Linha do Corgo
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A Linha do Corgo é uma linha de caminho-de-ferro desactivada, que unia as localidades de Chaves e Régua, em Portugal; foi inaugurada em 1 de Abril de 1910, com a chegada do comboio a Vila Real, e concluída a 28 de Agosto de 1921, com a chegada a Chaves.1 O troço entre Vila Real e Chaves foi encerrado em 19902 , enquanto que a ligação entre a Régua e Vila Real foi desactivada para obras em 25 de Março de 20093 4 , sendo totalmente encerrada pela Rede Ferroviária Nacional em Julho de 2010.5 6
Índice |
Descrição [editar]
Material circulante [editar]
Em 1975, a operadora Caminhos de Ferro Portugueses empregou, nesta linha, locomotivas da Série 90007 , e, em 1982, da Série 9020.8
Via [editar]
Possui uma extensão de 71,400 Km, sendo totalmente em bitola métrica.9
Troço entre o Ribeiro de Varges e Vila Pouca de Aguiar [editar]
Segundo o plano aprovado em 1905, o lanço entre o Ribeiro de Varges e Vila Pouca media, exactamente, 14.076,40 m, sendo 3803,16 m em curva, com um desnível de apenas 73 m; este traçado apresentava-se muito menos sinuoso do que o primeiro da Linha do Corgo, tendo apenas 40 curvas, tendo 5 um raio de 80 m, e 14, de 100 m.10 A extensão das vias em patamar era de cerca de 5 Km, sendo 976,40 m em declive, e o traçado restante em rampas de reduzida inclinação, excepto três; uma situava-se imediatamente antes da estação de Vila Pouca, que media 25 milímetros em 580 m, outra tinha 20 mm por 580 m, e a terceira apresentava 19 mm em 560 m.10 Todas as outras rampas no troço detinham 2 a 10 mm de inclinação.10 Em termos de obras de arte, este troço incluía numerosos sifões e aquedutos, dois pontões, com 6 e 4 m de comprimento, e duas pontes metálicas, uma sobre a sobre a Ribeira de Tourencinho, e outra sobre o Rio Corgo.10 Depois de Vila Pouca, a linha segue o vale do Rio Avelâmes até à povoação de Pedras Salgadas.10
Troço entre Vila Pouca de Aguiar e Pedras Salgadas [editar]
Este lanço caracteriza-se como mais difícil do que o anterior; com efeito, para descer de Vila Pouca de Aguiar até às proximidades de Pedras Salgadas, a via tem de vencer 151,60 m em 7,200 km, o que corresponde a uma inclinação média de 22 mm.10 A via faz, logo a Norte da localidade de Vila Pouca, um lacete, de reduzidas dimensões, uma vez que as vertentes na margem do Rio Avelâmes não eram propícias para este traçado.10 Assim, o troço apresentava, segundo o plano aprovado em 1905, 63 curvas, totalizado 3037,77 m; 29 com cerca de 75 m de raio, 12 de 80 m, e 11 com 100 m.10 Entre as curvas de sentidos opostos, apenas foi necessário deixar, num ponto, um alinhamento de 21,28 m.10 O perfil da linha demonstrava três patamares, um de 340 m no extremo da estação de Pedras Salgadas, e dois com 160 m cada um; o traçado restante, com 6540 m de extensão, era em rampa, com inclinações entre os 22 e 23 mm, excepto um, de 16 mm em 260 m.10 Apenas num pequeno declive de 500 m é que foi necessário ultrapassar o limite de 25 mm de inclinação.10 Em termos de obras de arte, só foi preciso construir alguns aquedutos, e uma passagem inferior de 3 m; neste troço, só estava projectada uma estação, de 2.ª classe, em Pedras Salgadas, estando prevista a instalação de um apeadeiro ao PK 3,500, para servir as localidades de Vila Meã (freg. São Tomé do Castelo), Sampaio e Nuzedo.10
Obras de arte [editar]
Ponte de Tourencinho [editar]
Esta ponte, de construção metálica, apresenta 8 metros de comprimento, sendo constituída por uma viga de alma cheia, sobre encontros de alvenaria.10
Ponte do Corgo [editar]
Esta obra de arte atravessa o Rio Corgo junto a Vila Pouca de Aguiar; o tabuleiro tem cerca de 20 metros de comprimento e 2 metros de altura, e apresenta-se como sendo de rótula, com o tabuleiro inferior em vale muito aberto.10 As avenidas têm, cada uma, 15 m de comprimento.10
Ponte do Corgo (Linha do Douro) [editar]
Esta ponte insere-se no troço entre as Estações de Régua e Pinhão da Linha do Douro, que foi inaugurado a 1 de Junho de 1880.11
História [editar]
Esta linha foi planeada desde o Século XIX, como forma de ligar as estâncias termais de Vidago e Pedras Salgadas, e as importantes localidades de Vila Pouca de Aguiar, Vila Real e Chaves à Linha do Douro.1 12
Depois de várias tentativas e concursos infrutíferos1 12 , o governo decidiu construir esta linha por sua conta, através da operadora estatal Caminhos de Ferro do Estado.13 As obras iniciaram-se em 190314 , tendo o primeiro troço, de Régua a Vila Real, sido inaugurado em 12 de Maio de 1906.1 15
A linha chegou às Pedras Salgadas em 15 de Julho de 1907, a Vidago a 20 de Março de 1910, a Tâmega em 20 de Junho de 1919, e a Chaves em 28 de Agosto de 1921.1
Em 1990, foi encerrado o troço entre Chaves e Vila Real.2 ; o resto da Linha, entre Vila Real e Régua, ficou sem serviços, por motivos de obras, em 25 de Março de 20093 4 , tendo sido definitivamente suprimida nos finais de 2011.16 Os serviços de autocarros, que tinham sido criados para substituir os comboios nesta linha, terminaram no dia 1 de Janeiro de 2012.17 18
Movimento Cívico pela Linha do Corgo [editar]
O Movimento Cívico pela Linha do Corgo, ou simplesmente MCLC, é um grupo de cidadãos que pretende promover e divulgar a Linha do Corgo tanto na região onde esta se insere como fora desta, através da informação sobre as condições da via, sua história e necessidades da população por ela servida.
Acompanhando as várias notícias sobre a Linha do Corgo, e reivindicando e apresentando soluções aos autarcas dos vales do Corgo e do Alto Tâmega, promoveu já uma concentração na estação de Vila Real pela reabertura tanto do troço Régua - Vila Real como do restante troço até Chaves, que contou com a presença de cerca de cem populares da região, servidos pela Linha do Corgo, incluindo ex-ferroviários e ferroviários no activo.
Ver também [editar]
Referências
- ↑ a b c d e TORRES, Carlos Manitto. (16 de Fevereiro de 1958). "A evolução das linhas portuguesas e o seu significado ferroviário". Gazeta dos Caminhos de Ferro 70 (1684): 93, 94.
- ↑ a b CARDOSO, José António (27 de Dezembro de 2010). Linha do Corgo parada e sem obras vítima da crise. Diário de Notícias. Página visitada em 5 de Outubro de 2012.
- ↑ a b CARDOSO, Almeida (3 de Abril de 2011). Exigem regresso dos comboios. Correio da Manhã. Página visitada em 2 de Outubro de 2012.
- ↑ a b LUZIO, Margarida (25 de Março de 2009). Falta de segurança fecha Linha do Corgo. Jornal de Notícias. Página visitada em 24 de Julho de 2010.
- ↑ CIPRIANO, Carlos (8 de Julho de 2010). Refer trava a fundo e reduz investimento de 800 para apenas 200 milhões de euros. Jornal Público. Página visitada em 24 de Julho de 2010.
- ↑ Antigo ferroviário oferece-se para recolocar os carris na Linha do Corgo. Jornal de Notícias (30 de Outubro de 2011). Página visitada em 2 de Outubro de 2012.
- ↑ (1996) "El Ferrocarril del Tajuña" (em Espanhol). Maquetren 5 (42): 15, 18.
- ↑ (Setembro de 1982) "FEVE 1600" (em Espanhol). Carril (1): 16. Barcelona: Associació d'Amics del Ferrocarril-Barcelona.
- ↑ (11 de Dezembro de 2005) "Instrução de Exploração Técnica n.º 50": 17. Rede Ferroviária Nacional e Instituto Nacional do Transporte Ferroviário.
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o SOUSA, José Fernando de. (16 de Setembro de 1905). "A linha da Regoa a Chaves". Gazeta dos Caminhos de Ferro 18 (426): 273, 275.
- ↑ Cronologia. Comboios de Portugal. Página visitada em 8 de Dezembro de 2011.
- ↑ a b SOUSA, José Fernando de. (1 de Março de 1903). "A linha da Régua a Chaves e à fronteira". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (365): 65, 67.
- ↑ (16 de Março de 1903) "Parte Official". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (366): 84.
- ↑ (1 de Setembro de 1903) "Linhas Portuguezas". Gazeta dos Caminhos de Ferro 16 (377): 304.
- ↑ Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006, p. 12
- ↑ Governo encerra 300 quilómetros de linha ferroviária. Diário de Notícias (29 de Dezembro de 2011). Página visitada em 5 de Outubro de 2012.
- ↑ MADEIRA, Paulo Miguel (17 de Dezembro de 2011). CP encerra linhas do Leste e Beja-Funcheira a 1 de Janeiro. Público. Página visitada em 5 de Outubro de 2012.
- ↑ CP suprime transporte rodoviário alternativo nas Linhas do Corgo e Tâmega. Público (16 de Dezembro de 2011). Página visitada em 5 de Outubro de 2012.
Bibliografia [editar]
- Os Caminhos de Ferro Portugueses 1856-2006. [S.l.]: Público-Comunicação Social S. A. e CP-Comboios de Portugal, 2006. 238 p. ISBN 989-619-078-X
Ligações externas [editar]
- Revista de Imprensa sobre a Linha do Corgo, no sítio electrónico O Comboio
- Página oficial do Movimento Civico Pela Linha do Corgo
- Galeria de fotografias da Linha do Corgo, no sítio electrónico Transportes XXI
- Página oficial da operadora Rede Ferroviária Nacional