Português brasileiro

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Português brasileiro
Falado em:  Brasil
Uruguai (região de fronteira com o Brasil)
Região: Em todo o Brasil e nas regiões fronteiriças com a Argentina, Uruguai e Paraguai
Total de falantes: ~200 milhões[1]
Família: Língua portuguesa
 Português brasileiro
Regulado por: Academia Brasileira de Letras (ABL)
Códigos de língua
ISO 639-1: pt-BR
ISO 639-2: ---
BRA orthographic.svg

Localização do Brasil.

Português brasileiro ou português do Brasil (abreviado como pt-BR) é o termo utilizado para classificar a variedade da língua portuguesa falada pelos mais de 200 milhões de brasileiros que vivem dentro e fora do Brasil. A população brasileira, quando comparada com as dos demais países lusófonos, implica que o português brasileiro seja a variante do português mais falada, lida e escrita do mundo, 14 vezes mais que a variante do país de origem, Portugal.

Devido à importância do Brasil no Mercosul e na UNASUL, esta variante vem sendo ensinada nos países da América do Sul e nos principais parceiros econômicos do Brasil. Também há falantes de português brasileiro como língua materna nos países onde há grandes comunidades brasileiras, particularmente nos Estados Unidos, Japão e em diversos países da Europa, como Portugal, Alemanha, Reino Unido, França e Espanha.

De fato, trata-se da variante da língua portuguesa mais estudada no mundo. No Japão, nos Estados Unidos, e, sobretudo, na América Latina, é ensinada a variante brasileira para estudantes estrangeiros da língua portuguesa.

Antes da chegada de Pedro Álvares Cabral ao Brasil havia variadas línguas no território que coincide com o atual país, faladas por indígenas americanos de diversas etnias. No decorrer da sua história, o português brasileiro incorporou empréstimos de termos não só das línguas indígenas americanas e africanas, mas também do francês, do castelhano, do italiano, do alemão e do inglês.

Há várias diferenças entre o português europeu e o português brasileiro, especialmente no vocabulário, pronúncia e sintaxe, principalmente nas variedades vernáculas; nos textos formais as diferenças são bem menores. Vale ressaltar que dentro daquilo a que se convencionou chamar "português do Brasil" e "português europeu" há um grande número de variações regionais.

O estabelecimento do Acordo Ortográfico de 1990, já em vigor no Brasil desde 1 de janeiro de 2009, visa a unificar a grafia das duas variantes da língua portuguesa, criando uma ortografia comum que garantirá uma grafia única para 98% das palavras.

Grosso modo, as diferenças entre a língua escrita formal de Portugal e do Brasil são comparáveis às diferenças encontradas entre as normas cultas do inglês britânico e inglês americano[2] , ou entre o alemão oficial e o alemão oficial suíço, porém, na língua falada as diferenças se aprofundam, existindo acirrados debates quanto a uma suposta diglossia.

História[editar | editar código-fonte]

Línguas indígenas americanas ou ameríndias[editar | editar código-fonte]

Trecho da poesia
Língua Portuguesa
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela…
Olavo Bilac

Antes da chegada dos portugueses, estima-se que cerca de 1.500 línguas diferentes eram faladas no território que veio a ser o Brasil. Essas são agrupadas em famílias, classificadas como pertencentes aos troncos Tupi, Macro-Jê e Aruaque. Há famílias, entretanto, que não puderam ser identificadas como relacionadas a nenhum destes troncos. São elas: Karib, Pano, Maku, Yanomami, Mura, Tukano, Katukina, Txapakura, Nambikwara e Guaikuru. Evidentemente, o fato de duas sociedades indígenas americanas falarem línguas pertencentes a uma mesma família não faz com que seus membros consigam entender-se mutuamente.[3]

Apesar de o Brasil ter sido descoberto oficialmente em 1500 pelos portugueses, sua colonização europeia só começou efetivamente em 1532 e de forma gradual. No ano de 1530, o rei de Portugal organizou a primeira expedição com objetivos de colonização. Foi comandada por Martim Afonso de Sousa e tinha, como objetivos, povoar o território brasileiro, expulsar os invasores e iniciar o cultivo de cana-de-açúcar no Brasil. Com isso, a língua portuguesa passou a ser usada factualmente no território hoje conhecido como Brasil. Ao mesmo tempo, outras nações europeias vieram para o Brasil, como a França e a Holanda (que chegou a instalar uma colônia na região que é hoje o Estado de Pernambuco).

No início da colonização portuguesa no Brasil, a língua dos ameríndios Tupinambá (tronco Tupi) era falada numa enorme extensão de território ao longo da costa atlântica. No século XVI, ela passou a ser aprendida pelos portugueses, que, de início, eram uma minoria entre a população local. Aos poucos, o uso dessa língua, chamada de "brasílica", se intensificou e generalizou-se de tal forma que passou a ser falada por quase toda a população que integrava o sistema colonial brasileiro. Com o decorrer do tempo, ela se modificou e, a partir da segunda metade do século XVII, passou a ser chamada de "língua geral".

Era a língua de contato entre ameríndios de diferentes línguas e entre ameríndios e portugueses e seus descendentes. A língua geral era, assim, uma língua franca no atual território brasileiro. Essa foi a primeira influência que a língua portuguesa recebeu no Brasil. Como tal, deixou algumas marcas no vocabulário popular falado atualmente no país. A língua geral possuía duas variantes:

O português no Brasil[editar | editar código-fonte]

O Marquês de Pombal instituiu o português como a língua oficial do Brasil, proibindo o uso da língua geral.

Com a saída dos holandeses em 1654, o português passa a ser a única "Língua de Estado" do Brasil.

No fim do século XVII, os bandeirantes iniciam a exploração do interior do continente, e descobrem ouro e diamantes. Devido a isso, o número de imigrantes portugueses no Brasil e o número de falantes da Língua Portuguesa no Brasil passam a aumentar, superando os falantes da língua geral (derivada do tupinambá). Em 17 de agosto de 1758, o Marquês de Pombal instituiu o português como a língua oficial do Brasil, ficando proibido o uso da língua geral. Nesta altura, devido à evolução natural da língua, o português falado no Brasil já tinha características próprias que o diferenciavam do falado em Portugal.

No século XVII, devido à intensificação do cultivo de cana-de-açúcar, existe um grande fluxo de escravos vindos da África, que se espalharam por todas as regiões ocupadas pelos portugueses e que trazem uma influência lexical africana para o português falado no Brasil. Para se ter uma ideia, no século XVI foram trazidos para o Brasil 100 mil negros. Este número salta para 600 mil no século XVII e 1 milhão e 300 mil no século XVIII. A influência lexical africana veio principalmente da língua iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria, e do quimbundo angolano.

Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1808, como consequência das invasões francesas, ocorre uma relusitanização no falar da cidade do Rio de Janeiro, que passou a ser a capital do país. Acompanhando a família real, chegam ao Rio de Janeiro cerca de 15 mil portugueses. Com essa relusitanização expande-se e influencia outras partes do Brasil.

Em 1822 o Brasil torna-se independente. Com isso o tráfico negreiro diminui e muitos imigrantes europeus, como alemães e italianos, chegam ao país. Em números absolutos os italianos formaram a maior corrente imigratória no país. Deste modo, as especificidades linguísticas dos imigrantes italianos interferiram nas transformações da língua portuguesa no Brasil. Assim, palavras foram agregadas de outros idiomas europeus.

A língua portuguesa no mundo:
  Língua materna
  Língua oficial e administrativa
  Língua cultural ou secundária
  Minorias falantes do português

Na segunda metade do século XIX ocorre uma tentativa, dos autores romantistas, de criar uma personalidade literal brasileira. Entretanto, o movimento que consagrou rapidamente a norma brasileira foi o Modernismo brasileiro. Esse foi um movimento de nacionalização que rompeu com o Parnasianismo e com a imitação do padrão tradicional do português, privilegiando as peculiaridades do falar brasileiro. O Modernismo brasileiro nasceu no dia 11 de fevereiro de 1922, com a Semana de arte moderna de 1922. Representou uma verdadeira renovação da linguagem, na busca de experimentação, na liberdade criadora e na ruptura com o passado. O evento marcou época ao apresentar novas ideias e conceitos artísticos.

Há várias ideias acerca de quando começaram a divergir o português do Brasil e o de Portugal. O professor titular da USP Ataliba Teixeira de Castilho disse numa entrevista ao jornal da UNICAMP:[4]

"Há várias posições sobre isso. Uns dizem que a partir do Século XIX começou a ser construída uma gramática do português brasileiro, quer dizer, uma nova língua, distinta do português europeu. Mas se analisar o português medieval, como fez a minha mulher Célia Maria Moraes de Castilho em sua tese de doutorado, descobre-se que aquilo que se explicava como um abrasileiramento do português, na verdade, já se encontrava lá, sobretudo nos documentos do Século XV. Ou seja, esse português veio para o Brasil e foi preservado. Nós estamos fazendo mudanças gramaticais a partir dessa base. Já Portugal, a partir do Século XVIII, imprimiu um novo rumo à língua, por isso é que muito do que aqui sobreviveu, não existe mais lá. Eles é que estão diferentes, não nós."[5]

É preciso, também, não esquecer que em Portugal existe uma grande variedade de dialetos para além do de Lisboa, alguns mais próximos dos brasileiros.

pt-BR[editar | editar código-fonte]

pt-BR é um código de língua para o português brasileiro, definido por normas ISO (ver ISO 639-1 e ISO 3166-1 alpha-2) e normas Internet (ver "IETF language tag").

Léxico[editar | editar código-fonte]

Ainda que o léxico brasileiro seja o mesmo que o do português europeu, existe uma série de peculiaridades que podem gerar confusão e desentendimentos entre os falantes das duas variantes. Há ainda as palavras que, apesar de estarem dicionarizadas em ambos os países (Brasil e Portugal), não são utilizadas por um ou por outro, gerando a mesma estranheza quando ouvidas ou lidas por um falante da outra variante.

Tupinismos[editar | editar código-fonte]

São os chamados "brasileirismos" que derivam diretamente da língua tupi ou que por ela foram influenciados, como acontece com alguns sufixos que, segundo alguns autores, funcionam mais como adjetivos do que como sufixos, já que não alteram a constituição morfológica e fonética da palavra a que se ligam. São exemplos destes sufixos o -açu (grande), -guaçu (grande) e -mirim (pequeno) nas palavras arapaçu (pássaro de bico grande), babaçu (palmeira grande), mandiguaçu (peixe grande), abatimirim (arroz miúdo) ou mesa-mirim (mesa pequena). Existem, no entanto, verdadeiros sufixos, como -rana (parecido com) e -oara (valor gentílico) nas palavras bibirana (planta da família das anonáceas), brancarana (mulata clara) ou paroara (natural do Pará) e marajoara (natural da Ilha do Marajó, Pará).

Outros exemplos são:

Amerindinismos[editar | editar código-fonte]

Existem influências de outras línguas ameríndias não tupis que se falavam no país à data da chegada dos portugueses e com as quais houve contato. Os índios de língua tupi chamavam de tapuia os índios de fala não tupi, termo este que também foi adotado pelos colonizadores portugueses para se referir àqueles índios.

Africanismos[editar | editar código-fonte]

O tráfico de escravos, especialmente da África para os engenhos brasileiros, trouxe consigo, mormente da família banto, toda uma série de termos que em breve veio a determinar a criação de duas línguas africanas gerais: o nagô ou ioruba — especialmente na Bahia — e o quimbundo, mais rico de vocabulário e de expressão no resto do país.[7]

Neologismos[editar | editar código-fonte]

Há palavras novas (neologismos, que designam novos objetos, invenções, técnicas, etc) que têm uma formação distinta da que se verificou em Portugal. São exemplos ônibus por oposição a autocarro, trem por oposição a comboio, bonde por oposição a eléctrico ou aeromoça por oposição a hospedeira de bordo.

Outras exemplos são gol (pt golo, do inglês goal), esporte (pt desporto, do inglês sport), xampu (pt champô, do inglês shampoo).

A tabela abaixo ilustra outras diferenças lexicais:

Brasil Portugal
abridor de garrafas ou saca-rolhas saca-rolhas
abridor de latas abre-latas
açougue talho
aeromoça, comissária de bordo hospedeira de bordo
água-viva ou medusa água-viva alforreca ou medusa
água sanitária água sanitária, lixívia
AIDS SIDA (Síndrome de Imuno-Deficiência Adquirida)
alho-poró alho-porro
amerissagem amaragem
anistia amnistia
Amsterdã Amsterdão
aquarela aguarela
arquivo (de computador) ficheiro
atacante avançado
aterrissagem aterragem
banheiro, toalete, toilettes, lavabo, sanitário casa de banho, lavabos, quarto-de-banho, sanitários, w.c.
bebê bebé
bonde eléctrico
brócolis brócolos
café da manhã, desjejum, parva pequeno almoço, desjejum
calcinha cuecas femininas
caminhão camião
caminhonete, van, perua carrinha
camiseta camisola
camisola camisa de dormir
canadense canadiano
câncer cancro
caqui dióspiro
carona boleia
carro conversível carro descapotável
carta/carteira de habilitação, carteira de motorista, carta carta de condução
carteira de identidade ou Registro Geral/RG bilhete de identidade/BI/ cartão do cidadão
chaveiro porta-chaves ou chaveiro
cílio, pestana, celha pestana
concreto betão
descarga autoclismo
decolagem Descolagem
diretor (de cinema) realizador
dublagem dobragem
durex, fita adesiva fita gomada, fita-cola, fita adesiva
egito egipto
escanteio pontapé de canto
esparadrapo, bandeide (band-aid) penso, penso-rápido
estação de trem gare, estação
estrada de ferro, ferrovia caminho de ferro, ferrovia
favela bairro de lata
fila (de pessoas) fila ou bicha
fones de ouvido auscultadores, auriculares, fones
Frankfurt Francoforte
freio, breque travão, freio
a gangue, a gang o gang, o gangue
gol golo
gole golo
goleiro guarda redes
grama, relva relva
grampeador agrafador
guitarra guitarra elétrica
Irã Irão
Islã Islão
isopor esferovite
israelense, israelita israelita
legal fixe, giro
maiô fato-de-banho
mamadeira biberão
metrô metro, metropolitano
Moscou Moscovo
Mouse Rato
nadadeiras, pé-de-pato barbatanas
ônibus autocarro
ônibus espacial, nave espacial, espaçonave, astronave vaivém, veículo espacial recuperável
Papai Noel Pai Natal
pebolim (ou totó) matraquilhos
perua, van carrinha
pinha, fruta-do-conde anona
polonês, polaco polaco
privada sanitária, vaso sanitário ou privada retrete ou sanita
rúgbi, rugby râguebi, rugby
salva-vidas ou guarda-vidas salva-vidas ou nadador-salvador
secretária eletrônica atendedor de chamadas
sunga ou calção de banho calções de banho, calção de banho
sutiã, soutien, soutien-gorge soutien, sutiã
tcheco, checo checo
tela ecrã
telefone celular (ou simplesmente celular), aparelho de telefonia celular telemóvel
terno fato
time, equipe equipa, equipe
tiro de meta pontapé de baliza
torcida claque
trem, composição ferroviária comboio
Vietnã Vietname
violão guitarra
xícara chávena

Fonologia[editar | editar código-fonte]

Os fonemas usados no português do Brasil são, muitas vezes, diferentes dos usados no português europeu, ou seja, uma mesma palavra tem notação fonética diferente no Brasil da dos outros países lusófonos. Existem vários dialetos dentro do português brasileiro e o europeu, entretanto, dentro de cada padrão, esses dialetos compartilham as mesmas peculiaridades básicas do ponto de vista fonético. O português brasileiro utiliza 34 fonemas, sendo treze vogais, dezenove consoantes e duas semivogais.

Fonema * Características fonéticas Exemplos **
Vogais /a/ Aberta, central, oral, não arredondada. átomo, arte.
/ɐ/ Semi-aberta (dialetalmente semi-fechada possível no Rio de Janeiro), central, oral (possivelmente nasal quando na sílaba tônica antes de consoante nasal), não arredondada. pano, ramo, lanho.
/ɐ̃/ Semi-aberta, central, nasal, não arredondada. antes, amplo, maçã, âmbito, ânsia.
/ɛ/ Semi-aberta, frontal, oral, não arredondada. métrica, peça.
/e/ Semi-fechada, frontal, oral, não arredondada medo, pêssego.
/ẽ/ Semi-fechada, frontal, nasal, não arredondada sempre, êmbolo, centro, concêntrico, têm, também.**
/ɔ/ semi-aberta (dialetalmente aberta possível no Rio de Janeiro), posterior, oral, arredondada ótima, ova.
/o/ Semi-fechada, posterior, oral, arredondada rolha, avô.
/õ/ Semi-fechada, posterior, nasal, arredondada. ombro, ontem, cômputo, cônsul.
/i/ Fechada, frontal, oral, não arredondada item, silvícola.
/ĩ/ Fechada, frontal, nasal, não arredondada. simples, símbolo, tinta, síncrono.
/u/ Fechada, posterior, oral, arredondada uva, útero.
/ũ/ Fechada, posterior, nasal, arredondada. algum, plúmbeo, nunca, renúncia, muito.
Consoantes /m/ Nasal, sonora, bilabial Marca.
/n/ Nasal, sonora, alveolar Nervo.
/ɲ/ ~ /ȷ̃/ Nasal sonora palatal ou Aproximante palatal nasalizada (varia com o falante) Arranhado.
/b/ Oral, oclusiva, bilabial, sonora Barco.
/p/ Oral, oclusiva, bilabial, surda Pato.
/d/ Oral, oclusiva, linguodental, sonora Data.
/t/ Oral, oclusiva, linguodental, surda Telha.
/g/ Oral, oclusiva, velar, sonora Gato.
/k/ Oral, oclusiva, velar, surda Carro, quanto.
/v/ Oral, fricativa, labiodental, sonora Vento.
/f/ Oral, fricativa, labiodental, surda Farelo.
/z/ Oral, fricativa, alveolar, sonora zero, casa, exalar.
/s/ Oral, fricativa, alveolar, surda Seta, cebola, espesso, excesso, açúcar, auxílio, asceta.
/ʒ/ Oral, fricativa, pós-alveolar, sonora gelo, jarro.
/ʃ/ Oral, fricativa, pós-alveolar, surda xarope, chuva.
/ʁ/ Oral, vibrante, sonora, uvular. Inúmeros alófonos pelo território nacional, costuma ter esta exata pronúncia apenas em Santa Catarina, no Paraná, no Rio de Janeiro, no Espírito Santo e na Zona da Mata Mineira como resultado da maior influência europeia na região. rato, carroça.
/ɾ/ Oral, vibrante, sonora, alveolar Variação.
/ʎ/ Oral, lateral aproximante, sonora, palatal. Ausente no dialeto caipira e socioletos de baixo prestígio por todo o território nacional, possuindo como alófonos /j/ e /l/ em tais ambientes. Cavalheiro.
/l/ Oral, lateral aproximante, sonora, alveolar Luz.
Semivogais /j/ ~ /ȷ̃/ Oral, palatal, sonora uivo, mãe, área, têm, também, vivem.
/w/ ~ /w̃/ Oral, velar, sonora. Uso como /ɫ/ vocalizado possui como alófono /ɻ/ no dialeto caipira e /ɫ/ em certos regionalismos do dialeto gaúcho, como o original do português europeu. automático, móvel, pão, frequente, falam.

Comparação ao português europeu[editar | editar código-fonte]

Alguns autores sugerem que o português do Brasil seguiu as características do português europeu do Centro-Sul.[8] No entanto, dados históricos provam que a grande maioria dos imigrantes portugueses que se instalaram no Brasil durante não só o período colonial mas também no período pós-colonial eram oriundos das regiões Norte/Nordeste do país, o que sugere que o português do Brasil poderá ter uma grande influência dos dialetos setentrionais de Portugal.[9]

Alguns aspectos conservadores e inovadores da fonética brasileira:

Aspectos conservadores[editar | editar código-fonte]

Na maior parte do Brasil, os -s e -z em final de palavra ou diante de consoante surda são realizados como [s] (como em "atrás" ou "uma vez") ou como [z] diante de consoante sonora ("desde"), em vez de [ʃ] e [ʒ] como em Portugal.

As vogais átonas permaneceram abertas, perpetuando "mais uma vez a pronúncia de Portugal antes das grandes mutações fonéticas do século XVIII".[10]

Por outro lado, certas inovações fonéticas ocorridas no português europeu no século XIX foram ignoradas no Brasil: manteve-se a pronúncia [ej] em ditongos como do "ei" em "primeiro", versus a pronúncia [ɐj]; a pronúncia do "e" tônico como [e], versus [ɐ], em palavras como "espelho" ou "vejo".[11]

Aspectos inovadores[editar | editar código-fonte]

Entre outros, assinalam-se os seguintes: Desaparição da oposição entre timbre aberto e fechado nas vogais tônicas a, e e o seguidas de consoante nasal (ex: "vênia" vs. "vénia", "Antônio" vs. "António"); O mesmo fenômeno ocorre nas vogais das sílabas pretônicas (ex: o primeiro "a" de cadeira, pronunciado /a/ no Brasil e /ɐ/ em Portugal); Vocalização do "l" velar, como em "animal", que em algumas regiões é pronunciado [ɐ̃niˈmaw].[12]

Os fenômenos fonológicos do PB que não ocorreram no PE ora são apresentados pelos tupinólogos como provas da influência tupi, ora pelos africanistas como influência das línguas dos escravos. Alguns autores, porém, contestam a tese de que esse tipo de influência tenha sido determinante, preferindo interpretar tais mudanças fonéticas como "desenvolvimento ou a realização de tendências latentes, embrionárias ou incipientes na língua-tronco",[13] porquanto tais fenômenos são encontrados em outras línguas neolatinas:

  • ensurdecimento e queda do r final: ocorre também em francês, provençal, catalão, andaluz, etc;
  • ieísmo (e. g. *muier por mulher ou *trabaio por trabalho): no francês, em espanhol, no galego, em Portugal, em dialetos crioulos portugueses;
  • redução de nd a n nos gerúndios (e. g. *andano em vez de andando): efetuou-se no catalão antigo, aragonês, italiano centro-meridional;
  • alguns casos de epêntese (e. g., *fu por flor ou *quelaro por claro): aparece na evolução do latim nas diversas línguas românicas;
  • terminação verbal átona desnasalizada (e. g. *amaro por amaram): ocorre o mesmo em alguns falares do Norte de Portugal, como o do Baixo Minho;
  • queda ou vocalização do l final (e. g. *finaw em vez de final): possível de ouvir também em algumas zonas do Alto Minho, no Norte de Portugal, e da Madeira, em Portugal Insular.

Nota: o asterisco (*) marca as palavras ortograficamente incorretas

Nasalização[editar | editar código-fonte]

A nasalização é muito mais presente no português brasileiro que no europeu. Isso é especialmente perceptível em vogais antes de /n/ ou /m/ seguidos de vogal; no PB, são pronunciadas com tanta nasalização quanto as vogais foneticamente nasalizadas, enquanto no PE quase não têm nasalização. Pelo mesmo motivo, vogais abertas (que não ocorrem em nasalização no português em geral) não ocorrem antes de /n/ ou /m/ no PB, mas ocorrem no PE. Isso pode afetar a escrita das palavras, sendo a explicação para a maior parte das duplas grafias permitidas pelo Acordo Ortográfico, como harmónico [ɐɾˈmɔniku] e harmônico [aɦˈmõniku]. Um outro caso é a distinção que o PE faz entre falamos [fɐˈlɐmuʃ] e falámos [fɐˈlamuʃ], enquanto os brasileiros pronunciam os dois tempos verbais como [faˈlɐ̃mus].

Uma exceção importante é a maior cidade do país, São Paulo, onde, talvez pela influência da forte imigração italiana, a nasalização de vogais tônicas antes de consoante nasal não ocorre. Dessa forma, a palavra homens é pronunciada em São Paulo com um /o/ oral, não nasal, ao invés do /õ/ nasal ouvido em grande parte do Brasil.[14] Isso é tornado especialmente relevante pela condição de São Paulo como grande centro da mídia brasileira, sede das principais emissoras de televisão (à exceção da Rede Globo), o que faz com que essa pronúncia não nasal seja ouvida em boa parte da programação nacional de televisão e rádio.

Um fenômeno relacionado ao já descrito é uma divergência de pronúncia da consoante representada por nh. No PE, a pronúncia é sempre [ɲ], mas, em boa parte do Brasil, é realizada como a semivogal nasalizada [j̃].[15] Exemplo: manhãzinha [mɐ̃j̃ɐ̃zĩj̃ɐ].

Redução de vogais[editar | editar código-fonte]

A redução de vogais é uma característica fonética notável da língua portuguesa, mas sua intensidade e frequência são variáveis entre a variante europeia e a brasileira.

De forma geral, os brasileiros pronunciam as vogais de forma mais aberta que os portugueses, mesmo quando estão as reduzindo.[16] Nas sílabas seguintes à tônica, o PB geralmente pronuncia o O como [u], o A como [ɐ] e o E como [i]. Alguns dialetos do PB seguem esse padrão também nas vogais anteriores à sílaba tônica.

Em contraste, o PE pronuncia o A átono principalmente como [ɐ], elide (não pronuncia) algumas vogais átonas ou as reduz a uma vogal [ɨ] (um som que não existe no português do Brasil). Por exemplo, a palavra setembro é [seˈtẽbɾu]/[sɛˈtẽbɾʊ] no Brasil mas [s(ɨ)ˈtẽbɾu] em Portugal.

A principal diferença entre os dialetos internos do Brasil é a presença frequente ou não de vogais abertas em sílabas átonas. Em geral, os dialetos do Sul-Sudeste sempre pronunciam E e O átonos como [e] e [o], isso quando não são reduzidos a [i] e [u]. Nesse caso a pronúncia pode variar de palavra para palavra ou até de falante para falante. Em contraste, nos sotaques do Norte e Nordeste há muitas regras complexas, ainda não muito estudadas, que determinam a pronúncia aberta de E e O em posição átona em muitas palavras. Exemplo: “rebolar”, que se fala [heboˈla] no Sudeste e [hɛbɔˈla] no Nordeste.

Uma outra diferença perceptível, mesmo que pequena, entre os dialetos é a frequência de nasalização das vogais antes de M e N. No Norte-Nordeste, são nasalizadas quase sempre, enquanto no Sul-Sudeste podem permanecer não nasalizadas se forem átonas. Um exemplo famoso é a pronúncia de banana. No Nordeste se fala [bɐ̃ˈnɐ̃nɐ], enquanto no Sul a pronúncia é [baˈnɐ̃nɐ].

Palatalização de /di/ e /ti/[editar | editar código-fonte]

Uma das tendências mais notáveis do PB moderno é a palatalização de /d/ e /t/[17] na maioria das regiões; esses sons são pronunciados como [dʒ] e [tʃ] (ou [dᶾ] e [tᶴ]), respectivamente, antes de /i/. A palavra presidente, por exemplo, se fala [pɾeziˈdẽtᶴi] nas regiões brasileiras em que esse fenômeno ocorre, mas [pɾɨziˈdẽt(ɨ)] em Portugal. Essa pronúncia deve ter começado no Rio de Janeiro e ainda é frequentemente associada a essa cidade, mas atualmente é a norma em muitos outros estados e grandes cidades, como Belo Horizonte e Salvador. Recentemente, foi difundida para algumas regiões do estado de São Paulo (talvez pela imigração), onde é comum para a maioria dos falantes abaixo de 40 anos, em média. Sempre foi a norma na comunidade japonesa do Brasil, por ser também uma característica da língua japonesa. As regiões que ainda preservam o [ti] e o [di] não palatalizados se localizam principalmente no Nordeste e no Sul do país, por conta da influência maior do português europeu (no Nordeste) e do italiano e do espanhol (no caso do Sul).

Epêntese em encontros consonantais[editar | editar código-fonte]

O PB tende a desfazer encontros consonantais em que a primeira consoante não seja /r/, /l/, ou /s/ por meio da inserção da vogal epentética /i/, que também pode ser caracterizada, em certos contextos, como um xevá.[18]

Esse fenômeno acontece predominantemente em posição pretônica e com os encontros consonantais ks, ps, bj, dj, dv, kt, bt, ft, mn, tm e dm, isto é, encontros consonantais que não são comuns em português. Exemplo: "opção" : [ɔpˈsɐ̃ʊ̃] > [ɔpiˈsɐ̃ʊ̃]). No entanto, algumas regiões brasileiras (como Minas Gerais e partes do Nordeste) apresentam uma tendência oposta, de reduzir a vogal átona [i] em uma vogal muito fraca, o que faz com que partes ou destratar sejam frequentemente realizados como [pahts] e [dstɾaˈta]. Esse fenômeno pode ocorrer ainda mais intensamente em vogais átonas pós-tônicas (exceto as finais), causando a redução da palavra e a criação de encontros consonantais: prática > prát'ca; máquina > maq'na; abóbora > abobra; cócega > cosca).[19]

Supressão do R e vocalização do L[editar | editar código-fonte]

Na maioria das regiões do Brasil, [ʀ] (o som do dígrafo RR) é enfraquecido a [χ] ou [h], e o som representado pela letra R em fim de sílaba (qualquer que seja esse som no dialeto em questão), quando está no fim de verbos, costuma ser suprimido em contextos não formais. Assim, matar e correr são normalmente pronunciados como [maˈta] e [koˈhe]. Isto também é visto no PE, mas com menos frequência.[20] Paralelamente, o som /l/ em fim de sílaba é pronunciado como [u̯] em quase todos os dialetos do país. Esses fenômenos, combinados com o fato de que /n/ e /m/ não ocorrem em fim de sílaba em português (sendo substituídos pela nasalização da vogal anterior), fazem com que o PB tenha uma fonologia que favorece fortemente sílabas abertas. Na quase totalidade do Brasil, a letra 'r' possui fonologia de [h], como exemplo a palavra "porta" fica pronunciada ['pohta]. Os únicos locais em que isso não ocorre é em São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, talvez por conta da grande imigração portuguesa, italiana, alemã e eslava.

Dialetos do português brasileiro[editar | editar código-fonte]

A fala popular brasileira apresenta uma relativa unidade, apesar das dimensões continentais do Brasil. A comparação das variedades dialetais do português brasileiro com as do português europeu leva à conclusão de que aquelas representam em conjunto um sincretismo destas, já que quase todos os traços regionais ou do português padrão europeu que não aparecem na língua culta brasileira são encontrados em algum dialeto do Brasil.

Há pouca precisão na divisão dialetal brasileira. Alguns dialetos, como o dialeto caipira, já foram estudados, estabelecidos e reconhecidos por linguistas tais como Amadeu Amaral. Contudo, há poucos estudos a respeito da maioria dos demais dialetos, e atualmente aceita-se a classificação proposta pelo filólogo Antenor Nascentes. Em entrevista ao jornal da UNICAMP,[4] o linguista Ataliba de Castilho diz que o padrão do português paulista espalhou-se pelo Brasil. "Se você olhar mapas que retratem os movimentos das bandeiras, das entradas e dos tropeiros, verá que os paulistas tomaram várias direções, para Minas e Goiás, para o Mato Grosso, para os estados do sul. Tudo isso integrava a Capitania de São Paulo. Na direção do Vale do Paraíba, eles levaram o português paulista até Macaé, no estado do Rio de Janeiro. Era paulista a língua que se falava no Rio de Janeiro. Isso mudou em 1808, quando a população do Rio era de 14 mil habitantes e D. João VI chegou com sua Corte, cerca de 16 mil portugueses. Não eram portugueses quaisquer. Eram portugueses da Corte. Seu prestígio fez com que imediatamente a língua local fosse alterada.

A primeira célula mais marcante do português brasileiro surgiu em Minas Gerais com a exploração de pedras preciosas, quando bandeirantes paulistas, escravos, índios e europeus criaram um jeito de pronunciar que se espalhou pelo país através do comércio e outras formas. Os principais dialetos do português brasileiro são:

Diversos linguistas têm estudado os vários dialetos do português brasileiro e verificam que os dialetos individuais se podem agrupar em grupos maiores e estes, por sua vez, em dois grandes grupos - o do norte e o do sul. Na Nova Gramática do Português Contemporâneo (1996) Celso Cunha e Lindley Cintra citam Antenor Nascentes sobre este assunto:

"De acordo com Antenor Nascentes é possível distinguir dois grupos de dialectos brasileiros – o do Norte e o do Sul -, tendo em conta dois traços fundamentais:

a)  abertura das vogais pretónicas, nos dialectos do Norte, em palavras que não sejam diminutivos nem advérbios em mente : pègar por pegar, còrrer por correr;

b)  o que ele chama um tanto impressionisticamente «cadência» da fala: fala «cantada» no Norte, fala «descansada» no Sul.

A fronteira entre os dois grupos de dialectos passa por «uma zona que ocupa uma posição mais ou menos equidistante dos extremos setentrional e meridional do país. Esta zona se estende, mais ou menos, da foz do rio Mucuri, entre Espírito Santo e Bahia, até à cidade de Mato Grosso, no Estado do mesmo nome.»"[23]

Assim, de acordo com as suas características (maior ou menor semelhança entre eles), os dialetos do português brasileiro acima mencionados podem ser agrupados do seguinte modo:

Grupos de Dialetos[24]

Dialeto padrão[editar | editar código-fonte]

Os dialetos das cidades de São Paulo e Rio de Janeiro são os que têm maior exposição nacional, devido à condição de centro econômico e midiático das duas cidades. Se o dialeto paulistano já foi apontado como o mais prestigioso entre os brasileiros[25] , é o dialeto do Rio de Janeiro[26] [27] que é apontado com maior frequência como possível dialeto padrão brasileiro.

Ortografia[editar | editar código-fonte]

Desde 1945, existem duas normas ortográficas para o português: uma em vigor no Brasil e outra nos restantes países lusófonos. A maior parte das diferenças diz respeito às consoantes "mudas", que foram eliminadas da escrita no Brasil. Por exemplo, as palavras ação e atual, que em Portugal são grafadas acção e actual, mas ditas como no PB.

Português europeu Português brasileiro
acção ação
baptismo batismo
contacto contato
direcção direção
eléctrico elétrico
óptimo ótimo

Com a implementação do Acordo Ortográfico de 1990, já aprovado pela Assembleia da República portuguesa e assinado pelo Presidente da República, a maioria das consoantes mudas serão também eliminadas da ortografia oficial do português europeu, restando apenas um número pequeno de palavras que admitirão ortografia dupla, geralmente quando a consoante é muda no português europeu, mas pronunciada no português brasileiro (por exemplo, em recepção), ou vice-versa (por exemplo, em facto).

O trema[editar | editar código-fonte]

Até a entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990, em janeiro de 2009, o trema era usado no português brasileiro para assinalar que a letra u nas combinações que, qui, gue e gui, normalmente muda, deve ser pronunciada. Exemplos: sangüíneo (pronuncia-se /sãˈgwinju/) e conseqüência (pronuncia-se /kõseˈkwẽsja/).

Com a entrada em vigor no novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa a partir de 1º de janeiro de 2009 o trema deixou de ser usado, a não ser em nomes próprios e derivados. Palavras como lingüiça, seqüestro, tranqüilo deixam de ter trema. No entanto, o acento continua a ser usado em palavras estrangeiras e seus derivados: Müller, mülleriano e Bündchen são exemplos.

Até 2012 vigora no Brasil um período de adaptação, durante o qual tanto a antiga ortografia do Formulário Ortográfico de 1943, como a nova do Acordo Ortográfico de 1990 são oficialmente aceitas como válidas.

A ortografia do português europeu já não utilizava o trema, reservando-o para palavras derivadas de nomes estrangeiros, como mülleriano (do antropônimo Müller).

Acordo Ortográfico de 1990 Formulário Ortográfico de 1943
linguiça lingüiça
sequência seqüência
frequência freqüência
quinquênio qüinqüênio
pinguim pingüim
bilíngue bilíngüe
trilíngue trilíngüe
quinquelíngue qüinqüelíngüe
sequestro seqüestro

Acentuação Gráfica[editar | editar código-fonte]

Devido à diferença de pronúncia entre o português falado no Brasil e o falado em Portugal, as proparoxítonas que no Brasil recebem acento circunflexo, por terem a vogal tônica fechada, em Portugal recebem acento agudo, por terem a vogal tônica aberta. Observe:

Português europeu Português brasileiro
cómodo cômodo
fenómeno fenômeno
tónico tônico
génio gênio

Note-se que existem exceções a esta regra, com palavras a proparoxítonas a receberem acento circunflexo em ambas as normas: fêmea, estômago, etc. (Em algumas variantes de português europeu, particularmente no Norte de Portugal, a pronúncia de fato é fémea e estómago, apesar da grafia.)

Na Língua Portuguesa, todas as palavras possuem uma sílaba tônica: a que recebe a maior inflexão de voz. Nem todas, porém, são marcadas pelo acento gráfico. As sílabas são subdivididas em tônicas, subtônicas e átonas.

Acento Fonético[editar | editar código-fonte]

De acordo com as teorias tradicionais, o acento no português é abordado nos seguintes aspectos.

Sílaba tônica[editar | editar código-fonte]

A sílaba tônica é a mais forte da palavra. Só existe uma sílaba tônica em cada palavra.

O guaraná - A sílaba tônica é a última (ná). A palavra é, portanto, oxítona. O táxi - A sílaba tônica é a penúltima (tá). A palavra é, portanto, paroxítona. A própolis - A sílaba tônica é a antepenúltima (pró). A palavra é, portanto, proparoxítona.

A sílaba tônica sempre se encontra em uma destas três sílabas: na última (a palavra é oxítona), na penúltima (paroxítona) ou na antepenúltima (proparoxítona).

Sílaba subtônica[editar | editar código-fonte]

A sílaba subtônica só existe em palavras derivadas, que são as que provêm de outra palavra. Coincide com a tônica da palavra primitiva, ou seja, a silaba tônica da palavra primitiva se transforma em subtônica da derivada.

Guaranazinho - A sílaba tônica é zi, e a subtônica, na, pois era a tônica da primitiva (guaraná). Taxímetro - A sílaba tônica é xí, é a subtônica, ta, pois era a tônica da primitiva (táxi). Propolina - A sílaba tônica é li, e a subtônica, pro, pois era a tônica da primitiva (própolis).

Sílabas átonas[editar | editar código-fonte]

Todas as outras sílabas são denominadas de átonas.

Teoria Moderna do Acento[editar | editar código-fonte]

Já as teorias modernas têm uma visão mais abrangente no que tange à questão do acento. De acordo com a Teoria do Acento, as palavras são divididas em pés, nos quais há um elemento preponderante, que recebe o nome de cabeça. Por exemplo, a palavra parafuso se divide em dois pés: (pa.ra)(fu.so). Cada pé possui seu cabeça, no caso, o cabeça do primeiro pé é PA e o do segundo, FU. Entretanto, o cabeça do segundo pé possui maior intensidade que o do primeiro, sendo o pico de intensidade da palavra. Assim, em vez da ideia de sílabas tônicas e subtônicas, temos a noção de acento primário (fu) e acento secundário (pa).

Um outro aspecto considerado são os tipos de pés, como seguem:

Troqueu silábico - É um pé de duas sílabas, com o cabeça à esquerda. É o caso da língua portuguesa e bem representado em (pa.ra)(fu.so). O troqueu silábico é sensível à intensidade.

Troqueu moraico - É um pé de duas moras, com o cabeça à esquerda. A mora é uma unidade de duração da sílaba. Por exemplo, uma sílaba curta como pé possui uma mora, enquanto uma sílaba longa como "feet" (pés, em inglês) possui duas moras. Feet é um exemplo de troqueu moraico. O troqueu moraico é sensível ao peso (sílabas com mais de uma mora são chamadas sílabas pesadas e aquelas que têm apenas uma mora, sílabas leves).

Iambo - Todo iambo é sensível ao peso. É composto ou por duas sílabas leves ou uma sílaba leve e uma pesada. A proeminência, diferente do troqueu, recai sobre o elemento da direita. Exemplo de língua iâmbica é o francês, como, por exemplo, na palavra analogie, que pode ser dividida nos pés (a.na)(lo.gie), sendo os elementos proeminentes NA e GIE, este último o mais proeminente da palavra.

Esta teoria contraria a teoria tradicional em alguns aspectos. Um deles está citado anteriormente sobre a sílaba subtônica. Retomando o exemplo de guaraná - guaranazinho, que, na teoria tradicional tem "na" como sílaba subtônica e "zi" como tônica. Já a teoria do acento afirma que não pode haver choque de acentos. Ou seja, o acento secundário nunca é vizinho do acento primário. Isto foi constatado também em estudos da fonética acústica. Se separarmos os pés troqueus, como é o caso do português, teremos dois pés bem formados e um pé degenerado (pé que não segue a formação esperada): (gua)(ra.na)(zi.nho). Pela estrutura acentual do português, a sílaba proeminente em (ra.na) será RA e em (zi.nho), ZI. Assim, temos, como acento secundário da palavra guaranazinho, a sílaba RA e, como acento primário, a sílaba ZI.

Gramática[editar | editar código-fonte]

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Afirmação e negação[editar | editar código-fonte]

O português falado informal raramente usa o advérbio "sim"[28] . Geralmente, no lugar dele é preferido o verbo em questão, como no exemplo:

— Cê foi na prefeitura?
— Fui.

É comum se incluir a forma verbal "não é" (ou sua contração "né") no fim de perguntas, com função de ênfase. Por isso é comum responder a perguntas do tipo dizendo-se simplesmente "É". Isso revela uma tendência no português brasileiro de responder não a uma pergunta literal, mas ao que o interlocutor quis saber pela pergunta. Não se deve pensar no entanto que não existiria a hipótese de uma resposta como "Sim, fui."

É comum no Brasil fazer uma negação dupla com "não" no início e no fim da frase, como em "Não é, não". Em algumas regiões, o primeiro "não" desse par, átono, é pronunciado como [nũ]. É também comum que se omita o primeiro "não", o que resulta numa ordem de palavras para negação inversa à prevalente em Portugal. Exemplo: "Vou, não".

Dícticos[editar | editar código-fonte]

No português europeu, os pronomes demonstrativos têm três formas, correspondentes ao grau de proximidade do falante (isto/isso/aquilo, este/esse/aquele). No português brasileiro, os pares "isto" e "isso" e "este" e "esse" são com frequência usados indiferentemente. Na forma falada, fundiram-se na segunda forma.[29] Talvez para desfazer a ambiguidade gerada por essa fusão, é comum que o pronome demonstrativo venha acompanhado de um advérbio que indique a proximidade (esse aqui/esse aí, substituindo este/esse).

Artigo definido antes do possessivo[editar | editar código-fonte]

Em todas as variantes do português, é facultativo o uso de artigo definido antes de pronome possessivo: o meu filho e meu filho são ambos corretos. No entanto, é dito que no Brasil, em comparação a Portugal, há uma preferência maior pela ausência do artigo.[30]

"Você" e "tu"[editar | editar código-fonte]

Uso da segunda pessoa do singular na lusofonia.

Em algumas regiões do Brasil, o pronome de tratamento você ganhou estatuto de pronome pessoal, e nessas áreas houve uma quase extinção do uso do tu e do vós. O você em Portugal é uma forma de tratamento semiformal; já no Brasil é a forma mais comum de se dirigir a qualquer pessoa, excetuando-se pessoas mais velhas ou, em situações formais, superiores hierárquicos ou autoridades (nesses casos é empregada a forma de tratamento o senhor ou a senhora).

Os pronomes você e vocês requerem formas verbais de terceira pessoa, o que reduz o número de flexões do verbo em relação aos pronomes. Quanto menor é o número de flexões que o verbo faz em relação aos pronomes, mais necessário se faz o preenchimento do sujeito pronominal, para se ter maior precisão. Isso torna o português brasileiro mais parecido com as línguas de pronome pessoal obrigatório como o francês, o alemão e o inglês. Além disso, o uso do "você" torna ambíguo o pronome "seu", que pode se referir tanto à terceira pessoa como à segunda. Para desfazer a ambiguidade, intensificou-se o uso da contração "dele". Na língua falada informal, o pronome "seu" é usado unicamente para a segunda pessoa.

  • Apesar do pouco uso do pronome reto tu no português falado na maior parte do Brasil, o seu correspondente pronome oblíquo te ainda é amplamente utilizado no português brasileiro, frequentemente em combinação com formas pronominais e verbais de terceira pessoa. Apesar de dominante mesmo entre falantes escolarizados, o uso de te com você é condenado pelas gramáticas normativas usadas nas escolas brasileiras e é evitado na linguagem formal escrita.
  • Na linguagem informal, mesmo nas regiões que usam o pronome você, o modo imperativo do verbo concorda com o pronome tu ("Anda", em lugar de "Ande", mas "Não anda" em vez de "Não andes"). É interessante notar que, no caso dos verbos ser e estar, os imperativos de segunda pessoa e está nunca são usados pelos brasileiros; as formas de terceira pessoa seja e esteja podem ser usadas em substituição.
  • O pronome possessivo teu também é ocasionalmente usado no português brasileiro para referir-se à segunda pessoa, embora seja muito menos comum do que o oblíquo te. A combinação você/te/teu no português brasileiro falado assemelha-se em natureza à combinação vocês/vos/vosso encontrada frequentemente no português europeu coloquial.
  • O tu é amplamente utilizado nas regiões Norte, Nordeste (excluindo a Bahia e Sergipe), Sul (exceto o Paraná) e no Rio de Janeiro, mas conjugado frequentemente na 3ª pessoa do singular: Tu fala, tu foi, tu é, excetuando-se as formas em que a sílaba tônica é a última, como tu 'tás. Em algumas regiões do Sul (sul, sudoeste e oeste do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina) e do Norte (Pará), o uso do tu na forma culta (conjugado na 2ª pessoa do singular) é até bem mais usado que o você.
  • Em alguns lugares da região Sul, Norte e em praticamente todo o Nordeste (excluindo a Bahia), o tratamento por tu é mais comum, usando-se os pronomes pessoais oblíquos de forma mais consistente (p.ex. para ti, com o mesmo significado que teria para você).
  • Em parte da Região Sul (especialmente em Santa Catarina) e do Nordeste, muitas vezes conjuga-se o pronome pessoal tu com o que aparentemente seria a mesma forma utilizada na 3ª pessoa do singular do pretérito imperfeito do subjuntivo para referir-se ao pretérito perfeito do indicativo. Ex: "Tu fizesse isso?", "tu comesse no bar ontem?". Na verdade, isto é a contração da forma da segunda pessoa do pretérito perfeito do indicativo: fizeste → fizes'e; comeste → comes'e, em que o "t" desaparece mas não se altera o som precedente de /s/.
Uso dos pronomes pessoais e formas de tratamento
1.ª pess. sin. Eu falo
2.ª pess. sin. Tu falas Brasil: informal em algumas regiões; nas outras, restrito a serviço religioso e arcaísmo histórico

Portugal: informal

3.ª pess. sin. Ele/Ela

Você O senhor/A senhora A gente

fala Você no Brasil: informal e semiformal (por exemplo, no trato com um desconhecido); aparece também nas formas cê e ocê, mesmo em situações semiformais

Você em Portugal e algumas regiões brasileiras: semiformal O senhor/A senhora: sempre formal A gente: sempre informal

1.ª pess. pl. Nós falamos
2.ª pess. pl. Vós falais Brasil: usa-se somente em formalidades, serviço religioso e arcaísmo histórico.

Portugal: usa-se (pouco) nos dialectos setentrionais e galegos (também se usa muito formalmente, como no Brasil)

3.ª pess. pl. Eles/Elas

Vocês Os senhores/As senhoras

falam Vocês: usado como plural tanto de "você" como de "tu", em todo o espaço geográfico do português

Os senhores/As senhoras: sempre formal

Cê e ocê[editar | editar código-fonte]

Quando o pronome você substituiu tu no português brasileiro, sendo usado em situações informais, passou a ser usado com muito mais frequência do que era antes. Isso acelerou seu processo histórico de redução (a partir de vossa mercê), dando origem às formas ocê e . Em Portugal, onde você continuou a coexistir com tu, esse pronome de tratamento foi sempre usado com menos frequência do que no Brasil. Além disso, em Portugal é usado em situações mais formais, o que também atua contra sua redução, da mesma maneira que o pronome formal usted em espanhol, que também não tem redução equivalente. Ocê é registrado em Cabo Verde[31] , mas só ocorre no português brasileiro.

A forma cê é usada na língua falada do Brasil como pronome fraco[32] , de maneira análoga ao pronome francês tu. Enquanto isso, as formas ocê e você exercem papel de pronomes fortes, de maneira análoga a toi em francês. Por isso, jamais é objeto de verbo e não aparece em posição de foco[33] , o que torna impossíveis construções como *"Queriam cê" em lugar de "Queriam ocê/você". A forma ocê é associada aos dialetos caipira e mineiro.

A forma ucê, outra das variantes, é encontrada principalmente no dialeto mineiro, e, como as formas "ocê" e "você", exerce também papel de pronome forte.

Cê e ocê são formas não padrão e não são aceitas na língua escrita, mas são de uso corrente mesmo nos falares cultos[34] . A forma cê, em especial, é amplamente usada na televisão, sendo notável na fala de personagens de telenovelas brasileiras.

Uso de reflexivos e da voz passiva sintética[editar | editar código-fonte]

Há no Sudeste e no Sul do Brasil uma tendência de se omitir o uso dos pronomes reflexivos em alguns verbos, exemplo: eu lembro ao invés de eu me lembro, ou eu deito ao invés de eu me deito. Em particular, verbos que indicam movimento como levantar-se, sentar-se, mudar-se, ou deitar-se são normalmente tratados como não-reflexivos na fala coloquial daquelas regiões. O uso da voz passiva analítica é também muito mais comum em PB do que em outras variantes, onde a voz passiva sintética com a partícula apassivadora -se é preferida. Como exemplo, é muito mais comum dizer-se no Brasil a partida foi disputada do que disputou-se a partida ou se disputou a partida.

Pronomes oblíquos[editar | editar código-fonte]

A colocação dos pronomes átonos é diferente na fala do Brasil e na de Portugal.[35] O PB é uma variante com forte tendência proclítica, preferindo-se sempre o uso da próclise (pronome antes do verbo). A ênclise (depois do verbo) é usada em formalidades e alternativamente em orações imperativas (como em "faça-me o favor"), e a mesóclise, possível nos tempos simples do futuro no PE, é pouco utilizada no PB, com exceção de contextos litúrgicos onde o padrão bíblico, que privilegia essa colocação pronominal, é adotado. O PE, por sua vez, apresenta-se como uma variante mais enclítica, sendo uma exceção habitual as frases na negativa.

No entanto, a gramática normativa prescreve as mesmas regras de colocação pronominal para as duas variantes; essas regras privilegiam as tendências do PE, o que se evidencia em suas restrições à próclise.

Exemplos
PB PE
Eu o convido Convido-o
Ele me viu Ele viu-me
Eu te amo Amo-te
Ele se encontra Ele encontra-se
Me parece Parece-me
Vou o encontrar Vou encontrá-lo

No PB falado, os pronomes oblíquos 'o', 'a', 'os' e 'as' praticamente não são usados, sendo quase sempre substituídos pelos pronomes pessoais do caso reto ('ele', 'ela'…)[36] . Entretanto, o uso dos pronomes oblíquos é mais comum na fala culta quando eles se seguem a um infinitivo e são transformados respectivamente em 'lo', 'la, 'los, 'las'. Na linguagem formal escrita, o uso dos oblíquos de terceira pessoa é obrigatório em qualquer caso.

Gerúndio[editar | editar código-fonte]

Um aspecto conservador do PB em relação ao PE é a dominância da construção estar + gerúndio, em lugar da construção estar + a + infinitivo, que se tornou dominante em Portugal. Nas variantes dialetais portuguesas a norte do rio Tejo, o gerúndio perifrástico combinado com verbos como estar e andar, (que dá ideia de ação durativa ou de movimento reiterado) tem vindo a ser substituído pelo infinitivo do verbo antecedido pela preposição a (e. g. estou a fazer em vez de estou fazendo). No Brasil este fenômeno também existe, mas é mais raro e aplica-se a um número muito mais reduzido de contextos gramaticais.

Português brasileiro Português europeu (a norte do Tejo) Observações
Eu estou cantando Eu estou a cantar Este tipo de estrutura é tão usada que pode dar a ideia de que em Portugal não se usa gerúndio
A vida vai moldando a pessoa… A vida vai moldando a pessoa… Neste caso (verbo ir, expressando mudança gradual), é sempre usado o gerúndio em qualquer região
O governo continua defendendo… O governo continua a defender… Há casos (como nos verbos continuar e acabar) em que no Brasil também se pode não usar o gerúndio

Semântica[editar | editar código-fonte]

Muitas palavras, sem perderem o seu significado tradicional, enriqueceram-se com uma ou mais acepções novas no Brasil. Por exemplo, virar também significa transformar-se em e prosa é também utilizado com o sentido de loquaz, conversador ou gabarola.

Diglossia[editar | editar código-fonte]

De acordo com alguns linguistas brasileiros contemporâneos (Bortoni, Kato, Mattos e Silva, Milton M. Azevedo[37] ,Perini[38] e, mais recentemente, e com grande impacto, Bagno[39] ), o português brasileiro seria uma língua caracterizada pela diglossia. Essa teoria afirma que há uma forma B, que seria a fórmula vernácula, língua materna de todos os brasileiros, e uma forma A (português brasileiro padrão), adquirido através da escolarização. A forma B representa uma forma simplificada da língua (em termos gramaticais, mas não fonéticos) que poderia ter se desenvolvido do português do século XVI, com influências ameríndias e africanas, enquanto a forma A seria baseada no português europeu do século XIX (e muito parecida com o português europeu padrão, com diferenças pequenas de ortografia e gramática). Mário A. Perini, linguista brasileiro, chega a comparar a profundidade das diferenças entre as formas A e B do português brasileiro com as das diferenças entre o espanhol padrão e o português padrão. No entanto, essa proposta é polêmica e não tem aceitação ampla, nem entre gramáticos, nem entre acadêmicos.

Segundo a teoria, a forma B seria a forma falada do português brasileiro, evitada somente em fala muito formal (interrogação judicial, debate político), enquanto a forma A seria a forma escrita da língua, evitada somente em escrita informal (como em letras de músicas ou correspondência íntima). Mesmo professores de português usariam a forma B ao explicar a estrutura e uso da forma A; nas provas, entretanto, a forma A é exigida dos alunos.

A forma B seria a usada em canções, filmes, telenovelas e outros programas de tevê, embora a forma A às vezes seja usada em filmes ou telenovelas históricos, para fazer a linguagem empregada parecer mais elegante ou arcaica.

Na maioria as obras literárias seriam escritas na forma A. Teria havido tentativas de escrevê-las na forma B (como a obra ‘’Macunaíma’’, de Mário de Andrade, ou ‘’Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa), mas é afirmado que no presente a forma B só é usada em diálogo. A forma A, não obstante, é muito usada mesmo em diálogo informal, especialmente em obras traduzidas. A forma B é mais comum de ser encontrada em livros infantis, mas somente os escritos originalmente em português.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Portal do Brasil

Referências

  1. IBGE divulga as estimativas populacionais dos municípios em 2011 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (31 de agosto de 2011). Visitado em 2 de setembro de 2011.
  2. INGLÊS BRITÂNICO x INGLÊS AMERICANO
  3. Tal como, por exemplo, português e o francês. Sendo ambas línguas românicas ou neolatinas, os falantes de uma e outra língua não se entendem, apesar das muitas semelhanças linguísticas existentes entre ambas.
  4. a b Jornal da UNICAMP, Edição 328, de junho de 2006.
  5. A tese citada está disponível na Biblioteca Digital da UNICAMP
  6. Fundação Biblioteca Nacional: Título não preenchido, favor adicionar. Visitado em 9 de junho de 2012.
  7. As duas grandes vertentes da história sociolinguística do Brasil (1500-2000) Dante Lucchesi
  8. Paul Teyssier, "História da Língua Portuguesa", Lisboa: Livraria Sá da Costa, p. 80.
  9. Florentino, Manolo, and Machado, Cacilda. Ensaio sobre a imigração portuguesa e os padrões de miscigenação no Brasil (séculos XIX e XX) - 2002 - Portugueses (PDF file)
  10. Paul Teyssier, "História da Língua Portuguesa", Lisboa: Livraria Sá da Costa, p. 81.
  11. Paul Teyssier, "História da Língua Portuguesa", Lisboa: Livraria Sá da Costa, pp. 80-81.
  12. Paul Teyssier, "História da Língua Portuguesa", Lisboa: Livraria Sá da Costa, pp. 81-83.
  13. MELO, Gladstone Chaves de. "A língua do Brasil". 4. Ed. Melhorada e aum., Rio de Janeiro: Padrão, 1981
  14. Unicamp.br
  15. Omniglot.com
  16. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-44501998000200005
  17. http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fale/article/viewFile/6861/4993
  18. UFSC.br
  19. Ppglufpb.com.br
  20. Iltec.pt
  21. Sotaque branco Meia Maratona Internacional CAIXA de Brasília.
  22. Diferentes “dialetos”: as expressões regionais brasileiras Portal Educar Brasil.
  23. Cunha; Cintra, Celso; Lindley. Nova Grámática do Português Contemporâneo. 12.ª. ed. Lisboa: Edições João Sá da Costa, 1996. p. 20-23. ISBN ISBN 972-9230-00-5.
  24. Cunha; Cintra, Celso; Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 12ª. ed. Lisboa: Edições João Sá da Costa, 1996. p. 20-23. ISBN 972-9230-00-5.
  25. RAMOS, Jania M. (jan.-jun. 1997). Avaliação de dialetos brasileiros: o sotaque (PDF) Revista de Estudos da Linguagem p. 118. UFMG. Visitado em 13 de fevereiro de 2013. Cópia arquivada em 13 de fevereiro de 2013.
  26. A suposta supremacia da fala carioca: uma questão de norma
  27. Um padrão ideal de fala: vicissitudes
  28. http://www.c-oral-brasil.org/apresent/58_ramos.pdf
  29. http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8142/tde-08122005-210454/pt-br.php
  30. http://ciberduvidas.pt/pergunta.php?id=17528
  31. http://www.ciberduvidas.pt/resposta.php?id=25740&template=imprimir
  32. https://sistemas.usp.br/siicusp/cdOnlineTrabalhoVisualizarResumo?numeroInscricaoTrabalho=4393&numeroEdicao=15
  33. http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/LHAM-6N6HVT/1/edenize_ponzoperes_tese.pdf
  34. https://sistemas.usp.br/siicusp/cdOnlineTrabalhoVisualizarResumo?numeroInscricaoTrabalho=4393&numeroEdicao=15
  35. Paul Teyssier, "História da Língua Portuguesa", Lisboa: Livraria Sá da Costa, pp. 84-85.
  36. http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=905
  37. http://books.google.com/books?id=tWk6gpv8ep0C&pg=PR1&lpg=PR1&dq=milton+m+azevedo+cambridge+portuguese&source=bl&ots=8_ljPDtcia&sig=89qyFpOU-GQanNAxMuwhbX5i0WY&hl=en&ei=3NyQTubwK-L00gHSrNEV&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=10&ved=0CF8Q6AEwCQ#v=onepage&q=milton%20m%20azevedo%20cambridge%20portuguese&f=false
  38. http://www.cervantesvirtual.com/s3/BVMC_OBRAS/027/e46/d28/2b2/11d/fac/c70/021/85c/e60/64/mimes/027e46d2-82b2-11df-acc7-002185ce6064_28.html
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]