Livro dos Juízes

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Livros de Neviim
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  5. Yonah [יונה]
  6. Mikhah [מיכה]
  7. Nakhum [נחום]
  8. Habaquq [חבקוק]
  9. Tsefania [צפניה]
  10. Haggai [חגי]
  11. Zekharia [זכריה]
  12. Malakhi [מלאכי]

Juízes (em hebraico: שֹּׁפְטִים, transl. Shoftim) é um livro dos Neviim judaico e do Velho Testamento cristão, que segue o Livro de Josué e antecede o Livro de Rute[1] [2] que trata da história dos israelitas entre a conquista da terra de Canaã no final da vida de Josué até o estabelecimento do primeiro reinado.

Escrito originalmente em hebraico, sua autoria é até hoje incerta: alguns afirmam que poderia ter sido o profeta Samuel, durante o reinado de Saul, em torno de 1050 a.C.; outros defendem a tese de que o livro teria sido elaborado durante o exílio na Babilônia, depois de 586 a.C., por pessoas anônimas a partir de mitos e tradições orais (mitologia judaica).[carece de fontes?]

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

Juízes retrata um período entre 1200 e 1020 AC, descrevendo a continuação da conquista da Terra Prometida e a vida das tribos até o início da monarquia, era um tempo de democracia tribal (Jz 17,6; Jz 21,25) e cheio de dificuldades. As tribos eram governadas por chefes que tinham um cargo vitalício (juízes menores); nos momentos de grande dificuldade surgem chefes carismáticos (juízes maiores), que unem e lideram as tribos na luta contra os inimigos.[3]

Os israelitas, que se encontravam na terra prometida, desviavam-se dos mandamentos divinos praticando a idolatria e por isso eram derrotados pelas nações vizinhas ou próximas que passavam a oprimir o povo. Então arrependiam-se e pediam a ajuda de Deus. Surgiam assim líderes, enviados por Ele, para resgatarem o povo de Israel dos inimigos e restabelecerem a obediência à lei mosaica.

Os Juízes eram então suscitados por Deus para libertar o seu povo eleito da opressão dos inimigos, devolver-lhe a paz e a posse de suas terras. Estes líderes agiam em nome Justiça divina e, movidos por profundo senso de fidelidade a Deus.

Eles tinham poder de reis, mas eram escolhidos por Deus. Também tinham dons de profecia, dirigindo o povo segundo a vontade do Altíssimo[4] .

O primeiro juiz foi Otniel (Otoniel em algumas traduções), o qual libertou os israelitas do rei Cusã-Risataim.

Após a morte de Otniel, os israelitas novamente afastaram-se dos mandamentos de Deus e foram dominados pelos moabitas. Novamente é levantado um novo juiz, Eúde que livra o povo de seus opressores.

Assim, seguem novos períodos sob a liderança dos juízes em que, repetidamente, os israelitas voltam a adorar deuses pagãos, são dominados por outros povos, arrependem-se e são mais uma vez libertos.

O penúltimo juiz da história do livro de juízes foi Sansão, o qual possuía uma força excepcional e teria liderado o povo contra os filisteus, mas foi traído por Dalila ao lhe revelar que o perderia sua força se cortassem seus cabelos. Após Sansão houve também como Juiz o profeta Samuel (1Sm 1-7), fechando assim o ciclo dos juízes sobre Israel. Entre alguns juízes durante essa época que mais se destacam no livro estão Débora, Gideão, Jefté e Sansão.

Porém, os judeus se cansaram deles e pediram a Samuel, último Juiz, que lhes desse reis como os tinham os países vizinhos. Embora o pedido o tivesse desagradado enormemente a ele e a Deus, concedeu-lhes o solicitado, fazendo-lhes contudo profeticamente saber tudo o que haveriam de sofrer por causa desse pedido[5] .

O livro termina relatando a decadência moral dos israelitas, assim concluindo no verso 6 do capítulo 17: "Naqueles dias, não havia rei em Israel; cada qual fazia o que achava mais reto."


Há uma complicada descrição acerca da guerra civil entre dois grupos de israelitas: os gileditas e os eframitas.[6] Neste episódio da história, os gileditas tomaram o Rio Jordão, obrigando cada um que quisesse passar a dizer a senha aos guardas: shibboleth.[6] Por alguma razão inexplicada, os efraimitas não conseguiam pronunciar o "sh" de shibboleth, então diziam "sibboleth" em seu lugar.[6] Quando um efraimita falhava no teste oral, os gileaditas deviam capturá-lo.[6]

Composição[editar | editar código-fonte]

Fontes[editar | editar código-fonte]

A teoria dos céticos e liberalistas teológicos sobre a fonte básica para a redação do livro de Juízes é seguinte: teria sido um conjunto de histórias debilmente conectadas a respeito de heróis tribais que salvavam seu povo em batalha.[7] Essa versão original do "livro dos salvadores", feita por meio de histórias de Ehud, Jael e partes de Gideão, já havia sido alargada e transformada em um livro sobre as "guerras de Yahweh" antes de receber sua forma final na revisão deuteronomística.

No século XX, a primeira parte do prólogo (capítulos 1:1-2:5) e as duas partes do epílogo (17-21) eram normalmente vistas como coleções de fragmentos adicionados ao texto principal, e a segunda parte do prólogo como uma introdução composta expressamente para o livro; essa perspectiva foi desafiada nas últimas décadas do século XX, e há uma crescente tendência a se interpretar Juízes como a obra de apenas um autor trabalhando por meio de seleções cuidadosas para introduzir e concluir seus temas. Uma afirmação repetida através do livro ("Nos dias em que não havia rei em Israel, cada homem fazia o que lhe parecia correto.") indica um autor monarquista. O epílogo, no qual o reino de Judá assume o papel de liderança duas vezes, indica uma tendência pró Judá por parte do autor.

Por outro lado, considerando-se a possível autoria de Samuel, este teria usado como fonte livros antigos de autoria desconhecida que relatavam este período da história de Israel, e compilado os episódios de forma metódica e cronológica. Dessa maneira, o livro já estaria completamente escrito durante o reinado de Davi.

Lista dos juízes e suas tribos[editar | editar código-fonte]

Cronologicamente podem-se mencionar os seguintes líderes que teriam julgado Israel, com suas respectivas tribos de origem e referências bíblicas:

Outros personagens[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português). 2. ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. 1133 pp. 2 vols. ISBN 9788527603478.
  2. Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português). 23. ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. 439 pp. ISBN 9788573671346.
  3. Juízes acessado em 22 de julho de 2010
  4. Sansão e suas proezas
  5. Sansão e suas proezas
  6. a b c d Good Book (em inglês) Slate. Visitado em 13 de julho de 2011. "When I was reading Judges one day, I came to a complicated digression about a civil war between two groups of Israelites, the Gileadites and the Ephraimites. According to the story, the Gileadites hold the Jordan River, and whenever anyone comes to cross, the guards ask them to say the password, shibboleth. The Ephraimites, for some unexplained reason, can't pronounce the sh in shibboleth and say "sibboleth" instead. When an Ephraimite fails the speech exam, the Gileadites "would seize him and slay him.""
  7. J. Alberto Soggin. Judges.


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