Livro dos Provérbios

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O livro de Provérbios é um dos livros sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia, vem depois do Livro de Salmos e antes de Eclesiastes.[1] [2] Conforme declara a sua introdução, tem como propósito ensinar a alcançar sabedoria, a disciplina e uma vida prudente e a fazer o que é correto, justo e digno. Em suma, ensina a aplicar e fornecer instrução moral.

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Provérbio é uma frase curta, bem construída, que expressa uma verdade adquirida através da experiência e que se impõe pela forma breve e pela agudez das observações. Os provérbios são ensinamentos deduzidos da experiência que o povo tem da vida, e sua finalidade é instruir, esclarecendo situações de perplexidade e fornecendo orientações para a vida humana, como as setas de uma estrada (1,1-7)[3] .

O livro todo é um convite para valorizar não só a cultura popular, mas também, e principalmente, a percepção religiosa que o povo tem de uma Sabedoria que vem de Deus e é seu dom aos pequeninos; sabedoria que nem sempre é captada e compreendida pelos sábios e doutores (Mt 11,25)[3] .

O título do livro vem originalmente de sua forma hebraica Míshlê Shelomoh ("Provérbios de Salomão"). Como é comum na Bíblia Hebraica, o título hebraico do livro é simplesmente um conjunto de palavras do primeiro verso do livro. Na Septuaginta esse livro se chama Paroimiai, que significa "provérbios, parábolas". O Livro de Provérbios ocupa o terceiro lugar na ordem dos Hagiógrafos no Cânon Judaico, e foi um dos que foram discutidos no Sínodo de Jamnia. A tendência não era excluí-lo do Cânon Sagrado, mas da leitura pública, na sinagoga. A questão básica girava em torno de Pv. 26.4,5, pois alguns rabinos viam contradições nessas passagens; a conclusão deles é que o primeiro versículo diz respeito à Lei e o segundo fala sobre a vida secular.

Características[editar | editar código-fonte]

Autoria[editar | editar código-fonte]

A autoria do livro de Provérbios não é algo fácil de determinar. Contudo estudiosos apontam que foi Salomão aquele que escreveu a maior parte. Agur e Lemuel contribuíram nas últimas seções.

Por outro lado, a Edição Pastoral da Bíblia sustenta que não foram escritos por um único autor e não pertencem à mesma época. A maioria deles nasceu da experiência popular, que foi depois coletada, burilada e editada por sábios profissionais desde o tempo de Salomão (950 AC) até dois séculos depois do exílio (400 AC). Foram atribuídos ao rei Salomão por causa de sua fama de sábio (1Rs 3-5) mas, quando se observa atentamente os vários subtítulos que aparecem no livro, pode-se facilmente distinguir nove coleções, provindas de tempos e mãos diferentes[3] .

A Bíblia de Jerusalém sustenta que o livro se formou em torno de duas coleções principais "Provérbio de Salomão" (10:1-22:16), com 375 sentenças, e Provérbios de Salomão transcritos de pelos homens de Ezequias" (caps. 25 a 29), com 128 sentenças, precedidos por uma longa introdução (caps. 1 a 9). Além disso duas pequenas coleções (22:17-24:22 e 24:23-24) foram juntadas como apêndices da primeira coleção principal, e três outras pequenas coleções (Palavras de Agur 30:1-14, provérbios numéricos 30:15-33, as palavras de Lamuel 31:1-9) e um poema alfabético que louva a mulher perfeita 31:10-31 foram juntadas como apêndices da segunda coleção principal[4] .

Os nomes dos dois sábios árabes (Agur e Lemuel) são fictícios e não pertencem a personagens reais, mas atestam o valor que se dava à sabedoria estrangeira[5] .

Pode-se dizer com segurança que os caps. 10 a 29 são anteriores ao Exílio na Babilônia, enquanto que a introdução é posterior ao exílio, provavelmente escrita no séc. V AC[5] .

Nas duas coleções principais predomina uma sabedoria humana e profana que desconcerta o leitor cristão[6] .

Formas literárias[editar | editar código-fonte]

Podemos encontrar diversas formas literárias no livro de provérbios: poemas, pequenas parábolas, lições de vida. Entre as figuras literárias mais comuns, podemos citar as antíteses, as comparações e personificações.

Características adicionais[editar | editar código-fonte]

O livro de Provérbios também é considerado um livro poético, assim como, filosófico, que juntamente com o livro de Jó e Eclesiastes formam os três livros filosóficos da Bíblia. "Todo homem prudente age com base no conhecimento" (Pv. 13.16). O homem sábio é poderoso e quem tem conhecimento aumenta sua força…" (Pv. 24.5, Bíblia Nova Versão Internacional). Outra peculiaridade é o fato do seu conteúdo ser prático, baseado em conceitos da vida cotidiana. Salomão era muito observador, e transformou suas experiências pessoais em conceitos simples para ajudar as gerações futuras nas mais diversas situações da vida cotidiana. Não foi em vão, pois, quando lhe fora dado o direito de pedir qualquer coisa, por Deus, pediu sabedoria… (1Rs 3.1-15)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Echegary, J. González et ali. A Bíblia e seu contexto (em português). 2. ed. São Paulo: Edições Ave Maria, 2000. 1133 pp. 2 vols. ISBN 978-85-276-0347-8.
  2. Pearlman, Myer. Através da Bíblia: Livro por Livro (em português). 23. ed. São Paulo: Editora Vida, 2006. 439 pp. ISBN 978-85-7367-134-6.
  3. a b c ProvérbiosEdição Pastoral da Bíblia, acessado em 08 de agosto de 2010
  4. Bíblia de Jerusalém, Nova Edição Revista e Ampliada, Ed. de 2002, 3ª Impressão (2004), Ed. Paulus, São Paulo, p 1.020
  5. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas name
  6. Bíblia de Jerusalém, cit., p 1.021


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