Anticristo

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Anticristo (do grego αντιχριστός i.e. "opositor a Cristo") é uma denominação comum no Novo Testamento para designar aqueles que se oponham a Jesus Cristo, e também designa um personagem escatológico, que segundo a tradição cristã dominará o mundo.

Perfil do Anticristo[editar | editar código-fonte]

Será um Homem de uma habilidade e capacidade incrível, o maior líder de toda terra. Esse personagem é mencionado principalmente nos livros de Daniel, 2 Tessalonicenses e Apocalipse. A Bíblia dá vários outros adjetivos ao Anticristo:

O Anticristo será um líder, alguém de cargo político muito importante: ele chegará à liderança mundial formando uma nova era de Paz e Segurança Global.

Ele vencerá pela diplomacia, pacificamente, convencendo todos os líderes mundiais, com sutileza, engenhosidade e sabedoria.

Ele Será um homem “complexo”, diferente de todos os demais, alguém que abraçará, em seu caráter, as habilidades e poderes de Nabucodonosor, Napoleão, Alexandre o Grande, e de César Augusto.

Possuirá o admirável dom de atrair as pessoas e a irresistível fascinação de sua personalidade, suas versáteis conquistas, sua sabedoria sobre-humana, sua grande habilidade administrativa e executiva, aliadas ao seu poder de consumado lisonjeador, (...) brilhante diplomata, e soberbo estrategista, vão torná-lo o homem mais notável e importante de todos os Tempos.

Terá uma personalidade gentil, Inofensiva, compassiva e se dedicará à Paz e prosperidade do mundo. Esse líder estará pronto para solucionar grandes problemas mundiais: Guerras, crises, Pobreza, desigualdades [...][1] Alguns aspectos do seu futuro governo, segundo a Bíblia:

Além disso, a Bíblia o descreve como dono de uma grande Sabedoria:

Escatologia Islâmica[editar | editar código-fonte]

O Islã considera que Dajjal, o Anticristo bíblico, será uma figura maligna que supostamente retornará antes do Dia do Juízo. De acordo com uma descrição: "Dizem que ele terá um olho danificado e o outro será normal."

Considerações Gerais[editar | editar código-fonte]

O termo ocorre apenas quatro vezes na Bíblia, todas elas nas epístolas do apóstolo João. As passagens são I João 2:18 , I João 2:22, I João 4:3 e II João 1:7, onde o termo anticristo é definido como um "espírito de oposição" aos ensinamentos de Cristo. O cristianismo prega, no entanto, que este "espírito" seja uma personificação de um "messias demoníaco" que virá nos últimos dias. Por essa razão, os cristãos creem que este anticristo é descrito em outros textos, tais como o livro de Daniel, as cartas de Paulo (como "o homem da iniquidade") e o Apocalipse como a "Besta que domina o mundo". Para certos grupos cristãos, incluindo a Igreja Católica, tal Besta chegou a ser personificada através do imperador romano Nero. segundo muitos teólogos, o anticristo mencionado pelos cristãos do primeiro século era alguém que já atuava naqueles dias. Não era personagem de um futuro tão distante, nem futuro próximo, como o texto de 1 João 4:3: "...anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que havia de vir; e agora já está no mundo". (amilenismo) Ao longo da história, diversas correntes cristãs acusaram-se entre si ou atribuíram aos seus inimigos a designação de "anticristos", sendo exemplos de utilização de tais argumentos o Cisma Papal, as cruzadas (referindo-se a Maomé), na Reforma Protestante (referindo-se ao Papa) e na Contrarreforma (referindo-se a Lutero), entre outros diversos acontecimentos. Também há os que consideram que o termo Anticristo poderá estar ligado aos modernos movimentos satânicos.

Atualmente, o termo é bastante popular sobretudo no meio cristão protestante, onde existe uma interpretação por parte de muitos grupos de que o Anticristo será uma pessoa que se oporá aos mandamentos da Bíblia e organizará uma sociedade baseada em valores outrora atribuídos ao paganismo, onde todos os cidadãos poderão ser controlados através de uma marca na mão ou na testa à semelhança da marca que os romanos impunham sobre seus escravos ou à que era colocada nos prisioneiros dos campos de concentração durante a Alemanha Nazista, e que seria o número 666. Este Anticristo, por fim, seria derrotado por Cristo em sua segunda vinda, quando se estabelecer seu reinado milenar (milenarismo).

O Reinado[editar | editar código-fonte]

Algumas doutrinas protestantes acreditam que a dominação mundial pelo Anticristo acontecerá após o arrebatamento do povo de Deus (Mateus 24:40-41), esse período é chamado de período pré-tribulacional, porque acontecerá antes da Grande Tribulação. O Anticristo será derrotado no retorno de Jesus Cristo à Terra, e lançado no lago de fogo e enxofre, a que se chama "segunda morte". A isso se seguirão mil anos de reinado de Cristo, e, por fim, o Julgamento Final e a chegada da Nova Jerusalém.

Ascensão ao poder[editar | editar código-fonte]

O Anticristo será um homem que surgirá em meio às crises mundiais existentes, de forma que sua aparição surpreenderá o mundo. Seu governo se tornará, em um curto espaço de tempo, num forte governo mundial unificando com sucesso todos os blocos de relações econômicas e políticas existentes no momento. Com a finalidade de trazer a paz, será reconhecido e aceito, e combaterá as crises mundiais implantando um largo sistema de integração financeira: o sistema 666 de compra e venda (Apocalipse 13:16–18). Neste momento, com o auxílio de um "deus estranho" (Daniel 11:39, Isaías 14:12), exaltará a si próprio como sendo o "Cordeiro de Deus" que tira o pecado do mundo e exigirá ser adorado como Deus, declarando-se então ser o Messias de Israel (Daniel 11:36). Será então que, perseguirá todo aquele que, na Terra, não se curvar a ele para adora-lo como Deus, manifestando-se ser o que a Bíblia chama de "O Filho da Perdição" (2ª Tessalonicenses 2:3), o então Anticristo. Descumprirá o seu tratado mundial de paz e estabelecera então a guerra. Se voltará contra Israel e Jerusalém no lugar do antigo templo, para lá pôr o trono do seu governo mundial (Daniel 11:31)

Patrística[editar | editar código-fonte]

Muitos Padres da Igreja trataram do Anticristo em suas obras. Seguem alguns:

  • São Policarpo (Epístola de Policarpo aos Filipenses) alertou aos filipenses que todos os que pregassem uma falsa doutrina seria um anticristo[2] .
  • Santo Ireneu especulou que seria “muito provável” que o anticristo poderia ser chamado "Lateinos", que é o equivalente em grego para "homem latino"[3] .
  • São João Crisóstomo alertou contra especulações e antigas histórias sobre o Anticristo, dizendo: "Não nos deixe saber sobre estas coisas". Ele pregou que, conhecendo as descrições de Paulo do Anticristo em 2 Tessalonicenses, os cristãos evitariam o engodo[4] .
  • Santo Agostinho escreveu:"É incerto em qual templo o Anticristo deve se estabelecer, e ainda se será na ruína do templo que foi construída por Salomão, ou na igreja."[5] .

Na Reforma Protestante, Martinho Lutero, João Calvino, Thomas Cranmer, John Knox, Cotton Mather, e John Wesley[6] , chamaram o Papa de Anticristo. Na Reforma Católica por sua vez Martinho Lutero e outros reformadores foram chamados de Anticristo por terem ocasionado a suposta perda da unidade cristã, e "amputado e desmembrado o Corpo de Cristo". Atualmente, muitas correntes cristãs retiraram estas afirmações para reatarem relações (ver ecumenismo). Porém, outras ainda as mantém em suas confissões de fé.

Algumas frases dos reformadores: Lutero (por volta de 1522): "Oh! Quando não me custou, apesar de que me sustente a Santa Escritura, convencer-me de que é minha obrigação encarar sozinho com o Papa e apresentá-lo como o Anticristo!...[7] . "O Papa, quer apagar a luz do Evangelho destinada a iluminar ao mundo. É, então, o Anticristo predito por Daniel, pelo Senhor Jesus Cristo, Pedro, Paulo e o Apocalipse."[8] .

Thomas Cranmer (1489-1556)[9] , por ocasião do seu martírio: "E quanto ao papa, Eu o abomino como inimigo de Cristo, e anticristo, com todas as suas falsas doutrinas".

Confissão de fé Irlandesa (1615; Igreja Episcopal)[10] : "O Bispo de Roma é, longe de ser a cabeça da Igreja Universal de Cristo, o que sua doutrina e obras, de fato revelam, que ele é aquele “homem do pecado” predito nas santas Escrituras, a quem o Senhor há de consumir com o espírito de Sua boca, e abolir com o resplendor de sua vinda."

Confissão de Fé de Westminster (1647; Igreja Presbiteriana)[11] : "Não há outro cabeça da Igreja senão o Senhor Jesus Cristo: (Colossenses 1:18; Efésios 1:22). Em sentido algum pode ser o papa de Roma o cabeça dela, senão que ele é aquele anticristo, aquele homem do pecado e filho da perdição que se exalta na Igreja contra Cristo e contra tudo o que se chama Deus." (Mateus 23:8-10; II Tessalonicenses 2:3-9; Apocalipse 13:8).

Confissão de Fé Londrina (1689; Igreja Batista)[12] : "O Senhor Jesus Cristo é o cabeça da Igreja, aquele que, por designação do Pai, todo poder para o chamamento, instituição, ordem ou governo da igreja foi investido de maneira suprema e soberana; Nem pode o papa de forma alguma ser o cabeça dela, mas ele é o anticristo, aquele homem do pecado, e filho da perdição, que se exalta a si mesmo, na igreja, contra Cristo e a tudo que se chama Deus; a quem o Senhor destruirá com o resplendor da sua vinda"


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Apocalipse 13:16-17
  2. Polycap's Letter to the Philippians, parágrafo 7 (em inglês)
  3. Contra Heresias, livro 5, capítulo 30 (em inglês)
  4. Crisóstomo, Homilia 1 sobre a 2ª Epístola de São Paulo Apóstolo aos Tessalonicenses (em inglês)
  5. Cidade de Deus, livro 20, capítulo 19], citado em Brug, A Scriptural and Historical Survey of the Doctrine of the Antichrist (em inglês)
  6. Notas de John Wesley ao Novo Testamento (1754) (Igreja Metodista)[1]
  7. Martyn, págs. 372, 373
  8. L' Epanouisssement de la Pensée de Luther, pág. 316, citado em El Sentido de la Historia y la Palabra Profética, tomo 1, pág.303. Antolín Diestre Gil, Editorial Clie
  9. [2]
  10. [Igreja Episcopal][3]
  11. [4]
  12. [5]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Foxe, John. The Acts and Monuments, Book II. [S.l.: s.n.], 1583. Visitado em 2010-06-06.
  • Jerome. A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church. New York: The Christian Literature Company, 1893. p. 19. vol. VI. Visitado em 2010-06-07.
  • Jerome. A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church. New York: The Christian Literature Company, 1893b. p. 334. vol. VI. Visitado em 2010-06-07.
  • Jerome. A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church. New York: The Christian Literature Company, 1893c. p. 449. vol. VI. Visitado em 2010-06-07.
  • Jerome. A Select Library of Nicene and Post-Nicene Fathers of the Christian Church. New York: The Christian Literature Company, 1893d. 236-7 pp. vol. VI. Visitado em 2010-06-08.
  • Jerome. Jerome's Commentary of Daniel. Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1958. Visitado em 2010-06-07.
  • Origen. Ante-Nicene Christian Library. Edinburgh: T. & T. Clark, 1872. 385-8 pp. vol. XXIII. Visitado em 2010-06-06.
  • Schaff, Philip; Schley Schaff, David. History of the Christian Church. [S.l.]: Charles Scribner & Sons, 1885. Visitado em 2009-01-18.
  • Of Antichrist and His Ruin, John Bunyan, Diggory Press; Published in 1692, ISBN 978-1-84685-729-4.
  • The Antichrist, Martin Luther, Diggory Press; 1535 (approximate), ISBN 978-1-84685-804-8
  • The Antichrist: Has he launched his final campaign against the Savior?, Vincent P. Miceli S.J., Roman Catholic Books, Fort Collins-CO, 1981 ISBN 0-912141-02-6