Filipinas

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Repúbliká ng̃ Pilipinas
Republic of the Philippines
República das Filipinas
Bandeira das Filipinas
Brasão de armas das Filipinas
Bandeira Brasão de armas
Lema: "Maka-Diyos, Maka-Tao,
Makakalikasan at Makabansa" (fi)

("Por Deus, Pelo Povo, Pela Natureza e Pelo País")

Hino nacional: "Lupang Hinirang" ("Terra Escolhida")
Gentílico: filipino(a)[1]

Localização  República das Filipinas

Capital Manila
14° 35' N 121° E
Cidade mais populosa Cidade Quezon
Língua oficial Filipino e inglês
Outros 19 idiomas regionais são reconhecidos
Governo República presidencialista
 - Presidente Noynoy Aquino
 - Vice-presidente Jejomar Binay
 - Presidente do Senado Franklin Drilon
 - Presidente da Câmara dos Representantes Feliciano Belmonte, Jr.
 - Presidente do Supremo Tribunal de Justiça Maria Lourdes Sereno
Independência da Espanha e dos Estados Unidos 
 - Declarada 12 de junho de 1898 
 - Reconhecida 4 de julho de 1946 
 - Constituição atual 2 de fevereiro de 1987 
Área  
 - Total 300.000 km² (71.º)
 - Água (%) 0,6
 Fronteira fronteira marítima com Taiwan (N), Palau (SE), Indonésia (S), e Malásia (SW)
População  
 - Estimativa de 2014 100.202.500 hab. (12.º)
 - Censo 2009 91,983,000 hab. 
 - Densidade 292 hab./km² (27.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2013
 - Total US$ 272.018 bilhões (40.º)
 - Per capita US$ 2,790 (124.º)
IDH (2013) 0,660 (117.º) – médio[2]
Gini (2006) 43[3]
Moeda Peso filipino (PHP)
Fuso horário (UTC+8)
 - Verão (DST) não observado (UTC+8)
Clima Tropical úmido
Org. internacionais ONU, OMC, MNA, ASEAN, União Latina, G20 (países em desenvolvimento)
Cód. ISO PHL
Cód. Internet .ph
Cód. telef. +63
Website governamental http://www.gov.ph/

Mapa  República das Filipinas

As Filipinas, oficialmente República das Filipinas (Filipino: Repúbliká ng̃ Pilipinas), são um vasto arquipélago da Insulíndia delimitado pelo Mar das Filipinas a leste, Mar de Celebes e Mar de Sulu a sul e Mar da China Meridional a oeste. O Estreito de Luzon, a norte, separa as Filipinas de Taiwan, o Estreito de Balabac, a sudoeste, é uma das fronteiras marítimas com a Malásia, e há também fronteira marítima com a Indonésia, a sul, através do Mar de Celebes, e com o Vietname, através do Mar da China Meridional. Também Palau se situa nas imediações, para sudeste. A sua capital é Manila, enquanto sua cidade mais populosa é Cidade Quezon, ambas fazendo parte da Grande Manila. O país é composto por 7.107 ilhas, que são categorizadas amplamente em três principais divisões geográficas: Luzon, Visayas e Mindanau. A sua localização, no Círculo de fogo do Pacífico, próximo da Linha do equador, faz as Filipinas propensa a terremotos e tufões, mas também dota-lo com recursos naturais abundantes e alguns dos maiores do mundo, colocando-o entre os países megadiversos. Com aproximadamente 300.000 km², as Filipinas são o 72º maior país do mundo.

Com uma população de quase 100 milhões de habitantes, as Filipinas são o sétimo país mais populoso da Ásia e o 12º mais populoso do mundo. Um adicional de 12 milhões de filipinos vivem no exterior, o que representa uma das maiores diásporas do mundo. Várias etnias e culturas se encontram em todo o arquipélago. Em tempos pré-históricos, os negritos foram alguns dos primeiros habitantes do arquipélago. Eles foram seguidos por ondas sucessivas de povos austronésios. Vários reinos e nações foram estabelecidos no território, governados pro datus, rajás, sultões ou lakans. O comércio com a China, com povos malaios, indianos e islâmicos também passou a ocorrer.

A chegada de Fernão de Magalhães, em 1521, marcou o início da colonização espanhola. Em 1543, o explorador espanhol Ruy López de Villalobos deu ao arquipélago o nome de Las Islas Filipinas, em honra de Filipe II de Espanha. Com a chegada de Miguel López de Legazpi, em 1565, o primeiro assentamento espanhol no arquipélago foi estabelecido, e as Filipinas se tornou parte do Império Espanhol por mais de 300 anos. Isso resultou na propagação do catolicismo romano, que se tornou a religião predominante no país. Durante este tempo, Manila se tornou o centro asiático do Galeão de Manila, que partia desta com destino a Acapulco, no México, consolidando a frota da prata. No fim do século XIX, ocorreu a Revolução Filipina, resultando na Primeira República do país. Contudo, a Espanha não reconheceu a independência filipina e cedeu o território aos Estados Unidos. A Guerra Filipino-Americana eclodiu pouco tempo depois, seguida por um breve período de ocupação japonesa, durante a Segunda Guerra Mundial. A soberania das Filipinas só foi reconhecida em 4 de julho de 1946, pelos Estados Unidos.

O grande tamanho da população do país e o potencial econômico a levaram a ser classificada como uma das potências regionais do Sudeste Asiático. Entretanto, o país ainda enfrenta notáveis problemas sociais, além de baixo PIB per capita e alta dívida pública. É um membro fundador da Organização das Nações Unidas (ONU), Organização Mundial do Comércio (OMC), Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e Cúpula do Leste Asiático (CLA).

História[editar | editar código-fonte]

Muitos historiadores acreditam que as Filipinas foram colonizadas no Paleolítico, quando um povo asiático atravessou por meio de embarcações de madeira o caminho que leva à região. Descobertas mais recentes parecem indicar que as ilhas podem ter sido habitadas desde a era pleistocênica.

A primeira grande corrente migratória chegou a essa região através do sul. Acredita-se que esses imigrantes eram de origem indonésio-caucasiana, possuindo um grau de civilização mais adiantado que as tribos nativas. Posteriormente ocorreram mais duas grandes correntes migratórias. Cada nova corrente sucessivamente impeliu os habitantes originais a procurarem terra ao norte.

A corrente migratória seguinte, cujo apogeu foi no século XIV, veio do reino madjapahit e trouxe consigo a religião muçulmana.

Fernão de Magalhães, um navegador português a serviço do Rei de Espanha, durante a primeira viagem de circum-navegação, descobriu as ilhas em 1521. Ele procurava uma rota alternativa para comercializar especiarias, e chamou a região de San Lázaro. Ao chegar na Ilha de Cebu, convenceu o chefe local Humabon e outros 800 nativos a se converter ao catolicismo, posteriormente tentou a mesma ação na Ilha Mactan, liderada por Lapu-Lapu, onde faleceu em 21 de abril. No arquipélago, seus nativos possuíam uma religiosidade na qual seus deuses eram associados à natureza. O catolicismo empregado sofria concessões, ou seja, ajustes de acordo com a cultura local, facilitando assim o domínio e aceitação desta religião naquele local. Um exemplo é o fato de muitos nativos considerarem a sexta-feira um mau-presságio e os pescadores faziam oferendas aos deuses com multilações; sob o catolicismo as oferendas passaram a serem feitas na sexta-feira santa.[4]

Em 1543, uma expedição de colonização, liderada por Ruy López de Villalobos, renomeou duas ilhas (Leyete e Samar) para Filipinas, em homenagem ao rei Filipe II. Este nome passou a ser usado para o arquipélago todo.[4] Os espanhóis estabeleceram sua capital em Manila a partir de 1571, garantindo seu domínio por mais de trezentos anos.

As Filipinas foram um importante entreposto comercial espanhol na Ásia, especialmente pelo comércio de tecidos e especiarias. No século XVII, os espanhóis construíram várias escolas, uma delas foi a Universidade de Santo Tomás (1611). O fim da rota comercial se deu em 1815, quando a Espanha ficou enfraquecida com a seguida perda do México e a guerra com os Estados Unidos.[4]

Durante o século XVIII, a região foi atacada por piratas chineses e havia a preocupação com a ocupação por colonizadores holandeses, portugueses e ingleses; tendo entre 1762 e 1764 a capital sido dominada pelos britânicos.

O herói nacional das Filipinas, o linguista, escritor, artista, médico e cientista José Rizal iniciou um movimento de reforma. Ao mesmo tempo, uma sociedade secreta chamada Katipunan, chefiada por Andrés Bonifácio, começou a revolução, dando aos espanhóis a desculpa que precisavam para executar Rizal, que se encontrava em exílio em Dapitan, Mindanao (sul do país). Ele foi trazido a Manila para julgamento e condenado à morte, embora não se tenha prova de sua participação na revolta.

Sua morte, porém, estimulou ainda mais essa revolução, levando o General Emílio Aguinaldo a declarar no dia 12 de Junho de 1898 a independência do país e proclamar a primeira República das Filipinas.

Apesar de uma resistência com os moradores, as Filipinas acabaram sob domínio estadunidense, sendo explorado o comércio e mantidos centros educacionais sustentados por protestantes. Os novos ocupantes com o tempo passaram a serem bem recebidos. Mesmo assim, o catolicismo predominou. Em 4 de julho de 1946, a Independência do arquipélago foi reconhecida pelos EUA, apesar da influência ter se mantido: os filipinos lutaram a favor dos americanos nas guerras da Coreia e do Vietnã e a predominância da língua inglesa (tendo significativa presença da língua espanhola e outras nativas).[4]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O Monte Apo, a montanha mais alta das Filipinas.

As Filipinas são um arquipélago de 7107 ilhas com uma área terrestre total de cerca de 300 mil km², localizadas entre as longitudes 116° 40' e 126° 34' E e as latitudes 4° 40' e 21° 10' N, entre Taiwan, a norte, o Mar das Filipinas a leste, o Mar de Celebes, a sul e o Mar da China Meridional a oeste. As ilhas costumam ser divididas em três grupos: Luzon, a norte, Visayas, no centro e Mindanao, no Sul. O movimentado porto de Manila, em Luzon (a maior ilha), é a capital do país e a sua segunda maior cidade, depois de Cidade Quezon.

O clima é quente, húmido e tropical. A temperatura média anual ronda os 26,5 °C. Os filipinos costumam falar de três estações: o Tag-init ou Tag-araw (a estação quente, ou verão, que dura de Março a Maio), o Tag-ulan (a estação chuvosa entre Junho e Novembro) e o Tag-lamig (a estação fria, de Dezembro a Fevereiro).

A maior parte das acidentadas ilhas estava originalmente coberta por florestas húmidas. A origem das ilhas é vulcânica. O ponto mais elevado é o monte Apo em Mindanao, com 2954 m. Muitos dos vulcões do país, como o Pinatubo, estão activos. O país está também integrado na região de tufões do Pacífico ocidental e é atingido por uma média de 19 tufões por ano. Grande parte das ilhas encontra-se numa placa tectónica encravada entre as placas Euroasiática e do Pacífico - a Placa das Filipinas.

Demografia[editar | editar código-fonte]


Religião[editar | editar código-fonte]

Igreja em Quiapo, Filipinas.

As Filipinas são um dos dois países da Ásia de predominância cristã, sendo o outro Timor-Leste (ambos de maioria católica): mais de 90% da população é cristã. Cerca de 80% são fiéis da Igreja Católica Romana, enquanto os 10% restantes aderem a outras denominações cristãs, como a Igreja Filipina Independente, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, Igreja Adventista do Sétimo Dia, Membros da Igreja de Deus International, Igreja Unida de Cristo e da Igreja Ortodoxa. A divisão eclesiástica do país compreende várias dioceses e arquidioceses.

Entre 5% a 10% da população são muçulmanos, a maioria dos quais vive em Mindanao, Palawan e do arquipélago de Sulu, uma área conhecida como Bangsamoro ou da região Moro. Alguns migraram para zonas urbanas e rurais em diferentes partes do país. A maioria dos muçulmanos filipinos pratica uma forma de islamismo sunita, enquanto outros grupos tribais, como o Bajau, praticam uma forma mista com animismo.

Política[editar | editar código-fonte]

Benigno Aquino III, atual presidente das Filipinas.

Símbolos nacionais[editar | editar código-fonte]

Bandeira[editar | editar código-fonte]

A bandeira nacional das Filipinas, é composta de três partes: um triângulo equilátero branco à esquerda com duas faixas horizontais, a azul simbolizando nobreza, e o vermelho simbolizando coragem. Os oito raios amarelos do sol filipino no centro do triângulo branco representam as oito províncias que primeiro se rebelaram contra o domínio espanhol, sugerindo assim o início de uma nova era. As três estrelas douradas nos cantos do triângulo indicam os três principais grupos de ilhas do país: Luzon, Visayas e Mindanao.

Brasão de armas[editar | editar código-fonte]

O brasão de armas das Filipinas é composto por um Sol com oito raios que representam as oito províncias (Batangas, Bulacan, Cavite, Manila, Laguna, Nueva Ecija, Pampanga e Tarlac), que foram colocados sob lei marcial pelo Governador-General Ramón Blanco durante a Revolução Filipina, e três das cinco estrelas representam as três regiões geográficas primárias de Luzon, Visayas e Mindanao. Em campo azul no lado esquerdo encontra-se a águia dos Estados Unidos, e no campo vermelho à direita, o Leão-Rampante de Espanha, ambos representando a história colonial. O design é muito semelhante ao desenho aprovado pela Commonwealth das Filipinas em 1940.

Hino nacional[editar | editar código-fonte]

Lupang Hinirang é o hino nacional das Filipinas. Começou por ser uma marcha instrumental encomendada pelo presidente filipino de então, Emilio Aguinaldo, a Julian Felipe, para ser usada na proclamação da independência do país a 12 de Junho de 1898. O título da marcha era inicialmente Marcha Filipina Magdalo. Mais tarde, aquando da sua adopção como marcha nacional, o título foi mudado para Marcha Nacional Filipina. E então, em Agosto de 1899, um jovem poeta-soldado chamado Jose Palma escreveu o poema Filipinas em espanhol. Esse poema passou a ser a letra do hino nacional.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

As províncias e regiões das Filipinas.

As Filipinas estão organizadas numa hierarquia de unidades de governo local, em que a província é a unidade primária. As províncias subdividem-se em cidades e municípios que, por sua vez, se compõem de "barangays", que são as menores unidades de governo. Em 2002, havia 79 províncias.

As províncias encontram-se agrupadas em 17 regiões administrativas, onde os diversos ministérios estabelecem escritórios regionais, mas não têm um governo local separado, com exceção da Região Autónoma Muçulmana de Mindanau (Autonomous Region in Muslim Mindanao ou ARMM) e Cordillera.

Por sua vez, várias regiões são juntas em grupos de ilhas:

  • Luzon (Regiões I a V + RCN + RAC)
  • Visayas (Regiões VI a VIII) e
  • Mindanao (Regiões IX a XIII + RAMM)

Economia[editar | editar código-fonte]

Filipinas faz parte do tratado internacional chamado APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.

É considerado um país em desenvolvimento. Seu PIB ocupa o 118º lugar entre 178 países. Uma das principais atividades econômicas é a industrialização de alimentos. Sua produção agrícola consiste principalmente de copra, milho, cânhamo, arroz, cana-de-açúcar e tabaco. Possuía também quantidades razoáveis de minérios de cromo, cobre, ouro, ferro, chumbo, manganês e prata.

A economia do país sofreu com a crise asiática de 1998. O crescimento anual caiu de 5% em 1997 para 0,6% no ano seguinte, porém recuperou-se em 1999 com 3%, passando para 4% em 2000 e mais de 6% em 2004. O governo prometeu prosseguir com reformas que auxiliassem na continuidade do ritmo de crescimento em relação aos demais países da Ásia. A elevada dívida pública (equivalente a 77% do PIB) mina os esforços de diversificação da economia.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Feriados
Data Nome em português Nome local Observações

Referências

  1. Portal da Língua Portuguesa, Dicionário de Gentílicos e Topónimos das Filipinas
  2. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Página visitada em 2 de agosto de 2014.
  3. CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini (em inglês)
  4. a b c d Cordeiro, Tiago. (Junho 2013). "Católicos no Coração da Ásia". Aventuras na História (119): 50-55. São Paulo: Editora Abril.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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