Santos

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Município da Estância Balneária de Santos
"Terra da Caridade e da Liberdade"
Montagem Santos.jpg

Bandeira da Estância Balneária de Santos
Brasão da Estância Balneária de Santos
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 26 de janeiro de 1546 (468 anos)
Gentílico santista
Lema PATRIAM CHARITATEM ET LIBERTATEM DOCVI
(traduzido do latim, significa: "À Pátria, Ensinei a Caridade e a Liberdade"[1] )
Prefeito(a) Paulo Alexandre Barbosa (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização da Estância Balneária de Santos
Localização da Estância Balneária de Santos em São Paulo
Santos está localizado em: Brasil
Santos
Localização da Estância Balneária de Santos no Brasil
23° 56' 13.16" S 46° 19' 30.34" O23° 56' 13.16" S 46° 19' 30.34" O
Unidade federativa  São Paulo
Mesorregião Metropolitana de São Paulo IBGE/2008[2]
Microrregião Santos IBGE/2008[2]
Região metropolitana Baixada Santista
Municípios limítrofes Norte: Santo André e Mogi das Cruzes;
Leste: Bertioga;
Sul: Oceano Atlântico e Guarujá (Ilha de Santo Amaro);
Oeste: São Vicente e
Noroeste: Cubatão.
Distância até a capital 77 km[3]
Características geográficas
Área 280,674 km² [4]
População 433 153 hab. (SP: 10º) –  Estimativa IBGE/2013 [4]
Densidade 1 543,26 hab./km²
Altitude 2 m
Clima tropical Af
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,840 (SP: 3°) – muito alto PNUD/2010 [5]
PIB R$ 27 616 035,000 mil Aumento IBGE/2010 [6]
PIB per capita R$ 65 790,53 IBGE/2010 [6]
Página oficial
Prefeitura http://www.santos.sp.gov.br/

Santos é um município portuário sede da Região Metropolitana da Baixada Santista, localizado no litoral do estado de São Paulo, no Brasil. Abriga o maior porto da América Latina,[7] o qual é o principal responsável pela dinâmica econômica da cidade ao lado do turismo, da pesca e do comércio.[8] A cidade é sede do poder executivo paulista todo dia 13 de junho (capital simbólica de São Paulo) e também é sede de diversas instituições de ensino superior.

Santos possui uma economia crescente. Em 2010, a cidade era a 17ª mais rica do país, com produto interno bruto de R$ 27 616 035 000. Durante um bom tempo, sua economia centrou-se na comercialização do café (que também era a principal fonte de riqueza do país),[9] abrigando, no Centro, a Bolsa Oficial do Café, importante centro de negócios do mercado cafeeiro inaugurada em 1922,[10] e que resultou no atual Museu do Café, espaço que promove exposições sobre a trajetória do produto pelo Brasil e pela cidade e que é decorado com obras do artista Benedito Calixto.[11]

Maior cidade do litoral paulista,[12] durante todo o ano o turismo em Santos cresce em altos índices. O principal cartão postal do município são os 7 km de praia. O Livro dos Recordes situa os jardins da orla de Santos como formadores do maior jardim frontal de praia em extensão do mundo.[13] A preservação e o cuidado com a flora do ambiente praiano santista, permeado de palmeiras e amendoeiras,[14] são resultados de um trabalho em conjunto dos departamentos de meio ambiente da região, muitas vezes ligados a universidades ou a instituições científicas.[15] A estimativa de população em julho de 2013 era de 433 153 habitantes.[4] A Baixada Santista, com 1,7 milhão de habitantes, é parte — junto com a Grande São Paulo e a Região Metropolitana de Campinas — do Complexo Metropolitano Expandido, uma megalópole que ultrapassa os 30 milhões de habitantes (cerca 75% da população paulista) e que é a primeira aglomeração urbana do tipo no hemisfério sul.[16]

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento de 2010 posicionou a cidade de Santos em sexto lugar na lista dos municípios brasileiros por índice de desenvolvimento humano, e em terceiro lugar na lista dos municípios de São Paulo por índice de desenvolvimento humano.[5] Entretanto, Santos enfrenta diversos problemas, incluindo alto custo de vida[17] , constante especulação imobiliária[18] e elevadas taxas de homicídios para cada 100 mil habitantes[19] . Além disso, abriga a maior favela de palafitas do país[20] , onde vivem mais de 10 mil pessoas. Santos é uma das cidades mais antigas do país[21] e de grande valor histórico por acompanhar o crescimento e a evolução do Brasil em seus primeiros anos de colônia até os dias atuais, surgindo como um município de valor cosmopolita, portuário, ecológico e cultural.[14]

História[editar | editar código-fonte]

Os Primórdios da povoação[editar | editar código-fonte]

Fundação de Santos, por Benedito Calixto.

Verificam-se relatos a respeito da Ilha de São Vicente apenas dois anos após o descobrimento oficial do Brasil, em 1502, com a expedição de Américo Vespúcio para o reconhecimento da costa brasileira. Ao passar pela ilha dantes conhecida pelos indígenas sob o nome de Goiaó (ou Guaiaó), a expedição decidiu dar-lhe o nome do santo do dia, São Vicente.

A coroa portuguesa interessou-se pouco pela região nos trinta anos que se seguiram à expedição. Durante este tempo, vários corsários e piratas acudiam à região em busca do pau-brasil, madeira nobre que era objeto de cobiça na época, largamente explorada pelos portugueses na Mata Atlântica abundante da região.

Casa do Conselho ou Câmara e Cadeia, por Benedito Calixto.

No entanto, em 1531, devido à decadência dos negócios da coroa portuguesa na Índia, o Brasil volta ao centro das atenções. Uma esquadra de demarcação e posse de territórios é enviada pelo monarca D. João III à Ilha de São Vicente. O chefe da esquadra, o navegador Martim Afonso de Sousa, encontra na entrada do atual estuário de Santos (Ponta da Praia) um pequeno povoado e um atracadouro, conhecido como Porto de São Vicente. Um dos degredados trazidos pela expedição de Américo Vespúcio, Cosme Fernandes, fundara aí essa colônia, e prosperava graças ao comércio com os indígenas. A vila de São Vicente também refletia a prosperidade das atividades econômicas de Fernandes.

Martim Afonso, no entanto, expulsou Cosme Fernandes das terras e ocupou o porto de São Vicente. Também distribuiu sesmarias na parte norte da ilha, conhecida como Enguaguaçu, onde se encontravam terras adequadas ao plantio. Aí, se estabeleceram colonizadores portugueses, tais como Luís de Góis (e sua esposa Catarina de Andrade), Domingos Pires, Pascoal Fernandes, Francisco Pinto, Rui Pinto e os irmãos José e Francisco Adorno, que construíram um engenho perto do atual Morro de São Bento. A vida do novo povoado, entre 1530 e 1543, passou a girar em torno do engenho e do plantio. Com a invasão e saqueio da vila de São Vicente por Cosme Fernandes, que se vingou por haver sido expulso em 1531 por Martim Afonso de Sousa e, com o maremoto posterior que danificou seriamente essa vila, a população do povoado do Enguaguaçu só fez crescer.

Em 1543, com o término da construção de uma capela num outeiro em homenagem a Santa Catarina por Luís de Góis, Brás Cubas conseguiu a transferência do Porto para o sítio do Enguaguaçu, que era mais seguro e o apoio do povoado era necessário para as embarcações que aportavam e para o fornecimento das mercadorias a exportar. O fidalgo português também levou a cabo a instalação de um hospital, nos moldes da Santa Casa de Lisboa, acelerando o desenvolvimento do local. O hospital foi denominado Santa Casa de Misericórdia de Todos os Santos e foi o primeiro hospital das Américas. O novo povoado de Enguaguaçu passou então a ser conhecido como o povoado de Todos os Santos. Uma outra hipótese sobre o nome Santos viria do porto de Santos que havia em Lisboa, semelhante ao local do novo povoado. Daí, então a região próxima ao Outeiro era conhecida como "Vila do Porto de Santos", e depois, apenas "Santos".

Dessa forma, o povoado cresceu em importância: foi elevado à condição de vila por Brás Cubas em 1546 (data controversa, o ano de 1543 também é defendido por certos historiadores), vivendo os seus primeiros anos de ocupação por imigrantes portugueses e espanhóis. A Capela de Santa Catarina se tornou a Igreja Matriz da vila. Ainda hoje, comenta-se o fato de Santos ser uma das poucas cidades que conhecem exatamente o seu local de nascimento: o Outeiro de Santa Catarina, que existe até hoje.

Cquote1.svg Atribui-se a fundação de Santos a Brás Cubas, sertanista português que, em 1536, recebeu a mais vasta sesmaria do litoral da Capitania de São Vicente. Em 1543, Brás Cubas instalou às margens da baía a Casa de Misericórdia de Todos os Santos para abrigar doentes dos navios que chegavam da metrópole. O povoado, com nome simplificado de Santos foi elevado à categoria de vila em 1545. Cquote2.svg

Desenvolvimento Colonial[editar | editar código-fonte]

Café sendo embarcado no porto de Santos em 1880, por Marc Ferrez.
Bolsa do Café em Santos.

A segunda metade do século XVI foi significativa para Santos: criaram-se a Alfândega de Santos em 1550 — o mesmo ano da chegada dos padres jesuítas para a catequização dos índios tupis que ali moravam em núcleo, o arsenal de defesa em 1552, e instalou-se a ordem dos carmelitas em 1589. Mas também foi uma época em que Santos sofreu com a invasão e com os saques dos corsários, por ser um porto relativamente próspero.

O saque do pirata Thomas Cavendish, em 1591, deu origem em Santos à lenda do milagre de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade. Conta a lenda que a população santista se refugiou num dos morros da cidade, o morro de São Jerônimo, para escapar aos piratas. Neste morro havia uma capela à qual um fidalgo espanhol trouxera uma imagem de Nossa Senhora de Montserrat (daí o nome dado ao morro, Monte Serrat). A população orava na capela de Montserrat quando os piratas começaram a subir para atacá-los e um deslizamento de terra, atribuído à Santa, os fez fugir. Desde então, Nossa Senhora do Monte Serrat é celebrada como padroeira da cidade, e seu dia é comemorado no dia 8 de setembro. Cavendish também destruiu o Outeiro de Santa Catarina e o Engenho dos Erasmos, sendo um dos responsáveis pelo declínio da incipiente economia canavieira da Capitania de São Vicente.

Thomas Cavendish permaneceu por dois meses em Santos, saqueando o que podia, chegou a roubar dois sacos de ouro que teriam vindo de uma mina no pico da Jaraguá. Partiram daí para o Estreito de Magalhães com a finalidade de atacar as colônias espanholas, mas devido ter se demorado muito em Santos, pegaram mau tempo no Estreito de Magalhães onde ficaram presos, muitos de sua tripulação morreu de frio e de fome, tendo retornado a Santos para pedir ajuda na Santa Casa.[23]

No século XVII, seguindo uma tendência de toda a Capitania de São Vicente, a vila de Santos entra em um longo e lento processo de estagnação e posterior decadência. Muitos habitantes da vila, na tentativa de buscar uma atividade econômica, se juntavam aos habitantes da vila de São Paulo de Piratininga e partiam nas expedições conhecidas como bandeiras.

No fim do século XVIII, a vila retoma o desenvolvimento e sua população começa a crescer. A construção da Calçada do Lorena - estrada de ligação de Santos com São Paulo, o desenvolvimento na infraestrutura (iluminação pública, melhoramentos no porto) e a posterior abertura dos portos brasileiros com a vinda da família real portuguesa reativaram o dinamismo econômico da vila.

Cabe destacar que vários episódios relacionados à independência do Brasil ocorreram em Santos, tais como a rebelião militar dos Quartéis de Santos liderada de Chaguinhas contra a tentativa das Cortes Constitucionais de Lisboa de fazer retroceder o Brasil à condição de colônia, e a passagem de D. Pedro I por Santos justo antes do célebre Grito da Independência. Aliás, note-se que o imperador nunca escondeu sua simpatia pela região, chegando a conferir à sua amante o título de Marquesa de Santos.

Elevação à Categoria de Cidade[editar | editar código-fonte]

Santos foi elevada à categoria de cidade em 26 de janeiro de 1839 quando a Assembleia Provincial (que hoje equivale a Assembleia Legislativa Estadual) resolveu aprovar uma Lei que elevou a Vila de Santos à condição de Cidade, assinada por Venâncio José Lisboa, presidente da Assembleia. Logo, comemora-se a cada dia 26 de janeiro o aniversário da cidade - não apenas o de sua elevação à categoria de Cidade, mas também o da sua fundação por Brás Cubas.

Abaixo segue transcrita a lei de elevação. Era curiosa a metodologia da escrita na forma de fazer e sancionar as leis na época: existia um cabeçalho realmente grande, além do fato de a Lei ser específica (e não como ocorre atualmente, com nuances):

"O Dr. Venâncio José Lisboa, presidente da Província de São Paulo (Nota: Esse cargo equivale ao atual Governador), etc. Faço saber a todos os seu habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei, a lei seguinte:

Artigo único – Fica elevada à categoria de Cidade de Santos, a Villa do mesmo nome, pátria do conselheiro José Bonifácio de Andrada e Silva, revogadas para isso as disposições em contrário (Nota: Já existia o hábito de escrever "Revoga-se …", pois é mais fácil do que pesquisar o intrincado arquivo legislativo adotado até essa época). Mando, portanto a todas as autoridades a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir tão inteiramente como nella se contém. O Secretário desta Província a faça imprimir, publicar e correr. Dada no Palácio do Governo de São Paulo, aos 26 dias do mês de janeiro de 1.839. (a) Venâncio José Lisboa".[24]

Modernização de Santos[editar | editar código-fonte]

A economia do café no Brasil representou um impulso sem precedentes de crescimento para Santos. A inauguração da ferrovia São Paulo Railway ligando Santos às lavouras cafeeiras de Jundiaí em 1867 foi uma fonte de progresso inestimável, principalmente para o porto. A cidade aumentou sua população sobremaneira, ocupando toda a área entre o porto e o Monte Serrat, e as áreas conhecidas como Paquetá e Macuco. A cidade também fervilhava de ideias: foi um dos centros do movimento abolicionista, com a figura de Quintino de Lacerda e seu famoso quilombo no bairro do Jabaquara. O Teatro Guarany, primeiro grande teatro da cidade e palco de manifestações pela abolição, foi inaugurado em 1888.

Com a abolição da escravatura e a vinda de mão de obra italiana para substituir o trabalho dos negros, na agricultura, Santos se caracterizou como a porta de entrada do Brasil para os esperançosos imigrantes italianos e japoneses. Muitos acabaram se fixando na própria cidade em vez de seguirem o destino até então traçado para eles.

O aumento populacional também acarretou problemas: uma grande epidemia de febre amarela em 1889 dizimou setecentas pessoas. Santos sofria constantemente com as doenças, com os alagamentos. A falta de saneamento básico era um problema, as doenças e os cortiços também. O Porto de Santos era temido, considerado o "porto da morte". Para sanar tais problemas, duas obras foram fundamentais: o Porto Organizado, inaugurado em 1892 pelos empresários Cândido Gaffrée e Eduardo Guinle, e o Saneamento de Santos, que é o responsável pelo fim definitivo das doenças e pela salubridade de Santos. A genialidade do projeto do engenheiro Saturnino de Brito teve o triplo mérito de drenar as planícies alagadas com os canais de drenagem - hoje marcos da paisagem urbana santista - de preservar a memória histórica do Centro e de ordenar a ocupação urbana da Ilha de São Vicente com um plano de ruas.

O século XX: o turismo e a luta pela autonomia[editar | editar código-fonte]

Santos em 1910, por Benedito Calixto.

Santos se tornou definitivamente uma cidade turística a partir dos anos 1910, com a construção dos hotéis Internacional e Parque Balneário e com a construção dos jardins da orla de Santos a partir de 1935. Até hoje, o turismo em Santos é uma das atividades econômicas principais, ligado principalmente às praias e ao patrimônio histórico.

Durante o regime militar de 1964, Santos teve a sua autonomia política suspensa: por abrigar o maior porto do Brasil, a cidade foi designada área de segurança nacional pelo governo, perdendo, assim, o direito de eleger prefeito. O prefeito eleito democraticamente Esmeraldo Tarquínio, foi cassado em 1968, o que representou um duro golpe para a cidade.

No início dos anos 1980, com o enfraquecimento do regime, pressões políticas pela volta da autonomia cresceram. Finalmente, em 1983, Santos recuperou sua autonomia. A cidade elegeu de maneira democrática o primeiro prefeito em vinte anos, que era ao mesmo tempo um dos principais nomes do movimento pela autonomia: Oswaldo Justo (ligado ao PMDB).

Dias atuais[editar | editar código-fonte]

Durante a década de 1990, como resultado de um processo vindo já da década de 1980, Santos enfrentou uma crise no turismo devido à piora na balneabilidade das suas praias. A cidade passou a recuperar-se a partir do início da década de 1990, em um trabalho de reversão da imagem negativa adquirida ao longo da década de 1970.

O comércio cresceu na cidade, e surgiram casas noturnas, agências de recepção turística, hotéis e flats. Em 1991, a Bienal de Artes Plásticas de Santos, interrompida por dezoito anos, voltou a ser realizada, no intuito de recuperar a identidade cultural do município. A partir de 1993, a prefeitura passou a investir no turismo, com revitalizações paisagísticas e construções de ciclovias na cidade. Deste modo, Santos foi considerada a cidade mais visitada por turistas estrangeiros no litoral paulista.

A partir de 1999, ocorreram projetos de revitalização da área central da cidade, reconhecida como Centro Histórico. Foram oferecidos incentivos fiscais às empresas em troca de restaurações de prédios depredados, o que melhorou consideravelmente seu aspecto e trouxe empresas para a região. Programações culturais e artísticas atraíram restaurantes e clubes, como a reativação do Teatro Coliseu Santista e a implantação do Bonde Turístico.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Aspectos físicos e ambientais[editar | editar código-fonte]

Foto de satélite com a área insular de Santos ao centro da imagem.
Fotografia aérea de Santos.
Mapa indicando a área insular e a área continental de Santos.

Divide-se em duas áreas geográficas distintas: a área insular e a área continental. As duas áreas diferem tanto em termos demográficos, quanto em termos econômicos e geográficos.

Área insular[editar | editar código-fonte]

Estende-se sobre a Ilha de São Vicente, cujo território é dividido com o município vizinho de São Vicente. Com uma área de 39,4 km²[25] , densamente urbanizada, abriga quase a totalidade dos habitantes da cidade. Ela compreende uma área plana — extensão da Planície Litorânea do estado de São Paulo — a qual apresenta altitudes que raramente ultrapassam os vinte metros acima do nível do mar, e uma área composta por morros isolados denominada Maciço de São Vicente, de origem antiga e dotada de uma ocupação urbana irregular com uma mescla de tecidos caracterizados por alta e baixa renda, cuja altitude não ultrapassa os 200 metros acima do nível do mar.

Sobre a região plana da ilha de São Vicente já não há quase vegetação, devido ao alto processo de impermeabilização do solo urbano. Na região norte da ilha, nos bairros da Alemoa, do Chico de Paula e do Saboó ainda verificam-se resquícios de manguezais. Antes da ocupação da área plana da ilha por chácaras (e posteriormente pela urbanização), aí encontravam-se vastos terrenos alagados cobertos por manguezais, pela Mata Atlântica e vegetação rasteira próxima à praia.

Ainda podemos encontrar nos morros, vastos exemplares de Mata Atlântica nativa, apesar das chácaras e dos bananais existentes. A Lagoa da Saudade, localizada no Morro da Nova Cintra, de baixa altitude, é conhecida por abrigar uma espécie de jacaré. A ocupação desordenada representa um risco tanto ambiental quanto geológico: o desmatamento leva a frequentes deslizamentos de terra, sobretudo de janeiro a março, tradicional época de chuvas na região.

A maioria dos rios da parte insular foi canalizada quando o engenheiro Saturnino de Brito projetou o sistema de canais da cidade. Como exemplos, podemos citar o rio Dois Rios e o Ribeirão dos Soldados (atual canal da av. Campos Salles). No entanto, alguns grandes cursos d'água ainda cortam a ilha no norte, como é o caso do rio São Jorge, que sofre de problemas de poluição e assoreamento devido à ocupação de suas margens por favelas.

Área continental[editar | editar código-fonte]

Estende-se por 231,6 km²[25] , representando a maior parte do território do município. Quase 70% dessa área é classificada como Área de Proteção Ambiental por estar situada dentro dos limites do Parque Estadual da Serra do Mar e por abrigar uma grande área de Mata Atlântica nativa sobre as escarpas da Serra do Mar.

Nas partes planas da área continental encontram-se vastas extensões de manguezais ao longo do Canal de Bertioga, cortadas por rios que formam meandros na planície: rios Diana, Sandi, Iriri e Quilombo. Os vales desses rios em geral são ocupados por sítios e bananais, a atividade rural apresentando-se em geral bem rudimentar. Os sítios ocupam uma área chamada de mata de jundu, composta de palmitais e palmeiras locais. Essa mata, no entanto, está seriamente danificada pela ocupação. Essas áreas hoje são consideradas área de expansão urbana pelo Plano Diretor de Santos. A ocupação urbana no local é bem rudimentar e rarefeita, sendo mais representativa nos povoados (bairros) de Iriri e Caruara.

Santos também possui uma área pequena em terras de planalto, no alto da Serra do Quilombo (limites com Santo André, Mogi das Cruzes e Bertioga). O ponto mais alto do município fica a 1.136 m de altitude, próxima a nascente do Rio Itatinga.

Ao norte do Rio Quilombo, há problemas ambientais também devido à expansão do Polo Industrial de Cubatão. Ao sul desse vale, no bairro do Sítio das Neves, encontra-se o aterro sanitário municipal, no terreno de uma antiga pedreira.

Clima[editar | editar código-fonte]

Santos possui clima tropical litorâneo úmido. Os verões são quentes e úmidos (com pluviosidade média acima dos 284 mm no mês de janeiro), enquanto os invernos têm como característica temperaturas mais amenas e menor incidência de chuvas (pluviosidade média em torno dos 93 mm em agosto). Primavera e outono se caracterizam como estações de transição. A precipitação média anual é de 2 143,1 mm.[26]

Apesar dessas definições, certas variações de temperatura podem ser sentidas mesmo nas épocas mais quentes ou mais frias do ano. No verão, a penetração de frentes frias é um fenômeno bastante comum, trazendo chuvas que amenizam as altas temperaturas da época, enquanto no inverno, a incidência de ventos provenientes de noroeste (que normalmente precedem a entrada de frentes frias) chegam a elevar as temperaturas acima dos 35 °C durante tarde, com temperaturas superiores a 25 °C durante a madrugada.

Em janeiro, a média das temperaturas mínimas na cidade é de 22 °C e a das máximas, de 34 °C. Em julho, a média das mínimas é de 15 °C e a das máximas, de 30 °C.[26]

É bastante comum, principalmente no verão, as temperaturas ultrapassarem os 35 °C durante a tarde, especialmente nas áreas mais urbanizadas e afastadas do mar (como no Centro), podendo chegar na casa dos 40 °C, quando penetram ventos vindos de noroeste. No inverno, a penetração de massas de ar polar provenientes do sul fazem os termômetros caírem para abaixo dos 10 °C.

A temperatura mínima registrada em Santos foi de 4,3 °C, em 2 de agosto de 1955.[27] Já a máxima foi de 41,8 °C, no dia 28 de janeiro de 1915.[28] O maior acumulado já observado na cidade foi de 368,8 mm, ocorrido em 20 de junho de 1947.[29]

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Santos Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 37,7 39 38,3 36,8 34,8 34,2 35,8 37,3 37,8 37,4 37,6 37,9 39
Temperatura máxima média (°C) 34,1 34,4 31 31,5 29 27,6 27,9 30 30,3 31,6 32,9 33,1 31,1
Temperatura média (°C) 27,9 28,2 27 24,9 22,3 20,8 20,6 22,4 23,5 24,9 26,1 27 24,6
Temperatura mínima média (°C) 21,7 22 22 18,3 15,6 14,1 13,3 14,8 16,8 18,2 19,4 21 18,1
Temperatura mínima registrada (°C) 14,6 13,3 15,9 10,9 9,2 6,5 6,2 8,5 8,8 10,4 12,1 15,7 6,2
Precipitação (mm) 284,4 239,6 277,1 177 151,3 112,3 105,5 93,3 136,5 178,3 161,8 226 2 143,1
Dias com chuva 13 12 16 10 8 9 7 7 8 9 9 10 122
Umidade relativa (%) 79 80 83 83 81 81 77 75 82 81 78 79 79,9
Horas de sol 139,5 140 145,7 135 133,3 132 127,1 111,6 90 102,3 120 117,8 1 494,3
Fonte: Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (médias de temperatura e precipitações),[26] Observatório de Hong Kong (horas de sol)[30] Weatherbase (recordes de temperatura, dias de chuva e umidade relativa).[31]

Litoral[editar | editar código-fonte]

O litoral de Santos possui o jardim frontal de praia de maior extensão do mundo, de acordo com Guinness Book.[32]

O litoral santista é composto por 6 praias em oito quilômetros de extensão. A orla é urbanizada com 218 800 metros quadrados de jardim urbano à beira-mar.[33]

As praias são as seguintes:

  • José Menino: com calçadão, jardins da orla e agitada vida noturna são as características desta praia que abrigou o primeiro hotel da orla marítima, em 1895 - o Hotel Intercontinental - e recebeu os primeiros trilhos de bondes. O Morro do José Menino (ou morro de Santa Teresinha) é procurado pelos praticantes de asa-delta. Próxima à divisa com a cidade vizinha de São Vicente encontra-se a Ilha de Urubuqueçaba, que significa o pouso do urubu, que na maré baixa liga-se à praia, podendo-se caminhar até ela. É da praia do José Menino que parte o emissário submarino.
  • Pompeia: É um pequeno bairro, localiza-se entre os canais 1 e 2, em sua orla encontram-se quiosques e pequenas praças; é sempre bem frequentada por turistas em temporadas e fins de semana.
  • Gonzaga: Entre os Canais 2 e 3, fica o ponto mais badalado da cidade. Nele, acontece a maioria dos eventos ao ar livre, promovidos pela prefeitura e rádios da região.
  • Boqueirão: É uma das praias mais conhecidas e beneficiadas pelo programa de despoluição da orla santista. A praia está localizada na região do Canal 3 e é um dos pontos de encontro da cidade.
  • Embaré: Localizada na região central da orla de Santos, a praia é muito procurada por surfistas e conta com vida intensa. O local abrigou, em 1875, a Capela Santo Antônio, atual Basílica de Santo Antônio do Embaré.
  • Aparecida: Localizada entre os canais 5 e 6, a praia de Aparecida reúne, em 1 km de extensão, várias opções de comércio e lazer. O bairro de mesmo nome nasceu a partir do desenvolvimento do local em torno da Igreja Nossa Senhora Aparecida.
  • Ponta da Praia: Localizada junto à entrada do estuário do Porto de Santos, a praia é ponto de partida para passeios pela baía e Laje de Santos e a Travessia Santos-Guarujá, no chamado Ferry Boat. A Ponta da Praia tem como atração o Aquário Municipal de Santos, um dos pontos mais visitados do estado de São Paulo.
Panorama de Santos.

Ilhas[editar | editar código-fonte]

A ilha de Urubuqueçaba pintada por Benedito Calixto em 1902, tendo ao fundo a Ilha Porchat.
  • Ilha Urubuqueçaba - sua denominação significa "pouso de urubus". Essa pequena ilha, nunca ocupada, localiza-se na praia, na divisa dos bairros de José Menino e Itararé, perto do Emissário Submarino e a poucos metros da movimentada avenida Presidente Wilson.
  • Barnabé (Santos) - Conhecida inicialmente como Ilha Mirim ou Ilha Pequena, e a partir de 1540 como Ilha de Brás Cubas (o fundador de Santos que ali residiu inicialmente, antes de se transferir para seu terreno no sopé do atual Monte Serrat), essa ilha no estuário do porto santista teve também os nomes de Ilha dos Frades ou dos Padres (no século XVII, após sua doação aos frades do Carmo, por Pedro Cubas). No século XVIII, foi conhecida como Ilha do Carvalho, ganhando no século XIX o nome atual, por ter pertencido a Barnabé Francisco Vaz de Carvalhaes, importante cidadão santista, cujo solar em ruínas ainda existe em seu ponto mais alto - e no qual havia intensa movimentação social, com festas memoráveis que ele ali oferecia. Em 26 de janeiro de 1930, começou a ser usada como depósito de combustíveis e produtos químicos.
  • Ilha Diana (Santos) - A Ilha Diana, uma das únicas colônias de pescadores ainda existentes na região, fica na área continental de Santos. Quase ninguém lembra, mas a ilha era chamada de Ilha dos Pescadores. Situada no rio Diana, no caminho de Bertioga para quem sai de Santos e contorna as instalações da Base Aérea de Santos, esta ilhota aos poucos incorporou o nome do rio e, de Ilha dos Pescadores no Rio Diana passou a Ilha do Diana e, para simplificar de vez, Ilha Diana. No local, vivem atualmente 43 famílias. O lugar tem como padroeiro Bom Jesus de Iguape devido aos primeiros moradores, que vieram da desocupação da Base Aérea, serem naturais de Iguape.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Oficialmente são os seguintes os bairros da parte insular agrupados geograficamente:

Quilombo, Sítio das Neves, Guarapará, Barnabé, Ilha Diana, Monte Cabrão, Trindade, Cabuçu, Iriri, Caruara (na divisa com Bertioga, que tem 3.500 habitantes e dispõe do CEP próprio 11200-990), além das mencionadas áreas de preservação ambiental da Serra do Mar.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Configuração e paisagem urbana[editar | editar código-fonte]

Basicamente, a rede urbana de Santos é composta de uma malha urbana em formato de tabuleiro de xadrez, fruto do projeto desenvolvido pelo engenheiro Saturnino de Brito. A maioria das grandes vias de circulação estendem-se no sentido norte-sul: são as avenidas arborizadas que margeiam os canais e as avenidas Ana Costa e Conselheiro Nébias (antiga ligação do Centro da Cidade às praias). Elas conectam as praias, ao sul, com o Centro da Cidade, ao norte. O Centro faz face ao braço de mar conhecido por Largo do Caneú.

Vista parcial de Santos vista do Monte Serrat.

A avenida Ana Costa pode ser considerada a avenida símbolo da cidade, onde se situam edifícios comerciais, cinemas, bancos e escolas. Suas palmeiras imperiais remontam à década de 1920, e no coração do bairro do Gonzaga (cruzado por essa avenida) ela atravessa a Praça Independência, local tradicional de comemorações da cidade, onde está o Monumento à Independência (com o patriarca José Bonifácio de Andrada e Silva no alto) inaugurado em 1922.

No sentido leste-oeste, as ligações viárias são mais escassas. Elas conectam regiões próximas do Maciço de São Vicente (a oeste) ao Estuário de Santos, face ao qual se estende o Porto (a leste). Três grandes eixos de circulação se destacam nesse sentido: as avenidas Francisco Glicério e Afonso Pena (margeando a recentemente desativada linha férrea da Brasil Ferrovias - antiga Sorocabana - e dotadas de ciclovias), a extensa avenida da orla (que recebe vários nomes: Presidente Wilson, Vicente de Carvalho, Bartolomeu de Gusmão e Almirante Saldanha da Gama) e a avenida paralela à da orla (que também recebe vários nomes: Floriano Peixoto, Galeão Carvalhal, Embaixador Pedro de Toledo e Epitácio Pessoa).

Quanto à paisagem urbana, ao sul da linha férrea, a cidade de Santos é extremamente densa, principalmente nas quadras fronteiras ao mar. Ao centro da ilha (Campo Grande, Encruzilhada, Macuco), a densidade cai (apesar de manter-se considerável) e próximo ao Centro, mais ao norte da ilha, os bairros da Vila Nova, Vila Mathias e Paquetá - áreas nobres no início do século XX - foram convertidas ao longo do século em áreas industriais e, em sua maioria, deterioradas (com proliferação de cortiços e desvalorização urbana). Na Vila Nova localiza-se o Mercado Municipal de Santos.

Canais[editar | editar código-fonte]

Canal 4.

Os canais de Santos hoje possuem mais de cem anos de idade, são uma marca característica da cidade. Foram construídos por Saturnino de Brito para drenar os terrenos alagadiços da planície santista e conduzir as águas pluviais, que eram focos constantes de doenças nos verões quentes da cidade, ao mar. O sistema combinou planejamento urbano (arruamento das zonas atravessadas pelos canais) e separação estrita entre redes de águas pluviais e rede de esgotos. Hoje servem de pontos de orientação para os santistas, muito mais que os bairros.

Recalque de edifícios[editar | editar código-fonte]

Prédios na orla de Santos apresentando recalque.

Pelo seu caráter litorâneo e pelo fato de ter sido construída em parte sobre antigos terrenos de manguezais, a cidade de Santos tem um perfil de solos dos mais difíceis no país para a construção de fundações. Por este motivo, uma série de edifícios foram erigidos ao longo do século XX (especialmente a partir da década de 1960) com fundações executadas a partir de equívocos de sondagem ou de projeto. A especulação imobiliária surgida com a explosão do veraneio em Santos foi a responsável por tais erros, já que os edifícios eram construídos rapidamente para abrigar muitos veranistas.

Com o tempo, tais edifícios passaram a sofrer acentuados recalques diferenciais: tornam-se "tortos" (ou seja, perdem o prumo) aos olhos dos pedestres situados na praia. Recentemente os "prédios tortos" da orla de Santos estão virando atração turística: são cerca de 90 prédios com esta característica. Estão concentrados na orla do Boqueirão, Embaré e Aparecida. O reaprumo ou a implosão e reconstrução são soluções possíveis. A primeira opção, menos impactante que a segunda, já foi executada com sucesso no edifício que era considerado o mais inclinado da orla (o denominado 'Núncio Malzoni', no bairro do Boqueirão), o qual tinha mais de 2 metros de inclinação do topo em relação à base (a inclinação da Torre de Pisa na Itália, é de aproximadamente 4 metros). Nesse sentido, a prefeitura busca, junto ao governo federal, uma linha de crédito especial para resolver esse problema tão específico de Santos.

Educação[editar | editar código-fonte]

Santos faz parte da rede mundial de municípios que priorizam a educação, desde 30 de outubro de 2008, quando a cidade foi incluída oficialmente na Aice (Associação Internacional das Cidades Educadoras).

Entre as instituições de ensino superior encontramos a USP[34] , a UNIFESP, a UNISANTA, a Faculdade de Ciências Médicas de Santos, a UNIMES, a UNISANTOS, a UNIP, a ESAMC, a UNIMONTE e a FATEC - Faculdade de Tecnologia Rubens Lara.

Transportes[editar | editar código-fonte]

Bondinho do Funicular do Monte Serrat.
Trólebus na avenida Ana Costa.

Santos possui o maior porto da América Latina, o Porto de Santos. Suas obras começaram em 1888 e o primeiro trecho de cais foi inaugurado em 1892.[35] O porto de Santos é responsável por escoar boa parte das exportações brasileiras e cerca de 70% das exportações de café.[36] Atualmente, o porto encontra-se sob a administração da CODESP (Companhia Docas do estado de São Paulo), com vários terminais operados por concessionárias. O porto de Santos possui o calado de 11 a 13 metros, mas a CODESP prevê obras para que o calado do porto aumente e chegue até 16 metros.

Em 27 de dezembro de 2003, foi inaugurada a ciclovia na orla da praia de Santos. A ciclovia da orla tem 4,8 km de extensão e 2,5 metros de largura e estende-se desde o Emissário Submarino até as proximidades do Mercado de Peixes da Ponta da Praia, possibilitando ainda ligação com a ciclovia da avenida Portuária e o Ferry boat - ponto de atracação das balsas que fazem a Travessia Santos-Guarujá. Existem ainda ciclovias nas avenidas Francisco Glicério, Rangel Pestana, Martins Fontes e Afonso Pena; e em construção a que ligará o centro aos bairros passando pelo Túnel Rubens Ferreira Martins.

Santos foi a segunda cidade do país a ter um serviço de bondes (após o Rio de Janeiro).[37] A primeira linha foi inaugurada em 1871, um ano antes de os bondes serem inaugurados na cidade de São Paulo. Em 1909, foi inaugurado o serviço eletrificado, que até então era feito por tração animal ou vapor. O serviço foi desativado em 1971, quando os bondes saíram de circulação por diversos motivos, entre os quais a maior procura pelos ônibus por parte do público. Em 2000, foi inaugurado o bonde turístico do centro histórico, que sai da Praça Mauá, em frente ao Paço Municipal. A linha turística conta com dois bondes que circularam na cidade de Santos e um bonde doado pela cidade do Porto, em Portugal, e reformado nas oficinas de Santos. Estão sendo feitas obras de ampliação da linha de bonde turístico, já tendo sido assentados alguns quilômetros de trilhos pelo Centro.

O sistema funicular do Monte Serrat foi planejado em 1910 e construído em 1923 e liga o centro da cidade ao alto do Monte Serrat Ver trajeto no Google Maps, onde está um grande cassino inaugurado em 1927 (fechado devido à criação da lei que proíbe jogos de azar no Brasil, em 1946) e a Capela de Nossa Senhora do Monte Serrat, padroeira da cidade. Possui dois bondinhos, que operam sempre simultaneamente: enquanto um sobe, o outro desce, e os dois se encontram exatamente na metade do percurso, onde há um desvio.

O transporte por meio de ônibus é muito utilizado em Santos, sendo operado por veículos a diesel em diversas linhas. Atualmente, Santos é a única cidade brasileira além de São Paulo que possui um sistema de trólebus. O sistema de trólebus de Santos opera com apenas uma linha (Linha 20: Praça Rui Barbosa - Praça da Independência) e alguns veículos estão sendo adaptados para operar em um novo sistema turístico. Todas as linhas da cidade são operadas pela Viação Piracicabana, que detém a concessão para os serviços de ônibus e trólebus desde 1998. Além do sistema de ônibus, a cidade ainda conta com lotações para os morros e micro-ônibus seletivos, estes operados pela Viação Guaiúba/Translitoral.

Aquaviário[editar | editar código-fonte]

A cidade de Santos possui seis sistemas de travessia do estuário para o Guarujá.

No bairro da Ponta da Praia existe a travessia para pedestres através de lanchas e barcas e de automóveis por meio de balsas da Travessia Santos-Guarujá, todos para o bairro de Jardim São José (Praça das Nações Unidas) no município vizinho. O primeiro sistema é administrado por uma cooperativa e os dois últimos pela DERSA (Desenvolvimento Rodoviário S.A.).

Na Praça Iguatemi Martins, junto ao Mercado Municipal, existe um serviço de travessia para Vicente de Carvalho feito por pequenas lanchas popularmente conhecidas como "catraias", também operado por uma cooperativa. Este serviço não deixa de ser uma atração santista pois boa parte do trajeto (cerca de 1 km entre o atracadouro Ver atracadouro no Google Maps no meio da cidade e o Estuário) é feito navegando-se pelo que será o Canal 1 (avenida Ulrico Mursa no bairro de Outeirinhos), onde as embarcações passam por debaixo de pontes e de um túnel sob a avenida Portuária Mário Covas.

Por fim, existe ainda um serviço de barcas entre o Centro (Praça da República) e Vicente de Carvalho, operado pela DERSA e também de catraias que partem da ponte Edgard Perdigão (ponte dos Práticos) para o bairro de Santa Cruz dos Navegantes (antigamente denominado Pouca Farinha) e para a praia do Góes Ver praia do Góes no Google Maps, ambos localizados em Guarujá.

Rodovias[editar | editar código-fonte]

Rodovia Anchieta, o principal acesso à cidade.

O município de Santos é servido basicamente por três rodovias.

O principal acesso é a Via Anchieta (SP-150 ou BR-050), proveniente de São Paulo, a única a atingir a área insular, e que recebe o tráfego proveniente das rodovias dos Imigrantes, Padre Manuel da Nóbrega, Rio-Santos e Cônego Domênico Rangoni (Piaçaguera-Guarujá).

Na área continental, a cidade também é cortada pela Rodovia Rio-Santos (SP-55 ou BR-101), proveniente do Rio de Janeiro, e principal acesso a bairros afastados como o do Caruara. Na região do Monte Cabrão, esta rodovia desemboca na Cônego Domênico Rangoni (continuação da SP-55 ou BR-101), cortando a região do Quilombo e terminando na Via Anchieta já em Cubatão, por onde se tem acesso à área insular.

Há ainda um projeto de uma rodovia de 36 km que ligará o município até a Estrada dos Fernandes, em Suzano, passando pelo Trecho Leste do Rodoanel Mário Covas.[carece de fontes?]

Ferrovias[editar | editar código-fonte]

Atualmente, Santos possui dois acessos ferroviários, embora sejam utilizados apenas para o transporte de cargas.

O primeiro, oriundo da extinta "The São Paulo Railway", construído em 1867, (posteriormente Estrada de Ferro Santos a Jundiaí) (1947-1975) e sua sucessora, Rede Ferroviária Federal (1975-1996), é operado hoje pela MRS Logística e atinge a cidade proveniente de São Paulo e do ABC Paulista pela região noroeste, chegando ao bairro do Valongo.

O segundo originou-se da extinta Estrada de Ferro Sorocabana (1927-1971) e sua sucessora, FEPASA (1971-1998), sendo atualmente operado pela concessionária Ferroban. É proveniente do município de Mairinque na região de Sorocaba e chega à Santos pelo bairro do José Menino (sudoeste da área insular). A linha cruza em nível praticamente toda a cidade de oeste a leste, até atingir a região portuária no bairro do Macuco. Este trecho recentemente foi desativado e no seu lugar provavelmente passará um sistema de VLT Metropolitano.

Na área portuária, as ferrovias são operadas pela concessionária Portofer.

É previsto que as obras para a construção do Veículo Leve sobre Trilhos tenha início em 2011, que será implantado na Ilha de São Vicente, abrangendo as cidades de Santos e São Vicente.

Trânsito[editar | editar código-fonte]

Santos é caracterizado pela grande frota de veículos licenciados na cidade. A cidade possui proporcionalmente, uma das maiores frotas de veículos do Brasil. De acordo com dados da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a relação é de 1,8 habitante por veículo. De acordo com o Departamento de Trânsito do Estado de São Paulo (Detran), nos últimos três anos a frota santista aumentou 10,5%, chegando à marca de 241 mil veículos. Isso significa um carro a cada dois metros de via.

Com isso, o trânsito nos horários de maior movimento se torna muito complicado nas principais vias da cidade, problema este que se agrava sensivelmente nos horários de pico, ou durante a temporada de verão (época que se somam a esta enorme frota do município os veículos dos milhares de turistas que se dirigem à Santos neste período do ano para aproveitar o sol) ou durante chuvas fortes.

Telefonia[editar | editar código-fonte]

[38] Por sua importância como grande porto, Santos esteve sempre na relação de cidades em que havia preocupação como serviço telefônico.

Em 1909, uma central local, de magneto, funcionava na Rua General Câmara e dispunha de 450 assinantes, dos quais 40 residenciais, além de 20 assinantes interurbanos Santos-São Paulo.

Em 1918, Santos possuía 1.821 aparelhos de magneto. A Companhia Telefônica Brasileira transferiu a central para a Rua Itororó O número de aparelhos se expandiu para 4.839 dez anos mais tarde.

Os telefones automáticos foram inaugurados em 1934, com a central localizada na Rua Brás Cubas. Havia cerca de 7.000 linhas telefônicas em operação em 1938.

Em 1948f foi inaugurada nova central telefônica na Rua Tocantins, no Gonzaga, para atender os bairros da orla marítima. Em 1957, completavam-se cerca de 7.000 ligações interurbanas por dia, e Santos passou a contar como sistema de discagem direta à distância para a capital do Estado.

Em 1969, a expansão deu-se com a entrega de nova central, localizada na Avenida Washington Luís.

Nos anos seguintes foram entregues novas estações telefônicas nos bairros de Areia Branca, José Menino e Ponta da Praia. Mais tarde, também a área do Ferry Boat e de Chico de Paula, bem como o Morro de Nova Cintra, passaram a contar com estações telefônicas próprias da Vivo/Telefônica. A estação telefônica da Rua Brás Cubas foi desativada e substituída por outra, instalada na região portuária da Rua Amador Bueno.

Na parte continental, pequenas centrais satélites estão instaladas na Ilha Diana, Monte Cabrão e em Caruara.

Atualmente, além da Vivo/Telefônica a cidade conta com serviços de telefonia fixa prestados pela Embratel, Transit, Oi, CTBC Algar, GVT, Claro, Vip Way e Tim. Telefones celulares das operadoras Tim, Oi, Telemar, Claro e Vivo atendem a cidade.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Segundo os dados do Censo de 2010, Santos possuía naquele ano 419.400 moradores: 419.086 deles moravam na zona urbana (99,93%) e 314 na zona rural (0,07%).[39] De acordo os mesmos dados, 191.912 eram homens e 227.488 mulheres. Naquele ano havia 38.159 pessoas morando em aglomerados subnormais, o que correspondia a 9,13% de sua população.[40] Dos moradores com 10 anos ou mais, 97,8% eram alfabetizados [41] e 11% tinham rendimento nominal mensal abaixo de um salário mínimo.[42]

Etnias[editar | editar código-fonte]

Cor/Raça Porcentagem
Branca 71,67%
Parda 22,33%
Negra 4,71%
Amarela 1,10%
Indígena 0,14%
Sem declaração 0,05%

Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2010[43]

Religião[editar | editar código-fonte]

Religião Porcentagem Número
Católicos 65,95% 276.590
Protestantes 13,44% 56.370
Sem religião 8,20% 34.380
Espíritas 7,60% 31.876
Budistas 0,35% 1.471
Umbandistas 0,40% 1.657
Judeus 0,11% 471

Fonte: IBGE - Censo Demográfico 2010[44]

Igreja Católica

A Diocese de Santos, presente na cidade, engloba as paróquias das cidades de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande e São Vicente. No município em si estão as seguintes paróquias:[45]

  • Nossa Senhora do Rosário - Catedral
  • Imaculado Coração de Maria
  • Jesus Crucificado
  • Nossa Senhora Aparecida
  • Nossa Senhora da Assunção
  • Nossa Senhora do Carmo
  • Nossa Senhora do Rosário de Pompéia
  • Nossa Senhora dos Navegantes
  • Sagrada Família
  • Sagrado Coração de Jesus
  • Santa Edwiges—Stella Maris Santos
  • Santa Cruz
  • Santa Margarida Maria
  • Santo Antônio do Embaré
  • Santo Antônio do Valongo - Santuário
  • São Benedito
  • São João Batista - Nova Cintra
  • São Jorge Mártir
  • São José Operário
  • São Judas Tadeu - Santos
  • São Paulo Apóstolo
  • São Tiago Apóstolo
  • Senhor dos Passos e Nossa Senhora das Dores

Economia[editar | editar código-fonte]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Entre os principais pontos turísticos de Santos além de suas praias, podemos citar os Jardins da orla de Santos que é o maior jardim frontal de praia em extensão do mundo.[46] . O Aquário de Santos (antigo Aquário Municipal de Santos), inaugurado em 1945 pelo então Presidente da República Getúlio Vargas e ampliado em 2006, é o segundo parque público mais visitado do estado e atrai turistas do mundo inteiro. Outros lugares de interesse são a Museu do Café Brasileiro, o Orquidário Municipal, o , Jardim Botânico Chico Mendes, o Teatro Coliseu Santista, o *Panteão dos Andradas, o Monte Serrat, e a Estação do Valongo. A Laje de Santos é um lugar muito procurado por mergulhadores. Entre as igrejas de interesse temos a Catedral de Santos, a Igreja Santo Antônio do Embaré, e a Igreja do Valongo.

Santos é um dos 15 municípios paulistas considerados estâncias balneárias pelo estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por Lei Estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de Estância Balneária, termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Cinema e mídia[editar | editar código-fonte]

Museu de Pesca na Ponta da Praia.

A cidade de Santos possui 3 jornais diários, 4 emissoras de televisão comerciais e 10 emissoras de rádio, sendo 4 em FM e 6 em AM.

A tradição cinematográfica pela qual a cidade se especializou foi a de curtas metragens, abrigando grandes e importantes festivais da área. Quanto às produções cinematográficas de Santos, podemos citar as de diretores como Chico Botelho (cuja morte não o deixou concluir os longas Janete e Cidade Oculta), Icaro Martins, José Roberto Eliezer, Tânia Savietto, Aloysio Raulino, José Roberto Torero, Renato Neiva Monteiro, Hélcio Nagamine, entre outros. Quanto às produções recentes com maior repercussão na cidade podemos citar O Magnata (2007), escrito pelo Chorão da banda Charlie Brown Jr., e Querô (2007), que promoveu testes de jovens atores pela cidade e que legou consequências que refletem até hoje.[47]

Santos também foi muito utilizada pela televisão em minisséries como Um Só Coração, produzida pela Rede Globo de Televisão, que teve 80% de suas cenas gravadas no centro histórico de Santos em outubro de 2003, para apresentação em rede nacional em janeiro de 2004.[48] De fato, a revitalização do Centro Histórico da cidade, a começar por sua iluminação e asfalto, possibilitou a gravação de muitas cenas televisivas que exigiam figurinos e enredos de época.[49] No caso de Um Só Coração, o objetivo era retratar a década de 1920 e como tal foram utilizadas locações como a Rua XV de Novembro e o interior da Bolsa Oficial do Café.[50] Entre os atores que gravaram no centro da cidade estão Ana Paula Arósio, Tarcísio Meira, Letícia Sabatella, Ângelo Antônio, Herson Capri, Erik Marmo, Maria Fernanda Cândido, Marcello Antony, sem contar os figurantes da própria cidade. Além de minisséries, a telenovela de 1977 Éramos Seis, escrita por Silvio de Abreu, na Tupi, também teve algumas cenas rodadas na praia, no bonde e nos jardins do Orquidário encenadas por Nicette Bruno, Riccelli, e Strazzer.[47]

Santos é uma cidade relativamente cinematográfica. Zé do Periquito (1960), de Mazzaropi, possui algumas cenas de entrada e saída de navio da Ponta da Praia.[51] Estas cenas foram as primeiras filmagens vistas pelo crítico santista Rubens Ewald Filho, aos quinze anos, e que ele tentou retomar num ângulo parecido no seu primeiro e único curta-metragem intitulado José Bonifácio que Ninguém Conhece, hoje perdido nos "meandros" da produtora Faculdade de Comunicação da Católica.[51] Antes e depois do filme de Mazzaropi, Santos já havia sido e continuou sendo palco cinematográfico. Outros exemplos notórios inclui a versão original com Vera Nunes de Presença de Anita (1951), de Ruggero Jacobbi, Asa Branca - Um Sonho Brasileiro (1981), de Djalma Batista, com Walmor Chagas e Edson Celulari numa sequência no Gonzaga na fonte luminosa, O Rei Pelé, de Carlos H. Christensen, na cena em que o garoto que interpreta Pelé vê o mar pela primeira vez ao lado de Lima Duarte, o curta Domingo no Parque, de Isaias Almada, que logo depois da música homônima de Gilberto Gil utilizou uma roda-gigante que existia no Itararé.[51] Outros filmes inclui o único filme do galã Hélio Souto, com Norma Bengell, onde há uma passada na ilha Porchat em 1960, um certo Leg da década de 1960 e que várias figuras da sociedade participaram sem saberem que o diretor era um vigarista de Portugal, A Flor do Desejo de Guilherme de Almeida Prado, onde Sandra Bréa foi substituída por Imara Reis (que acabou recebendo ótimas críticas), Bellini e a Esfinge (2001), de Roberto Santucci, filme alemão com Erika Remberg rodado no cais da cidade, além do filme policial A Mulher do Quarto 13 (1932) com Brian Donlevy e Andréa Bayard.[47]

Santos também possui uma tradição na exibição de filmes. Durante muitas décadas possuiu diversos edifícios cujo principal foco era o cinema e, embora tenha modernamente perdido muitas salas, nenhuma cidade de seu tamanho tivera um número tão grande de alternativas em assistir desde cinema-lançamentos até filmes b, desenhos animados e tchecos, russos, italianos.[52] A cidade também desenvolveu um projeto que funcionou durante muitas décadas, o Clube de Cinema, o primeiro do país, e acompanhou toda a criatividade do cinema exterior e nacional.[52]

Literatura e arte[editar | editar código-fonte]

Santos tem sido uma fonte de inspiração para muitos autores, conterrâneos ou estrangeiros, e possui uma longa tradição de publicação poética importante na literatura brasileira.

Talvez dois dos seus mais famosos poetas sejam Vicente de Carvalho e Martins Fontes. O primeiro, embora tenha se dedicado a um complexo de atividades, é mais conhecido por ter sido chamado de "O Poeta do Mar" dada à sua dedicação a escrever poemas dedicados à praia de Santos, e foi membro da Academia Brasileira de Letras, deixando uma prolífica obra literária e jurídica. Sua magnum opus, Poemas e Canções (cujo prefácio foi escrito por Euclides da Cunha), publicada primeiramente em 1908, chegou modernamente à sua 17ª edição - fato raro na literatura nacional.[53] Carvalho apoiou-se numa tradição lírica que nos remete a Victor Hugo e foi um grande divulgador da cidade como advogado e jurista,[54] e hoje sua importância é refletida num dos nomes de uma das ruas da cidade. Martins Fontes, por sua vez, é mais conhecido por seus sonetos parnasianos, embora também tenha se tornado popular como médico da Santa Casa. Foi um grande colaborador dos ideais e das ambições de seu tempo;[55] seu túmulo no Cemitério do Paquetá é um dos mais visitados na cidade e sua morte foi muito noticiada.[56] [57]

Museus[editar | editar código-fonte]

Santos possui vários museus, entre eles o Museu do Café Brasileiro onde funcionava a Bolsa do Café até a década de 1970. Outros museus da cidade são o Museu de Arte Sacra de Santos, o Museu da Pesca, o Museu De Vaney, o Museu Oceanográfico, o Memorial das Conquistas o Museu do Porto e o Museu do Mar.

Teatro[editar | editar código-fonte]

Provavelmente Santos seja a cidade do interior paulista mais profundamente ligada ao movimento teatral.[58] O teatro em Santos se desenvolve e se desenvolveu dentro dos principais locais para a arte dramática: Teatro Municipal Brás Cubas, Teatro de Arena Rosinha Mastrângelo, Teatro do SESC, Teatro do SESI e, curiosamente, nas praças públicas.[59] Patrícia Galvão, mais conhecida como Pagu, foi a primeira presidente da União de Teatro Amador de Santos que no ano de 1958 iniciou a organização do movimento na cidade. Pagu foi uma grande pioneira do teatro na cidade; escrevendo para o A Tribuna, conseguiu patrocínios e realizou os primeiros festivais de teatro de Santos.[59] Os festivais continuaram suas atividades pela Federação Santista de Teatro Amador com o nome FESTA - Festival Santista de Teatro Amador. A partir de 2009 a Federação Santista de Teatro Amador já estava extinta mas o festival continuou com o mesmo nome FESTA, porém agora como Festival Santista de Teatro, abolindo a palavra "Amador" e tornando-se um festival nacional de teatro. Hoje o FESTA - Festival Santista de Teatro é o festival em atividade mais antigo do Brasil, recebendo a Ordem do Mérito Cultural 2011 pelo Ministério da Cultura. O festival continua sendo realizado e produzido pelo Movimento Teatral de Santos, formado por diversos grupos da cidade, tendo como seu representante jurídico a Associação dos Artistas do Litoral Paulista. Alguns grupos da cidade se destacam como Trupe Olho da Rua, Os Pernilongos Insolentes, Teatro Widia, Cia Own, Os Phantanas. Pagu era conhecida como a "musa" da Semana de Arte Moderna e escolheu Santos como a última cidade em que viveu.[59] Estreitou relações com José Greghi Filho (ator e dramaturgo santista) e promoveu a campanha para a construção do Teatro Municipal que hoje leva seu nome.[59]

Plínio Marcos e Carlos Alberto Soffredini são dois dos mais conhecidos e aclamados dramaturgos da cidade. Marcos iniciou sua carreira na companhia de Cacilda Becker e Walmor Chagas no início da década de 1960 e escreveu peças como Navalha na Carne e Dois Perdidos Numa Noite Suja que soaram de cunho sociopsicológico e foram proibidas na época.[60] Plínio prosseguiu sua carreira também como ator e na década de 1970 trabalhou ao lado de Gianfrancesco Guarnieri, Oduvaldo Viana Filho, Jorge Andrade, Nelson Rodrigues e Abílio Pereira de Almeida.[61] Nesta época, surgia outro dramaturgo na cidade, Soffredini, autor de Mais Quero Asno que Me Carregue, e que ao lado de Marcos figura como um autor expoente do moderno teatro do Brasil.[61] No teatro infantil da cidade, destaca-se Oscar Von Pfhul, cunhado de Paulo Autran, e que possui projeção internacional.[61]

Muitos outros nomes famosos surgiram do teatro santista; entre estes nomes destaca-se os de Serafim Gonzalez, Paulo Lara, Tanah Corrêa, Sérgio Mamberti, Cláudio Mamberti, Bete Mendes, Jandira Martini, Wilson Geraldo, Ney Latorraca, Nuno Leal Maia, Alexandre Borges, Oscar Magrini, Paulo Vilhena, etc.

Esporte[editar | editar código-fonte]

Picuruta Salazar e jovens estudantes de surfe em Santos, onde o esporte começou no país.

O esporte em Santos talvez seja um dos temas de maior projeção da cidade. Possui uma grande tradição nos mais variados esportes com constante auxílio de projetos sociais e educacionais. A começar pelo mar, temos o surfe santista que, apesar das ondas calmas da praia, possui um papel particular na história do surfe brasileiro e mundial: foi em Santos que o esporte começou a se desenvolver no país.[62] [63] Desde a década de 1930, os surfistas utilizavam pranchas de madeira oca e surfavam na praia do Gonzaga.[64] A carreira dos pioneiros da modalidade no Brasil, os irmãos Thomas Rittscher Júnior e Margot Rittscher, está exclusivamente ligada à Santos e aos nomes de santistas como Osmar Gonçalves e João Roberto Suplicy Hafers, que formam, juntos, o que o jornalismo de hoje diz ser os primeiros surfistas do Brasil.[65] Mais tarde, o surfe santista foi aprimorado e melhor divulgado por parte de escolas (como a Escolinha Radical, no Posto 2, liderado pelo primeiro surfista profissional brasileiro, Cisco Aranha) e de universidades, revelando nomes como Picuruta Salazar, que tornou-se o "maior" símbolo do esporte na cidade,[66] e Renata Agondi, pessoas que renderam influência à posterioridade. Picuruta, além de criar escolinhas para crianças, também desenvolve projetos paralelos em lugares como o Havaí, oportunidade pela qual jovens talentos da cidade podem assumir responsabilidades internacionais.[67]

No futebol, a cidade possui 3 times, o Santos Futebol Clube é o mais famoso e conhecido internacionalmente possuindo entre suas principais conquistas, três Copas Libertadores da América e duas Copas Intercontinentais. Joga no Estádio Urbano Caldeira mais conhecido como Vila Belmiro. Os outros clubes são a Associação Atlética Portuguesa (Portuguesa Santista) que joga no Estádio Ulrico Mursa e o Jabaquara Atlético Clube que joga no Estádio Espanha, que fazem os clássicos do futebol de Santos. Há ainda o Estádio Municipal Paulo César de Araújo (Estádio Pagão) na Zona Noroeste de Santos[68] . O Litoral Futebol Clube, um tradicional clube da cidade encerrou suas atividades[69] .

Outro esporte da cidade é o Iatismo (ou vela), praticada no Clube Internacional de Regatas e que tem como destaque a flotilha da Classe Snipe. Além de diversos eventos de snipe, a cidade também é sede de etapas do Campeonato Paulista de Vela Oceânica e é largada da tradicional regata oceânica Santos-Rio. Santos também conta com um polo do projeto "Navega São Paulo" que ensina esportes náuticas às escolas públicas, entre eles a vela.

O Tamboréu, por sua vez, é um esporte que nasceu em Santos[70] e hoje é bastante praticado em toda a Baixada Santista. O jogo parecido com o tênis no que diz respeito às regras, é jogado com "raquetes" com o formato de um pandeiro (o tamboréu). A rede possui um metro de altura.

Ginásios

Eventos e datas comemorativas[editar | editar código-fonte]

Feriados municipais

Cidades irmãs[editar | editar código-fonte]

Cidades-irmãs de Santos:[71]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. Um novo brasão na terra dos bastardos.... Novo Milênio. Página visitada em 9 de maio de 2012.
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  24. página da Prefeitura de Santos - com notas e observações não atinentes ao texto original
  25. a b [1] Página da prefeitura de Santos
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  38. coleção revista sino azul</http://www.colecaosinoazul.org.br/>Por sua importância como grande porto, Santos esteve sempre na relação de cidades em que havia preocupação como serviço telefônico. Em 1909, uma central local, de magneto, funcionava na Rua General Câmara e dispunha de 450 assinantes, dos quais 40 residenciais, além de 20 assinantes interurbanos Santos-São Paulo. Em 1918, Santos possuía 1.821 aparelhos de magneto. A Companhia Telefônica Brasileira transferiu a central para a Rua Itororó O número de aparelhos se expandiu para 4.839 dez anos mais tarde. Os telefones automáticos foram inaugurados em 1934, com a central localizada na Rua Brás Cubas. Havia cerca de 7.000 linhas telefônicas em operação em 1938. Em 1948 foi inaugurada nova central telefônica na Rua Tocantins, para atender os bairros da orla marítima. Em 1957, completavam-se cerca de 7.000 ligações interurbanas por dia, e Santos passou a contar como sistema de discagem direta à distância para a capital do Estado. Em 1969, a expansão deu-se com a entrega de nova central, localizada na Avenida Washington Luís. Nos anos seguintes foram entregues novas estações telefônicas nos bairros de Areia Branca, José Menino e Ponta da Praia. Mais tarde, também a área do Ferry Boat e de Chico de Paula, bem como o Morro de Nova Cintra, passaram a contar com estações telefônicas próprias da Vivo/Telefônica. A estação telefônica da Rua Brás Cubas foi desativada e substituída por outra, instalada na região portuária da Rua Amador Bueno. Na parte continental, pequenas centrais satélites estão instaladas na Ilha Diana, Monte Cabrão e em Caruara. Atualmente, além da Vivo/Telefônica a cidade conta com serviços de telefonia fixa prestados pela Embratel, Transit, Oi, CTBC Algar, GVT, Vip Way e Tim. Telefones celulares das operadoras Tim, Oi Telemar, Claro e Vivo atendem a cidade. ref>coleção revista sino azul
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Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

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