Guajará-Mirim

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Município de Guajará-Mirim
"Pérola do Mamoré"
"Cidade Verde"
Locomotiva da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Locomotiva da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
Bandeira de Guajará-Mirim
Brasão de Guajará-Mirim
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 10 de abril
Fundação 10 de abril de 1929 (85 anos)
Emancipação 21 de setembro de 1943 (71 anos)
Gentílico guajaramirense
Padroeiro(a) Nossa Senhora do Seringueiro
Prefeito(a) Dúlcio Mendes[1] (PT)
(2013–2016)
Localização
Localização de Guajará-Mirim
Localização de Guajará-Mirim em Rondônia
Guajará-Mirim está localizado em: Brasil
Guajará-Mirim
Localização de Guajará-Mirim no Brasil
10° 46' 58" S 65° 20' 22" O10° 46' 58" S 65° 20' 22" O
Unidade federativa  Rondônia
Mesorregião Madeira-Guaporé IBGE/2008[2]
Microrregião Guajará-Mirim IBGE/2008[2]
Municípios limítrofes Norte: Nova Mamoré e Campo Novo de Rondônia
Leste: Governador Jorge Teixeira e São Miguel do Guaporé
Sul: Costa Marques e República da Bolívia
Oeste: República da Bolívia
Distância até a capital
Características geográficas
Área 24 855,652 km² (BR: 43º)[3]
Área urbana 14,31 km² (BR: 210º) – est. Embrapa[4]
População 41,933 hab. est. IBGE 2011[5]
Densidade 1,687
Altitude 128 m
Clima Equatorial Am
Fuso horário UTC−4
Indicadores
IDH-M 0,743 alto PNUD/2000[6]
Gini 0,470 est. IBGE 2003[7]
PIB R$ 506 105,073 mil IBGE/2008[8]
PIB per capita R$ 12 483,78 IBGE/2008[8]
Página oficial

Guajará-Mirim é um município do estado de Rondônia, no Brasil. É o segundo maior município do estado em extensão territorial, e o oitavo em população. Em maio de 2009, na cidade do Rio de Janeiro, Guajará-Mirim recebeu o título de "Cidade Verde", outorgado pelo Instituto Ambiental Biosfera, em razão de seu mosaico de áreas protegidas, que fazem, da cidade, um dos maiores municípios brasileiros em termos de áreas preservadas. Outras 29 cidades brasileiras também receberam o prestigiado prêmio. A cidade também tem o primeiro jornal editado em língua indígena txapacura.[9]

Topônimo[editar | editar código-fonte]

"Guajará-Mirim" é um termo oriundo da língua tupi: significa "cachoeira pequena"[10] [11] , existem controvérsias de vários linguístas.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 10º46'58" Sul e a uma longitude 65º20'22" Oeste, estando a uma altitude de 128 metros.

Sua área é de 24 856 km², sendo o segundo maior município do estado em extensão territorial, logo atrás de Porto Velho.


Clima[editar | editar código-fonte]

Gráfico climático para Guajará-Mirim
J F M A M J J A S O N D
 
 
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248
 
31
22
Temperaturas em °CPrecipitações em mm

















História[editar | editar código-fonte]

O município de Guajará-Mirim tem sua história intimamente ligada à construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, que funcionou em Guajará-Mirim de 1929 a 1970, com a finalidade de transportar a borracha no ciclo da borracha que aconteceu em meado das décadas de 10 e 40 no século XX. A trajetória histórica de Guajará-Mirim será esclarecido no próximo assunto.

Inauguração de trecho da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré em 1912
Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Guajará-Mirim

Trajetória Histórica[editar | editar código-fonte]

Até o início do século XIX, "Guajará-Mirim era apenas uma indicação geográfica para designar o ponto brasileiro à povoação boliviana de Guayaramerín" (Vítor Hugo – Os Desbravadores). Naquela época, a povoação era conhecida como Esperidião Marques.

Em abril de 1878, em função do Tratado de Ayacucho, foram enviadas para Corumbá (Mato Grosso) as "Plantas Geográficas dos Rios Guaporé e Mamoré", sendo que a cartografia para delimitar os limites fronteiriços dos rios Guaporé e Mamoré foi levantada e apresentada pela 2ª seção brasileira, sediada na mesma cidade, tendo sido todas chanceladas pelos delegados brasileiros e bolivianos. Continuando a descrição diz "Destas cabeceiras continuam os limites pelo leito do mesmo rio até sua confluência com o Guaporé, e depois pelo leito deste e do Mamoré até sua confluência com o Beni, onde principia o Rio Madeira". Em 1878 e 1879, houve troca de notas da chancelaria bolivana com a Embaixada do Brasil em La Paz, acusando o recebimento e aprovando a "Carta Geral", conforme ajustado na 7ª Conferência da Comissão Mista.

Em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis com a Bolívia, o Brasil se comprometia a construir uma estrada de ferro, ligando os portos de Santo Antônio do Rio Madeira, em Porto Velho, ao de Guajará-Mirim, no Rio Mamoré, destinada ao escoamento dos produtos bolivianos. Os direitos sobre tarifas seriam recíprocos e a localidade foi se tornando conhecida no país com repercussão no exterior.

No ciclo da borracha, a extração do látex foi, sem dúvida, ponto decisivo na vida do município. A construção do transporte ferroviário (Estrada de Ferro Madeira-Mamoré) veio acelerar o povoamento local, contribuindo no incremento da agricultura, além do extrativismo vegetal proporcionado pela vasta e rica vegetação natural existente. Estes e outros fatores, também de relevante importância influíram na subsistência da localidade.

Em 30 de abril de 1912, foi concluída a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e inaugurada oficialmente em 1º de agosto do mesmo ano. Ainda naquele ano, a 8 de outubro, o Governo da Província de Mato Grosso instalou, na localidade, um posto fiscal, também com a incumbência de arrecadar impostos, sob as ordens do guarda Manoel Tibúrcio Dutra.

Em abril de 1917, chegou à região de Guajará-Mirim o capitão Manoel Teófilo da Costa Pinheiro, um dos membros da Comissão Rondon. Através dos meandros e lagos do rio Cautário, encontrou apenas algumas poucas centenas de seringueiros mourejando nos barracões da Guaporé Rubber Company, empresa que monopolizava a compra e exportação da borracha produzida na região, na época gerenciada pelo coronel da Guarda Nacional, Paulo Saldanha. Eram os barracões "Rodrigues Alves", "Santa Cruz", "Renascença" e outros localizados próximos ao Forte Príncipe da Beira. Nada mais havia, a não ser índios arredios que habitavam a região e, de quando em vez, atacavam os exploradores da seringa, que iam à represália procurando dizimá-los, criando rixas entre os grupos e subgrupos dos jauis, tupis, hauris e outros, sendo os pacaás-novos, do grupo jaru, os mais aguerridos nos combates contra os colonizadores extrativistas.

Em 26 de junho de 1922, através da Resolução 879, o presidente da Província de Mato Grosso transformou a povoação de Espiridião Marques em distrito de paz do município de Santo Antônio do Rio Madeira. Quatro anos mais tarde, em 12 de julho de 1926, a povoação foi elevada à categoria de cidade, por ato assinado também pelo então presidente da Província de Mato Grosso, Mário Correa da Costa. Em 12 de julho de 1928, pela Lei 991, assinada pela mesma autoridade, o distrito foi elevado à categoria de município e comarca com área desmembrada do município de Santo Antônio do Rio Madeira, tomando o nome de Guajará-Mirim, já usualmente designado pela população. O município foi oficialmente instalado em 10 de abril de 1929.

Em 13 de setembro de 1943, pelo Decreto-Lei 5 812, o município de Guajará-Mirim passou a fazer parte integrante do Território Federal do Guaporé, criado nessa data. No dia 21 de setembro do mesmo ano, pelo Decreto-Lei 5 839, a sua área territorial, somada a uma parte da área territorial do município de Mato Grosso-MT (ex-Vila Bela da Santíssima Trindade), passou a compor o novo município de Guajará-Mirim. Esta composição territorial e sua confirmação definitiva como parte integrante do Território Federal do Guaporé se deu em 31 de maio de 1944 através do Decreto-Lei 6 550.

Por intermédio do Decreto-Lei 7 470, de 17 de abril de 1945, o município de Guajará-Mirim e o município de Porto Velho passaram a fazer parte como os dois únicos municípios da divisão administrativa e judiciária do Território Federal do Guaporé.

No início de 1970 foi fechada a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, devido vários fatores dentre eles os altos gastos para o governo federal.

De 1970 a 2010 assumiram vários prefeitos em Guajará-Mirim, dentre eles Francisco Nogueiro, Rui Almeida, Isaac Benesbi, Bader Massud, Claudio Pilon, Dedé de Melo e Atalíbio Pegorini.

Em 2013 assumiu a prefeitura de Guajará-Mirim o prefeito Dúlcio Mendes, com o compromisso de administrar a Pérola do Mamoré, dentre os maiores desafios do novo prefeito é tirar a prefeitura do CADIN.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Sua população estimada em 2011 era de 41 933 habitantes, sendo assim, o oitavo município mais populoso do estado.

Os povos indígenas são variados: dentre eles, o mais destacado em Guajará-Mirim é o povo indígena Wari, dentre eles os Oro Waram, Oro Nao. Existem vários descendentes de quilombolas do Vale do Guaporé, dentre eles dos Quilombos de Santo Antônio do Guaporé, Pedras Negras, Paudólio, Comunidade de Jesus e de Vila Bela da Santíssima Trindade.

Existem em Guajará-Mirim vários descendentes de nordestinos dentre eles pernambucanos, alagoanos, cerarenses e outros.

Há vários bolivanos e descendentes de bolivianos que existem em Guajará-Mirim advindos de várias partes da Bolívia Equatorial.

Atualidades[editar | editar código-fonte]

Atualmente, o município registra uma população compreendia em 86 por cento na zona urbana e 14 por cento na zona rural.

A característica da população do município é a mestiçagem de várias raças com os nativos (indígenas aculturados), resultando numa população tipicamente amazônica com a predominância de "caboclos" e uma forte presença da miscigenação com imigrantes da fronteira (bolivianos). Por sua característica populacional ímpar no estado, sem a influência das imigrações ocorridas ao longo da BR-364, o guajaramirense é reconhecido por sua hospitalidade, fator de identificação presente na maioria das cidades amazônicas.

Inegavelmente, o município de Guajará-Mirim é um dos poucos, senão o único do Estado de Rondônia, que possui excelente atrativo para o desenvolvimento da indústria do turismo em larga escala.

O município arvora-se do direito de ser o guardião da história do Estado, com inúmeros registros dos primórdios de sua colonização. A saga dos pioneiros construtores da lendária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, a presença marcante da igreja católica na colonização de todo o Vale do Guaporé e as inúmeras construções que retratam a história de uma época em que o município concentrava toda a riqueza da região, baseada na extração da borracha e da castanha.

O equilíbrio ecológico e harmônico da natureza pode ser representado pela vastidão de incomparável beleza do Vale do Mamoré-Guaporé , oferecendo inúmeras opções de lazer, dentre as quais a pesca amadora, liberada na época logo após a desova dos peixes. As belas praias do rio Pacaás - Novos, a reserva extrativista do Ouro Preto e o encanto da Serra dos Pacaás - Novos oferecem oportunidades únicas de se conhecer os caprichos da natureza.

Complementando o aspecto histórico e natural, existe o fato de o município sediar a única Zona Franca do Estado: a Área de Livre Comércio de Guajará-Mirim, que oferece excelentes oportunidades de compras de diversas mercadorias importadas de várias partes do mundo.

Economia[editar | editar código-fonte]

O produto interno bruto de Guajará-Mirim é de 506 105 073 reais e o produto interno bruto per capita, de 12 483,78 reais.[12]

Composição econômica de Guajará Mirim
Serviços
88,85%
Agropecuária
6,79%
Indústria
4,36%











Fonte: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

Turismo[editar | editar código-fonte]

Inegavelmente, Guajará-mirim possui a maior oferta de atrativos turísticos do estado de Rondônia
  • Estrada de Ferro Madeira-Mamoré
  • Hotel Pakaas Palafitas Lodge
  • Atrativos Naturais como rios, mata preservada, balneários e parques
  • A fronteira com o país irmão Bolívia (além de atrações culturais, é possível comprar produtos importados do lado boliviano)
  • Passeios de barcos
  • Artesanato indígena (wariís), ribeirinhos e de seringueiros
Cultura
Atrações naturais
  • Gruta ou caverna dos Pacaás Novos.
  • Alto da Chapada dos Pacaás Novos - Torre da EMBRATEL.
  • Rio Pacaás Novos – apresenta o fenômeno das águas com o rio Mamoré.
  • Cachoeiras e Corredeiras – Guajará Mirim, Guajará-Açú, Bananeira, Pau Grande, Lage, Praia da Pedra da Morte e Praia das Três Bocas.
  • Parque Municipal Natural Serra dos Parecis
  • Praias fluviais durante o verão (de maio a novembro).
  • Mais de 93% da área total do município é constituída de Unidades de Conservação (Terras Indígenas, Reservas Extrativistas e Biológicas), fazendo de Guajará-Mirim um grande santuário de preservação de fauna e flora.
Datas comemorativas
Eventos culturais
  • Festas Juninas
  • Biketrilha Ecotur
  • Boi Bumbá - O Duelo na Fronteira - agosto
  • Festa da Castanha – julho
  • Expoagum – agosto/setembro
  • Festivais de Praias (Rio Pacaás Novos)
  • Encontro de Filhos e Amigos de Guajará-Mirim
  • Festival de Música Popular de Guajará-Mirim
  • Festa do Divino Espírito Santo
  • Festa de Nossa Senhora do Seringueiro
  • GuajaráFolia
  • Semana da Pátria - Desfiles Cívicos Militar/Escolar (Bandas e Fanfarras)
  • Domingo da Família - Junho

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Todos os prefeitos eleitos em Rondônia - Eleições 2012. Página visitada em 19/01/2013.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  4. Urbanização das cidades brasileiras Embrapa Monitoramento por Satélite. Visitado em 30 de Julho de 2008.
  5. Estimativa Populacional 2011 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2011). Visitado em 13 de setembro de 2011.
  6. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  7. Indice GINI Cidade Sat Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (2000). Visitado em 06 de agosto de 2011.
  8. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.
  9. Camargo Corrêa apoia jornal em língua indígena
  10. NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. Terceira edição revista e aperfeiçoada. São Paulo. Global. 2005. 463p.
  11. Guajará-Mirim: da cachoeira à síntese. 3 de julho de 2012. Disponível em http://www.afotorm.com.br/html/noticia/2011/guajara-nome.html#.UQhSsh3LQgc. Acesso em 29 de janeiro de 2013.
  12. IBGE. Título não preenchido, favor adicionar. Visitado em 12 de maio de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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