Limbo

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Jesus no limbo, por Domenico Beccafumi.

Limbo (do latim, "limbus": orla, debrum, margem, franja), segundo a teologia cristã, é um conceito de caráter escatológico presente, por exemplo, na Igreja Católica, que identifica os que permanecem "à margem" da presença de Deus[1] , como as crianças que morrem antes do batismo ou os justos que viveram antes da vinda de Jesus Cristo.

Conceito católico[editar | editar código-fonte]

O limbo na Igreja Católica Apostólica Romana, é "um lugar fora dos limites do céu, onde se vive de forma esquecida e sem a visão plena da eternidade e privado da visão beatificada de Deus", não descartando a felicidade suprema e eterna[2] .

Mais precisamente, o Limbo seria um lugar para onde iriam as almas inocentes que, sem terem cometido pecados mortais, estariam para sempre privadas da presença de Deus, pois seu pecado original não teria sido submetido à remissão através do batismo. Iriam para o limbo, por exemplo, as crianças não-batizadas e as almas justas que teriam vivido antes da existência terrena de Jesus Cristo (vide abaixo)[2] .

O limbo não deve ser confundido com o estado de purificação do Purgatório, que segue o juízo particular e antecede o ingresso das almas na beatitude celeste. No limbo, não há penas nem purificação a serem realizadas[2]

Limbo dos patriarcas[editar | editar código-fonte]

Jesus no Limbo par Andrea Mantegna.

O Limbo dos patriarcas (ou, em latim, "limbus patrum"), que é dogma da Igreja Católica, é um lugar provisório para onde vão os justos do Antigo Testamento "que creram no Messias, tendo feito a contrição de seus pecados, mas ainda possuindo a marca do pecado original", porque a "missão salvífica" de Jesus ainda não havia sido realizada na Terra [2] . Neste limbo, chamado também de "sheol" (ou "Hades" ou "Seio de Abraão" - vide estado intermediário), os justos que o habitam "aguardavam [...] o momento de serem levados à presença de Deus, pela redenção completa operada pelo Cristo" através da sua morte na cruz [2] .

Depois da sua morte redentora,Jesus Cristo, desceu à "mansão dos mortos", ou seja, ao "limbo dos patriarcas", para conceder às almas que o habitavam, mortas antes de Jesus morrer na cruz, "os benefícios do seu sacrifício expiatório; estas almas foram, então, alcançadas pelo sangue do Cordeiro (Romanos 3:25)", podendo assim serem salvas. Em seguida, Jesus transportou todas estas almas santas para o Céu, desfazendo assim o "limbo dos patriarcas "[2] .

Abraão apresentando pequenas figuras das almas num manto, que representa seu “seio”, com anjos como figuras adicionais. Catedral de Reims

Limbo das crianças[editar | editar código-fonte]

"O limbo infantil (ou, em latim, "limbus puerorum"), ao contrário do limbo dos patriarcas, não é dogma, nem uma verdade de fé", uma mera hipótese teológica. "A doutrina tradicional do limbo infantil ensina que as crianças que morrem sem o batismo, vivem eternamente neste lugar ou estado, sem penas pessoais, mas privadas da visão beatífica de Deus" [2] .

O dogma da Igreja Católica diz que o batismo é necessário para a salvação, seja batismo de água, de sangue ou de desejo.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Santo Agostinho de Hipona teorizou que, devido ao pecado original, os recém-nascidos que morrem antes de serem batizados serão envolvidos na mais branda condenação de todas, no entanto, não poderiam ser realmente elevados ao Paraíso por ainda carregarem o pecado primário de Adão, pois, segundo interpreta Agostinho, o apóstolo Paulo de Tarso diz: «porque o julgamento veio, na verdade, de uma só ofensa para a condenação» (Romanos 5:16) e, novamente, pouco depois, em «Assim, pois, .... por um só ato de justiça veio o julgamento sobre todos os homens para a justificação da vida.» (Romanos 5:18)[4] . Um Concílio de bispos da África do Norte, que incluiu Agostinho de Hipona, reunido em Cartago em 418, não professou explicitamente a favor da visão de Agostinho sobre o destino das crianças que morrem sem batismo, mas os Padres latinos dos séculos V e VI adotaram esta posição, que se tornou ponto de referência para os teólogos latinos na Idade Média[5] .

No protestantismo[editar | editar código-fonte]

Nas denominações religiosas protestantes ou evangélicas, o conceito não existe, pois para umas as crianças são consideradas puras e vão diretamente para o céu em caso de morte; para outras, que acreditam na predestinação absoluta, as crianças escolhidas por Deus para a salvação vão para o céu e as predestinadas à destruição vão para o inferno. Em muitas denominações evangélicas, o batismo é permitido somente para pessoas que já têm condições de abdicar, conscientemente, de viver em pecado e aceitam que seus pecados foram pagos por Jesus Cristo.

Referências

  1. QUINSON, Marie-Therese (1999). Dicionário cultural do cristianismo. Edicoes Loyola. p. 181. ISBN 978-85-15-01330-2.
  2. a b c d e f g "Limbo", do site Doutrina Católica
  3. Catecismo de São Pio X: 543) Quais são os Sacramentos mais necessários para nossa salvação? Os Sacramentos mais necessários para nossa salvação, são dois: o Batismo e a Penitência; o Batismo é necessário absolutamente para todos, e a Penitência é necessária para todos aqueles que pecaram mortalmente depois do Batismo. 560) Por que se deve ter tanta solicitude em levar as crianças ao Batismo? Deve-se ter suma solicitude em levar a batizar as crianças, porque elas pela sua tenra idade estão expostas a muitos perigos de morrer, e não podem salvar-se sem o Batismo.
  4. On Merit and the Forgiveness of Sins, and the Baptism of Infants, ; cf. Study by International Theological Commission
  5. Study by International Theological Commission, 19 January 2007, 19-21