Santa Vitória do Palmar

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Município de Santa Vitória do Palmar
Loja Maçônica Acácia Vitoriense, inaugurada em 19 de agosto de 1896.

Loja Maçônica Acácia Vitoriense, inaugurada em 19 de agosto de 1896.
Bandeira de Santa Vitória do Palmar
Brasão de Santa Vitória do Palmar
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 19 de dezembro
Fundação 30 de outubro de 1872 (142 anos)
Gentílico vitoriense
Prefeito(a) Eduardo Corrêa Morrone (PT)
(2009–2012)
Localização
Localização de Santa Vitória do Palmar
Localização de Santa Vitória do Palmar no Rio Grande do Sul
Santa Vitória do Palmar está localizado em: Brasil
Santa Vitória do Palmar
Localização de Santa Vitória do Palmar no Brasil
33° 31' 08" S 53° 22' 04" O33° 31' 08" S 53° 22' 04" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudeste Rio-grandense IBGE/2008[1]
Microrregião Litoral Lagunar IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Rio Grande (norte), Chuí e Chuy (sul)
Distância até a capital 504 km
Características geográficas
Área 5 244,353 km² [2]
População 30 990 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 5,91 hab./km²
Altitude 23 m
Clima subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,799 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 405 030 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 12 741,20 IBGE/2008[5]
Página oficial

Santa Vitória do Palmar é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado no extremo sul do Brasil.

Junto com o município de Rio Grande, abriga a mais importante estação ecológica do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes do país, a Estação Ecológica do Taim. E, com o município do Chuí, possui o maior complexo para geração de energia eólica da América Latina, o Complexo Eólico Campos Neutrais.

História[editar | editar código-fonte]

Os Campos Neutrais[editar | editar código-fonte]

Em 1777, portugueses e espanhois celebraram o tratado de Santo Ildefonso, onde estes trocavam a Colônia do Sacramento pelas Missões. Entre estes dois territórios ficou uma faixa de terra "sem dono". Essa zona (da Estação Ecológica do Taim ao município do Chuí) é onde, hoje, se encontra Santa Vitória do Palmar, que naquela época foi chamada de Campos Neutrais, fazendo analogia a campos neutros, ou seja, não pertencentes nem a espanhois e nem a portugueses. Por esse motivo e pela extrema proximidade com o Uruguai concentravam-se muitos criminosos na região, conhecida na época como "terra sem lei". Mais tarde, as terras passaram a ter dono de acordo com o Tratado de Tordesilhas: os portugueses.

No início da década de 50 do século XIX, o presidente da Província do Rio Grande de São Pedro, Marechal Francisco Soares de Andréia, em sua estada no Taim autorizou a criação de uma povoação em torno de uma igreja, a pedido dos moradores da região, cujo nome foi Povoação de Andréia.[6] Em 19 de dezembro de 1855, o Comendador Manoel Corrêa Mirapalhete, amigo do Marechal, fundou a povoação que, 33 anos depois, passou a se chamar Santa Vitória do Palmar em homenagem a Santa Vitória, uma santa italiana a qual a família Andréia era devota. A imagem da santa chegou ao povoado em 1858, vinda da cidade de Ravena, na Itália. Em 1872, a povoação foi elevada à categoria de vila e, mais tarde, em 24 de dezembro de 1888, a vila foi elevada a município.

O termo "Palmar" foi dado em razão da grande quantidade de palmeiras butiá existentes na região (provavelmente semeadas por aves migratórias que se abrigavam nos banhados junto à Lagoa Mirim). Ainda se encontram alguns palmares, mas foram, na maioria, devastados pelas plantações de arroz que se intensificaram a partir da década de 1960 com mecanização intensiva.

Os primeiros imigrantes[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, Santa Vitória do Palmar foi colonizada por imigrantes portugueses. Os imigrantes italianos começaram a chegar no município a partir de 1860 trabalhando como mascates, vendendo pelo interior do município em concorrência com o comércio dos sírio-libaneses. Num segundo momento, acabaram por ter como ramo definitivo o comércio de secos e molhados. Partindo sempre da amostragem, ainda se identificavam prestadores de serviços como sapateiros, pedreiros, soldadores (ambulantes), alfaiates e atividades no ramo de transportes em diligências - atividades tipicamente urbanas.

Realizadas 23 entrevistas, todos os entrevistados alegaram como razão de emigrar a fuga da miséria e o desejo de melhorar de vida. As justificativas para se fixarem em Santa Vitória do Palmar são de que já haviam parentes vivendo no município e que foram chamados, garantindo, num primeiro momento, a ajuda e solidariedade para atingir o objetivo (fare l’America – mito do Novo Mundo) da riqueza e da sorte. Todos os entrevistados vieram para cá sozinhos ou com parentes, predominando os de 1º grau como pai, mãe e esposa. Os que vieram sozinhos se estabeleceram e depois de alguns anos chamaram esposa e filhos ou os pais, promovendo a reunificação da família. Este é um possível indício de imigração permanente.

Pelo censo de 1900 da população, segundo o sexo e a nacionalidade, encontramos 166 italianos e 66 italianas, sobre um total populacional de 8.970 pessoas, sendo 80% destes, brasileiros. É interessante notar o número excessivo de homens italianos para o de mulheres, o que colabora para a ideia de migração em cadeia.

Imigrantes italianos estão presentes em Montevidéu desde o início do século passado, sendo significativa a atuação de inúmeros combatentes italianos. Assim como no Rio Grande do Sul, no Uruguai também chegou um grande número de imigrantes destinado a ocupar territórios despovoados. Segundo BRIANI, em 1843 o censo registrava cerca de 4.025 italianos em Montevidéu constituindo-se na segunda coletividade estrangeira, sendo os franceses em primeiro. Desde essa data, a freqüência de chegada de italianos no porto de Montevidéu aumentou, continuando intenso até a I Guerra Mundial. A contribuição desses imigrantes foi significativa, mas a conjuntura política e econômica na segunda metade do século passado, tanto no Uruguai como na Argentina, provocou uma migração interna, fazendo com que muitos desses imigrantes percorressem cidades do interior, procurando melhores condições de vida. É interessante notar que mais de 50% dos entrevistados afirmam ter como destino inicial Buenos Aires (5) ou Montevidéu (9), fazendo parte da entrada oficial de imigrantes na Argentina e Uruguai.

Além da crise, outra justificativa para o ingresso em nossa região de fronteira de imigrantes de diversas etnias, entre eles os italianos, tenha sido o contrato realizado pelo empreiteiro Serpa Júnior. Segundo Pasquale Corte (em De Boni / Costa, 1984, p. 65), muitos italianos "...estão em Pelotas, Rio Grande, Bagé, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar, Alegrete, Uruguaiana, Santana do Livramento, São Jerônimo, Cachoeira e outras localidades menores.". Assim que, poderemos encontrar em Santa Vitória do Palmar italianos originários do mesmo tronco familiar encontrados também na capital do Uruguai e nas cidades de Minas, Castillos e Rocha. É provável que o mesmo se repita em outros municípios fronteiriços do Rio Grande do Sul, como em Santana do Livramento e Bagé.

Membros do grupo italiano de Santa Vitória do Palmar fundaram a Società Benevolenza, em 1880, com exclusiva participação de italianos. Seus membros fundadores foram: o médico Francisco Palombo, Carmine Brundo, Luigi Bottini, Antonio Blasi, Pietro Martino, Stefano Ferrari e Giovanni Boraglia.

Da amostra, nem 50% dos entrevistados participavam da Sociedade Italiana; dos que não participaram, um afirmou que, como havia dificuldades para o sustento, eles não participavam de nada, apenas trabalhavam. Os entrevistados são oriundos de diversas regiões do sul da Itália (Consenza, Napoli, Salerno e Sicilia), mas também se estabeleceram no município italianos de Firenze, Gênova e Novara.

Fonte: Calabreses em Santa Vitória do Palmar. Escritores: Stella Borges, professora (ULBRA) e Rovílio Costa, professor (UFRGS).

"Mergulhão"[editar | editar código-fonte]

O gentílico mergulhão vem da semelhança de costume da população vitoriense (principalmente nos tempos antigos) com os de uma ave abundante na planície costeira do Rio Grande do Sul: da mesma maneira que a ave mergulha com seus filhotes ao perceber movimentação estranha, o vitoriense que vivia nas estâncias e fazendas na imensidade dos campos, ao notar a aproximação de forasteiros ao longe, tentava proteger a família escondendo-a nos matos - tempos onde era comum o banditismo. Depois de identificada a visita sendo pessoas conhecidas ou de confiança, aos poucos os moradores iam reaparecendo, dos mais velhos aos mais novos, começando pelo pai ou pela mãe, certificando-se se era ou não alguma patrulha ou corpo militar que estivesse recrutando soldados à força.

Hoje em dia, a maioria dos vitorienses gosta de ser identificada pelo gentílico mergulhão, principalmente quando se encontra longe do município, em outras cidades ou estados. Até pouco tempo atrás, a palavra chegou a ter, para algumas pessoas, o mesmo significado de "bicho-do-mato", pessoa rude.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município está localizado no extremo meridional do Brasil a uma latitude 33º45'08" sul e a uma longitude 53º22'05" oeste, estando a uma altitude de 23 metros em relação ao nível do mar. Seu território, uma faixa de terra de quase 150 quilômetros de extensão, é formado basicamente por planícies e por algumas áreas conhecidas como banhados, leves depressões que alagam durante as temporadas de chuva.

Em 28 de dezembro de 1995, Santa Vitória do Palmar cedeu uma pequena parte de sua área ao Chuí, município que se emancipara. Até então, Santa Vitória do Palmar era considerada a cidade mais ao sul do Brasil, título que foi perdido para o novo vizinho emancipado. Porém, o extremo sul geográfico do país (uma pequena curva do Arroio Chuí a cerca de 2,7 quilômetros de sua foz) não foi incluído no novo município e ainda pertence a Santa Vitória do Palmar. O mesmo vale para a foz desse arroio junto à Praia da Barra do Chuí, que é o extremo sul do litoral brasileiro.

Lagoas[editar | editar código-fonte]

Santa Vitória do Palmar é banhada por duas grandes lagoas, a Lagoa Mirim e a Lagoa Mangueira, além de outras lagoas de pequeno porte. Estas duas, somadas à Lagoa dos Patos e ao Lago Guaíba, compõem o maior complexo lagunar da América Latina.

A Lagoa Mirim é a maior lagoa do estado do Rio Grande do Sul. Anteriormente considerada nesta condição era a Lagoa dos Patos (que hoje sabe-se tratar de uma laguna - a qual se liga à Lagoa Mirim pelo Canal São Gonçalo). Ela faz a divisa entre o extremo sul do Brasil e o leste uruguaio. Um pequeno porto lacustre se encontra às suas margens, a 6,5 quilômetros do centro de Santa Vitória do Palmar, tendo acesso pela Avenida Getúlio Vargas. Durante alguns anos, a prefeitura do município investiu em reformas para a revitalização do porto com a finalidade de desenvolvê-lo em relação ao turismo e, também, na tentativa de integrá-lo ao Mercosul como porta de entrada e saída de produtos comercializados pelo Brasil. À beira da lagoa, o entorno do porto dispõe de quiosques e churrasqueiras, oferecendo à população da cidade uma oportunidade de lazer. A Mirim é palco de intensa atividade pesqueira e apresenta preciosas paisagens, incluindo o seu pôr-do-sol. A lagoa permite a prática do iatismo esportivo e da pesca, destacando-se a traíra, o pintado e o peixe-rei.

A Lagoa Mangueira se localiza no interior do município, próxima à Estação Ecológica do Taim e ao Oceano Atlântico, separada dele apenas por uma estreita faixa de dunas de areia. Por estarem distantes de áreas de concentração populacional, as águas doces da Lagoa Mangueira estão longe da poluição e a sua coloração impressiona quem a visita. A Mangueira é tida como uma das lagoas mais belas e límpidas do mundo, ideal para o mergulho livre. O seu entorno é cenário de ralis e trilhas feitas por jipeiros de várias partes do Rio Grande do Sul, do Brasil, do Uruguai e da Argentina.

Praias[editar | editar código-fonte]

O município possui duas praias - as quais são tidas como balneários do município: a Praia do Hermenegildo (chamada pelos vitorienses simplesmente de Hermena) e a Praia da Barra do Chuí, localizada no extremo sul do território, onde faz fronteira com o Uruguai.

A Praia do Hermenegildo é o balneário mais frequentado pelos moradores do município, tendo um movimento intenso de veranistas durante do verão. É conhecido na região sul do estado como um bom lugar para o veraneio. Em 1978 ocorreu o fenômeno ambiental descrito como maré vermelha, que chegou a atingir a Praia do Cassino, no município de Rio Grande, e Punta del Este, no Uruguai. O acontecimento teve grande repercussão na mídia nacional e internacional. Na época, surgiram diversas hipóteses para justificar a mortandade de peixes e outros animais marinhos na região, além de problemas respiratórios em algumas pessoas.[7]

A Praia da Barra do Chuí é a primeira praia brasileira chegando do Uruguai. Faz fronteira com a Barra del Chuy, balneário uruguaio de mesmo nome, separada desta pela foz do Arroio Chuí - de onde origina o nome. Inicialmente e durante muito tempo, a Barra do Chuí foi considerada um balneário exclusivo da elite vitoriense. Hoje em dia, mais popularizada, seus veranistas são, em maior parte, turistas uruguaios e argentinos. Isso se deve, logicamente, à proximidade geográfica com os país vizinhos e também pela zona de comércio internacional do Chuy, formada por seus free shops.

Clima[editar | editar código-fonte]

Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados
em Santa Vitória do Palmar por meses
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 103,4 mm 13/01/1984 Julho 116,9 mm 25/07/1998
Fevereiro 151,6 mm 21/02/2013 Agosto 104,3 mm 20/08/1992
Março 160,9 mm 14/03/2004 Setembro 86 mm 01/09/1994
Abril 167,6 mm 04/04/1993 Outubro 64,6 mm 13/10/1994
Maio 101,4 mm 14/05/1970 Novembro 80,7 mm 13/11/1994
Junho 114,7 mm 20/06/1967 Dezembro 166,6 mm 21/12/1997
Fontes: Rede de dados do INMET. Período: 01/01/1961 a 31/12/2013.[8]

O clima do município é subtropical ou temperado, com verões moderados e invernos frescos. O mês mais quente é janeiro, com temperatura média de 22°C, enquanto o mês mais frio é julho, com média de 13°C. A temperatura média anual é de 17°C e a precipitação média anual é de 1 228 mm. De modo geral, as chuvas são distribuídas durante todo o ano, com um pouco mais de frequência no inverno. Ultimamente, o clima vitoriense vendo sofrendo algumas alterações, se tornando mais extrema. Os invernos cada vez mais frios, com a temperatura chegando facilmente abaixo dos 5°C, e os verões mais quentes, seguidamente ultrapassando os 35°C.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período entre 1961 e 2013, a menor temperatura registrada em Santa Vitória do Palmar foi de -1,8 ºC em 1967, nos dias 14 de julho e 14 de junho,[9] e a maior atingiu 39,9 ºC em 18 de dezembro de 1995. Recentemente, destacam-se os 39,3 ºC registrados em 26 de dezembro de 2013, a segunda temperatura mais alta registrada no município.[10] O maior acumulado de chuva registrado em 24 horas foi de 167,6 milímetros em 4 de abril de 1993. Outros grandes acumulados foram 166,6 milímetros em 27 de dezembro de 1997, 160,9 milímetros em 14 de março de 2004, 160,3 milímetros em 24 de março de 1996 e 151,6 milímetros em 21 de fevereiro de 2013.[8] Em um mês, o maior volume de chuva observado foi de 473,5 milímetros em março de 2002.[11]

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Santa Vitória do Palmar Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 39,2 38,2 36,6 33,3 29,9 28,4 28,5 32,2 33,8 33,7 34,8 39,9 39,9
Temperatura máxima média (°C) 27,8 27,4 25,9 23 19,8 16,4 16,1 16,9 18,4 20,8 23,5 26,1 21,8
Temperatura média (°C) 22,2 22 20,3 17,2 14,3 11,7 11,5 11,9 13,7 15,8 18 20,5 16,6
Temperatura mínima média (°C) 18 18,1 16,6 13,5 10,5 8,3 8,2 8,8 10,1 11,9 13,9 16,2 12,8
Temperatura mínima registrada (°C) 7,4 8,3 6,9 3,6 1,2 -1,6 -1,8 -1,8 -1 2,2 4 5,8 -1,8
Chuva (mm) 116,1 117,3 99 68,2 101,1 115,1 136,1 105,4 113,3 84,6 83,8 89 1 228,9
Dias com chuva (≥ 1 mm) 7 7 8 6 7 8 8 7 7 7 6 6 84
Umidade relativa (%) 75 78 80 81 83 84 85 84 82 80 77 75 80,3
Horas de sol 268 216 214,9 196,9 175,3 143,6 144,7 163,1 164,5 209,5 237,6 263,2 2 397,3
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (médias climatológicas: período de 1961 a 1990;[12] [13] [14] [15] [16] [17] [18] recordes de temperatura: 1961 a 2013).[9] [10]

Economia[editar | editar código-fonte]

As atividades econômicas mais importantes no município são a pecuária bovina de corte, a pecuária ovina de lã e o plantio de arroz, maior responsável pelo desenvolvimento e arrecadação do município. Santa Vitória do Palmar é uma das cinco principais cidades produtoras de arroz do Rio Grande do Sul. Em 2004 chegou a ficar na 2ª posição segundo o IBGE, atrás apenas de Uruguaiana. Ressalve-se que, devido às condições sanitárias e ambientais especiais, não há a incidência do ectoparasita carrapato no gado bovino, garantindo a integridade do couro do animal.

De acordo com a atualização feita pela Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul em dezembro de 2010, Santa Vitória do Palmar se destacou entre os 100 maiores municípios gaúchos com expressivo crescimento no PIB em 2008 (34,5%) - 1º lugar entre os da região sul do estado, passando da 95ª posição para a 80ª posição no ranking em relação ao ano anterior. Esse desempenho teve como principal motivo o alto crescimento (77,3%) ocorrido no setor agropecuário.

Complexo Eólico Campos Neutrais[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 2010, foi colocada em pauta pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental em Porto Alegre a possibilidade de Santa Vitória do Palmar abrigar um parque eólico para a geração de energia renovável. Vários empreendedores desse ramo se mostraram interessados em aplicar essa atividade, visto que a geografia do município e a incidência em potencial de ventos são totalmente favoráveis.

Em agosto de 2011, a empresa Eletrosul conquistou em um leilão da ANEEL o direito de construir em Santa Vitória do Palmar e no Chuí 16 empreendimentos eólicos com um investimento previsto de mais de R$ 1 bilhão. Em Santa Vitória do Palmar, o parque eólico a ser construído será 2,5 vezes maior que o parque de Osório e 4 vezes maior que a usina que será construída em Santana do Livramento. De acordo com o então prefeito, Eduardo Morrone, o investimento "vai mudar de forma acelerada os rumos de desenvolvimento do município". Com a capacidade de gerar 258 megawatts de energia (e ainda de ampliar sua produção para até 600 megawatts), o parque eólico será instalado em 4,5 mil hectares localizados às margens da BR-471, diante da entrada de Santa Vitória do Palmar. Ali, a proximidade com a Lagoa Mangueira garante ventos com velocidade média anual de 8 m/s.

Apresentação oficial[editar | editar código-fonte]

O Complexo Eólico Campos Neutrais é o conjunto de três grandes parques: Geribatu e Hermenegildo, em Santa Vitória do Palmar, e Chuí, no Chuí – que somam 583 megawatts de capacidade instalada, suficiente para atender ao consumo de 3,3 milhões de habitantes. Os parques são compostos por 302 aerogeradores, distribuídos em uma área de 10,6 mil hectares. Os investimentos chegam a R$ 3,5 bilhões, considerando, além da geração, as obras do sistema de transmissão que irá escoar a energia dos parques eólicos e integrar o extremo sul gaúcho ao Sistema Interligado Nacional (SIN). A perspectiva é de que as obras geraram em torno de 4,8 mil empregos diretos e indiretos.

"Com esse gigantesco complexo, a Eletrosul consolida sua presença como maior empreendedora em energia eólica no sul do país. Queremos manter essa tendência de crescimento para sermos sempre um dos players mais importantes do mercado eólico brasileiro", afirmou o presidente da estatal, Eurides Mescolotto.

Outro efeito da implantação dos parques eólicos em Santa Vitória do Palmar e no Chuí é a movimentação do turismo. Os aerogeradores, que chegam à altura de um prédio de aproximadamente 25 andares, têm atraído centenas de visitantes, tanto brasileiros como uruguaios. Fomentando o turismo regional, a Eletrosul implantou um Centro de Visitantes que, desde fevereiro de 2014, já recebeu milhares de pessoas.

Paralelamente à implantação dos parques eólicos, a Eletrosul em parceria com a Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-GT) está investindo aproximadamente R$ 800 milhões na construção do sistema de transmissão para escoamento da geração eólica e integração do extremo sul ao SIN. São 470 quilômetros de linhas em extra-alta-tensão (525 kV), três novas subestações – Santa Vitória do Palmar, Marmeleiro e Povo Novo – e ampliação de unidades já existentes.

O nome do complexo remete ao período da colonização. "Temos procurado valorizar a cultura e história das regiões ao nominar nossos empreendimentos. Por isso, a escolha por Campos Neutrais. É dessa forma que as populações de Santa Vitória do Palmar e Chuí, e muitos outros gaúchos, como eu, conhecem a região", lembrou o diretor de Engenharia e Operação da Eletrosul, Ronaldo dos Santos Custódio. Para o executivo da companhia, a geração de energia eólica é perfeitamente compatível com o perfil econômico dos dois municípios, uma vez que não interfere na atividade predominante na região, que é o cultivo agrícola, principalmente, de arroz. "Empreendimentos como os que estamos trazendo para a região acabam impactando de forma muito positiva na economia dos municípios, pois geram empregos, movimentam o comércio local e reforçam a renda dos proprietários das terras onde os aerogeradores são instalados", acrescentou Custódio.

O Parque Eólico Geribatu, com 258 megawatts divididos em dez usinas, é o maior dos três parques. Foi o primeiro a ser construído. É composto por 129 aerogeradores distribuídos em 4,7 mil hectares. Tem capacidade de atendimento de 1,5 milhão de habitantes e foi empreendido em parceria da Eletrosul com a Rio Bravo Energia I - FIP. Foi inaugurado em 27 de fevereiro de 2015 pela Presidente da República, Dilma Rousseff, junto com o Sistema de Transmissão Associado Santa Vitória do Palmar. Os dois empreendimentos somam investimentos de cerca de R$ 2 bilhões (R$ 1 bilhão cada).

O Parque Eólico Hermenegildo, com 181 megawatts de capacidade divididos em treze usinas, é o segundo maior. É composto por 101 aerogeradores distribuídos em 2,5 mil hectares. Tem capacidade de atendimento de 1 milhão de habitantes e foi empreendido em parceria da Eletrosul com a Renobrax. O empreendimento teve investimento de R$ 900 milhões.

O Parque Eólico Chuí, que terá 144 megawatts de potência instalada em seis usinas, está com as obras em andamento. É composto por 72 aerogeradores distribuídos em 3,2 mil hectares. Tem capacidade de atendimento de 800 mil habitantes e, assim como o Parque Geribatu, foi empreendido em parceria da Eletrosul com a Rio Bravo Energia I - FIP. O investimento é de R$ 800 milhões.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Santa Vitória do Palmar conta com uma extensa área de praias, lagoas, trilhas rurais e fazendas com construções históricas que pertenceram a personalidades do município.

No centro da cidade, em frente à Praça General Andréa, se encontra o Cine Theatro Independência, tombado como patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul em 2010.[19] Atualmente, em função de suas possibilidades turísticas e culturais, o teatro passa por um processo de restauração e reforma visando adequá-lo tecnicamente como sala de espetáculos.

Uma vez por ano é realizada a Travessia do Taim, acontecimento que reúne jipeiros de vários lugares com o objetivo de buscar adrenalina junto à natureza - pastagem, areia, lama, banhado, sol, chuva - durante três dias. Normalmente, a saída da travessia é realizada na Praia do Hermenegildo e a chegada no Chuí. O percurso das trilhas totaliza, mais ou menos, 300 quilômetros, passando pela Estação Ecológica do Taim.

Junto com algumas outras cidades do Rio Grande do Sul, como Camaquã, Guaíba, Jaguarão, Pelotas, Piratini, Rio Grande e São Lourenço do Sul, Santa Vitória do Palmar integra a Agência de Desenvolvimento do Turismo na Costa Doce (AD Costa Doce) que visa desenvolver, difundir e consolidar a "costa doce" do estado como destino turístico.[20]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Pórtico na entrada principal da cidade, chegando pela BR-471.

Santa Vitória do Palmar é conhecida como "a cidade dos faróis". Em toda a sua extensão litorânea - uma das maiores do Rio Grande do Sul - estão distribuídos 4 farois de sinalização náutica (sem contar um já em ruínas). São eles: Farol do Chuí (1942), localizado na Praia da Barra do Chuí, ao lado do Arroio Chuí; Farol do Albardão (1948), distando 87 quilômetros da Barra do Chuí; Farol Verga (1964), a 110 quilômetros da Barra do Chuí; e Farol da Sarita (1964), situado na divisa do município com Rio Grande, a 135 quilômetros da Barra do Chuí. Esse título influenciou para a construção de um pórtico na entrada da cidade, o qual retrata o Farol do Chuí.

A Praia do Hermenegildo é seguidamente colocada em discussões como "a maior praia do mundo" (título este que é ostentado pela Praia do Cassino, em Rio Grande, de acordo com o livro dos recordes, o Guiness World Records). Isto porque algumas pessoas afirmam que os seus limites são, ao sul, na Praia da Barra do Chuí e, ao norte, na divisa do município de Santa Vitória do Palmar com o município de Rio Grande, totalizando cerca de 155 quilômetros de extensão. Em contrapartida, outras pessoas afirmam que a Praia do Cassino é a maior, iniciando nos molhes da Barra, em Rio Grande, até a foz do Arroio Chuí, em Santa Vitória do Palmar. A defesa pela Praia do Hermenegildo está baseada no fato de que a Praia do Cassino se estende apenas até a divisa dos municípios e não até o Arroio Chuí. Sendo assim, o Hermenegildo carregaria o título de maior praia. Até pouco tempo atrás, havia uma placa com a inscrição "a verdadeira maior praia do mundo" no trevo de acesso à praia, pela BR-471.

O litoral de Santa Vitória do Palmar também é conhecido como "cemitério de navios", graças aos traiçoeiros bancos de areia e à agitação do mar, sem falar do banditismo que aterrorizava a população dos antigos Campos Neutrais. Do Chuí a Rio Grande são inúmeros navios naufragados - uns pelas condições naturais da região e outros atraídos pelos saqueadores. Há histórias que contam que alguns navios transportavam prata e ouro das colônias espanholas em direção à Espanha, porém até hoje nenhuma prova que possibilitaria a veracidade dos rumores foi encontrada. O navio mais conhecido é o Prince of Wales, de bandeira inglesa, naufragado próximo ao Farol do Albardão, pelo qual os ingleses acusaram os brasileiros como os prováveis saqueadores e causadores do naufrágio do navio. A acusação gerou manifestações na cidade de Rio Grande. Até hoje há quem veja o que restou do navio quando a maré está muito baixa.

Local antípoda[editar | editar código-fonte]

Jeju, uma ilha e província da Coreia do Sul, é o local antípoda do município de Santa Vitória do Palmar.[carece de fontes?]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  6. Unidade Sta. Vitória do Palmar - Universidade Católica de Pelotas Universidade Católica de Pelotas. Visitado em 22 de dezembro de 2011.
  7. Hermenegildo, 30 anos depois correiodopovo.com.br. Visitado em 25 de dezembro de 2010.
  8. a b Série Histórica - Dados Mensais - Precipitação Total (mm) - Santa Vitória do Palmar Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 3 de junho de 2014.
  9. a b Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Mínima (ºC) - Santa Vitória do Palmar Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 3 de junho de 2014.
  10. a b Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Máxima (ºC) - Santa Vitória do Palmar Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 3 de junho de 2014.
  11. Série Histórica - Dados Mensais - Precipitação Total (mm) Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 3 de junho de 2014.
  12. Temperatura Média Compensada (°C) Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Visitado em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  13. Temperatura Máxima (°C) Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Visitado em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  14. Temperatura Mínima (°C) Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Visitado em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  15. Precipitação Acumulada Mensal e Anual (mm) Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Visitado em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  16. Número de Dias com Precipitação Maior ou Igual a 1 mm (dias) Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  17. Insolação Total (horas) Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  18. Umidade Relativa do Ar Média Compensada (%) Instituto Nacional de Meteorologia. Visitado em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  19. Cine Theatro Independência, de Santa Vitória, é patrimônio histórico do Estado :: Notícias JusBrasil jusbrasil.com.br. Visitado em 27 de dezembro de 2010.
  20. Costa Doce portalcostadoce.com.br. Visitado em 25 de dezembro de 2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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