Floresta ombrófila mista

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Floresta ombrófila mista
Mata de Araucárias no Parque Nacional de Aparados da Serra.

Mata de Araucárias no Parque Nacional de Aparados da Serra.
Bioma Mata Atlântica
Área 216.100 km²
Países  Brasil,  Argentina
Ponto mais alto Serra da Mantiqueira 1600m
Ponto mais baixo 500m
Ecorregião da Floresta de Araucárias como definida pelo WWF.1

Ecorregião da Floresta de Araucárias como definida pelo WWF.1


Floresta ombrófila mista, também floresta de araucária, floresta com araucária ou araucarieto é um ecossistema com chuva durante o ano todo, normalmente em altitudes elevadas, e que contém espécies de angiospermas mas também de coníferas.

Encontrada no Brasil principalmente nos estados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, faz parte do bioma mata atlântica, e é caracterizada pela presença da Araucaria angustifolia que nela imprime um aspecto próprio e único.

As florestas de araucária também foram definidas como uma ecorregião de floresta tropical no domínio da Mata Atlântica pelo o WWF.

Índice

Localização [editar]

A floresta de araucária, quando do descobrimento do Brasil, se estendia numa faixa contínua, no Planalto Meridional2 , desde o sul do estado de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul3 chegando à província de Misiones na Argentina. Outras manchas esparsas existiam nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espirito Santo. O habitat perfeito são regiões altas de 400m até 1000m, sendo que são encontrados alguns exemplares de Pinheiro-do-paraná (Araucaria angustifolia), árvore característica da floresta de araucária, também até a 1800m de altitude, por exemplo, na Serra da Mantiqueira.

Clima [editar]

O clima da região é subtropical, com chuvas regulares e estações relativamente bem definidas: o inverno é normalmente frio, com geadas frequentes e até neve em alguns municípios do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, e o verão razoavelmente quente. As temperaturas variam de 30°C, no verão, até alguns graus negativos, no inverno rigoroso.

A umidade relativa do ar está relacionada à temperatura, com influência da altitude. Assim, nas zonas mais elevadas, a temperatura não é suficientemente elevada, diminuindo a umidade produzida pelas chuvas. As médias mais elevadas são resultados da influência oceânica sobre o clima e da transpiração dos componentes das matas pluviais existentes. Os maiores índices pluviométricos são registrados nos planaltos, com chuvas bem distribuídas por toda região.

Geologia e relevo [editar]

Os Estado do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul são formados, em sua maior extensão, por escarpas de estratos e planaltos que declinam suavemente em direção a oeste e noroeste. Apresentam grandes regiões geográficas naturais ou grandes paisagens naturais (zona litorânea - orla marinha e orla da serra, Serra do Mar, planaltos, planícies costeiras, serras litorâneas e planalto ocidental).

Tipos [editar]

  • floresta ombrófila mista aluvial
  • floresta ombrófila mista submontana
  • floresta ombrófila mista montana
  • floresta ombrófila mista altomontana

Flora [editar]

Mata de Araucárias em Almirante Tamandaré, Paraná, Brasil.

A floresta com araucária ou floresta ombrófila mista apresenta em sua composição florísticas espécies de lauráceas como a imbuia (Ocotea porosa), o sassafrás (Ocotea odorifera), a canela-lageana (Ocotea pulchella), além de diversas espécies conhecidas por canelas. Merecem destaque também a erva-mate (Ilex paraguariensis) e a caúna (Ilex theezans), entre outras aquifoliáceas. Diversas espécies de leguminosas (jacarandá, caviúna e monjoleiro) e mirtáceas (sete-capotes, guabiroba, pitanga) também são abundantes na floresta com araucária, associadas também à coníferas como o pinheiro-bravo (Podocarpus lambertii).

Saueressig (2012) apresentou o resultado de um levantamento dendrológico realizado nos planaltos do sul brasileiro, acima da cota 500 m s.n.m, onde foram percorridas diversas rotas, de forma que cobrissem grande parte da área atual de ocorrência da Floresta Ombrófila Mista, abrangendo as diferentes zonas fitofisionômicas e fitoecológicas dessa tipologia. Foi registrada a presença de 328 espécies, pertencentes a 165 gêneros e 65 famílias botânicas. As famílias com maior número de espécies foram: Myrtaceae (59), Fabaceae (37), Lauraceae (22), Asteraceae (19), Solanaceae (15), Euphorbiaceae e Salicaceae (11), e Rubiaceae e Rutaceae (9). Os gêneros mais ricos foram: Eugenia (15 espécies), Myrcia (13), Ocotea (11), Solanum (10), Myrceugenia (9) e Miconia (7), e Ilex e Symplocos (6).

Relação de espécies arbóreas e arborescentes levantada em 2012 por Daniel Saueressig: [editar]

328 resultados


Fonte: SAUERESSIG, D. (2012). Relação de espécies arbóreas e arborescentes da Floresta Ombrófila Mista nos 3 estados sulinos.

Fauna [editar]

É um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com indivíduos endêmicos, raros, ameaçados de extinção, espécies migratórias, cinegéticas e de interesse econômico da Floresta Atlântica e Campos Sulinos.

Várias espécies estão ameaçadas de extinção: a onça-pintada, a jaguatirica, o mono-carvoeiro, o macaco-prego, o guariba, o mico-leão-dourado, vários sagüis, a preguiça-de-coleira, o caxinguelê, e o tamanduá.

Entre as aves destacam-se o jacu, o macuco, a jacutinga, o tiê-sangue, a araponga, o sanhaço, numerosos beija-flores, tucanos, saíras e gaturamos.

Entre os principais répteis desse ecossistema estão o teiú (um lagarto de mais de 1,5m de comprimento), jibóias, jararacas e corais verdadeiras. Numerosas espécies da flora e da fauna são únicas e características: a maioria das aves, répteis, anfíbios e borboletas são endêmicas, ou seja, são encontradas apenas nesse ecossistema. Nela sobrevivem mais de 20 espécies de primatas, a maior parte delas endêmicas.

Ver também [editar]

Referências

  1. Visão da Biodiversidade da Ecorregião Florestas do Alto Paraná. WWF. Página visitada em 26 jul. 2012.
  2. LEITE, P.F. & KLEIN, R. M. 1990. Vegetação. In: Mesquita, O. V. (ed.), Geografia do Brasil -- Região Sul, vol. 2. IBGE, Rio de Janeiro. pp. 113-150

Bibliografia [editar]

Ligações externas [editar]