Tupiniquins

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Tupiniquins
Dança tupinikin 2008.jpg
População total

1 388

Regiões com população significativa
Aracruz, no Espírito Santo, no Brasil
Línguas
português
Religiões
Localização original dos povos tupiniquins, no século XVI
Distribuição dos grupos de língua tupi na costa brasileira, no século XVI

Os tupiniquins (também chamados tupiiiinaquis,[1] topinaquis, tupiiinanquins e tupinikins) são um grupo indígena brasileiro, pertencente à nação tupi e que habitava, até o século XVI, o sul do atual estado da Bahia e o litoral do atual estado de São Paulo, entre Santos e Bertioga[2] . Foram o grupo indígena com o qual se deparou a esquadra portuguesa de Pedro Álvares Cabral, em 23 de abril de 1500[3] . Atualmente, habitam o município de Caruaru no norte do estado do Pernambuco.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Segundo Antenor Nascentes, o termo "tupiniquim" deriva da expressão tupin-i-ki, significando "tupi ao lado, vizinho lateral" (in: Dicionário Etimológico Brasileiro[4] ). Silveira Bueno dá sua raiz na expressão tupinã-ki, ou "tribo colateral, o galho dos tupi" (in: Dicionário Etimológico-Prosódico da Língua Portuguesa[4] ). Eduardo de Almeida Navarro sugere a etimologia "os que invocam Tupi", pela junção de Tupi (nome de um personagem mítico ancestral das tribos tupis) e ekyîa ou ikyîa (invocar).[5]

Uso popular de "tupiniquim"[editar | editar código-fonte]

No português coloquial, "tupiniquim" costuma ser usado como sinônimo de "brasileiro".

História[editar | editar código-fonte]

Os tupiniquins tiveram importante participação na colonização portuguesa da região de Santos e Bertioga no século XVI e na fundação da cidade de São Paulo, em 1554, pelos padre jesuíta Manuel da Nóbrega. Eram aliados dos colonizadores portugueses[6] . O pesquisador Carlos Augusto da Rocha Freire consignou que os tupiniquins ocupavam, no século XVI, terras situadas entre o atual município baiano de Camamu até o Rio São Mateus (ou Rio Cricarê), no atual estado do Espírito Santo. Foram catequizados por jesuítas em "Aldeia Nova", sofrendo com pragas exógenas (como a varíola) e endógenas (como as formigas, que lhes destruíram as plantações). Serafim Leite consignara, em História da Companhia de Jesus no Brasil, que o Acampamento dos Reis Magos era, quase todo, composto por tupiniquins.[4]

Em 1610, o padre João Martins obteve, para os nativos, uma sesmaria, mensurada somente em 1760. O principal centro desse território era a vila de Nova Almeida, que, na data de sua demarcação, contava com 3 000 habitantes. Auguste de Saint-Hilaire registra, no início do século XIX, sua existência.[4] Em 1860, o imperador brasileiro Pedro II encontrou-se, em Nova Almeida, com uma mulher tupiniquim, registrando o fato em seu diário. Em meados do século XIX, o pintor Auguste François Biard anotou sua presença em famílias dispersas, junto a imigrantes italianos.[4]

Etnias indígenas mais populosas no Leste-Nordeste brasileiro, atualmente

No século XX, o Serviço de Proteção aos Índios instalou, no Espírito Santo meridional, uma de suas zonas de atuação, sendo encontrados, em 1924, alguns tupiniquins.[4]

Situação atual[editar | editar código-fonte]

Sua população, em 1997, estava em volta de 1 386 indivíduos. No passado, falavam a língua tupi litorânea, da família Tupi-Guarani, mas, atualmente, usam apenas o português.[4] Foram tolhidos de suas terras, o que resultou no acampamento em protesto, junto a índios guaranis do Espírito Santo, defronte ao Ministério da Justiça, reivindicando a efetivação da reserva indígena.[7]

Em 28 de agosto de 2007, o governo demarcou as terras reivindicadas pelos tupiniquins, que ficaram acampados em área usada para a plantação de eucaliptos da empresa Aracruz Celulose.[8]

Confrontação entre o território tupiniquim demarcado e as áreas ocupadas pela Aracruz Celulose (em cinza)
O cacique Jaguaretê, em Brasília, em 2007
Índios repovoam sua terra tradicional após acordo com a Aracruz Celulose no Espírito Santo - Foto: Valter Campanato/Abr.

Notas e referências

  1. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 484.
  2. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 18.
  3. BUENO, E. A viagem do descobrimento: a verdadeira história da expedição de Cabral. Rio de Janeiro. Objetiva. 1998. p. 91.
  4. a b c d e f g Enciclopédia de povos indígenas, acessada em 27 de janeiro de 2008
  5. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 484.
  6. BUENO, E. A coroa, a cruz e a espada. Rio de Janeiro. Objetiva. 2006. p. 186.
  7. Notícial, Agência Brasil, consultada em 27 de janeiro de 2008.
  8. Notícia, Agéncia Brasil, consultada em 27 de janeiro de 2008.