Guerra Irã-Iraque

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Guerra Irã-Iraque
Iran-Iraq War Montage.png
Data Setembro de 1980 - 20 Agosto de 1988
Local Fronteira Irã-Iraque e Golfo Pérsico
Desfecho Status quo ante bellum;
Desgaste mútuo, não ocorreram mudanças territoriais
Combatentes

Iraque

Apoiantes:
 Estados Unidos
Arábia Saudita
 União Soviética
 Egito
Kuwait
Jordânia
 Irã

Apoiantes:
Coreia do Norte[1]
 Síria
Flag of Libya (1977-2011).svg Líbia
Comandantes
Saddam Hussein
Ali Hassam al-Majid
Taha Yassin Ramadan
Izzat Ibrahim Ad-Douri
Salah Aboud Mahmoud
Tariq Aziz
Massoud Rajavi
Maryam Rajavi
Adnan Khairallah
Irã Ruhollah Khomeini
Irã Abolhassan Bani-sadr
Irã Mohammad-Ali Rajai
Irã Ali Khamenei
Forças
850 000 em 1980
1 500 000 em 1988
3 500 taques
8 630 veículos blindados
12 330 peças de artilharia
+ de 3 000 aeronaves
+ de 1 900 helicópteros[2]
900 000 soldados
100 000 a 150 000 Pasdarans e Basijs
100 000 milicianos
1 000 tanques
4 000 veículos blindados
7 000 peças de artilharia
747 aeronaves
750 helicópteros[3]
Baixas
105 000–375 000 soldados e milicianos mortos[4] [5] [6]


Perdas econômicas em torno de US$500 bilhões de dólares[7] [8]
183 931 soldados mortos ou desaparecidos (de acordo com o governo iraniano)[4]
262 000–600 000 mortos
(outras estimativas)[4] [9]
800 000 mortos
(segundo o governo iraquiano)[4]


Perdas econômicas em torno de US$500 bilhões de dólares

A Guerra Irã-Iraque (português brasileiro) ou Guerra Irão-Iraque (português europeu) foi um conflito militar entre o Irã e o Iraque entre 1980 e 1988. Foi o resultado de disputas políticas e territoriais entre ambos os países. Os Estados Unidos, cujo presidente era Ronald Reagan, apoiavam o Iraque.[10]

Em 1980, o presidente Saddam Hussein, do Iraque, revogou um acordo de 1975 que cedia ao Irã cerca de 518 quilômetros quadrados de uma área de fronteira ao norte do canal de Shatt-al-Arab em troca da garantia de que o Irã cessaria a assistência militar à minoria curda no Iraque que lutava por independência.[10]

Exigindo a revisão do acordo para demarcação da fronteira ao longo do Shatt-al-Arab (que controla o porto de Bassora), a reapropriação de três ilhas no estreito de Ormuz (tomado pelo Irã em 1971) e a cessão de autonomia às minorias dentro do Irã, o exército iraquiano, em 22 de Setembro de 1980, invadiu a zona ocidental do Irã e, contando com o elemento surpresa, avançou no território iraniano.

O Iraque também estava interessado na desestabilização do governo islâmico de Teerã e na anexação do Cuzistão, a província iraniana mais rica em petróleo. Segundo os iraquianos, o Irã infiltrou agentes no Iraque para derrubar o regime de Saddam Hussein. Além disso, fez intensa campanha de propaganda e violou diversas vezes o espaço terrestre, marítimo e aéreo iraquiano. Ambos os lados foram vítimas de ataques aéreos a cidades e a poços de petróleo.

Iraque esperava uma guerra rápida, pois contava com um moderno exército equipado pela ex-URSS. Outros países muçulmanos, como o Kuwait e a Arábia Saudita, também lhe davam apoio financeiro, na esperança de enfraquecer o regime de Teerã. O Irã estava isolado internacionalmente, pois considerava os EUA e a ex-URSS igualmente como inimigos. Como vantagem, o Irã contava apenas com uma população bem superior [11] .

O exército iraquiano engajou-se em uma escaramuça de fronteira numa região disputada, porém não muito importante, efetuando posteriormente um assalto armado dentro da região produtora de petróleo iraniana. A ofensiva iraquiana encontrou forte resistência e o Irã recapturou o território.

Em 1981, somente Khorramshahr caiu inteiramente em poder do Iraque. Em 1982, as forças iraquianas recuaram em todas as frentes. A cidade de Khorramshahr foi evacuada. A resistência do Irã levou o Iraque a propor um cessar-fogo, recusado pelo Irã (os iranianos exigiram pesadas condições: dentre elas a queda de Hussein). Graças ao contrabando de armas (escândalo Irã-Contras), o Irã conseguiu recuperar boa parte dos territórios ocupados pelas forças iraquianas. Nesse mesmo ano, o Irã atacou o Kuwait e outros Estados do Golfo Pérsico. Nessa altura, a Organização das Nações Unidas e alguns Estados Europeus enviaram vários navios de guerra para a zona. Em 1985, aviões iraquianos destruíram uma usina nuclear parcialmente construída em Bushehr e depois bombardearam alvos civis, o que levou os iranianos a bombardear Bassora e Bagdá.

Entre 1984-1985 e 1987 a guerra terrestre passou para uma fase onde predominou o atrito, que favoreceu o desgaste iraquiano, enquanto o conflito transbordava para o Golfo Pérsico, envolvendo o ataque iraniano a navios petroleiros que saiam do Iraque e o uso de minas submarinas nas proximidades da fronteira marítima dos dois países.[12]

O esforço de guerra do Iraque era financiado pela Arábia Saudita, pelos Estados Unidos, enquanto o Irã contava com a ajuda da Síria e da Líbia. A União Soviética que vendia armas inicialmente mais para o Iraque, passa a vender mais equipamento militar para o Irã, conforme cresceu o apoio americano ao Iraque. Durante todo o conflito o Brasil foi um dos países ocidentais que vendeu armas para o Iraque em troca de petróleo.[13]

Donald Rumsfeld, em 1983, viaja como enviado especial dos EUA ao Oriente Medio, no Governo Reagan, para reforçar o apoio ao governo iraquiano de Saddam Hussein, na guerra Guerra Irã-Iraque. Posteriormente Rumsfeld veio a ocupar o cargo de Secretario de Defesa dos EUA, durante o Governo Bush.

Mas, em meados da década de 1980, a reputação internacional do Iraque ficou abalada quando foi acusado de ter utilizado armas químicas contra as tropas iranianas, embora tenha acusado o Irã de fazer o mesmo (1987-1988).[14]

A guerra entrou em uma nova fase em 1987, quando os iranianos aumentaram as hostilidades contra a navegação comercial dentro e nas proximidades do Golfo Pérsico, resultando na ampliação da presença de navios norte-americanos e de outras nações na região.[15] Oficiais graduados do exército iraniano começaram a perder credibilidade à medida que suas tropas sofriam perdas de armas e equipamentos, enquanto o Iraque continuava a ser abastecido pelo Ocidente.

O conflito começou a efetivamente preocupar as potências quando atingiu o fluxo regular de petróleo, na medida em que os beligerantes passaram a afundar navios e instalações petrolíferas, prejudicando grandes fornecedores como o Kuwait. A partir disso, começaram as pressões mundiais pela paz [16] . No princípio de 1988, o Conselho de Segurança da ONU exigiu um cessar-fogo. O Iraque aceitou, mas o Irã, não. Em Agosto de 1988, hábeis negociações levadas a cabo pelo secretário-geral da ONU, Perez de Cuéllar, e a economia caótica do Irã levaram a que o país aceitasse que a Organização das Nações Unidas (ONU) fosse mediadora do cessar-fogo. O armistício veio em julho e a paz foi restabelecida em 15 de agosto.

Em 1990, o Iraque aceitou o acordo de Argel de 1975, que estabelecia fronteira com o Irã. Não houve ganhos e as perdas foram estimadas em cerca de 1,5 milhão de vidas. A guerra destruiu os dois países e diminuiu o ímpeto revolucionário no Irã. Em 1989, o aiatolá Khomeini morreu. A partir de então, o governo iraniano passou a adotar posições mais moderadas. Em Setembro de 1990, enquanto o Iraque se preocupava com a invasão do Kuwait, ambos os países restabeleceram relações diplomáticas.

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Referências

  1. North Korean support for Iran during the Iran–Iraq war English Wikipedia.
  2. Iran–Iraq War (1980–1988) Globalsecurity.org.
  3. Country Study: Iran Library of Congress.
  4. a b c d Hiro, Dilip. The Longest War: The Iran-Iraq Military Conflict. New York: Routledge, 1991. p. 205. OCLC 22347651. ISBN 9780415904063.
  5. Potter, Lawrence G.; Sick, Gary. In: Lawrence G.. Iran, Iraq and the Legacies of War. Basingstoke: Palgrave Macmillan, 2006. p. 8. OCLC 70230312. ISBN 9781403976093.
  6. Rumel, Rudolph. Centi-Kilo Murdering States: Estimates, Sources, and Calculations Power Kills University of Hawai'i.
  7. Iran-Iraq War Infoplease.com (22 de setembro de 1980). Visitado em 1 de março de 2009.
  8. The Iran-Iraq War Jewishvirtuallibrary.org. Visitado em 1 de março de 2009.
  9. "B&J": Jacob Bercovitch and Richard Jackson, International Conflict : A Chronological Encyclopedia of Conflicts and Their Management 1945-1995 (1997) p. 195
  10. a b Customer Reviews: The Longest War: The Iran-Iraq Military Conflict (em inglês) Amazon.com. Visitado em 22 de setembro de 2012.
  11. Karnal, Leandro. Oriente Médio. São Paulo: Scipione, 1994. p. 39. ISBN 85-262-2218-X.
  12. PIKE, John. "Iran–Iraq War (1980–1988)". GlobalSecurity, http://www.globalsecurity.org/
  13. FARES, Seme Taleb (2007). "O Pragmatismo do Petróleo: as relações entre o Brasil e o Iraque". Revista Brasileira de Política Internacional, vol. 50, n. 2, p. 129-145.
  14. Wright, Robin. Dreams and Shadows: The Future of the Middle East. New York: Penguin Press, 2008. p. 438. ISBN 9781594201110.
  15. FUSER, Igor (2005). "O petróleo e o envolvimento militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico (1945-2003)". Dissertação de Mestrado, PPG Relações Internacionais Unicamp, Unesp e PUC-SP. Sao Paulo, SP
  16. Karnal, Leandro. Oriente Médio. São Paulo: Scipione, 1994. p. 39. ISBN 85-262-2218-X.