José (filho de Jacob)

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José
José interpretando os sonhos do Faraó, por Peter von Cornelius
Nome completo José do Egito
Nascimento
Harã[1]
Morte
Egito
Etnia Hebreu
Ocupação Pastor, profeta e governador do Egito
1695 Eretz Israel map in Amsterdam Haggada by Abraham Bar-Jacob.jpg
Tribos de Israel
As Tribos
Tópicos

José ou José do Egito (em hebraico יוֹסֵף, significando "Yahweh acrescenta"; Yôsēp em hebraico tiberiano; mais tarde designado como צפנת פענח, Tzáfnat panéach ou Ẓáfənat paʿnéaḥ, em hebraico padrão ou Ṣāp̄ənaṯ paʿănēªḥ em hebraico tiberiano, do egípcio que significaria "Descobridor das coisas ocultas") foi o décimo primeiro filho de Jacó, nascido de Raquel, citado no livro do Génesis, no Antigo Testamento, considerado o fundador da Tribo de José, constituída, por sua vez, da Tribo de Efraim e da Tribo de Manassés (seus filhos). Quando foi coroado como um homem de confiança ao Faraó, foi-lhe concedida a mão de Azenate, filha de Potífera, Sacerdote de Om[2] .

História[editar | editar código-fonte]

Filho preferido de Jacó, apesar de não ser o seu primogênito (mas o primeiro filho de Raquel, a mulher que mais amava), José nunca escondeu a seu poder liderança. O favoritismo, de que era alvo por parte do pai, valeu-lhe a malquerença dos irmãos, que o venderam, ainda jovem, com apenas 17 para 18 anos, por 20 moedas (sheqel) de prata, como escravo a mercadores ismaelitas, os quais levaram ao Egito[3] do período da XVII dinastia.

Já no Egito, foi comprado por Potifar (oficial e capitão da guarda do rei do Egipto), de quem conquistou a confiança e tornou-se o diligente dos criados e administrador da casa. Na casa de Potifar, acabou estudando com um escriba e aprendeu o antigo egípcio. Foi preso após acusação injusta de tentativa de abuso da mulher do seu amo, depois de uma tentativa frustrada de sedução por parte desta.

Na prisão[editar | editar código-fonte]

Na prisão, tornou-se conhecido como intérprete dos sonhos. Lá, ele decifrou o sonho do copeiro-chefe e padeiro-chefe do palácio do Faraó, que foram presos acusados de conspiração. Segundo a interpretação de José, o sonho do padeiro-chefe indicava que este seria enforcado, mas o do copeiro-chefe indicava que este seria salvo, tendo isto mesmo ocorrido[4]

José torna-se Adon do Egito[editar | editar código-fonte]

Logo após a interpretação de José, o Faraó, muito satisfeito com a sua inteligente interpretação , dá a José um anel de seu dedo, o fez vestir vestes de linho fino, pôs um colar de ouro no seu pescoço e o nomeia Adon do Egito, um cargo semelhante a chanceler, apesar de algumas versões da bíblia trazerem a palavra Governador.[5] com apenas 30 anos ele então começa a reinar no Egipto. [6]

José, então, ordena que se construam celeiros para guardar a produção do Egito durante os anos de fartura. Em verdade, também, nos anos em que passou na prisão, havia se inteirado da situação política do Egito e sabia também que nos anos de seca apenas ele, do Baixo Egito, teria comida criando assim uma vantagem sobre o soberano egípcio Tá, apoiado pela casta sacerdotal e que governava o Alto Egito. José casou-se com Azenate.[7] E assim aconteceu. Nos sete anos de seca, José, que vendia os cereais dos celeiros reais a preço de ouro, conseguiu comprar para o Faraó quase a totalidade das terras do Alto Egito.

José reencontra-se também, com os seus irmãos, que pensavam erradamente que ele iria matá-los. José depois se apresentou a seu pai que correu aos braços arrependido, e com a chegada destes, com seu pai, ao Egito. Depois de arrependidos, José ajudou seus onze irmãos: Zebulom, Issacar, Rúben, Naftali, Benjamim, , Simeão, Levi, Judá, Gade e Aser. É assim que o povo israelita se instala no Egito, antes de ser escravizado e, mais tarde, libertado sob a liderança de Moisés.

O fim do governo[editar | editar código-fonte]

É possível que durante os anos de seca os sacerdotes tenham conseguido despertar a ira popular contra José e Apopi I, o faraó hicso, pois é durante esses anos que acontecem vários conflitos civis contra os governantes que terminaram com a vitória do faraó Taá II e seu exército, que tomaram primeiro Mênfis e depois a então capital Tânis. Vendo-se sem condições de vencer, Apopi e seus vassalos refugiam-se em Aváris, a cidade fortaleza construída pelos hicsos. Os hicsos acabaram finalmente vencidos, depois de aproximadamente 500 sobre as terras do Egito, por Amósis filho de Taá, na XVIII dinastia. É muito provável que José tenha morrido durante esses combates contra Taá II ou em um dos conflitos civís. Mesmo com a ascensão demorada de José, que era cárcere e, depois de Deus o usar como intérprete para os sonhos do Faraó Ramsés, se tornar o 2º na terra do Egito, nunca foi vista uma mudança de ego em José. Após o encontro com sua família, José arranjou a melhor terra no Egito para que sua família morasse. José viveu muitos anos no Egito até sua morte com 110 anos [8] , mas nunca se esqueceu da aliança de Deus para o povo de Israel. Essa aliança foi a de que a terra de Canaã, onde morava seu pai Jacó, seria dada à Abraão e seus descendentes. Antes de sua morte, José pediu para que fosse enterrado na Terra de Canaã, pois era a Terra que Deus tinha dado a Abraão e seus descendentes por herança. O povo de Israel somente saiu da escravidão do Egito após 430 anos a contar da descida de Jacó ao Egito para encontrar-se com José, sendo libertados por Moisés.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

A figura de José inspirou vários autores e artistas ao longo da história, devido à riqueza narrativa do relato que é, sem dúvida, uma das mais populares gestas bíblicas. Thomas Mann recontou a história em José e seus irmãos e Andrew Lloyd Webber, com "José e o deslumbrante manto de mil cores", passou a história para um musical de sucesso.

A história foi recontada entre Janeiro e Outubro de 2013 pela TV Record no seriado brasileiro de 38 episódios, José do Egito. Sendo um sucesso.

José do Egito e a Jornada do Herói[editar | editar código-fonte]

O primeiro livro da Bíblia, Gênesis, narra do capítulo 37 ao 50, a vida de José, também conhecido como José do Egito. A história de José é uma das mais conhecidas narrativas bíblicas e faz parte do imaginário coletivo da civilização judaico-cristã. É possível encontrar na trajetória de José várias das funções básicas da narrativa enunciadas por Vladimir Propp.

Apresentação e início da jornada[editar | editar código-fonte]

  • Afastamento: vítima do ciúme e do ódio de seus irmãos por ser o filho predileto de Jacó, José é vendido aos ismaelitas para ser escravo no Egito, onde ele se torna mordomo na casa de Potifar.

"Nó da Intriga"[editar | editar código-fonte]

  • Fraude: atraída por José, a mulher de Potifar, Sati, tenta seduzi-lo. José resiste. (A mulher como tentação é um dos estágios da jornada do herói segundo Joseph Campbell.)
  • Dano: em uma ocasião, irritada com a rejeição do servo e em posse de suas vestes, Sati acusa José de ter tentado violentá-la e mostra as roupas dele como prova. Potifar acredita nas falsas acusações da esposa e o "lança no cárcere" (Gn. 39: 20). Na prisão, José interpreta os sonhos de dois ex-criados do Faraó, o padeiro-chefe e o copeiro-chefe.

Designação da prova e vitória do herói[editar | editar código-fonte]

  • Designação da prova: enquanto José estava na prisão, o Faraó se vê atormentado por sonhos que nenhum sábio do Egito é capaz de interpretar. Nos sonhos do rei, sete vacas magras devoravam sete vacas gordas e sete espigas de milho secas e mirradas devoravam sete espigas de milho cheias. O copeiro-chefe, já restituído de suas funções, conta ao Faraó sobre um hebreu com quem ele conviveu na prisão que é capaz de interpretar sonhos. O Faraó pede que tragam José à sua presença.
  • Recebimento do adjuvante: sob inspiração divina, José interpreta os sonhos do Faraó, afirmando que as sete vacas gordas e as sete espigas de milho cheias simbolizavam sete anos de fartura no Egito, e as sete vacas magras e as sete espigas secas e mirradas simbolizavam sete anos de fome. A "inspiração divina" pode ser entendida como o artefato "mágico" que ajuda o herói a cumprir sua prova: o adjuvante.
  • Estigma: impressionado com a sabedoria do hebreu, o Faraó dá um anel a José (símbolo da heroicidade) e o nomeia governador (ou Adon) do Egito.
  • Vitória do herói: José assume o posto como o mais poderoso homem do Egito, submisso apenas à autoridade do Faraó. O herói simboliza o pacto feito entre o hebreu e o Soberano do Egito. E ainda consegue perdoar os irmãos e trazer o seu povo para o país que adotou como casa.

Notas e referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Símbolo da tribo de José[editar | editar código-fonte]

gg ez

José.JPG

Filhos de Jacó, por esposa e ordem de nascimento
Lia Rúben (1) Simeão (2) Levi (3) Judá (4) Issacar (9) Zebulun (10) Diná (11)
Raquel José (12) Benjamim (13)
Bila (criada de Raquel) Dã (5) Naftali (6)
Zilpa (criada de Lia) Gade (7) Aser (8)