Exército do Iraque

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Exército do Iraque
Iraqi Ground Forces Emblem.svg
País  Iraque
Corporação Coat of arms (emblem) of Iraq 2008.svg Forças Armadas Iraquianas
Criação 1921
Aniversários 6 de janeiro[1]
História
Guerras/batalhas Guerra Anglo-Iraquiana
Guerra Árabe-Israelense de 1948
Guerra dos Seis Dias
Guerra do Yom Kippur
Guerra Irã-Iraque
Guerra do Golfo
Guerra do Iraque
Logística
Efetivo 271 000 (est. 2014)
Comando
Comandante do Exército Tenente-general Ali Ghaidan Majid[2]

O Exército do Iraque é o componente terrestre das Forças Armadas do Iraque, ativos em diversas formas desde sua formação, pelos britânicos, durante o seu mandato no país após a Primeira Guerra Mundial.

Atualmente, tem a função de assumir a responsabilidade por todas as operações terrestres no Iraque, depois da invasão do país, em 2003. O exército foi reconstruído de acordo com a doutrina do exército americano, e recebe uma enorme quantidade de assistência daquele país, em todos os níveis. Devido à atuação da insurgência iraquiana, desde 2006 o exército iraquiano foi designado como uma força de contra-insurgência por um período de tempo indeterminado, até que a força desta insurgência seja reduzida a um nível que possa ser combatido pela polícia local.[3] Após este ponto, o exército passará por um plano de modernização que inclui a compra de mais equipamentos pesados.

História[editar | editar código-fonte]

A ameaça de guerra com a recém-formada República da Turquia, que havia anexado o vilaiete otomano de Mosul como parte de seu país, levaram os britânicos a formar o Exército do Iraque em 6 de janeiro de 1921. A Brigada Mussa Al-Kadhum, composta por ex-oficiais iraquianos-otomanos, cujos quartéis localizavam-se em Al Kazemiyah.[4] O Reino Unido deu apoio e formação para o Exército e a Força Aérea iraquiana através de uma pequena missão militar com base em Bagdá.[5]

Exército Real Iraquiano[editar | editar código-fonte]

Coroação do Príncipe Faiçal como o Rei do Iraque.

De 1533 a 1918, o Iraque estava sob o domínio do Império Otomano, e lutou como parte das forças armadas do Império Otomano. Depois de 1917, o Reino Unido assumiu o controle do país. As primeiras forças militares iraquianas estabelecidas pelos britânicos foram as imposições do Iraque, vários batalhões de soldados encarregados de proteger as bases da Força Aérea Real (RAF), quando o Iraque era controlado pelos britânicos.

Em agosto de 1921, o rei Hachemita Faiçal I estabelecido pelos britânicos, era o governante cliente do Mandato Britânico do Iraque. Faiçal tinha sido forçado a sair como o rei da Síria pelos franceses. Da mesma forma, as autoridades britânicas selecionaram elites árabes sunitas da região para as nomeações do governo e dos ministérios no Iraque. Os britânicos e os iraquianos formalizaram a relação entre as duas nações com o Tratado Anglo-Iraquiano de 1922. Com a ascensão de Faiçal ao trono, o exército iraquiano tornou-se o Exército Real do Iraque (ERI).

Em 1922, o exército totalizava um efetivo de 3.618 homens. Isso foi bem abaixo do 6.000 homens solicitados pela monarquia iraquiana e até mesmo inferior ao limite de 4.500, estabelecido pelos britânicos. Os salários desestimulantes dificultavam os esforços de recrutamento precoce.

Em 1924, o seu efetivo era de 5.772 homens e, no ano seguinte, tinha aumentado ainda mais para chegar a 7.500 homens. Era previsto para ficar com 7.500 homens até 1933. A força estava até então com seis batalhões de infantaria, três regimentos de cavalaria, dois regimentos de montanha, e uma bateria de campo.

Em 1932, foi concedida a independência oficial ao Reino do Iraque. Isso foi em conformidade com o Tratado Anglo-Iraquiano de 1930, através do qual o Reino Unido iria terminar o seu mandato oficial, sobre a condição de que o governo iraquiano permitisse que conselheiros britânicos tomassem parte nos assuntos do governo, que as bases militares britânicas permanecessem, e com uma exigência de que o Iraque ajudasse o Reino Unido em tempos de guerra.

Soldados britânicos em Bagdá, 1941.

Ao alcançar a independência em 1932, as tensões políticas se levantaram sobre a continuação da presença britânica no Iraque, com o governo do Iraque e os políticos divididos entre aqueles considerados pró-britânicos e aqueles que eram considerados antibritânicos. A fação pró-britânica foi representada por políticos como Nuri as-Said, que não se opusera a uma contínua presença britânica. A fação antibritânica foi representada por políticos como Rashid Ali al-Gaylani, que exigiu que o restante da influência britânica no país fosse removida. De 1936 a 1941, cinco golpes pelo Exército Real Iraquiano ocorreram durante cada ano liderado pelos superiores do exército, para pressionar o governo a ceder às exigências dos militares.

No início de abril de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, Ali Rashid al-Gaylani e membros da antibritânica "Golden Square" lançaram um golpe de Estado contra o atual governo. O primeiro-ministro Taha al-Hashimi renunciou, e Rashid Ali al-Gaylani tomou seu lugar como primeiro-ministro. Rashid Ali também se proclamou chefe de um "Governo de Defesa Nacional". Rashid Ali não derrubou a monarquia, mas instalou um regente mais complacente. Ele também tentou restringir os direitos dos ingleses, que lhes foram concedidos sobre o tratado de 1930.

Em 30 de abril, unidades iraquianas estabeleceram-se no terreno mais elevado ao sul da base aérea da RAF, em Habbaniya. Um enviado iraquiano foi mandado para exigir que nenhum movimento, seja no solo ou no ar, tivesse lugar a partir da base. Os britânicos se recusaram a cumprir a ordem e, em seguida, exigiram que as unidades iraquianas deixassem a área imediatamente. Além disso, os britânicos desembarcaram forças em Basra, e os iraquianos exigiram que estas forças fossem removidas.

Entre 2 e 31 de maio, eclodiu a Guerra Anglo-Iraquiana entre os ingleses e o governo de Rashid Ali al-Gaylani. Naquela altura, o exército iraquiano tinha 60 000 homens.[6] Com o fim do conflito, Nuri as-Said voltou a ser primeiro-ministro. Said era um conhecido pró-ocidente e com isso conseguiu importar muito armamento europeu.[7] No fim da década de 1940, os britânicos se retiraram do Iraque. Na década seguinte, o governo inglês retirou seus representantes do país, dando total independência às autoridades iraquianas. Um período de estagnação econômica se seguiu, o que reduziria o poder dos militares.[8]

República iraquiana[editar | editar código-fonte]

A monarquia dos Hachemitas durou até 1958, quando o exército iraquiano deu um golpe de estado, conhecido como a revolução de 14 de Julho. O rei Faisal II e os membros de sua família foram assassinados. Abd al-Karim Qasim subiu ao poder e estabeleceu novas relações com a União Soviética. A partir daí, os russos passaram a influenciar diretamente os acontecimentos no Iraque. O exército foi expandido no final da década de 50 e passou por uma ampla modernização.[9]

No começo da década de 1960, os militares iraquianos começaram a concentrar tropas perto do Kuwait, o que elevou a tensão na região. Os kuwaitianos haviam recentemente ganho independência do Reino Unido e o Iraque passou a reivindicar aquele território.[10] Em 1963, o governo iraquiano recuou e reconheceu a independência do vizinho do sul.

Qāsim foi então assassinado em 1963 em um novo golpe (a Revolução Ramadã) que levou o Partido Ba'ath ao poder. O comando do país passou para o general Ahmed Hasan al-Bakr (empossado primeiro ministro) e para o coronel Abdul Salam Arif (feito presidente). Nove meses depois, outro golpe aconteceu, colocando Abdul Salam Arif no poder e derrubando os baathistas. Em abril de 1966, Salam Arif morreu um acidente de helicóptero e foi sucedido pelo irmão, Abdul Rahman Arif. Após a desastrosa Guerra dos Seis Dias de 1967, onde o Iraque não tomou muita parte nos combates, o movimento baathista se fortaleceu e em 1968 voltou ao poder em um novo golpe. al-Bakr foi, dessa vez, empossado líder máximo da nação.

O governo baathista[editar | editar código-fonte]

Guerra Irã-Iraque[editar | editar código-fonte]

Sucata de um tanque T-62 iraquiano no Irã.

Em 1979, outro golpe de estado aconteceu. Saddam Hussein, o novo presidente, expurgou a liderança do partido baath que era contrária a ele e colocou pessoas de sua confiança em cargos proeminentes da administração pública. Saddam subiu ao poder em meio a uma crise com o vizinho Irã, onde havia acontecido uma revolução. O golpe em Teerã colocou um regime primordialmente xiita no poder. O governo sunita de Hussein viu uma ameaça a sua influência na região e começou a se preparar para a guerra. As forças armadas iraquianas passaram por um extenso programa de modernização, com armamento soviético e também ocidental. Em meados de 1980, eclodiu a Guerra Irã-Iraque. Em 1981, o exército iraquiano tinha 200 000 homens e 12 divisões (mais 3 brigadas independentes), e, em 1985, já havia chegado ao número de 500 000 combatentes em 23 divisões e 9 brigadas. Enormes quantidades de armamentos foram importados, ao custo de bilhões de dólares, enquanto o esforço de guerra consumia dinheiro e vidas.[11]

Em 1988, o conflito com o Irã chegou ao fim sem que nenhum lado pudesse se declarar vitorioso. O exército iraquiano, e suas milícias aliadas, perderam 375 000 homens em combate.[12] Os custos econômicos também foram devastadores. A guerra, marcada por conflito de trincheiras e uso de armas químicas, não trouxe qualquer vantagem ao Iraque, em termos de territórios ou dinheiro, mas serviu para expandir as forças armadas. No final da década de 80, 1 milhão de homens serviam nas forças de Saddam, que contava com avançados armamentos (a maioria de fabricação soviética).[13]

No final da década de 80, as forças de Saddam também tiveram de lutar contra curdos e xiitas nas regiões norte e sul do país.[14]

Invasão do Kuwait e guerra no golfo pérsico[editar | editar código-fonte]

Um tanque T-55 iraquiano destruído.

Na véspera da invasão do Kuwait, o exército iraquiano tinha 1 milhão de homens em suas fileiras.[15] Era composto por 47 divisões de infantaria, mais 9 divisões blindadas e várias brigadas mecanizadas.[16] Alem disso, ainda haviam as doze divisões da Guarda Republicana. Apesar do alto número de tropas, a maioria era de recém recrutados com pouco treinamento formal e algumas divisões eram de unidades auxiliares, enquanto os veteranos estavam fatigados depois de oito anos de guerra contra o Irã. Além disso, Hussein não confiava nos oficiais do seu exército. Durante a ultima guerra, ele mandou executar vários generais (alguns notavelmente competentes).

Na guerra contra o Irã, as forças de Saddam foram supridas com enormes quantidades de armas vindas da União Soviética, dos Estados Unidos, do Brasil e de vários outros países. Embora fortemente armado por este fator, isso fez também com que os equipamentos usados pelo exército iraquiano não fossem padronizados, criando uma força não homogênea. As unidades da Guarda Republicana eram as mais bem armadas e mais bem pagas e, por isso, eram também as mais leais. O restante da tropa era mal equipada (como o exército era grande demais, faltava equipamentos modernos para todos) e também havia o problema da falta de motivação. A maioria das unidades mecanizadas do exército eram tanques usados, importados da China, como o Type 59 e o Type 69, e outros fabricados na União Soviética nos anos 50 e 60, como os tanques T-55 e T-72. Esses veículos não estavam equipados com tecnologia tão moderna, como visão noturna ou mira a laser teleguiada, o que fazia o maquinário iraquiano fraco, se comparado ao do ocidente, limitando sua capacidade e performance no campo de batalha moderno. Do outro lado, os Aliados possuíam modernos tanques como o M1 Abrams americano e o Challenger 1 britânico. Além disso, as forças da Coalizão tinham aeronaves superiores e em maior quantidade, além de um exército mais bem equipado no geral. Os oficiais iraquianos não tinham como responder as implacáveis investidas dos Aliados e seus tanques e outros veículos se provaram ineficazes.

Um tanque EE-9 Cascavel, de fabricação brasileira, destruído pela aviação aliada.

As tripulações iraquianas usavam ultrapassadas e velhas munição de penetração contra as modernas blindagens Chobham usado por tanques americanos e ingleses. O resultado foi desastroso, com veículos aliados sendo atingidos por tiros esporádicos e sobrevivendo, enquanto seus próprios tanques eram massacrados. O exército iraquiano também não utilizou da vantagem que poderia ter se forçasse os Aliados a lutaram em uma guerra urbana — especialmente na Cidade do Kuwait — que poderia ter infligido mais perdas nas forças Coalizão ocidental. Uma das vantagens da luta no ambiente urbano é que ela reduz a vantagem de equipamentos modernos, fazendo com que exércitos menores e com armas inferiores tenham uma melhor posição. Ao invés disso, os iraquianos tentaram implementar sua própria versão da doutrina militar soviética, que sacrificava a flexibilidade tática e a capacidade de adaptação. Os oficiais do exército de Saddam não tinham muitas capacidades técnicas e, como muita das ordens tinham que vir direto do QG de Hussein, isso deixava as forças iraquianas sem a habilidade de se adaptar a novos cenários. Além disso, Saddam não antecipou o poderio aéreo das forças aéreas aliadas, quando aviões, especialmente americanos e britânicos, destruíam postos de controle e comunicação, que limitava a capacidade iraquiana de montar uma defesa coesa.

A guerra do golfo foi um fracasso humilhante para as forças de Saddam. O total de mortos ainda é desconhecido, mas as fontes afirmam que pelo menos 100 000 militares iraquianos pereceram em batalha e uma enorme quantidade de equipamentos foram perdidos.[17] Milhares mais foram feridos e enormes quantidades de soldados se renderam sem muita luta. O combate terrestre na guerra durou apenas 100 horas, mas foi o suficiente para destruir as melhores unidades do exército de Hussein.[18]

Durante a década de 1990[editar | editar código-fonte]

O Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (International Institute for Strategic Studies ou IISS) estimou que apenas seis divisões mecanizadas do exército iraquiano continuava em boa ordem após a guerra do golfo. Também sobravam ainda 23 divisões de infantaria, 8 divisões da Guarda Republicana e 4 mais da força de segurança interna.[19] Em 1992, ainda haviam 10 000 homens em 5 divisões que estavam lutando no sul para sufocar as revoltas xiitas.

Durante os anos 90, os Estados Unidos e as demais potências ocidentais realizaram bombardeios esporádicos pelo Iraque (como em 1996 e 1998). Duas zonas de exclusão aérea (as operações Northern Watch e Southern Watch) sobre o Iraque foram impostas pela OTAN, com o objetivo de limitar a capacidade do exército iraquiano de usar violência exagerada contra as minorias e tentar impedir repressões étnicas, ao mesmo tempo que tentava enfraquecer o regime baathista. Isso acabou por deteriorar ainda mais a infraestrutura civil e militar da nação.[20] No final da década, foi estimado que o Iraque tinha 350 000 homens em suas forças armadas, além de outros 100 000 reservistas em condições de lutar.[21]

Invasão anglo-americana e deposição de Saddam[editar | editar código-fonte]

Militares iraquianos do exército baathista em um blindado MT-LB um mês antes da invasão anglo-americana.

Em 2002, o governo do presidente americano George W. Bush começou a pressionar o regime de Saddam Hussein a entregar todo e qualquer tipo de armas de destruição em massa que possuísse, embora ele negasse que tivesse posse de tais armamentos. Isso levou a invasão anglo-americana do Iraque, em março de 2003. Antes do ataque das potências ocidentais, Saddam tinha ao seu dispor 375 000 soldados, organizados em cinco corpos independentes. No geral, eram 11 divisões de infantaria, 3 divisões mecanizadas e outras 3 blindadas. A Guarda Republicana (consideradas as unidades mais bem armadas das forças armadas iraquianas) tinham entre 50 000 e 80 000 tropas.

Em janeiro de 2003, as unidades militares iraquianas estavam espalhadas pelo país. Quando os aliados ocidentais iniciaram a invasão, no final de março, o exército iraquiano se encontrava mal armado, já que boa parte do seu equipamento havia sido destruído na Primeira Guerra do Golfo, mal preparado e pouco motivado. As forças de Saddam foram derrotadas em várias batalhas da guerra, as maiores em Nasiriyah e Bagdá. No começo de maio, o país já havia sido completamente tomado. Pelo menos 10 000 soldados iraquianos foram mortos no conflito. As forças armadas do país foram então dissolvidas pelas autoridades da força de ocupação da Coalizão ocidental. A infraestrutura governamental do governo baathista foi desfeito e Saddam foi preso (e executado três anos depois).[22] Paul Bremer, nomeado administrador do governo interino da Coalizão, defendeu a polêmica decisão de debandar o exército iraquiano pois, segundo ele, seria mais fácil reconstruir do zero as forças armadas do país do que reeducar os militares do Iraque. Isso se mostrou um grave erro estratégico, já que a maioria dos ex soldados saquearam várias quantidades de armamentos de suas antigas bases e foram para as ruas, dando início a primeira fase da insurgência. Os xiitas, que eram a maioria da população, também se recusariam a servir em um novo exército com oficiais sunitas, minoria que governava a nação durante a era Saddam. Os próximos anos no Iraque seriam de profunda instabilidade.[23]

Reconstrução e reestruturação do exército[editar | editar código-fonte]

Um tanque T-72 das novas forças armadas iraquianas.

A administração Bush esperava que as forças da coalizão seriam recebidas como libertadoras que derrubaram a ditadura de Saddam Hussein. Analistas tinham avaliado que haveria pouca resistência por parte do povo iraquiano. Por causa disso, preparações para criar um novo exército para o país foram lentas. A nova força teria 27 batalhões em 3 divisões, totalizando 40 000 soldados. Era esperado que as novas forças armadas estariam prontas em três anos.[24]

Militares iraquianos durante treinamento de tiro com seus fuzis AR-M1.

O major-general americano Paul Eaton recebeu a responsabilidade de auxiliar o treinamento e desenvolvimento do novo exército iraquiano. Em 2 de agosto de 2003, o primeiro batalhão do novo exército começou a recrutar pessoal, que se submeteria a seções de treinamento de 9 semanas numa base em Qaraqosh. A graduação destes militares se completou em outubro de 2003. Enquanto isso, o caos emergia pelo país no meio de uma violenta guerra civil.

Em 5 de abril de 2004, vários batalhões do exército iraquiano se recusaram a lutar na Primeira Batalha de Falluja. Em junho, com a violência chegando a níveis alarmantes, as forças da Coalizão se reagruparam, sob o comando do general David Petraeus. A nova estratégia visava fortalecer as forças de segurança iraquianas e melhorar seu treinamento, ao mesmo tempo que os auxiliava na luta contra a insurgência.[25]

Enquanto as forças americanas engajavam em pesados combates pelo país, a falta de contingente começou a pesar contra as forças de ocupação. Foi criado então o Corpo de Defesa Civil iraquiano (mais tarde renomeada Guarda Nacional). Várias milícias civis foram formadas e somente mais tarde foram unidas. Muitos integrantes destes grupos, contudo, se recusavam a combater outros iraquianos. Muitos desertavam e alguns até se uniam aos insurgentes.[26] A ineficiente Guarda Nacional, com seus 40 000 combatentes, acabou forçando sua dissolvição em dezembro de 2004.[27] Suas unidades foram mais tarde absolvidas pelo exército iraquiano.[28] A OTAN iniciou então um programa de treinamento para os militares do Iraque.

A partir de 2005, os americanos e seus aliados começaram um programa mais extensivo para treinar as forças de segurança iraquianas. O treinamento era difícil devido a instabilidade interna, infiltrações de insurgentes e altas taxas de deserção. O número de batalhões do exército foi então expandido. Contudo, nem todos estavam prontos para lutar, devido a falta de equipamentos e as limitações logísticas. Em outubro de 2005, os iraquianos tinham 90 batalhões treinados e prontos para serem dispostos na frente de batalha.[29]

Combatentes da 1ª Divisão de Infantaria iraquiana em um desfile miliar, em 2008.

Em 2006, mudanças estruturais e organizacionais foram implementadas.[30] Com uma nova infraestrutura de comando e controle, o exército iraquiano começou a planejar ofensivas contra os insurgentes. Entre 2006 e 2007 as forças americanas e britânicas começaram a tomar menos ação na defesa do país, dando mais responsabilidades ao novo exército iraquiano, ao mesmo tempo que os problemas logísticos começaram a ser sanados.[31]

No começo de 2008, lançou sua primeira ofensiva independente (a Operação Ataque dos Cavaleiros) em Basra. Eles receberam apoio aéreo e logístico dos aliados. Logo depois, eles lançaram outra operação, desta vez contra a cidade de Sadr.

O Iraque passou a ser um dos principais importadores de armamentos e equipamentos militares americanos a partir de 2007. Os tradicionais fuzis AK-47 começaram a ser substituídos pelos rifles M‑16 e M‑4.[32] Apenas em 2008, o Iraque comprou dos Estados Unidos US$ 12,5 bilhões de dólares em equipamentos.[33] Tanques, helicópteros e aviões também foram adquiridos.[34]

Membros da 3ª Brigada da 14ª Divisão durante uma parada militar.

Em 2009, a violência no Iraque caiu para os menores níveis desde antes do conflito começar.[35] Vários países então começaram a retirar suas forças da nação árabe, como a Austrália e o Reino Unido. Em 18 de dezembro de 2011, após um acordo feito entre autoridades dos Estados Unidos e do Iraque, as últimas tropas americanas deixaram o país depois de oito anos de conflito.[36]

Estima-se que durante a Guerra do Iraque (2003-2011) tenha morrido mais de 500 000 pessoas.[37]

Durante toda a década pós Saddam, além das enormes compras de armamentos feitos no ocidente, os iraquianos já tinham recebido dos Estados Unidos cerca de 20 bilhões de dólares em ajuda militar para treinamento ou aquisição de equipamentos. Em 2014, foi estimado que o exército tinha 270 000 combatentes, fora outras forças de segurança e os reservistas.[38] Enquanto isso, três anos após a retirada americana, a violência no Iraque voltou com toda a intensidade. Grupos rebeldes de orientação sunita, quase que em sua totalidade compostos pela milícia Estado Islâmico do Iraque e do Levante, lançaram uma pesada ofensiva no norte do país visando estabelecer um Califado islâmico na nação. A insurgência contra o governo majoritariamente xiita do primeiro-ministro Nouri al-Maliki pegou a região e o mundo de surpresa. Várias unidades do exército iraquiano desertaram ou debandaram frente ao implacável avanço dos insurgentes. Soldados largaram seus uniformes e equipamentos e abandonaram seus postos. Foi só quando a capital Bagdá foi ameaçada pelos rebeldes, que as forças armadas do país reagiram e organizaram vários contra ataques. O país segue nos dias atuais em profunda instabilidade interna.[39]

Referências

  1. Al-Marashi, Ibrahim e Salama, Sammy. Iraq's Armed Forces: An Analytical History. Londres e Nova York: Routledge, 2008. 206 p. ISBN 0-415-40078-3 Segundo Al-Marashi e Salama, o octagésimo-terceiro aniversário do Dia do Exército Iraquiano foi comemorado em 2004.
  2. Iraqi Military Faces Hurdles in Its Quest to Take Charge. The New York Times, 15 de maio de 2007.
  3. Measuring Security and Stability in Iraq, Agosto de 2006
  4. Pollack, Kenneth M.. Arabs at War: Military Effectiveness 1948-91, University of Nebraska Press, Lincoln/Londres, 2002, p.149
  5. Lyman, p. 25
  6. Lyman, Iraq 1941, p. 25
  7. Ghareeb; Dougherty. Pp lviii
  8. Solomon (Sawa) Solomon, The Assyrian Levies, The Final Chapter, Nineveh Magazine 4Q,93,V16,No4.
  9. The Times, 'New Division for Iraq Army,' 7 de janeiro de 1959
  10. Tripp, Charles. "A History of Iraq" Cambridge University Press, Cambridge, 2002, p.165
  11. Pollack 2002 p. 208
  12. Hiro, Dilip (1991). The Longest War: The Iran-Iraq Military Conflict. New York: Routledge. ISBN 9780415904063
  13. Abrahamian, Ervand, A History of Modern Iran, Cambridge, 2008, p.171
  14. Kenneth M. Pollack, Arabs at War: Military Effectiveness 1948-91, University of Nebraska Press, Lincoln e London, 2002, ISBN 0-8032-3733-2
  15. Brassey's, IISS Military Balance 1989-90, p.101
  16. Michael Eisenstadt, 'The Iraqi Armed Forces Two Years On, Jane's Intelligence Review, março de 1993, p.124
  17. Robert Fisk, The Great War For Civilisation; The Conquest of the Middle East (Fourth Estate, 2005), p.853.
  18. Keaney, Thomas. Gulf War Air Power Survey. [S.l.]: United States Dept. of the Air Force, 1993. ISBN 0-16-041950-6
  19. IISS Military Balance 1992-3
  20. The unofficial war: U.S., Britain led massive secret bombing campaign before Iraq war was declared, rawstory.com
  21. IISS Military Balance 1997-98
  22. Iraqi Security and Military Force Developments: A Chronology
  23. Bremer III, L. Paul. "How I Didn't Dismantle Iraq's Army", The New York Times, 2007-09-06. Página visitada em 23 de junho de 2014.
  24. Christopher Spearin, ‘A Justified Heaping of the Blame?,’ Military Advising and Assistance, Routledge, 2008
  25. Kalev Sepp (14 de março de 2004). Prepared Statement before the House Subcommittee on National Security, Emerging Threats, and International Relations regarding the training of Iraqi Security Forces (PDF). Página visitada em 24 de junho de 2014. Cópia arquivada em 14 de fevereiro de 2007.
  26. US arrests senior Iraqi commander
  27. Iraq to dissolve National Guard
  28. Cordesman e Baetjer, 2006, p.147-148. On the ING, ver Neil Barnett, 'Iraq's turbulent transition,' Jane's Defence Weekly, 8 de setembro de 2004, p.23
  29. The Long War Journal, Training the Iraqi Army - Revisited, Again, 2005
  30. Iraqi command and control center opens doors amidst turnover of new territory. Multi-National Force - Iraq (4 de maio de 2006). Cópia arquivada em 8 de julho de 2006.
  31. MTRs transferred in order of event: 8th, 4th, 6th, 5th and 1st (2 Nov). IA 5th MTR driving toward success - Daily article on www.mnf-iraq.com, 20 de novembro de 2006.
  32. Michaels, Jim. "Iraqi forces load up on U.S. arms", USA Today. Página visitada em 24 de junho de 2014.
  33. Business as usual for U.S. arms sales. Asia Times. Página visitada em 23 de outubro de 2010.
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  35. Christie, Michael. "Iraqi civilian deaths drop to lowest level of war", 30 November 2009. Página visitada em 30 de novembro de 2009.
  36. Jaffe, Greg. "Last U.S. troops cross Iraqi border into Kuwait", The Washington Post, 18 de dezembro de 2011. Página visitada em 19 de dezembro de 2011.
  37. "Iraq Death Toll Reaches 500,000 Since Start Of U.S.-Led Invasion, New Study Says". Página acessada em 24 de junho de 2014.
  38. "Iraqi Army (IA)". GlobalSecurity.org. Página acessada em 24 de junho de 2014.
  39. "Iraq’s Military Seen as Unlikely to Turn the Tide". Página acessada em 24 de junho de 2014.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Al-Marashi, Ibrahim e Salama, Sammy. Iraq's armed forces: An analytical history. Oxon e Nova York: Routledge, 2008. 254 p. ISBN 0-415-40078-3
  • Lyman, Robert. Iraq 1941: The Battles for Basra, Habbaniya, Fallujah and Baghdad. Oxford e Nova York: Osprey Publishing, 2006. 96 p. ISBN 1-84176-991-6
  • Pollack, Kenneth M. Arabs at War: Military Effectiveness 1948-91, University of Nebraska Press, Lincoln e Londres, 2002, e a crítica do livro de Pollack em International Security, Vol. 28, No.2.
  • Ofer, Tzvi. The Iraqi Army in the Yom Kippur War, trad. para o inglês 'Hatzav,' Tel Aviv: Ma'arachot, 1986
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