Elefantina

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Imagem: Monumentos Núbios de Abu Simbel a Filae O sítio arqueológico de Elefantina está contido no sítio Monumentos Núbios de Abu Simbel a Filae, Património Mundial da UNESCO. Welterbe.svg
Elefantina. À esquerda pode ver-se o Nilómetro e o Museu de Assuão

Elefantina é uma ilha no rio Nilo, no sul do Egipto, situada frente à cidade de Assuão. Encontra-se a cerca de 900 quilómetros a sul do Cairo, a capital egípcia. Tem cerca de 1500 metros de comprimento e 500 metros de largura na parte sul.

O nome Elefantina é de origem grega e significa "cidade dos elefantes". Não se sabe se este nome estaria relacionado com o facto de na ilha se realizarem trocas de marfim (o comércio foi a principal actividade económica da ilha) ou pelo facto de existirem perto da ilha umas rochas que fazem lembrar elefantes. Os antigos egípcios denominavam a ilha Abu ou Yebu (termos que também significam elefante); por sua vez, os árabes deram-lhe o nome de "ilha das flores".

Foi a capital do I nomo do Alto Egipto, estando a ilha associada a Khnum, o deus com cabeça de carneiro. Este deus formava em Elefantina, junto com as deusas Satet e Anuket, uma tríade, ou seja, um agrupamento de três divindades (o agrupamento de deuses era uma das características da mitologia egípcia).

A ilha funcionava como fronteira natural do Egipto, devido ao facto de se situar junto à primeira catarata do Nilo. No extremo meridional da ilha erguia-se o núcleo urbano.

Na época do rei Apriés (XXVI Dinastia) os judeus fixaram-se na ilha, onde formaram uma comunidade próspera. Após o período de dominação persa sobre o Egipto os judeus foram perseguidos, talvez devido às simpatias que tinham por aquele povo. Sabe-se que na ilha existiu um templo dedicado a seu Deus, que seria destruído.

Actualmente Elefantina é uma atracção turística egípcia, onde chegam os vários cruzeiros que percorrem o Nilo.

Arqueologia[editar | editar código-fonte]

Nilómetro em Elefantina

A ilha tem sido alvo de escavações arqueológicas intensas nas últimas décadas, apesar do governador turco de Assuão ter mandado destruir vários achados da ilha em 1822.

Destaca-se na ilha o Nilómetro, mencionado pelo grego Estrabão, que era uma forma de medir o nível do Nilo, consistindo num conjunto de oitenta degraus que se acham na costa, junto ao rio. É possível observar marcações nas suas paredes que remontam ao período romano.

O faraó Amenófis III (Amenófis III) mandou construir na ilha um templo por ocasião do seu jubileu, no trigésimo ano do seu reinado. Este templo, que estaria situado a oeste do Nilómetro, existiu até ao século XIX, mas nada resta dele actualmente. Sucedeu o mesmo ao templo de Tutmés III, destruído em 1822. Ramsés II também mandou construir um pequeno templo, igualmente perdido.

Nesta ilha foi descoberta uma pequena pirâmide da época do Império Antigo e um calendário inscrito na rocha da época do rei Tutmés III (XVIII Dinastia).

Nectanebo II mandou construir na ilha um grande templo dedicado a Khnum que foi concluído no período ptolemaico e romano e cujas ruínas se acham no local.

Na margem esquerda do Nilo, em Qubbet el-Haua, localizam-se túmulos escavados na rocha de governantes locais da época do Império Antigo e do Império Médio, destacando-se o túmulo do governador Sarenput (XII dinastia).

Referências[editar | editar código-fonte]