Nheengatu

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Nheengatu
Falado em: Brasil, Colômbia,Venezuela
Região: Amazônia
Total de falantes: 8.000 (1998)
Família: Proto-tupi
 Tupi
  Tupi-guarani
   Subgrupo III
    Nheengatu
Estatuto oficial
Língua oficial de: São Gabriel da Cachoeira
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: sai
ISO 639-3: yrl

O nheengatu, também conhecido como nhengatu, nhangatu, inhangatu ou língua geral da Amazônia, ou ainda pelo nome latino lingua brasilica, é uma língua do tronco tupi, da família tupi-guarani. É a língua materna de parte da população cabocla do interior amazônico, além de manter o caráter de língua de comunicação entre índios e não-índios, ou entre índios de diferentes línguas.

Índice

[editar] Falantes

Conforme dados de 1998, são cerca de três mil os falantes no Brasil, há outros três mil na Colômbia e dois mil na Venezuela. Vivem nas áreas de Vaupés, do rio Içana e do Rio Negro. É conhecida por outros nomes como yeral, tupi litorâneo, língua geral, moderno tupi, nyengato, nyengatú, ñeegatú, waengatu.

[editar] Uso

É uma das três línguas oficiais do município de São Gabriel da Cachoeira, estado do Amazonas.

Constitui, ainda, um instrumento de afirmação étnica dos povos que perderam suas línguas, como os Baré, os Arapaço e outros. Há também reduzidos grupos de falantes nas areas limítrofes da Colômbia e Venezuela. É uma língua artificial[1] que se originou a partir do século XVII no Pará e Maranhão, como lingua franca[2] criada pelos jesuítas portugueses a partir do vocabulário e pronúncia tupinambás, que foram enquadrados em uma gramática modelada na portuguesa. Para conceitos e objetos estranhos à língua emprestaram-se inúmeros vocábulos do português e espanhol. A essa mistura deu-se o nome ie’engatu, que significa "língua boa".

[editar] História

Em seu auge, chegou a ser a língua dominante do vasto território brasileiro em conjunto com sua irmã idiomática, a língua geral paulista, sendo usada não apenas por índios e jesuítas, mas também como língua corrente de muitos colonos de sangue português.

Segundo o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro, até fim século XVIII, em São Paulo, falava-se a língua geral, o nhangatu, uma derivação do tupi. Foi uma língua imposta pelos missionários, até hoje ouvida em alguns locais da Amazônia. [3]

Na visão do poeta Jorge Mautner, "Anchieta e Nóbrega chegam e inventam o Brasil já numa atitude linguística. Eles pegam o tupi-guarani e transformam, facilitam, e isso vira a língua geral inhangatu (mistura de tupi e português), que vai ser falada em São Paulo até 1930 (sic), quando 70% ou 60% da população falava só essa língua." [4]

Entretanto, a língua entrou em declínio no fim do século XVIII, com o aumento da imigração portuguesa, e sofreu duro golpe em 1758, ao ser banida pelo Marquês de Pombal, por ser associada aos jesuítas, que haviam sido expulsos dos territórios dominados por Portugal. Esse declínio do nheengatu na Amazônia se acentuou com a chegada de imigrantes nordestinos, falantes do português.

[editar] Situação hoje

É surpreendente que a língua ainda sobreviva, mesmo de forma severamente diminuída, o que, contudo, evidencia sua vitalidade, sobretudo tendo em vista que seu uso foi reprimido durante séculos e que os povos oriundos do Alto Rio Negro inicialmente falavam idiomas indígenas muito distantes do nheengatu. Depois de tantos séculos, a língua ainda é falada por cerca de oito mil pessoas no Brasil, Venezuela e Colômbia[5]. No presente, o ensino de uma variação do nheengatu foi oficializado no município brasileiro de São Gabriel da Cachoeira, no estado do Amazonas.

[editar] Características

Além da anteriormente mencionada língua geral paulista, agora extinta, o nheengatu é bastante relacionado com o tupi antigo, idioma extinto, e com o guarani do Paraguai que, longe de estar extinto, é o idioma mais falado naquele país e uma de suas línguas oficiais. Segundo algumas fontes, o nheengatu e o guarani paraguaio chegam a ser mutuamente inteligíveis.

[editar] Escrita

O nheengatu usa o alfabeto latino devidamente adaptado por missionários à língua. São as cinco vogais tradicionais na forma curta (simples) mais aa, ee, ii, uu (forma longa); Entre as consoantes não existem F, J, L, Q, V, W, Z

[editar] Amostra de texto

Brasil, ker pi upé, coaracyáua,
Çaiçú í çaarúçáua çui ouié,
Marecê, ne yuakaupé, poranga.
Ocenipuca Curuça iepé!

Português

Brasil, um sonho intenso, um raio vívido,
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu, risonho e límpido,
A imagem do Cruzeiro resplandece.

[editar] Ver também

Referências

  1. As origens da língua brasílica
  2. Línguas.
  3. Estadão. Suplemento Aliás, 20 de abril de 2008 [1] Entrevista de Eduardo Viveiros de Castro a Flávio Pinheiro e Laura Greenhalgh.]
  4. Nossa amálgama. Entrevista de Jorge Mautner à revista FIGAS, n° 1, agosto de 2009.
  5. Nheengatu no Etnólogo.

[editar] Ligações externas

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