Cristologia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Parte de uma série da
História da teologia cristã
Bible.malmesbury.arp.jpg
Contexto

Quatro marcas da Igreja
Cristianismo primitivo · Cronologia
História do cristianismo
Teologia · Governo eclesiástico
Trinitarianismo · Não-trinitarianismo
Escatologia · Cristologia · Mariologia
Cânon bíblico: Deuterocanônicos e Livros apócrifos

Visões teológicas da história

De Civitate Dei · Sucessão Apostólica
Landmarkismo · Dispensacionalismo·Restauracionismo

Credos

Credo dos Apóstolos · Credo Niceno
Credo da Calcedônia · Credo de Atanásio

Patrística e Primeiros Concílios

Pais da Igreja · Agostinho
Nicéia · Calcedônia · Éfeso

Desenvolvimento Pós-Niceno

Heresia · Lista de heresias
Monofisismo · Monotelismo
Iconoclastia · Gregório I · Alcuíno
Fócio · Cisma Oriente-Ocidente
Escolástica · Aquino · Anselmo
William de Ockham · Gregório Palamas

Reforma

Reforma protestante
Lutero · Melâncton · Calvino
95 Teses · Justificação · Predestinação
Sola fide · Indulgência · Arminianismo
Livro de Concórdia · Reforma Inglesa
Contrarreforma · Concílio de Trento

Desde a Reforma

Pietismo · Avivamento
John Wesley · Grande Despertamento
Movimento de Santidade
Movimento Vida Superior
Pentecostalismo
Neopentecostalismo
Existencialismo
Liberalismo · Modernismo · Pós-modernismo
Concílio Vaticano II · Teologia da Libertação
Ortodoxia radical · Jean-Luc Marion
Hermenêutica · Desconstrução e religião

P christianity.svg Portal do Cristianismo

Cristologia é o estudo sobre Cristo; é uma parte da teologia cristã que estuda e define a natureza de Jesus, a doutrina da pessoa e da obra de Jesus Cristo, com uma particular atenção à relação com Deus, às origens, ao modo de vida de Jesus de Nazaré, visto que estas origens e o papel dentro da doutrina de salvação tem sido objeto de estudo e discussão desde os primórdios do Cristianismo.

Eixo central da Cristologia[editar | editar código-fonte]

A Cristologia tem sido debatida incansavelmente durante séculos, em várias nações, dentro de várias correntes cristãs, com pontos de vista semelhantes, divergentes e mesmo com algumas controvérsias. Alguns aspectos deste assunto muito debatidos no eixo central da cristologia no decurso da história do cristianismo são:

  • a natureza divino-humana de Jesus (União Hipostática)
  • a encarnação
  • a revelação de Deus
  • os milagres
  • os ensinamentos
  • a morte expiatória
  • a ressurreição
  • a ascensão
  • a intercessão em nosso favor
  • a parousia
  • o ofício de Juiz
  • a posição como Cabeça de todas as coisas
  • a centralidade dentro do mistério da vontade de Deus, dentro da restauração
  • a volta ao mundo para reinar sobre aqueles que creêm nele

Disputas[editar | editar código-fonte]

Talvez a disputa mais antiga dentro do cristianismo centrou-se sobre se Jesus era Deus. Um número de cristãos primitivos acreditavam que Jesus não era divino, mas fora simplesmente o Messias humano prometido no Antigo Testamento, tal como o vê os Fariseus contrariamente à vista mais geral dos outros Judaico-cristãos [1] . A inclusão da Genealogia de Jesus em Mateus 1:1-17 e Lucas 3:23-38 são explicadas às vezes por esta opinião.

Uma explanação alternativa é que eram uma oposição às doutrinas dos Cristãos Gnósticos que afirmavam que Jesus Cristo teve somente a ilusão de um corpo humano e, assim, nenhuma ancestralidade humana, como o via o Docetismo [2]

A opinião de que Jesus era somente humano, como afirmava o Adopcionismo, foi oposta por líderes da igreja tais como São Paulo, e veio eventualmente a serem aceitas somente por seitas como a dos Ebionitas e (de acordo com São Jerônimo) dos Nazarenos, mas logo subjugadas pelas igrejas ortodoxas de uma forma ou outra [2] .

A natureza de Cristo[editar | editar código-fonte]

A natureza de Jesus Cristo, é uma questão da busca por determinar se Cristo era um homem com a tendência para pecar igual à de Adão antes do pecado (pré-lapsarianismo) ou uma tendência ao pecado, igual à de Adão depois do pecado (pós-lapsarianismo), ambas diretamente relacionadas com o Plano da Salvação, visto que o ministério de Cristo, se caracterizava pelo exemplo na superação do pecado, mostrando que era possível o homem viver sem pecar.

Entre as principais escolas que buscaram determinar a natureza de Cristo temos:

  • Arianismo, que crê que Jesus, apesar de um ser superior, seja inferior ao Pai sendo uma criatura sua
  • Docetismo, defende que Jesus era um mensageiro dos céus e que seu corpo era "carnal" apenas na aparência e sua crucificação teria sido uma ilusão
  • Ebionismo, que crê em Jesus como um profeta, nascido de Maria e José, que teria se tornado Cristo no ato do batismo
  • Elcasaismo - recusam a divindade de Cristo, consideram-no o último dos profetas e chamam-lhe anjo Jesus
  • Monofisismo, segundo a qual Cristo teria uma única natureza composta da união de elementos divinos e elementos humanos
  • Nestorianismo, segundo a qual Jesus Cristo é, na verdade, duas entidades vivendo no mesmo corpo: uma humana (Jesus) e uma divina (Cristo)
  • Miafisismo, que defende que em Jesus Cristo há a natureza humana e a natureza divina, mas que estas duas naturezas se unem natural e completamente para formar uma única e unificada Natureza de Cristo
  • Sabelianismo, o qual defendia que Jesus e Deus não eram pessoas distintas, mas sim "aspectos" ou "modos" diferentes do trato da Divindade com a humanidade
  • Trinitarianismo, que crê em Jesus como a segunda pessoa da Trindade divina

Cristologia Ortodoxa[editar | editar código-fonte]

Mosaico retratando o Cristo Pantocrator, na Igreja de Daphne, Atenas, Grécia. A imagem foi terminada entre os anos de 1090 e 1100

A Cristologia ortodoxa, defendida pelas Igrejas Católica, Ortodoxas e Protestantes, tem por base o Concílio de Calcedônia (em 451 d.C.), o qual estabelece as bases desta corrente, na qual o Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Homem (união hipostática) e se apresenta em duas naturezas sem distinção, indivisíveis e inseparáveis, de tal forma que as propriedades de cada uma permanecem ainda mais firmes quando unidas numa só pessoa. Para os defensores desta cristologia, o termo "Filho de Deus" aplicado a Jesus deve ser interpretado com a natureza de Deus, gerado já desde o início de tudo e, portanto co-eterno.

Cristologia Monofisita[editar | editar código-fonte]

Discordando da Cristologia Ortodoxa, os monofisitas afastaram-se para compor as Igrejas dissidentes da Síria, da Armênia, do Egito, da Etiópia e da Índia do Sul. Para eles a natureza divina em Jesus era muito mais forte e preponderante daquela natureza humana.

Mas, estas mesmas Igrejas dissidentes rejeitam o rótulo de monofisita, porque elas afirmam que defendem na verdade o miafisismo, que é a crença de que em Jesus há a natureza humana e a natureza divina, mas que estas duas naturezas se unem para formar uma única e unificada Natureza de Cristo. Estas Igrejas afirmam que o miafisismo é diferente do monofisismo, mas esta doutrina cristológica igualmente se diverge da doutrina ortodoxa da união hipostática.

Cristologia Ariana[editar | editar código-fonte]

O arianismo, que recebeu este nome por ser derivado da doutrina de Ário, apresenta uma distinção clara entre o Cristo e o Logos como razão divina. O Cristo é apresentado como uma criatura pré-temporal, super-humana, a primeira das criaturas, não Deus, porém mais que homem. "O logos é a própria razão divina a qual Deus pai admitiu sair de si mesmo sem a diminuição do seu próprio ser. (Justino Martir)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Frédéric Lenoir - Comment Jésus est devenu Dieu - Capítulo 6
  2. a b Frédéric Lenoir - Comment Jésus est devenu Dieu - Capítulo 3

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre religião é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.