Aníbal Cavaco Silva

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Aníbal Cavaco Silva
GCC
19º Presidente de Portugal Portugal
Mandato 9 de Março de 2006 até presente
a
Antecessor(a) Jorge Sampaio
Primeiro-ministro de Portugal Portugal
Mandato 6 de Novembro de 1985
a 28 de Outubro de 1995
Antecessor(a) Mário Soares
Sucessor(a) António Guterres
Vida
Nome completo Aníbal António Cavaco Silva
Nascimento 15 de Julho de 1939 (75 anos)
Boliqueime (Loulé), Portugal Portugal
Dados pessoais
Primeira-dama Maria Cavaco Silva
Partido Logo PSD cor.PNG Partido Social Democrata
Religião Catolicismo romano
Profissão Economista
Assinatura Assinatura de Aníbal Cavaco Silva

Aníbal António Cavaco Silva GCC (Loulé, Boliqueime, 15 de Julho de 1939) é um economista, professor universitário e político português, e o 19.º e atual presidente da República Portuguesa, cargo que exerce desde 2006.

Foi primeiro-ministro de Portugal de 6 de Novembro de 1985 a 28 de Outubro de 1995, tendo sido a pessoa que mais tempo esteve na liderança do governo do país desde o 25 de Abril. Nas eleições presidenciais de 22 de janeiro de 2006 foi eleito presidente da República, tendo tomado posse em 9 de Março do mesmo ano. Foi reeleito nas eleições presidenciais de 23 de janeiro de 2011.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de Teodoro Gonçalves da Silva e de Maria do Nascimento Cavaco, cresceu em Boliqueime, onde o pai se dedicava à exploração de frutos secos e ao comércio de combustíveis. Em Faro fez o Ciclo Preparatório, na Escola Técnica Elementar Serpa Pinto, e depois o Curso Geral do Comércio, na Escola Comercial e Industrial de Faro. Em 1956 veio para Lisboa, onde tirou o curso de Contabilidade do Instituto Comercial de Lisboa (hoje ISCAL), em 1959. Em paralelo, frequentou as disciplinas exigidas para admissão ao Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (actual ISEG). Prestes a terminar o curso, seria chamado a cumprir o serviço militar obrigatório. Fez a recruta na Escola Prática de Cavalaria de Santarém, e foi colocado como aspirante miliciano, na Repartição de Contabilidade dos Pupilos do Exército. Em 1963, depois de casar com Maria Alves da Silva, foi enviado em comissão para Moçambique, onde permaneceu até 1965. Em 1964 licenciou-se em Finanças, com a mais alta classificação do seu ano.

Percurso académico[editar | editar código-fonte]

No final de 1965 torna-se bolseiro do Centro de Economia e Finanças da Fundação Calouste Gulbenkian, onde se dedica à investigação, a partir de 1967. Publica então um primeiro título, O Mercado Financeiro Português em 1966 (1967). Entretanto iniciara funções como assistente de Finanças Públicas, no ISCEF, onde leccionou até 1978. Mantendo a bolsa da Fundação Gulbenkian, parte com a família para a Grã-Bretanha, onde viria a doutorar-se em Economia Pública, na Universidade de York, em 1971. A sua dissertação, depois publicada, tem o título de A Contribution to the Theory of the Macroeconomic Effects of Public Debt (1973).

Regressado a Portugal, pouco antes do 25 de Abril, manteve-se como investigador na Fundação Gulbenkian, integrando depois o respectivo Centro de Economia Agrária. Em 1977 mudar-se-ia para o Banco de Portugal, assumindo o cargo de director do Departamento de Estatística e Estudos Económicos. Ao mesmo tempo passou a integrar, como vogal, a Comissão Instaladora da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa. Pouco depois leccionaria também na Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa. Em 1979 prestou provas públicas para professor extraordinário de Economia Pública, na Universidade Nova de Lisboa, onde chegaria a professor catedrático.

Entrada na política[editar | editar código-fonte]

Com a vitória da Aliança Democrática, coligação partidária entre o Partido Social Democrata (PPD/PSD), o Partido do Centro Democrático e Social (CDS) e o Partido Popular Monárquico (PPM), foi convidado a exercer funções como ministro das Finanças e do Plano (1980–1981) do VI Governo Constitucional, de chefiado por Francisco Sá Carneiro. Porém, após a morte do primeiro-ministro, recusa-se a integrar o governo de Francisco Pinto Balsemão, abdicando também do lugar de deputado para o qual tinha sido eleito. Em Fevereiro de 1981 é eleito, pela Assembleia da República, presidente do Conselho Nacional do Plano (órgão que antecedeu o Conselho Económico e Social), e que dava pareceres sobre as Grandes Opções do Plano.

Militante do Partido Social Democrata desde a sua fundação, foi ao VIII Congresso onde encabeçou uma lista candidata ao Conselho Nacional. No mesmo ano é eleito presidente da Assembleia Distrital da Área Metropolitana de Lisboa do PSD.

Na Primavera de 1985 foi nomeado membro da Comissão Instaladora do Centro Regional do Porto da Universidade Católica Portuguesa, pouco antes da política lhe ditar o afastamento do ensino (na Universidade Nova de Lisboa e na Universidade Católica Portuguesa), por uma década.

Depois da demissão de Carlos Alberto da Mota Pinto em 1985 (dos cargos de vice-primeiro-ministro e presidente do PSD) foi convocado um Congresso Nacional no Casino da Figueira da Foz. Inesperadamente, Mota Pinto morre, vítima de um ataque cardíaco, e o congresso parecia disputar-se entre João Salgueiro e Rui Machete. Porém, contra as previsões, foi Cavaco Silva quem acabou eleito presidente do partido. O falhanço das negociações com o Partido Socialista levaram à rotura do Bloco Central, que havia sido constituído em 1983. Como consequência, Ramalho Eanes dissolveu o Parlamento. Nas eleições legislativas de 1985, que se seguiram, o PSD obteve o melhor resultado de sempre (29,8% dos votos) dando início a um governo minoritário (o X Governo, chefiado por Cavaco Silva).

Primeiro-ministro[editar | editar código-fonte]

Cavaco Silva apostou em levar a cabo reformas estruturais da administração e na direcção económica do país. Foi também nesta legislatura que Portugal aderiu à Comunidade Económica Europeia (CEE). Porém, as reformas em que apostava encontraram oposição firme na Assembleia da República onde (em abril de 1987) o Partido Renovador Democrático do antigo presidente da República António Ramalho Eanes, apresenta uma moção de censura, depois aprovada com os votos do PS e da APU (coligação partidária entre o Partido Comunista Português (PCP) e o Movimento Democrático Português (MDP/CDE). Como consequência o governo caiu e Mário Soares (eleito em 1986 presidente da República) dissolveu a Assembleia e convocou eleições.

Nas eleições de julho de 1987 os portugueses atribuem a primeira maioria absoluta a uma força política não coligada (com 50,2% dos votos para o PSD), que se havia de repetir nas eleições legislativas de 1991. Dessas vitórias resultaram, respectivamente, a constituição dos XI e XII Governos Constitucionais, apostados em conduzir reformas estruturais conducentes à economia social de mercado. Nesses anos foi feita uma reforma fiscal, que introduziu o IRS e o IRC, privatizaram-se empresas públicas, reformaram-se as leis laborais e agrárias e liberalizou-se a comunicação social, de que resultou a abertura da televisão à iniciativa privada e mais liberdade de informação. O país conheceu um crescimento económico apreciável, acima da média europeia, o que fez subir a popularidade de Cavaco Silva. A par de profundas melhorias na rede viária nacional, com vista a melhorar a coesão territorial do país, reabilitou-se de boa parte do património cultural público e deu-se o impulso a sete novos projectos: a renovação urbana em Lisboa Oriental e a organização da Expo'98, a construção da Ponte Vasco da Gama, a introdução do caminho-de-ferro na Ponte 25 de Abril, a edificação do parque tecnológico TagusPark, a construção da Barragem de Alqueva, a introdução do gás natural e a projecção do novo Aeroporto da Madeira.

No que diz respeito aos caminhos-de-ferro, em 1988, é aprovado o Plano de Modernização dos Caminhos de Ferro 1988–94, que aposta quase que exclusivamente nos sistemas ferroviários das áreas metropolitanas de Lisboa e Porto e também nos principais eixos de longo curso, sobretudo no eixo BragaFaro. É inaugurada a nova travessia ferroviária do Douro pela Ponte de São João e aprovado em Conselho de Ministros o atravessamento ferroviário na ponte 25 de Abril.[1] Ao mesmo tempo, cerca de 770 km de via-férrea foram definitivamente encerrados.[2] Foram suspensos em 1988 os serviços ferroviários na Linha do Sabor, na Linha do Vouga, entre Santa Comba Dão e Viseu e no troço da Linha do Douro, entre Pocinho e Barca de Alva. Em 1989, foi suspenso o tráfego na Linha do Sabor, Linha do Dão e troço GuimarãesFafe, ramal do Montijo, ramal de Montemor e troço Pocinho–Barca de Alva na Linha do Douro.[3] [4]

A permitir estas reformas estavam as condições estabelecidas no Acto Único Europeu de 1986, ano da adesão de Portugal à CEE. Em 1992, Portugal assume pela primeira vez a presidência do Conselho de Ministros da CEE, o que levou Cavaco Silva a abrir a cerimónia de assinatura do Tratado de Maastricht, fundador da União Europeia. Foi também sob a sua liderança, que Portugal esteve no centro da criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), e que foi decidida a realização anual das cimeiras luso-brasileiras.

Coincidindo com o abrandamento da actividade económica, os últimos anos do XII Governo, ficaram também marcados pela contestação social às reformas do "cavaquismo". Cavaco Silva responderia com a frase, que se tornou célebre, "deixem-me trabalhar!", e classificava a oposição como "forças de bloqueio". De acordo com o governante, aqueles que se opunham às suas políticas faziam parte dessas forças. Entre os "bloqueadores" foram incluídos o presidente Mário Soares, que com as suas Presidências Abertas dava eco à contestação social que se fazia sentir no país, e António de Sousa Franco, então presidente do Tribunal de Contas, que várias vezes reprovou as contas enviadas pelo governo.

Após dez anos como primeiro-ministro, Aníbal Cavaco Silva colocou-se de fora das eleições legislativas desse mesmo ano, e afastou-se da liderança do PSD, entretanto assumida por Fernando Nogueira. A derrota do PSD nas eleições de 1995, ganhas pelo Partido Socialista de António Guterres, levaram-no a anunciar uma candidatura à presidência da República. Personificando uma alternativa não socialista, defronta-se com Jorge Sampaio, e sai derrotado (com 46,09%, contra 53,91% dos votos). Nesse ano, a 29 de Novembro, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo. Nos anos seguintes, volta ao Banco de Portugal e à docência universitária. Mantém, todavia, uma marcante participação política, nomeadamente através de intervenções em colóquios e artigos na imprensa escrita, um dos quais, com o título "O Monstro", criticava severamente as contas públicas e o orçamento de estado para o ano 2000 apresentado pelo governo socialista.[5]

Presidência da República[editar | editar código-fonte]

No dia 20 de Outubro de 2005, numa declaração pública no Centro Cultural de Belém, apresentou-se oficialmente como candidato à Presidência da República. Já haviam sido publicadas várias sondagens de opinião que apontavam Cavaco Silva em primeiro lugar. Contra Jerónimo de Sousa, Mário Soares, Francisco Louçã, Garcia Pereira e Manuel Alegre, conseguiu a eleição à primeira volta (com 50% dos votos), marcando pela primeira vez, na democracia portuguesa, a eleição de um presidente oriundo do centro-direita. A 9 de Março de 2006 toma posse como 18.º presidente da República Portuguesa.

Em 23 de Janeiro de 2011 é reeleito, à primeira volta, para um segundo mandato, com uma percentagem de votos de 52,9%. Indigitou ministros que mais tarde se envolveram em escândalos, como Joaquim Pais Jorge, secretário do tesouro que terá vendido ativos tóxicos ao governo.[6]

Prémios e publicações[editar | editar código-fonte]

Entre os prémios que recebeu, salienta-se a distinção, feita na Alemanha, com o Prémio Carl Bertelsmann, atribuído pela Fundação Bertelsmann (em 1995), com base no sucesso das políticas de luta contra o desemprego. Recebeu o prémio Joseph Bech (1991), no Luxemburgo, e a medalha Robert Schuman (1998), pela sua contribuição para a construção europeia, e o Freedom Prize (1995), na Suíça, concedido pela Fundação Schmidheiny, pela sua acção como político e economista. Em 2009 foi distinguido, em Nápoles, com o Prémio Mediterrâneo Instituições (2009), atribuído pela Fundação Mediterrâneo.

Entre os livros que tem publicados referem-se os títulos académicos O Mercado Financeiro Português em 1966 (1968), Política Orçamental e Estabilização Económica (1976), Economic Effects of Public Debt (1977), Finanças Públicas e Política Macroeconómica, com João César das Neves (1992), Portugal e a Moeda Única, prefaciado por Jacques Delors (1997), União Monetária Europeia: funcionamento e implicações (1999), e os de índole política, A Política Económica do Governo de Sá Carneiro (1982), As Reformas da Década (1995), Autobiografia Política I (2002) e Autobiografia Política II (2004) e Crónicas de Uma Crise Anunciada (2002). As intervenções mais importantes produzidas como primeiro-ministro encontram-se reunidas nos livros Cumprir a Esperança (1987), Construir a Modernidade (1989), Ganhar o Futuro (1991), Afirmar Portugal no Mundo (1993) e Manter o Rumo (1995). As intervenções mais importantes como presidente da República encontram-se reunidas nos livros Roteiro para a Inclusão — 2006, Roteiros I — 2006/2007; Roteiros II — 2007/2008 e Roteiros III — 2008/2009. Cavaco Silva é Doutor Honoris Causa pelas universidades de York (Reino Unido), La Coruña (Espanha), Goa (Índia), Leão (Espanha) e Heriot-Watt (Escócia), membro da Real Academia de Ciências Morais e Políticas de Espanhaa, do Clube de Madrid e da Global Leadership Foundation.

Eleições presidenciais de 1996[editar | editar código-fonte]

Única volta (14 de Janeiro de 1996)

Candidato votos  %
Jorge Sampaio 3 035 056
53,91%
Aníbal Cavaco Silva 2 595 131
46,09%
Jerónimo de Sousa desistiu
Alberto Matos desistiu
Abstenção 2 930 658
33,71%

Nova candidatura[editar | editar código-fonte]

Eu não me resigno
Lisboa, 20 de Outubro de 2005, ao apresentar a sua candidatura a presidente da República

No dia 20 de Outubro de 2005, anuncia a sua candidatura às eleições presidenciais portuguesas de 2006, recebendo o apoio do PSD e do CDS–PP. Os seus adversários foram Francisco Louçã (apoiado pelo Bloco de Esquerda), Manuel Alegre (independente), Garcia Pereira (apoiado pelo PCTP/MRPP), Jerónimo de Sousa (apoiado pelo PCP e PEV) e Mário Soares (apoiado pelo PS). Vence as eleições com 50,59% dos votos na primeira volta, realizada em 22 de Janeiro de 2006.

Eleições presidenciais de 2006[editar | editar código-fonte]

Candidato votos  %
Aníbal Cavaco Silva 2 746 689
50,59%
Manuel Alegre 1 125 077
20,72%
Mário Soares 778 781
14,34%
Jerónimo de Sousa 466 507
8,59%
Francisco Louçã 288 261
5,31%
Garcia Pereira 23 622
0,44%
Abstenção 3 303 972
37,39%

Presidência da República[editar | editar código-fonte]

Não tenho dúvidas de que os tempos são difíceis. Mas temos à nossa frente um enorme espaço para o optimismo, que é o espaço da vontade, da coragem e do querer.

Tenho orgulho no meu País e na sua História. Por tudo passámos, como Povo. Momentos altos, e até de glória, e momentos de dificuldade e mesmo de angústia. Mas estamos aqui. Quando fez falta – e tantas vezes fez falta – mobilizámos o melhor de nós próprios e conseguimos. Estou certo de que vamos conseguir mais uma vez.

Hoje, como ontem, vamos provar que somos capazes de vencer a tirania da resignação e o espartilho do pessimismo. Pela minha parte, estou profundamente convicto de que a nossa determinação é maior do que qualquer melancolia, de que a nossa esperança é mais forte do que qualquer resignação, de que a nossa ambição supera qualquer desânimo. Sei que os Portugueses, tal como eu, não se resignarão a um destino menor.

Na história dos povos nunca é demasiado tarde para realizar o sonho e cumprir a esperança. Nunca é tarde desde que saibamos ser fortes e unidos, desde que tenhamos orgulho no que somos e desde que saibamos o que queremos ser.

O que os momentos altos da nossa História nos ensinam é que somos um povo marcado pela insatisfação. Que nos marca a ambição de fazer mais e melhor. Marca-nos a ideia de que somos agentes da História, senhores do nosso destino. Somos um povo capaz de superar as dificuldades nas horas de prova.

Discurso de tomada de posse, Lisboa, 9 de Março de 2006

Tomou posse, jurando a Constituição, na Assembleia da República, em 9 de Març] de 2006, numa cerimónia a que assistiram os ex-Presidentes Ramalho Eanes e Mário Soares, os Príncipe das Astúrias, o antigo Presidente dos Estados Unidos, George Bush, o Presidente de Timor-Leste, Xanana Gusmão, entre outras personalidades nacionais e estrangeiras. De salientar que regista para Portugal um facto inédito, de ser o primeiro Presidente da República, desde 1986, fora da área da esquerda socialista.

O seu primeiro acto oficial foi agraciar o seu antecessor na Presidência da República, Jorge Sampaio, com o grande colar da Ordem da Liberdade.

Lançou de forma rápida e extremamente louvada por diversos líderes internacionais, um ambicioso website da Presidência da República onde é possível acompanhar de perto todos os passos do Presidente, a sua agenda, bem como as deslocações oficiais ao estrangeiro, onde constantemente dá conta dos sucessos obtidos. Durante esse período, o PS de José Sócrates iniciou uma cooperação estratégica com o governo dele.[7] Durante seu governo, a desigualdade social tem aumentado.[8]

Roteiros[editar | editar código-fonte]

As "presidências abertas" de Cavaco Silva designam-se "roteiros" e são temáticos. O primeiro roteiro que o Presidente definiu visa promover a inclusão social. O Roteiro para a Inclusão foi lançado na sessão solene, na Assembleia da República, do aniversário do 25 de Abril. Cada tema ou problema focado no discurso corresponde a uma visita ou a uma iniciativa, que tem por objectivo tomar conhecimento directo e promover as boas práticas no combate à exclusão social.

O Roteiro para a Inclusão foi iniciado com uma jornada sobre o tema Regiões Periféricas, Envelhecimento e Exclusão. O programa da jornada foi executando em Maio de 2006. Futuras jornadas serão dedicadas a:

  • Crianças em Risco e Violência Doméstica;
  • Voluntariado e Exclusão Social em Meio Urbano;
  • Deficientes: educação, formação e inserção profissional;
  • Desemprego, Reconversão e Reinserção de Activos e Inclusão Digital.

Visitas de Estado[editar | editar código-fonte]

2006[editar | editar código-fonte]

  • Setembro - Faz visita de Estado a Espanha, incluindo Madrid e Astúrias, onde foi recebido pelos reis Juan Carlos I e Sofia. Na visita às Astúrias, foi acompanhado pelo príncipe Filipe (a princesa Letizia não se fez acompanhar, mas fez questão de aproveitar a presença do estadista português para anunciar a sua gravidez).

2007[editar | editar código-fonte]

  • Janeiro - Faz visita de Estado à Índia, acompanhado por empresários e investidores, participando em conferências de Economia e em actividades culturais em Nova Deli, Goa, Mumbai e Bangalore. Entre muitas actividades, testemunhou a assinatura de um acordo entre a Fundação Champalimaud e o Instituto Oftalmológico Indiano Aravind Eye Care System, prestou homenagem ao Mahatma Gandhi, visitou o Túmulo de Humayun, discursou em seminários sobre Economia, e promoveu o intercâmbio cultural entre os dois países.
  • 6 a 10 de Novembro - Faz visita de Estado ao Chile, por ocasião da XVII Cimeira Iberoamericana. Visita, ainda, a capital Santiago.

2008[editar | editar código-fonte]

Com Lula da Silva em 2007
  • 16 a 18 de Fevereiro - Faz visita de Estado à Jordânia. Visita Petra, reúne-se com empresários, encontra-se com os reis da Jordânia e visita o local onde supostamente foi baptizado Jesus Cristo.
  • 6 a 9 de Março - Faz visita de Estado ao Brasil. Visita a cidade de Rio de Janeiro, faz referência às Comunidades Portuguesas e à chegada da Corte de João VI ao Brasil, nas comemorações dos seus 200 anos.
  • 24 a 26 de Março - Faz visita de Estado a Moçambique. Visita Maputo, escolas e a Ilha de Moçambique. Fez referência às comunidades portuguesas, à cultura e à política.
  • 1 a 4 de Setembro - Faz visita de Estada à Polónia. Visita a capital, Varsóvia, e Cracóvia.
  • 4 a 5 de Setembro - Faz visita de Estado à Eslováquia. Visita a capital, Bratislava.

2009[editar | editar código-fonte]

  • 3 a 6 de Março - Faz visita de Estado à Alemanha.
  • 12 a 15 de Maio - Faz visita de Estado à Turquia.
  • 23 a 26 de Julho - Faz visita de Estado à Áustria.

2010[editar | editar código-fonte]

  • 14 a 16 de Abril - Faz visita de Estado à República Checa.
  • 4 a 7 de Julho - Faz visita de Estado a Cabo Verde.
  • 18 a 23 de Julho - Faz visita de Estado a Angola no âmbito da VIII Cimeira da CPLP.

2011[editar | editar código-fonte]

2012[editar | editar código-fonte]

  • 19 a 22 de Maio - Faz visita de Estado a Timor-Leste.
  • 22 a 24 de Maio - Faz visita de Estado à Indonésia.
  • 24 a 26 de Maio - Faz visita de Estado à Austrália.
  • 27 a 28 de Maio - Faz visita de Estado a Singapura.

Comunidades Portuguesas[editar | editar código-fonte]

2007[editar | editar código-fonte]

  • 9 de Março - Visita às comunidades portuguesas do Luxemburgo.
  • 20 a 23 de Junho - Visita às comunidades portuguesas dos Estados Unidos.

2009[editar | editar código-fonte]

2010[editar | editar código-fonte]

  • 5 a 7 de Março - Visita às comunidades portuguesas de Andorra.

2012[editar | editar código-fonte]

  • 26 de Maio - Visita às comunidades portuguesas da Austrália.

Outras visitas[editar | editar código-fonte]

2007[editar | editar código-fonte]

2008[editar | editar código-fonte]

Cronologia sumária[editar | editar código-fonte]

Escola de pensamento macroeconómico[editar | editar código-fonte]

Tanto nas suas funções como economista, como na sua acção governativa e presidencial, Cavaco Silva foi adepto de políticas intervencionistas. Com efeito, ele designa-se a si próprio como um neokeynesiano.[9] [10]

Defende que o Estado tem três funções: "a de afectação de recursos, traduzida pela provisão de bens e serviços públicos como a justiça, segurança, defesa, educação, saúde, protecção social", "a da distribuição, para alcançar uma distribuição socialmente justa do rendimento e riqueza" e, finalmente, "a da estabilização". Para além disso, Cavaco Silva acrescentou: "É aqui que vem a parte keynesiana de actuação de um Governo ou autoridade com poder executivo para combater a inflação, o desemprego, equilibrar as contas externas e promover o crescimento económico. Nenhum Governo pode deixar de dar atenção a estas três grandes funções em simultâneo".[11]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

A 10 de junho de 2008, no âmbito das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Cavaco Silva foi questionado sobre as paralelas greves dos camionistas que bloquearam as fronteiras portuguesas com Espanha, de norte a sul, devido ao aumento dos combustíveis. Desviando-se da questão, o presidente sublinhou que o mais importante era "acima de tudo, a Raça, o Dia da Raça, o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas".[12]

Estas declarações, foram contestadas pelos partidos de esquerda, entre eles o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista Português, posto que a expressão citada foi utilizada por António Oliveira Salazar durante o tempo em que comandou a ditadura militar em Portugal e seria, então, inconstitucional, até mesmo porque, segundo o Bloco de Esquerda, a expressão veiculava "a existência de um suposto atributo rácico, comum à cidadania nacional que merece ser exaltado na sua superioridade". Ambos os partidos pediram esclarecimentos da presidência.[13]

Nova controvérsia ocorreu a 20 de janeiro de 2012 quando afirmou que os 1.300 euros que recebe[14] quase de certeza que não dariam para pagar as suas despesas. Na realidade, tem um vencimento de cerca de 10.000 euros mensais em 3[15] pensões, depois de ter prescindido do seu vencimento como Presidente da República em favor desta opção. Tal decisão foi tomada depois da imposição de cortes salariais na função pública que tornariam o seu vencimento, enquanto presidente, menor que aquele que beneficiaria apenas das suas pensões.[16]

Em junho de 2010, Cavaco Silva, então já Presidente da República, encontrando-se de férias nos Açores, não se deslocou a Lisboa para assistir às exéquias do único português laureado com o prémio Nobel da Literatura, José Saramago. O governo português na época em que ele era primeiro-ministro nos anos 80, votou na ONU contra a libertação de Mandela ao lado dos Estados Unidos e Reino unido, justificando-se pela discordância em relação ao texto que teria subjacente um apelo a uma revolta armada, temendo pela segurança dos portugueses residentes. [17]

Condecorações[18] [editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Caminhos de Ferro em Portugal REFER.
  2. Alves, António. (Abril de 2009). Carris de ferro em Portugal (PDF) p. 4. Ocomboio.net.
  3. 150 Anos de História CP.
  4. Fim de Linha" Reportagem especial da SIC emitida no "Jornal da Noite" (30 de Julho de 2009).
  5. Cavaco Silva considera o problema orçamental português «muito grave» — orçamento de Estado do ano 2000 TSF Rádio Notícias.
  6. Paulo Pena. O governante que quis vender 'swaps' tóxicos ao Estado (em português) Visão (revista). Página visitada em 4 de agosto de 2013.
  7. "Cavaco e Sócrates iniciaram "cooperação estratégica"". Página visitada em 3 de fevereiro de 2006.
  8. "[http://www.eugeniorosa.com/sites/eugeniorosa.com/documentos/2012/31-pobreza-desigualdades-aumentam-3.pdf O AUMENTO DA POBREZA E DAS DESIGUALDADES EM PORTUGAL E COMO A “CONDIÇÃO DE RECURSOS” ESTÁ A SER UTILIZADA PARA GENERALIZAR A MISÉRIA]". Página visitada em 27 de janeiro de 2014.
  9. Economistas, cozido e carapaus Revista Sábado. Página visitada em 5 de Janeiro de 2012.
  10. As lições de Berlim Revista Visão (9 de Março de 2009). Página visitada em 5 de Janeiro de 2012.
  11. Cavaco: "Não gosto da expressão refundação do Estado" (em português) Dinheiro Vivo. Página visitada em 5 de Janeiro de 2013.
  12. Presidente da República convoca emigrantes a investir no país e confunde Dia de Portugal com "dia da raça" Jornal Público.
  13. BE quer que Cavaco explique "dia da Raça" IOL Diário.
  14. Cavaco diz que as reformas dele "não chegarão para pagar despesas" Jornal de Negócios (20 de dezembro de 2011). Página visitada em 21 de dezembro de 2011.
  15. Pensões Soares uma, Cavaco três Diário de Notícias (Portugal) (31 de outubro de 2011). Página visitada em 21 de dezembro de 2011.
  16. Cavaco Silva votou contra a libertação de Nelson Mandela O País (Portugal) (27 de novembro de 2013). Página visitada em 21 de dezembro de 2013.
  17. Cavaco opta por pensões e evita 10% de corte no salário Diário de Notícias (Portugal) (27 de janeiro de 2011). Página visitada em 21 de dezembro de 2011.
  18. Página oficial das Ordens Honoríficas Portuguesas

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