Nuno Crato

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Nuno Crato
Nuno Crato
Ministro(a) de Portugal Portugal
Mandato XIX Governo Constitucional
Antecessor(a) Isabel Alçada (Ministra da Educação)
José Mariano Gago (Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior)
Sucessor(a) -
Vida
Nascimento 9 de março de 1952 (62 anos)
Lisboa
Dados pessoais
Partido Independente
Profissão Professor, matemático

Nuno Paulo de Sousa Arrobas Crato ComIH (Lisboa, São Jorge de Arroios, 9 de Março de 1952) é um conhecido matemático e estatístico português que tem tido uma extensa actividade de divulgação científica. Em 21 de Junho de 2011 tomou posse como Ministro da Educação e Ciência do XIX Governo Constitucional de Portugal.

Tornou-se mais conhecido do grande público com crónicas que escreveu regularmente na imprensa desde 1996, com vários livros de divulgação científica muito lidos, alguns traduzidos em várias línguas, e com intervenção regular em programas de televisão, nomeadamente como comentador do "Plano Inclinado" na SIC Notícias.

Vida[editar | editar código-fonte]

Filho de Paulo António Arrobas Crato (Lisboa, Santa Isabel) e de sua mulher Maria de Lourdes Machado de Sousa,[1] ambos professores de Matemática. Viveu em Lisboa, nos Açores e nos Estados Unidos da América.

Licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa onde depois obteve o grau de Mestre em Métodos Matemáticos para Gestão de Empresas. Doutorou-se em 1992, em Matemática Aplicada na Universidade de Delaware, Estados Unidos. Foi professor na Escola Secundária Rainha Dona Leonor, no Instituto Superior de Economia, na Universidade dos Açores, no Stevens Institute of Technology e no New Jersey Institute of Technology. É desde 2000 professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, onde é catedrático de Matemática e Estatística.[2] Foi também Pró-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa.[3]

A 6 de Junho de 2008 foi agraciado pelo Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.[4]

Foi membro do Conselho Científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos desde a sua fundação e director para a área da Educação.

Em Junho de 2010 foi nomeado presidente executivo da Taguspark.[5]

No dia 17 de junho de 2011 foi anunciado como Ministro da Educação e Ciência do XIX Governo Constitucional de Portugal, sendo um dos quatro ministros independentes a ingressar neste governo. Tomou posse a 21 de junho de 2011[6] , em cerimónia realizada no Palácio da Ajuda.

O seu pensamento educativo rompe com a tradição construtivista e socio-construtivista que foi muito disseminada na Europa e nos Estados Unidos, sobretudo entre os anos 1980 e 2000. É a favor de uma maior liberdade de escolha das famílias, de uma grande autonomia das escolas e, sobretudo, de um ensino mais organizado, rigoroso, centrado nos conteúdos curriculares e não na noção de "competências", que tem acusado de ser uma noção vaga e que secundariza o conhecimento em favor da capacidade de fazer. Tem reforçado o ensino do que considera serem matérias fundamentais, nomeadamente Português, Matemática, História, Geografia, Ciências e Inglês. Introduziu mais avaliação externa no ensino e promoveu a elaboração de Metas Curriculares, rompendo com a tradição anterior, segundo ele, contrária à avaliação e a objectivos cognitivos claros. Cita frequentemente os estudiosos da educação Eric Hanushek, E.D. Hirsch, John Anderson e Stanislas Dehaene, que parecem ser as suas referências fundamentais.

Tem também desenvolvido o ensino profissional e vocacional e defendido um reforço da sua vertente dual, isto é, da aliança entre a formação académica e a realizada em ambiente de trabalho, nas empresas. No campo externo, nomeadamente nos CPLP, tem ajudado a cooperação com diversos países, promovendo, por exemplo, a ida de professores para Timor Leste e a vinda de estudantes brasileiros para as universidades portuguesas. Tem também fortalecido a cooperação científica internacional, não só com países da CPLP como com países mediterrâneos no quadro da organização 5+5 e europeus.

No que se refere ao ensino superior, tem pugnado por uma mais clara distinção entre os papéis das universidades e os dos politécnicos, a criação de cursos curtos de técnicos superiores profissionais, e por uma maior competitividade nos fundos dedicados à investigação científica.

Ministro da educação[editar | editar código-fonte]

Desempenha funções de Ministro da Educação e Ciência do XIX Governo Constitucional de Portugal.

Uma das primeiras medidas que tomou foi reforçar a carga horária de Português e Matemática no Ensino Básico e acabar com as áreas curriculares não disciplinares de "Estudo acompanhado" e "Área de projeto", o que lhe permitiu reforçar o tempo dedicado a História, Geografia e Ciências. Tornou o Inglês disciplina obrigatória durante cinco anos, no segundo e terceiro ciclos. Ainda em 2012, introduziu Provas Finais no 6.º ano de escolaridade e em 2013 no 4.º ano[7] .

A disciplina de Educação Visual e Tecnológica, que sempre foi lecionada com dois professores por turma, foi desdobrada em duas, lecionadas por apenas um professor em cada tempo[8] .

Determinou a elaboração de Metas Curriculares que promovessem uma clarificação dos conteúdos fundamentais dos Programas e permitissem uma maior clareza nos desempenhos desejados. Essas metas permitem a professores, autores de manuais, autores de exames e outros participantes do processo educativo, nomeadamente alunos e encarregados de educação, orientar melhor o seu trabalho. Em 2013, revogou o programa de Matemática no Ensino Básico, que considerou estar eivado de recomendações pedagógicas antiquadas e cerceadoras da liberdade dos professores, e homologou um novo, com os mesmos conteúdos essenciais, mas sem "recomendações pedagógicas excessivas", para dar mais autonomia aos professores e permitir uma melhor ligação entre metas e programas[9] .

Nos exames nacionais em Junho de 2013, apesar da greve anunciada dos professores, garantiu estar a trabalhar para que “todos os alunos vão fazer o exame na data prevista” e convocou todos os docentes, excluindo os do pré-escolar, para acompanharem os exames do secundário[10] . Também afirmou que "não se deve permitir que por um simples aviso de greve os exames sejam recalendarizados. Seria um grave precedente"[11] . Apesar da greve, cerca de 80% dos alunos realizaram o exame[12] . Mais tarde, durante a greve geral de 27 de Junho, dada a greve nos transportes, o ministro mudou a data do exame de matemática para evitar o prejuízo dos alunos[13] . A média nacional no exame de Português foi 8,9 (numa escala de 0 a 20)[14] . Contudo, de acordo com o Gabinete de Avaliação Educativa (atual IAVE), os resultados dos exames de 2013 não pioraram em relação a anos anteriores e o nível de retenções no 4º ano do 1.º Ciclo do Básico, depois da introdução de provas finais externas, foi o mais baixo desde 2000.[15] .

Nos exames de 2013 foi a título excepcional permitido que alguns dos alunos chumbados devido ao porte de telemóvel não detectado durante o exame nacional repetissem a prova na 2.ª fase. O ministério da educação não revelou quantos alunos foram autorizados a repetir a prova[16] .

Em 2013, a FCT lançou o convite à comunidade para criação de novos Conselhos Científicos. Cabe à FCT lançar o convite à comunidade científica nacional para manifestação de interesse, recebendo depois da comunidade as candidaturas. A seleção, por parte dos serviços técnicos da FCT, dos 54 membros para os Conselhos Científicos teve por base o mérito científico do candidato, experiência e motivação. Os perfis de cada um dos membros escolhido é público. Trata-se de cargos não-remunerados de caráter consultivo. O membro do governo responsável pela tutela da área, neste caso a Secretária de Estado da Ciência, procede à homologação da eleição dos membros dos Conselhos Científicos num procedimento de aceitação formal.

Ano letivo 2013/2014[editar | editar código-fonte]

A rede escolar para o ano letivo 2013/2014 foi cuidadosamente programada. O Ministério da Educação e Ciência divulgou a 26 de julho de 2013 a rede escolar para o ano letivo 2013/2014. As escolas tiveram uma ligeira redução no número de turmas, tanto no ensino regular como no ensino profissional e nos Cursos de Educação e Formação. Algumas escolas fizeram matrículas antes da rede estar homologada, criando problemas a alunos matriculados em cursos que afinal não vão funcionar[17] . Os dirigentes escolares recusaram ter agido mal[18] [19] [20] , mas o Ministério anunciou não ser admissível constituir turmas não justificadas pelas necessidades dos alunos.

Na abertura do ano letivo em setembro, inaugurou a escola básica de Bustos, no concelho de Oliveira do Bairro. Os acessos ao estabelecimento de ensino foram bloqueados, com recurso a barreiras metálicas, pela polícia, mas pais e alunos foram assistir à cerimónia. Esteve também no Centro Escolar do Troviscal, também em Oliveira do Bairro, onde foi recebidos com assobios por meia dúzia de manifestantes, mas aplausos das centenas de pais, professores e populares presentes[21] .

Com o despacho nº 9265-B/2013 deu mais liberdade às escolas para organizarem as actividades de enriquecimento curricular (facultativas) do primeiro ciclo[22] [23] , podendo o Inglês continuar ou não a ser oferecido nessas actividades facultativas ou ser englobado na oferta curricular. Desta forma deu liberdade às escolas para organizarem os seus recursos e apenas oferecerem actividades extracurriculares de inglês depois das aulas caso tivessem liberdade de o fazer com qualidade. A medida foi considerada natural, dado que nessa altura o ministro tinha já introduzido o Inglês como obrigatório no currículo ao longo de cinco anos consecutivos, do 4.º ao 9.º. O Inglês, apesar da sua reconhecida importância e de toda a discussão em seu torno, não era ainda obrigatório em nenhum ano de escolaridade antes desta decisão do ministro.

Além disso, foi também reforçada a avaliação. A partir deste ano letivo, todos os alunos que frequentam o 9.º ano vão ter de realizar provas escritas e orais a Inglês, de carácter nacional. Estas provas não têm obrigatoriamente peso na avaliação final dos alunos, cabendo às escolas decidir se entram em linha de conta com as classificações obtidas nesses testes e como[24] . O Instituto de Avaliação Educativa tinha previsto entregar os resultados do exame de inglês Key for Schools a 3 de junho mas acabou por não cumprir esse prazo. Os resultados só serão divulgados a 15 de julho não contando para a avaliação dos alunos[25] .

Em Novembro de 2013, o Ministério da Educação e Ciência informou a comunidade educativa e as associações de professores da colocação em consulta pública de novos programas do secundário das disciplinas de Português, de Matemática A e Física e Química[26] . A Associação de Professores de Matemática (APM) considerou que o novo programa da disciplina para o secundário, “visa afastar alunos do ensino regular para percursos alternativos” e defendeu que ele “terá de cair quando o Governo cair”, prevendo um "aumento brutal" do insucesso[27] , mas houve uma reacção muito favorável de várias organizações científicas, nomeadamente da Sociedade portuguesa de Matemática (SPM) e de professores. No essencial, estão em confronto duas posições: a de um ensino mais lúdico, menos organizado e mais ligado aos interesses imediatos dos alunos, defendido pela APM, e a de um ensino mais exigente, mais moderno e que prepare melhor os alunos, conforme salientado pelos autores do novo programa. Em fevereiro de 2014 foi finalmente homologado o novo programa do Ensino Secundário, incorporando muitas sugestões e complementos, e esse novo programa está a ser bem aceite pelos professores, tendo-se esbatido as críticas.

Instituiu uma Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades destinada aos professores que pretendam ser contratados e, posteriormente, integrar os quadros. Os docentes foram chamados para ser avaliados na componente comum a 18 de Dezembro de 2013 enquanto que as avaliações para as componentes específicas ficaram agendadas para o período entre 1 de Março e 9 de Abril de 2014. Os docentes tiveram de pagar 20 euros pela inscrição na prova. Provas semelhantes existem em muitos países, mas em Portugal, apesar de legislada há vários anos, esta prova ainda não tinha sido realizada.

Houve uma grande resistência sindical, como seria de esperar. As duas principais federações sindicais de professores contestaram a existência da prova, tendo a Federação Nacional de Professores entregue acções em tribunal para a suspender, e a Federação Nacional de Educação anunciado a intenção de recorrer ao Provedor de Justiça e aos grupos parlamentares para averiguar a constitucionalidade desta avaliação[28] . A Associação Nacional dos Professores Contratados insurgiu-se contra o pagamento de taxas para a inscrição na avaliação dos professores contratados, imposto pelo Governo, considerando "um absurdo"[29] . Após os professores se terem inscrito na prova, aceitando proposta da UGT, que fez então cair as suas acções contra a prova, o governo anunciou que os professores contratados com mais de 5 anos de serviço iriam ser dispensados de realizar a prova de acesso à profissão. Cerca de 22 mil docentes foram assim dispensados de realizar a prova, apenas 13 mil deveriam realizá-la[30] . No dia da prova, 27% dos 13.498 candidatos foram impedidos de fazer a prova por dezenas de pessoas que se concentraram nas entradas das escolas. Ao todo houve 3644 que estavam inscritos em salas em que não se realizou a prova[31] . Em 30 e 31 de dezembro, os Tribunais Administrativos e Fiscais do Porto e do Funchal aceitaram a providência cautelar interposta pela Federação Nacional dos Professores para suspender a prova de avaliação de capacidades e conhecimentos dos docentes. Esses tribunais decidiram que o Ministério da Educação e Ciência está impedido de praticar qualquer ação que leve à concretização da prova[32] [33] . No entanto, essas foram as únicas decisões contrárias ao Ministério, tendo havido 20 acções interpostas pelos sindicatos. Esperam-se as decisões finais. Posteriormente, várias entidades e o próprio Presidente da República condenaram o recursos sistemático aos tribunais através de dúzias de providências cautelares, como meio de procurar pelo menos uma decisão judicial contrária que impeça, adie ou perturbe actos legislativos.

Em 19 de Julho de 2013 o ministro da Educação assegurou no parlamento que não haveria aumento da componente lectiva para os professores do primeiro ciclo do ensino básico. O Ministério da Educação deixou de financiar uma hora semanal das actividades de enriquecimento curricular e, pela reorganização do primeiro ciclo do ensino básico, levou as escolas a assumirem a carga lectiva semanal dos docentes estipulada na lei, que é de 25 horas semanais no 1.º ciclo. Assim, a tutela pretende uma maior racionalidade na utilização dos recursos humanos colocados nas escolas. As pausas letivas deixaram, naturalmente, de ser consideradas como carga lectiva[34] .

Em dezembro, Crato afirmou na RTP1 que o sistema de formação de professores "tem várias falhas", problema já apontado anteriormente, em 2009, pelo ex-Secretário de Estado socialista Jorge Pedreira, que indicava então grande discrepância entre as notas de acesso dos candidatos a professores e as notas de conclusão de curso. O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos mostrou-se preocupado[35] [36] [37] .

A OCDE revelou os resultados do PISA, um estudo que mostrou que os alunos de 15 anos portugueses melhoraram na literacia matemática, científica e em língua materna, fruto do trabalho realizado na última década. O Ministro mostrou, em audição parlamentar a pedido do Partido Socialista, a 7 de janeiro de 2014, que as melhorias obtidas neste estudo são fruto de alterações submetidas ao longo dos últimos anos por vários ministros, desde Marçal Grilo e David Justino a Isabel Alçada. E que não se podem avaliar a não ser nesta perspetiva evolutiva, explicando que as medidas introduzidas no seu mandato não se espelham ainda nestes resultados, que só contemplam políticas até 2012, e acusando o Partido Socialista de aproveitamento político do relatório[38] .

O Ministério da Educação enviou às escolas, a 18 de outubro, uma nota informativa na qual determinava que não existia qualquer enquadramento legal que levasse à dispensa do período probatório todos os docentes que ingressassem na carreira. Em 27 de dezembro o governo publicou um despacho que isenta do período probatório apenas os docentes que, nos cinco anos letivos anteriores ao de 2012-2013, tenham dado 730 dias de aulas, e que tenham cinco anos com avaliação mínima de "Bom"[39] .

No final do primeiro período a Confederação Nacional das Associações de Pais insistiu nos apoios para crianças com necessidades educativas especiais, nos manuais escolares para alunos carenciados, nos auxiliares de acção educativa no espaço escolar, nas actividades de enriquecimento curricular, na alteração aos programas de algumas disciplinas e no reforço dos técnicos de educação especial[40] .

Em fevereiro de 2014, promoveu a aprovação em Conselho de Ministros de um diploma que permite a criação de cursos técnicos superiores profissionais nos institutos politécnicos, um novo tipo de formação superior, com a duração de dois anos.[41] Esta medida, já aplicada em muitos paísese europeus e nos Estados Unidos, visa a formação de técnicos de nível médio, muito necessários no mercado de trabalho.

Em fevereiro de 2014, o Ministério da Educação atribuíu às escolas com contrato de autonomia maior liberdade para gerir currículos e cargas horárias, permitindo-lhes, por exemplo, criar novas disciplinas. As escolas privadas e as de regime de associação, como previsto em Decreto-Lei, terão igual autonomia.

Em julho de 2012, Ministério da Educação e Ciência publicou um decreto-lei, no qual ficou definido que os alunos do ensino profissional que quisessem prosseguir estudos superiores ficavam obrigados à realização do exame nacional de Português, como prova de acesso, assim como à realização de outros dois exames: um de uma disciplina bienal, outro de uma disciplina trienal, à escolha dos alunos, dentro do conjunto de disciplinas que compõem o currículo escolar dos cursos científico-humanísticos. Como medida transitória, dado que a decisão deverá ter efeito após três anos, nos anos de 2012-2013 e 2013-2014 os alunos do ensino profissional continuaram só a fazer um exame nacional para ingressar na universidade[42] .

Em julho de 2014, apresentou uma proposta de municipalização das escolas que negociou com autarcas de vários concelhos do país. A proposta de descentralização de competências na área da educação ao nível do básico e do secundário confere aos municípios um papel interventivo na definição da oferta curricular das escolas assumindo as autarquias totais responsabilidades pelo pessoal não docente e, nalguns casos, também pelos professores. Uma das novidades presentes na proposta é o chamado "factor de eficiência” que premeia as câmaras que trabalhem com um número de docentes inferior ao tido como necessário para o respectivo universo escolar. Assim, num município em que o número de docentes necessários seja, por exemplo, de 400, mas em que o número real de docentes seja 399, a autarquia passaria a receber um “prémio” de 12.500 euros por ano lectivo.[43]

Obra[editar | editar código-fonte]

O seu trabalho de investigação incide sobre processos estocásticos e séries temporais com aplicações várias, nomeadamente em previsões climáticas e financeiras. Foi presidente e coordenador científico do centro de investigação CEMAPRE [44] do ISEG.

Foi presidente do International Symposium on Forecasting em 2000. Foi presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática entre 2004 e 2010, e membro dos corpos gerentes do Fórum Internacional de Investigadores Portugueses (FIIP).

É co-autor de Eclipses (Gradiva, 1999), autor de Zodíaco: Constelações e Mitos (Gradiva, 2001), co-autor de Trânsitos de Vénus (Gradiva, 2004), A Espiral Dourada, Coelhos de Fibonacci, Pentagramas, Cifras e Outros Mistérios Matemáticos d’ O Código Da Vinci (Gradiva, 2006), de Relógios de Sol (CTT, 2007), de Passeio Aleatório (Gradiva, 2007), de A Matemática das Coisas (SPM/Gradiva, 2008) e de outras obras de divulgação. A Sociedade Europeia de Matemática (European Mathematical Society) atribuiu-lhe em 2003 o Primeiro Prémio do concurso Public Awareness of Mathematics pelo seu trabalho de divulgação. A União Europeia atribuiu-lhe em 2008 um European Science Award na categoria de Science Communicator of the Year.

Intervindo no debate sobre o ensino, publicou O Eduquês em Discurso Directo: Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista (Gradiva, 2006), coordenou Desastre no Ensino da Matemática: Como Recuperar o Tempo Perdido (SPM/Gradiva, 2006), organizou a colectânea Ser Professor, de textos de Rómulo de Carvalho (Gradiva, 2006) e organizou Ensino da Matemática: Questões e Soluções (Gulbenkian, 2011).

Foi um dos membros do painel permanente do programa Plano Inclinado no canal de televisão português SIC Notícias[45] .

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou em Lisboa, Alvalade, a 19 de Junho de 1985 com Luísa Paula de Sousa Lobo Borges de Araújo (Lisboa, Alvalade, 20 de Maio de 1965), filha de Carlos Magro Borges de Araújo (Marco de Canaveses, Tuias, 11 de Janeiro de 1933) e de sua mulher (Ourém, Fátima, Santuário de Fátima, 28 de Julho de 1957) Maria Luísa Thedim de Sousa Lobo (Palmela, Palmela, 20 de Outubro de 1928), de quem tem um filho e uma filha.[46]

Referências

  1. "Genealogias do Alto Alentejo", António Luís Cardoso Perestrelo, Cultideias, 2011, p. 107
  2. "Genealogias do Alto Alentejo", António Luís Cardoso Perestrelo, Cultideias, 2011, p. 107
  3. Sessão de Entrega dos Prémios aos Melhores Estudantes da UTL (15 de Dezembro de 2008). Página visitada em 09/05/2010.
  4. http://www.ordens.presidencia.pt/
  5. Nuno Crato, Professor Catedrático do ISEG, nomeado Presidente do Taguspark. ISEG (9 de Junho de 2010). Página visitada em 09/06/2010.
  6. Governo de Passos Coelho já tomou posse. Público (21 de Junho de 2011). Página visitada em 21/06/2011.
  7. Número de alunos por turma aumenta de 28 para 30.
  8. Professores de EVT «procuram» salvação.
  9. Professores alertam para "sério retrocesso" com novo programa de Matemática.
  10. Greve dos professores aumenta nervosismo dos alunos.
  11. Nuno Crato diz que alunos sem exames devido à greve terão respostas na segunda-feira.
  12. Alunos da Secundária Sá de Miranda autorizados a repetir exame de Português.
  13. Exames de Matemática do 6.º e 9.º ano antecipados para véspera da greve geral.
  14. Média do exame de Português iguala pior resultado de sempre.
  15. Análise Preliminar dos Resultados das provas Finais de Ciclo e dos Exames Finais Nacionais 2013.
  16. Alunos apanhados com telemóvel puderam repetir exame de Português na segunda fase.
  17. Crato reduz turmas já com matrículas feitas.
  18. Crato diz que nenhum aluno ficará de fora por não existirem turmas.
  19. Fenprof suspeita que corte de turmas visa favorecer colégios privados.
  20. Escolas temem pedir professores.
  21. Passos e Crato recebidos com protestos em inaugurações de escolas.
  22. Crato acaba com Inglês obrigatório.
  23. Clara Viana e Lusa (10/07/2013). Inglês no 1.º ciclo confunde oposição e é agora nova frente de guerra contra Crato.
  24. Exame de inglês obrigatório no 9.º ano.
  25. Resultados de exame de inglês a 15 de julho.
  26. Ministério da Educação surpreende com novos programas no Secundário.
  27. Associação de Professores de Matemática diz que “novo programa terá de cair quando o Governo cair”.
  28. Prova de avaliação docente realiza-se a 18 de Dezembro e custa 20 euros.
  29. Professores Contratados contra pagamento "absurdo" de taxas em exame.
  30. Mais de 22 mil professores contratados dispensados da prova.
  31. Um em cada quatro 'profs' impedido de fazer a prova.
  32. Tribunal do Porto suspende prova de avaliação docente.
  33. Prova de avaliação de professores suspensa por mais um Tribunal.
  34. Professores do primeiro ciclo em protesto em Lisboa contra 'aumento de horário lectivo'.
  35. Politécnicos exigem demissão de Crato.
  36. Politécnicos tomaram uma posição 'incompreensível'.
  37. Escolas de Educação exigem 'pedido de desculpas' de Crato.
  38. Título não preenchido, favor adicionar.
  39. Governo isenta do período probatório docentes que entraram este ano nos quadros.
  40. Presidente da Confap: “Não tenho memória de um início de ano escolar com tanta instabilidade”.
  41. Politécnicos indisponíveis para cursos superiores profissionais.
  42. Finalistas do ensino profissional só fazem um exame nacional para ingressar na universidade.
  43. Ministério da Educação propõe prémio para câmaras que trabalhem com menos docentes.
  44. CEMAPRE.
  45. Plano Inclinado (1 de Março de 2010). Página visitada em 13/03/2010.
  46. "Genealogias do Alto Alentejo", António Luís Cardoso Perestrelo, Cultideias, 2011, p. 107

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