Região Sul do Brasil

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Região Sul do Brasil
Localização
Região Geoeconômica Centro-Sul
Estados  Santa Catarina
 Paraná
 Rio Grande do Sul
Características geográficas
Área 576 409,6 km²
População 29 016 114 hab. IBGE/2014[1]
Densidade 47,99 hab./km²
Indicadores
IDH médio 0,756 elevado PNUD/2005[2]
PIB R$ 672.049.000 bilhões (IBGE/2011)[3]
PIB per capita R$ 24.382 (IBGE/2011)[3]

A Região Sul do Brasil é a menor das regiões do país.[4] Tem uma área terrestre de 576 409,6 km²,[4] sendo maior que a área da França metropolitana, e menor que o estado brasileiro de Minas Gerais. Faz parte do Centro-Sul do Brasil.[5] Divide-se em três unidades federativas: Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.[4] Tem como limites: ao sul com o Uruguai; a oeste com a Argentina e o Paraguai; a noroeste e ao norte com os estados de Mato Grosso do Sul e São Paulo; e a leste com o oceano Atlântico.[6] É a única região do Brasil que se localiza fora da zona tropical, com as estações do ano variando nitidamente, porém a parte norte situa-se acima do Trópico de Capricórnio.[7] No inverno, caem geadas e, em alguns momentos, neve.[7] O relevo tem poucos acidentes, sendo dominado pela vastidão de um planalto, geralmente com pouca elevação.[8]

A população das cidades da Região Sul do Brasil aumentou nos últimos anos.[9] Curitiba é a cidade mais populosa que fica na região e também a que possui o maior PIB, estando em 4º lugar no ranking nacional.[10] O desenvolvimento da indústria teve início nas últimas décadas, principalmente no Rio Grande do Sul, nordeste catarinense e região de Curitiba.[11] Na região de Criciúma, em Santa Catarina, estão localizadas praticamente a totalidade das reservas de exploração de carvão no Brasil.[12] O potencial energético, que as inúmeras cachoeiras dos rios das bacias hidrográficas do Paraná e do Uruguai representam, hoje se aproveita muito nas usinas hidrelétricas como a de Machadinho, próximo a Piratuba.[13]

A Região Sul, propriamente dita, é um grande polo turístico, econômico e cultural, abrangendo grande influência europeia, principalmente de origem italiana[14] e germânica.[15] A região Sul apresenta índices sociais muito acima da média brasileira e das demais regiões em vários aspectos: possui o maior IDH do Brasil, 0,831,[16] e o terceiro maior PIB per capita do país.[17] A região é também a mais alfabetizada, 95,2% da população, e a com menor incidência de pobreza.[18] Sua história é marcada pela grande imigração europeia,[19] pela Guerra dos Farrapos,[20] e mais recentemente pela Revolução Federalista,[21] com seu principal evento o Cerco da Lapa.[22] Outra revolta ocorrida na história da região foi a Guerra do Contestado,[23] entre os anos de 1912 e 1916.

Visão geral[editar | editar código-fonte]

  • Aspectos físicos: O Sul do Brasil se formou desde a época em que europeus imigraram para essa região. A região sul é a mais fria do Brasil, seu clima é subtropical. Suas principais formações vegetais são a Mata Atlântica, as matas de araucárias e e matas ciliares. Suas formações de relevo são planícies, depressões, com planaltos meridionais e atlântico. Quanto à hidrografia, há quatro rios e três bacias, sendo capaz o bastante para a produção de energia.
  • População maior em área menor: A região Sul tem a menor superfície territorial do Brasil e o segundo maior desenvolvimento.[24] A porcentagem da área ocupada pela região é da ordem de 6,8% em relação ao território brasileiro,[25] porém, ao contrário, as regiões Norte e Centro-Oeste têm população três vezes menor que a da região Sul.[4] Seus 27.384.815 habitantes[4] são correspondentes a uma densidade demográfica de 47,59 hab./km², a segunda maior que existe no país.[24] Desenvolvendo relativamente com uniformidade nos setores primário, secundário e terciário, essa população é a apresentadora dos índices de alfabetização de maior elevação que o IBGE registrou no Brasil, o que põe em evidência o fato de a região se desenvolver social e economicamente em comparação com as outras regiões brasileiras.[26]
  • Localizado na parte meridional do Trópico de Capricórnio: Única região brasileira que quase inteiramente se localiza em clima subtropical, o Sul é a área mais fria do Brasil. Tem sujeição às geadas e até mesmo, em certos pontos, à neve. As estações do ano têm boa definição e as chuvas, geralmente, são distribuídas com uniformidade no decorrer do ano.[27]
  • Paisagens geoeconômicas bem diferenciadas: No Sul, antigamente, eram diferenciadas ambas as áreas: a de florestas e a de campos. A primeira, que os imigrantes alemães, italianos e eslavos colonizaram, passou a assumir uma aparência europeia, com pequenas e médias fazendas que se dedicam à policultura. A região de campos, contrariamente, que os proprietários de latifúndios escravocratas ocuparam desde a época colonial, passou a ter utilidade inicial para a pecuária extensiva e, posteriormente, também para cultivar trigo e soja.[28]
Hoje em dia, além de existirem essas duas paisagens, nota-se a existência de áreas industriais e urbanizadas, destacando-se as regiões metropolitanas de Curitiba, no Paraná e de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.[29] [30] E também o Pólo Metal-mecânico de Caxias do Sul no Rio Grande do Sul, segundo maior do Brasil e um dos maiores da América Latina,[31] sede de grandes empresas do setor, como a Marcopolo,[32] a Randon[33] e a Agrale.[34] E no norte e nordeste de Santa Catarina com cidades como Joinville[35] e Blumenau com uma industria têxtil, logística e Metal mecânica.
O Norte do Paraná se diferencia das áreas de florestas e das de campos e tem grande relação com a economia do Sudeste. Sendo uma área de transição que fica entre o estado de São Paulo e a região Sul, foi colonizado porque a economia paulista se expandiu.[30]
Apesar de se distinguirem, essas paisagens geoeconômicas se integram, o que torna fácil a caracterização da região como a de maior uniformidade do Brasil quanto ao índice de desenvolvimento humano.[30]

História[editar | editar código-fonte]

Os primeiros e milenares habitantes que viviam na Região Sul do Brasil foram os povos indígenas naturais da terra, principalmente os guaranis (mbyás),[36] os kaingangs[37] e os carijós.[38]

Posteriormente, a vinda dos padres espanhóis da Companhia de Jesus objetivou a catequização dos indígenas e a dominação da terra. Os padres jesuítas foram os fundadores das aldeias que se chamavam missões ou reduções. Os indígenas, além de habitantes das missões, eram criadores de gado, ou seja, dedicavam-se à pecuária, eram agricultores e aprendizes de ofícios.[39]

Os bandeirantes vindos de São Paulo realizaram ataques às missões objetivando o aprisionamento de indígenas. Por essa razão, os padres da Companhia de Jesus e os indígenas deixaram abandonado o local e soltaram o gado pelos campos. Pouco a pouco, houve a fixação de uma grande leva de paulistas no litoral de Santa Catarina.[40] Eles foram os fundadores das mais antigas vilas no litoral.[40]

Os paulistas também tiveram interesse pelo comércio do gado.[41] Os tropeiros, isto é, os que comerciavam gado, faziam a reunião do gado que se espalhava pelos campos.[41] Eles conduziam em tropas as mulas, os cavalos e o gado franqueiro para a venda nas feiras de gado que ocorriam em Sorocaba.[41] No caminho de passagem das tropas houve o surgimento dos povoados e certos povoados foram transformados em cidades.[41] Os tropeiros também foram os organizadores das mais antigas estâncias, ou seja, fazendas onde se cria gado.[nota 1]

Para promover a defesa das estâncias que os tropeiros criaram, o governo português ordenou a construção de fortes militares na região.[nota 2] Nos arredores dos fortes houve o surgimento de povoados como a atual cidade gaúcha de Bagé.[42] Há muito tempo, os portugueses e os espanhóis entraram na luta para se empossarem das terras do Sul.[43] As brigas foram continuadas e somente foram solucionadas com os tratados assinados.[44] Os limites das terras que se localizam no sul do Brasil foram determinados pela assinatura de tratados.[44]

O grande crescimento da população da região Sul ocorreu depois que os imigrantes chegaram da Europa.[carece de fontes?] Os primeiros que imigraram para o Sul do Brasil foram os açorianos.[nota 3] Após a imigração dos açorianos, houve a vinda em especial dos alemães (1824, São Leopoldo, Rio Grande do Sul),[nota 4] e dos italianos (1875).[nota 5] Outros grupos (árabes, poloneses e japoneses) também estiveram à procura da região para fazer dela sua morada.[45] Os imigrantes foram os fundadores de colônias que foram transformadas em cidades de importância como Caxias do Sul.[46]

As terras que ficam no norte e oeste do Paraná e no oeste de Santa Catarina foram as últimas regiões que os brasileiros povoaram.[47] [48] O povoamento do Norte do Paraná ocorreu com as colônias agrícolas criadas sob financiamento de uma companhia fundada na Inglaterra.[49] A vinda de pessoas de outros Estados do Brasil e de mais de 40 países para a região objetivou o trabalho de colonos para plantar café e cereais.[50] No oeste catarinense, foi desenvolvida a pecuária, além de serem exploradas a erva-mate e a madeira.[51]

Geografia[editar | editar código-fonte]

O planalto Meridional se constitui de rochas sedimentares antigas (arenitos) e de ocorrência extensiva de rochas magmáticas eruptivas (basaltos). É subdividida-se em:[8]

O planalto Cristalino Brasileiro se constitui de rochas ígneas antigas e metamórficas juntamente ao litoral e à escarpa da serra do Mar. Áreas de menor altitude e de maior ondulação ao sul, sendo características as serras de Sudeste, com seu grande número de coxilhas.[8]

Na Planície Costeira ou Litorânea, há o aparecimento de pequenas planícies fluviais, encaixadas nos planaltos, e uma extensão de planície costeira, que ora vai se estreitando, ora vai se alargando muito. Nessa planície, estão presentes restingas, lagoas costeiras, praias e dunas.[8]

A Região Sul do Sul tem um clima subtropical, na maioria do território regional. A variação das temperaturas média vai de 12°C a 21°C, com grande amplitude térmica. As chuvas entre 1.200mm e 2.000mm têm boa distribuição o ano inteiro.[52]

Duas bacias hidrográficas representam a Região Sul do Brasil:[53]

Na Mata das Araucárias são encontradas espécies úteis, como o pinheiro-do-paraná e a imbuia. A Mata Atlântica se localiza junto ao litoral e ao talvegue dos grandes rios.[54]

Os campos meridionais ou do planalto, que também recebem os nomes de Campanha Gaúcha ou Pampa, no Rio Grande do Sul, são formadores das excelentes paisagens existentes na natureza.[54]

Relevo[editar | editar código-fonte]

A Região Sul do Brasil se localiza na zona temperada do sul, enquanto a sua parte norte está localizada na zona tropical.[7] Seu clima é apresentado uniformemente, variando pouco. Mas quase sempre são apresentadas duas paisagens contrastadas pelos outros elementos que pertencem à natureza sul-brasileira: relevo com extensão de planaltos e estreitas planícies, hidrografia dividida em ambas as grandes bacias fluviais (a do Paraná e a do Uruguai) e outras menores, vegetação em que há alternância de florestas e de campos. Levando sempre em consideração esses contrastes, tudo isso tornará mais facilmente compreensíveis as características naturais do Sul do Brasil.[8]

O relevo da Região Sul do Brasil encontra-se sob domínio, na maioria do seu território, de ambas as divisões do Planalto Brasileiro: o planalto Atlântico (serras e planaltos do Leste e Sudeste) e o planalto Meridional. Nessa região, o planalto Atlântico também se chama de planalto Cristalino, e o Meridional subdivide-se em ambas as partes: planalto Arenito-basáltico e Depressão Periférica. Na região ainda são apresentadas certas planícies.[8] O ponto mais elevado da região sul é o Pico Paraná, com 1922 metros de altitude, localizado no estado do Paraná. Porém o Morro da Igreja está situado a 1.822 metros de altitude, sendo o ponto habitado mais alto da região Sul e onde foi registrada, não oficialmente, a temperatura mais baixa do Brasil: -17,8 °C, em 29 de junho de 1996.[55]

Mapa geomorfológico do Sul do Brasil

Os mais importantes acidentes geográficos que existem no relevo sul-brasileiro são:[8]

A Região Sul do Brasil ainda é possuidora de pequenas planícies fluviais que se encaixam em ambos os grandes planaltos (Cristalino e Meridional) e uma extensão de planície costeira juntamente com o litoral. No Paraná, a planície mais destacada é a Baixada Paranaense, e no Rio Grande do Sul, ganham mais visibilidade as presentes restingas que são responsáveis pelo "fechamento" de enseadas e pela formação de lagoas costeiras, como a lagoa dos Patos e a lagoa Mirim, na fronteira com a República Oriental do Uruguai. Em Santa Catarina, planície costeira é caracterizada pela estreiteza, principalmente no norte, e assim tem continuidade pelo litoral paranaense, onde é responsável pela formação de praias, dunas ou ainda restingas.[8]

Clima[editar | editar código-fonte]

No Brasil, país em que predomina o clima tropical, apenas a Região Sul encontra-se sob o domínio do clima subtropical (um clima de transição entre o tropical predominante no Brasil e o temperado, predominante na Argentina), ou seja, o clima típico desta região é mais frio em comparação ao clima tropical, e é onde são registradas as mais baixas temperaturas do país. Nesse clima, as temperaturas variam de 16°C a 20°C ao ano, porém, o inverno é costumeiramente muito frio para os padrões brasileiros, com frequência de geadas na quase totalidade das áreas, e em lugares onde há altitudes de maior elevação, queda de neve. As estações do ano apresentadas possuem grande diferenciação e a amplitude térmica anual é relativamente muito grande. As chuvas, na quase totalidade do território regional, são distribuídas regularmente durante todo o ano, entretanto, no Norte do Paraná — transição para a zona intertropical — as chuvas são concentradas nos meses de verão.[52]

Também podem ser encontradas características tropicais nas baixadas litorâneas do Paraná e Santa Catarina, onde as temperaturas estão acima de 20 °C e, principalmente, há queda de chuvas no verão.[52]

As temperaturas também são afetadas pelos ventos. No verão, as temperaturas aumentam por causa do calor e da umidade dos ventos alísios que vêm do sudeste, depois as chuvas caem com força. O inverno no Sul do Brasil é muito frio com geada e neve por causa das frentes frias que são massas de ar vindas do Pólo Sul. Esse vento frio é chamado de minuano ou pampeiro pelos paranaenses, catarinenses e gaúchos.[52]

É importante ressalvar, que as características contidas no clima da região Sul do Brasil, têm grande influência graças à Massa Polar Atlântica (MPA) que é fria e úmida. A mesma origina-se no anticiclone situado ao sul da Patagônia. Sua atuação é mais intensa no inverno, com presença marcante nas regiões Sul e Sudeste. Pode atingir outras regiões como a Amazônia, onde a mesma se enfraquecera.[52]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Vista aérea das Cataratas do Iguaçu (PR), na fronteira do Brasil com a Argentina.

Tanto a serra do Mar como a Serra Geral se localizam nas proximidades do litoral. Assim, o relevo da Região Sul do Brasil é inclinado para o interior e a maioria dos rios — que é de planalto — segue no sentido leste-oeste. Esses rios são concentrados em duas grandes bacias hidrográficas: a bacia do rio Paraná e a bacia do rio Uruguai, ambas as subdivisões que fazem parte da Bacia Platina. Os rios de maior importância têm grande volume de água e são possuidores de grande potencial hidrelétrico, o que já está se explorando no rio Paraná, com o fato de ter sido construída a Usina Hidrelétrica de Itaipu (atualmente a segunda maior do mundo). Essa exploração favorece ao Sul e ao Sudeste o crescimento do número de consumidores de energia elétrica, tanto para consumo doméstico como industrial, havendo a necessidade de continuar investindo nesse lugar.[53]

Os rios sulistas que fazem seu percurso até desaguarem no mar integram um conjunto de bacias secundárias, como as do Atlântico Sul e do Atlântico Sudeste. Entre essas, a mais aproveitável para a hidreletricidade é a do rio Jacuí, no Rio Grande do Sul. Outra, que os brasileiros conhecem muito pelas suas cheias que não podem ser previstas, é a do rio Itajaí, em Santa Catarina, que alcança uma região que se desenvolveu muito, onde a colonização alemã influenciou basicamente.[53]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Quando as pessoas dizem respeito ao sul do Brasil, é frequente ter na memória a Mata de Araucárias ou Floresta dos Pinhais e o grande pampa gaúcho, formações vegetais típicas que aparecem na região, apesar de não existirem somente lá.[54]

A Mata de Araucárias é a paisagem típica da vegetação de planalto da região Sul.

Na Mata de Araucárias, que praticamente se extinguiu, o aparecimento desse bioma ocorre nas partes de maior elevação dos planaltos do Paraná e Santa Catarina, no formato de manchas que existem entre as demais formações vegetais. A Araucaria angustifolia (pinheiro-do-paraná) tem adaptação mais fácil às menores temperaturas, frequentemente nas partes de maior altitude do relevo, e ao solo de rocha que mistura arenito e basalto, com uma grande concentração no planalto Arenito-basáltico, no interior da região.[54]

A erva-mate é um dos principais produtos agrícolas da região Sul.

Dessa mata se extraem principalmente o pinheiro-do-paraná e a imbuia, que se utilizam em marcenaria, e a erva-mate, cujas folhas se empregam no ato de preparar o chimarrão. Além dessa mata, a serra do Mar, de grande umidade por estar mais próxima do oceano Atlântico, faz com que se desenvolva a mata tropical úmida da encosta, ou Mata Atlântica, de grande densidade e com várias espécies, tem início no Nordeste e continuação pelo Sudeste até a sua chegada ao Sul.[54]

Na Mata de Araucárias, que foi o bioma típico da região, há poucos remanescentes dessa paisagem. A devastação teve início no final do Império, porque o governo fazia concessões com o objetivo de abrir estradas de ferro, e a situação tornou-se grave devido à indústria madeireira. No Norte do Paraná, o que ainda resta das manchas de floresta tropical encontra-se em processo de destruição, porque a agricultura está se expandindo. Ultimamente, o governo está procurando novas tentativas de implantação de uma política de reflorestamento.[54]

A vastidão das extensões de campos limpos também ocupa a Região Sul do Brasil. Estas vastas extensões de campos limpos recebem o nome de campos meridionais. Os campos meridionais dividem-se em duas áreas distintas. A primeira é correspondente aos campos dos planaltos, que têm ocorrência em manchas a partir do Paraná até o norte do Rio Grande do Sul. A segunda área — os campos da campanha — tem maior extensão e está localizada inteiramente no Rio Grande do Sul, em uma região que recebe o nome de Campanha Gaúcha ou pampa. É a vegetação natural que aparece nas coxilhas e seu aparecimento ocorre como uma camada onde crescem ervas rasteiras.[54]

Finalmente, junto ao litoral, destaca-se a vegetação costeira de mangues, praias e restingas, que se assemelham às de outras regiões do Brasil.[54]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Segundo o censo demográfico de 2010, a Região Sul do Brasil contava 27 384 815 habitantes, sendo a terceira região mais populosa do país (depois do Sudeste e do Nordeste),[56] concentrando 14,3% da população brasileira.[57]densidade demográfica na região, que é uma divisão entre sua população e sua área, é de 47,59 hab./km², mais de duas vezes maior que a do Brasil como um todo.[24] A Região Sul do Brasil se desenvolve com grande força tanto no campo como nas cidades.[58] Outras características que fazem parte da demografia da Região Sul do Brasil:[58]

O litoral é a parte da Região Sul que apresenta as mais elevadas densidades demográficas, e a Campanha Gaúcha, devido à predominante atividade pecuária, apresenta baixas densidades, mas não há áreas despovoadas na região.
Cor/Raça (2006)[72]
Branca 79,6%
Parda 16%
Preta 3,6%
Indígena e amarela 0,7%

Como no restante do Brasil, contudo, e de fato, a população no geral apresenta ancestralidades europeia, indígena e africana, "brancos", "pardos" e "negros", conforme revela a genética.[75] Esse estudo genético de 2011 também constatou que do ponto de vista da ancestralidade as diferenças entre as regiões do Brasil são menores do que muitos pensavam. [76]

Outro genético de 2013, que analisou todas as regiões do Brasil, também revelou que em todas elas existem contribuições europeia, indígena e africana, somente variando o grau de cada, em cada uma delas. Em todas as regiões do Brasil, a ancestralidade europeia foi a principal, com importantes contribuições africana e indígena. No sul, também foram encontradas contribuições africana e indígena, com ancestralidade predominante europeia.[77]

  • A população é distribuída de maneira desigual: Apesar de o contraste entre as áreas aglomeradas e vazias, no Sul, não se acentuar como nas demais regiões, os centros urbanos, acima de tudo Curitiba, Porto Alegre e cidades localizadas no vale do Itajaí, são apresentandoras de altas densidades demográficas.[78] Os trechos de maior despovoamento do Sul do Brasil estão localizadas na Campanha Gaúcha, onde sua economia é baseada na pecuária extensiva, em que há pouca mão-de-obra empregada.[79] [74]

Urbanização[editar | editar código-fonte]

Áreas metropolitanas[editar | editar código-fonte]

A Grande Porto Alegre é a maior e mais importante área metropolitana da Região Sul, e a quarta mais populosa do Brasil.
Nome Estado População
Porto Alegre  Rio Grande do Sul 3 960 068
Curitiba  Paraná 3 168 980
Norte/Nordeste Catarinense  Santa Catarina 1 094 570
Florianópolis  Santa Catarina 1 012 831
Londrina  Paraná 801 756
Vale do Itajaí  Santa Catarina 689 909
Maringá  Paraná 612 617
Carbonífera  Santa Catarina 550 243
Foz do Rio Itajaí  Santa Catarina 532 830
Chapecó  Santa Catarina 403 458
Tubarão  Santa Catarina 356 790
Lages  Santa Catarina 350 607

A Grande Porto Alegre é a maior área metropolitana da Região Sul e a quarta mais populosa do Brasil – superada no país apenas pelas Regiões Metropolitantas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, respectivamente – tendo o quarto maior PIB do Brasil e a 82ª maior aglomeração urbana do mundo.[84]

A Grande Curitiba é a segunda área metropolitana mais populosa do sul do país e a oitava do Brasil. É também a 118ª maior aglomeração urbana do mundo.[85]

Santa Catarina é o estado com o maior número de Regiões Metropolitanas do Brasil. São oito no total.[86] Segundo o governo estadual, as regiões metropolitanas ajudam numa melhor e mais eficiente administração do estado.

Existem ainda as aglomerações urbanas, que são consideradas "um passo a menos" para se chegar a uma região metropolitana. No Rio Grande do Sul existem três: A Aglomeração urbana do Sul, com sede em Pelotas mas com vida econômica voltada para o superporto de Rio Grande, abrangendo outras três cidades, esta tem pouco mais de 580.000 habitentes, mas a mais populacionada é a Aglomeração Urbana do Nordeste do Rio Grande do Sul, localizada na região serrana do rio grande do sul, com sede em Caxias do Sul e outras 9 cidades a compondo, a aglomeração tem aproximadamente 720.000 habitantes. Ainda há a Aglomeração urbana do Litoral Norte, com sede em Osório abrangendo metade do litoral gaúcho, também em numeros aproximados, a aglomeração, em 20 cidades, tem 285.000 habitantes.

A mecanização da agricultura e a agroindústria favorecem a mudança de famílias do campo para a cidade. Na Região Sul, que apresenta os menores percentuais nas migrações internas do Brasil, 82% da população vive em centros urbanos. A consequência imediata desse alto índice de urbanização é a formação de bolsões de miséria nas principais cidades da região. A grande pobreza atinge até mesmo parte da região de Curitiba e Porto Alegre, capitais do Paraná e do Rio Grande do Sul, respectivamente.[87]

Problemas atuais[editar | editar código-fonte]

Os maiores problemas da Região Sul do Brasil são comuns a todo o país: a acentuada desigualdade na distribuição de renda reflete em todas as regiões, no contraste entre a riqueza de poucos e a pobreza de muitos. Na Região Sul do Brasil, esse contraste não tão marcante quanto no Sudeste ou Nordeste, mas evidencia-se na existência de favelas nos grandes centros urbanos e na assistência médico-hospitalar insatisfatória em algumas localidades.

Além desses problemas, a Região Sul do Brasil enfrenta:

  • Excessos do clima: O clima subtropical, ainda que agradável na maior parte do ano, é responsável por frequentes geadas, de consequências desastrosas para a agricultura, principalmente para as plantações de café. Além disso, chuvas intensas podem causar inundações incontroláveis, de efeitos muito negativos sobre a sociedade e a economia.
  • Dificuldades de ordem humana: Grande parte da população ainda emprega técnicas agrícolas e pecuárias primitivas, obtendo um rendimento bastante abaixo do ideal. Além disso, a mecanização das lavouras leva ao desemprego, causando a migração para outros estados brasileiros e o surgimento de boias-frias. Esses trabalhadores rurais sem terra são contratados temporariamente para tarefas que exigem muita mão-de-obra e dispensados em seguida. Suas condições de trabalho, saúde e moradia são absolutamente precárias. Embora os boias-frias não constituam problema específico da Região Sul do Brasil, o estado do Paraná é a unidade federativa com o maior número de pessoas nessas condições.
    Para os problemas decorrentes de condições naturais há perspectivas de solução: técnicas para combater o efeito das geadas e obras para conter as enchentes começam a serem desenvolvidas em todas as áreas críticas. No caso dos problemas de caráter social, com raízes históricas, as soluções exigem mais tempo, porém não são impossíveis; atualmente, o progresso dos meios de transportes e a ampliação de comunicações viabilizam projetos de alfabetização e amparo médico-sanitário às populações isoladas. A Sudesul (Superintendência para o Desenvolvimento da Região Sul), extinta em 1990, coordenava e supervisionava boa parte desses projetos e executava programas bastante significativos, aumentando a cada ano a participação da Região Sul no conjunto da economia brasileira.

Política[editar | editar código-fonte]

Os governadores dos três estados da Região Sul do Brasil, com mandato até 2014, são os seguintes:[88] [89] [90]

Unidade da Federação Governador Partido Vice-governador Partido
1 Paraná Beto Richa PSDB Flávio Arns PSDB
2 Santa Catarina Raimundo Colombo PSD Eduardo Pinho Moreira PMDB
3 Rio Grande do Sul Tarso Genro PT Beto Grill PSB

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

A região Sul do Brasil é composta por três estados:[91]

Paraná
Abriga o que restou da mata de araucárias,[92] uma das mais importantes florestas subtropicais do mundo.[93] Na fronteira com a Argentina fica o Parque Nacional do Iguaçu, declarado Patrimônio da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).[94] A 40 quilômetros dali, na fronteira com o Paraguai, está a Usina Hidrelétrica de Itaipu,[95] a segunda maior do planeta, atrás apenas da hidrelétrica chinesa de Três Gargantas.[96] O estado possui forte colonização polonesa, ucraniana e alemã, como também italiana, neerlandesa e japonesa.[97]
Santa Catarina
Menor e menos populoso estado da região,[98] [99] Santa Catarina aprecia enseadas e muitas ilhas no litoral e planaltos a leste e a oeste, com mata de araucárias e campos.[100] De clima subtropical, o estado tem as quatro estações bem marcadas ao longo do ano, com verões quentes e invernos rigorosos no planalto.[100]
Santa Catarina tem grande influência de imigrantes portugueses, alemães e italianos.[101] Florianópolis e a faixa litorânea do estado foram colonizados por açorianos.[101] O estado, aliás, mantém uma posição de liderança na maricultura, com grande produção e exportação de camarão e ostras em cativeiro.[102]
Rio Grande do Sul
No maior e mais populoso estado da região fica um dos pontos extremos do País, o Arroio Chuí.[nota 17] O clima do Rio Grande do Sul é temperado, e o relevo apresenta planícies litorâneas, planaltos a oeste e nordeste e depressões no centro.[103] A vegetação é variada: campos (os pampas gaúchos), mata de araucárias e restingas.[103]
Os principais colonizadores foram os italianos, que se fixaram principalmente na região serrana,[104] no nordeste do estado, e os alemães, que ocuparam a região do vale do rio dos Sinos, ao norte de Porto Alegre.[105] Os portugueses, entre eles os açorianos, permaneceram no litoral.[106]
Além da influência europeia, o gaúcho cultiva as tradições dos pampas, na fronteira com o Uruguai e a Argentina. Entre essas tradições destacam-se o chimarrão,[107] o churrasco[107] e o uso de trajes típicos, compostos de bombacha[108] (calças folgadas, de origem turca, presas ao tornozelo), poncho[108] e lenço no pescoço.[108]

Economia[editar | editar código-fonte]

No que se refere aos aspectos econômicos da região Sul, a melhor maneira de explicar a distribuição das atividades primárias, secundárias e terciárias é elaborando análises desses três setores econômicos por partes e separadamente, observando cada uma delas.

A existência de extensas áreas de pastagens naturais favoreceu o desenvolvimento da pecuária extensiva de corte na região Sul. Há o predomínio da grande propriedade e o regime de exploração direta, já que a criação é extensiva, exigindo poucos trabalhadores, o que explica o fato de haver uma população rural muito pouco numerosa na região.

Devido à ampliação do mercado consumidor local e extra-regional e ao surgimento de frigoríficos na região, em certas áreas já ocorre uma criação mais aprimorada, pecuária leiteira e lavouras comerciais com técnicas modernas, destacando-se o cultivo do arroz, do trigo e da batata.

A agricultura, que é desenvolvida em áreas florestais, com predomínio da pequena propriedade e do trabalho familiar, foi iniciada pelo europeus, sobretudo alemães, que predominaram na colonização do Sul. A policultura é a prática comum na região, às vezes com caráter comercial, sendo o feijão, a mandioca, o milho, o arroz, a batata, a abóbora, a soja, o trigo, as hortaliças e as frutas os produtos mais cultivados. Em algumas áreas, a produção rural está voltada para a indústria, como a cultura da uva para a fabricação de vinhos, a de tabaco para a indústria de cigarros, a de soja para a fabricação de óleos vegetais, à criação de porcos (associada à produção de milho) para abastecer os frigoríficos e o leite para abastecer as usinas de leite e fábricas de laticínios.

Diferente das regiões agrícolas "coloniais" é o norte do Paraná, que está relacionado com a economia do Sudeste, sendo uma área de transição entre São Paulo e o Sul. Seu povoamento está ligada à expansão da economia paulista.

O extrativismo vegetal é uma atividade de grande importância no Sul do Brasil e o fato de a mata das araucárias ser bastante aberta e relativamente homogênea facilita a sua exploração. As espécies preferidas são o pinheiro-do-paraná, a imbuia e o cedro, aproveitados em serrarias ou fábricas de papel e celulose. A erva-mate é outro produto importante do extrativismo vegetal no Sul, e já é cultivada em certas áreas.

A região Sul é pobre em recursos minerais, devido à sua estrutura geológica. Há ocorrência de cobre no Rio Grande do Sul e chumbo no Paraná, mas o principal produto é o carvão-de-pedra, cuja exploração concentra-se em Santa Catarina. É utilizado em usinas termelétricas locais e na siderurgia.

A região Sul é a segunda mais industrializada do país, vindo logo após o Sudeste. A principal característica da industrialização no Sul é o fato de as atividades comandarem a atividade industrial, onde se localizam indústrias siderúrgicas, químicas, de couros, de bebidas, de produtos alimentícios e têxteis. Já a industrialização de Curitiba, o maior parque industrial, é mais recente, destacando-se suas metalúrgicas, madeireiras, indústrias automobilísticas, peças, químicas, e fábricas de alimentos.

As demais cidades industriais da região são geralmente mono-industriais ou então abrigam dois gêneros de indústriais, como Caxias do Sul (bebidas e metalurgia), Pelotas (frigoríficos), Lages (madeiras), Londrina (alimentos) e Blumenau (têxtil). A exceção é Joinville (setores metal mecânico, químico, plástico, e de desenvolvimento de software), situada no Norte catarinense, e Chapecó no Oeste Catarinense (Seu parque industrial é diversificado, sendo que os setores que mais se destacam são: 8 Frigoríficos é a capital brasileira da agroindustria, o metalmecânico, produção de equipamentos para frigoríficos, plásticos e embalagens, transportes, móveis, bebidas, softwares e biotecnologia).

Produto Interno Bruto[editar | editar código-fonte]

Em 2003, o PIB do Sul chegou em 386.758.428.000,00 de reais ou quase 20% do nacional, ou seja, a 2ª região em riquezas finais produzidas do país. A tabela a seguir exibe como é distribuído o PIB regionalmente e nacionalmente entre os estados da região:

Produto Interno Bruto da região Sul (IBGE/2006)
Estados PIB (em R$ 1000,00) % do PIB nacional % do PIB regional PIB per capita
Paraná 136 681 933 mil 6,4% 34,2% 13 158,00
Santa Catarina 93 193 324 mil 4,0% 21,5% 15 638,00
Rio Grande do Sul 156 883 171 mil 8,2% 44,3% 14 310,00

Extrativismo[editar | editar código-fonte]

O extrativismo na região Sul, apesar de ser uma atividade econômica complementar, é bastante desenvolvido em suas três modalidades:

Agricultura[editar | editar código-fonte]

Principais cultivos, 2005[109]
Produto Participação
Arroz 6,68%
Batata 0,31%
Fumo 2,45%
Milho 21,84%
Soja 45,51%
Trigo 11,42%
A plantação de maçãs e a fabricação de sidras no Brasil são características economicamente marcantes da colonização alemã nos estados de SC e RS.

A maior parte do espaço territorial sulista é ocupado pela pecuária, porém a atividade econômica de maior rendimento e que emprega o maior número de trabalhadores é a agricultura. A atividade agrícola no Sul distribui-se em dois amplos e diversificados setores:

Para compreender mais claramente a distribuição das atividades agrícolas pela região, analise a tabela acima com os respectivos dados sobre os produtos agrícolas.

Também é no sul do Brasil que está localizada a maior cooperativa agroindustrial da América Latina, a Cooperativa Agroindustrial Morãoense, com sede em Campo Mourão, no estado do Paraná.

Pecuária[editar | editar código-fonte]

No Paraná, possui grande destaque a criação de suínos, atividade em que esse estado é o primeiro do Brasil, em Santa Catarina na região Oeste onde se encontra grandes quantidades de frigoríficos de suíno, se destaca a Aurora com 8 frigorífico de suíno 5 estão no Oeste, seguido do Rio Grande do Sul. Essa criação processa-se paralelamente ao cultivo do milho, além de abastecer a população, serve de matéria-prima a grandes frigoríficos.

Os campos do Sul constituem excelente pastagem natural para a criação de gado bovino, principalmente na Campanha Gaúcha ou pampa, no estado do Rio Grande do Sul. Desenvolve-se ali uma pecuária extensiva, criando-se, além de bovinos, também ovinos. A região Sul reúne cerca de 18% dos bovinos e mais de 60% dos ovinos criados no Brasil, sendo o Rio Grande do Sul o primeiro produtor brasileiro.

A pecuária intensiva também é bastante desenvolvida na região Sul, que detém o segundo ranking na produção brasileira de leite. Parte do leite produzido no Sul é beneficiado por indústrias de laticínio.

Indústria[editar | editar código-fonte]

O sul é a segunda região do Brasil em número de trabalhadores e em valor e volume da produção industrial. Esse avanço deve-se a uma boa rede de transportes rodoviários e ferroviários, grande potencial hidrelétrico, fácil aproveitamento de energia térmica, grande volume e variedade de matérias-primas e mercado consumidor com elevado poder aquisitivo.

A distribuição das indústrias do sul é bastante diferente da que ocorre na região Sudeste. Nesta região predominam grandes complexos industriais com atividades diversificadas, enquanto o sul apresenta as seguintes características:

Canoas, no Rio Grande do Sul, tem o 3º maior PIB da região Sul.
Curitiba, capital do estado do Paraná. Cidade mais populosa e com o maior PIB da região.[29] Na foto, o Jardim Botânico de Curitiba.

As maiores concentrações industriais situam-se nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, e em Curitiba, no Paraná, merecendo destaque também:

Erechim, segunda cidade mais populosa do norte do RS é um importante centro industrial do Sul.

Além dessas concentrações industriais, merecem destaque Ponta Grossa, Guarapuava e Paranaguá, no Paraná; Florianópolis, Joinville, Lages, Blumenau e Chapecó em Santa Catarina; e Santa Maria, no Rio Grande do Sul.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Lago Negro em Gramado, uma das cidades turísticas da serra gaúcha (RS).

O Parque Nacional do Iguaçu, onde se localizam as Cataratas do Iguaçu, é uma Unidade de Conservação brasileira. Está localizado no extremo-oeste do estado do Paraná, tendo sido criado em 10 de janeiro de 1939, através do decreto lei nº 1.035. Sua área total é de 185.262,2 hectares. Em 1986 recebeu o título, concedido pela UNESCO, de Patrimônio Mundial.

Durante os dias quentes de verão, as praias catarinenses são procuradas e frequentadas por turistas do Brasil inteiro e de outros países estrangeiros. Florianópolis, atrás apenas das cidades do Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA), é uma das capitais brasileiras mais visitadas. Com o fim da crise econômica nos países do Mercosul, parte do movimento de argentinos, uruguaios e paraguaios voltou ao proveito do turismo de verão, em cidades balneárias tais como Balneário Camboriú e Barra Velha. São pontos turísticos os patrimônios da humanidade: Cataratas do Iguaçu no Parque Nacional do Iguaçu, no Paraná e as Ruínas Jesuítico-Guaranis de São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul.

As serras gaúcha e catarinense atraem turistas no inverno rigoroso, que aproveitam as temperaturas mais baixas e a neve, em cidades como Gramado (RS), a cidade turística mais representativa do gênero no país, Canela (RS) e Urubici (SC).

Em Cambará do Sul (RS), localiza-se o Parque Nacional de Aparados da Serra, onde fica o cânion do Itaimbezinho.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

A Região Sul do Brasil possui a maior taxa de alfabetização do país, com 92,2% e também a menor em número de analfabetos (7,8%). Conta com 587.853 alunos matriculados no ensino infantil, 4.380.912 no ensino fundamental, 1.202.301 no ensino médio e 473.583 no ensino superior.

Suas melhores universidades são[110] a Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Universidade Federal de Santa Catarina, Universidade Federal do Paraná (a mais antiga do Brasil), a Universidade Tecnológica Federal do Paraná, a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, a Universidade de Caxias do Sul, a Universidade do Vale do Rio dos Sinos, a Universidade Federal de Santa Maria, a Universidade Estadual de Ponta Grossa, a Universidade Estadual de Maringá, a Universidade Estadual de Londrina, a Universidade Estadual do Oeste do Paraná,a Universidade Estadual do Centro-Oeste, a Universidade do Estado de Santa Catarina, a Pontifícia Universidade Católica do Paraná, a Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal da Fronteira Sul, Universidade do alto vale do rio do peixe, entre outras.

Saúde[editar | editar código-fonte]

O índice de mortalidade infantil é de 20,3 por mil nascidos vivos. Evoluiu o número de estabelecimentos de saúde entre 8.000 e 10.000, já no ano de 1999. O Paraná é o estado que possui o maior número de estabelecimentos da rede SUS com internação, com 469 lugares, ao mesmo tempo que Santa Catarina é detentora do menor índice (207); o Rio Grande do Sul tem um índice equilibrado de estabelecimentos de SUS com internação (379).

Energia[editar | editar código-fonte]

Usina Hidrelétrica de Itaipu, a maior usina hidrelétrica do mundo em produção de energia (PR).

A região Sul é muito rica em xisto betuminoso e carvão mineral. O carvão mineral é utilizado para produzir energia elétrica nas usinas termelétricas, como a Usina Termelétrica Jorge Lacerda, em Santa Catarina. Além desses minérios, a região possui também energia hidrelétrica em abundância, graças às características de sua hidrografia — os rios caudalosos e os rios de planalto.

A maior usina hidrelétrica do Brasil situa-se na região. Inaugurada em 1983, Itaipu, que aproveita os recursos hídricos do rio Paraná, mais precisamente nas imediações das cidades de Foz do Iguaçu (Brasil), na margem esquerda e Ciudad del Este, antiga Puerto Presidente Stroessner (Paraguai), na margem direita. Como é considerada a segunda maior usina hidrelétrica do mundo, sendo a primeira a de Três Gargantas na China,[111] [112] [113] sua energia é utilizada em partes iguais por ambos países a que pertencem, Brasil e Paraguai.

Além de abastecer a região Sul, a energia da Usina hidrelétrica de Itaipu é imensamente utilizada em outras regiões brasileiras, inclusive na região Sudeste.

A distribuição de energia elétrica na região Sul é controlada pela Eletrosul, com sede em Florianópolis (SC), que estende a atuação ao estado de Mato Grosso do Sul e também a outras áreas do Brasil, devido a interligações com a rede de energia da região Sudeste.

Em relação às usinas hidrelétricas que ainda existem em atividade desde o século XX, entraram em funcionamento entre as décadas de 1990 e 2000, tais como Usina Hidrelétrica de Ilha Grande, no rio Paraná, Usina Hidrelétrica de Machadinho, no rio Pelotas, e Usina Hidrelétrica de Itá, no rio Uruguai.

Transportes[editar | editar código-fonte]

O Sul é bem servido no setor de transportes, dispondo de condições naturais que facilitam a implantação de uma boa malha rodoviária e ferroviária. Além disso, o fato de sua população distribuir-se uniformemente, sem grandes vazios populacionais, permite que sua rede de transportes seja mais eficiente e lucrativa.

Rodovias duplicadas, ou em duplicação, da Regiao Sul do Brasil, em 2012

Embora quase todas as principais cidades da região sejam servidas por linhas da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), o transporte rodoviário é mais desenvolvido. A região conta com várias estradas, tais como a Rodovia Régis Bittencourt, ligando São Paulo ao Rio Grande do Sul, e a Rodovia do Café, alcançando o norte do Paraná até o porto de Paranaguá. Como as demais regiões do Brasil, os transportes ferroviários e rodoviários necessitam de investimentos que permitam a manutenção das vias já existentes e a abertura de outras novas.

Também os mais movimentados aeroportos do Brasil, depois dos aeroportos da região Sudeste e de Brasília, estão localizados no Sul. Os principais aeroportos do Sul em movimentos de passageiros em 2013 são; (Aeroporto Internacional Salgado Filho de Porto Alegre 7.993,164), (Aeroporto Internacional Afonso Pena de Curitiba 6.740,024), (Aeroporto Internacional Hercílio Luz de Florianópolis 3.872,637), (Aeroporto Internacional Cataratas 1.677,460, Aeroporto Internacional de Navegantes 1.202,625) e (Aeroporto Governador José Richa 1.051,211). Esta região possui ainda portos marítimos em atividade: o porto de Paranaguá, que exporta principalmente café e soja; os portos de Imbituba e Laguna, em Santa Catarina, exportadores de carvão mineral; os portos de São Francisco do Sul, Itajaí, Navegantes e Itapoá (o primeiro porto privado do Brasil) também em Santa Catarina, exportadores de produtos da indústria metal-mecânica e frigorífica, além de móveis e madeira beneficiada; e finalmente os portos de Rio Grande e Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, pelos quais passam mercadorias diversificadas.

Segurança[editar | editar código-fonte]

Segurança nacional[editar | editar código-fonte]

As principais unidades militares da Região Sul do Brasil são:

Segurança pública[editar | editar código-fonte]

As principais corporações que proveem a Região Sul do Brasil são:

Paraná
Polícia Militar do Paraná
Corpo de Bombeiros do Paraná
Polícia Civil do Paraná
Polícia Científica
Santa Catarina
Polícia Militar de Santa Catarina
Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina
Polícia Civil de Santa Catarina
Instituto Geral de Perícias
Rio Grande do Sul
Brigada Militar do Rio Grande do Sul
Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul
Polícia Civil do Rio Grande do Sul
Instituto Geral de Perícias

Cultura[editar | editar código-fonte]

A cultura artística da região Sul do Brasil é muito rica, justamente por ter recebido influência de diversas colônias de imigrantes, como os alemães, os italianos, os poloneses e os ucranianos. Os colonizadores foram os primeiros a chegar na região anteriormente habitada pelos povos ameríndios.

As missões jesuíticas foram fundadas no oeste do Paraná no século XVI antes dos bandeirantes expulsarem para a região do Rio Grande do Sul e Argentina, levando a cultura do chimarrão para estas regiões. Se chamava República Real del Guairá e sua capital era Ontiveros (atual Guaíra - PR), a terceira maior cidade da América do Sul na época depois de Assunção e Buenos Aires.

A cultura gaúcha é muito forte e influencia toda a região. As principais manifestações estão na culinária, na literatura e na dança.

Curitiba foi eleita em 2003 a "Capital da Cultura das Américas" pela entidade CAC-ACC e sediou o evento COP 8 MOP 3 da ONU de 20 a 31 de março de 2006.

A Região Sul do Brasil já foi retratada como paródia geopolítica na enciclopédia humorística Desciclopédia como o país fictício denominado de Estados Unidos do Sul, nação composta pelos três estados da região com seus respectivos nomes: Nördregion (Paraná), Mittelregion (Santa Catarina) e Südregion (Rio Grande do Sul).[114]

Culinária[editar | editar código-fonte]

O barreado é o prato caboclo típico do litoral paranaense,[115] preparado com carne bovina, toucinho e temperos.[116] [117] [118] [119] A iguaria é colocada em uma panela de barro, que é enterrada e sobre a qual se acende uma fogueira. O prato é assim lentamente cozido por 12 horas, até que a carne se desfaça.[120] Muitos restaurantes de Morretes oferecem este delicioso prato gastronômico.

O Boi no Rolete, o Porco no Rolete e o Carneiro no Buraco também são pratos típicos do Oeste Paranaense, e contam com grandes festivais durante o ano todo.

Na culinária catarinense são tradicionais o pirão de peixe no sul e a marrecada no norte. Na capital, o destaque é a sequência de camarão, uma série de vários pratos preparados com o crustáceo.[121] Na gaúcha o churrasco com sal grosso e o chimarrão são os mais comuns.

O churrasco pode ser feito no forno de chão, na churrasqueira e em diversos lugares,é consumido com muita frequência pelos gaúchos mesmo em dias de semana, e geralmente nos fins de semana pelas pessoas da região sudeste. Já o chimarrão não tem hora para ser consumido, e o seu sabor é semelhante a um chá, porém mais forte e de sabor menos adocicado.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Notas

  1. O primeiro grande tropeiro foi um fidalgo português, Cristóvão Pereira de Abreu, descendente do condestável Nuno Álvares Pereira. Cristóvão de Abreu nasceu em Ponte de Lima, em 1680, e veio para o Rio de Janeiro aos 24 anos. Aqui, casou com D. Clara de Amorim, com quem não teve filhos.
    Em 1722, aos 42, fez um grande negócio. Arrematou o monopólio de couros do sul do Brasil, mediante o compromisso de pagar 70 mil cruzados para a Fazenda Real anualmente. Tratou de começar a explorar esse manancial de ganhos, chegando a exportar 500 mil peças de boi por ano, através da Colônia de Sacramento (então de posse dos Portugueses).
    Cristóvão de Abreu também instalou sua própria estância, situada entre o Canal de Rio Grande e a planície de Quintão. Mas o seu grande feito seria estabelecer um caminho por terra entre os pampas e o mercado que clamava por gado.
  2. Remonta a uma fortificação iniciada pelo engenheiro militar, brigadeiro José da Silva Paes, em 19 de Fevereiro de 1737, em área fortificada provisóriamente pelo lado da campanha pelo coronel de ordenanças Cristóvão Pereira de Abreu (importante criador português de gado), que o aguardava em terra, e destinava-se a servir de alojamento à tropa de 1ª Linha da expedição. Este presídio (colônia militar), sob a invocação de Jesus, Maria, José (Presídio de Jesus, Maria, José), constituiu o núcleo da Colônia do Rio Grande de São Pedro (Colônia de São Pedro), fundada oficialmente em Maio de 1737, consoante as ordens recebidas do governador da Capitania do Rio de Janeiro, Gomes Freire de Andrade (1733-1763). A escolha de seu local, bem como sua colonização com o estabelecimento de estâncias de gado, permitia apoiar as comunicações por terra entre Laguna e a Colônia do Sacramento, bem como oferecia ancoradouro seguro às comunicações marítimas naquele trecho da costa, particularmente hostil à navegação.
  3. A imigração açoriana para o litoral sulista foi bem menos significativa numericamente do que a migração de minhotos e outros portugueses do Norte para a região mineradora. Todavia, o impacto demográfico que esses colonos das ilhas tiveram no litoral do Sul do Brasil foi enorme. Entre 1745 e 1756, cerca de 6 mil ilhéus chegaram ao litoral de Santa Catarina, sendo que a população local era de apenas 5 mil pessoas. Santa Catarina recebeu 4.612 pessoas em 1748, 1.666 em 1749, 860 em 1750 e 679 em 1753. Outros tantos rumaram para o Rio Grande do Sul. Esses colonos portugueses se fixaram ao longo do litoral, onde fundaram pequenas vilas e lugarejos, vivendo da produção de trigo e da pesca.
  4. A primeira colônia alemã foi fundada em 1824, com o nome de São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, numa área de terras públicas do Vale do Rio dos Sinos.
  5. Os italianos chegaram de início à região sul, onde estavam instalando colônias de imigrantes. Em meados do século XIX, o governo brasileiro criou as primeiras colônias. Estas colônias foram fundadas em áreas rurais como a Serra Gaúcha, Garibaldi e Bento Gonçalves (1875). Estes imigrantes eram, na maioria, da região do Vêneto, norte da Itália. Depois de cinco anos, face ao grande número de imigrantes, o governo teve de criar uma nova colônia italiana em Caxias do Sul. Nestas regiões os italianos começaram a cultivar a uva e produzir vinhos. Atualmente, estas áreas de colonização italiana produzem os melhores vinhos do Brasil. Também em 1875, foram fundadas as primeiras colônias catarinenses em Criciúma e Urussanga e, em seguida, as primeiras do Estado do Paraná.
  6. No plano econômico, marcaram presença pela criação de gado e animais domésticos, como ovelhas, porcos, galinhas, patos e cães, tendo esses últimos causado grande fascínio entre os indígenas. Com o gado iniciaram a indústria de laticínios. Introduziram também no país numerosas espécies vegetais européias e asiáticas, e plantaram, em suas residências, uvas, cidras, limões, figos, cacau, legumes, algodão e trigo, ao mesmo tempo em que procuravam iniciar os indígenas em novas técnicas agrícolas. Das frutas faziam conservas. Iniciaram também o cultivo da cana-de-açúcar.
  7. A 18 de setembro de 1628 deixou São Paulo a maior de todas as bandeiras que já haviam atacado o Guairá: 2 000 índios e novecentos mamelucos, dirigidos por 69 paulistas. No comando estava o mestre-de-campo Manuel Preto; seu imediato era Antônio Raposo Taváres. Atingindo a região pelo sudeste, os sertanistas atacaram sucessivamente as reduções de San Miguel, Santo Antônio, Jesus María, Encamación, San Xavier e San José. Diante do massacre, os padres reuniram em Santo Inácio e Loreto os índios sobreviventes e refugiaram-se nas missões estabelecidas entre os rios Paraná e Uruguai; os paulistas aproveitaram-se da retirada para destruir as povoações de Vila Rica e Ciudad Real, situadas respectivamente na margem esquerda do rio Ivaí e junto à foz do rio Piquiri; permitindo entretanto que seus habitantes fossem para o Paraguai, onde fundaram nova povoação às margens do rio Jejuí. Em 1632, não existia mais a província jesuítica do Guairá.
  8. Em 1824 chegam os primeiros colonos alemães ao Rio Grande do Sul, sendo assentados na atual cidade de São Leopoldo. Os alemães chegavam em pequeno número todos os anos, porém eram em número suficiente para se organizar e expandir pela região.
  9. Os italianos chegaram de início à região sul, onde estavam instalando colônias de imigrantes. Em meados do século XIX, o governo brasileiro criou as primeiras colônias. Estas colônias foram fundadas em áreas rurais como a Serra Gaúcha, Garibaldi e Bento Gonçalves (1875). Estes imigrantes eram, na maioria, da região do Vêneto, norte da Itália. Depois de cinco anos, face ao grande número de imigrantes, o governo teve de criar uma nova colônia italiana em Caxias do Sul. Nestas regiões os italianos começaram a cultivar a uva e produzir vinhos. Atualmente, estas áreas de colonização italiana produzem os melhores vinhos do Brasil. Também em 1875, foram fundadas as primeiras colônias catarinenses em Criciúma e Urussanga e, em seguida, as primeiras do Estado do Paraná.
  10. A Região Sul foi povoada por imigrantes europeus, sobretudo, italianos, alemães e poloneses, com isso as características arquitetônicas e culturais se tornaram tradicionais. Os imigrantes, assim como suas descendências diretas, têm conseguido preservar as manifestações culturais trazidas dos países europeus. Geralmente, os imigrantes se agrupam em forma de colônias divididas de acordo com a origem de cada país. Em algumas cidades de Santa Catarina, como Pomerode, uma lei municipal obriga a construção de casas em estilo enxaimel (modelo Europeu). Em outra cidade catarinense, chamada de Tílias, a maioria da população da cidade é composta basicamente por imigrantes e descendentes austríacos que preservam todas as características do país de origem, como a língua, os costumes, as festas e as comidas típicas. Tradicionalmente, as crianças assimilam o idioma tirolês em seu próprio ambiente familiar, dessa forma há possibilidade de estabelecer, por parte do governo municipal, uma lei de inclusão da língua no currículo escolar daquela cidade. As colônias do sul preservam todos os aspectos culturais, e essas são materializadas no espaço geográfico sulista através de todo arranjo paisagístico (arquitetura, atividade econômica, manifestações culturais entre outras). Elas servem para aclamar os países e matar a saudade.
  11. O estado do Rio Grande do Sul recebeu a primeira leva de imigrantes italianos a chegar ao Brasil. Os primeiros imigrantes desembarcaram em 1875, para substituírem os colonos alemães que, a cada ano, chegavam em menor quantidade. Os colonos italianos foram atraídos para a região para trabalharem como pequenos agricultores e lhes foram reservadas terras selvagens na encosta da Serra Gaúcha. Na região foram criadas as primeiras três colônias italianas: Conde D’Eu, Dona Isabel e Campo dos Bugres, atualmente as cidades de Garibaldi, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, respectivamente. Com o tempo, os italianos passaram a subir as serras e a colonizá-las. Com o esgotamento de terras na região, esses colonos passaram a migrar para várias regiões do Rio Grande. A base da economia na região italiana do Rio Grande foi, e continua a ser, a vinicultura. No centro do estado foi criada a Quarta Colônia de Imigração Italiana, o primeiro reduto de italianos fora da Serra Gaúcha e que originou municípios como Silveira Martins, Ivorá, Nova Palma,Faxinal do Soturno, Dona Francisca e São João do Polêsine. Nesse último, está a localidade de Vale Vêneto, nome dado para fazer homenagem a tal região italiana. Outras colônias italianas foram criadas e deram origens a cidades como Caxias do Sul, Farroupilha, Bento Gonçalves, Garibaldi, Flores da Cunha, Antônio Prado, Veranópolis, Nova Prata, Encantado, Nova Bréscia, Coqueiro Baixo, Guaporé, Lagoa Vermelha, Soledade, Cruz Alta, Jaguari, Santiago, São Sepé, Caçapava do Sul e Cachoeira do Sul. Essas são as principais colônias italianas do estado. Estima-se que imigraram para o Rio Grande 100 mil italianos, entre 1875 e 1910. Em 1900, já viviam no estado 300 mil italianos e descendentes.
  12. No Brasil, país em que predomina o clima tropical, apenas a Região Sul encontra-se sob o domínio do clima subtropical (um clima de transição entre o tropical predominante no Brasil e o temperado, predominante na Argentina), ou seja, o clima típico desta região é mais frio em comparação ao clima tropical, e é onde são registradas as mais baixas temperaturas do país. Nesse clima, as temperaturas variam de 16°C a 20°C ao ano, porém, o inverno é costumeiramente muito frio para os padrões brasileiros, com frequência de geadas na quase totalidade das áreas, e em lugares onde há altitudes de maior elevação, queda de neve. As estações do ano apresentadas possuem grande diferenciação e a amplitude térmica anual é relativamente muito grande. As chuvas, na quase totalidade do território regional, são distribuídas regularmente durante todo o ano, entretanto, no Norte do Paraná — transição para a zona intertropical — as chuvas são concentradas nos meses de verão. Também podem ser encontradas características tropicais nas baixadas litorâneas do Paraná e Santa Catarina, onde as temperaturas estão acima de 20 °C e, principalmente, há queda de chuvas no verão. As temperaturas também são afetadas pelos ventos. No verão, as temperaturas aumentam por causa do calor e da umidade dos ventos alísios que vêm do sudeste, depois as chuvas caem com força. O inverno no Sul do Brasil é muito frio com geada e neve por causa das frentes frias que são massas de ar vindas do Pólo Sul. Esse vento frio é chamado de minuano ou pampeiro pelos paranaenses, catarinenses e gaúchos. É importante ressalvar, que as características contidas no clima da região Sul do Brasil, têm grande influência graças à Massa Polar Atlântica (MPA) que é fria e úmida. A mesma origina-se no anticiclone situado ao sul da Patagônia. Sua atuação é mais intensa no inverno, com presença marcante nas regiões Sul e Sudeste. Pode atingir outras regiões como a Amazônia, onde a mesma se enfraquecera.
  13. Na Itália são apresentadas ambas as grandes zonas climáticas: a continental, onde são compreendidas as montanhas e vales alpinos e a grande planície do Pó; e a mediterrânea, que a península e as ilhas formam. Como o país muito extenso de norte a sul, o clima varia frequentemente: o sul tem um clima subtropical mediterrâneo; a planície padano-veneziana, um clima temperado marítimo, como o da Europa ocidental. O clima dos Alpes é o que ocorre nas altas regiões montanhosas. Há grande variação do clima segundo a altitude, desde moderação das temperaturas dos vales dotados de profundidade e de boa proteção até os picos mais frios, que a eternidade das neves os cobre. Na região alpina, há abundância e boa distribuição das chuvas no decorrer do ano. É observado o efeito que regula das massas de água que se localizam nas margens dos lagos alpinos, onde ocorre o crescimento de oliveiras, ciprestes e até limoeiros. Ma Itália faz calor no verão. As temperaturas no norte e no sul quase são igualadas, a não ser pelas chuvas que caem pelo ar úmido. No sul, faz calor e entra a luz do sol, mas seca ao extremo. A estiagem pode ter continuidade num período de cinco meses e superior a isso; quando há ocorrência disso, há queda de chuvas em violentos aguaceiros. Na planície do Pó, faz frio no inverno, quando ocorre densidade de neblina. Faz calor no verão e permite o cultivo de cereais, como o arroz. Como há abundância de chuvas no período da primavera e do outono, elas não são diminuídas no verão. Por ser ilha, o clima da Sicília é de suavidade no inverno; já a Sardenha é influenciada periodicamente pelo forte vento mistral, vindo do noroeste. O siroco, que é vento sufocante de sudoeste que vem do Saara, causa dano a península e as ilhas durante o verão.
  14. O clima sul-brasileiro é um pouco semelhante ao de inverno do norte da Itália, onde faz frio em janeiro e calor em julho. Em 1875, quando os primeiros imigrantes italianos chegaram no Sul do Brasil, na época, o hemisfério sul já sofria influências climáticas do então período conhecido como equinócio de outono, fenômeno natural que ocorre a cada ano.
  15. A região Sul recebeu grande número de imigrantes graças a uma iniciativa do imperador Dom Pedro II. Preocupado com a possibilidade de nosso país ser invadido pelo Uruguai e pela Argentina, resolveu terras do governo a imigrantes europeus. Essa iniciativa coincidiu com os graves problemas políticos e econômicos que Itália e Alemanha enfrentavam na segunda metade do século XIX.
  16. Após a abolição da escravatura (1888), o governo brasileiro incentivou a entrada de imigrantes europeus em nosso território. Com a necessidade de mão-de-obra qualificada, para substituir os escravos, milhares de italianos e alemães chegaram para trabalhar nas fazendas de café do interior de São Paulo, nas indústrias e na zona rural do sul do país.
  17. Os pontos extremos do Brasil são: ao norte, a nascente do rio Ailã, no monte Caburaí, Estado de Roraima; ao sul, o Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, fronteira com o Uruguai; a leste, a ponta do Seixas, na Paraíba; a oeste, a Serra da Contamana ou do Divisor, no Acre, fronteira com o Peru.

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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