John Foxe

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John Foxe
Nome completo John Foxe
Nascimento 1517
Boston, Lincolnshire, Inglaterra
Morte 1587 (70 Anos)
Nacionalidade  Inglaterra
Ocupação Pastor, Autor
Religião protestante

John Foxe (1517 - 18 de abril de 1587) foi um puritano protestante, martirologista inglês, o autor do que é popularmente conhecido como O Livro dos Mártires, que narra a história de sofrimento e perseguição dos principais mártires cristãos, começando por Jesus Cristo e até o final do reinado de Maria I ("chamada pelos protestantes de Maria Sanguinária, devido às perseguições que sofreram durante o reinado dela"). Narra as histórias de reformadores e mártires famosos, como Policarpo, John Wycliffe, John Huss, Lutero, Hugh Latimer, Thomas Cranmer e muitos outros que sofreram perseguição e martírio pelos pagãos e pela Inquisição. O livro foi também ilustrado com gravuras. Amplamente propriedade e lido por puritanos ingleses, o livro ajudou a moldar a opinião pública britânica sobre a Igreja católica para vários séculos.

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                                     John Foxe e seus dias turbulentos
  SERÁ que a humanidade aprende com seus erros ou esquece as lições do passado? Pense nisso ao considerar a vida de John Foxe, um inglês que recorreu à escrita na esperança de que seus leitores repudiassem as barbaridades cometidas em seus dias.
  Os relatos de John Foxe, registrados na época da Reforma, realmente exerceram poderosa influência no povo da Inglaterra por séculos. Seu livro, intitulado Acts and Monuments of the Church (Atos e Monumentos da Igreja), levou mais de 25 anos para ser finalizado. Alguns acreditam que, com exceção da Bíblia em inglês, ele é o livro que mais influenciou a língua e cultura inglesa.
                                          Anos turbulentos
  John Foxe nasceu em 1516, ou 1517, em Boston, Inglaterra. Segundo a tradição, isso foi na época em que Martinho Lutero pregou suas 95 teses, ou protestos, na porta de uma igreja em Wittenberg, Alemanha. Assim, Foxe, que era católico-romano de nascença, surgiu no cenário num período em que os reformadores estavam desafiando a autoridade e os ensinamentos da Igreja Católica.
  Foxe foi para a Universidade de Oxford e estudou, entre outras coisas, grego e hebraico, o que lhe possibilitou ler a Bíblia nos idiomas originais. Tudo indica que isso abalou suas crenças católicas, tanto que seus colegas começaram a suspeitar que ele estava abraçando o protestantismo. Essa suspeita foi levada ao conhecimento dos diretores da universidade. A partir daí, Foxe passou a ser observado de perto.
  
  Após concluir seu mestrado em 1543, Foxe poderia ter sido ordenado padre. Mas ele recusou essa ordenação porque não concordava com o celibato compulsório. Essa posição lhe trouxe problemas sérios. Sob a suspeita de heresia — a qual, se provada, podia resultar em morte —, ele saiu da universidade em 1545. Após abandonar uma carreira acadêmica promissora, Foxe começou a trabalhar como tutor para uma família perto de Stratford-upon-Avon, Warwickshire, onde se casou com Agnes Randall.
  Ela era de Coventry, uma cidade próxima dali, e contou a Foxe sobre uma viúva chamada Smith (ou Smythe) que tinha ensinado a seus filhos os Dez Mandamentos e a oração-modelo de Jesus, geralmente conhecida como oração do Pai-Nosso. Só que, em vez de ensinar essas coisas em latim, ela ensinou em inglês. Por causa desse “crime”, ela foi queimada numa estaca, ao lado de seis homens que tinham sido alvo de acusações parecidas. Visto que essa grande injustiça enfureceu o povo, o bispo local espalhou boatos de que as vítimas foram queimadas pelo “crime maior” de comer carne nas sextas-feiras e em outros dias de jejum.
  Como será que os mártires tinham se familiarizado com trechos da Bíblia em inglês? Cerca de 150 anos antes, apesar da oposição da Igreja, a Bíblia tinha sido traduzida do latim para o inglês por John Wycliffe, que também treinou pregadores viajantes que eram conhecidos como lolardos. Eles liam para as pessoas trechos da Bíblia escritos à mão. O Parlamento tentou impedir essa atividade. Em 1401, foi criado um estatuto que concedia aos bispos poder para prender e torturar hereges e queimá-los na estaca.
  
  Temendo ser preso, Foxe se mudou com a família para Londres, onde mais tarde tomou posição a favor do protestantismo. Ali, ele traduziu para o inglês panfletos de reformadores alemães e outros escritos em latim. Também redigiu por conta própria alguns panfletos.
  Além disso, Foxe começou a compilar a história dos lolardos na Inglaterra, finalizando-a em 1554. A obra — um pequeno volume em latim de 212 folhas — foi publicada em Estrasburgo, hoje uma cidade na França. Essa foi na verdade a primeira edição de seus Acts and Monuments of the Church. Cinco anos depois, ele aumentou o volume para mais de 750 páginas em formato in-fólio.
                                            A matança gerada pela intolerância
  Durante a Reforma na Europa, milhares de homens, mulheres e crianças foram massacrados. Na Inglaterra, em 1553, o trono foi assumido por uma católica fanática que veio a ser conhecida como Maria, a Sanguinária. Visto que o Parlamento inglês havia cortado todos os laços com Roma em 1534, Maria estava determinada a restabelecer o domínio papal sobre a Inglaterra. Durante os cinco anos do reinado de Maria, cerca de 300 homens e mulheres, incluindo líderes protestantes, foram queimados como hereges. Muitos outros morreram na prisão.
  Foxe só sobreviveu a tudo isso porque foi com a família para Basileia, na Suíça, logo após a coroação de Maria. Em 1559, um ano após a irmã protestante de Maria, Elizabeth, tornar-se rainha, ele voltou para a Inglaterra, assim como outros exilados. No mesmo ano, Elizabeth restabeleceu o Ato de Supremacia, o que fez dela Governante Suprema da Igreja. O Papa Pio V reagiu excomungando Elizabeth em 1570. Não demorou muito e foram descobertas conspirações internacionais contra a Inglaterra, incluindo planos para assassinar a rainha protestante. Em resultado disso, centenas de católicos foram acusados de traição e mortos às ordens de Elizabeth.

Sem dúvida, as igrejas da cristandade — católicas e protestantes — se desviaram muito dos ensinamentos de Jesus Cristo! “Continuai a amar os vossos inimigos e a orar pelos que vos perseguem”, ensinou ele. (Mateus 5:44) Visto que tanto católicos como protestantes desrespeitaram essa ordem clara, eles vituperaram o cristianismo, um fato predito pela Bíblia. “Falar-se-á de modo ultrajante do caminho da verdade” por causa dos que se dizem cristãos, escreveu o apóstolo Pedro. — 2 Pedro 2:1, 2.

                                             Foxe termina sua obra
  De volta à Inglaterra, Foxe começou a trabalhar numa edição ampliada de seu relato, com detalhes que talvez tenham sido testemunhados por alguns de seus leitores. A primeira edição em inglês — com cerca de 1.800 páginas e várias xilogravuras — foi lançada em 1563 e imediatamente se tornou um best-seller.
  A segunda edição foi lançada sete anos depois. Seus dois volumes tinham mais de 2.300 páginas e 153 ilustrações. No ano seguinte, a Igreja Anglicana decretou que um exemplar do livro de Foxe fosse colocado ao lado da Bíblia em todas as catedrais da Inglaterra e nas casas de dignitários da igreja para o uso de servos domésticos e visitantes. As igrejas menores fizeram o mesmo. Até os analfabetos podiam se beneficiar, graças às gravuras, que causavam uma profunda e duradoura impressão.
  Nessa época, Foxe já havia se juntado aos puritanos, protestantes que achavam que não bastava apenas se separar da igreja romana. Eles ensinavam que qualquer vestígio do catolicismo tinha de ser removido — uma posição que, ironicamente, os fez entrar em conflito com a própria igreja protestante na Inglaterra, que manteve muitos costumes e doutrinas católicas.
  Visto que sua obra revelou muitas das atrocidades religiosas que aconteceram naqueles dias turbulentos, John Foxe moldou o modo como as pessoas encarariam a religião e a política na Inglaterra por séculos depois.

NOTAS:

  Segundo o livro The Leading Facts of English History (Os Principais Fatos da História Inglesa), de D. H. Montgomery, o Parlamento aprovou em 1534 o Ato de Supremacia, “que declarou que Henrique era absolutamente o único chefe da Igreja; quem negasse isso era acusado de alta traição. Ao assinar o ato, o rei, com apenas um movimento de sua caneta, derrubou mil anos de tradição, e a Inglaterra prosseguiu corajosamente com uma igreja nacional independente do papa”.

O LIVRO DOS MÁRTIRES

 À medida que a Igreja Católica continuava combatendo a Reforma, martirólogos na Europa, como Jean Crespin, compilaram detalhes de perseguições e martírios em seus países. O livro de Foxe intitulado Acts and Monuments of the Church (Atos e Monumentos da Igreja) ficou conhecido como O Livro dos Mártires de Foxe. Mais tarde, com o surgimento de edições revisadas e resumidas, o título não oficial tomou o lugar do escolhido por Foxe.