Bitola estreita
Bitola estreita é a denominação que se dá às ferrovias cuja bitola é menor que 1.435 mm, distância interna entre trilhos da bitola padrão.
A maior parte das ferrovias de bitola estreita têm bitolas entre 600 mm a 1.067 mm. Uma dessas bitolas estreitas, a métrica, é utilizada em 23.489 km de trilhos do sistema ferroviário brasileiro.
Em Portugal, vias férreas com tal denominação constituem a Via estreita.
Índice |
Tipos mais comuns de bitola estreita [editar]
| Bitola dos trilhos | Nome comum | Observações |
|---|---|---|
| 1.067 mm | Bitola japonesa | em uso no Japão e Austrália |
| 1 m | Bitola métrica | maior parte das ferrovias brasileiras |
| 60 cm | Decauville | há trilhos com bitola menor, 40 cm |
Vantagens da bitola estreita [editar]
Ferrovias de bitola estreita são normalmente construídas com curvas de raio menor. Além disso, exigem pontes e túneis com menor gabarito estrutural.
Com tais informações podemos inferir que ferrovias de bitola estreita podem ser substancialmente mais baratas para construir, equipar e operar do que a bitola padrão ou mesmo ferrovias de bitola larga, principalmente em terrenos montanhosos e de difícil acesso.
Desvantagens da bitola estreita [editar]
As ferrovias de bitola padrão ou mesmo as de bitola larga, geralmente possuem maior capacidade no transporte de cargas e permitem velocidades maiores do que os sistemas de bitola estreita.
Não possuir espaço físico para crescer é um grave problema para as vias férreas de bitola estreita: como são construídas com menores recursos financeiros, elas são concebidas apenas para a demanda inicial do tráfego.
Uma ferrovia com bitola padrão ou larga pode ser mais facilmente atualizada para lidar com cargas mais pesadas e um tráfego mais rápido. Com isso, a melhoria de muitas ferrovias de bitola estreita é impraticável: velocidade e carga transportada não podem crescer, então a densidade do tráfego na bitola estreita é significativamente limitada.
Algumas raras ferrovias com bitola estreita podem ser construídas para lidar com aumento de velocidade e de carga, mas aí perdem a vantagem do custo menor com relação à bitola padrão ou larga.
Ferrovias a destacar [editar]
Os veículos de carga das ferrovias de bitola estreita na Austrália, África do Sul e Nova Zelândia mostraram que, se a pista é construída para dedicar-se ao transportes de cargas pesadas, é possível obter um desempenho quase tão bom quanto uma linha de bitola padrão. Trens com 200 vagões percorrem a linha férrea sul-africana Sishen-Saldanha freqüentemente, assim como alguns desenvolvem boas velocidades na região acidentada de Queensland, Austrália.
Outro exemplo de bons serviços é a Estrada de Ferro Vitória a Minas, uma ferrovia brasileira construída em bitola métrica e que possui trilhos com perfil de apenas 50 kg/m, onde o gabarito estrutural da ferrovia consegue aproximar-se de algumas linhas férreas de baixa velocidade dos EUA dado o uso de locomotivas com 4.000 cv (3.000 kW) e composições com mais de 200 vagões.
Na África do Sul e Nova Zelândia, o gabarito estrutural das ferrovias consegue ser semelhante ao britânico restrita, e na Nova Zelândia algumas composições British Rail Mark 2 foram reconstruídas com truques ferroviários novos para serem utilizadas pela Tranz Scenic (serve a linha Wellington-Palmerston North), Tranz Metro (linha Wellington-Masterton) e Veolia (subúrbio de Auckland).
História das primeiras ferrovias com bitola estreita [editar]
Os primeiros registros de trens com bitola estreita foram retratados por Georgius Agricola no trabalho de 1556, De re metallica. Ela mostrava uma mina na Boêmia, com uma estrada de ferro com bitola de 2 pés, aproximadamente. Durante o século 16 as ferrovias foram restritas à bitola estreita e movidas com o trabalho braçal da mineração, principal uso delas no continente europeu.
Durante o século 17, as estradas de ferro tiveram o uso ampliado para prestar diversos serviços de transporte acima do solo. Tais linhas férreas serviam a indústria, ao ligar as minas com os meios de transporte de carga mais populares nas proximidades, como as hidrovias e portos. Essas ferrovias foram construídas geralmente com a mesma bitola estreita que as estradas de ferro das minas. Muitas ferrovias de bitola estreita foram construídas como parte de determinadas empresas industriais e eram principalmente ferrovias industriais ao invés de realizar transporte de pessoas. Alguns usos comuns para as pioneiras ferrovias industriais de bitola estreita foram a já citada mineração, além da exploração madeireira, construção civil, túneis, pedreiras e o transporte de produtos agrícolas. Vias férreas com bitola estreita foram construídas em muitas partes do mundo para esses fins.
As operações de exploração das montanhas no século 19, utilizavam linhas férreas de bitola estreita para o transporte de distantes toras de madeira para o mercado. Ferrovias importantes para o transporte da cana-de-açúcar ainda operam em Cuba, Fiji, Java, Filipinas e em Queensland, Austrália. Indiferente ao predomínio da bitola padrão, equipamentos de bitola estreita ainda continuam a ser de uso comum para a construção de túneis.
Enormes sistemas ferroviários de bitola estreita já serviram a linha de trincheiras da frente de ambos os lados na Primeira Guerra Mundial. Após o término da guerra, um pequeno boom de construção ferroviária em bitola estreita desenvolveu-se na Europa a partir do excedente desses equipamentos.
Ver também [editar]
- Bitola larga
- Bitola mista
- Bitola padrão
- Conversão de bitola
- Gabarito estrutural
- Ruptura de bitola
- Via estreita