Estrela de Belém

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Adoração dos Magos. A estrela, segurada por anjos, aparece acima da cabeça de Maria e do Menino Jesus.
1460-64. Por Andrea Mantegna, atualmente na Galleria degli Uffizi, em Florença.

Na tradição cristã, a Estrela de Belém, também chamada de Estrela de Natal[1] , revelou o nascimento de Jesus aos magos e, posteriormente, os guiou até Belém. A estrela aparece no Evangelho de Mateus, no qual "magos do oriente" foram inspirados pela estrela a viajar para Jerusalém[2] . Lá, eles se encontraram com Herodes da Judeia e perguntaram-lhe onde teria nascido o rei dos judeus. Herodes, baseado num versículo do livro de Miquéias interpretado como sendo uma profecia, enviou-os a Belém, um vilarejo nas proximidades. A estrela então os levou até o local onde estavam Jesus, Maria e José, onde eles prestaram homenagem ao recém-nascido e deram-lhe presentes. Os sábios magos então receberam em sonho o conselho de não retornarem a Herodes e, por isso, voltaram diretamente para seus "próprios países" por um caminho diferente[3] .

Muitos cristãos acreditam que a estrela foi um sinal milagroso que marcou o nascimento do Cristo (ou Messias, literalmente "O ungido"). Alguns teólogos defendem que a estrela cumpriu uma profecia conhecida como "Profecia da Estrela"[4] . Astrônomos fizeram várias tentativas de ligar a estrela a fenômenos astronômicos pouco usuais, como uma conjunção de Júpiter e Saturno, um cometa ou uma supernova[5] [6] .

Uns poucos acadêmicos questionaram a acuracidade histórica do evento e defendem que a estrela seria uma ficção piedosa criada pelo autor do Evangelho de Mateus[7] .

O assunto é um dos favoritos nos planetários durante a época do Natal[8] , embora o relato bíblico sugira que a visita dos magos teria se realizado muitos meses após o nascimento de Jesus[nb 1] . A visita é geralmente celebrada na Epifania (6 de janeiro) no cristianismo ocidental[9] .

Narrativa em Mateus[editar | editar código-fonte]

O Evangelho de Mateus afirma que os magos (traduzidos também como "sábios", que neste contexto provavelmente significa "astrônomo" ou "astrólogo"[10] ) chegaram à corte de Herodes em Jerusalém e contaram ao rei sobre uma estrela que significaria o nascimento do rei dos judeus:

«Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia no tempo do rei Herodes, vieram do oriente uns magos a Jerusalém, perguntando: Onde está aquele que nasceu Rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos adorá-lo. O rei Herodes, ouvindo isto, perturbou-se, e com ele toda Jerusalém; e reunindo todos os principais sacerdotes e os escribas do povo, perguntava-lhes onde havia de nascer o Cristo.» (Mateus 2:1-4)

Herodes ficou "perturbado" não por conta do aparecimento da estrela, mas por que os magos disseram-lhe que um "rei dos judeus" nasceu[11] , o que ele entendeu como sendo uma referência ao "messias", um líder do povo judeu cuja vinda fora prevista nas Escrituras. Para tentar descobrir onde ele teria nascido, Herodes então questionou os seus conselheiros[12] , que responderam-lhe que Belém, o local onde nascera o rei David e citado pelo profeta Miqueias[nb 2] . O rei então passou aos magos esta informação[13] .

«Então Herodes chamou secretamente os magos, e deles indagou com precisão o tempo em que a estrela tinha aparecido; e enviando-os a Belém, disse-lhes: Ide informar-vos cuidadosamente acerca do menino; e quando o tiverdes achado, avisai-me, para eu também ir adorá-lo. Os magos, depois de ouvirem o rei, partiram; e eis que a estrela, que viram no oriente, ia adiante deles, até que foi parar sobre o lugar onde estava o menino. Ao avistarem a estrela ficaram extremamente jubilosos.» (Mateus 2:7-10)

O relato de Mateus sugere que os magos sabiam, pelo aparecimento da estrela, que o "rei dos judeus" já tinha nascido mesmo antes de terem chegado Jerusalém. Eles presentearam Jesus com ouro, incenso e mirra[14] . Num sonho, os magos foram alertados a não retornarem a Jerusalém e, assim, eles "seguiram por outro caminho para a sua terra."[15] . Quando Herodes se deu conta de que fora enganado, ele planejou a execução de todos os meninos com menos de dois anos de Belém, baseandose na informação que os magos haviam lhe dado sobre o primeiro aparecimento da estrela[nb 3] . José, alertado num sonho, levou sua família para o Egito por segurança[16] . O Evangelho liga a fuga a um versículo das Escrituras, também interpretado como uma profecia: "Do Egito chamei a meu Filho"[17] , uma referência a fuga dos hebreus do Egito sob Moisés, o que sugere que Mateus via a vida de Jesus como recapitulando a história do povo judeu, com a Judeia representando o Egito e Herodes, o faraó[18] . Após a morte de Herodes, José é novamente alertado em sonho sobre a morte de Herodes e retorna com sua família do Egito[19] para se assentar em Nazaré, na Galileia[20] . Este trecho também seria a realização de uma profecia, "Ele será chamado Nazareno", de origem desconhecida[21] .

Teorias sobre a estrela[editar | editar código-fonte]

Realização de uma profecia[editar | editar código-fonte]

Os antigos acreditavam que os fenômenos astronômicos estava conectados aos eventos na terra. Milagres eram rotineiramente associados com o nascimento de pessoas importantes, incluindo o dos patriarcas hebreus, assim como dos heróis gregos e romanos[22] .

A Estrela de Belém é, por isso, tradicionalmente ligada à Profecia da Estrela, que aparece no livro de Números:

«

Eu o vejo, porém não agora;
Eu o contemplo, porém não de perto.
De Jacó nascerá uma estrela,
E de Israel se levantará um cetro,
Que ferirá as fontes de Moabe,
E a cabeça de todos os filhos de orgulho.» (Números 24:17)

Embora evidentemente referenciando o futuro imediato, uma vez que o reino de Moab há muito já não existia quando os Evangelhos foram escritos, ela tem sido amplamente utilizada como uma referência à vinda de um Messias[4] . Ela foi, por exemplo, citada por Flávio Josefo, que acreditava que ela fazia referência ao imperador romano Vespasiano[23] . Orígenes, um dos mais importantes teólogos do cristianismo primitivo, ligou a Profecia da Estrela com a Estrela de Belém:

Se, então, no começo de novas dinastias ou por ocasião de eventos importantes, aparece um assim chamado "cometa" ou qualquer outro corpo celestial, por que seria espantoso se no nascimento d'Ele, que introduzirá uma nova doutrina para a raça humana; e que faria Sua doutrina conhecida não apenas para os judeus, mas também para os gregos e para muitas das nações bárbaros vizinhas, uma estrela apareceu? Agora, eu diria, que com respeito a cometas não há profecia conhecida que trate de tal aparecimento ou deste aparecimento em conexão com um reino em particular ou uma época em particular; mas com respeito a aparição de uma estrela no nascimento de Jesus, há uma profecia de Balaão relatada por Moisés que trata deste aparecimento: "De Jacó nascerá uma estrela, E de Israel se levantará um cetro.
 
Orígenes, Contra Celso I.54[24] .
Viagem dos Magos.
Séc. VI. Mosaico na Basílica de Santo Apolinário Novo, em Ravena.

De acordo com Orígenes, os magos podem ter decidido viajar até Jerusalém quando eles "conjecturaram que o homem cujo aparecimento fora previsto juntamente com o de uma estrela teria de fato vindo ao mundo"[25] .

Os magos são por vezes chamados também de "reis" por conta da crença de que eles estariam realizando as profecias de Isaías e dos Salmos sobre uma viagem a Jerusalém por reis gentios[26] . Isaías menciona presentes de ouro e incenso[27] . Na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento que provavelmente foi utilizada por Mateus, estes presentes aparecem como ouro e franquincenso[28] , similar ao relato de Mateus, de "ouro, incenso e mirra"[14] . A mirra representa a mortalidade segundo Orígenes[25] .

Enquanto que Orígenes defende uma explicação naturalística, João Crisóstomo via a estrela como sendo puramente milagrosa: "Como então, digam-me, a estrela poderia apontar para um local tão específico, o espaço de uma manjedoura e um barraco, sem que tenha descido das alturas e permanecido logo acima da cabeça do menino? E era a isso que aludia o evangelista quando disse "e eis que a estrela, que viram no oriente, ia adiante deles, até que foi parar sobre o lugar onde estava o menino."[29] .

Objeto astronômico[editar | editar código-fonte]

Os magos contaram a Herodes que eles viram a estrela "no oriente"[30] , "em ascensão"[31] , o que poderia implicar no rotineiro aparecimento de uma constelação, asterismo ou nascer helíaco. A palavra grega para "oriente" utilizada nesta passagem está no singular, mas aparece sempre no plural nas que fazem referência à terra natal dos magos[32] .

Em 1614, o astrônomo alemão Johannes Kepler determinou que uma série de três conjunções dos planetas Júpiter e Saturno teria ocorrido no ano 7 a.C.[8] . Embora conjunções serem importantes em astrologia, Kepler não estava raciocionando em termos astrológicos. Ele argumentou (incorretamente) que uma conjunção planetária poderia criar uma nova, que ele então ligou à Estrela de Belém[8] . Cálculos modernos mostram que havia uma distância de quase um grau entre os planetas, o que tornaria essas conjunções pouco expressivas[33] . Um antigo almanaque foi encontrado na Babilônia que cobre os eventos deste período, mas não indica nada de especial sobre tais conjunções[33] [34] . No século XX, prof. Karlis Kaufmanis, um astrônomo, argumentou que este evento seria uma tripla conjunção de Júpiter, Saturno e da constelação de Peixes[35] [36] .

Outros autores sugerem que a estrela seria um cometa[33] . O cometa Halley esteve visível em 12 a.C. e outro objeto, possivelmente um cometa ou uma nova, foi visto pelos chineses e coreanos por volta de 5 a.C.[33] [37] . Este objeto foi observado por mais de setenta dias sem nenhum o relato de movimento algum[33] . Os escritores antigos descreviam cometas como "se mantendo sobre" cidades específicas, justamente como a Estrela de Belém foi descrita como tendo "se mantido" sobre o "lugar" onde Jesus estava (a cidade de Belém)[38] . Porém, esta teoria é considerada como improvável pois, na antiguidade, os cometas eram geralmente vistos como um mau presságio[39] .

Outro candidato a ser a Estrela de Belém é Urano, que passou próximo de Saturno em 9 a.C. e de Vênus em 6 a.C. Outra teoria improvável, uma vez que Urano se move muito vagarosamente e é quase invisível a olho nu[40] .

Uma hipótese recente é a de que a Estrela de Belém seria uma supernova ou uma hipernova que teria explodido perto da galáxia de Andrômeda. Embora supernovas tenha de fato sido detectadas ali, é extremamente difícil detectar os restos de uma supernova em outras galáxias e, muito mais, determinar uma data de quando teriam ocorrido[41] .

Eventos astrológicos[editar | editar código-fonte]

Adoração dos Magos.
Vitral na Igreja da Imaculada Conceição de Maria, Tamuin, San Luis Potosi, México.

Embora os magos sejam geralmente traduzidos como "sábios", no contexto dos evangelhos, o termo provavelmente se refere a "astrônomos" ou "astrólogos"[42] . O envolvimento de astrólogos na história do nascimento de Jesus foi problemático para a igreja antiga, que considerava a astrologia algo demoníaco; uma explicação amplamente citada foi dada por Tertuliano, que sugeriu que a astrologia foi permitida "apenas até a época dos Evangelhos"[43] .

Em 3-2 a.C., houve uma série de sete conjunções, incluindo três entre Júpiter e Regulus e uma muito próxima entre Júpiter e Vênus perto de Regulus em 17 de junho de 2 a.C. "A fusão de dois planetas pode ter sido um evento raro e espantoso", de acordo com Roger Sinnott[44] . Este evento, porém, ocorreu após a data geralmente aceita de 4 a.C. para a morte de Herodes. Uma vez que a conjunção deveria ser enxergada a oeste no pôr-do-sol, ela não poderia ter guiado os magos para sul de Jerusalém até Belém[45] .

O astrônomo Michael R. Molnar propôs uma ligação entre a Estrela de Belém e uma dupla ocultação de Júpiter pela Lua em 20 de março e 17 de abril de 6 a.C. em Áries, particularmente a segunda, de abril[46] . Os eventos ocorreram muito próximos do sol e eram de difícil observação, mesmo com um pequeno telescópio (algo que não existia na época)[47] .

Ocultações de planetas pela Lua são eventos bastante comuns, mas Fírmico Materno, um astrólogo do imperador romano Constantino, escreveu que uma ocultação de Júpiter em Áries era um sinal do nascimento de um grande rei[46] [48] . "Quando a estrela real de Zeus, o planeta Júpiter, estava no oriente este seria a época mais poderosa para a criação de reis. Além disso, o Sol estava em Áries, onde ele é exaltado. E a Lua estava em conjunção muito próxima com Júpiter em Áries", escreveu Molnar[nb 4] [49] .

De acordo com o arqueologista e assiriologista Simo Parpola, o mais provável candidato para ser a Estrela de Belém do Evangelho de Mateus é a já mencionada rara conjunção tripla de Júpiter e Saturno em Peixes ocorrida no ano 7 a.C., que os astrônomos da época teriam interpretado como o sinal do nascimento do rei dos judeus que deixou Herodes tão preocupado[50] . Segundo ele, no sistema astrológico babilônio, Júpiter representava o deus supremo do universo, Saturno era o "imutável" e a constelação de Peixes estava associada com deus da sabedoria, vida e criação, e também com povo judeu. Quando esta "estrela" foi vista "no oriente" (Babilônia e Pérsia, os centros da astrologia na época, se localizavam a leste da Judeia), a autoridade de Roma ainda não estava firmemente estabelecida na região do Oriente Médio e os judeus esperavam por líder para livrá-los dos invasores. Parpola defende que a interpretação astrológica babilônia da tripla conjunção seria "o final de uma antiga ordem mundial o nascimento de um novo rei escolhido por Deus"[50] . Outro ponto que dá suporte a esta teoria é o fato de que os primeiros cristãos se utilizavam do símbolo da constelação de Pisces (Ichthys - Peixes), justamente a constelação onde a conjunção ocorrera, como um símbolo para Jesus e sua nova religião[51] .

Estudos religiosos[editar | editar código-fonte]

Aspectos sobre o relato de Mateus que levantaram questões sobre o evento histórico incluem:

  • Por que seria necessário uma estrela para guiar os magos de Jerusalém por uma estrada de míseros 10 quilômetros até Belém? (Mateus 2:9)[52] [53] .
  • Mateus é o único dos quatro evangelhos que menciona tanto a Estrela de Belém quanto os magos. O autor do Evangelho de Marcos, considerado pelos acadêmicos modernos como sendo o mais antigo[54] [nb 5] parece não conhecer a história do nascimento em Belém[55] .
  • Um personagem no Evangelho de João afirma que Jesus é oriundo da Galileia e não de Belém[56] .
  • Os Evangelhos geralmente descrevem Jesus como "de Nazaré"(em grego: Nazarēnos - "nazareno" - ou Nazōraios - "nazireu"), mas nunca como "de Belém". Alguns acadêmicos sugerem que ele teria nascido em Nazaré e que a narrativa de Belém reflete o desejo dos evangelistas de apresentar o nascimento de Jesus como o cumprimento de uma profecia[57] .

A descrição de Matus sobre os milagres e sinais que acompanharam o nascimento de Jesus podem ser comparada com as histórias sobre o nascimento de Augusto (63 a.C.)[nb 6] . Ligar o nascimento com a primeira aparição de uma estrela era consistente com a crença popular de que a vida de cada pessoa estaria ligada a uma estrela em particular[58] . Magos e eventos astronômicos foram relacionados, na mentalidade do povo, por causa de uma visita de magos a Roma na época da espetacular aparição do cometa Halley em 66 d.C.[38] , por volta da época que o Evangelho de Mateus estava sendo escrito. Esta delegação foi liderada pelo rei Tirídates da Armênia, que veio em busca de confirmação de seu título junto ao imperador Nero. O historiador Dião Cássio escreveu que "O rei não retornou pelo caminho que ele chegou"[38] , o que lembra muito o relato de Mateus em Mateus 2:12.

Interpretações religiosas[editar | editar código-fonte]

Igreja Ortodoxa[editar | editar código-fonte]

Na Igreja Ortodoxa, a Estrela de Belém não é interpretada como sendo um evento astronômico e sim como evento sobrenatural, no qual um anjo foi enviado por Deus para guiar os magos até o Menino Jesus. Esta interpretação é evidente no Troparion da Natividade:


Tua natividade, Ó Cristo nosso Deus,
iluminou o mundo com a luz da razão:
porque aqueles que adoravam as estrelas,
aprenderam através da estrela
a Te reverenciar, Sol da verdade, e a
Te ver nas alturas do Nascer Do dia:
Ó Senhor, glória a Ti.[59]

Nos ícones ortodoxos, a Estrela de Belém é geralmente representada não em dourado, mas como uma auréola escura, um semicírculo acima do ícone, indicando a Luz Não-Criada da graça divina, com um raio apontando para o «o lugar onde estava o menino» (Mateus 2:9). Por vezes, uma pálida imagem de um anjo é desenhada dentro da auréola.

Mormonismo[editar | editar código-fonte]

Os mórmons acreditam que a Estrela de Belém foi um evento astronômico real visível em todo o mundo[60] . No Livro de Mórmon, que eles acreditam conter os escritos dos profetas antigos, Samuel, o Lamanita, profetiza que uma nova estrela irá aparecer como sinal de que Jesus teria nascido e Nephi, o Discípulo, posteriormente escreve sobre a realização desta profecia[61] . Os mórmons também acreditam que a Estrela de Belém simboliza a luz que Jesus Cristo trouxe ao mundo[62] .

Testemunhas de Jeová[editar | editar código-fonte]

Entre as testemunhas de Jeová, a Estrela de Belém é vista como uma obra de Satã ao invés de um sinal de Deus, uma vez que ela levou astrólogos até Jerusalém, onde eles se encontraram com Herodes e seu plano para matar Jesus[63] .

Adventistas do Sétimo Dia[editar | editar código-fonte]

No livro "Desejo das Eras", de Ellen White, ela afirma: "Os sábios viram uma luz misteriosa no céu naquela noite em que a glória de Deus inundou as colinas de Belém. Conforme a luz empalidecia, uma estrela luminosa apareceu e permaneceu no céu. Ela não era uma estrela fixa e nem um planeta, e o fenômeno excitou o mais aguçado interesse. A estrela era uma companheira distante dos anjos luminosos, mas sobre isto os sábios eram ignorantes"[64] .

Arte[editar | editar código-fonte]

Pinturas e outras representações da Adoração dos Magos por vezes incluem uma imagem da estrela de alguma forma. No afresco de Giotto, ela aparece como um cometa. Na tapeçaria sobre o tema, criada por Edward Burne-Jones (e na aquarela relacionada), a estrela é suportada por um anjo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Estrela de Belém

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Mateus 2:11 - Quando os magos chegam, Jesus já uma "criança" (paidon) numa casa e não mais um recém-nascido (brephos) numa majedoura, como quando os pastores chegam em Lucas (Patterson, Dorothy Kelly, Women's Evangelical Commentary: New Testament, p. 20). Como ele já estava com a mãe, os quarenta dias de confinamento prescritos pela lei judaica já haviam se passado.
  2. Mateus 2:5-6 - A versão de Mateus é uma conflação de Miqueias 5:2 e II Samuel 5:2
  3. Mateus 2:16 - Trecho apresentado como uma realização da profecia em Jeremias 31:15 e que ecoa a morte dos primogênitos do Egito em Êxodo 11:1 até Êxodo 12:36.
  4. Este conjunto de condições planetárias se repete a cada sessenta anos
  5. A visão tradicional, apresentada por Agostinho e outros, era de que Mateus fora escrito primeiro e que Marcos se baseou nele. (Perkins, Pheme, (2007) Introduction to the synoptic gospels, p. 55)
  6. O deus Apolo teria sido o pai de Augusto e que houve um grande "sinal público" indicando que um rei de Roma logo nasceria. (Suetonius, C. Tranquillus,, 94., "The Divine Augustus", The Lives of the Twelve Caesars, http://www.princeton.edu/~champlin/cla219/augiesuet.htm#1 ).

Referências

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  2. Mateus 2:1-2
  3. Mateus 2:11-12
  4. a b Freed, Edwin D. (2001), The Stories of Jesus' Birth: A Critical Introduction, Continuum International, p. 93, ISBN 0-567-08046-3, http://books.google.com/?id=sF-ZKEssEGwC&printsec=frontcover&q 
  5. "Star of Bethlehem." Cross, F. L., ed. The Oxford dictionary of the Christian church. New York: Oxford University Press. 2005
  6. "Jesus was born in June", The Daily Telegraph (London), 2008-12-09, http://www.telegraph.co.uk/topics/christmas/3687843/Jesus-was-born-in-June-astronomers-claim.html, visitado em 2011-12-14 
  7. For example, Paul L. Maier, "Herod and the Infants of Bethlehem", in Chronos, Kairos, Christos II, Mercer University Press (1998), 171; Geza Vermes, The Nativity: History and Legend, London, Penguin, 2006, p22; E. P. Sanders, The Historical Figure of Jesus, 1993, p.85; Aaron Michael Adair, "Science, Scholarship and Bethlehem's Starry Night", Sky and Telescope, Dec. 2007, pp. 26–29 (reviewing astronomical theories).
  8. a b c John, Mosley. Common Errors in 'Star of Bethlehem' Planetarium Shows. Visitado em 2008-06-05.
  9. Ratti, John, First Sunday after the Epiphany, http://www.episcopalchurch.org/sermons_that_work_6772_ENG_HTM.htm, visitado em 2008-06-05 
  10. Brown, Raymond Edward (1988). An Adult Christ at Christmas: Essays on the Three Biblical Christmas Stories, Liturgical Press, p. 11 ISBN 0-8028-3931-2; Eerdmans Dictionary of the Bible, Eerdmans (2000), p. 844.
  11. Thomas G. Long, Matthew (Westminster John Knox Press, 1997), page 18.
  12. Mateus 2:4
  13. Mateus 2:8
  14. a b Mateus 2:11
  15. Mateus 2:12.
  16. Mateus 2:13-14
  17. Mateus 2:15 - o original é de Oseias 11:1.
  18. "An Exodus motif prevails in the entire chapter." (Kennedy, Joel (2008), Recapitulation of Israel, Mohr Siebeck, p. 132, ISBN 978-3-16-149825-1, http://books.google.com/?id=byeQn2T93LAC&pg=PA156&dq=Matthew+recapitulates+story+of+Jewish#PPA132,M1, visitado em 2009-07-04 )
  19. Mateus 2:10-21
  20. Mateus 2:23
  21. Juízes 13:5-7 é geralmente identificado como sendo a fonte para Mateus 2:23 por que o termo utilizado na Septuaginta, ναζιραιον ("Nazirita) lembra o que foi utilizado por Mateus, Ναζωραῖος ("Nazireu"). Mas poucos acadêmicos aceitam este ponto de vista de que Jesus seria um nazirita. O uso do plural na atribuição por Mateus, "o que foi dito pelos profetas" pode ser um reconhecimento da falta de uma fonte específica (France, R. T., The Gospel of Matthew, pp. 92–93.). Embora Mateus entenda um "nazareno" como uma pessoa oriunda de Nazaré, a forma é irregular. Em Atos 25:5, um nazareno é um seguidor de Jesus, ou seja, um cristão. Assim, o termo pode ter derivado de uma palavra semita que posteriormente foi fundida com Nazaré, como por exemplo נצר (netser - "ramo"), que foi utilizada como um título messiânico com base em Isaías 11:1 (Bromiley, Geoffrey W., International Standard Bible Encyclopedia, pp. 499–500.). Marcos se utiliza da forma mais regular Ναζαρηνός ("Nazareno, de Nazaré") em Marcos 4:67.
  22. Vermes, Geza (December 2006), "The First Christmas", History Today 56 (12): 23–29, http://www.historytoday.com/MainArticle.aspx?m=31928&amid=30235606, visitado em 2009-07-04 
  23. Josephus, Flavius, The Wars of the Jews, http://www.gutenberg.org/etext/2850, visitado em 2008-06-07  Translated by: William Whiston.
    Lendering, Jona, Messianic claimants, http://www.livius.org/men-mh/messiah/messianic_claimants13.html, visitado em 2008-06-05 
  24. Adamantius, Origen. Contra Celsum. Visitado em 2008-06-05., Book I, Chapter LIX.
  25. a b Adamantius, Origen. Contra Celsum.. Book I, Chapter LX.
  26. France, R.T., The Gospel according to Matthew: an introduction and commentary, p. 84. Veja Isaías 60:1-7 e Salmos 72:10.
  27. Isaías 60:6
  28. Isaiah 60:6 (Septuagint)
  29. Schaff, Philip (1886), St. Chrysostom: Homilies on the Gospel of Saint Matthew, New York: Christian Literature Publishing Co., p. 36, http://www.ccel.org/ccel/schaff/npnf110.VI_1.html, visitado em 2009-07-04 
  30. Mateus 2:2
  31. Matthew 2:2. New Revised Standard Version.
  32. Nolland, John (2005), The Gospel of Matthew: A Commentary on the Greek Text, Wm. B. Eerdmans Publishing, p. 109, ISBN 0-8028-2389-0, http://books.google.com/?id=dSkozMG7j8wC&printsec=frontcover&q 
  33. a b c d e Mark, Kidger. Chinese and Babylonian Observations. Visitado em 2008-06-05.
  34. Para um ponto de vista contrário, ou seja, de o almanaque de fato demonstra a importância das conjunções, veja Ashgrove, Triple Conjunction of Jupiter and Saturn, http://www.public.iastate.edu/~lightandlife/triple.htm, visitado em 2008-06-05 
  35. Minnesota Astronomy Review Volume 18 – Fall 2003/2004 The Star of Bethlehem by Karlis Kaufmanis.
  36. Audio Version of Star of Bethlehem by Karlis Kaufmanis The Star of Bethlehem by Karlis Kaufmanis.
  37. Colin Humphreys, 'The Star of Bethlehem', in Science and Christian Belief 5 (1995), 83–101.
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  48. Stenger, Richard (December 27, 2001), "Was Christmas star a double eclipse of Jupiter?", CNN, http://edition.cnn.com/2001/TECH/space/12/27/star.coverup/index.html, visitado em 2009-07-04 
  49. Para uma interpretação similar, veja Minnesota Astronomy Review Volume 18 – Fall 2003/2004 The Star of Bethlehem by Karlis Kaufmanis.
  50. a b Simo Parpola, "The Magi and the Star," Bible Review, December 2001, pp. 16-23, 52, and 54.
  51. "Vesica Pisces (Ichthys, Jesus Fish, Mandorla)," Symbol Dictionary http://symboldictionary.net/?p=1127
  52. Brown, Raymond E. (1993), The Birth of the Messiah, Anchor Bible Reference Library, p. 188 
  53. Markus Bockmuehl, This Jesus (Continuum International, 2004), page 28; Vermes, Géza (2006-11-02), The Nativity: History and Legend, Penguin Books Ltd, p. 22, ISBN 0-14-102446-1 ; Sanders, Ed Parish (1993), The Historical Figure of Jesus, London: Allen Lane, p. 85, ISBN 0-7139-9059-7 ; Believable Christianity: A lecture in the annual October series on Radical Christian Faith at Carrs Lane URC Church, Birmingham, October 5, 2006
  54. Witherington, Ben (2001), The Gospel of Mark: A Socio-Rhetorical Commentary, Eerdmans, p. 8 
    France, R. T. (2002), The Gospel of Mark: A Commentary on the Greek Text, Eerdmans, p. 16 
    Head, Peter M. (1997), Christology and the Synoptic Problem: An Argument for Markan priority, Cambridge: Cambridge Univ. Press, ISBN 0-521-58488-4, http://www.tyndale.cam.ac.uk/Tyndale/staff/Head/Christology.htm, visitado em 2009-07-04 . Para um argumento contra a prioridade de Marcos, veja Peabody, David B.; Cope, Lamar; McNicol, Allan J. (2002), One Gospel From Two: Mark's Use of Matthew and Luke, Trinity Press International, ISBN 1-56338-352-7, http://www.bookreviews.org/pdf/3015_3211.pdf, visitado em 2009-07-04 
  55. Marcos 6:1-4
  56. João 1:46, João 7:41-42 e João 7:52.
  57. Nikkos Kokkinos, "The Relative Chronology of the Nativity in Tertullian", in Ray Summers, Jerry Vardaman and others, eds., Chronos, Kairos, Christos II, Mercer University Press (1998), page 125–6.
    Funk, Robert W. and the Jesus Seminar, The Acts of Jesus: The Search for the Authentic Deeds of Jesus, HarperSanFrancisco, 1999, ISBN 0-06-062979-7. pp. 499, 521, 533.
    Paul L. Maier, "Herod and the Infants of Bethlehem", in Chronos, Kairos, Christos II, Mercer University Press (1998), 171.
    Para a profecia de Miqueias, veja Miqueias 5:2.
  58. Nolland, p. 110.
    Pliny the Elder, Natural History, II vi 28.
  59. Ofícios Divinos na Natividade de Cristo (em português) Father Alexander.org
    . Visitado em 26/11/2012.
  60. “Birth of the Messiah,” Ensign, Dec. 1997
  61. Helaman 14:5 3 Nephi 1:21
  62. “The Star, the Savior, and Your Heart,” New Era, Dec. 2006
  63. Awake! July 8, 1994, pp.6-7 / www.watchtower.org
  64. Desire of Ages, pp. 60. http://text.egwwritings.org/publication.php?pubtype=Book&bookCode=DA&lang=en&collection=2&section=4&pagenumber=60&QUERY=company+of+shining+angels&resultId=1