Santa Vitória do Palmar

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Município de Santa Vitória do Palmar
Uma casa tradicional (sede da maçonaria) de Santa Vitória do Palmar, Rio Grande do Sul, Brasil.

Uma casa tradicional (sede da maçonaria) de Santa Vitória do Palmar, Rio Grande do Sul, Brasil.
Bandeira de Santa Vitória do Palmar
Brasão de Santa Vitória do Palmar
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 19 de dezembro
Fundação 30 de outubro de 1872 (141 anos)
Gentílico vitoriense
Prefeito(a) Eduardo Corrêa Morrone (PT)
(2009–2012)
Localização
Localização de Santa Vitória do Palmar
Localização de Santa Vitória do Palmar no Rio Grande do Sul
Santa Vitória do Palmar está localizado em: Brasil
Santa Vitória do Palmar
Localização de Santa Vitória do Palmar no Brasil
33° 31' 08" S 53° 22' 04" O33° 31' 08" S 53° 22' 04" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudeste Rio-grandense IBGE/2008[1]
Microrregião Litoral Lagunar IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Rio Grande (norte), Chuí (sul)
Distância até a capital 504 km
Características geográficas
Área 5 244,353 km² [2]
População 30 990 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 5,91 hab./km²
Altitude 23 m
Clima subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,799 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 405 030,017 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 12 741,20 IBGE/2008[5]
Página oficial

Santa Vitória do Palmar é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado no extremo sul do Brasil. Possui uma população de 30.990 habitantes de acordo com o Censo 2010 do IBGE.

Junto com o município de Rio Grande, abriga em seu território a mais importante estação ecológica do Rio Grande do Sul e uma das mais importantes do país, a Estação Ecológica do Taim e, futuramente, um dos maiores parques para geração de energia eólica da América Latina.

História[editar | editar código-fonte]

Os Campos Neutrais[editar | editar código-fonte]

Em 1777, portugueses e espanhois celebraram o tratado de Santo Ildefonso, onde estes trocavam a Colônia do Sacramento pelas Missões. Entre estes dois territórios ficou uma faixa de terra "sem dono". Essa zona (da Estação Ecológica do Taim ao município do Chuí) é onde, hoje, se encontra Santa Vitória do Palmar, que naquela época foi chamada de Campos Neutrais, fazendo analogia a campos neutros, ou seja, não pertencentes nem a espanhois e nem a portugueses. Por esse motivo e pela extrema proximidade com o Uruguai concentravam-se muitos criminosos na região, conhecida na época como "terra sem lei". Mais tarde, as terras passaram a ter dono de acordo com o Tratado de Tordesilhas: os portugueses.

No início da década de 50 do século XIX, o presidente da Província do Rio Grande de São Pedro, Marechal Francisco Soares de Andréia, em sua estada no Taim autorizou a criação de uma povoação em torno de uma igreja, a pedido dos moradores da região, cujo nome foi Povoação de Andréia.[6] Em 19 de dezembro de 1855, o Comendador Manoel Corrêa Mirapalhete, amigo do Marechal, fundou a povoação que, 33 anos depois, passou a se chamar Santa Vitória do Palmar em homenagem a Santa Vitória, uma santa italiana a qual a família Andréia era devota. A imagem da santa chegou ao povoado em 1858, vinda da cidade de Ravena, na Itália. Em 1872, a povoação foi elevada à categoria de vila e, mais tarde, em 24 de dezembro de 1888, a vila foi elevada a município.

O termo "Palmar" foi dado em razão da grande quantidade de palmeiras Butiá existentes na região (provavelmente semeadas por aves migratórias que se abrigavam nos banhados junto à Lagoa Mirim). Ainda se encontram alguns palmares, mas foram, na maioria, devastados pelas plantações de arroz que se intensificaram a partir da década de 1960 com mecanização intensiva.

Os primeiros imigrantes[editar | editar código-fonte]

Inicialmente, Santa Vitória do Palmar foi colonizada por imigrantes portugueses. Os imigrantes italianos começaram a chegar no município a partir de 1860 trabalhando como mascates, vendendo pelo interior do município em concorrência com o comércio dos sírio-libaneses. Num segundo momento, acabaram por ter como ramo definitivo o comércio de secos e molhados. Partindo sempre da amostragem, ainda se identificavam prestadores de serviços como sapateiros, pedreiros, soldadores (ambulantes), alfaiates e atividades no ramo de transportes em diligências - atividades tipicamente urbanas.

Realizadas 23 entrevistas, todos os entrevistados alegaram como razão de emigrar a fuga da miséria e o desejo de melhorar de vida. As justificativas para se fixarem em Santa Vitória do Palmar são de que já haviam parentes vivendo no município e que foram chamados, garantindo, num primeiro momento, a ajuda e solidariedade para atingir o objetivo (fare l’America – mito do Novo Mundo) da riqueza e da sorte. Todos os entrevistados vieram para cá sozinhos ou com parentes, predominando os de 1º grau como pai, mãe e esposa. Os que vieram sozinhos se estabeleceram e depois de alguns anos chamaram esposa e filhos ou os pais, promovendo a reunificação da família. Este é um possível indício de imigração permanente.

Pelo censo de 1900 da população, segundo o sexo e a nacionalidade, encontramos 166 italianos e 66 italianas, sobre um total populacional de 8.970 pessoas, sendo 80% destes, brasileiros. É interessante notar o número excessivo de homens italianos para o de mulheres, o que colabora para a ideia de migração em cadeia.

Imigrantes italianos estão presentes em Montevidéu desde o início do século passado, sendo significativa a atuação de inúmeros combatentes italianos. Assim como no Rio Grande do Sul, no Uruguai também chegou um grande número de imigrantes destinado a ocupar territórios despovoados. Segundo BRIANI, em 1843 o censo registrava cerca de 4.025 italianos em Montevidéu constituindo-se na segunda coletividade estrangeira, sendo os franceses em primeiro. Desde essa data, a freqüência de chegada de italianos no porto de Montevidéu aumentou, continuando intenso até a I Guerra Mundial. A contribuição desses imigrantes foi significativa, mas a conjuntura política e econômica na segunda metade do século passado, tanto no Uruguai como na Argentina, provocou uma migração interna, fazendo com que muitos desses imigrantes percorressem cidades do interior, procurando melhores condições de vida. É interessante notar que mais de 50% dos entrevistados afirmam ter como destino inicial Buenos Aires (5) ou Montevidéu (9), fazendo parte da entrada oficial de imigrantes na Argentina e Uruguai.

Além da crise, outra justificativa para o ingresso em nossa região de fronteira de imigrantes de diversas etnias, entre eles os italianos, tenha sido o contrato realizado pelo empreiteiro Serpa Júnior. Segundo Pasquale Corte (em De Boni / Costa, 1984, p. 65), muitos italianos "...estão em Pelotas, Rio Grande, Bagé, Jaguarão, Santa Vitória do Palmar, Alegrete, Uruguaiana, Santana do Livramento, São Jerônimo, Cachoeira e outras localidades menores.". Assim que, poderemos encontrar em Santa Vitória do Palmar italianos originários do mesmo tronco familiar encontrados também na capital do Uruguai e nas cidades de Minas, Castillos e Rocha. É provável que o mesmo se repita em outros municípios fronteiriços do Rio Grande do Sul, como em Santana do Livramento e Bagé.

Membros do grupo italiano de Santa Vitória do Palmar fundaram a Società Benevolenza, em 1880, com exclusiva participação de italianos. Seus membros fundadores foram: o médico Francisco Palombo, Carmine Brundo, Luigi Bottini, Antonio Blasi, Pietro Martino, Stefano Ferrari e Giovanni Boraglia.

Da amostra, nem 50% dos entrevistados participavam da Sociedade Italiana; dos que não participaram, um afirmou que, como havia dificuldades para o sustento, eles não participavam de nada, apenas trabalhavam. Os entrevistados são oriundos de diversas regiões do sul da Itália (Consenza, Napoli, Salerno e Sicilia), mas também se estabeleceram no município italianos de Firenze, Gênova e Novara.

Fonte: Calabreses em Santa Vitória do Palmar. Escritores: Stella Borges, professora (ULBRA) e Rovílio Costa, professor (UFRGS).

"Mergulhão"[editar | editar código-fonte]

O gentílico mergulhão vem da semelhança de costume da população vitoriense (principalmente nos tempos antigos) com os de uma ave abundante na planície costeira do Rio Grande do Sul: da mesma maneira que a ave mergulha com seus filhotes ao perceber movimentação estranha, o vitoriense que vivia nas estâncias e fazendas na imensidade dos campos sulinos, ao notar a aproximação de forasteiros ao longe, tentava proteger a família escondendo-a nos matos (em tempos onde era comum o banditismo). Depois de identificada a visita sendo pessoas conhecidas ou de confiança, aos poucos iam aparecendo os moradores, dos mais velhos aos mais novos, começando pelo pai ou pela mãe, certificando-se se era ou não alguma patrulha ou corpo militar que estivesse recrutando soldados à força.

Hoje em dia, a maioria dos vitorienses gosta de ser identificada pelo gentílico mergulhão, principalmente quando esses se encontram longe do município, em outras cidades ou estados. Até pouco tempo atrás a palavra chegou a ter, para algumas pessoas, o mesmo significado de "bicho-do-mato", pessoa rude.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município está localizado no extremo meridional do Brasil a uma latitude 33º45'08" sul e a uma longitude 53º22'05" oeste, estando a uma altitude de 23 metros. Seu território, uma faixa de terra de quase 150km de extensão, é formado basicamente por planícies e por algumas áreas conhecidas como banhados, leves depressões que alagam durante as temporadas de chuva.

Em 1997, Santa Vitória do Palmar cedeu uma pequena parte de sua área ao Chuí, município que se emancipara. Até então, Santa Vitória do Palmar era considerada a cidade mais ao sul do Brasil, título que foi perdido para a nova cidade. Porém, o extremo sul geográfico do país (uma pequena curva do Arroio Chuí a cerca de 2,7 km de sua foz) não foi incluído no novo município e ainda pertence a Santa Vitória do Palmar. O mesmo vale para a foz desse arroio junto à Praia da Barra do Chuí que é o extremo sul do litoral brasileiro.

Lagoas[editar | editar código-fonte]

Santa Vitória do Palmar possui duas grandes lagoas em seu território: a Lagoa Mirim e a Lagoa Mangueira, além de outras lagoas de pequeno porte. Estas duas somadas à Lagoa dos Patos e ao Lago Guaíba compõem o maior complexo lagunar da América Latina.

A Lagoa Mirim é a maior lagoa do estado do Rio Grande do Sul. Anteriormente considerada nesta condição era a Lagoa dos Patos (que hoje sabe-se tratar de uma laguna - a qual se liga à Lagoa Mirim pelo Canal São Gonçalo). Ela faz a divisa entre o extremo sul do Brasil e o leste uruguaio.

Um pequeno porto lacustre se encontra às margens da Lagoa Mirim a dez minutos do centro de Santa Vitória do Palmar, tendo acesso pela Av. Getúlio Vargas. Durante os últimos anos, a prefeitura do município investiu em reformas para a revitalização do porto com a finalidade de desenvolvê-lo em relação ao turismo e, também, com a tentativa de integrá-lo como porta de entrada e saída de produtos comercializados pelo Brasil ao Mercosul. À beira da lagoa, o entorno do porto dispõe de quiosques e churrasqueiras, o que oferece à população da cidade uma oportunidade de lazer.

A Mirim é palco de intensa atividade pesqueira e apresenta preciosas paisagens, incluindo o seu pôr-do-sol. A lagoa permite a prática do iatismo esportivo e a pesca, destacando-se a traíra, o pintado e o peixe-rei.

A Lagoa Mangueira se localiza no interior do município, próxima à Estação Ecológica do Taim e ao Oceano Atlântico, separada dele apenas por uma estreita faixa de dunas de areia. Por estarem distantes de áreas de concentração populacional, as águas doces da Lagoa Mangueira estão longe da poluição e a sua coloração impressiona quem a visita. A Mangueira é tida como uma das lagoas mais belas e límpidas do mundo, ideal para o mergulho livre. O seu entorno é cenário de rallies e trilhas feitas por jeepeiros de várias partes do Rio Grande do Sul, do Brasil e até mesmo do Uruguai e da Argentina.

Praias[editar | editar código-fonte]

Apesar da zona urbana da cidade não ser litorânea, o município de Santa Vitória do Palmar possui duas praias - as quais são tidas como balneários do município: a Praia do Hermenegildo (chamada pelos vitorienses simplesmente de Hermena) e a Praia da Barra do Chuí, localizada no extremo sul do território, onde faz fronteira com o Uruguai.

A Praia do Hermenegildo é o balneário mais frequentado pelos moradores do município, tendo um movimento intenso de veranistas durante do verão. É conhecido na região sul do estado como um bom lugar para o veraneio. Em 1978 ocorreu o fenômeno ambiental descrito como maré vermelha, que chegou a atingir a Praia do Cassino, no município de Rio Grande, e Punta del Este, no Uruguai. O acontecimento teve grande repercussão na mídia nacional e internacional. Na época, surgiram diversas hipóteses para justificar a mortandade de peixes e outros animais marinhos na região, além de problemas respiratórios em algumas pessoas.[7]

A Praia da Barra do Chuí é a primeira praia brasileira chegando do Uruguai. Faz fronteira com a Barra del Chuy, balneário uruguaio de mesmo nome, separada desta pela foz do Arroio Chuí - de onde origina o nome. Por muito tempo, a Barra do Chuí foi considerada um balneário exclusivo da elite vitoriense. Hoje em dia, seus veranistas são, em maior parte, turistas uruguaios e argentinos. Isso se deve à sua proximidade com a zona de comércio internacional do Chuy, formada por seus free shops.

Clima[editar | editar código-fonte]

Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados
em Santa Vitória do Palmar por meses
Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data
Janeiro 103,4 mm 13/01/1984 Julho 116,9 mm 25/07/1998
Fevereiro 151,6 mm 21/02/2013 Agosto 104,3 mm 20/08/1992
Março 160,9 mm 14/03/2004 Setembro 86 mm 01/09/1994
Abril 167,6 mm 04/04/1993 Outubro 64,6 mm 13/10/1994
Maio 101,4 mm 14/05/1970 Novembro 80,7 mm 13/11/1994
Junho 114,7 mm 20/06/1967 Dezembro 166,6 mm 21/12/1997
Fontes: Rede de dados do INMET. Período: 01/01/1961 a 31/12/2013.[8]

O clima do município é subtropical ou temperado, com verões moderados e invernos frescos. O mês mais quente é janeiro, com temperatura média de 22°C, enquanto o mês mais frio é julho, com média de 13 °C. A temperatura média anual é de 17 °C e a precipitação média anual é de 1 228 mm. Regularmente, as chuvas são distribuídas durante todo o ano - com mais frequência durante o inverno. Ultimamente, o clima vitoriense vendo sofrendo algumas alterações. Seus invernos cada vez mais frios, com a temperatura chegando até a -1°C, e seus verões mais quentes atingindo a casa dos 35°C.

Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período entre 1961 e 2013, a menor temperatura registrada em Santa Vitória do Palmar foi de -7,8 ºC em 1967, nos dias 14 de julho e 14 de junho,[9] e a maior atingiu 39,9 ºC em 18 de dezembro de 1995. Recentemente destacam-se os 39,3 ºC registrados em 26 de dezembro de 2013, a segunda temperatura registrada no município.[10] O maior acumulado de chuva registrado em 24 horas foi de 167,6 milímetros em 4 de abril de 1993. Outros grandes acumulados foram 166,6 milímetros em 27 de dezembro de 1997, 160,9 milímetros em 14 de março de 2004, 160,3 milímetros em 24 de março de 1996 e 151,6 milímetros em 21 de fevereiro de 2013.[8] Em um mês o maior volume de chuva observado foi de 473,5 milímetros em março de 2002.[11]

Nuvola apps kweather.svg Dados climatológicos para Santa Vitória do Palmar Weather-rain-thunderstorm.svg
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima registrada (°C) 39,2 38,2 36,6 33,3 29,9 28,4 28,5 32,2 33,8 33,7 34,8 39,9 39,9
Temperatura máxima média (°C) 27,8 27,4 25,9 23 19,8 16,4 16,1 16,9 18,4 20,8 23,5 26,1 21,8
Temperatura média (°C) 22,2 22 20,3 17,2 14,3 11,7 11,5 11,9 13,7 15,8 18 20,5 16,6
Temperatura mínima média (°C) 18 18,1 16,6 13,5 10,5 8,3 8,2 8,8 10,1 11,9 13,9 16,2 12,8
Temperatura mínima registrada (°C) 7,4 8,3 6,9 3,6 1,2 -1,6 -1,8 -1,8 -1 2,2 4 5,8 -1,8
Chuva (mm) 116,1 117,3 99 68,2 101,1 115,1 136,1 105,4 113,3 84,6 83,8 89 1 228,9
Dias com chuva (≥ 1 mm) 7 7 8 6 7 8 8 7 7 7 6 6 84
Umidade relativa (%) 75 78 80 81 83 84 85 84 82 80 77 75 80,3
Horas de sol 268 216 214,9 196,9 175,3 143,6 144,7 163,1 164,5 209,5 237,6 263,2 2 397,3
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (médias climatológicas: período de 1961 a 1990;[12] [13] [14] [15] [16] [17] [18] recordes de temperatura: 1961 a 2013).[9] [10]

Economia[editar | editar código-fonte]

As atividades econômicas mais importantes no município são a pecuária bovina de corte, a pecuária ovina de lã e o plantio de arroz, maior responsável pelo desenvolvimento e arrecadação do município. Santa Vitória do Palmar é uma das cinco principais cidades produtoras de arroz do Rio Grande do Sul. Em 2004 chegou a ficar na 2ª posição segundo o IBGE, atrás apenas de Uruguaiana.

Ressalve-se que, devido às condições sanitárias e ambientais especiais, não há a incidência do ectoparasita carrapato no gado bovino, garantindo a integridade do couro do animal.

Em setembro de 2010 foi colocada em pauta pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental em Porto Alegre a possibilidade de Santa Vitória do Palmar abrigar um parque eólico para a geração de energia renovável. Vários empreendedores desse ramo se mostraram interessados em aplicar essa atividade, visto que a geografia do município e a incidência em potencial de ventos são totalmente favoráveis.

De acordo com a atualização feita pela Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul em dezembro de 2010, Santa Vitória do Palmar se destacou entre os 100 maiores municípios gaúchos com expressivo crescimento no PIB em 2008 (34,5%) - 1º lugar entre os da região sul do estado, passando da 95ª posição para a 80ª posição no ranking em relação ao ano anterior. Esse desempenho teve como principal motivo o alto crescimento (77,3%) ocorrido no setor agropecuário.

Em agosto de 2011, a empresa Eletrosul conquistou em um leilão da ANEEL o direito de construir em Santa Vitória do Palmar e no Chuí 16 empreendimentos eólicos com um investimento de mais de R$1 bilhão. Em Santa Vitória do Palmar, o parque eólico a ser construído será 2,5 vezes maior que o parque de Osório e 4 vezes maior que a usina que será construída em Santana do Livramento. De acordo com o atual prefeito, Eduardo Morrone, o investimento "vai mudar de forma acelerada os rumos de desenvolvimento do município". Com a capacidade de gerar 258MW de energia (e ainda de ampliar sua produção para até 600MW), o parque eólico será instalado em 4,5 mil hectares localizados às margens da BR-471, diante da entrada de Santa Vitória do Palmar. Ali, a proximidade com a lagoa Mangueira garante ventos com velocidade média anual de 8m/s.

"O Verace será um dos parques eólicos mais competitivos do mundo e a partir de sua expansão poderá ser o maior do planeta.", garante o presidente da Pampa Eólica, Christian Hunt.

Espera-se que os parques Verace, Minuano e Chuí (este dois últimos no Chuí) estejam em pleno funcionamento até o ano de 2014 gerando um total de 902MW de energia.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Santa Vitória do Palmar conta com uma extensa área de praias, lagoas, trilhas rurais e fazendas com construções históricas que pertenceram a personalidades do município.

No centro da cidade, em frente à Praça General Andrea, se encontra o Cine Theatro Independência tombado como patrimônio histórico e cultural do Rio Grande do Sul em 2010.[19] Atualmente, em função de suas possibilidades turísticas e culturais, o teatro passa por um processo de restauração e reforma visando adequá-lo tecnicamente como sala de espetáculos.

Uma vez por ano é realizada a Travessia do Taim, acontecimento que reúne jeepeiros de vários lugares com o objetivo de buscar adrenalina junto à natureza - pastagem, areia, lama, banhado, sol, chuva - durante três dias. Normalmente, a saída da travessia é realizada na Praia do Hermenegildo e a chegada no Chuí. O percurso das trilhas totaliza, mais ou menos, 300km. As trilhas passam pela Estação Ecológica do Taim, reserva ambiental que compreende parte do território de Santa Vitória do Palmar e de Rio Grande.

Junto com algumas outras cidades do Rio Grande do Sul, como Camaquã, Guaíba, Jaguarão, Pelotas, Piratini, Rio Grande e São Lourenço do Sul, Santa Vitória do Palmar integra a Agência de Desenvolvimento do Turismo na Costa Doce (AD Costa Doce) que visa desenvolver, difundir e consolidar a "costa doce" do estado como destino turístico.[20]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

Pórtico na entrada principal da cidade, chegando pela BR471.

Santa Vitória do Palmar é conhecida como "a cidade dos farois". Em toda a sua extensão litorânea - uma das maiores do Rio Grande do Sul - estão distribuídos 4 farois de sinalização náutica (sem contar um já em ruínas). São eles: Farol do Chuí (1942), localizado na Praia da Barra do Chuí, ao lado do Arroio Chuí; Farol do Albardão (1948), distando 87km da Barra do Chuí; Farol Verga (1964), a 110km da Barra do Chuí; e Farol da Sarita (1964), situado na divisa do município com Rio Grande, a 135km da Barra do Chuí.

Esse título influenciou para a construção de um pórtico na entrada da cidade, o qual retrata o Farol do Chuí.

A Praia do Hermenegildo é seguidamente colocada em discussões como "a maior praia do mundo" (título este que é ostentado pela Praia do Cassino, em Rio Grande, de acordo com o livro dos recordes, o Guiness World Records). Isto porque algumas pessoas afirmam que os seus limites são, ao sul, na Praia da Barra do Chuí e, ao norte, na divisa do município de Santa Vitória do Palmar com o município de Rio Grande, totalizando, mais ou menos, 155km de extensão. Em contrapartida, outras pessoas afirmam que a Praia do Cassino é a maior, iniciando nos molhes da Barra, em Rio Grande, até a foz do Arroio Chuí, em Santa Vitória do Palmar. A defesa pela Praia do Hermenegildo está baseada no fato de que a Praia do Cassino se estende apenas até a divisa dos municípios e não até o Arroio Chuí. Sendo assim, o Hermenegildo carregaria o título de maior praia. Até pouco tempo atrás, havia uma placa com a inscrição "a verdadeira maior praia do mundo" no trevo de acesso à praia, pela BR-471.

O litoral de Santa Vitória do Palmar também é conhecido como "cemitério de navios", graças aos traiçoeiros bancos de areia e à agitação do mar, sem falar do banditismo que aterrorizava a população dos antigos Campos Neutrais. Do Chuí a Rio Grande são inúmeros navios naufragados - uns pelas condições naturais da região e outros atraídos pelos saqueadores. Há histórias que contam que alguns navios transportavam prata e ouro das colônias espanholas em direção à Espanha, porém até hoje nenhuma prova que possibilitaria a veracidade dos rumores foi encontrada. O navio mais conhecido é o Prince of Wales, de bandeira inglesa, naufragado próximo ao Farol do Albardão, pelo qual os ingleses acusaram os brasileiros como os prováveis saqueadores e causadores do naufrágio do navio. A acusação gerou manifestações na cidade de Rio Grande. Até hoje há quem veja o que restou do navio quando a maré está muito baixa.

Local antípoda[editar | editar código-fonte]

Jeju, uma ilha e província da Coreia do Sul, é o local antípoda do município de Santa Vitória do Palmar.[carece de fontes?]

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. Unidade Sta. Vitória do Palmar - Universidade Católica de Pelotas Universidade Católica de Pelotas. Página visitada em 22 de dezembro de 2011.
  7. Hermenegildo, 30 anos depois correiodopovo.com.br.. Página visitada em 25 de dezembro de 2010.
  8. a b Série Histórica - Dados Mensais - Precipitação Total (mm) - Santa Vitória do Palmar Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 3 de junho de 2014.
  9. a b Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Mínima (ºC) - Santa Vitória do Palmar Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 3 de junho de 2014.
  10. a b Série Histórica - Dados Diários - Temperatura Máxima (ºC) - Santa Vitória do Palmar Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 3 de junho de 2014.
  11. Série Histórica - Dados Mensais - Precipitação Total (mm) Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 3 de junho de 2014.
  12. Temperatura Média Compensada (°C) Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Página visitada em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  13. Temperatura Máxima (°C) Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Página visitada em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  14. Temperatura Mínima (°C) Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Página visitada em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  15. Precipitação Acumulada Mensal e Anual (mm) Instituto Nacional de Meteorologia (1961-1990). Página visitada em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  16. Número de Dias com Precipitação Maior ou Igual a 1 mm (dias) Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  17. Insolação Total (horas) Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  18. Umidade Relativa do Ar Média Compensada (%) Instituto Nacional de Meteorologia. Página visitada em 3 de junho de 2014. Cópia arquivada em 4 de maio de 2014.
  19. Cine Theatro Independência, de Santa Vitória, é patrimônio histórico do Estado :: Notícias JusBrasil jusbrasil.com.br.. Página visitada em 27 de dezembro de 2010.
  20. Costa Doce portalcostadoce.com.br.. Página visitada em 25 de dezembro de 2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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