Epístola a Filémon

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Fragmento da carta a Filemon

Filemon (ou Filémon) é uma das epístolas do Novo Testamento. Faz parte do chamado corpus paulinum, o grupo de cartas escritas pelo (ou associadas ao) apóstolo Paulo.

Índice

[editar] Conteúdo

A carta inicia-se com uma apresentação (vv. 1-3). Logo após, há os agradecimentos a Filemon por seu amor e por sua fé (vv. 4-7).

A parte central da carta é o pedido feito a Filemon a respeito do escravo Onésimo. Este havia fugido e, neste ínterim, se convertido ao cristianismo. Paulo, então, pede a Filemon que perdoe Onésimo e o acolha como um irmão em Cristo (vv. 8-22).

Por fim, há as saudações finais (vv. 23s) e uma bênção (v. 25).

[editar] Estrutura

a. Saudação (1-3)

b. Ações de Graça (4-7)

c. Intercessão por Onésimo (8-22)

i.O envio de Onésimo a Filemon (8-16)
1. A pessoa de Onésimo (8-10)
2. O valor de Onésimo (11)
3. A liberdade de Onésimo sugerida (12-16)
ii. A recepção de Filemon a Onésimo (17-22)

d. Saudações Finais (23-25)

[editar] Autoria

Esta é uma das poucas cartas sobre a qual não residem dúvidas quanto à autenticidade da autoria paulina.

Dentre todas as epístolas de Paulo, Filemon é a que mais se aproxima da forma das antigas cartas privadas. Seus traços pessoais apelam para a veracidade de Paulo como autor.

[editar] Epístola a Filêmon (Comentário)

São Filemon

Há uma conexão grande entre as cartas a Filemon e aos Colossenses. Além do estilo semelhante, as mesmas pessoas mencionadas em Filemon (como o próprio Onésimo, Arquipo e Lucas, por exemplo) aparecem também em Colossenses. Isto leva a crer que as duas cartas foram escritas na mesma época, provavelmente entre os anos 59 e 61, período em que Paulo estava preso em Roma.

Filêmon é uma epístola dirigida a um indivíduo específico. Um escravo seu, chamado Onésimo, havia fugido aparentemente depois de um roubo (cf. v. 18). Em situação desconhecida, Onésimo conheceu Paulo e, pelo testemunho deste, acabou por se converter (v. 10).

Paulo solicita, então, por meio da carta, que Filemon receba seu escravo fugitivo de volta não como um servo, mas como um irmão. Dois elementos são notáveis aí: Paulo não usa de sua autoridade apostólica (vv. 8,14); e Paulo não pede a libertação de Onésimo. Ele apela à consciência de Filemon para que o perdoe, ainda que o mantivesse como seu servo.

[editar] Temas

Pelo menos, dois temas principais são desenvolvidos na epístola: a necessidade do perdão, e a aplicação dos valores cristãos à realidade social (especificamente, ao problema da escravidão).

A expressão da espiritualidade cristã precisava ser traduzida no perdão: esta é a essência do apelo de Paulo a Filêmon. “Ele [Onésimo], antes, te foi inútil; atualmente, porém, é útil, a ti e a mim” (v. 11), ou seja, as relações mudaram: a utilidade de Onésimo para a Igreja era, agora, maior que para o próprio Filemon. Perdoar seu escravo fugitivo era prestar um serviço à Igreja.

Quanto à questão da escravidão, Paulo não propõe uma subversão desta instituição característica do período. O cristianismo, ao que parece, não deveria alterar os modelos sociais vigentes. Uma mudança interior de atitude era o que se requeria. Esta mudança interior em Filemon seria mais importante do qualquer mudança na própria instituição da escravidão.

[editar] Bibliografia

  • BROWN, Raymond. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulinas, 2004. pp. 665-675.
  • KÜMMEL, Werner G. Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Paulus, 1982. pp. 455-458.
Lucas escrevendo seu Evangelho. Ilustração bizantina do 10º século
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