Evangelho segundo João

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O Evangelho segundo João[1] [2] é o quarto e último evangelho da Bíblia, após o Lucas e antes dos Atos dos Apóstolos.

Sua autoria é tradicionalmente atribuída a João, o "discípulo amado", irmão de Tiago, e foi escrito entre os anos 95 e 100. Cronologicamente, foi o último a ser escrito.

A maior parte dos seus relatos é inédita em relação aos outros três evangelhos, o que sugere que o autor tivesse conhecimento do conteúdo deles ao escrever seu livro. Mais da metade desse evangelho é dedicado a eventos da vida de Jesus Cristo e a suas palavras durante seus últimos dias. O propósito de João foi inspirar nos leitores a em Jesus Cristo como o Filho de Deus.[3] João também dá ênfase à total dependência humana em relação a Deus para a salvação.

Estrutura e conteúdo[editar | editar código-fonte]

O evangelho segundo São João é dividido em 21 capítulos, sendo cada capítulo dividido em versículos. Para facilitar a leitura, na Bíblia de Jerusalém houve acréscimo de intertítulos, conforme segue:[4]

Evangelho segundo São João[editar | editar código-fonte]

Prólogo (início do capítulo 1)

O ministério de Jesus[editar | editar código-fonte]

1. O anúncio da nova economia

A. A semana inaugural

  • O testemunho de João

[...ele vê Jesus aproximar-se dele e diz: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Dele é que eu disse: Depois de mim vem um homem que passou diante de mim, porque existia antes de mim. Eu não o conhecia, mas, para que fosse manifestado a Israel, vim batizar com água". João 1,29-31

  • Os primeiros discípulos
  • As bodas de Caná (início do capítulo 2)

B. A primeira Páscoa

  • A purificação do Templo
  • Estada em Jerusalém
  • O encontro com Nicodemos (início do capítulo 3)
  • Ministério de Jesus na Judeia. Último testemunho de João.
  • Jesus entre os samaritanos (início do capítulo 4)
  • Jesus na Galileia
  • Segundo sinal em Caná: cura do filho de funcionário real

2. Segunda festa em Jerusalém (primeira oposição à revelação)

  • Cura de um enfermo na piscina de Betesda (início do capítulo 5)
  • Discurso sobre a obra do Filho

3. A Páscoa do pão da vida (nova oposição à revelação)

  • A multiplicação dos pães (início do capítulo 6)
  • Jesus vem ao encontro de seus discípulos, caminhando sobre o mar
  • Discurso na sinagoga de Cafarnaum
  • A confissão de Pedro

4. A Festa das Tendas (a grande revelação messiânica, a grande rejeição)

  • Jesus sobe a Jerusalém para a festa e ensina (início do capítulo 7)
  • Discussões do povo sobre a origem de Cristo
  • Jesus anuncia a sua próxima partida
  • A promessa da água viva
  • Novas discussões sobre a origem de Cristo
  • A mulher adúltera (início do capítulo 8)
  • Jesus, luz do mundo
  • Discussão sobre o testemunho que Jesus dá de si mesmo
  • Jesus e Abraão
  • Cura de um cego de nascença (início do capítulo 9)
  • Bom pastor (início do capítulo 10)

5. A festa da dedicação (a decisão de matar Jesus)

  • Jesus se declara Filho de Deus
  • Jesus se retira de novo para o outro lado do Jordão
  • Ressurreição de Lázaro (início do capítulo 11)
  • Os chefes judeus sentenciam a morte de Jesus

6. Fim do ministério público e preliminares da última Páscoa

  • A aproximação da Páscoa
  • A unção de Betânia (início do capítulo 12)
  • Entrada messiânica de Jesus em Jerusalém
  • Jesus anuncia a sua glorificação através da morte
  • Conclusão: a incredulidade dos judeus

A hora de Jesus. A Páscoa do Cordeiro de Deus[editar | editar código-fonte]

1. A última ceia de Jesus com seus discípulos

  • O lava-pés (início do capítulo 13)
  • O anúncio da traição de Judas
  • A despedida (início do capítulo 14)
  • A verdadeira videira (início do capítulo 15)
  • Os discípulos e o mundo (início do capítulo 16)
  • A vinda do Paráclito
  • Anúncio de um breve retorno
  • A oração de Jesus (início do capítulo 17)

2. A Paixão

  • A prisão de Jesus (início do capítulo 18)
  • Jesus diante de Anás e Caifás. Negações de Pedro.
  • Jesus diante de Pilatos (início do capítulo 19)
  • A condenação à morte
  • A crucifixão
  • A partilha das vestes
  • Jesus e sua mãe
  • A morte de Jesus
  • O golpe de lança
  • O sepultamento

3. O dia da Ressurreição

  • O sepulcro encontrado vazio (início do capítulo 20)

"Jesus fez ainda, diante de seus discípulos, muitos outros sinais, que não se acham escritos neste livro. Esses, porém, foram escritos para crerdes que Jesus é o Cristo, Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." João 20:30-31.

  • Aparição a Maria Madalena
  • Aparição aos discípulos

4. Primeira Conclusão

"Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem." João 21:25.

  • Conclusão

Papirologia[editar | editar código-fonte]

A influência da papirologia sobre os estudos do Velho e o Novo Testamento foi fenomenal. A maioria dos papiros encontrados data dos primeiros 300 anos da Era Cristã. Sendo assim, é possível estabelecer um estudo da gramática desse período. Com base nos argumentos da gramática histórica, a composição dos livros do Novo Testamento é datada do primeiro século da nossa era.[5]

O Papiro P52, fragmento do Evangelho Segundo João, encontrado no Egito em 1920 por C. H. Roberts pode ser paleograficamente datado de c. 125 D.C.. Decorrido um certo tempo para o livro entrar em circulação, deve-se atribuir ao quarto Evangelho uma data próxima do fim do primeiro século - isto também está em conformidade com a tradição cristã conservadora.[5]

Manuscrito: Papiro P52[editar | editar código-fonte]

O Papiro Rylands é o fragmento mais antigo do manuscrito do Evangelho de João, datando aproximadamente do ano 125 D.C..

O Papiro P52, também conhecido como o "fragmento de João", é um fragmento do papiro exposto na biblioteca de John Rylands, em Manchester, Reino Unido. Contém partes do capítulo 18 do Evangelho de João, em grego (31 - 33 e 37-38). Embora Rylands P52 seja aceito geralmente como registro canônico, a datação do papiro não é assunto de consenso entre os comentadores. Mas o estilo da escrita leva a uma data entre os anos de 125 e 160 d.C..[6]

Disse, então, Pilatos: Tomai-o e julgai-o vós mesmos segundo a vossa lei. Responderam-lhe os judeus: Não nos é permitido matar ninguém. Assim se cumpria a palavra com a qual

Jesus indicou de que gênero de morte havia de morrer. Pilatos entrou no pretório, chamou Jesus e perguntou-lhe: És tu o rei dos judeus?

João, 18:31–33

Perguntou-lhe então Pilatos: És, portanto, rei? Respondeu Jesus: Sim, eu sou rei. É para dar testemunho da verdade que nasci e vim ao mundo. Todo o que é da verdade ouve a minha voz. Disse-lhe Pilatos:

Que é a verdade?... Falando isso, saiu de novo, foi ter com os judeus e disse-lhes: Não acho nele crime algum.

João, 18:37–38

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]