Javé

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Javé (em hebraico: יהוה) é o nome de Deus na Bíblia.[1]

Também é utilizado a forma Jeová para o nome (em hebraico: יהוה) do Deus na Bíblia.

A palavra Javé (Yahweh, ou Yehovah) é uma convenção acadêmica para o hebraico יהוה, transcrito em letras romanas como YHWH, e conhecido como o Tetragrama, cuja pronúncia original é desconhecida. O significado mais provável de seu nome seria "aquele que traz à existência tudo que existe", porém existem diversas teorias e nenhuma é tida como conclusiva.[2]

A Bíblia descreve Javé (Jeová) como o Deus que libertou Israel do Egito, e deu os Dez Mandamentos."Então falou Deus todas estas palavras, dizendo: 'Eu sou Jeová teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa de servidão. Não terás outros deuses diante de mim" Êxodo 20:1-3 (Sociedade Biblica Britânica[3] ) ,e afirma que Javé (Jeová) se revelou a Israel como um Deus que não permitiria que seu povo fizesse ídolos ou venerasse outros deuses:Êxodo, 20:2–6 "Eu sou Jeová; este é o meu nome: a minha glória não a darei a outrem, nem o meu louvor às imagens esculpidas."Isaías, 42:8 (Sociedade Biblica Britânica[4] )

A história do surgimento do monoteísmo israelita e da adoração à Javé (Jeová) tem sido alvo de estudos acadêmicos desde pelo menos o século XIX, e a obra Prolegômenos à História de Israel, de Julius Wellhausen; no século XX, uma obra formativa foi Yahweh and the Gods of Canaan – An Historical Analysis of Two Contrasting Faiths (1968), de William F. Albright,[5] que insistiu na diferenciação essencial de Javé dos outros deuses canaanitas já no início da história de Israel. No entanto, estudiosos do antigo Oriente Médio têm visto, desde então, o culto a Javé como tendo surgido de um contexto semítico ocidental e canaanita.[6] [7] Nomes teofóricos, nomes de divindades locais semelhantes a Javé (Jeová), e evidências arqueológicas foram usadas, juntamente com as fontes bíblicas, para descrever as origens pré-israelistas da adoração à Javé (Jeová), a relação de Javé (Jeová) com os deuses locais, e o modo com o qual a adoração à Javé evoluiu para o monoteísmo judaico.

A adoração exclusiva à Javé (Jeová) é uma idéia central do judaísmo histórico.[8] Boa parte da CristandadeJesus como a encarnação humana de Javé (Jeová).[9] A importância do nome divino e o caráter do "único Deus verdadeiro" revelado como Javé (Jeová) frequentemente são contrastadas com o caráter significativamente diferente das divindades locais, conhecidas por diferentes nomes nas religiões politeístas tradicionais.[10] Alguns acadêmicos, entre eles o arqueólogo americano William G. Dever, sustentam que Aserá, a deusa-mãe semita, era cultuada na forma de consorte de Javé, até o século VI a.C., quando a monolatria rígida de Javé se tornou predominante, às vésperas da destruição do templo.[11] [12] A hipótese da consorte, no entanto, tem sido debatida extensivamente, e diversos estudiosos publicaram suas discordâncias a seu respeito.[13]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. The Jewish Study Bible, Oxford University Press, 2004, pp. 111–112
  2. "Yahweh." Encyclopædia Britannica Online. 10 de dezembro de 2009
  3. http://ie8.bibliaonline.com.br/tb/ex/20
  4. http://ie8.bibliaonline.com.br/tb/is/42
  5. Yahweh and the Gods of Canaan: An Historical Analysis of Two Contrasting Faiths (9780931464010)
  6. Gnuse, Robert K. No Other Gods: Emergent Monotheism in Israel, Sheffield Academic Press (1997) p. 74–87
  7. Mark S. Smith, The Early History of God, Yahweh and Other Deities in Ancient Israel, Eerdmans (2002)
  8. Deuteronômio, 6:4; Michael D Coogan, The Illustrated Guide to World Religions, Oxford University Press (2003) p. 6
  9. David B. Capes, Old Testament Yahweh Texts in Paul’s Christology, J.C.B. Mohr (1992) p. 164; Walter A Elwell, Philip Wesley Comfort, Tyndale Bible Dictionary, Tyndale (2001) p. 869
  10. David B. Capes, Old Testament Yahweh Texts in Paul’s Christology, J.C.B. Mohr (1992) p. 49; Terry R Briley, Isaiah, Volume 1, College Press (2001) p. 48
  11. William G. Dever, Did God Have A Wife?: Archaeology and Folk Religion in Ancient Israel, Eerdmans Publishing (2005)
  12. Judith M. Hadley, The Cult of Asherah in Ancient Israel and Judah: Evidence for a Hebrew Goddess, Cambridge University Press (2000) p. 122–136
  13. A Shmuel, "Did God Really Have a Wife?", Biblical Archaeology Review, Vol. 32 (2006) pp. 62–66; Mark S. Smith, The Early History of God, Yahweh and Other Deities in Ancient Israel, Eerdmans (2002), p. xxxii–xxxvi; John Day, Yahweh and the Gods and Goddesses of Canaan, Sheffield Academic Press (2002) p. 50–52; "Who or What Was Yahweh’s Asherah?" André Lemaire, BAR, 10:06, nov/dez de 1984; Kuntillet ‘Ajrud, Mercer Bible Dictionary, Mercer University Press (1991) p. 494–494; Othmar Keel, Christoph Uehlinger, Gods, Godesses, and Images of God in Ancient Israel, Fortress Press (1998) p. 237; "Yahweh and His Asherah": the Goddess or Her Symbol? J.A. Emerton, Vetus Testamentum, volume 49, número 3, 1999 , pp. 315–337(23)