Linha de Sintra

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Linha de Sintra
Estação do Rossio, término da linha
Estação do Rossio, término da linha
Comprimento: 27,2 km
Bitola: Bitola larga

A Linha de Sintra é uma ligação ferroviária entre as localidades de Lisboa e Sintra, em Portugal. O primeiro troço, entre Alcântara-Terra e Sintra, foi inaugurado em 2 de Abril de 1887, tendo a ligação até ao Rossio sido aberta em Junho de 1891.[1]

Índice

[editar] Caracterização

[editar] Descrição física

Em 1993, esta ligação, com apenas aproximadamente 28 quilómetros, detinha um dos maiores índices de ocupação na Europa, transportando, por ano, cerca de 67 milhões de passageiros; a exploração desta linha apresentava, no entanto, várias dificuldades, devido ao facto de parte das estações distarem menos de 2 quilómetros entre si.[2]

[editar] Exploração comercial

Circulam nesta linha principalmente composições dos serviços suburbanos da CP Urbanos de Lisboa (famílias da “Linha de Sintra”: RossioSintra e Mira-Sintra - MeleçasAlverca), bem como Regionais Lisboa(Entrecampos-Poente)-Caldas da Rainha e comboios de mercadorias no segmento Cacém-Campolide.

[editar] História

[editar] Primeiros projectos e o sistema Larmanjat

A primeira proposta para a instalação de uma ligação ferroviária até Sintra foi um projecto, apresentado pelo Conde Claranges Lucotte; este caminho de ferro teria o seu início no Forte de São Paulo, em Lisboa, passava pelo Vale de Algés, e terminaria na localidade de Sintra, com dois ramais, para Colares e Cascais.[1] O respectivo contrato foi assinado em 30 de Setembro de 1854 e aprovado por uma lei de 26 de Julho do ano seguinte; no entanto, e apesar de já terem sido efectuados alguns trabalhos, surgiram várias dificuldades, que levaram à rescisão do contrato, em 27 de Março de 1861.[1] Em 25 de Outubro de 1869, o governo autorizou o Duque de Saldanha a construir uma ligação ferroviária sobre a estrada, em sistema Larmanjat, para ligar as localidades de Lumiar, Torres Vedras, Caldas da Rainha e Alcobaça; o contrato foi expandido até Sintra e Cascais em 1871, mas vários problemas provocaram o encerramento deste caminho de ferro, em 1877.[1]

Em Janeiro de 1880, foi debatido, no parlamento, um contrato, assinado no mesmo mês com a Companhia Real dos Caminhos de Ferro Portugueses, para a construção de uma linha entre a Estação de Santa Apolónia e Pombal, passando pelo Vale de Chelas e pelas localidades de Torres Vedras, Caldas da Rainha, São Martinho e Marinha Grande; o governo apoiaria este projecto, com uma garantia de juro de 6% sobre a exploração.[1] No entanto, esta proposta foi cancelada devido à queda do governo, pelo que a Companhia apresentou um novo plano ao parlamento, que consistia em dois grupos de linhas; o primeiro agrupamento era composto por uma ligação entre Alcântara e Torres Vedras, com ramais para Sintra e Merceana, enquanto que o segundo grupo continuava a linha até à Figueira da Foz e Alfarelos.[1]

[editar] Construção e inauguração

Obras de construção da Estação do Rossio, em 1886.

O governo estipulou que a construção do primeiro grupo de linhas seria contratado com a empresa Henry Burnay & Co., enquanto que as restantes ligações ficariam a cargo da Companhia Real; no entanto, esta discordou da decisão, e, em 9 de Maio de 1883, chegou a acordo com a casa Burnay, para assumir a construção do primeiro grupo, tendo o respectivo trespasse sido oficialmente pedido em em 15 de Maio de 1885, e autorizado por um despacho ministerial de 28 de Julho, com uma garantia de juro de 5%.[1]

A construção fez-se a bom ritmo, respeitando os trâmites administrativos firmados com o governo, tendo a ligação entre as Estações de Alcântara-Terra e Sintra sido estabelecida em 2 de Abril de 1887; a via entre Campolide e o Cacém foi duplicada em 1895.[1]

Linha de Sintra, no local do extinto apeadeiro da Cruz da Pedra (ao PK 4,2).

Um alvará, publicado em 7 de Julho de 1886, concedeu à Companhia Real o direito para construir uma linha férrea entre a Linha do Leste, em Xabregas, à Linha do Oeste, em Benfica; outro alvará, de 9 de Abril do ano seguinte, autorizou a Companhia Real a construir e explorar uma linha de cariz urbano, em via dupla, que ligasse a Linha do Oeste a uma interface no centro de Lisboa, para passageiros e mercadorias.[1] Um terceiro alvará, datado de de 23 de Julho, autorizou a Companhia a construir dois ramais na futura Linha de Cintura, de forma a ligar à Estação Central de Lisboa (posteriormente Estação do Rossio).[1] Os estudos geológicos para o túnel foram efectuados pelo professor Paul Choffat, e, em Abril de 1889, o túnel estava completamente perfurado, e a Estação Central já se encontrava construída; a primeira composição atravessou o túnel em Maio de 1889, mas só em Maio de 1891 é que foi efectuada a inauguração oficial, e, em Junho seguinte, deu-se a abertura à exploração.[1]

[editar] Duplicação

A via foi duplicada no troço entre Mercês e Cacém em 17 de Outubro de 1948, e desta estação até Sintra em 20 de Janeiro de 1949.[3]

[editar] Electrificação e modernização

Estação de Sintra, término da linha.
CP-USGL + Soflusa + Fertagus

(Serviços ferroviários suburbanos de passageiros na Grande Lisboa)
Serviços: BSicon uBHFq.svg Sado (CP+Soflusa)BSicon BHFq green.svg Sintra (CP)
BSicon uexBHFq.svg FertagusBSicon BHFq.svg Azambuja (CP)BSicon BHFq yellow.svg Cascais (CP)


(n) Azambuja 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "c" Head station Unknown route-map component "c" Urban head station
 Praias do Sado-A (u)
(n) Espadanal da Azambuja 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "c" Station on track Unknown route-map component "c" Urban station on track
 Pç. do Quebedo (u)
(n) Vila Nova da Rainha 
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 Setúbal (u)
(n) Carregado 
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 Palmela (u)
(n) Castanheira do Ribatejo 
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 Venda do Alcaide (u)
(n) Vila Franca de Xira 
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 Pinhal Novo (u)(a)
(n) Alhandra 
Unknown route-map component "vBHF" Urban station on track Unused straight waterway
 Penteado (a)
(n) Alverca 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "dKBHFLa_green" Unknown route-map component "vBHFl" Urban station on track Unused straight waterway
 Moita (a)
(n) Póvoa 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "dBHFL green" Unknown route-map component "vBHFl" Urban station on track Unused straight waterway
 Alhos Vedros (a)
(n) Santa Iria 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "dBHFL green" Unknown route-map component "vBHFl" Urban station on track Unused straight waterway
 Baixa da Banheira (a)
(n) Bobadela 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "dBHFL green" Unknown route-map component "vBHFl" Urban station on track Unused straight waterway
 Lavradio (a)
(n) Sacavém 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "dBHFL green" Unknown route-map component "vBHFl" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro-A (a)
(n) Moscavide 
Unknown route-map component "d" Unknown route-map component "dBHFL green" Unknown route-map component "vBHFl" Urban station on track Unused straight waterway
 Barreiro (a)
(n) Oriente 
Unknown route-map component "vKBHFa-BHFL_green" Unknown route-map component "vBHFl" Unknown route-map component "uTRAJEKT" Unused straight waterway
 (Soflusa)
(n)(z) Braço de Prata 
Unknown route-map component "vBHFL_green" Unknown route-map component "vBHFl" Urban End station Unused straight waterway
 Terreiro do Paço (a)
 
Unknown route-map component "vSTR green" Unknown route-map component "vSTRlf" Transverse terminus from right Unused straight waterway
 Santa Apolónia (n)
(z) Marvila 
Unknown route-map component "vSTR green" Station on track Unknown route-map component "uexBHF"
 Penalva (u)
(z) Chelas 
Unknown route-map component "vSTR green" Station on track Unknown route-map component "uexBHF"
 Coina (u)
 
Unknown route-map component "vSTR green" Track turning left Track turning from right Unknown route-map component "uexBHF"
 Fogueteiro (u)
(z) Roma - Areeiro 
Unknown route-map component "vBHFL_green" Unknown route-map component "uexKBHF-Ma" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Foros de Amora (u)
(z) Entrecampos 
Unknown route-map component "vBHFL_green" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Corroios (u)
(z) Sete Rios 
Unknown route-map component "vBHFL_green" Unknown route-map component "uexBHF-M" Unknown route-map component "BHF-R" Unknown route-map component "uexBHF"
 Pragal (u)
 
Unknown route-map component "vSTR green"
Unused waterway turning left + Unknown route-map component "vSTR+l-_green"
Unknown route-map component "STRq green" + Interchange on track
Unused waterway turning right + Unknown route-map component "STRlg green"
 Campolide (z)(u)*
(s) Benfica 
Unknown route-map component "vBHFL_green" Unknown route-map component "dBHFR_green" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "KBFe green"
 Rossio (s)
(s) Sta. Cruz / Damaia 
Unknown route-map component "vBHFL_green" Unknown route-map component "dBHFR_green" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "KBHFa yellow"
 Cais do Sodré (c)
(s) Reboleira 
Unknown route-map component "vBHFL_green" Unknown route-map component "dBHFR_green" Unknown route-map component "d" Straight track Unknown route-map component "BHF yellow"
 Santos (c)
**(z) Alcântara - Terra 
Unknown route-map component "vSTRel green"
Unknown route-map component "vSTRc3 green" + Unknown route-map component "vBS2+r green"
End station + Hub
Unknown route-map component "BHF yellow" + Hub
 Alcântara Mar (c)**
(s) Amadora 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "vBHFL green" Unknown route-map component "dBHFR_green" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Belém (c)
(s) Queluz - Belas 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "vBHFL green" Unknown route-map component "dBHFR_green" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Algés (c)
(s) Monte Abraão 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "vBHFL green" Unknown route-map component "dBHFR_green" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Cruz Quebrada (c)
(s) Massamá - Barcarena 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "vBHFL green" Unknown route-map component "dBHFR_green" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Caxias (c)
(s)(o) Cacém 
Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "vBHFL green" Unknown route-map component "dBHFR_green" Unknown route-map component "c" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Paço de Arcos (c)
(o) Mira Sintra - Meleças 
Unknown route-map component "KBHFe green" + Unknown route-map component "vSTRc1 green"
Unknown route-map component "vSTRal green" Unknown route-map component "BHF yellow"
 S. Amaro de Oeiras (c)
(s) Rio de Mouro 
Unknown route-map component "vBHF green" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Oeiras (c)
(s) Mercês 
Unknown route-map component "vBHF green" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Carcavelos (c)
(s) Algueirão 
Unknown route-map component "vBHF green" Unknown route-map component "BHF yellow"
 Parede (c)
(s) Portela de Sintra 
Unknown route-map component "vBHF green" Unknown route-map component "BHF yellow"
 S. Pedro (c)
(s) Sintra 
Unknown route-map component "vKBHFe green" Unknown route-map component "BHF yellow"
 S. João (c)
 
Unknown route-map component "BHF yellow"
 Estoril (c)
 
Unknown route-map component "BHF yellow"
 Monte Estoril (c)
 
Unknown route-map component "KBHFe yellow"
 Cascais (c)

Linhas: a L.ª Alentejoc L.ª Cascaisz L.ª Cintura
n L.ª Norteo L.ª Oestes L.ª Sintrau L.ª Sul
(*) vd. Campolide-A (**) vd. Pass. Sup. Alcântara

Fonte: Página oficial, 2012.01
(nomes das estações de acordo com a fonte)

Em Junho de 1991, a operadora Caminhos de Ferro Portugueses já tinha entregue, a um consórcio entre a Siemens e a empresa Sociedades Reunidas de Fabricações Metálicas, um contrato para o fabrico de material circulante, a ser utilizado nesta linha, estando prevista a sua entrega em meados de 1992; nessa altura, a Linha de Sintra apresentava-se como um dos eixos principais do tráfego ferroviário suburbano de Lisboa.[4] Esta encomenda circunscreveu-se num processo de beneficiação da Linha, no âmbito de um plano de modernização, que já se tinha iniciado em 1993, e cujo término estava previsto para 1997; além do material circulante, com a introdução das automotoras da Série 2300, este empreendimento também se debruçou sobre as infra-estruturas ferroviárias, como a quadruplicação da via entre as estações de Campolide e Cacém, introdução de novos sistemas de sinalização e de Controlo Automático de Velocidade, obras de remodelação nas Estações de Rossio, Amadora e Sintra, e a eliminação de uma passagem de nível.[2]

As sucessivas obras levaram ao encerramento de algumas estações e apeadeiros, como os da Cruz de Pedra e de Santa Cruz de Benfica, fechados no final da década de 1990. Nos últimos anos a linha tem sido alvo de modernizações, procedendo-se, actualmente, à quadruplicação da via entre as estações de Barcarena e Agualva-Cacém, e à modernização destas estações.

Em 17 de Maio de 1997, celebraram-se os 40 anos da electrificação desta Linha, tendo sido realizado um serviço especial até Sintra, efectuado por uma composição formada por uma locomotiva da Série 2500 e várias carruagens Schindler; a locomotiva foi substituída, na Estação de Agualva-Cacém, pela locomotiva número 14, a tracção a vapor, que continuou a viagem até Sintra. Após uma visita aos Elétricos da Praia das Maçãs, o regresso até à Estação Ferroviária de Lisboa-Santa Apolónia foi efectuado numa composição traccionada pela locomotiva a vapor 0187. A comitiva incluiu o então Presidente da República Portuguesa, Jorge Sampaio, e o Presidente da Câmara Municipal de Sintra.[5]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k TORRES, Carlos Manitto. (16 de Janeiro de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 70 (1682): 61, 62.
  2. a b BRAZÃO, Carlos. (1993). "Nuevas unidades eléctricas" (em Espanhol). Maquetren 2 (16): 28, 29. Madrid: Resistor, S. A..
  3. TORRES, Carlos Manitto. (16 de Março de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 71 (1686): 139.
  4. (Junho 1991) "Noticias" (em Espanhol). Carril (33): 50. Barcelona: Associació d'Amics del Ferrocarril-Barcelona.
  5. CORREIA, Filipe Luís. (1997). "40 Anos de la Electrificacion de Sintra (Portugal)" (em Espanhol). Maquetren 5 (57): 67. Madrid: Ed. España Desconocida.
O Commons possui uma categoria com multimídias sobre Linha de Sintra

[editar] Ligações externas


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