Comodoro (Mato Grosso)
| Município de Comodoro | |||||
| "Portal da Amazônia" "Novo Oeste" |
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Centro de Comodoro |
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| Hino | |||||
| Fundação | 13 de maio de 1986 | ||||
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| Gentílico | comodorense | ||||
| Prefeito(a) | Marcelo Beduschi (PT) (2009–2012) |
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| Localização | |||||
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Localização de Comodoro no Mato Grosso
Localização de Comodoro no Brasil |
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| Unidade federativa | |||||
| Mesorregião | Norte Mato-grossense IBGE/2008 1 | ||||
| Microrregião | Parecis IBGE/2008 1 | ||||
| Municípios limítrofes | Campos de Júlio, Vila Bela da Santíssima Trindade, Sapezal, Juina, Nova Lacerda, Vilhena (RO), Colorado do Oeste (RO), Cabixi (RO), Bolívia | ||||
| Distância até a capital | 656 km | ||||
| Características geográficas | |||||
| Área | 21 774,22 km² (BR: 53º)2 | ||||
| População | 18 157 hab. Censo IBGE/20103 | ||||
| Densidade | 0,83 hab./km² | ||||
| Altitude | 600 m | ||||
| Clima | Tropical Aw | ||||
| Fuso horário | UTC−4 | ||||
| Indicadores | |||||
| IDH | 0,724 médio PNUD/2000 4 | ||||
| PIB | R$ 274 947,251 mil IBGE/20085 | ||||
| PIB per capita | R$ 14 763,85 IBGE/20085 | ||||
| Página oficial | |||||
Comodoro é uma cidade brasileira no estado de Mato Grosso, microrregião de Parecis.
Índice |
História [editar]
Era habitada primitivamente pelo povo indígena Nambikwára e Ena-wene-nawê, que permanece na região em reservas especialmente delimitadas por Lei Federal. A primeira movimentação da civilização não índia na região ocorreu no século XVIII, pelo Leonardo de Oliveira com a fundação de Vila Bela. No entanto, considera-se como o primeiro contato oficial o que ocorreu com o Rondon , durante a construção da Linha Telegráfica, resultando na inauguração da Linha Telegráfica de Nambiquaras, em 12 de outubro de 1911. No final da década de 1940 e início de 1950, a atividade de extração de borracha localizadas nas matas dos rios Piolho, Cabixi, Sabão e Galera, no Vale do Guaporé foi expressiva, destacando o papel do seringalista Antônio Cezário Miguel Áskar, mais conhecido por Canguru (Costa, 2000). Esta exploração contribuiu para a invasão da área de habitada pelos Ena-wene-nawê. Esta região vem sendo submetida desde o início da década de 60 a um acelerado processo de ocupação, fruto da expansão das fronteiras agrícolas para a Amazônia Ocidental. A estrada federal BR-364, que estende de Cuiabá (Mato Grosso) até a fronteira com o Peru, passando por Porto Velho (Rondônia) e Rio Branco(Acre) é considerado como eixo principal de ocupação.
Tratando-se de um ambiente geomórfico apropriado para o desenvolvimento de uma agricultura ostensiva e mecanizada, as terras da Chapada dos Parecis, especialmente Comodoro, foi aceleradamente ocupada por grandes propriedades agrícolas dedicadas principalmente à cultura de grãos como soja e arroz (Souza e Martini, 2000). Já as culturas de feijão, café, etc. são explorados pela agricultura familiar, localizadas em terrenos mais acidentados.
Comodoro deve sua formação como município resultante do movimento dos governos federal e estadual, que propiciaram o estabelecimento da fronteira agrícola de Mato Grosso. Somado a este movimento, pela região localiza-se como passagem de Cuiabá e Região Sul, Sudeste e Centro-Oeste para Vilhena e Porto Velho e vice-versa. O lugar foi se firmando como povoação, que inicialmente levou o nome de Nova Alvorada.
Nova Alvorada foi o primeiro nome que antecedeu ao de Comodoro. O vilarejo ganhou foro de distrito de Vila Bela da Santíssima Trindade através da Lei nº 3.868, de 6 de junho de 1977. Dois anos mais tarde outro povoado ganha destaque naquela região, Novo Oeste, que tomou para si a prerrogativa de distrito, fazendo com que Nova Alvorada retornasse a condição de povoado (Lei nº 4.091). Teve incremento a partir de 1983, graças a incentivos fiscais, empréstimos e programas do Governo Federal que propiciaram o estabelecimento da região como uma das fronteiras agrícola de Mato Grosso. Com o crescimento permitiu-se a afirmação política de Comodoro, tendo absorvido a sede distrital de Novo Oeste, através da Lei nº. 4.636, de 22 de março de 1985. A Lei nº. 5.000, de 13 de maio de 1986, de autoria do deputado Francisco Monteiro e sancionada pelo governo Júlio Campos criou o Município de Comodoro, desmembrado do município de Vila Bela da Santíssima Trindade. A Nossa Senhora de Fátima foi escolhida como a padroeira da cidade.
O projeto de colonização de Comodoro surgiu também em 1983, idealizado por José Carlos Piovezan e sua família, o qual era dono de extensas áreas na região. A família Piovezan juntamente com Luiz Grandi desenvolveu o projeto. Previu-se o assentamento de 17.000 colonos que vieram especialmente da região sul do país.
Geografia [editar]
Fundada em 1986 a uma altitude de 600 m, é centro de um município de grandes dimensões, mas muito pouco povoado. Tem 18 157 habitantes numa área total de 21 774 km², o que corresponde a uma densidade demográfica de 0,82 hab/km². O município confina a norte com Juína, a leste com Sapezal e com Campos de Júlio, a sul com Nova Lacerda e com Vila Bela da Santíssima Trindade, a sudoeste com a Bolívia e a oeste com o estado de Rondônia.
Relevo [editar]
O relevo trata-se de uma unidade relativamente elevada, com altitudes variando entre 300 e 800 m que, em função da diversidade litológica e altimétrica, foi subdividida em duas unidades morfoesculturais: a Chapada dos Parecis e o Planalto Dissecado dos Parecis. Localizada na porção oeste do Mato Grosso, a unidade topograficamente mais elevada, atingindo altitudes até 800 m. A Chapada dos Parecis caracteriza-se como um extenso compartimento elaborado em litologias areníticas do Grupo Parecis, com acamamento plano-paralelo.
A morfologia caracteriza-se pela homogeneidade das formas tabulares amplas, com fraca incisão da drenagem. Recobrindo parcialmente os arenitos, tem-se uma camada de sedimentos detríticos-lateríticos argilosos, correlacionados às Coberturas Terciário-Quaternárias Neogênicas. O Planalto Dissecado dos Parecis constitui uma das unidades geomorfológicas de grande expressão na parte centro norte do Mato Grosso. É um bloco relativamente homogêneo do ponto de vista altimétrico, com altitudes que variam de 400 a 350 m de leste para oeste. Este Planalto encontra-se topograficamente rebaixado em relação à superfície da Chapada dos Parecis e caracteriza-se pela homogeneidade das formas de relevo, predominantemente tabulares.
Clima [editar]
O clima desta localidade por temperaturas e chuvas moderadas, com alta incidência de radiação solar. A unidade climática predominante é o Clima Tropical Continental alternadamente Úmido e Seco das Chapadas, Planaltos e Depressões, que é caracterizado pela variação em função da grande extensão territorial e do controle modificador, exercido pela forma e orientação do relevo.
Os ciclos estacionais, quase regulares, com seis a sete meses de predomínio da estação chuvosa (entre meados de setembro até o mês de abril) e quatro a cinco meses com estação seca (entre mês de maio até meados de setembro), permitem um planejamento razoavelmente confiável no desenvolvimento e desempenho da atividade agropecuária. A temperatura média anual de 26°C, registradas a maior máxima 36°C e menor mínima de 5ºC.
O aspecto de importância a ser ressaltado é a existência de um conjunto substancial de terras elevadas (chapadas e planaltos com altitudes entre 400 a 800 metros), significando diferentes níveis de alteração térmica, possibilitando reagrupar conjuntos e realidades climáticas distintas. A atenuação térmica conduz implicitamente a um aumento da disponibilidade hídrica, diminuindo o rigor das altas perdas de água superficial. Além deste aspecto, a orientação, a forma a altitude agem dinamicamente nos fluxos de vento, aumentando os valores da precipitação pluviométrica.
Hidrografia [editar]
Quanto à hidrografia, o município localiza-se em duas sub-bacias:
Sub-bacia do Guaporé [editar]
É formada pelo rio Guaporé e seus afluentes, como Sararé, Capivari e Vermelho. Compreende uma região com grandes extensões de “várzeas” inundadas nos períodos de cheia. Essas áreas são propícias à formação de lagoas marginais, onde se reproduzem muitas espécies de peixes. Apresenta outros trechos com corredeiras que podem ser utilizadas na produção de energia.
Sub-bacia do Juruena [editar]
Neste município, é formada pelos afluentes do Rio Juruena, como rio Juína, Camararé e Mutum.
Sistema Viário [editar]
As principais estradas em Comodoro são:
• BR-174 que liga Comodoro a Nova Lacerda - MT / Vilhena – RO;
• BR-364 que liga a Campos de Júlio - MT;
• MT-235 e MT-478 dão acesso às comunidades rurais no interior do município.
Destaca-se a rodovia federal BR-364 que corta o centro da cidade de Comodoro e por ela transitam diariamente milhares de pessoas com destino para os estados do Acre, Rondônia e para os países do Peru, Venezuela e Colômbia (Sentido Norte ). No sentido sul dá acesso para todos os estados do centro oeste e outros. Em relação as estradas vicinais, estima-se a existência de aproximadamente 1 500km de estradas, maioria sem asfaltamento.
De acordo com o INDEA/MT-CCDA dados de fevereiro e maio de 2007 existem 10 bacias sanitárias de saúde animal oficialmente instaladas com o devido controle sanitário para febre aftosa. No município de Comodoro há o registro de 2 porteiras de propriedades na faixa de 15 km da linha institucional. Estas linhas são consideradas como propriedades da linha de fronteira e apresentam trilhas de acesso à linha internacional.
Ocupação [editar]
Destaca-se que cerca de 62 % da área de Comodoro faz parte de áreas protegidas na forma de Terra Indígenas – TI. Predominam as aldeias da etnia Nambikwara. As reservas têm seus limites que seguem a BR-364 entre as sedes dos municípios de Comodoro no Mato Grosso e Vilhena em Rondônia, prosseguindo daí para Juína pela rodovia MT- 319. Os limites a Leste são definidos pelo rio Juína e, posteriormente, pelo rio Juruena. A área se situa ao longo do eixo central da Chapada dos Parecis, divisor de águas do rio Juruena com o rio Guaporé. As reservas indígenas sofrem pressões no entorno frente à dinâmica de ocupação.
Em nível geral, as reservas indígenas vêm sofrendo sistematicamente diferentes tipos de assédio por parte do entorno agrícola, cujos vetores dessa pressão, e mesmo da invasão, são as estradas vicinais na medida em que são decididas em nível de município, onde a influência de proprietáriosnou de exploradores é sempre forte (Souza e Martini, 2000). De acordo com Souza e Martini (2000), cada reserva tem diferentes atributos quanto à distribuição espacial dos padrões de uso da terra. Dessa maneira, torna-se mais adequado tratar também as reservas separadamente, como segue.
Reserva Indígena Ena-wene-nawê [editar]
Foi criada nos anos 70 em função dos primeiros contatos que aconteceram também neste período. Como tratado, os limites da Reserva Ena-wene-nawê são controlados em parte pela importante rodovia estadual (MT-319), que liga Vilhena a Juína, e abastecida pelos recursos hídricos do Rio Juruena, que percorre ao mesmo tempo limites de reserva e de domínio agrícola.
A partir da construção da estrada MT-319 e das suas vicinais, já em 1984 os limites da reserva estavam sendo invadidos. Área de intenso conflito por terras, o padrão de ocupação das áreas invadidas são típicos de atividade agropecuária a base de pequenas propriedades. A região está instalada em planalto dissecado com relevo muito ondulado, o que provoca o aparecimento de minifúndios com diferentes tipos de ocupação agrícola e com forte componente exploradora. Os padrões de exploração aparecem como extração de madeira. Na parte sudeste da reserva, entre os rios Juruena e Papagaio, existe proximidade com áreas ostensivamente agrícolas (soja) desenvolvidas principalmente no município de Sapezal (Souza e Martini, 2000).
No caso dessa reserva as áreas de soja encontram-se a montante e estabelece quadro geomórfico favorável para a disseminação dos resíduos nos mananciais hídricos da reserva. Análises das águas deveriam ser feitas para se conhecer melhor a situação dos mananciais da reserva.
Reserva Indígena Nambikwara [editar]
Com nativos contatados no início do século XX, não apresentou áreas modificadas por invasões como aquelas detectadas na Reserva Enawene-Nawê apesar de sofrer com o avanço das fronteiras agrícolas. Como tratado na reserva Enawene-Nawê, a questão dos recursos hídricos também merece atenção, embora apenas e estritamente o Juruena percorra ao mesmo tempo limites de reserva e de domínio agrícola. Os demais rios que percorrem a reserva não têm conexões diretas com áreas agrícolas.
Considerando a população indígena total, habitavam no município, em 2006, 1905 índios com pequeno predomínio de sexo masculino exceto na faixa etária de 15 a 49 anos.
Economia [editar]
Com o declínio do ciclo da madeira, o agronegócio ganha importância crescente na economia do município, ocupando uma área total de aproximadamente 300 mil hectares com lavouras e pastagens.
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Agricultura [editar]
A produção de soja, principal produto agrícola cultivado no município ocupa uma área em torno de 40 mil hectares (2007), com uma produtividade média de três mil quilos por hectare, a cultura tem excelentes perspectivas de desenvolvimento para os próximos anos contando com a integração lavoura-pecuária e abertura de novas área de plantio. As Plantações e arroz, milho, feijão e café ocupam outros 10 mil hectares.
Pecuária [editar]
Comodoro tem um rebanho bovino de corte estimado em 300 mil cabeças, e aproximadamente 20 mil vacas em lactação produzindo cerca de seis milhões de litros de leite/ano, ocupando uma área em torno de 250 mil hectares com pastagens.
Estrutura Fundiária [editar]
Da área de 21.743 km¹, 13.480 km² formam as reservas Indígenas Nhambiquara, Vale do Guaporé e Enáwené-Nawê, totalizando 62% do território municipal. São 9.348,65 km² disponíveis para exploração econômica: 614,50 km² de agricultura, 2.500 km² de pastagens, e 815 km² ocupados por 1.300 assentados em sete projetos do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA).
Indústria, Comércio e Serviços [editar]
O setor de indústria, comércio e serviços é responsável pela maioria dos empregos gerados no município. São 141 estabelecimentos comerciais; 111 empresas de serviços; 03 agências bancárias e 37 pequenas e médias indústrias.
Turismo [editar]
O desenvolvimento do turismo é considerado estratégico pela administração municipal que vem apoiando a realização de eventos como feira agropecuária e festa do peão e carnaval de rua, e investindo na implantação de uma infraestrutura que possibilite a exploração do potencial natural do município para o eco-turismo.
IDH [editar]
No período 1991-2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal(IDH-M) de Comodoro cresceu 9,04%, passando de 0,664 em 1991 para 0,724 em 2000. A dimensão que mais contribuiu para este crescimento foi a Educação, com 49,2%, seguida pela Longevidade, com 25,7% e pela Renda, com 25,1%. Neste período, o hiato de desenvolvimento humano (a distância entre o IDH do município e o limite máximo do IDH, ou seja, 1 - IDH) foi reduzido em 17,9%. Se mantivesse esta taxa de crescimento do IDH-M, o município levaria 23,9 anos para alcançar São Caetano do Sul (SP), o município com o melhor IDH-M do Brasil (0,919), e 13,0 anos para alcançar Sorriso (MT), o município com o melhor IDH-M do Estado (0,824).
Situação em 2000
Em 2000, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de Comodoro é 0,724. Segundo a classificação do PNUD, o município está entre as regiões consideradas de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8) Em relação aos outros municípios do Brasil, Comodoro apresenta uma situação intermediária: ocupa a 2526ª posição, sendo que 2525 municípios (45,9%) estão em situação melhor e 2981 municípios (54,1%) estão em situação pior ou igual. Em relação aos outros municípios do Estado, Comodoro apresenta uma situação intermediária: ocupa a 72ª posição, sendo que 71 municípios (56,3%) estão em situação melhor e 54 municípios (43,7%) estão em situação pior ou igual.
Fonte: PNUD / ATLAS
Referências
- ↑ a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
- ↑ IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
- ↑ Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
- ↑ Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
- ↑ a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.