Carajás (tribo)

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Carajás
Brazilian-Indians.jpg
Casal de índios carajás com vestes típicas, no Primeiro Fórum Social Indígena, em Bertioga, em São Paulo, no Brasil, em 2005
População total

2 927

Regiões com população significativa
Ilha do Bananal, em Tocantins e Rio Araguaia, no  Brasil
Línguas
Língua carajá
Religiões
Cesto carajá em exibição no Museu Estadunidense de História Natural, em Nova Iorque, nos Estados Unidos
Cocar carajá em exibição no Museu de História Natural de La Rochelle, na França

Os carajás, também chamados karajá e iny mahãdu (que é sua autodenominação[1] ), são um grupo indígena que habita a região dos rios Araguaia e Javaés, nos estados de Goiás, Mato Grosso, Tocantins e Pará, no Brasil. Sua língua, a língua carajá (denominada, pelos carajás, como inyrybe, que significa "a fala dos iny"[2] ), pertence à família linguística carajá, a qual, por sua vez, pertence ao tronco linguístico macro-jê. Sua população atual é de 2 927 pessoas, distribuídas em 21 aldeias.[3] [4]

Características[editar | editar código-fonte]

Os carajás dividem-se em trezentos subgrupos que também correspondem aos três dialetos por eles falados: os carajás propriamente ditos, os javaés e os xambioás (por vezes, referidos como carajás-do-norte). Eles se autodenominam inã, que é um termo comum aos três subgrupos. Algumas classificações consideram os javaés como um grupo bastante distinto, embora eles partilhem a mesma cultura e a mesma vida ritual dos carajás e xambioás, apenas se distinguindo por alguns detalhes.

Habitam, tradicionalmente, as margens do Rio Araguaia, a partir da cidade de Aruanã, no estado de Goiás; a Ilha do Bananal, onde se concentra o maior número de aldeias, até as aldeias xambioás, já no estado de Tocantins, próximo do município de Santa Fé do Araguaia.

Viveram tradicionalmente da agricultura, da caça de animais da região (caititu, anta) e principalmente da pesca. Atualmente, devido à pressão da colonização brasileira e da criação de uma dependência quanto aos bens dos não índios, acabam por comercializar uma parte dos produtos da pesca, artesanato, entre outras atividades comerciais.

A vida social dos carajás é baseada na família extensa, em que o homem passa a residir na casa de sua mulher após o casamento (prática conhecida em antropologia como casamento uxorilocal). Os casamentos são proibidos entre parentes próximos até os primos de primeiro grau. A partir do segundo grau, o casamento entre primos é não apenas permitido como desejado, para manter a união da familia.

As aldeias carajás são formadas por uma ou mais fileira de casas residenciais ao longo do rio e, afastada delas e voltada para a mata, uma casa conhecida como idjassó hetô, ou "casa de Aruanã". Pode também ser chamada de "casa dos homens". Essa casa afastada é o centro da vida ritual.

O calendário ritual dos carajás intensifica-se com a cheia do rio Araguaia (entre dezembro e fevereiro). Pode ser dividido em dois grandes ciclos rituais: o Hetôhokã, ou "Festa da Casa Grande", quando se admitem os rapazes à "casa dos homens", e o Idjassó Anarakã, ou "Dança dos Aruanãs", que os coloca em contato com entidades espirituais que povoam o cosmo.

Cosmologia[editar | editar código-fonte]

Os carajás concebem o universo como formado por três camadas: um mundo subaquático de onde surgiu a humanidade e onde habitam os idijaçós (entidades protetoras e antepassados míticos dos carajás); o mundo terrestre, visível a qualquer um e morada dos atuais carajás; e o mundo das chuvas, onde moram entidades poderosas e destino das almas dos xamãs. A comunicação com esse mundo cósmico é assegurada pela existência do xamã, cuja atuação é reconhecida sempre como ambígua: traz as curas e as entidades, mas pode trazer a doença e a morte.

Bonecas carajás[editar | editar código-fonte]

Um elemento cultural característico dos carajás é a elaboração de tradicionais bonecas de barro zoomorfas ou antropomorfas. Em língua carajá, essas bonecas são denominadas ritxòò (na linguagem dos homens) e ritxoko (na linguagem das mulheres).[5] Em janeiro de 2012, as bonecas carajás foram reconhecidas oficialmente como patrimônio cultural imaterial brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.[6]

Problemas atuais[editar | editar código-fonte]

Atualmente, é grande a taxa de suicídios entre os jovens carajás. Os líderes carajás atribuem o problema à entrada de bebidas alcoólicas e de drogas nas aldeias carajás, bem como à falta de opções de estudo, trabalho e lazer para os jovens.[7]

Referências

  1. Terceira edição do Projeto Índio no Museu foi destaque na abertura da Semana do Índio. Disponível em http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=51&ID_M=826. Acesso em 11 de agosto de 2012.
  2. Terceira edição do Projeto Índio no Museu foi destaque na abertura da Semana do Índio. Disponível em http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=51&ID_M=826. Acesso em 11 de agosto de 2012.
  3. MUNDURUKU, D. Contos indígenas brasileiros. Ilustrações Rogério Borges. Segunda edição. São Paulo. Global. 2005. p. 27
  4. Bonecas carajá podem ser nominadas Patrimônio Cultural do Brasil. Disponível em http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=29&ID_M=1134. Acesso em 11 de agosto de 2012.
  5. Bonecas carajá podem ser nominadas Patrimônio Cultural do Brasil. Disponível em http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=29&ID_M=1134. Acesso em 11 de agosto de 2012.
  6. Arte indígena é reconhecida como patrimônio cultural do Brasil. Disponível em http://www.museudoindio.org.br/template_01/default.asp?ID_S=29&ID_M=1137. Acesso em 11 de agosto de 2012.
  7. ALTAFIN, I. G. Suicídio de índios carajás é resultado de álcool, abandono e drogas, dizem lideranças. Disponível em http://www12.senado.gov.br/noticias/materias/2012/03/12/suicidio-de-indios-carajas-e-resultado-de-alcool-droga-e-abandono-dizem-liderancas. Acesso em 7 de setembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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