polebridge Press, 2006, pág. 330;
  29. Os traços sugeridos podem ser encontrados em Inácio e Policarpo. A semelhança que Lucas e Clemente fazem em Actos 13:22 e a Primeira Epístola de Clemente 18.01, com as mesmas características mas não encontradas na citação de Salmos 89:20, dificilmente pode ser acidental;
  30. GUTHRIE, Donald. New Testament Introduction . Downer's Grove, IL: InterVarsity Press. págs. 347–348;