Nuno Crato

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Nuno Crato
Nuno Crato
Ministro(a) de Educação e Ciência de  Portugal
Período XIX Governo Constitucional
Antecessor(a) Isabel Alçada (Ministra da Educação)
José Mariano Gago (Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior)
Sucessor(a) -
Vida
Nascimento 9 de março de 1952 (63 anos)
Lisboa
Dados pessoais
Partido Independente
Profissão Professor

Nuno Paulo de Sousa Arrobas Crato ComIH (Lisboa, São Jorge de Arroios, 9 de março de 1952) é um conhecido matemático (aplicado) e estatístico português que tem tido uma extensa atividade de promoção da cultura científica. Em 21 de Junho de 2011 tomou posse como Ministro da Educação e Ciência do XIX Governo Constitucional de Portugal.

Tornou-se mais conhecido do grande público com crónicas que escreveu regularmente na imprensa desde 1996, com vários livros de divulgação científica, alguns traduzidos em várias línguas, e com intervenção regular em programas de televisão, nomeadamente como comentador no "Plano Inclinado", na SIC Notícias.

Vida[editar | editar código-fonte]

Filho de Paulo António Arrobas Crato (Lisboa, Santa Isabel), trineto dum primo em 2.º grau do 1.º Barão e 1.º Visconde de Nossa Senhora da Luz, e de sua mulher Maria de Lourdes Machado de Sousa,[1] ambos professores de Matemática. Viveu em Lisboa, nos Açores e nos Estados Unidos da América.

Licenciou-se em Economia no Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade Técnica de Lisboa onde depois obteve o grau de Mestre em Métodos Matemáticos para Gestão de Empresas. Doutorou-se em 1992, em Matemática Aplicada na Universidade de Delaware, Estados Unidos. Foi professor no Ensino Secundário, no Instituto Superior de Economia, na Universidade dos Açores, no Stevens Institute of Technology e no New Jersey Institute of Technology. É desde 2000 professor no Instituto Superior de Economia e Gestão, onde é catedrático de Matemática e Estatística.[2] Foi também Pró-Reitor da Universidade Técnica de Lisboa.[3]

A 6 de Junho de 2008 foi agraciado pelo Presidente da República com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique.[4]

Foi membro do Conselho Científico da Fundação Francisco Manuel dos Santos desde a sua fundação e director para a área da Educação.

Em 8 de junho de 2010 foi nomeado presidente executivo da Taguspark.[5]

No dia 17 de junho de 2011 foi anunciado como Ministro da Educação e Ciência do XIX Governo Constitucional de Portugal, sendo um dos quatro ministros independentes a ingressar neste governo. Tomou posse a 21 de junho de 2011[6] , em cerimónia realizada no Palácio da Ajuda.

O seu pensamento educativo rompe com a tradição construtivista e socio-construtivista que foi muito disseminada na Europa e nos Estados Unidos, sobretudo entre os anos 1980 e 2000. No seu discurso político, destaca-se a defesa da liberdade de escolha, da autonomia das escolas e, sobretudo, de um ensino mais organizado, rigoroso, centrado nos conteúdos curriculares e não na noção de "competências", que tem acusado de ser uma noção vaga e que secundariza o conhecimento em favor da capacidade imediata de fazer. Tem reforçado o ensino do que considera serem matérias fundamentais, nomeadamente Português, Matemática, História, Geografia, Ciências e Inglês, ao mesmo tempo que tem oferecido mais diversidade de complementos curriculares, nomeadamente línguas e ciências. Introduziu em diversos documentos e oportunidades a possibilidade de criação de disciplinas adicionais pelas escolas e de flexibilidade na gestão curricular. Introduziu mais avaliação externa no ensino e promoveu a elaboração de Metas Curriculares, rompendo com a tradição anterior, segundo ele, contrária à avaliação e a objectivos cognitivos claros. Cita frequentemente os estudiosos da educação Eric Hanushek, E.D. Hirsch, John Anderson e Stanislas Dehaene, que parecem ser as suas referências fundamentais.

Tem também desenvolvido o ensino profissional e vocacional e defendido um reforço da sua vertente dual, isto é, da aliança entre a formação académica e a realizada em ambiente de trabalho, nas empresas.

No campo externo, nomeadamente nos CPLP, tem ajudado a cooperação com diversos países, promovendo, por exemplo, a ida de professores para Timor Leste e a vinda de estudantes brasileiros para as universidades portuguesas. Tem também fortalecido a cooperação científica internacional, não só com países da CPLP como também com países europeus e mediterrâneos, no quadro da organização 5+5.

No que se refere ao ensino superior, tem pugnado por uma maior internacionalização das instituições, uma mais clara distinção entre os papéis das universidades e os dos politécnicos, a criação de cursos curtos de técnicos superiores profissionais (TeSP), de dois anos, e por uma maior competitividade nos fundos dedicados à investigação científica.

Ministro da educação[editar | editar código-fonte]

Desempenha funções de Ministro da Educação e Ciência do XIX Governo Constitucional de Portugal.

Uma das primeiras medidas que tomou foi reforçar a carga horária de Português e Matemática no Ensino Básico e acabar com as áreas curriculares não disciplinares de "Estudo acompanhado" e "Área de projeto", o que permitiu reforçar ainda o tempo dedicado a História, Geografia e Ciências. Tornou o Inglês disciplina obrigatória durante cinco anos, no segundo e terceiro ciclos, posteriormente durante sete anos, iniciando-se esta disciplina no 3.º ano de escolaridade a partir do ano lectivo de 2015/16. Ainda em 2012, introduziu Provas Finais no 6.º ano de escolaridade e em 2013 no 4.º ano[7] .

A disciplina de Educação Visual e Tecnológica, que era lecionada com dois professores por turma, foi desdobrada em duas, lecionadas por apenas um professor em cada tempo[8] .

Determinou a elaboração de Metas Curriculares que promovessem uma clarificação dos conteúdos fundamentais dos Programas e permitissem uma maior clareza nos desempenhos desejados. Essas metas permitem a professores, autores de manuais, autores de exames e outros participantes do processo educativo, nomeadamente alunos e encarregados de educação, orientar melhor o seu trabalho. Em 2013, revogou o programa de Matemática no Ensino Básico, que considerou estar eivado de recomendações pedagógicas antiquadas e cerceadoras da liberdade dos professores, e homologou um novo, com os mesmos conteúdos essenciais, mas sem "recomendações pedagógicas excessivas", para dar mais autonomia aos professores e permitir uma melhor ligação entre metas e programas[9] .

Nos exames nacionais em Junho de 2013, apesar da greve anunciada dos professores, garantiu estar a trabalhar para que “todos os alunos vão fazer o exame na data prevista” e convocou todos os docentes, excluindo os do pré-escolar, para acompanharem os exames do secundário[10] . Também afirmou que "não se deve permitir que por um simples aviso de greve os exames sejam recalendarizados. Seria um grave precedente"[11] . Cerca de 20% dos alunos não realizaram o exame em várias escolas[12] . Mais tarde, durante a greve geral de 27 de Junho, o mínistro mudou a data do exame de matemática para evitar o prejuízo dos alunos[13] . A média nacional no exame de Português foi 8,9 (numa escala de 0 a 20)[14] . De acordo com o Gabinete de Avaliação Educativa (atual IAVE), os resultados dos exames de 2013 mantiveram-se semelhantes aos anos anteriores e o nível de retenções no 4º ano do 1º Ciclo do Básico melhorou, foi o mais baixo desde 2000.[15] .

Apesar de o regulamento determinar que alunos apanhados com telemóveis ficam com a prova anulada, nos exames de 2013 o Juri Nacional de Exames permitiu que em alguns casos especiais alunos chumbados devido ao uso de telemóvel durante o exame nacional repetissem a prova na 2.ª fase[16] .

Em 2013, a FCT lançou o convite à comunidade para criação de novos Conselhos Científicos. Cabe à FCT lançar o convite à comunidade científica nacional para manifestação de interesse, recebendo depois da comunidade as candidaturas. A seleção, por parte dos serviços técnicos da FCT, dos 54 membros para os Conselhos Científicos teve por base o mérito científico do candidato, experiência e motivação. Os perfis de cada um dos membros escolhido é público. Trata-se de cargos não-remunerados de caráter consultivo. O membro do governo responsável pela tutela da área, neste caso a Secretária de Estado da Ciência, procede à homologação da eleição dos membros dos Conselhos Científicos num procedimento de aceitação formal.

Viagens[editar | editar código-fonte]

Como ministro estabeleceu muitos contactos internacionais, tal como os seus colegas de governo. Em 2014, Crato participou, em Milão, no encontro europeu sobre telecomunicações e governação da internet, em representação do governo, pois esta área, atribuída à FCT, está sob sua tutela. Em 2013, como responsável pelas pastas da educação e da ciência visitou Chile, Brasil e China.[17] O ministro foi ainda a Moçambique, representando Portugal na cimeira da CPLP, altura em que visitou a escola portuguesa. Tem também obrigatórias presenças nas reuniões em Bruxelas.[18]

Ano lectivo 2013/2014[editar | editar código-fonte]

O Ministério da Educação e Ciência divulgou a 26 de julho de 2013 a rede escolar para o ano letivo 2013/2014. As escolas tiveram alguma uma redução no número de turmas, em especial no ensino profissional e nos Cursos de Educação e Formação, mas também no ensino regular, de forma a adaptar a oferta à procura dos alunos. Algumas escolas fizeram matrículas antes de a rede estar homologada[19] . Alguns dirigentes escolares acusaram o ministério da educação de não levar em conta as reais necessidades das escolas[20] . O secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, afirmou, como sempre, que os cortes de turmas nas escolas públicas, decididos pelo Ministério da Educação e Ciência, "são arrasadores e surpreendentes" e que visam "desmantelar o serviço público de educação"[21] . Trata-se do habitual[22] .

Na abertura do ano letivo em setembro, inaugurou a escola básica de Bustos, no concelho de Oliveira do Bairro. No exterior estava um pequeno numero de manifestantes, que não impediu as centenas de pais e alunos de assistir à cerimónia, que se transformou numa grande festa da localidade. Esteve depois no Centro Escolar do Troviscal, também em Oliveira do Bairro[23] .

Com o despacho nº 9265-B/2013 acabou com a obrigatoriedade de as escolas oferecerem ensino de Inglês entre as actividades de enriquecimento curricular (facultativas) do primeiro ciclo[24] [25] , podendo, no entanto, ser englobado na oferta curricular. Paralelamente reforçou muito significativamente o ensino curricular do ingles, que até à data não era obrigatòrio em nenhum ano de escolaridade.

Além disso, foi reforçada a avaliação. A partir deste ano letivo, todos os alunos que frequentam o 9.º ano vão realizar provas escritas e orais a Inglês, de carácter nacional. Estas provas (Key for Schools) não têm obrigatoriamente peso na avaliação final dos alunos, cabendo às escolas decidir se entram em linha de conta com as classificações obtidas nesses testes e como o fazem[26] . O Instituto de Avaliação Educativa divulgou os resultados a 15 de julho. Os resultados globais mostraram deficiências na formação em inglês, mostrando os limites de um ensino facultativo nas actividades de enriquecimento curricular e mais que justificando a necessidade de tornar essa disciplina obrigatória[27] .

Em Novembro de 2013, o Ministério da Educação e Ciência colocou em consulta pública novos programas do secundário das disciplinas de Português, de Matemática A e de Física e Química com o objectivo de os modernizar e actualizar[28] . A Associação de Professores de Matemática, muito naturalmente, dado o seu apoio ao programa anterior, feito em 1990, completamente desactualizado após mais de duas décadas, e que seguia recomendações entretanto ultrapassadas, considerou que o novo programa da disciplina para o secundário, “visa afastar alunos do ensino regular para percursos alternativos”, prevendo um "aumento brutal" do insucesso. A Sociedade Portuguesa de Matemática e um grande número de professores, contudo, apoiaram o novo programa[29] .

Realizou uma prova destinada aos professores não integrados na carreira docente, ou seja, aos contratados, com uma periodicidade anual. A prova estava instituida desde 2007, mas nunca tinha sido realizada. Os docentes foram chamados para ser avaliados na componente comum a 18 de Dezembro de 2013, enquanto as avaliações para as componentes específicas ficaram agendadas para o período entre 1 de Março e 9 de Abril de 2014. O custo pela inscrição na prova foi 20 euros. As duas principais federações sindicais de professores contestaram a existência da prova, tendo a Federação Nacional de Professores entregue acções em tribunal para a suspender, e a Federação Nacional de Educação anunciado a intenção de recorrer ao Provedor de Justiça e aos grupos parlamentares para averiguar a constitucionalidade desta avaliação[30] . A Associação Nacional dos Professores Contratados insurgiu-se contra o pagamento de taxas para a inscrição na avaliação dos professores contratados, imposto pelo Governo, considerando "um absurdo"[31] . Entretanto, o governo chegou a um acordo com os sindicatos afetos à UGT, nomeadamente a Frente Nacional de Educação, e aceitou que os professores contratados com mais de 5 anos de serviço fossem dispensados de realizar a prova de acesso à profissão[32] . No dia da prova, 27% dos 13.498 candidatos foram impedidos de fazer a prova por manifestantes e grupos externos às escolas. Ao todo 3644 que estavam inscritos em salas em que não se realizou a prova. Apesar disso, o Secretário de Estado do Ensino Básico e Secundário, João Grancho, revelou que a prova tinha decorrido com "normalidade" na maioria dos estabelecimentos[33] . Em 30 e 31 de dezembro, os Tribunais Administrativos e Fiscais do Porto e do Funchal aceitaram uma providência cautelar interposta pela Fenprof para suspender a prova de avaliação de capacidades e conhecimentos dos docentes. Os tribunais decidiram provisoriamente que o Ministério da Educação e Ciência está impedido de praticar qualquer acção que leve à concretização da prova[34] [35] .

Em 2015, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Coimbra anulou o despacho de 2013 através do qual o Ministério da Educação e Ciência definiu o calendário da aplicação da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidades e condições de aprovação dos candidatos a professores, com argumentos que colocam em causa a legitimidade da criação daquela prova. A decisão ficou suspensa com a apresentação de recurso por parte do Ministério da Educação, mas, segundo alguns, a fundamentação "isola politicamente, ainda mais", o actual Governo.[36] A realidade é que todos os tribunais superiores vieram a dar razão ao Ministério e a prova prosseguiu.

Em 19 de Julho de 2013 o ministro da Educação assegurou no parlamento que não haveria aumento da componente letiva para os professores do primeiro ciclo do ensino básico. O Ministério da Educação deixou de financiar uma hora semanal das actividades de enriquecimento curricular e, pela reorganização do primeiro ciclo do ensino básico, levou as escolas a assumirem a carga lectiva semanal dos docentes estipulada na lei, que é de 25 horas semanais no 1.º ciclo. Assim, a tutela pretende uma maior racionalidade na utilização dos recursos humanos colocados nas escolas. As pausas letivas nao podem ser consideradas como carga lectiva, como é natural[37] .

Em dezembro, Crato afirmou na RTP1 que o sistema de formação de professores "tem várias falhas", problema já apontado anteriormente, em 2009, pelo ex-Secretário de Estado socialista Jorge Pedreira, que indicava então grande discrepância entre as notas de acesso dos candidatos a professores e as notas de conclusão de curso. O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos mostrou-se preocupado[38] [39] [40] .

A OCDE revelou os resultados do PISA, um estudo que mostrou que os alunos de 15 anos portugueses melhoraram na literacia matemática, científica e em língua materna, fruto do trabalho realizado na última década. O Ministro mostrou, em audição parlamentar a pedido do Partido Socialista, a 7 de janeiro de 2014, que as melhorias obtidas neste estudo são fruto de alterações submetidas ao longo dos últimos anos por vários ministros, desde Marçal Grilo e David Justino a Isabel Alçada. E que não se podem avaliar a não ser nesta perspetiva evolutiva, explicando que as medidas introduzidas no seu mandato não se espelham ainda nestes resultados, que só contemplam políticas até 2012, e acusando o Partido Socialista de aproveitamento político do relatório[41] .

O Ministério da Educação enviou às escolas, a 18 de outubro, uma nota informativasobre o enquadramento legal que leva à dispensa do período probatório dos docentes que ingressam na carreira. Em 27 de dezembro o governo publicou um despacho que isenta do período probatório apenas os docentes que, nos cinco anos letivos anteriores ao de 2012-2013, tenham dado pelo menos 730 dias de aulas, e que tenham cinco anos com avaliação mínima de "Bom"[42] [43] .

Em fevereiro de 2014, promoveu a aprovação em Conselho de Ministros de um diploma que permite a criação de cursos técnicos superiores profissionais (TeSP) nos institutos politécnicos, um novo tipo de formação superior, com a duração de dois anos.[44] Esta medida, já aplicada em muitos paísese europeus e nos Estados Unidos, visa a formação de técnicos de nível médio, muito necessários no mercado de trabalho.

Em fevereiro de 2014, o Ministério da Educação atribuiu às escolas com contrato de autonomia maior liberdade para gerir currículos e cargas horárias, permitindo-lhes, por exemplo, criar novas disciplinas. As escolas privadas e as de regime de associação, como previsto em Decreto-Lei, terão igual autonomia.

Em julho de 2012, Ministério da Educação e Ciência publicou um decreto-lei, no qual ficou definido que os alunos do ensino profissional que quisessem prosseguir estudos superiores ficavam obrigados à realização do exame nacional de Português, como prova de acesso, assim como à realização de outros dois exames: um de uma disciplina bienal, outro de uma disciplina trienal, à escolha dos alunos, dentro do conjunto de disciplinas que compõem o currículo escolar dos cursos científico-humanísticos. Como medida transitória, dado que a decisão deverá ter efeito após três anos, nos anos de 2012-2013 e 2013-2014 os alunos do ensino profissional continuaram só a fazer um exame nacional para ingressar na universidade[45] .

Em julho de 2014, apresentou uma proposta de passagem de competências para as escolas que foram negociadas com autarcas de vários concelhos do país e de várias formações políticas. A proposta de descentralização de competências na área da educação ao nível do básico e do secundário confere aos municípios um papel interventivo nos complementos da oferta curricular das escolas, assumindo as autarquias total responsabilidade pelo pessoal não docente. Uma das novidades presentes na proposta é o chamado "factor de eficiência” que divide os ganhos de eficiência entre o Ministério e as autarquias.[46]

Ano letivo 2014/2015[editar | editar código-fonte]

Para o concurso de colocação de professores nas escolas para este ano letivo, na candidatura às bolsas de escola, muitos professores prestaram declarações incorrectas em relação a alguns dos dados pedidos, dada a grande complexidade da candidatura, o que obrigou o ministério a alargar o prazo inicialmente estabelecido.[47]

No concurso foram feitos erros na aplicação da fórmula de classificação de professores o que alterou o processo normal de ordenação dos candidatos. O ministro assumiu o erro, dizendo "Apresentamos as nossas desculpas aos pais, aos professores e ao país".[48] Crato assumiu as incongruências verificadas na contratação[49] [50] [51] [52] . Finalmente, o problema das colocações de professores ficou resolvido.[53]

Durante a legislatura, Portugal melhorou significativamente as principais classificações na área da Educação, nomeadamente reduzindo o abandono escolar e aumentando o numero de jovens com formação superior.[54] O Economic World Forum subiu significativamente as posições do país no que se refere à qualidade da educação básica em matemática e ciências e na competitividade científica[55] .

Em 25 de novembro de 2014, o provedor de Justiça transmitiu as preocupações dos sindicatos, num ofício enviado ao Ministério da Educação, sobre a exclusão dos docentes reprovados na prova de avaliação das listas dos concursos de contratação inicial e vinculação extraordinária.[56] Em 17 de dezembro realizou-se por todo o país a segunda edição da prova de avaliação de conhecimentos e capacidades de professores (PACC), com normalidade e tranquilidade, apesar de um grupo de sindicatos associados à Fenprof ter declarado greve e tentado, sem qualquer sucesso e sem qualquer apoio dos professores, impedir a realização da prova.

Em janeiro de 2015, a prova de avaliação dos professores foi discutida no Instituto de Avaliação Educativa (IAVE). Num parecer interno redigido pelo Conselho Científico questionou-se a prova, fazendo-se o CC involuntariamente porta voz de alguns sindicatos ao considera-la como um meio de obstaculizar o acesso à carreira docente. O Conselho Diretivo do Instituto reagiu, demarcando-se desta posição e sustentando que os promotores do parecer interno ao Conselho Científico não estavam a dar um parecer sobre a prova, mas a tentar intervir numa decisão política.[57] [58] A prova de professores acabaria por ser a maior batalha politica do ministro, tendo-se saldado por uma grande vitoria, com grande apoio da população, que percebe a necessidade de melhorar a formação e seleção de professores.

Obra[editar | editar código-fonte]

O seu trabalho de investigação incide sobre processos estocásticos e séries temporais com aplicações várias, nomeadamente em previsões climáticas e financeiras. Foi presidente e coordenador científico do centro de investigação CEMAPRE [59] do ISEG.

Foi presidente do International Symposium on Forecasting em 2000. Foi presidente da Sociedade Portuguesa de Matemática entre 2004 e 2010, e membro dos corpos gerentes do Fórum Internacional de Investigadores Portugueses (FIIP).

É co-autor de Eclipses (Gradiva, 1999), autor de Zodíaco: Constelações e Mitos (Gradiva, 2001), co-autor de Trânsitos de Vénus (Gradiva, 2004), A Espiral Dourada, Coelhos de Fibonacci, Pentagramas, Cifras e Outros Mistérios Matemáticos d’ O Código Da Vinci (Gradiva, 2006), de Relógios de Sol (CTT, 2007), de Passeio Aleatório (Gradiva, 2007), de A Matemática das Coisas (SPM/Gradiva, 2008) e de outras obras de divulgação. A Sociedade Europeia de Matemática (European Mathematical Society) atribuiu-lhe em 2003 o Primeiro Prémio do concurso Public Awareness of Mathematics pelo seu trabalho de divulgação. A União Europeia atribuiu-lhe em 2008 um European Science Award na categoria de Science Communicator of the Year.

Intervindo no debate sobre o ensino, publicou O Eduquês em Discurso Directo: Uma Crítica da Pedagogia Romântica e Construtivista (Gradiva, 2006), coordenou Desastre no Ensino da Matemática: Como Recuperar o Tempo Perdido (SPM/Gradiva, 2006), organizou a colectânea Ser Professor, de textos de Rómulo de Carvalho (Gradiva, 2006) e organizou Ensino da Matemática: Questões e Soluções (Gulbenkian, 2011).

Foi um dos membros do painel permanente do programa Plano Inclinado no canal de televisão português SIC Notícias[60] .

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

Casou em Lisboa, Alvalade, a 19 de Junho de 1985 com Luísa Paula de Sousa Lobo Borges de Araújo (Lisboa, Alvalade, 20 de Maio de 1965), filha de Carlos Magro Borges de Araújo (Marco de Canaveses, Tuias, 11 de Janeiro de 1933) e de sua mulher (Ourém, Fátima, Santuário de Fátima, 28 de Julho de 1957) Maria Luísa Thedim de Sousa Lobo (Palmela, Palmela, 20 de Outubro de 1928), de quem tem um filho e uma filha.[61]

Referências

  1. "Genealogias do Alto Alentejo", António Luís Cardoso Perestrelo, Cultideias, 2011, p. 107
  2. "Genealogias do Alto Alentejo", António Luís Cardoso Perestrelo, Cultideias, 2011, p. 107
  3. Sessão de Entrega dos Prémios aos Melhores Estudantes da UTL (15 de Dezembro de 2008). Visitado em 09/05/2010.
  4. Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas Presidência da República Portuguesa. Visitado em 2015-04-04. "Resultado da busca de "Nuno Paulo de Sousa Arrobas Crato"."
  5. Nuno Crato, Professor Catedrático do ISEG, nomeado Presidente do Taguspark ISEG (9 de Junho de 2010). Visitado em 09/06/2010.
  6. Governo de Passos Coelho já tomou posse Público (21 de Junho de 2011). Visitado em 21/06/2011.
  7. Número de alunos por turma aumenta de 28 para 30.
  8. Professores de EVT «procuram» salvação.
  9. Professores alertam para "sério retrocesso" com novo programa de Matemática.
  10. Greve dos professores aumenta nervosismo dos alunos.
  11. Nuno Crato diz que alunos sem exames devido à greve terão respostas na segunda-feira.
  12. Alunos da Secundária Sá de Miranda autorizados a repetir exame de Português.
  13. Exames de Matemática do 6.º e 9.º ano antecipados para véspera da greve geral.
  14. Média do exame de Português iguala pior resultado de sempre.
  15. Análise Preliminar dos Resultados das provas Finais de Ciclo e dos Exames Finais Nacionais 2013.
  16. Alunos apanhados com telemóvel puderam repetir exame de Português na segunda fase.
  17. Nuno Crato criticado por dentro do Governo por viajar de mais.
  18. Crato acusado de estar sempre a viajar.
  19. Crato reduz turmas já com matrículas feitas.
  20. Crato diz que nenhum aluno ficará de fora por não existirem turmas.
  21. Fenprof suspeita que corte de turmas visa favorecer colégios privados.
  22. Escolas temem pedir professores.
  23. Passos e Crato recebidos com protestos em inaugurações de escolas.
  24. Crato acaba com Inglês obrigatório.
  25. Clara Viana e Lusa (10/07/2013). Inglês no 1.º ciclo confunde oposição e é agora nova frente de guerra contra Crato.
  26. Exame de inglês obrigatório no 9.º ano.
  27. Resultados de exame de inglês a 15 de julho.
  28. Ministério da Educação surpreende com novos programas no Secundário.
  29. Associação de Professores de Matemática diz que “novo programa terá de cair quando o Governo cair”.
  30. Prova de avaliação docente realiza-se a 18 de Dezembro e custa 20 euros.
  31. Professores Contratados contra pagamento "absurdo" de taxas em exame.
  32. Mais de 22 mil professores contratados dispensados da prova.
  33. Um em cada quatro 'profs' impedido de fazer a prova.
  34. Tribunal do Porto suspende prova de avaliação docente.
  35. Prova de avaliação de professores suspensa por mais um Tribunal.
  36. Tribunal anula despacho sobre prova de professores em acórdão “demolidor”.
  37. Professores do primeiro ciclo em protesto em Lisboa contra 'aumento de horário lectivo'.
  38. Politécnicos exigem demissão de Crato.
  39. Politécnicos tomaram uma posição 'incompreensível'.
  40. Escolas de Educação exigem 'pedido de desculpas' de Crato.
  41. Título não preenchido, favor adicionar.
  42. Governo isenta do período probatório docentes que entraram este ano nos quadros.
  43. Presidente da Confap: “Não tenho memória de um início de ano escolar com tanta instabilidade”.
  44. Politécnicos indisponíveis para cursos superiores profissionais.
  45. Finalistas do ensino profissional só fazem um exame nacional para ingressar na universidade.
  46. Ministério da Educação propõe prémio para câmaras que trabalhem com menos docentes.
  47. Fenprof quer demissão do ministro após "confusão" no concurso de professores.
  48. Crato assume erro no concurso de professores e pede desculpa.
  49. Basílio Horta ameaça protestar à porta de Nuno Crato.
  50. Conservatórios protestam à porta de Nuno Crato.
  51. Ministro quebra promessa e anula contrato a 150 professores.
  52. Ministério diz que ainda há 1500 professores por colocar.
  53. Problema das colocações de professores está resolvido.
  54. Portugal entre os dez países da Europa com pior classificação na Educação.
  55. Economic World Forum (2014). Visitado em 2015.
  56. Excluir dos concursos professores reprovados é decisão nula.
  57. IAVE arrasa prova de avaliação de professores.
  58. Prova dos professores: direcção do IAVE contra parecer do seu Conselho Científico - PÚBLICO. Visitado em 2015-01-23.
  59. CEMAPRE.
  60. Plano Inclinado (1 de Março de 2010). Visitado em 13/03/2010.
  61. "Genealogias do Alto Alentejo", António Luís Cardoso Perestrelo, Cultideias, 2011, p. 107

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