Céu (religião)

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Para outros sentidos da palavra "céu", veja Céu.
Dante e Beatrice contemplam o mais alto dos céus; ilustração de Gustave Doré para a Divina Comédia.

O céu, os céus ou sete céus, é um lugar religioso, cosmológico ou transcendente comum onde os seres celestiais, tais como deuses, (deidades do céu como o o rei ou a rainha do céu, o Pai ou a Mãe Celestial, ou o Filho do céu), anjos, gênios, santos, ou ancestrais venerados se originam, são entronizado, ou vivem.[1] Acredita-se geralmente que os seres celestiais podem descer à terra ou encarnar e que os seres terrestres podem ascender ao céu em vida após a morte ou em casos excepcionais, entrar no céu vivo.

Religiões do antigo Oriente Médio[editar | editar código-fonte]

Mitos Hurritas e hititas[editar | editar código-fonte]

No mito hitita o céu é a morada dos deuses. No Cântico dos Kumarbi, Alalu foi o rei do céu por nove anos antes de dar à luz a seu filho Anu. Anu foi destronado por seu próprio filho Kumarbi.[2] [3]

Cristianismo[editar | editar código-fonte]

A Ascensão, por Dosso Dossi, século 16.[4]

Originalmente, a palavra céu (do latim caelu) referia-se às regiões acima da superfície da terra onde estavam situados os "corpos celestes". Este é o primeiro significado da palavra na Bíblia (shamayim, Gen. 1:1).[5] Também foi considerado como a morada de Deus e seus anjos. Todavia, o termo é também usado comumente como sinônimo de outras palavras significando a morada dos justos em algum momento após sua morte, tal como "paraíso".

Embora existam variadas e abundantes fontes de concepções do Céu, o ponto de vista típico dos crentes parece depender principalmente de suas tradições religiosas e seita particular. Algumas religiões conceitualizam o Céu como pertencente a algum tipo de vida pós-morte pacífica relacionada à imortalidade da alma. Imagina-se que o Céu seja um lugar de felicidade, por vezes de felicidade eterna. Um estudo psicológico dos textos sagrados religiosos através das culturas e da história poderia descrevê-lo como um termo que significa um estado de "plena vivência" ou inteireza.

Cristianismo baseia-se na crença bíblica no céu, como o Trono de Deus.[6] No cristianismo, o Céu ou é uma vida pós-morte eternamente abençoada ou um retorno ao estado antes da queda da humanidade, um novo e segundo Jardim do Éden, no qual há a chamada pelos católicos, visão beatífica (Onde todos podem ver à Deus) num estado perfeito e natural de eterna existência, e geralmente acreditam que esta reunião pós-morte é consumada através da fé de que Jesus Cristo morreu na cruz pelos pecados da humanidade, foi ressuscitado e ascendeu corporeamente ao Céu. Exemplos de diferentes terminologias que referem-se ao conceito de "Céu" na Bíblia cristã incluem: "Reino dos céus" (Mateus 5:3 :), "no reino de seu Pai" (Mateus 13:43), "vida" (Mateus 7:14), "vida eterna" (Mateus 19:16), "o gozo do teu senhor" (Mateus 25:21), "galardão" (Mateus 5:12), "o reino de Deus" (Lucas 6:20), "meu reino" (Lucas 22:30), "a casa de meu Pai" (João 14:2), "santuário" (Hebreus 9:12), "Jerusalém celestial" (Hebreus 12:22), "paraíso" (II Coríntios 12:4), "coroa incorruptível" (I Coríntios 9:25), "coroa da vida" (Tiago 1:12), "coroa da justiça" (II Timóteo 4:8), "coroa da glória" (I Pedro 5:4)[7] .

Judaismo[editar | editar código-fonte]

No antigo judaísmo, a crença no Céu e na vida pós-morte estava vinculada a crença no Seol (mencionado em Isaías 38:18, Salmos 6:5 e 7:7-10). Alguns eruditos afirmam que Seol era um conceito anterior, mas esta teoria não é universalmente aceita. Uma seita judaica que sustentava a crença na ressurreição era conhecida por fariseus e tinha como opositora os saduceus, que negavam a ressurreição dos mortos (Mat. 22:23).

Filosofias orientais[editar | editar código-fonte]

As grandes religiões orientais (hinduísmo, budismo, taoísmo e confucionismo) e doutrinas ocidentais, acreditam em reencarnação e moksha (libertação) em vez do Céu, mas mesmo assim incluem alguma idéia de Céu semelhante (mas não necessariamente igual) ao conceito mantido pelo cristianismo e outras religiões monoteístas.[8] Por exemplo, no budismo existem vários Céus, todos os quais fazem parte da Samsara (realidade ilusória). Aqueles que acumulam bom karma podem renascer[9] em um deles. Todavia, sua estadia no Céu não é eterna—eventualmente, usarão seu bom karma para renascer em outra realidade, como humano, animal ou outros seres. Visto que o Céu é temporário e parte de Samsara, os budistas concentram-se mais em escapar ao ciclo de renascimentos e atingir a iluminação (Bodhi). Na doutrina espírita, o Céu é designado pelo termo "colônias espirituais", sendo a mais famosa delas Nosso Lar. Nas tradições nativas do confucionismo chinês, o Céu (Tian) é um conceito importante que remete a uma idéia de harmonia subjacente,[8] onde os ancestrais residem e do qual os imperadores retiram seu mandato para governar. Outrossim, na crença hinduísta, há um "Céu transitório" denominado Svarga, destinado às almas que fizeram boas ações mas que não tornaram-se ainda merecedoras de moksha ou da fusão (união) com Brahma.[10] Tian (天) "Céu" é uma divindade chinesa equiparada a Shangdi. O culto celeste era a religião oficial imperial do Império Celeste.

Referências

  1. Vários autores. Lexicon - dicionário teológico enciclopédico. Loyola. p. 105. ISBN 978-85-15-02487-2.
  2. Sabatino Moscati (1999). The World of the Phoenicians. Phoenix Giant. ISBN 978-0-7538-0746-0.
  3. John Miles Foley (2008). A Companion to Ancient Epic. John Wiley & Sons. p. 295. ISBN 978-1-4051-5304-1.
  4. http://www.bigli.com/quadro/279/dosso-dossi/ascensione-di-cristo.aspx
  5. Os céus da Terra em Igreja Cristã Essencial. Acessado em 22 de março de 2008.
  6. Philip Edgecumbe Hughes A Commentary on the Epistle to the Hebrews p.401, 1988
  7. Bíblia Almeida Corrigida e Revisada Fiel (1994)
  8. a b Heaven (em inglês)
  9. Embora nenhuma alma realmente renasça; ver anatta.
  10. The Puranas (em inglês)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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