Macuco

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Como ler uma caixa taxonómicaMacuco
Tinamus solitarius

Tinamus solitarius
Estado de conservação
Status iucn3.1 NT pt.svg
Quase ameaçada [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Tinamiformes
Família: Tinamidae
Género: Tinamus
Espécie: T. solitarius
Nome binomial
Tinamus solitarius
(Vieillot, 1819)

O macuco (Tinamus solitarius), também chamado macuca[2] , é uma ave sul-americana de grande porte da família dos Tinamidae. Tais aves chegam a medir até 48 centímetros de comprimento. Têm o dorso pardo-azeitonado e ventre cinza-claro. Atualmente, a subespécie Tinamus solitarius pernambucensis, do Nordeste brasileiro, é considerada oficialmente inválida.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Macuco" e "macuca" são oriundos do termo tupi ma'kuku[3] . Solitarius significa, traduzido do latim, "sozinho"[4] .

Características[editar | editar código-fonte]

É o maior representante dos tinamídeos na Mata Atlântica. Atinge até 52 centímetros de comprimento, com o peso dos machos variando entre 1,2 e 1,5 quilogramas e o das fêmeas, entre 1,3 e 1,8 quilogramas.

Possui coloração acinzentada com matiz verde-oliva e desenho críptico nas penas traseiras (rectrizes).

Ocorrência[editar | editar código-fonte]

É uma ave que habita a mata primária, percorrendo o solo da floresta, inclusive em áreas acidentadas e de difícil acesso.

Vive na região florestada do leste brasileiro, do Pernambuco ao Rio Grande do Sul (Aparados da Serra), Minas Gerais (alto Rio Doce), sul de Goiás (matas da margem direita do Rio Paranaíba), e sudeste de Mato Grosso (Rio Paraná). Encontrado também na Argentina e Paraguai.

Alimentação[editar | editar código-fonte]

Alimenta-se de sementes, bagas e frutas. Sempre próximo a pequenos riachos ou nascentes e principalmente de mulheres

Vocalização[editar | editar código-fonte]

Sua voz é um piado grave e monossilábico, o qual pode ser grosso ou fino, tanto em macho quanto em fêmeas: "fón". Podem sustentar a nota durante algum tempo, sendo que os machos, geralmente, piam menos.

No período reprodutivo, ambos sexos efetuam uma vocalização melodiosa, trêmula e prolongada.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

Ninho de macuco com ovos.

Como na maioria dos tinamiformes, é o macho do macuco quem choca os ovos, que são de coloração verde-azulada; e cria os filhotes com grande cuidado parental. O ninho é feito no solo, geralmente entre as raízes de grandes árvores, ou junto a troncos caídos. Sua reprodução em cativeiro costuma ser bem-sucedida, devendo ser incentivada para o repovoamento das floremanescentes, paralelamente ao replantio de mata nativa em áreas desflorestadas ou degradadas. O que garantiria a preservação futura dessa espécie e de outras tantas da Mata Atlântica brasileira.

Caça[editar | editar código-fonte]

Sua caça exige técnica e perícia do caçador, por ser uma ave extremamente arisca e desconfiada. O método mais utilizado para a caça, consiste no preparo inicial de uma choça com folhas de palmeiras e galhos, para camuflar o caçador no solo; ou, no de uma plataforma ou "jirau" a três ou quatro metros do solo sobre uma árvore, de onde o caçador, munido de um pio de madeira adequado, intercala pausadamente o chamado da fêmea ou do macho da espécie. Sua vocalização consiste num único piado, sendo esse um pouco mais longo no da fêmea. O macho por vêzes emite um piado trêmulo, principalmente se estiver acompanhado de filhotes. Sendo melhor a produtividade da caçada nos meses de setembro a novembro. Por vezes, para a aproximação da caça demoram-se horas; e, nesse intervalo, com um pio especial, o caçador imita o grilo, um dos alimentos preferidos da ave, para auxiliar na atração da presa. Uma forma reprovável e pouco esportiva de caça se dá quando o macuco empoleira para dormir, atraindo o caçador pelo som de suas asas ao voar para o galho, ou pelos três piados que emite nessa hora. O caçador, então, munido de uma lanterna potente, localiza a ave à noite no galho e a abate a tiro.

A principal ameaça que contribui para a extinção dessa espécie é a do desmatamento, pois a ave não se adapta à mata secundária, que não apresenta as mesmas características do bioma mata primitiva. É uma ave cinegética por excelência, assim como os demais tinamídeos, pois estes possuem carne branca e saborosa, considerada pelos especialistas franceses como o grupo de aves cuja carne se adequa ao preparo de qualquer tipo de prato.

Referências

  1. Tinamus solitarius IUCN, acessado em 17 de agosto de 2010
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 061
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 061
  4. http://translate.google.com.br/#la%7Cpt%7Csolitarius%20%0A

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • MASSARIOLI, MARCOS, 2003 UNIABC-SP. Tinamiformes do Brasil. Artigo Científico.
  • BOKERMANN, W.C.A. 1991. Observações sobre a Biologia do Macuco. Tese de Doutoramento. Universidade de São Paulo.
  • JOBLING, J.A. 1991. Dicionário dos nomes científicos das Aves.
  • SICK, H. 2001. Ornitologia Brasileira. Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro.