Juízo Final
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A crença de um julgamento do homem, tendo Deus como juiz e levando em conta os atos praticados em vida por este, é comum em quase todas as religiões da Terra.
Na maior parte das crenças, acredita-se que tal julgamento será feito após a morte do ser humano, em um outro plano espiritual. Porém são muitos os que crêem que ainda vivos poderão estar sendo julgados, como os cristãos que esperam a vinda do Messias por uma segunda vez, crendo que poderão receber a recompensa prometida ainda em vida.
Índice |
[editar] Interpretações cristãs
No Cristianismo o Juízo Final será o julgamento por Deus de todos os seres humanos que passaram pela terra. Esse evento seria precedido pela ressurreição dos mortos e pela segunda vinda de Cristo.
[editar] Interpretação cristã adventista
Dividido em três fases: Investigativo, Comprovativo e Executivo.
- O Juízo Investigativo
Os livros de registros são abertos nos céus e cada justo tem o seu nome passado em revista por Jesus Cristo.
Esse fato inicia-se quando Jesus Cristo entra no lugar santíssimo do santuário celestial para purificação deste.
Isso ocorre em 1844, período final da profecia das 2300 tardes e manhãs do livro de Daniel 8:14.
Quando encerrar a revista e o último livro for fechado, então Jesus Cristo retorna à Terra para buscar os justos para viver com ele nos céus.
Aos justos está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso a primeira ressurreição e o Juízo (Hebreus 9:27, I Tessalonicenses 4:13-18).
Durante a segunda vinda do Messias (Jesus Cristo) à terra, os mortos justos são ressuscitados. Logo em seguida, os justos serão arrebatados juntamente com eles, entre as nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, estando assim, para sempre juntos como o Senhor. (I Tessalonicenses 4:13-18)
Essa será a primeira ressurreição. (Apocalipse 20:5)
- O Juízo Comprovativo
As Escrituras descrevem que Satanás estará preso por "uma grande corrente". (Apocalipse 20:1)
Não se trata de uma corrente literal, será simbólica, uma corrente de circunstâncias. Não tendo ninguém a quem tentar (os vivos ressuscitados estão no céu e os ímpios ainda mortos), ele fica isolado num mundo vazio e é obrigado a pensar em todos os sofrimentos e tragédias que ele causou.
Os que fizerem parte da primeira ressurreição viverão durante mil anos com o Senhor nos céus. Nesse período os justos hão de julgar os homens e os anjos, reinando juntamente com o Senhor. (I Coríntios 6:2, 3, Apocalipse 20:4)
Os justos abrirão os livros de registros de cada ser humano ímpio e cada anjo caído e comprovarão o perfeito amor de Deus em tentar persuadí-los para si e o ser rejeitado por eles.
Essa fase então chamará comprovativo, pois todos os justos comprovarão que a justiça de Deus é perfeita e que os homens ímpios e os anjos caídos não merecem desfrutar dos privilégios celestiais.
- O Juízo Executivo
Passados mil anos desde a primeira ressurreição, a Bíblia professa uma terceira vinda do Senhor à Terra.
A Santa Cidade, conhecida como Nova Jerusalém, desce dos céus para se estabelecer na Terra e nela está o trono de Deus. (Apocalipse 21:2)
Nesse tempo serão ressuscitados uma segunda classe de pessoas, conhecidas como "ímpios" (os não justos, seres humanos que não aceitaram a Jesus). (Apocalipse 20:11-13)
Porém, com a ressurreição dos ímpios, Satanás será liberto da sua prisão de circunstâncias. Tendo agora a quem tentar, reunirá os ímpios ressuscitados para uma batalha contra os que habitam em Nova Jerusalém. (Apocalipse 20:7-9)
Nesse momento crítico, Deus dirige o último momento do julgamento, e os ímpios recebem sua sentença naquele dia.
"Depois vi um grande trono branco e aquele que nele estava assentado... Vi também os mortos, grandes e pequenos, em pé diante do trono, e... os mortos foram julgados de acordo com o que tinham feito, segundo o que estava registrado nos livros". (Apocalipse 20:11, 12)
O livro de Apocalipse diz que esses (os mortos ímpios, ressuscitados na segunda ressurreição) serão julgados, um por um, segundo suas obras. (Apocalipse 20:13)
Enquanto os ímpios se colocam diante do trono de justiça, a sua vida se desenrola diante deles. Dos registros contidos no céu, Jesus Cristo, o justo Juiz, formalmente apresenta toda a história da maneira usada por Ele para lidar com os homens, mulheres e anjos caídos.
Não apenas os salvos, mas também os anjos maus e até mesmo o próprio Satanás confessarão que a maneira de Satanás foi errada e que os caminhos de Deus são justos e verdadeiros. Todos irão ver que o mal e o egoísmo levaram apenas à infelicidade e descontentamento, e que não vale a pena continuar com isso.
Apesar de Satanás e a vasta multidão de pessoas ímpias admitirem que os caminhos de Deus são justos, seus corações não são transformados, seu caráter permanece mau. E, depois que o julgamento é pronunciado:
"As nações marcharam por toda a superfície da terra e cercaram o acampamento dos santos, a cidade amada; mas um fogo desceu do céu e as devorou. O Diabo, que as enganava, foi lançado no lago de fogo que arde com enxofre... Então a morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. O lago de fogo é a segunda morte. Aqueles cujos nomes não foram encontrados no livro da vida foram lançados no lago de fogo". (Apocalipse 20:9-15)
Nesse julgamento final, o fogo do Deus eterno destruirá o pecado e aqueles que obstinadamente se apegaram a ele. Satanás e todos os perdidos perecerão nessa "segunda morte", uma morte eterna da qual não haverá ressurreição.
O fogo celestial purifica completamente a terra das maldições do pecado; e finalmente Deus tem um universo purificado e que nunca mais será manchado pelo mal.
Das cinzas desse holocausto final e purificador, Deus criará um novo mundo:
"Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado... Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus... 'Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais Ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza,, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou'... 'Estou fazendo novas todas as coisas!". ('Apocalipse 21:1-5)
Restaurada à sua beleza original, a terra se tornará o lar dos redimidos por toda a eternidade.
Libertos do egoísmo, da doença, e do sofrimento, terão os seres humanos o universo inteiro para explorar, relacionamentos maravilhosos para desenvolver, e uma eternidade para sentar aos pés de Jesus e ouvir, aprender e desenvolver o amor.
A luta épica entre o bem e o mal, entre Cristo e Satanás, finalmente estará terminada, e Cristo reinará. As cortinas se fecharão para o antigo drama do pecado e se abrirão para a glória de um novo mundo com possibilidades ilimitadas.
Deus habitará na Santa Cidade, na Terra, juntamente com os salvos, para sempre, constituindo-se assim o Reino de Deus. Neste Reino, que atingiu a perfeição e a plenitude depois do Juízo Final, é um local eterno de justiça, paz e alegria, onde os justos reinarão e viverão com Deus, em Deus e juntamente com Deus.
[editar] Interpretação cristã católica romana
Segundo a Bíblia, aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o Juízo final , que confirma a sentença recebida por cada pessoa no seu juízo particular.
"E,como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo," (Hebreus 9:27)
Depois que os céus passarem, os elementos se desfizerem, e a Terra e as obras que nela há se queimarem(II Pedro 3:10-12)Deus ressuscitará a humanidade e a reunirá, diante do Seu trono, para julgar os mortos segundo as suas obras no mundo: "E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante do trono, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida: e os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras" (Apocalipse 20:12). E de acordo com Evangelho segundo São Mateus "Portanto, não os temais; porque nada há encoberto que não haja de revelar-se, nem oculto que não haja de saber-se." (Matheus 10:26) Tudo o que as pessoas fizeram às escondidas em vida será revelado. Nesta fase, ocorrerá também a segunda vinda de Jesus à Terra já "destruída", para também julgar a humanidade ao lado de Deus Pai. As pessoas cujos nomes não estiverem no Livro da Vida receberão o castigo eterno"E irão estes para o tormento eterno,mas os justos para a vida eterna." (Matheus 25:46) Sendo estes lançados em um lago de fogo e enxofre: "E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo." (Apocalipse 20:15) Como se fosse isto fosse uma espécie de segunda morte: "Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, o que é a segunda morte." (Apocalipse 21:8). Os justos, porém, depois do Juízo Final, viverão eternamente em uma nova terra, em novos céus: "Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça." (II Pedro 3:13) Que constitui o Reino de Deus realizado na sua plenitude e perfeição. Neste reino eterno, Deus será tudo em todos: "E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos." (I Coríntios 15,28) Durante a vida eterna.
[editar] Interpretação cristã esotérica
Embora o Juízo Final seja pregado por grande parte das igrejas cristãs, essa idéia do Juízo Final é rejeitada por outras correntes cristãs de pensamento, como o Cristianismo esotérico, que assegura que todos os seres da onda de evolução humana serão "salvos", num futuro distante, até que tenham adquirido um grau superior de consciência e altruísmo por meio dos sucessivos renascimentos. Segundo um livro bíblico aceito por cristãos protestantes, o juízo final é um dia muito breve em que Jesus levará tua noiva para com ele morar, um dia onde haverá muita destruíção e no qual algumas pessoas serão lançadas no lago de fogo, por terem cometido algum adutério...
[editar] Interpretação do islamismo
Na escatologia islâmica, o Dia do Juízo Final é o fim da terra e do universo que conhecemos. Precedendo o dia do julgamento existirão os grandes sinais do Dia do Juízo. O primeiro sinal é a aproximação do Sol originado do oeste para um dia acompanhado pelo aumento da Besta da Terra. A vinda de Imam Al-Mahdi e que significa "divinamente guiado"), que precede a Segunda Vinda de Isa (Jesus), desencadeia a redenção do Islã e com a derrota dos seus inimigos. A natureza exata do Mahdi difere entre xiitas e sunitas, mas ambos concordam que Isa (Jesus) e do Imam Al-Mahdi vão trabalhar em conjunto para lutar contra o mal no mundo, para cimentar a justiça na Terra, e vai unir os muçulmanos e cristãos em verdade verdadeira Islão e abolir a Jizya. O Mahdi vem de Meca e as regras a partir de Damasco, na Síria. Isa irá derrotar Dajjal(literalmente: enganador; falso messias ou o anticristo), e então deve viver na Terra há muitos anos. De acordo com algumas tradições, Isa vai casar e ter uma família, e depois morre.
No texto Sinais de Qiyamah, Muhammad Ali Ibn Zubair Ali declara que, após a chegada do Mahdi ", o terreno será em caverna, névoa ou fumaça cobrirá os céus de quarenta dias (ayah). Uma noite de três noites, seguirão o nevoeiro. Depois da noite de três noites, o sol vai subir, a oeste. O Dabbat al-ard(a Besta da Terra) deve emergir . A besta irá falar com as pessoas e marcará os rostos de pessoas. Uma brisa do sul devem causar a todos os fiéis a morte. O Alcorão vai ser levantado a partir do coração do povo. "
Durante o julgamento, uma pessoa da próprio "livro de ações" será entregue à pessoa, e será informado de todos os atos e cada um falou palavra, segundo o Alcorão. Se em dado o direito, essa pessoa vai para o Jannah (paraíso). Se ele recebe-lo em sua esquerda, ele vai ao Jahannam (Inferno). Ações durante a infância não são julgados. Mesmo pequenas e triviais ações são incluídas na conta. Quando a hora está na mão, alguns negam que o Juízo Final está a decorrer e será avisado de que o Acórdão antecede o perigo, segundo o Alcorão. Se uma nega uma ação que ele ou ela cometida, ou se recusar a reconhecê-lo, as suas partes do corpo, testemunharão contra eles.
O Alcorão afirma que alguns pecados podem condenar alguém para o inferno. Estes pecados incluem mentir, desonestidade, corrupção, ignorando Deus ou revelações de Deus, negando a ressurreição, recusando-se a alimentar os pobres, agir com opulência e ostentação, e oprime ou economicamente exploram outros. [1] No entanto, se alguém tinha a verdadeira crença islâmica no coração e, em seguida, uma acabará por ser admitida na paraíso após justo castigo.
Ao longo do julgamento, no entanto, o princípio subjacente é a de uma completa e perfeita justiça administrados por Deus. As contas de julgamento também estão repletos com a ênfase que Deus é misericordioso e perdoar, e que o perdão e a misericórdia serão concedidos naquele dia, na medida em que é merecido.
Isto é similar a algumas teologias protestantes que afirmam que a salvação é pela graça de Deus, e não por atos. O Islão, no entanto, enfatiza que a graça não está em conflito com perfeita justiça.
[editar] Interpretação do espiritismo
Para o Espiritismo, o "Juízo Final" é uma alegoria das religiões tradicionais que é equiparado ao que se chama, em Espiritismo, de Processo de Regeneração da Humanidade. [2]
Ou seja, a rigor, não há nenhum juízo final. Há, outrossim, períodos de turbações necessárias no mundo que visam o aperfeiçoamento das condições naturais do próprio mundo e, por outro lado, ao aprimoramento intelectual e moral das pessoas que nele habitam.
Todas estas turbações, segundo o Espiritismo, não são acontecimentos que poderiam derrogar, em nenhum momento, as leis naturais que emanam de Deus: pelo contrário, viriam exatamente lhes dar cumprimento. As comoções periódicas, nos dizeres de Allan Kardec, estão presentes em quase todas as épocas da humanidade e podem ser relatadas pela história.
Mas, para o Espiritismo, os últimos séculos trazem consigo mudanças rápidas e de grande dimensão, como podemos facilmente notar no atual mundo à nossa volta, comparado historicamente a outras épocas. Dessa forma, as comoções e acontecimentos que afligem a humanidade nos tempos atuais tendem a ser de grande dimensão e intensidade, especialmente por conta do egoísmo e materialismo que os indivíduos fazem imperar no mundo, e que, estes mesmos egoísmo e materialismo, fazem os próprios meios de auto-destruição (que também é constante renovação) da humanidade presente.[3]
Assim, para o Espiritismo, "Juízo Final" pode ser entendido como Renovação, Regeneração e Mudança - nunca como aniquilamento da espécie humana ou condenação eterna - mas, sempre, como grande oportunidade de Deus aos seus seres de reavaliação de valores, condutas e sentimentos, com o intuito de lhes fazer progredir.
Referências
- ↑ Enciclopédia do Islão e o mundo muçulmano - tradução literal para o português (MacMillan Reference Books, 2003) ISBN 978-0028656038, p.565.
- ↑ KARDEC, Allan. O Livro Dos Espíritos. Parte Terceira, Capítulo 6 - Lei de Destruição.
- ↑ KARDEC, Allan. O Livro Dos Espíritos. Parte Terceira, Capítulo 8, Lei do Progresso- quesitos 779 a 785.
[editar] Bibliografia
- de Almeida, João Ferreira, A Bíblia Sagrada - Antigo e o Novo Testamento , Revista e Atualizada no Brasil, 2a. edição, Barueri/SP, Sociedade Bíblica do Brasil, 1993, ISBN 85.311.0279-0
- Sass, Roselis von, O Livro do Juízo Final , Editora Ordem do Graal na Terra, 1999, ISBN 85-7279-049-7

