Teologia sistemática

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A teologia sistemática, que engloba ramos como a teologia doutrinal, a teologia dogmática e a teologia filosófica, é a disciplina da teologia cristã que formula uma descrição ordenada, racional e coerente da fé e crenças cristãs. Ela reúne as informações extraídas da pesquisa teológica, organiza-as em áreas afins, explica as aparentes contradições e, com isso, fornece um grande sistema explicativo (diferentemente da teologia histórica ou da teologia bíblica).

A teologia sistemática está também associada por vezes à apologética cristã, que serve para, no confronto teológico entre diferentes religiões e heresias, defender a doutrina da confissão cristã em causa.

História[editar | editar código-fonte]

A tentativa de organizar as variadas ideias da religião cristã (e os vários tópicos e temas de diversos textos da Bíblia) em um sistema simples, coerente e bem-ordenado é uma tarefa relativamente recente. Na ortodoxia oriental, um exemplo antigo é a Exposição da Fé Ortodoxa, de João de Damasco (feita no século VIII), na qual se tenta organizar, e demonstrar a coerência, a teologia de textos clássicos da tradição teológica oriental.

No Ocidente, as Sentenças de Pedro Lombardo (no século XII), em que é coletada uma grande série de citações dos Pais da Igreja, tornou-se a base para a tradição de comentário temático e explanação da escolástica medieval -- cujo grande exemplo é a Suma Teológica de Tomás de Aquino. A tradição protestante de exposição temática e ordenada de toda a teologia cristã (ortodoxia protestante) surgiu no século XVI, com os Loci Communes de Filipe Melanchton e as Institutas da Religião Cristã de João Calvino.

No século XIX, especialmente em círculos protestantes, um novo modelo de teologia sistemática surgiu: uma tentativa de demonstrar que a doutrina cristã formava um sistema coerente baseado em alguns axiomas centrais. Alguns teólogos se envolveram, então, numa drástica reinterpretação da fé tradicional com o fim de torná-la coerente com estes axiomas. Friedrich Schleiermacher, por exemplo, produziu Der christliche Glaube nach den Grundsatzen der evangelischen Kirche, na década de 1820, onde a ideia central é a presença universal em meio à humanidade (algumas vezes mais oculta, outras, mais explícita) de um sentimento ou consciência de "absoluta dependência"; todos os temas teológicos são reinterpretados como descrições ou expressões de modificações deste sentimento.

Na perspectiva católica[editar | editar código-fonte]

Segundo a Igreja Católica, a teologia sistemática é dividida em dois ramos principais:

  • a teologia dogmática ou fundamental, que "expõe e estuda, sistematicamente, as verdades fundamentais da ", que são "verdades eternas e obrigatórias para todos os cristãos, nos seus aspectos materiais e formais";
  • a teologia moral, "que estuda os preceitos éticos contidos na doutrina revelada, aplicando-os ao cotidiano da vida do homem e da Igreja".[1]

Loci da teologia sistemática[editar | editar código-fonte]

Um locus (do latim, lugar; plural loci) é uma área específica de estudo da teologia sistemática. Os loci clássicos são:

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. Trad. Odayr Olivetti. Campinas: LPC, 1990.
  • BRAATEN, Carl E. & JENSON, Robert W. (eds.) Dogmática Cristã. 2 vols. Trad. G. Delfstra et alli. São Leopoldo: Sinodal, 1990.
  • BOFF, Clodovis. Teoria do Método Teológico. Petrópolis: Vozes, 1998.
  • FIORENZA, Francis S. & GALVIN, John P. (org.). Teologia Sistemática. 2 vols. Trad. Paulo Siepierski. São Paulo: Paulus, 1997.
  • HODGE, Charles. Teologia Sistemática. Trad. Valter Martins. São Paulo: Hagnos, 2001.
  • McGRATH, Alister E. Teologia: Sistemática, Histórica e Filosófica. Trad. Marisa de Siqueira Lopes. São Paulo: Shedd, 2005.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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