Bernardino Machado

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Bernardino Machado
Presidente de Portugal Portugal
Mandato 6 de Agosto de 1915
a 5 de Dezembro de 1917
Antecessor(a) Teófilo Braga
Sucessor(a) Sidónio Pais
presidente de Portugal Portugal
Mandato 11 de Dezembro de 1925
a 31 de Maio de 1926
Antecessor(a) Manuel Teixeira Gomes
Sucessor(a) Mendes Cabeçadas
Vida
Nome completo Bernardino Luís Machado Guimarães
Nascimento 28 de Março de 1851
Rio de Janeiro, Flag of Brasil Brasil
Morte 29 de abril de 1944 (93 anos)
Famalicão,  Portugal
Dados pessoais
Primeira-dama Elzira Dantas Gonçalves Pereira Machado
Partido Partido Democrático
Profissão Professor na Universidade de Coimbra

Bernardino Luís Machado Guimarães GCTEGCL (Rio de Janeiro, 28 de março de 1851Famalicão, 29 de abril de 1944)[1] foi o terceiro e o oitavo presidente eleito da República Portuguesa.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Estudou Filosofia e Matemática, respetivamente na Faculdade de Letras e na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, onde foi também Professor. Teve um importante percurso como dirigente da Maçonaria (na Loja Perseverança do Grande Oriente Lusitano). De 1892 a 1895 foi o 7.º Presidente do Conselho da Ordem do Grande Oriente Lusitano, de 1895 a 1899 foi o 18.º Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente Lusitano e 7.º Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido e de 1929 até à sua morte em 1944 foi o 23.º Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho afecto ao Grande Oriente Lusitano.[2]

Foi presidente da República Portuguesa por duas vezes. Primeiro, de 6 de agosto de 1915 até 5 de dezembro de 1917, quando Sidónio Pais, à frente de uma junta militar, dissolve o Congresso e o destitui, obrigando-o a abandonar o país.

Mais tarde, em 1925, volta à presidência da República para, um ano depois, voltar a ser destituído pela revolução militar de 28 de maio de 1926, que instiuirá a Ditadura Militar e abrirá caminho à instauração do Estado Novo.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Bernardino Machado era filho de António Luís Machado Guimarães, primeiro e único Barão de Joane, e de sua segunda mulher, Praxedes de Sousa Guimarães, falecida em Vila do Conde, Vila do Conde, em 1901.

Recebeu no baptismo o nome próprio do avô materno, Bernardino de Sousa Guimarães, capitalista estabelecido em terras brasileiras.

Passou a infância no Brasil até aos nove anos, quando a família se estabeleceu em Joane, concelho de Famalicão. Em 1866 inscreveu-se na Universidade de Coimbra, em Matemática, tendo optado depois por Filosofia. Foi um brilhante aluno, tendo-se doutorado em Coimbra, onde foi professor.

Em 1872 atingiu a maioridade e optou pela nacionalidade portuguesa.

Casou no Porto em janeiro de 1882 com Elzira Dantas Gonçalves Pereira (Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 1865 - 21 de abril de 1942), também nascida no Brasil, filha do conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira e de sua mulher Bernardina Maria da Silva, de quem teve 18 filhos.

De entre os seus descendentes, destacam-se o escritor e autarca Aquilino Ribeiro Machado (1930-2012), primeiro presidente da Câmara Municipal de Lisboa democraticamente eleito após o 25 de Abril e, o investigador, professor e médico portuense Júlio Machado Vaz (1949).

Política[editar | editar código-fonte]

Durante a monarquia, Bernardino Machado foi deputado pelo Partido Regenerador (1882), Par do Reino (1890), e ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria (1893).

Aderiu ao Partido Republicano em 1903.

A 5 de Outubro de 1910 tem conhecimento em Alenquer da implantação da Republica, onde voltaria um ano depois para dar inicio à tradição do Jantar do 5 de Outubro em Alenquer.

Com o advento da República foi o primeiro Ministro dos Negócios Estrangeiros da República, desde 5 de outubro de 1910 até 3 de setembro de 1911 e o primeiro Embaixador de Portugal no Brasil (1913).

Foi duas vezes presidente do Ministério, desde 9 de Fevereiro até 12 de Dezembro de 1914, e desde 2 de Março até 23 de Maio de 1921.

Foi Cavaleiro da Ordem de Carlos III de Espanha em 1917 e Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a 6 de Outubro de 1917[3] .

A 30 de Junho de 1980 foi agraciado a título póstumo com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.[4]

Além do seu percurso político são conhecidas colaborações suas nos periódicos A republica portugueza(1910-1911), o Xuão (1908-1910) e a Galeria republicana (1882-1883).


Primeira eleição presidencial[editar | editar código-fonte]

Em 1915, Bernardino Machado foi eleito pelo Congresso a 6 de Agosto. Na primeira votação votaram 189 congressistas, tendo os votos sido assim distribuídos:

Primeiro escrutínio[editar | editar código-fonte]

Segundo escrutínio[editar | editar código-fonte]

  • Bernardino Machado 75 votos
  • Correia Barreto 45 votos
  • Guerra Junqueiro 30 votos
  • Duarte Leite 19 votos
  • Alves da Veiga 2 votos
  • Votos brancos 12

Terceiro escrutínio[editar | editar código-fonte]

  • Bernardino Machado:134 votos
  • Correia Barreto: 18 votos
  • Votos brancos e nulos: 27

Segunda eleição presidencial[editar | editar código-fonte]

Primeiro escrutínio[editar | editar código-fonte]

Segundo escrutínio[editar | editar código-fonte]

  • Bernardino Machado: 148 votos
  • Duarte Leite: 5
  • Bettencourt Rodrigues:1
  • Votos brancos: 6.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
José de Azevedo Castelo Branco
Ministério dos Negócios Estrangeiros
(1.ª vez)
19101911
(Governo Provisório)
Sucedido por
João Chagas
(interino)
Augusto de Vasconcelos
(de facto)
Precedido por
Afonso Costa
Presidente do Ministério de Portugal
(1.ª vez)
1914
(VI e VII Governo Republicano)
Sucedido por
Vítor Hugo de Azevedo Coutinho
Precedido por
Rodrigo Rodrigues
Ministro do Interior de Portugal
(1.ª vez)
1914
(VI e VII Governo Republicano)
Sucedido por
Alexandre Braga
Precedido por
António Macieira
Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal
(interino)
1914
(VI Governo Republicano)
Sucedido por
Alfredo Augusto Freire de Andrade
Precedido por
Manuel Monteiro
Ministro da Justiça de Portugal
(interino)
1914
(VII Governo Republicano)
Sucedido por
Eduardo Augusto de Sousa Monteiro
Precedido por
Liberato Pinto
Presidente do Ministério de Portugal
(2.ª vez)
1921
(XXIX Governo Republicano)
Sucedido por
Tomé de Barros Queirós
Precedido por
Liberato Pinto
Ministro do Interior de Portugal
(2.ª vez)
1921
(XXIX Governo Republicano)
Sucedido por
Abel Hipólito
Precedido por
João Gonçalves
Ministro da Agricultura de Portugal
(interino)
1921
(XXIX Governo Republicano)
Sucedido por
Albano de Portugal Durão
Precedido por
Albano de Portugal Durão
Ministro da Agricultura de Portugal
(interino)
1921
(XXIX Governo Republicano)
Sucedido por
Tomé de Barros Queirós
(interino)
Manuel de Sousa da Câmara
(de facto)