Estação Ferroviária do Rossio
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| Inauguração | Maio de 1891 |
| Linha(s) | Linha de Sintra |
| Coordenadas | 38° 42′ N 9° 8′ W |
| Concelho | Lisboa |
| Coroa | L |
| Serviços Ferroviários | Urbano |
| Serviços | |
A Estação Ferroviária do Rossio, originalmente conhecida como Estação do Rocio ou Estação de Lisboa-Rocio, é uma estação da Linha de Sintra, que serve o centro da cidade de Lisboa, em Portugal.
Índice |
Caracterização [editar]
Localização e acessos [editar]
Situa-se na cidade de Lisboa, detendo acesso pela Rua 1º de Dezembro.1
Vias e plataformas [editar]
Esta interface detinha, em Janeiro de 2011, 5 vias de circulação, com comprimentos entre os 147 e 196 metros; as plataformas tinham 132 a 208 metros de extensão, e apresentavam todas 90 centímetros de altura.2
Edifício [editar]
Edificado em estilo manuelino, e do risco do arquitecto José Luís Monteiro, o edifício está classificado desde 1971 como imóvel de interesse público,3 estando igualmente integrado numa zona de protecção conjunta dos imóveis classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente.4
Originalmente, o complexo incluía o edifício da estação com a cobertura metálica, um prédio anexo que albergava o hotel, o Túnel do Rossio, e as rampas de acesso ao Largo do Carmo.5 A nave da gare, de grandes dimensões, é coberta por um alpendre de ferro e vidro e tem 130 metros de comprimento e 21 metros de altura, albergando, em 1989, 9 vias.6
Serviços [editar]
Transportes urbanos [editar]
- 91 Aerobus
- 205 Cais do Sodré - Bairro Padre Cruz
- 207 Cais do Sodré - Fetais
- 709 Restauradores - Campo de Ourique
- 711 Sul e Sueste - Alto da Damaia
- 732 Marquês de Pombal - Caselas
- 736 Odivelas - Cais do Sodré
- 759 Restauradores - Oriente
- Santa Apolónia - Amadora Este via Marquês de Pombal, Sete Rios e Pontinha
Serviços ferroviários [editar]
Esta interface foi, frequentemente, servida pelo Sud Expresso, ao longo do Século XX.7 8
Recebia, igualmente, mercadorias, dispondo, em 1940, de um serviço de despacho próprio para este tipo de transporte.9
Túnel do Rossio [editar]
O acesso dos comboios à estação faz-se, a partir da estação de Campolide, por um túnel em via dupla com 2613 m de comprimento e com um perfil abobadado de 8 m de largura por 6 m de altura até ao fecho da abóbada.
História [editar]
Século XIX [editar]
Um alvará de 7 de Julho de 1886, autorizou a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses a construir uma ligação ferroviária entre a Linha do Leste, em Xabregas, à Linha do Oeste, em Benfica; outro alvará, datado de 9 de Abril do ano seguinte, autorizou a Companhia Real a construir e explorar um ramal urbano, em via dupla, que ligasse a Linha do Oeste a uma interface no centro de Lisboa, que serviria para passageiros e mercadorias.10 Um terceiro alvará, publicado no dia 23 de Julho, autorizou a Companhia a construir dois ramais na futura Linha de Cintura, de forma a ligar à Estação Central de Lisboa (posteriormente Estação do Rossio).10
A nave da Estação foi planeada, entre 1886 e 188711 , pelo arquitecto José Luís Monteiro12 , tendo a construção sido executada pelas firmas DuParcly & Bartissol, Papot & Blanchard, e E. Beraud.6 Nesse ano, começou a demolição de vários prédios, para construir a estação; planeou-se que o edifício teria cerca de 43,5 por 23 metros, e o corpo lateral, 45 por 19 metros.13
Em Abril de 1889, o Túnel do Rossio e a Estação Central já estavam concluídos, e a primeira composição atravessou o túnel em Maio; no entanto, só em Maio de 1891 é que foi realizada a inauguração oficial, e, em Junho, deu-se a abertura à exploração.10
Em Novembro de 1893, já tinha sido aberto o concurso para o fornecimento e instalação de iluminação eléctrica na estação e no túnel, com equipamentos próprios para a geração de electricidade.14
Século XX [editar]
Em 1902, previa-se a instalação de novos relógios, de grandes dimensões, da casa Garnier, na gare e nos vestíbulos superior e inferior.15 No mesmo ano, a Companhia Real contratou com a firma francesa Hallé & Cie, para substituir os permutadores hidráulicos nesta estação, por uns eléctricos; nesta altura, esperava-se que também os elevadores, monta-cargas, sinais e os aparelhos de mudança de via também fossem adaptados à energia eléctrica.16 Em Setembro de 1903, já tinham entrado ao serviço os novos permutadores.17
Em 1919, esta foi uma das estações em que foi utilizado o vagão fantasma, um sistema de segurança utilizado para impedir actos de sabotagem por parte dos grevistas.18 Em Julho de 1926, a Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses já tinha iniciado um concurso para a electrificação da Linha de Sintra, incluindo o troço até a Estação do Rossio.19 Em 1932, parte, desta estação, o primeiro Comboio Mistério, um comboio especial promovido pelo Serviço de Turismo, e, em 1943, parte, do Rossio, a viagem inaugural do Lusitânia Expresso.20
Em 1954, começaram as obras para a preparação da electrificação, no Túnel do Rossio.21 Nesse ano, esta interface perdeu a sua posição como principal estação de concentração dos serviços ferroviários, tendo os comboios de longo curso sido transferidos para Santa Apolónia.9
Em 15 de Abril de 1970, entraram ao serviço novas máquinas automáticas, para a venda de bilhetes, e, em meados dos Anos 70, esta interface foi alvo da primeira experiência, realizada em Portugal, para a rentabilização de espaços ferroviários, através da instalação do Centro Comercial do Rossio.22 Em 1 de Julho de 1975, os passageiros organizaram um protesto nesta estação, contra os aumentos das tarifas.23
Em 1993, estavam previstas, no âmbito de um projecto de modernização do material circulante e infra-estruturas ferroviárias da operadora Caminhos de Ferro Portugueses, obras de remodelação, que incluíam a supressão de 5 vias no interior, e a construção de uma ligação ao Metropolitano de Lisboa.24
Ver também [editar]
Notas e referências
- ↑ Ficha da Estação: Rossio. Comboios de Portugal. Página visitada em 8 de Novembro de 2011.
- ↑ (6 de Janeiro de 2011) "Directório da Rede 2012": 80. Rede Ferroviária Nacional.
- ↑ Classificação do edifício como imóvel de interesse público (Decreto 516/71)
- ↑ Integração em zona de protecção conjunta de imóveis classificados (Portaria 529/96)
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 37
- ↑ a b Santos, 1989:329
- ↑ SOUSA, José Fernando. (1 de Outubro de 1905). "De Buenos Aires a Paris". Gazeta dos Caminhos de Ferro 18 (427): 289.
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 36
- ↑ a b Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 109
- ↑ a b c TORRES, Carlos Manitto. (16 de Janeiro de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 70 (1682): 61, 62.
- ↑ Pereira, 1995:365
- ↑ Viterbo, 1988:385
- ↑ MARTINS, Rocha. (1 de Novembro de 1932). "Como Nasceu a Estação do Rossio". Gazeta dos Caminhos de Ferro 45 (1077): 513, 514.
- ↑ (1 de Novembro de 1933) "Há Quarenta Anos". Gazeta dos Caminhos de Ferro 46 (1101): 582.
- ↑ (16 de Janeiro de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (338): 26.
- ↑ (1 de Agosto de 1902) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 15 (351): 235.
- ↑ (1 de Setembro de 1903) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (377): 304.
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 59
- ↑ (1 de Julho de 1926) "Linhas Portuguesas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 39 (925): 208.
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 62
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 102
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 160, 161
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 152
- ↑ BRAZÃO, Carlos. (1993). "Nuevas unidades eléctricas" (em Espanhol). Maquetren 2 (16): 28, 29. Madrid: Resistor, S. A..
Bibliografia [editar]
- Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: CP-Comboios de Portugal e Público-Comunicação Social S. A., 2006. 238 p. ISBN 989-619-078-X
- PEREIRA, Paulo. História da Arte Portuguesa. [S.l.]: Círculo de Leitores, 1995. 695 p. vol. 3. ISBN 972-42-1225-4
- SANTOS, José Coelho. O Palácio de Cristal e Arquitectura de Ferro no Porto em Meados do Século XIX. Porto: Fundação Engenheiro António de Almeida, 1989. 387 p.
- VITERBO, Sousa. Dicionário Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses. 2 ed. Lisboa: Imprensa Nacional, 1988. 491 p. 3 vol. vol. 3.
Ligações externas [editar]
- REFER, Caderno de informação – Túnel do Rossio
- REFER, Galeria de imagens – Túnel do Rossio
- Edifício da Estação de Caminhos de Ferro do Rossio na base de dados do IGESPAR
- Página sobre a Estação do Rossio, no sítio electrónico da Rede Ferroviária Nacional
- Página com fotografias da Estação do Rossio, no sítio electrónico Railfaneurope