Pernambuco

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Coordenadas: 8° S, 38° W
Estado de Pernambuco
Bandeira de Pernambuco
Brasão do estado de Pernambuco
(Bandeira) (Brasão)
Hino: Hino do Estado de Pernambuco
Gentílico: Pernambucano (a)

Localização de Pernambuco no Brasil

Localização
 - Região Nordeste
 - Estados limítrofes Bahia, Piauí, Alagoas, Ceará e Paraíba
 - Mesorregiões 5
 - Microrregiões 19
 - Municípios 185
Capital Brasaorecife.jpg Recife
Governo
 - Governador(a) João Lyra Neto (PSB)
 - Deputados federais 25
 - Deputados estaduais 49
 - Senadores Armando Monteiro Neto (PTB)
Jarbas Vasconcelos (PMDB)
Humberto Costa (PT)
Área  
 - Total 98 311,616 km² (19º) [1]
População 2014
 - Estimativa 9 277 727 hab. ()[2]
 - Densidade 94,37 hab./km² ()
Economia 2011[3]
 - PIB R$104,394 bilhões (10º)
 - PIB per capita R$11 776,10 (19º)
Indicadores 2010[4] [5] [6]
 - Esper. de vida 71,1 anos (20º)
 - Mort. infantil 18,5‰ nasc. (12º)
 - Analfabetismo 16,7% (20º)
 - IDH (2010) 0,673 (19º) – médio [7]
Fuso horário UTC−03:00 no território continental e UTC−02:00 nas ilhas de Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo
Clima tropical atlântico, semiárido e mesotérmico[8] As', Bshw, BShw', Cs'a, Cw'a, BShs'
Cód. ISO 3166-2 BR-PE
Site governamental http://www.pe.gov.br/

Mapa de Pernambuco

Pernambuco é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado no centro-leste da região Nordeste e tem como limites os estados da Paraíba (N), do Ceará (NO), de Alagoas (SE), da Bahia (S) e do Piauí (O), além de ser banhado pelo oceano Atlântico (L). Ocupa uma área de 98 148,323 km² (pouco maior que Portugal). Também fazem parte do seu território os arquipélagos de Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo. Sua capital é a cidade do Recife e a sede administrativa é o Palácio do Campo das Princesas. O atual governador é João Lyra Neto (PSB).[9] [10] [11] [12]

Uma das regiões mais antigas da América Portuguesa, Pernambuco foi a mais rica capitania do Brasil Colônia, graças à indústria exportadora de açúcar.[13] O estado teve ativa participação em diversos episódios da história brasileira: foi palco das Batalhas dos Guararapes, combates decisivos na Insurreição Pernambucana e considerados a origem do Exército Brasileiro; e serviu de berço a movimentos de caráter nativista ou de ideais libertários, como a Guerra dos Mascates, a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador e a Revolta Praieira.[14]

Conhecido por sua ativa e rica cultura popular, Pernambuco é berço de várias manifestações tradicionais, como o frevo e o maracatu, bem como detentor de um vasto patrimônio histórico, artístico e arquitetônico, sobretudo no que se refere ao período colonial. Na década de 1990, surgiu em Pernambuco o manguebeat, amálgama do rock, do pop, do rap e do funk com os ritmos locais.

Em Pernambuco nasceram: Mário Schenberg, considerado pelo CBPF o maior físico teórico do Brasil;[15] Paulo Freire, considerado o maior educador do país;[16] José Leite Lopes, o único físico brasileiro detentor do UNESCO Science Prize;[17] Leopoldo Nachbin, considerado o mais representativo matemático da nação;[18] João Cabral de Melo Neto, o único brasileiro galardoado com o Prêmio Neustadt;[19] Nelson Rodrigues, tido como o maior dramaturgo brasileiro;[20] Gilberto Freyre, considerado o maior sociólogo do Brasil;[21] Josué de Castro, o cientista pioneiro no combate à fome no Brasil e no mundo;[22] Paulo Ribenboim, o único matemático brasileiro com verbete biográfico no The MacTutor;[23] Correia Picanço, considerado o Patriarca da Medicina Brasileira;[24] entre muitos outros nomes de grande destaque nacional e internacional. Clarice Lispector, ucraniana naturalizada brasileira, se considerava pernambucana. Nas Artes, pernambucanos notórios como Chico Science, Alceu Valença, Luiz Gonzaga, Bezerra da Silva, Naná Vasconcelos, Lenine, na música; Marco Nanini, Chacrinha, Arlete Salles, Guel Arraes, Aguinaldo Silva, George Moura, nas artes cênicas; Romero Britto, Cícero Dias, Vicente do Rego Monteiro, Francisco Brennand, Aloísio Magalhães, Andree Guittcis, nas artes plásticas e design; dentre diversos outros.[25]

Pernambuco é o sétimo estado mais populoso do Brasil. O seu maior aglomerado urbano é a Região Metropolitana do Recife (RMR), mais populosa região metropolitana do Norte-Nordeste e um dos principais polos industriais do país. Os municípios mais populosos da metrópole pernambucana são Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Paulista e Cabo de Santo Agostinho.[26] No interior do estado, as cidades mais importantes de acordo com os níveis de centralidade são, respectivamente, Caruaru, Petrolina, Garanhuns, Serra Talhada e Arcoverde.[27]

Pernambuco é também o décimo estado mais rico do país; e Recife a cidade com o maior PIB per capita entre as capitais da Região Nordeste.[3] O estado abriga o maior parque tecnológico do Brasil, o Porto Digital, localizado no bairro do Recife Antigo na capital pernambucana; e o maior estaleiro do Hemisfério Sul, o Estaleiro Atlântico Sul, situado no Complexo Industrial de Suape, Região Metropolitana do Recife. Em Pernambuco nasceram nomes de destaque da indústria brasileira, como Norberto Odebrecht, José Ermírio de Morais, Edson Mororó Moura, Antônio de Queiroz Galvão, entre outros. O nível de desenvolvimento social pernambucano é superior ao dos países menos avançados, mas ainda está abaixo da média brasileira. Não obstante, Pernambuco detém o melhor serviço de coleta de esgoto do Norte, Nordeste e Sul brasileiro segundo o IBGE, e o quinto maior número de médicos por grupo de mil habitantes do Brasil segundo o CFM, além de apresentar a segunda melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste segundo o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal.[28] [29] [30]

O estado possui a alcunha de ''Leão do Norte'', expressão que se origina na figura de armas do antigo Capitão-donátario da Capitania de Pernambuco Duarte Coelho, em alusão à coragem e ao espirito combativo do povo pernambucano.[31] O termo é atualmente simbolizado tanto no brasão do estado quanto na bandeira da cidade do Recife. Também foi inspiração para a canção de mesmo nome do compositor pernambucano Lenine.[32]

Pernambuco é representado na bandeira do Brasil pela estrela Mµ de Escorpião.[33]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem do nome Pernambuco é controversa. Alguns estudiosos afirmam que vem do nome tupi: pa'ra'nã = "mar" mais buka = ("furo de mar"), referência dada aos índios no canal de Santa Cruz que cerca a toda a Ilha de Itamaracá.[34] Segundo outros afirmam, era a denominação nas línguas indígenas locais da época do descobrimento para o pau-brasil. Pode se originar, ainda, da palavra tupi paranãbuku, que significa "mar comprido", através da junção dos termos paranã ("mar") e puku ("comprido, alto").[35]

Bento Teixeira, em seu poema Prosopopeia publicado em 1601, escreveu uma estrofe no qual conta o significado da palavra Pernambuco:

"Em o meio desta obra alpestre, e dura,
Uma bôca rompeu o Mar inchado,
Que na língua dos bárbaros escura,
Paranambuco, de todos é chamado.
De Parana que é Mar, Puca - rotura,
Feita com fúria dêsse Mar salgado,
Que sem no derivar, cometer míngua,
Cova do Mar se chama em nossa língua."[36]

Os habitantes naturais do estado do Pernambuco são denominados pernambucanos.[37]

História[editar | editar código-fonte]

Período pré-colonial[editar | editar código-fonte]

Pré-História
O Parque Nacional do Catimbau, localizado no sertão/agreste de Pernambuco, possui sítios arqueológicos e registros de pinturas rupestres datados de pelo menos 6.000 anos.

O Nordeste brasileiro concentra alguns dos mais antigos sítios arqueológicos conhecidos do país, com datação superior a 40 000 anos antes do presente.[38] Na região que hoje corresponde ao estado de Pernambuco, foram identificados vestígios seguros de ocupação humana superiores a 11 000 anos, nas regiões de Chã do Caboclo, em Bom Jardim, e Furna do Estrago, em Brejo da Madre de Deus. Nesta última região, foi descoberta uma importante necrópole pré-histórica, com 125 metros quadrados de área coberta, de onde foram resgatados 83 esqueletos humanos em bom estado de conservação.[39] [40] [41]

Dentre os grupos indígenas que habitaram o estado, identificou-se a tradição cultural Itaparica, responsável pela confecção de artefatos líticos lascados há mais de 6 000 anos.[42] No Agreste pernambucano, conservam-se pinturas rupestres com data aproximada de 2 000 anos antes do presente, atribuídas à subtradição denominada Cariris velhos.[43] Na época da colonização portuguesa, habitavam o litoral pernambucano os Tabajaras e os Caetés, já desaparecidos. Nos brejos interioranos do estado ainda é possível encontrar grupos indígenas remanescentes das antigas tradições, como os Pankararu (em Tacaratu) e os Atikum (em Floresta).[44]

Descobrimento pré-cabralino do Brasil
Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco, possível local do descobrimento pré-cabralino do Brasil por Vicente Yáñez Pinzón no dia 26 de janeiro de 1500, 86 dias antes da chegada de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro.[45]

Há algumas teorias sobre quem foi o primeiro europeu a chegar nas terras que hoje formam o Brasil. A mais aceita defende que foi o espanhol Vicente Yáñez Pinzón no dia 26 de janeiro de 1500, possivelmente no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco.[46] [47] [48]

O local avistado por Pinzón sempre foi cercado de controvérsias. Para alguns pesquisadores portugueses, como Duarte Leite, os espanhóis teriam desembarcado ao norte do Cabo Orange, na atual Guiana Francesa. Mas para seus rivais castelhanos - que se basearam no depoimento do próprio Pinzón -, o desembarque se deu no Cabo de Santo Agostinho, 86 dias antes da chegada de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro. Uma polêmica judicial se seguiu à viagem de Pinzón, chamada Probanzas del Fiscal - um pleito movido por Diego Colombo, filho de Cristóvão Colombo, contra a Coroa de Castela para assegurar os direitos do pai. Todos os navegadores que participaram da primeira viagem de Colombo foram ouvidos em audiências que se realizaram entre 1512 e 1515 na Ilha de São Domingos e em Sevilha. No seu depoimento, Pinzón afirmou ter aportado no Cabo de Santo Agostinho, mas para Eduardo Bueno (2006), ele "provavelmente se equivocou, ou mentiu". Bueno acompanha a tese do capitão-de-mar-e-guerra Max Justo Guedes, que defendeu, no artigo "As Primeiras Expedições de Reconhecimento da Costa Brasileira" (1975)[49] , que o local seria a atual Ponta do Mucuripe, 10 km ao sul da cidade brasileira de Fortaleza, apoiando-se também no importante mapa de Juan de la Cosa, de 1501. Outras possibilidades também já foram aventadas, como o Cabo de São Roque, no Rio Grande do Norte e Ponta do Seixas na Paraíba.

Período colonial[editar | editar código-fonte]

Os primeiros anos
Olinda foi a primeira capital administrativa de Pernambuco. Na foto, o Centro Histórico de Olinda, Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.

Em 1501, ano seguinte ao da chegada dos portugueses ao Brasil, o território de Pernambuco, definido pelo Tratado de Tordesilhas como região pertencente à América portuguesa, é explorado pela expedição de Gaspar de Lemos, que teria criado feitorias ao longo da costa da colônia, inclusive, possivelmente, na atual localidade de Igarassu, cuja defesa seria futuramente confiada a Cristóvão Jacques.

Convento de São Francisco, convento franciscano mais antigo do Brasil, localizado em Olinda.

O povoamento efetivo de Pernambuco, entretanto, inicia-se em 1534, quando a colônia portuguesa é dividida em capitanias hereditárias. O território do atual estado de Pernambuco equivale a parte da Capitania de Pernambuco, doada a Duarte Coelho, e parte da Capitania de Itamaracá, doada a Pero Lopes de Sousa. Estendia-se por 60 léguas entre o rio Igaraçu e o rio São Francisco.

Em 1535, Duarte Coelho tomou posse da capitania, a princípio batizada de "Nova Lusitânia", mas que pouco tempo depois recebeu a denominação que mantém até hoje. Em 1537, os povoados de Igarassu e Olinda, estabelecidos em 1535, junto com chegada do donatário, foram elevados a vila.

A Capitania de Pernambuco abrangia os atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e a porção ocidental da Bahia. Pernambuco foi a capitania mais rica do Brasil Colônia.

Olinda recebeu o status de capital administrativa e seu porto, habitado por pescadores, daria origem à cidade de Recife. As vilas de Igarassu e Olinda, entre os primeiros núcleos de povoamento do Brasil, serviram de ponto de partida de expedições desbravadoras do interior da capitania. Uma dessas expedições, chefiada pelo filho do donatário, Jorge de Albuquerque, penetrou o sertão até o rio São Francisco, assegurando o domínio e expansão do interior do território e combatendo os índios hostis.

Duarte Coelho, por sua vez, tratou de instalar em Pernambuco os primeiros engenhos de açúcar da colônia, incentivando também o plantio do algodão.

Em pouco tempo, a Capitania de Pernambuco se tornou a principal produtora de açúcar da colônia portuguesa. Consequentemente, era também a mais próspera e influente das capitanias hereditárias.

Surge em Pernambuco o protótipo da sociedade açucareira dos grandes latifundiários da cana-de-açúcar, que perdurará de forma majoritária nos dois séculos seguintes. O cultivo da cana-de-açúcar adaptou-se facilmente ao clima pernambucano e ao solo massapê. A maior proximidade geográfica de Portugal, barateando o custo do transporte, a abundância do pau-brasil, o cultivo do algodão e os grandes investimentos feitos pelo donatário na fundação de vilas e na pacificação dos índios são outros fatores que ajudam a explicar o progresso da capitania. Tal prosperidade, entretanto, transformou a capitania em um ponto cobiçado por piratas europeus. Já em 1595, o corsário inglês James Lancaster tomou de assalto o porto de Recife e passou a saquear as riquezas transportadas do interior. Partiu um mês depois, levando as pilhagens em quinze embarcações.

Nos anos finais do século XVI foi escrito "Prosopopeia", considerado o primeiro poema da literatura brasileira. O autor foi Bento Teixeira e conta em estilo épico, inspirado em Camões, as façanhas da família Albuquerque, tendo sido dedicado ao então governador de Pernambuco, Jorge de Albuquerque Coelho. A obra foi publicada em Lisboa, em 1601.[36]

No início do século XVII, a Capitania de Pernambuco atingiu o posto de maior e mais rica área de produção de açúcar do mundo.[50]

Invasão holandesa (1630-1654)[editar | editar código-fonte]

Gravura neerlandesa mostrando o cerco a Olinda em 1630. Os holandeses saquearam e queimaram diversas construções em Olinda, inclusive as igrejas.[51]

Em 1630, a capitania foi invadida pela Companhia das Índias Ocidentais. Por ocasião da União Ibérica (1580 a 1640) a então chamada República Holandesa, antes dominados pela Espanha tendo depois conseguido sua independência através da força, veem em Pernambuco a oportunidade para impor um duro golpe na Espanha, ao mesmo tempo em que tirariam o prejuízo do fracasso na Bahia, uma vez que Pernambuco era o principal centro produtivo da colônia.

Em 26 de dezembro de 1629 partia de São Vicente, Cabo Verde, uma esquadra com 66 embarcações e 7.280 homens em direção a Pernambuco. Os holandeses, desembarcando na praia de Pau Amarelo, conquistam a capitania de Pernambuco em fevereiro de 1630 e estabelecem a colônia Nova Holanda. À frágil resistência portuguesa na passagem do Rio Doce, invadiu sem grandes contratempos Olinda e derrotou a pequena, porém aguerrida, guarnição do forte (que depois passaria a ser chamado de Brum), porta de entrada para o Recife através do istmo que ligava as duas cidades.

O conde Maurício de Nassau desembarcou na Nieuw Holland, a Nova Holanda, em 1637, acompanhado por uma equipe de arquitetos e engenheiros. Nesse ponto começa a construção de Mauritsstad (atual Recife), que foi dotada de pontes, diques e canais para vencer as condições geográficas locais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da nova cidade e de edifícios como o palácio de Freeburg, sede do poder de Nassau na Nova Holanda, e do prédio do observatório astronômico, tido como o primeiro do Novo Mundo. Em 28 de fevereiro de 1644 o Recife (atualmente o Bairro do Recife) foi ligado à Cidade Maurícia com a construção da primeira ponte da América Latina. Durante o governo de Nassau, Recife foi considerada a mais cosmopolita cidade das Américas, e tinha a maior comunidade judaica de todo o continente, que construiu, à época, a primeira sinagoga do Novo Mundo, a Kahal Zur Israel, bem como a segunda, a Maguen Abraham.[52] [53] No Palácio de Friburgo, sede do poder de Nassau na Nova Holanda, foi construído o primeiro observatório astronômico do Continente Americano.[54] [55]

Recife foi a mais cosmopolita cidade das Américas durante o governo do conde alemão (a serviço da coroa holandesa) Maurício de Nassau.[56]

Por diversos motivos, sendo um dos mais importantes a exoneração de Maurício de Nassau do governo da capitania pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o povo de Pernambuco se rebelou contra o governo, juntando-se à fraca resistência ainda existente, num movimento denominado Insurreição Pernambucana.

A Kahal Zur Israel, no Recife, foi a primeira sinagoga das Américas.[57]

Com a chegada gradativa de reforços portugueses, os holandeses por fim foram expulsos em 1654, na segunda Batalha dos Guararapes. Foi nesta ocasião que se diz ter nascido o Exército brasileiro.

Com a colônia holandesa tomada pelos portugueses, os judeus receberam um prazo de três meses para partir ou se converter ao catolicismo. Com medo da fogueira da Inquisição, quase todos venderam o que tinham e deixaram o Recife em 16 navios. Parte da comunidade judaica expulsa de Pernambuco fugiu para Amsterdã, e outra parte se estabeleceu em Nova York. Através deste último grupo a Ilha de Manhattan, atual centro financeiro dos Estados Unidos, conheceu grande desenvolvimento econômico; e descendentes de judeus egressos do Recife tiveram participação ativa na história estadunidense: Gershom Mendes Seixas, aliado de George Washington na Guerra de Independência dos Estados Unidos; seu filho Benjamin Mendes Seixas, fundador da Bolsa de Valores de Nova York; Benjamin Cardozo, juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos ligado a Franklin Roosevelt; entre outros.[58] [59] [60]

Após a expulsão holandesa, o estado passou a declinar junto com restante do Nordeste, devido à transferência do centro político-econômico para o Sudeste, o que resultou em conflitos como a Revolução Pernambucana e a Confederação do Equador, movimentos separatistas pernambucanos.

A qualidade do açúcar refinado holandês, agora produzido nas Antilhas, superior ao mascavo brasileiro, também ajudou a acelerar a decadência do estado, que era baseado nos latifúndios de cultivo de cana-de-açúcar. Buscando novos meios de renda, aumenta o comércio no estado gradativamente. Este efeito foi estopim de revoltas como a Guerra dos Mascates.

Insurreição Pernambucana (1645-1654)[editar | editar código-fonte]

As Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos na Insurreição Pernambucana, são consideradas a origem do Exército Brasileiro.

Em 15 de maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, 18 líderes insurretos pernambucanos assinaram compromisso para lutar contra o domínio holandês na capitania. Com o acordo assinado, começa o contra-ataque à invasão holandesa. A primeira vitória importante dos insurretos se deu no Monte das Tabocas, (hoje localizada no município de Vitória de Santo Antão) onde 1200 insurretos mazombos armados de armas de fogo, foices, paus e flechas derrotaram numa emboscada 1900 holandeses bem armados e bem treinados.

O imponente Palácio de Friburgo (1642), local de residência e de despachos de Maurício de Nassau, foi demolido no século XVIII após sucessivas tentativas de recuperação dos danos causados à edificação durante a Insurreição Pernambucana.[54]

O sucesso deu ao líder Antônio Dias Cardoso o apelido de Mestre das Emboscadas. Os holandeses que sobreviveram seguiram para Casa Forte, sendo novamente derrotado pela aliança dos mazombos, índios nativos e escravos negros. Recuaram novamente para as casas-forte em Cabo de Santo Agostinho, Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Porto Calvo e Forte Maurício, sendo sucessivamente derrotados pelos insurretos.

Por fim, Olinda foi recuperada pelos rebeldes.

Cercados e isolados pelos rebeldes numa faixa que ficou conhecida como Nova Holanda, indo do Recife a Itamaracá, os invasores começaram a sofrer com a falta de alimentos, o que os levou a atacar plantações de mandioca nas vilas de São Lourenço, Catuma e Tejucupapo.

Em 24 de abril de 1646, ocorreu a famosa Batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas armadas de utensílios agrícolas e armas leves expulsaram os invasores holandeses, humilhando-os definitivamente. Esse fato histórico consolidou-se como a primeira importante participação militar da mulher na defesa do território brasileiro.

Devido a Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa, a República Holandesa não pôde auxiliar os holandeses no Brasil. Com o fim da guerra contra os ingleses, a República Holandesa exige a devolução da colônia em maio de 1654. Sob ameaça de uma nova invasão do Nordeste brasileiro, Portugal cede à exigência dos holandeses que Portugal pague 4 milhões cruzados para República Holandesa entre um período de 16 anos. Porém, em 6 de agosto de 1661 a República Holandesa cede formalmente o Nordeste brasileiro à Portugal através da Paz de Haia.

Quilombo dos Palmares[editar | editar código-fonte]

Zumbi dos Palmares, nascido na então Capitania de Pernambuco, é considerado o maior herói negro do Brasil. Após a destruição do Quilombo de Palmares, Zumbi foi decapitado e sua cabeça exposta em praça pública no Recife. A data de sua morte foi adotada como o Dia da Consciência Negra.

O Quilombo dos Palmares foi um quilombo da era colonial brasileira. Localizava-se na então Capitania de Pernambuco, na serra da Barriga, região hoje pertencente ao município alagoano de União dos Palmares.[61]

Palmares foi o maior dos quilombos do período colonial. Em 1602, já há relatos de sua existência e de envio de expedições pelo governador-geral da Capitania de Pernambuco para pôr fim ao aldeamento. Chegou a abranger uma área de 150 quilômetros de comprimento e 50 quilômetros de largura, situada na Capitania de Pernambuco, entre os atuais estados de Alagoas e Pernambuco, numa região de palmeiras (daí o seu nome).

Sua população teria alcançado um número estimado entre 6 mil e 20 mil pessoas. Tanto pelas proporções como pela resistência prolongada, tornou-se o símbolo da rebeldia escrava. O movimento de fuga dos escravos para a mata vinha de longe, mas a invasão holandesa em Pernambuco constituiu para eles a grande oportunidade. Por quase 70 anos os negros fugitivos viveram com tranqüilidade, podendo instalar em Palmares um tipo de estado africano, baseado na pequena propriedade e na policultura. Com o fim do domínio holandês em Pernambuco, o quilombo passou a sofrer ataques dos fazendeiros e das autoridades, que viam nele uma ameaça. Enquanto existiu, Palmares atraiu os escravos para a fuga. A resistência dos negros durou muitos anos e a existência do quilombo prolongou-se por quase um século, tendo-se destacado entre seus líderes o rei Ganga Zumba e seu sucessor, Zumbi.

Movimentos nativistas e separatistas durante o Período Colonial[editar | editar código-fonte]

Conjuração de "Nosso Pai" (1666)[editar | editar código-fonte]
Porto do Recife, no século XVII, foco da revolta de "Nosso Pai".

A Capitania de Pernambuco lutava por reconstruir suas duas principais cidades - Recife e Olinda - destruídas com as lutas contra os invasores holandeses.

Os senhores de engenho, radicados em Olinda e com reservas quanto ao porto do Recife, acreditavam merecer maiores reconhecimentos da Coroa Portuguesa, pelo contributo na expulsão dos flamengos.

Portugal, entretanto, mandou para governar a Capitania Jerônimo de Mendonça Furtado, um estranho, contrariando assim os interesses de muitos pernambucanos, que se julgavam merecedores de ocupar a função, e não um estrangeiro.

Mendonça Furtado era apelidado pejorativamente de Xumberga (ou, nalgumas outras versões, Xumbregas) - referência ao general alemão Von Schomberg, mercenário que lutara na Guerra da Restauração, por ter um bigode semelhante ao dele.

Decoração barroca da Capela Dourada, na atual capital pernambucana, Recife.

O estopim do movimento, que culminou com a prisão e deposição do Governador, foi a estada, no porto do Recife, de uma esquadra francesa, que por ordem da Corte, foram bem tratados. Os insurgentes fizeram divulgar a notícia de que o governador estaria a serviço dos estrangeiros, que preparavam um ataque à província, e seu consequente saque.[62]

Guerra dos Mascates (1710-1711)[editar | editar código-fonte]

Após a invasão holandesa, muitos comerciantes vindos de Portugal - chamados pejorativamente de "mascates" - estabelecem-se no Recife, trazendo prosperidade à vila. O desenvolvimento do Recife foi visto com desconfiança pelos olindenses, em grande parte formada por senhores de engenho em dificuldades econômicas. O conflito de interesses políticos e econômicos entre a nobreza açucareira pernambucana e os novos burgueses deu origem à Guerra dos Mascates, durante a qual o Recife foi palco de combates e cercos.[63] [64] [65] [66]

A Guerra dos Mascates é considerada como um movimento nativista, precursor da Independência do Brasil, pela historiografia em História do Brasil.

Conspiração dos Suaçunas (1801)[editar | editar código-fonte]

A Conspiração dos Suaçunas, também conhecida por sua grafia arcaica – Conspiração dos Suassunas[67] –, foi um projeto de revolta que se registrou em Olinda no alvorecer do século XIX.

A atual Praça da República já teve várias denominações. Durante a Revolução de 1817 era conhecida como Campo da Honra.

Influenciada pelas idéias do Iluminismo e pela Revolução Francesa (1789), algumas pessoas, entre as quais Manuel Arruda Câmara - membro da Sociedade Literária do Rio de Janeiro -, em 1796, fundaram a primeira loja maçônica do Brasil, Areópago de Itambé, localizada no município pernambucano de Itambé, da qual não participavam europeus.

As mesmas idéias também eram discutidas por padres e alunos do Seminário de Olinda, fundado pelo bispo dom José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho em 16 de fevereiro de 1800. Esta instituição teve, entre os seus membros, o padre Miguel Joaquim de Almeida Castro (padre Miguelinho), um dos futuros implicados na revolução pernambucana de 1817.

Revolução Pernambucana (1817)[editar | editar código-fonte]

A chamada Revolução Pernambucana, também conhecida como "Revolução dos Padres", eclodiu em 6 de março de 1817 na então Província de Pernambuco.

A bandeira da Revolução Pernambucana de 1817, cujas estrelas representam Pernambuco, Paraíba e Ceará, inspirou a atual bandeira de Pernambuco.

Dentre as suas causas destacam-se a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e a influência das idéias Iluministas, propagadas pelas sociedades maçônicas.

O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo.

O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.

A repercussão da Revolução Pernambucana contribuiu para facilitar o processo de emancipação de Alagoas, que logrou obter autonomia pelo Decreto de 16 de setembro de 1817. O desmembramento da Comarca de Alagoas da jurisdição de Pernambuco foi sancionado por D. João VI.

Brasil imperial[editar | editar código-fonte]

A Capitania de Pernambuco tinha sido, até meados do século XVIII, o mais importante núcleo econômico do Brasil.[13] No século XIX, a Província de Pernambuco era ainda uma das mais importantes do Império, mantendo a primazia em relação às vizinhas províncias do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe; e sua capital, Recife, só perdia em importância política e econômica para o Rio de Janeiro.[68] Todavia, a economia da província é afetada pela decadência do açúcar e do algodão. A estrutura agrária herdada do período colonial se mantém baseada no latifúndio e um pequeno número de famílias proprietárias controlava a maior parte das terras. Nabuco de Araújo afirmava: "Enumerai os engenhos da província e vos damos fiança de que um terço deles pertencem aos Cavalcanti.".[69]

Movimentos separatistas durante o Período Imperial[editar | editar código-fonte]

Confederação do Equador (1824)[editar | editar código-fonte]

A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista (ou autonomista) e republicano ocorrido em Pernambuco. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçada na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.

O conflito possui raízes em movimentos anteriores na região: a Guerra dos Mascates e a Revolução Pernambucana, esta última de caráter republicano.

O centro irradiador e a liderança da revolta couberam à província de Pernambuco, que já se rebelara em 1817 e enfrentava dificuldades econômicas. Além da crise, a província se ressentia ao pagar elevadas taxas para o Império, que as justificava como necessárias para levar adiante as guerras provinciais pós-independência (algumas províncias resistiam à separação de Portugal).

Exército Imperial do Brasil ataca as forças confederadas no Recife, 1824.

Pernambuco esperava que a primeira Constituição do Império seria do tipo federalista, e daria autonomia para as províncias resolverem suas questões.

Como punição a Pernambuco, D. Pedro I determinou, através de decreto de 07/07/1825, o desligamento do extenso território da Comarca do Rio São Francisco (atual Oeste Baiano), passando-o, inicialmente, para Minas Gerais e, depois, para a Bahia.

Revolta Praieira (1848-1850)[editar | editar código-fonte]

A Revolta Praieira, também denominada como "Insurreição Praieira", "Revolução Praieira" ou simplesmente "Praieira", foi um movimento de caráter liberal e separatista que eclodiu, durante o Segundo Reinado, na província de Pernambuco, entre 1848 e 1850.

A Última das revoltas provinciais está ligada às lutas político-partidárias que marcaram o Período Regencial e o início do Segundo Reinado. Sua derrota representou uma demonstração de força do governo de D. Pedro II (1840-1889).

Geografia[editar | editar código-fonte]

Pernambuco
Ficha técnica
Área 98 148,323 km²
Relevo planície litorânea sedimentar limitada pelo Planalto da Borborema, que termina com a Depressão Sertaneja.
Ponto mais elevado Pico do Papagaio, no município de Triunfo (1.260 m).
Rios principais São Francisco, Capibaribe, Ipojuca, Una, Pajeú.
Vegetação mangues e mata Atlântica no litoral, caatinga no Agreste e Sertão.
Clima tropical no litoral, semi-árido e mesotérmico no Agreste e Sertão.
Municípios mais populosos Recife (1.536.934)
Jaboatão dos Guararapes (644.699)
Olinda (375.559)
Caruaru (314.951)
Paulista (300.611)
Petrolina (294.081)
Cabo de Santo Agostinho (185.123)
Camaragibe (144.506)
Vitória de Santo Antão (130.540)
Garanhuns (129.392)
São Lourenço da Mata (102.956)
Igarassu (101.987)
Hora local UTC-3
Gentílico pernambucano

Pernambuco é um dos menores estados do país. Apesar disso, possui paisagens variadas: serras, planaltos, brejos, semi-aridez no sertão e diversificadas praias na costa. O estado tem altitude crescente do litoral ao sertão. As planícies litorâneas têm altitude de até 200 m, apresentando relevo peneplano (mamelonar), e alguns pontos do planalto da Borborema ultrapassam os 1.000 m de altitude. Na margem oeste da mesorregião Agreste, há a Depressão Sertaneja, uma depressão relativa com altitude média de 400 m que se estende até a margem oriental da Chapada do Araripe.

Praia dos Carneiros, em Tamandaré, litoral sul de Pernambuco.

Faz divisa com Paraíba e Ceará ao norte, Alagoas e Bahia ao sul, Piauí ao oeste e o oceano Atlântico ao leste. Tem 187 km de costa, excluindo a costa do arquipélago de Fernando de Noronha.

Mais da metade do estado é localizado no Sertão, exclusivamente no oeste e região central do estado. É um lugar onde há escassez de chuvas, e o clima é semi-desértico (semi-árido), devido à retenção de parte das precipitações pluviais no Planalto da Borborema e correntes de ar seco provenientes do sul da África. Está no domínio da caatinga, com período chuvoso restrito a cerca de quatro meses do ano, sendo que em anos periódicos as chuvas podem ficar abaixo da média ou até mesmo acima da média. As médias de precipitações pluviométricas variam entre 600 mm e 800 mm sendo que em trechos da região, podem ser menor que 500 mm, mas também podem se aproximar de 1.000 mm, como em áreas do alto pajeú e chapada do arapipe. No Agreste as precipitações são entre 600 mm e 900 mm, principalmente em áreas consideradas como Brejos de Altitude. A Zona da Mata do estado tem precipitações médias entre 1.500 e 2.000 mm anuais.[70]

Geologia e relevo[editar | editar código-fonte]

Relevo acidentado em Gravatá, agreste, comum em boa parte do interior pernambucano. Alguns pontos do estado ultrapassam os 1.200 m.[71]

O relevo é moderado: 76% do território estão abaixo dos 600 m. É formado basicamente por três unidades geoambientais: Baixada litorânea, Planalto da Borborema e Depressão Sertaneja.

O litoral é uma grande planície sedimentar, quase que em sua totalidade ao nível do mar, tendo alguns pontos abaixo do nível do mar. Nessas planícies estão as principais cidades do estado, como Recife e Jaboatão dos Guararapes.

A altitude aumenta conforme aumenta a distância da costa.

A Zona da Mata é marcada por formações onduladas ou melonizadas, características denominadas pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines e consagrada pelo geógrafo brasileiro Aziz Ab'Saber, como domínio de "Mares-de-Morros", expressão para designar o relevo das colinas.

Imagem de satélite do relevo de Pernambuco.

O Planalto da Borborema, principal formação geológica na faixa de transição da Zona da Mata para o Agreste, é conhecido popularmente como Serra das Russas, e tem altitude média de 600 m. Há picos com mais de 1.000 m de altitude, como é o caso do Pico da Boa Vista, com 1.196 metros.

No município de Triunfo, situado no Sertão, localiza-se o Pico do Papagaio, com 1.260 metros, ponto culminante do Estado de Pernambuco.

Baixada Litorânea

Distinguem-se, de leste para oeste: praias protegidas pelos recifes; uma faixa de tabuleiros areníticos, com 40 a 60 m de altura; e a faixa de terrenos cristalinos talhados em colinas, que se alteiam suavemente para oeste até alcançarem 200 m no sopé da escarpa da Borborema. Tanto a faixa de tabuleiros como a de colinas são cortadas transversalmente por vales largos onde se abrigam amplas várzeas, chamadas planícies aluviais.

Fortes contrastes observam-se entre os solos pobres dos tabuleiros e os solos mais ricos das colinas e várzeas. Nos dois últimos repousa a aptidão do litoral pernambucano para o cultivo da cana-de-açúcar, base de sua economia agrícola.

Vista parcial da serra que deu origem ao nome da cidade sertaneja de Serra Talhada.
Planalto da Borborema

Seu rebordo oriental, escarpado, domina a baixada litorânea com um desnível de 300 m, o que lhe confere ao topo uma altitude de 500 m. Para o interior, o planalto ainda se alteia mais e alcança média de 800 m em seu centro, donde passa a baixar até atingir 600 m junto ao rebordo ocidental. Diferem consideravelmente as topografias da porção oriental e da porção ocidental. A leste, erguem-se sobre a superfície do planalto cristas de leste para oeste, separadas por vales, que configuram parcos relevos de 300 m. Aproximadamente no centro-sul do planalto eleva-se o maciço dômico de Garanhuns, que supera a altitude de 1.000 m.

Depressão sertaneja

No Sertão as cotas altimétricas decrescem em direção ao Rio São Francisco, formando, em relação ao Planalto da Borborema, uma área de depressão relativa. As formações geomorfológicas predominantes são os inselbergues, serras e chapadas, estas últimas aparecendo em áreas sedimentares. A Chapada do Araripe tem altitude média de 800 m.[72]

Clima[editar | editar código-fonte]

Garanhuns, no Agreste de Pernambuco, tem temperatura amena por estar situada na região serrana do Planalto da Borborema. Em razão disso é realizado desde 1991 o Festival de Inverno de Garanhuns, evento de grande porte, anual, que conta com atrações nacionais e internacionais.

No Estado de Pernambuco existem três tipos de clima: o tropical, o semiárido, e o mediterrânico. Suas classificações são as seguintes: As, Bshw, Cs'a, Cw'a e BShs.

O clima Tropical úmido é encontrado no litoral do estado e em parte da Zona da Mata. Este clima é caracterizado pelas altas temperaturas e baixas amplitudes térmicas, com temperatura média anual em torno de 24 °C. As precipitações médias anuais variam de 1.500 mm a 2.500 mm. Entre os meses de março e julho, um fenômeno chamado Onda de Leste leva pesados aguaceiros para o litoral e zona da mata, causando muitos transtornos. As temperaturas variam entre 20 °C e 35 °C no verão, e entre 15 °C e 27 °C no inverno.

Petrolina, Sertão de Pernambuco. No município a temperatura sobe com frequência a 35 °C, podendo ultrapassar os 40 °C nos meses mais quentes.

O clima Semiárido está presente no interior do estado, no sertão e parte do agreste. Este clima é caracterizado por ter baixos índices pluviométricos e com altas temperaturas em boa parte do ano, com temperatura média anual entre 24 °C e 26 °C. A maior quantidade de chuva cai no verão, ao contrário do clima tropical. No verão a temperatura varia entre 17 °C e 42 °C, e no inverno entre 12 °C e 34 °C.

O clima Mediterrânico está presente em poucos municípios do estado. Este clima é caracterizado por altas temperaturas no verão e por baixas no inverno. O período chuvoso está concentrado no inverno. A temperatura média anual varia entre 20 °C e 22 °C. No verão a temperatura varia entre 15 °C e 34 °C, e no inverno entre 8 °C e 25 °C.

As condições meteorológicas no estado também podem ser influenciadas por frentes frias que algumas vezes chegam ao Nordeste, e provocar chuva forte, raios e ventania.[73]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Pernambuco, à época do Brasil Colônia, era o local de maior incidência de pau-brasil (ou "pau-pernambuco"), e de uma qualidade tão superior que regulava o preço no comércio europeu.[74] Em alguns idiomas, como o francês e o italiano, o principal nome da árvore pau-brasil é "pernambuco". Na foto, São Lourenço da Mata, a Capital Nacional do Pau-Brasil.

A cobertura vegetal do estado é composta por vegetação litorânea, floresta tropical, caatinga e cerrado.

A vegetação litorânea predomina nas terras baixas e planícies do litoral, constituída por variados tipos de vegetação. Por ocorrer em áreas alagadiças e salobras, apresenta manguezais, gramíneas e plantas rasteiras.

A floresta tropical, originalmente conhecida como Mata Atlântica, é encontrada apenas na faixa leste do estado, cujas espécies se misturam com a caatinga nas denominadas áreas de tensão ecológica (contatos entre tipos de vegetação), na faixa de transição entre a zona da mata e o agreste. Na Floresta Atlântica, as matas registram a presença de árvores altas, sempre verdes, como a peroba e a sucupira.

O coqueiro é muito comum nas cidades litorâneas de Pernambuco. Na foto, coqueiros no Recife.
Rio Capibaribe em trecho com mata ciliar preservada, na Zona Norte do Recife.

A caatinga, vegetação típica do Sertão, o Agreste apresenta uma vegetação de transição e suas características se misturam com a da Mata Atlântica, na parte mais oriental e com a da Caatinga, na parte mais ocidental. A caatinga pode ser do tipo arbóreo, com espécies como a (baraúna), ou arbustivo representado, entre outras espécies pelo (xique-xique) e o (mandacaru).

O cerrado caracterizam-se por uma vegetação formada por árvores tortuosas, esparsas, intercaladas por um manto inferior de gramíneas. Em Pernambuco, os cerrados surgiram sobre as áreas arenosas dos Tabuleiros do Município de Goiana (hoje praticamente substituído pela cana-de-açúcar) e na Chapada do Araripe. As espécies mais encontradas nos cerrados são o cajueiro, o cajueiro brabo, o murici-do-tabuleiro, o pequizeiro, a mangabeira, entre outras.

É característica do litoral norte suas formações geográficas mais variadas - ilhas fluviais como Itamaracá, diversos rios e suas desembocaduras, bancos de areia, entre outros. A fauna é variada, destacando-se as aves migratórias que periodicamente chegam à ilha Coroa do Avião e Fernando de Noronha. Ambas as ilhas têm estações de pesquisa ambiental.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Cachoeira do Urubu, no município de Primavera.

As grandes bacias hidrográficas de Pernambuco possuem duas vertentes: Faz parte da bacia do Atlântico Nordeste Oriental e da Bacia do rio São Francisco. Os rios que escoam para o rio São Francisco formam os chamados rios interiores, cujo todos os rios nascem em municípios limítrofes na divisa de estados da Região nordeste, os rios que escoam para o Oceano Atlântico, constituem os chamados rios litorâneos, fazem parte da bacia hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental, cujo quase todos nascem no planalto da borborema.[75]

Os três maiores reservatórios de água de Pernambuco são: Reservatório Eng. Francisco Sabóia em Ibimirim no sertão, na bacia hidrográfica do rio Moxotó, o Reservatório de Jucazinho, localizado na mesorregião Agreste, próximo ao município de Surubim, na bacia do rio capibaribe, e a represa de Itaparica, inserida sobre o rio São Francisco, mediante o represamento das águas do Rio São Francisco, com vistas ao aproveitamento hidroelétrico do rio através da Usina Hidrelétrica de Itaparica, sendo uma das maiores usinas hidrelétricas do Brasil, além desses, existe um conjunto de reservatórios distribuídos por todo o estado.

Bacia do Pina, Recife.

Na Região Metropolitana do Recife há poucos lagos e reservatórios, destaque para os reservatórios de Tapacurá e Pirapama. Na periferia do município do Recife encontram-se dois belos cartões postais do município, a Lagoa do Araçá de Apipucos e a da Prata, sendo o último pertencente ao Parque Dois Irmãos. Os manguezais são abundantes em todo o litoral, porém foram praticamente extintos na RMR devido à urbanização (com a exceção do maior mangue urbano do Brasil, cercado por bairros da zona sul do município do Recife, como Boa Viagem). Porém, nos anos 90, houve um programa de re-implantação do mangue nas margens do Rio Capibaribe, desenvolvido pela prefeitura do Recife, trazendo de volta a vegetação ao rio por todo o município.

Rio São Francisco, Capibaribe, Ipojuca, Una, Pajeú e Jaboatão são os rios principais. O São Francisco é de importância vital para o interior do estado, principalmente para distribuição de umidade através de irrigação. Veja lista de rios de Pernambuco

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Fernando de Noronha, arquipélago pernambucano declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

Em Pernambuco, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade administra 11 unidades de conservação: dois parques nacionais, uma estação ecológica, uma floresta nacional, três áreas de proteção ambiental, uma reserva extrativista e três reservas biológicas.[76] A lei estadual 13.787/09, de 8 de junho de 2009, instituiu o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC), sob o qual o estado mantém 66 Unidades de Conservação Estaduais, das quais 25 são de Proteção Integral e 41 de Uso Sustentável.

Reserva Biológica de Saltinho, em Tamandaré.

Vinte e uma das unidades estaduais pertencem às categorias descritas pelo SEUC; trinta e três aguardam a recategorização e implantação; e treze foram criadas para proteger os estuários pernambucanos.

As unidades de conservação administradas pelo governo brasileiro em Pernambuco são o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (em Fernando de Noronha), o Parque Nacional do Catimbau (em Buíque, Ibimirim, Sertânia e Tupanatinga), a Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha (em Fernando de Noronha), a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais (em Barreiros, Rio Formoso, São José da Coroa Grande e Tamandaré), a Área de Proteção Ambiental Chapada do Araripe (em Araripina, Bodocó, Cedro, Exu, Ipubi, Serrita, Moreilândia e Trindade), a Reserva Extrativista Acaú-Goiana (em Goiana), a Floresta Nacional de Negreiros (em Serrita), a Estação Ecológica de Tapacurá (em São Lourenço da Mata), a Reserva Biológica da Serra Negra (em Floresta, Inajá e Tacaratu), a Reserva Biológica de Pedra Talhada (em Lagoa do ouro) e a Reserva Biológica de Saltinho (em Rio Formoso e Tamandaré).

Demografia[editar | editar código-fonte]

Crescimento populacional
Censo Pop.
1872 841 539
1890 1 030 224 22,4%
1900 1 178 150 14,4%
1920 2 154 835 82,9%
1940 2 688 240 24,8%
1950 3 395 185 26,3%
1960 4 138 289 21,9%
1970 5 253 901 27,0%
1980 6 173 753 17,5%
1991 7 127 855 15,5%
2000 7 911 397 11,0%
2010 8 796 032 11,2%
Fonte: IBGE[77]
Recife é a maior cidade de Pernambuco, e sua região metropolitana o maior aglomerado urbano do Norte-Nordeste.
Recife e, ao fundo, Jaboatão dos Guararapes. Jaboatão é a maior cidade não capital do Norte e Nordeste do país.

Segundo o censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE, em 2010, a população do estado de Pernambuco é de 8 796 032 habitantes, sendo o sétimo estado mais populoso do Brasil, representando 4,7% da população brasileira.[78] Segundo o censo de 2010, 4 230 681 habitantes eram homens e 4 565 767 habitantes eram mulheres.[78] Ainda segundo o mesmo censo, 7 052 210 habitantes viviam na zona urbana e 1 744 238 na zona rural.[78] Em dez anos, o estado registrou uma taxa de crescimento populacional de 11,2%. Em relação ao censo de 2000, a população do estado naquele ano era de 7 911 397 habitantes, onde 6 058 249 habitantes viviam na zona urbana e 1 860 095 na zona rural. Em relação ao ano de 1991, a população foi contada em 7 127 855 habitantes.[78]

O maior aglomerado urbano de Pernambuco é a Região Metropolitana do Recife, que além da capital possui mais 13 municípios. Com 3.688.428 habitantes no ano de 2010, é a 5ª mais populosa região metropolitana do Brasil e a mais populosa do Norte-Nordeste.[79]

A densidade demográfica no estado é de 89,47 hab./km², a sexta maior do Brasil. Esse indicador, entretanto, apresenta contrastes pronunciados de acordo com a região analisada, variando de 1 342,86 hab./km² na Região Metropolitana de Recife, até o valor mínimo de 23,2 hab./km² na Região do São Francisco Pernambucano.[80] O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do estado, considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), era de 0,673 em 2010.[7]

Segundo dados do PNUD 2010, o município com o maior IDH é Fernando de Noronha (na verdade um distrito estadual), com um valor de 0,788; enquanto Manari, situado no extremo Sertão do Moxotó, tem o menor valor (0,487). Recife, a capital, possui um IDH de 0,772.[81] Pernambuco detém o maior percentual de municípios com rede de esgoto do Norte-Nordeste e a maior percentagem de população servida por esgotamento sanitário desta área geográfica segundo o IBGE; o quinto maior número de médicos contratados por mil habitantes do Brasil (11º em número de médicos registrados por mil habitantes) segundo o CFM;[82] além de apresentar a segunda melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste segundo a FIRJAN.

Etnias[editar | editar código-fonte]

Cor/Raça Porcentagem[83]
Brancos 36,6
Negros 5,4
Pardos 57,6
Amarelos e Indígenas 0,3

Segundo dados publicados pelo IBGE, relativos ao ano de 2009, a população de Pernambuco está composta por: Pardos (57,6%); Brancos (36,6%); Pretos (5,4%); e Amarelos e Indígenas (0,3%).[83]

De acordo com um estudo genético de 2013, a composição genética da população de Pernambuco é 56,8% europeia, 27,9% africana e 15,3% ameríndia.[84]

Índios

Há os seguintes grupos indígenas: Fulniô, Xukuru e Kapinawá, que se encontram respectivamente nos municípios de Águas Belas, Pesqueira e Buíque, no agreste do estado; e os Kambiwá, Pankararu, Atikum e Truká, que se encontram respectivamente nos municípios de Ibimirim, Tacaratu, Floresta e Cabrobó, no sertão do estado.[85]

A presença autóctone no estado data de mais 10 mil anos. Pinturas rupestres são encontradas em várias áreas do sertão e agreste do estado, sendo as mais conhecidas as do Vale do Catimbau no município de Buíque, agreste pernambucano.

Segundo dados da (FUNAI), Pernambuco possui cerca de 40 mil índios.[86]

Portugueses

Duarte Coelho trouxe consigo, para sua capitania, em 1535, o cunhado Jerônimo de Albuquerque, alguns nobres, como Vasco Fernandes de Lucena, e personagens de origens não muito claras, como Brites Mendes de Vasconcelos, a velha, um bebê. Logo em seguida vieram membros de famílias de Viana do Castelo, chegados ao Brasil em sucessivas levas, e que foram o núcleo da nobreza da terra pernambucana, todos aparentados entre si, Rego Barros, Regos Barretos, Velhos Barretos, Salgados de Castro, Marinhos Falcões, Barros Pimentéis, Pais Barretos, Carneiros [da Cunha], Bezerras, Albuquerques, Melos. São comerciantes com foros de nobreza e ascendências conhecidas até o século XIV. Interesses comerciais levaram a Pernambuco, também, Filippo Cavalcanti, patriarca da família Cavalcanti, a qual se entrelaçou com as famílias luso-brasileiras, tendo vários ramos, como a família Suassuna.[87] [88]

55,2% dos pernambucanos declaram-se pardos, seguidos por brancos (37,9%). Na foto a cidade de Gravatá, que tem uma das maiores porcentagens de indivíduos de cor branca no estado.[89]

Além do legado genético, arquitetônico, musical e dialectual, Portugal se faz presente, em Pernambuco, com o Clube Português do Recife, o Real Hospital Português de Beneficência, o Gabinete Português de Leitura e o Consulado de Portugal. O surgimento do tradicional hóquei sobre patins em Pernambuco, na década de 1950, por exemplo, é conseqüência da imigração portuguesa.[90]

No sertão do estado, um grupo de 38 famílias portuguesas que vieram do Entre-douro-e-minho em Portugal se estabeleceram nas proximidades da Fazenda Panela D'água de Manoel Lopes Diniz,[91] [92] e de lá se espalharam principalmente pelas microrregiões de Itaparica, Salgueiro e Vale do Pajeú. Entre essas famílias estão: Aguiar, Alencar, Alves, Araújo, Barros, Brito, Brandão, Campos, Carvalho, Coelho, Cruz, Fernandes, Ferraz, Ferreira, Fonseca, Gomes de Sá, Gonçalves, Lima, Lira, Lustosa, Lopes Diniz, Machado, Magalhães, Matos, Melo, Medeiros, Mendonça, Menezes, Miranda, Neves, Nogueira, Novaes, Oliveira, Sá, Sampaio, Silva, Silveira, Soares, Torres e Uchôa. Essas famílias se juntaram à outras que cá vieram para trabalhar na abertura de estradas, construções de açudes e na agricultura: Albuquerque, Belfort, Cantarelli, Caribé, Cavalcanti, Candeia, Freire, Leal, Luz, Marques, Moura, Ramalho, Roriz e Trapiá. Juntas, essas famílias correspondem a quase a totalidade dos habitantes da região.[93]

Porto de Galinhas foi, até a segunda metade do século XIX, porta de entrada de grande número de escravos, vindos em sua maioria de Angola.
Africanos

A Capitania de Pernambuco contou com a presença do negro desde o final do século XVI. Naquele período, os portugueses introduziram a cultura da cana-de-açúcar na região, utilizando-se da mão-de-obra escrava de origem indígena e africana. Os engenhos multiplicaram-se rapidamente e a produção de açúcar tornou-se a principal atividade econômica da colônia. O número de cativos de origem africana também cresceu bastante naquela Capitania. Em 1584, 15 mil escravos labutavam em pelo menos 50 engenhos. Este número subiu para 20 mil escravos em 1600. Já na metade do século XVII a população escrava somava entre 33 e 50 mil pessoas.[94]

Espanhóis e italianos

Nos primórdios da colonização, junto aos portugueses, os espanhóis também se fizeram presentes.[95] No final de 2012, 685 espanhóis tinham registro no Consulado Honorário da Espanha no Recife como radicados na capital pernambucana.[96]

Em Pernambuco também há um número significativo de descendentes de italianos: cerca de 200 mil.[97]

Deutscher Klub Pernambuco, no Recife.
Alemães

Os primeiros registros de alemães datam do século XVII, com a chegada da corte holandesa no Estado, que trouxe alguns alemães. As duas guerras mundiais também impulsionaram a colônia alemã no Recife, que chegou a contar com mais de 1,2 mil imigrantes.[98]

Esta presença alemã pode ser observada no Deutscher Klub Pernambuco, fundado em 1920, e que antes era restrito apenas à colônia alemã e seus descendentes. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Deutscher Klub Pernambuco, que tinha ligação com o Partido Nazista,[99] [100] [101] [102] foi considerado propriedade alemã e sofreu uma desapropriação pelo Governo Federal, sendo reavido à colônia alemã pernambucana com o fim do conflito. A partir de 1960, o clube passou a organizar a sua Oktoberfest, a tradicional festa da cerveja do Sul da Alemanha.[103] Outra Oktoberfest menor é realizada em Olinda, conhecida como Oktoberfest in der Altstadt von Olinda.

Bairro da Boa Vista, Centro do Recife.

Outras instituições que marcam a história alemã no Recife são o Instituto de Cultura Germânica, que era a escola para os filhos de imigrantes alemães e ingleses, e o Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA), centro que difunde a língua e cultura alemãs na cidade, sendo reconhecido pelo Consulado Geral da República Federal da Alemanha no Recife e pelo Instituto Goethe.

A presença alemã no Recife é também responsável pelo fato de o único Consulado-Geral alemão, que tem jurisdição sobre todo o Norte/Nordeste do país, estar na capital pernambucana.[104]

Holandeses
A Ponte Buarque de Macedo, uma das quase 50 pontes da capital pernambucana, é uma das ligações entre o Bairro do Recife e a Ilha de Antônio Vaz.

Os holandeses, apesar de terem quase majoritariamente partido do Estado, deixaram algumas famílias na capital. Gilberto Freyre, uma das maiores figuras públicas da história do Estado, certa vez escreveu: "Sou, aliás, descendente de espanhóis, tendo também sangue nórdico, holandês, português e, na quarta geração de antepassados, sangue ameríndio, e nenhum africano, admitindo ainda possível raiz árabe e judia."[105]

Na época da invasão holandesa – embora a miscigenação não tenha sido oficialmente estimulada – há relatos de muitas uniões interraciais. A ausência de mulheres holandesas estimulou a união e mesmo o casamento de oficiais e colonos holandeses com filhas de abastados senhores de engenho luso-brasileiros[106] e, mais informalmente, destes com índias, negras, caboclas e mulatas locais. Esses colonizadores eram divididos em dois grupos: os Dienaaren ("servidores", sobretudo soldados à serviço da Coroa Holandesa) e os Vrijburghers ("homens livres", os colonos que vieram exercer a função de comerciantes).

Quartel do Derby, antigo Mercado Modelo Coelho Cintra.

Há evidência de que essas uniões deixaram traços genéticos que podem ser vistos na atualidade.[107] Em recente levantamento genômico da população brasileira, observou-se entre os nordestinos um excesso de um haplogrupo comum na Europa (haplogrupo 2) que pode ser derivado das uniões entre holandeses e os luso-brasileiros.[108] No interior de Pernambuco, especialmente no Sertão do Araripe e em comunidades do Agreste, há algumas pessoas loiras de olhos claros que, segundo a tradição, seriam descendentes de holandeses que se esconderam durante a Insurreição Pernambucana.[109] [110] [111] [112]

Ingleses
Na Rua do Bom Jesus funcionava o Town British Club, em cima do London Bank, fundado pelos ingleses. Em 1928 existiam no Recife cinco clubes de origem inglesa.[113]

No começo do século XIX, quando o príncipe regente D. João abriu os portos do país, os ingleses começaram a chegar ao Brasil - em especial, para Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Naquela época, a cidade do Recife possuía aproximadamente 200.000 habitantes, e a colônia inglesa já se apresentava de forma bastante expressiva, com a presença das seguintes firmas, bancos e empresas concessionárias de serviços públicos: a Western Telegraph Company (que possibilitava o contato com o mundo, através do cabo submarino), Pernambuco Tramways and Power Company (que interligava o Recife, com os seus trens, às demais cidades de Pernambuco e do Nordeste), Huascar Purcell, Pernambuco Paper Mills, Western of Brazil Railway Company, Price Waterhouse, Machine Cotton, John A. Thom (negociante de algodão, borracha, açúcar, mamona, cera), Cory & Brothers, Bank of London & South America, London & River Plate Bank, Royal Bank of Canada, Boxwell & Cia. (o maior estabelecimento de enfardamento de algodão), Williams & Cia. (exportadores de açúcar e algodão), Conolly & Cia. (casa de câmbio), Ayres & Son (representante de várias firmas e fabricantes), e White Martins.[114]

Pernambuco recebeu número expressivo de imigrantes europeus entre os séculos XVI e XX. Na foto, o Parque de Esculturas Francisco Brennand, no Porto do Recife.

Já que a colônia inglesa não se fez massivamente presente no resto do Brasil, Recife é uma das poucas cidades brasileiras que tem um cemitério próprio para os imigrantes ingleses e seus descendentes, o Cemitério dos Ingleses. O cemitério encontra-se fechado a maior parte do tempo. Apresenta um portão de ferro datado de 1852 - obra dos ingleses da Fundição d'Aurora - e possui um administrador particular, não remunerado, que é eleito por ingleses e seus descendentes.

Também fazem parte das paisagens recifenses mais antigas os bondes que circulavam pela cidade. Ainda hoje, é possível ver os trilhos em ruas no bairro do Recife Antigo, bairro que ainda preserva um pouco da história da cidade com ruas de pedra e trilhos de bonde, além de prédios antigos onde hoje funcionam cervejarias, bares e cafés. O último bonde inglês a circular no Recife fazia o trajeto Boa Vista - Madalena, e funcionou até março de 1954. O bonde permanece exposto na Fundação Joaquim Nabuco.[115]

Pernambuco abriga a segunda maior comunidade palestina do Brasil. O Mercado de São José (foto), mais antigo mercado público e edifício pré-fabricado em ferro no país, era ponto de encontro da colônia palestina no início do século XX.[68]
Árabes e judeus

O imperador Dom Pedro II, que falava árabe,[116] visitou o Líbano e a Síria em 1876. Em Damasco, capital síria, o imperador escreveu um poema, que enviou ao Visconde de Taunay, onde lia-se: "Damasco dos milênios, berço da civilização, e quem a construiu ajudará a construir o Brasil".[116] O fluxo migratório árabe para o Brasil foi estimulado e intensificado no fim do século XIX. No Recife, uma das marcas dos imigrantes é o Clube Líbano Brasileiro, erguido pela colônia libanesa, no bairro do Pina. O primeiro contato árabe com o Estado, entretanto, se fez com missionários católicos sírios que chegaram a Pernambuco nas caravanas portuguesas.[117] O estado de Pernambuco abriga ainda a segunda maior comunidade palestina do Brasil, concentrada na cidade do Recife, que começou a receber os primeiros imigrantes em 1903. Hoje a comunidade tem cerca de 5 mil pessoas.[68]

Observatório Astronômico do Alto da Sé de Olinda, onde foi realizada a descoberta do Cometa Olinda, primeiro cometa descoberto na América Latina e o único no Brasil.

O judaísmo em Pernambuco está presente desde o século XVI, quando os judeus convertidos ao cristianismo eram considerados cristãos-novos, sendo muitos deles senhores de engenho.[118] Porém, existia a suspeita de prática escondida da religião judaica. Obtiveram liberdade de professar a religião nos tempos de Maurício de Nassau, que logo foi combatida quando os portugueses voltaram ao domínio da economia açucareira. Com isso muitos imigraram para as Antilhas Holandesas ou para Nova Amsterdã, que viria a ser o bairro de Manhattan futuramente. No inicio do século XX, o estado recebeu judeus de origem russa, ucraniana e romena. A imigração eslava levou ao Recife famílias como a de Clarice Lispector, Leôncio Basbaum, Noel Nutels, entre outras.[119] No Recife há hoje uma comunidade de 1,6 mil judeus.[120]

Orientais
Ponte Joaquim Cardoso, sobre o Rio Capibaribe.

O estado tem a terceira maior comunidade nipônica do país, concentrada no Recife, em Bonito e em Petrolina. Alguns vieram do Japão ainda em 1908, outros de São Paulo e do Pará, por falta de espaço no mercado de trabalho, após a segunda Guerra Mundial. Hoje há aproximadamente 25.000 famílias nipônicas no estado.[121]

Os chineses estão presentes desde meados de 1920: uma pequena leva vinda da Guiana inglesa. A partir de 1970 migraram chinenes de Taiwan. Havia cerca de 200 pessoas no fim dos anos 1980. Só na década de 1990 a comunidade começou a ganhar o tamanho que apresenta hoje, com a vinda de chineses da fronteira do Brasil com o Paraguai. Hoje a comunidade chinesa conta com pouco mais de 2 mil pessoas.[122]

Praça do Entroncamento, uma das praças recifenses projetadas pelo renomado paisagista, filho de pernambucana, Burle Marx.[123]
Outras etnias

Houve, em menor escala, imigração de outros povos. Famílias de outros países germânicos além de Inglaterra e Alemanha marcaram presença em Pernambuco. Um exemplo é a influente família Lundgren, de origem sueca e dinamarquesa, que fundou a rede varejista Casas Pernambucanas e, entre outros feitos, construiu a Igreja de Santa Isabel, principal cartão-postal da cidade de Paulista, na Região Metropolitana do Recife.[124] [125] Em pequeno número, encontram-se ainda descendentes russos, tendo o primeiro grupo da Rússia chegado ainda no século XIX, no porto do Recife nos navios Nadejda e Neva. Uma lenda pernambucana, aliás, diz que os passos de frevo teriam sido incorporados à música por influência dos passos da dança folclórica russa quando estes foram convidados pelos recifenses para uma festa. Em escala ainda pequena, existem os descendentes de franceses: as famílias Callou e Belfort, que se estabaleceram na região de Salgueiro, Serrita, Terra Nova e Serra Talhada; e a tradicional família Burle Dubeux, que se estabeleceu na capital do estado.[126]

Religião[editar | editar código-fonte]

A Igreja do Carmo, construída no ano de 1580 em Olinda, é o primeiro templo da Ordem dos Carmelitas nas Américas.[127]

A religião verificável no estado varia entre católicos e evangélicos ao lado de minorias como espíritas, judeus, umbandistas, testemunhas de Jeová e santos dos últimos dias. A maior religião do estado é a católica de acordo com dados do Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dos 8.796.032 habitantes que residiam no estado naquele ano, 66,3% declararam-se católicos (5,8 milhões), 20,3% declararam-se evangélicos (1,7 milhão), e 1,4% declararam-se espíritas (123 mil).[128]

Cardeal Arcoverde, pernambucano, foi o primeiro cardeal da América Latina.[129]
Igreja Católica Romana

Os colégios tradicionais pernambucanos em sua maioria são católicos, como o Colégio Damas da Instrução Cristã, o Colégio Marista São Luís e o Colégio Nóbrega pertencente a congregação dos Jesuítas.[130] [131]

Os templos maiores, mais antigos, mais conhecidos, em maior quantidade e mais visitados pelos turistas são da Igreja Católica, como a Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento de Santo Antônio, a Concatedral de São Pedro dos Clérigos, o Convento e Igreja de Santo Antônio, a Basílica da Penha, a Basílica do Carmo e a Igreja Madre de Deus, o que se trata de um sinal de que o catolicismo romano é a religião mais professada entre os pernambucanos.[132] [133]

Altar-mor da Igreja de São Bento, em madeira de cedro e inteiramente folheado a ouro, situado no Centro Histórico de Olinda.

A Igreja Católica em Pernambuco divide-se administrativamente em uma arquidiocese: a arquidiocese de Olinda e Recife, comandada atualmente pelo arcebispo Dom Antônio Fernando Saburido; e nove dioceses: Afogados da Ingazeira, Caruaru, Floresta, Garanhuns, Nazaré, Palmares, Pesqueira, Petrolina e Salgueiro.[134] [135]

Evangélicos

Pernambuco é a unidade federativa da Região Nordeste com a maior concentração de evangélicos, tanto em números absolutos quanto em termos proporcionais. 20,3% da população do estado, o que corresponde a mais de 1,7 milhão de pernambucanos, se declara protestante de acordo com o Censo 2010 do IBGE, percentual muito superior aos percentuais encontrados nos demais estados nordestinos.

O Templo do Recife foi o segundo templo mórmon construído no Brasil e o 101º no mundo.

Pernambuco possui as mais diversas denominações protestantes, como a Assembleia de Deus, igreja protestante com maior quantidade de fiéis e templos no estado.[136] Outras denominações pentecostais e neopentecostais presentes em Pernambuco são, dentre muitas: Congregação Cristã no Brasil, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja Apostólica Renascer em Cristo, Igreja Mundial do Poder de Deus, Igreja Internacional da Graça de Deus, Igreja do Evangelho Quadrangular, Igreja Episcopal Carismática, Vitória em Cristo e Igreja do Nazareno.

Catedral de Petrolina, construída em estilo neogótico, com vitrais franceses.

Entre as denominações evangélicas tradicionais, possuem templos no estado as igrejas de orientação batista, a Igreja Adventista do Sétimo Dia, a Igreja Presbiteriana, a Luterana, a Anglicana, a Metodista e a Congregacional.

Outras religiões

Entre os cristãos não católicos e não protestantes, destacam-se os Espíritas, os Santos dos Últimos Dias e as Testemunhas de Jeová.

O templo afro-brasileiro mais conhecido é o Terreiro do Pai Adão, no Recife.[137]

Os judeus também estão presentes. Algumas das personalidades judias que moraram na capital pernambucana foram a escritora Clarice Lispector, o filósofo Luiz Felipe Pondé, o engenheiro Mário Schenberg, o paisagista Roberto Burle Marx, entre outros.[138] Os budistas, hinduístas e muçulmanos não possuem revelância na população do estado.

Política[editar | editar código-fonte]

Quadro político[editar | editar código-fonte]

Pernambuco tem forte tradição política. Nas duas últimas décadas: Luiz Inácio Lula da Silva foi Presidente do Brasil (2003 a 2010); Marco Maciel foi Vice-Presidente da República (1995 a 2002); Cristovam Buarque foi um dos três pernambucanos candidatos à Presidência em 2006; e Eduardo Campos, falecido num trágico acidente aéreo de repercussão internacional, foi o candidato do estado à Presidência em 2014.

O estado de Pernambuco é governado por três poderes: o executivo, representado pelo governador; o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa de Pernambuco; e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco.

Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos.[139]

A atual constituição do estado de Pernambuco foi promulgada em 5 de outubro de 1989, acrescida das alterações resultantes de posteriores emendas constitucionais.[140]

O poder executivo pernambucano está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto, pela população para mandatos de até quatro anos de duração, e pode ser reeleito para mais um mandato. Sua sede é o Palácio do Campo das Princesas, construído em 1841 pelo engenheiro Morais Âncora, a mando do governador Francisco do Rego Barros. Várias pessoas já passaram pelo governo do estado, sendo o mais recente deles Eduardo Henrique Accioly Campos, natural de Recife[141] [142] , eleito no primeiro turno das eleições de 2006,[143] e reeleito nas eleições de 2010.[144] Além do governador, há ainda no estado a função de vice-governador, atualmente exercida por João Soares Lyra Neto.[145]

O Poder Legislativo pernambucano é unicameral, constituído pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, localizado no bairro de Boa Vista, na cidade do Recife. Ela é constituída por 49 deputados, que são eleitos a cada quatro anos. No Congresso Nacional, a representação pernambucana é de três senadores e 25 deputados federais.[140]

Protesto de moradores do Recife.

O Poder Judiciário é exercido pelos juízes e possui a capacidade e a prerrogativa de julgar, de acordo com as regras constitucionais e leis criadas pelo poder legislativo em determinado país. Atualmente a presidência é exercida pelo desembargador José Fernandes de Lemos, além de Jovaldo Nunes Gomes como vice e Bartolomeu Bueno de Freitas Morais como corregedor-geral.[146] Representações deste poder estão espalhadas por todo o estado por meio de Comarcas, termo jurídico que designa uma divisão territorial específica, que indica os limites territoriais da competência de um determinado juiz ou Juízo de primeira instância.[147]

Pernambuco tem forte tradição política: muitos políticos destacados nasceram no estado. Nomes como Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Maciel, Jarbas Vasconcelos, Cristovam Buarque, Eduardo Campos, Sérgio Guerra, Fernando Lyra, Roberto Freire, Luciano Bivar, Armando Monteiro Neto, Fernando Bezerra Coelho, Nilo Coelho, Gustavo Krause, Randolfe Rodrigues, Raul Jungmann, entre muitos outros, alcançaram grande projeção. Em 2012, três dos nove ministros do Tribunal de Contas da União eram pernambucanos: Ana Arraes, José Múcio Monteiro e José Jorge de Vasconcelos. Os parlamentares pernambucanos exercem grande influência no Congresso Nacional: em 2012 por exemplo, Pernambuco foi a segunda unidade da federação com maior número de congressistas influentes, superada apenas por São Paulo.[148]

Política de Pernambuco
Palácio do Campo das Princesas, sede do poder executivo de Pernambuco.
Palácio do Campo das Princesas, sede do poder executivo de Pernambuco.
Assembleia Legislativa de Pernambuco, sede do poder legislativo estadual.
Assembleia Legislativa de Pernambuco, sede do poder legislativo estadual.
Tribunal de Justiça de Pernambuco, sede do poder judiciário do estado.
Tribunal de Justiça de Pernambuco, sede do poder judiciário do estado.


Divisão territorial e político-administrativa[editar | editar código-fonte]

Pernambuco está separado em subdivisões geográficas denominadas mesorregiões e microrregiões, e em subdivisões administrativas denominadas municípios.

Mapa de Pernambuco e seus 185 municípios.

As mesorregiões compreendem as grandes regiões do estado, que congregam diversos municípios de uma área geográfica. Esse sistema de divisão tem aplicações importantes na elaboração de políticas públicas e no subsídio ao sistema de decisões quanto à localização de atividades socioeconômicas. Foram criadas pelo IBGE e são utilizada para fins estatísticos, e não constituem, portanto, entidades políticas ou administrativas. Oficialmente, as cinco mesorregiões do estado são: Agreste Pernambucano, Metropolitana do Recife, São Francisco Pernambucano, Sertão Pernambucano e Zona da Mata Pernambucana. Essas mesorregiões estão, por sua vez, subdivididas em microrregiões, que são, de acordo com a Constituição brasileira de 1988, agrupamentos de municípios limítrofes, cuja finalidade é integrar a organização, o planejamento e a execução de funções públicas de interesse comum, definidas por lei complementar estadual. Pernambuco é dividido em dezenove microrregiões: Alto Capibaribe, Araripina, Brejo Pernambucano, Garanhuns, Fernando de Noronha, Itamaracá, Itaparica, Mata Meridional, Mata Setentrional, Médio Capibaribe, Petrolina, Recife, Salgueiro, Sertão do Moxotó, Suape, Vale do Ipanema, Vale do Ipojuca, Vale do Pajeú e Vitória de Santo Antão.[149] Por último, existem os municípios (as menores unidades autônomas da federação), que são circunscrições territoriais que possuem relativa autonomia e concentram um poder político local. O sistema local também funciona com três poderes, sendo o executivo a Prefeitura, o legislativo a Câmara de Vereadores e o judiciário o Fórum Municipal. Ao total, existem 185 municípios pernambucanos, o que torna Pernambuco a décima primeira unidade da federação com o maior número de municípios. Alguns destes municípios formam uma conurbação. Oficialmente existem em Pernambuco uma região metropolitana, a do Recife, e uma região integrada de desenvolvimento econômico, o Polo Petrolina e Juazeiro.

Símbolos estaduais[editar | editar código-fonte]

Os símbolos oficiais do estado de Pernambuco são a Bandeira, o Brasão e o Hino.[150]

Bandeira
Brasão

A bandeira de Pernambuco foi originada na Revolução de 1817, sendo oficializada pelo decreto nº 459/1917, na comemoração do centenário da mesma revolução, pelo Governador Manuel Antônio Pereira Borba. Em seu primeiro desenho era incorporado símbolos pertinentes a ideais políticos, onde haviam três estrelas que representavam as capitanias insurgentes: Pernambuco, Paraíba e Ceará. Já o arco-íris, nas cores lilás e laranja, representava o acordo oferecido aos que quisessem unir seus destinos ao de Pernambuco. A cruz estava relacionada ao primeiro nome do Brasil - Terra de Santa Cruz.

Ela é formada por duas faixas, uma superior (na cor azul) e uma inferior (na cor branca). A cor azul do retângulo superior simboliza a grandeza do céu pernambucano; a cor branca representa a paz; o arco-íris (verde, amarelo e vermelho) representa a união de todos os pernambucanos; a estrela caracteriza o estado no conjunto da Federação, que na bandeira nacional é representado por Denebakrab; o Sol é a força e a energia de Pernambuco; e, finalmente, a cruz representa a fé na justiça e no entendimento.[151]

O governador Alexandre Barbosa Lima oficializou o Brasão do Estado do Pernambuco, através da lei estadual nº 75 em 1895. Em seu primeiro desenho, o escudo era no estilo redondo português de prata, onde havia uma donzela com uma cana-de-açúcar na mão direita, olhando sua imagem refletida em um espelho seguro por sua mão esquerda, simbolizando a verdade.

Formam o Brasão do estado de Pernambuco um Leão na parte superior (representando a bravura do povo pernambucano), um escudo contendo ramos de algodão e de cana-de-açúcar (caracterizando as riquezas), o Sol (representando a luz cintilante do equador), além das Estrelas, que caracterizam os municípios pernambucanos.

O hino do Estado de Pernambuco foi criado no ano de 1908. e exalta as belezas, as conquistas históricas e o passado de batalhas do povo pernambucano.[152] Tem (letra) de Oscar Brandão da Rocha e (música) de Nicolino Milano. No total, há quatro estrofes, cada uma contendo contendo seis versos, e um estribilho (refrão).[153]

Economia[editar | editar código-fonte]

As maiores empresas pernambucanas são as multinacionais Queiroz Galvão e Baterias Moura e os grupos Cornélio Brennand, Delta, João Santos, JCPM, Raymundo da Fonte, EBBA S.A. e Indústrias ASA. Pernambuco abriga ainda a sede da Eletrobras Chesf e sedes regionais de diversas empresas. Na foto, edifícios empresariais na região do Shopping Recife.
Exportações de Pernambuco - (2012)[154]
Indicadores
PIB R$ 104,394 bilhões (2011)
PIB per capita R$ 11.776,10 (2011)
Composição do PIB agropecuária 4,8%
indústria 22,0%
serviços 73,2%(2009)
Exportações Açúcar (35,6%), petroquímicos (7,1%), Peixes e Crustáceos (12,3%), Frutas (12,3%), Materiais Elétricos (11,1%), Outros (22,3%)(2005)
Importações petroquímicos (17,5%), combustíveis (14,8%), máquinas e equipamentos (11,4%), cereais (11,0%), materiais e ligas (7,0%) Outros (38,3%)(2005)

No início da dominação portuguesa Pernambuco foi basicamente agrícola, tendo destaque na produção nacional de cana-de-açúcar devido ao clima e ao solo tipo massapê. O estado foi, à época do Brasil colônia, responsável por mais da metade das exportações brasileiras de açúcar. Sua riqueza foi alvo do interesse de outras nações e, no Século XVII, os holandeses se estabelecem no estado. A cana-de-açúcar continua sendo o principal produto agrícola da Zona da Mata pernambucana, embora o estado não mais seja o maior produtor do país.

Atualmente a economia de Pernambuco tem como base a agricultura, a indústria e os serviços. O setor de serviços é predominante, seguido pela indústria (alimentícia, química, metalúrgica, eletroeletrônica, comunicação, minerais não-metálicos, têxtil e naval).

Após ter ficado estagnada durante a chamada "década perdida" (1985 a 1995), a economia pernambucana vem crescendo rapidamente desde o final do século XX. No final da década de 2000 a construção civil liderou o crescimento econômico de Pernambuco, seguida pelo setor industrial e pelo de serviços.[155]

O estado assiste a uma importante mudança em seu perfil econômico com os recentes investimentos nos setores petroquímico, biotecnológico, farmacêutico, de informática, naval e automotivo, que estão dando novo impulso à economia do estado, que vem crescendo acima da média nacional.[156] Além da importância crescente do setor de informática (o Porto Digital é o maior parque tecnológico do Brasil), do setor terciário – sobretudo das atividades turísticas –, e do setor industrial em torno do Porto de Suape, merecem destaque a produção irrigada de frutas ao longo do Rio São Francisco, quase que totalmente voltada para exportação, concentrada no município de Petrolina, em parte devido ao aeroporto internacional com grande capacidade para aviões cargueiros do município; e a floricultura, que começa a ganhar espaço, com plantações de rosas, gladiolus, e crisântemos. Outros polos dinâmicos de desenvolvimento são: o polo gesseiro no Araripe; o mármore, a pecuária leiteira e a indústria têxtil no Agreste; e a cana-de-açúcar e a biomassa na Zona da Mata. A pauta de exportações de Pernambuco, em 2012, se baseou principalmente nos produtos Plataforma de Perfuração (30,67%), Açúcar in Natura (25,81%), Uvas (6,28%), Poliacetais (3,37%) e Borracha Sintética (2,79%)[154] . A capacidade energética instalada é de 5.740 GWh GWh.[157]


Evolução do PIB de Pernambuco[3]
Ano PIB PIB per capita
2005 R$ 49,903 bilhões R$ 5.931
2006 R$ 55,505 bilhões R$ 6.528
2007 R$ 62,256 bilhões R$ 7.337
2008 R$ 70,441 bilhões R$ 8.065
2009 R$ 78,428 bilhões R$ 8.901
2010 R$ 95,187 bilhões R$ 10.821
2011 R$ 104,394 bilhões R$ 11.776


10 maiores PIBs municipais de Pernambuco (2011)[158]
Posição Município Sub-região PIB PIB per capita
1 Recife Zona da Mata R$ 33,149 bilhões R$ 21.434,88
2 Ipojuca Zona da Mata R$ 9,560 bilhões R$ 116.198,31
3 Jaboatão dos Guararapes Zona da Mata R$ 8,474 bilhões R$ 13.042,18
4 Cabo de Santo Agostinho Zona da Mata R$ 5,401 bilhões R$ 28.859,89
5 Olinda Zona da Mata R$ 3,412 bilhões R$ 9.014,28
6 Caruaru Agreste R$ 3,407 bilhões R$ 10.662,30
7 Petrolina Sertão R$ 3,310 bilhões R$ 11.044,33
8 Paulista Zona da Mata R$ 2,475 bilhões R$ 8.158,32
9 Vitória de Santo Antão Zona da Mata R$ 1,645 bilhão R$ 12.566,66
10 Igarassu Zona da Mata R$ 1,337 bilhão R$ 12.921,34


10 maiores PIBs municipais do interior de Pernambuco (2011)[158]
Posição Município Sub-região PIB PIB per capita
1 Caruaru Agreste R$ 3,407 bilhões R$ 10.662,30
2 Petrolina Sertão R$ 3,310 bilhões R$ 11.044,33
3 Vitória de Santo Antão Zona da Mata R$ 1,645 bilhão R$ 12.566,66
4 Garanhuns Agreste R$ 1,201 bilhão R$ 9.218,71
5 Belo Jardim Agreste R$ 0,862 bilhão R$ 11.863,69
6 Serra Talhada Sertão R$ 0,822 bilhão R$ 10.294,10
7 Goiana Zona da Mata R$ 0,789 bilhão R$ 10.389,02
8 Santa Cruz do Capibaribe Agreste R$ 0,682 bilhão R$ 7.597,26
9 Carpina Zona da Mata R$ 0,662 bilhão R$ 8.753,03
10 Petrolândia Sertão R$ 0,631 bilhão R$ 19.212,21


Setor primário[editar | editar código-fonte]

Plantação irrigada de uvas em área de caatinga no município de Lagoa Grande. Pernambuco é o segundo maior produtor de uva do Brasil, atrás somente do Rio Grande do Sul. É também o maior produtor nacional de acerola e goiaba, o segundo maior exportador de manga e o segundo maior polo floricultor do país.[159] [160] [161] [162]

Entre os principais produtos agrícolas cultivados em Pernambuco encontram-se a cana-de-açúcar, o algodão, a banana, o feijão, a cebola, a mandioca, o milho, o tomate, a graviola, o caju, a goiaba, o melão, a melancia, a acerola, a manga e a uva. Na pecuária destacam-se as criações de bovinos, suínos, caprinos e galináceos. Merece destaque ainda a expansão que vem tendo a partir dos anos 70 da agricultura irrigada no Sertão do São Francisco, com projetos de irrigação hortifrutícolas implantados com o apoio da CODEVASF. A produção é voltada para o mercado externo.

Pernambuco é atualmente o maior produtor de acerola do Brasil, respondendo por um quarto da safra nacional. É também o maior produtor de goiaba, o segundo maior produtor de uva, o segundo maior exportador de manga, o segundo maior polo floricultor e o sexto maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil. Pernambuco é ainda o quarto maior produtor nacional de ovos, o sexto de frangos de corte e a oitava maior bacia leiteira do país.[159] [160] [161] [163] [164] [165] [166]

A cana-de-açúcar é o principal produto agrícola da Zona da Mata pernambucana. Também estão presentes nesta mesorregião culturas de subsistência, além de fruticultura e hortaliças. No Agreste, cidades como Garanhuns, Gravatá, Chã Grande e Bonito passaram a se dedicar à floricultura, produzindo flores tropicais e tradicionais. Além do cultivo de flores, vêm crescendo no agreste pernambucano as lavouras de café e as plantações de seringueiras.[167] Aumenta também a criação de cavalos, de gados de leite e de corte, de ovos e de frangos de corte. No Sertão, a fruticultura irrigada produz toneladas de frutas tropicais por ano. O pólo principal fica em Petrolina, no vale do rio São Francisco.

Petrolina, no semiárido pernambucano, é a maior cidade da RIDE Petrolina e Juazeiro, maior aglomerado urbano do interior da região Nordeste, que se consolidou como maior exportador de frutas e segundo maior pólo vitivinicultor do Brasil graças ao uso de modernas técnicas de cultivo e irrigação.[168]

Setor secundário[editar | editar código-fonte]

O Complexo Industrial e Portuário de Suape abriga empreendimentos como o Estaleiro Atlântico Sul, maior estaleiro do Hemisfério Sul.[169] O petroleiro João Cândido (na foto) foi o primeiro navio lançado pela indústria naval pernambucana.

Entre 1997 e 1999, o Complexo Industrial Portuário de Suape, localizado no litoral sul de Pernambuco, teve crescimento de 16,7%. Suape tem o poder de duplicar a renda de Pernambuco até 2020 e triplicar o PIB até 2030.[169] A produção industrial do estado está entre as maiores do Norte-Nordeste. No período de outubro de 2005 a outubro de 2006, o crescimento industrial em Pernambuco foi o segundo maior do Brasil – 6,3% – mais que o dobro da média nacional no mesmo período (2,3%).[170]

Recentemente Pernambuco foi escolhido para a implantação dos seguintes empreendimentos: montadoras FIAT (automóveis - município de Goiana) e Shineray (motocicletas - Complexo Industrial de Suape), Refinaria Abreu e Lima, Estaleiro Atlântico Sul, Polo Famacoquímico e de Biotecnologia, Hemobrás, Novartis, Bunge, CSN, Gerdau, Mossi & Ghisolfi, Pepsico, Amanco, central logística da General Motors além do Terminal ferroviário da Transnordestina, entre outros investimentos.

A FIAT está construindo uma montadora no município de Goiana, litoral norte de Pernambuco.

Em 7 de novembro de 1978, uma lei estadual criou a empresa Suape Complexo Industrial Portuário para administrar o desenvolvimento das obras. Hoje o porto é um dos maiores do Brasil, administrado pelo governo de Pernambuco. Suape opera navios nos 365 dias do ano, sem restrições de horário de marés. O Porto dispõe de um sistema de monitoração de atracação de navios a laser, que possibilita um controle efetivo e seguro, oferecendo condições técnicas nos padrões dos portos mais importantes do mundo.

A matriz da multinacional pernambucana acumuladores Moura S.A. (Baterias Moura) está localizada na cidade de Belo Jardim. A Baterias Moura fornece baterias para a metade dos carros fabricados no Brasil. O conglomerado pernambucano Queiroz Galvão reúne mais de 50 empresas nos segmentos de Construção, Desenvolvimento Imobiliário, Alimentos, Participações e Concessões, Óleo e Gás, Siderurgia e Engenharia Ambiental. O grupo está presente em todos os estados brasileiros assim como em países da América Latina e da África, exportando seus produtos para Estados Unidos, Canadá e Europa, e empregando cerca de 30.000 trabalhadores.[171] O Grupo Industrial João Santos, fundado em Pernambuco, é o produtor do Cimento Nassau e um dos mais importantes conglomerados industriais do país. Controla 24 empresas e mais de 60 estabelecimentos comerciais, com atividades nos ramos de papel e celulose, açúcar, transportes, comunicação e cimento, gerando 10 mil empregos diretos em vários estados brasileiros.[172] [173]

Na mineração, destacam-se a argila, calcário, ferro, gipsita, granito e quartzo. A Microrregião de Araripina destaca-se na extração mineral da gipsita, fornecendo 95% do gesso consumido no Brasil.[174]

Setor terciário[editar | editar código-fonte]

Pernambuco possui os dois maiores shopping centers do Brasil fora do estado de São Paulo: o RioMar Shopping (foto) e o Shopping Recife.[175] [176]

Recife é um tradicional polo de serviços. Os segmentos de maior destaque são: comércio, serviços médicos, serviços de informática e de engenharia, consultoria empresarial, ensino e pesquisa, atividades ligadas ao turismo.[177]

A capital pernambucana abriga o Porto Digital, reconhecido como o maior parque tecnológico do Brasil, com mais de 200 empresas, entre elas multinacionais como Motorola, Borland, Oracle, Sun, Nokia, Ogilvy, IBM e Microsoft. Emprega cerca de seis mil pessoas, e tem 3,9% de participação no PIB do estado.[178] [179] [180] [181]

Recife foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo.[182]

O Polo Médico do Recife, considerado o segundo maior do país, atrai pacientes do Brasil e do exterior. Os estrangeiros que vão ao Recife em busca de atendimento na área médica, em sua maioria africanos e norte-americanos, visam qualidade nos serviços e preço baixo no atendimento.[183]

O RioMar Shopping, localizado na Zona Sul do Recife, é o maior centro de compras do Norte-Nordeste e o terceiro maior do Brasil, além de primeiro endereço de alto luxo do Nordeste e Norte brasileiro, abarcando grifes como Prada, Gucci, Burberry, Dolce & Gabbana, Emporio Armani, entre outras. Pertence ao Grupo JCPM, conglomerado sediado no Recife, que é proprietário, dentre outros centros comerciais, do Shopping Recife (segundo maior shopping de Pernambuco e Norte-Nordeste e o sexto maior do Brasil), do Salvador Shopping na capital baiana e do Shopping Villa Lobos em São Paulo.

Pernambuco é o estado com a maior concentração de grifes de alto luxo do Norte-Nordeste, abarcando lojas Prada, Gucci, Burberry, Dolce & Gabbana, Daslu, entre outras, além da multimarcas pernambucana Dona Santa/Santo Homem, apelidada pela imprensa nacional de "Daslu do Nordeste".[175] [184] [185]

Recife foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo.[186] Apenas cinco capitais brasileiras entraram na lista: São Paulo, que foi a cidade brasileira mais bem colocada, na 12ª posição; Rio de Janeiro (36ª posição); Brasília (42ª); Recife (47ª); e por último Curitiba (49ª). Xangai e Pequim, na China, ocuparam as duas primeiras posições.

A Tupan, atacadista distribuidora de materiais de construção fundada em Serra Talhada, no sertão do estado, é a maior empresa do ramo no Norte-Nordeste e a quinta maior do Brasil segundo o IBOPE.[187] O grupo atende mais de 12.000 clientes lojistas em todo o Norte-Nordeste, contando com três Centros de Distribuição, localizados em Pernambuco e Alagoas (Serra Talhada, Recife e Maceió), além de sete lojas de varejo sendo: quatro em Serra Talhada, duas em Recife e uma em Maceió. Possui ainda uma frota própria de 130 caminhões, 120 Representantes Comerciais e um efetivo de mais de 1.000 colaboradores.[188]

Pernambuco abriga ainda o polo têxtil do Agreste, segundo maior polo de confecções do Brasil, abarcando 13 cidades em 2009, nas quais se concentram mais de 18 mil empresas do setor.[189] Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama formam o triângulo e o principal ponto de venda e fabricação de confecções do agreste. Santa Cruz do Capibaribe possui o maior parque de confecções da América Latina, o Moda Center Santa Cruz. Toritama é responsável por 15% das confecções feitas com jeans produzidas no Brasil. Caruaru tem sua produção textil escoada através da Feira de Caruaru.

Caruaru, no agreste pernambucano, é o segundo maior polo de confecções do Brasil. Compõe, junto com Santa Cruz do Capibaribe e Toritama, o triângulo têxtil de Pernambuco.[190]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Ciência e tecnologia[editar | editar código-fonte]

O Porto Digital, localizado no bairro do Recife Antigo na capital pernambucana, é o maior parque tecnológico do Brasil e referência mundial na produção de softwares.[178] [179] [180] [191]

Pernambuco se destaca no ensino tecnológico. O Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn UFPE), responsável pelos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Engenharia da Computação, é grande fornecedor de mão de obra especializada em tecnologia para o Porto Digital e para diversas multinacionais do setor de tecnologia.[192] A UFPE foi uma das cinco instituições de ensino selecionadas em todo o mundo para o programa mundial de pesquisas da Microsoft, o que permitiu o seu acesso ao código-fonte dos componentes do Visual Studio. As outras quatro universidades selecionadas foram a Yale University - Estados Unidos; a Monash University - Austrália; a University of Hull - Inglaterra; além da UNESP, sendo o Brasil o único país que teve duas universidades escolhidas.[193]

Campus Party Recife 2012. A Campus Party Recife é a única edição da Campus Party brasileira realizada fora de São Paulo.

A UFPE foi homenageada pela Microsoft pela participação dos alunos do Centro de Informática da instituição na Imagine Cup, evento promovido pela empresa que é considerado a "copa do mundo de computação". A homenagem aconteceu durante a apresentação pública dos projetos vencedores do Imagine Cup 2009, e vem se repetindo desde 2003, já que alunos pernambucanos vêm vencendo a competição desde então.[194]

A Equipe Mangue Baja,[195] formada por alunos do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco, participou em 2011 da Competição Baja SAE [196] Brasil-Petrobras e garantiu vaga para a Baja SAE Kansas, nos Estados Unidos. Apenas a UFPE e duas universidades paulistas, USP e FEI, conquistaram o direito de representar o Brasil na edição internacional da competição.[197] Em 2012 os estudantes da UFPE garantiram a segunda colocação na XVIII Competição Baja SAE Brasil-Petrobrás, garantindo novamente o direito de participar da competição mundial, dessa vez realizada no estado de Wisconsin, também nos Estados Unidos.[198]

O Estado possui dois Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano), antigos CEFETs e escolas técnica e agrotécnicas federais, que se dedicam ao ensino técnico há quase 100 anos e têm oferecido com excelência cursos superiores na área de tecnologia.

Saúde[editar | editar código-fonte]

O médico pernambucano Correia Picanço fundou as primeiras faculdades de medicina do Brasil: a Faculdade de Medicina da Bahia e a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro; e fez, no Recife, a primeira operação cesariana do país.

Pernambuco tem grande tradição na área de medicina. O médico pernambucano Correia Picanço, aclamado "Patriarca da Medicina Brasileira", foi Cirurgião–mor do Reino de Portugal, e fundou as primeiras escolas de medicina do Brasil: a Faculdade de Medicina da Bahia e a Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Picanço fez, no Recife, a primeira operação cesariana do país, em 1817.[199]

Em 2005, existiam, no Estado, 4 149 estabelecimentos hospitalares, com 19 204 leitos.[200]

Capacitação sobre Conjuntivite e Gripe A realizada pela Prefeitura de Olinda.

A capital pernambucana possui dezenas de grandes hospitais e três grandes hospitais públicos (da Restauração, Barão de Lucena e Getúlio Vargas; além do Hospital das Clínicas da UFPE). O Hospital da Restauração é a maior emergência pública e o mais complexo serviço de urgência e trauma do Norte-Nordeste,[201] recebendo pacientes de todo o estado e de estados vizinhos. O HR, referência nas áreas de trauma, neurocirurgia, neurologia, cirurgia geral, clínica médica e ortopedia, possui 482 leitos registrados no Ministério da Saúde (MS), mas, incluindo os extras, funciona com um total de 723 leitos para atender a demanda que lhe é submetida. Desde junho de 2010, a antiga Emergência Geral foi desmembrada em três emergências com entradas e espaços independentes: Emergência Pediátrica, Emergência Traumatológica e Emergência Clínica.[201]

Pernambuco abriga um dos três bancos de pele do Brasil, estando os outros dois localizados nos estados de São Paulo e do Rio Grande do Sul.[202] O estado tem ainda o quinto maior número de médicos por grupo de mil habitantes do Brasil, e sua capital, Recife, o segundo maior número de médicos por grupo de mil habitantes do país – segundo o Conselho Federal de Medicina.[30]

Os hospitais particulares do Recife, equipados com máquinas de última geração, fazem da capital Recife o segundo maior polo médico e hospitalar do Brasil.[203] [204]

Educação[editar | editar código-fonte]

A Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco é a segunda melhor do Brasil, com aproveitamento de 81,3% no Exame de Ordem (2010.1). Nascida da transferência da Faculdade de Direito de Olinda, é a mais antiga faculdade de Direito do Brasil.[205] [206]

As principais instalações educacionais pernambucanas estão concentradas na capital.

A Universidade Federal de Pernambuco, principal instituição de ensino superior do Estado, foi classificada em 2013 pelo QS World University Rankings como a melhor universidade do Norte-Nordeste e a 8ª melhor universidade federal brasileira, bem como a 15ª melhor universidade do país, tendo ocupado a 43ª posição entre as instituições da América Latina; e embora tenha sido ultrapassada pela Universidade Federal do Paraná com relação ao ano anterior, continua à frente de instituições como a Universidade Federal de Santa Catarina e a Universidade Federal da Bahia.[207] [208] [209] [210] [211] A UFPE é também a melhor universidade do Norte-Nordeste segundo o Ranking Universitário Folha, além de única universidade dessas duas regiões entre as dez melhores do país.[212]

A Univasf é a primeira Universidade Federal implantada no sertão nordestino. Está situada nos estados de Pernambuco, Bahia e Piauí, com sede na cidade de Petrolina em Pernambuco. Iniciou suas atividades acadêmicas em 2004.[213] [214] Na foto, entrada leste do Campus Petrolina Centro.

Pernambuco tem suas principais faculdades e universidades fundadas nos séculos XIX e XX. Algumas se destacam nacionalmente. A centenária Faculdade de Direito do Recife, hoje vinculada à UFPE, fundada a 11 de agosto de 1827, foi o primeiro curso superior de direito do Brasil, juntamente com o curso de São Paulo, ainda sob governo de Dom Pedro I. Nela importantes nomes da história brasileira estudaram, destacando expoentes como Barão do Rio Branco, Castro Alves, Clóvis Bevilaqua, Tobias Barreto, Ruy Barbosa, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queirós, Teixeira de Freitas, Raul Pompeia, Nilo Peçanha, Augusto dos Anjos, Marquês de Paraná, Epitácio Pessoa, Assis Chateaubriand, José Lins do Rego, Graça Aranha, Pontes de Miranda, dentre inúmeros outros. Ainda hoje a festejada faculdade de Direito do Recife, honrando sua tradição, é um centro de excelência no ensino do direito, estando, tanto em nível de graduação como de pós-graduação, entre os cinco melhores cursos jurídicos do Brasil, segundo a OAB e o MEC.[215]

Olimpíada do Conhecimento 2010 - Classificação geral[216]
Posição Estado/País Pontos
1 São Paulo 123
2 Minas Gerais 82
3 Rio Grande do Sul 56
4 Pernambuco 47
5 Paraná 43
6 Rio de Janeiro 38
7 Distrito Federal 36
8 Santa Catarina 35
9 Alagoas 33
10 Colômbia 28

A UFPE, que, completou 60 anos em 2006, é uma das mais antigas instituições federais do Brasil. Há também a Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRPE, fundada em 1912 como Escola Superior de Agricultura, hoje a instituição desenvolve suas atividades voltadas para a busca intensa do conhecimento científico nas áreas de Ciências Agrárias, Humanas, Sociais, Biológicas, Exatas e da Terra.

O Estado possui dois Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano), antigos CEFETs e escolas técnica e agrotécnicas federais, que além de se dedicarem ao ensino técnico, a quase 100 anos, têm oferecido com excelência cursos superiores tecnológicos. Outra instituição importante é a UPE, Universidade de Pernambuco, antiga FESP, que é uma universidade estadual com campus avançados em várias cidades do interior do estado.[217] A Univasf é a primeira Universidade Federal implantada no sertão nordestino.[213] Está situada nos estados de Pernambuco, Bahia e Piauí, com sede na cidade de Petrolina em Pernambuco. Iniciou suas atividades acadêmicas em 2004.[214]

Turma de medicina da UPE Garanhuns em foto com a presidente Dilma Rousseff e o governador de Pernambuco Eduardo Campos.

Pernambuco se destaca no ensino tecnológico. O Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn UFPE), responsável pelos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Engenharia da Computação, é grande fornecedor de mão de obra especializada em tecnologia para a Microsoft.[192] A UFPE foi uma cinco instituições de ensino selecionadas em todo o mundo para o programa mundial de pesquisas da Microsoft, o que permitiu o seu acesso ao código-fonte dos componentes do Visual Studio. As outras quatro universidades selecionadas foram a Yale University - Estados Unidos; a Monash University - Austrália; a University of Hull - Inglaterra; além da UNESP, sendo o Brasil o único país que teve duas universidades escolhidas.[193] A UFPE foi homenageada pela Microsoft pela participação dos alunos do Centro de Informática da instituição na Imagine Cup, evento promovido pela empresa que é considerado a "copa do mundo de computação". A homenagem aconteceu durante a apresentação pública dos projetos vencedores do Imagine Cup 2009, e vem se repetindo desde 2003, já que alunos pernambucanos vêm vencendo a competição desde então.[194] Alunos do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco participaram em 2011 da Competição Baja Sae Brasil-Petrobras e garantiram vaga para a Baja SAE Kansas, nos Estados Unidos. Apenas a UFPE e duas universidades paulistas, USP e FEI, conquistaram o direito de representar o Brasil na edição internacional da competição.[197]

O Colégio de Aplicação da UFPE, por sua vez, foi três vezes eleito a melhor escola pública do Brasil.[218]

Transportes[editar | editar código-fonte]

A Torre do Zeppelin foi a primeira estação aeronáutica para dirigíveis da América do Sul, e é o único objeto do seu tipo ainda de pé no mundo.[219] [220]
Recife foi a primeira cidade do mundo a operar locomotivas a vapor construídas especialmente para rodar nas ruas, locomotivas estas construídas pela Manning Wardle & Co. e operadas a partir de 1867.[221] Na foto, bondes em avenida da capital pernambucana na década de 1930.

A capital de Pernambuco foi palco da inauguração do primeiro sistema urbano de transporte sobre trilhos da América Latina, a chamada Maxambomba (do inglês machine pump). Antes, o sistema de transporte era atendido por canoas e, para os mais abastados, cavalos e carruagens. A viagem de Maxambomba era metade do preço da viagem de carruagem, e findava às 21 horas, fato este que determinou a mudança do fechamento das lojas para o mesmo horário (antes, fechavam às 18h).[222] O itinerário da maxambomba chegou a ter 22 quilômetros de extensão e 20 estações, até que em 1919 foi substituída por bondes elétricos. Em 1960, os bondes foram substituídos por ônibus elétricos. Paralelamente, houve a implantação de transporte por ônibus. As linhas de trem da Great Western, antecessora da Rede Ferroviária Federal, também faziam o transporte público urbano. Foram substituídas pelo Metrô do Recife.

Entre 1930 e 1938, Recife foi uma das primeiras cidades nas Américas e a primeira do Brasil com conexão direita (non-stop) para a Europa, especialmente para a Alemanha, por meio de dirigíveis. Atualmente Recife tem a única estação de atracação de dirigíveis no mundo preservada em sua estrutura original, a Torre do Zeppelin.

Pernambuco conta com cobertura de todos os tipos de transporte: aéreo, marítimo, rodoviário e ferroviário. A Infraero administra dois aeroportos no estado. O Aeroporto Internacional do Recife - Gilberto Freyre é o maior aeroporto do Norte-Nordeste, com uma pista de 3.300m[223] e capacidade para 5 milhões de passageiros ao ano.[224] É um dos mais modernos aeroportos do Brasil,[225] tendo sido eleito um dos 5 melhores aeroportos do mundo pelas companhias de aviação.[226] O Aeroporto de Petrolina possui a segunda maior pista de pouso do Nordeste, e o seu principal emprego é no transporte da produção de frutas do Vale do São Francisco para o exterior. Veja a lista de aeroportos de Pernambuco.

Malha viária do estado.

Pernambuco possui dois portos marítimos: o de Suape, segundo maior do Brasil, localizado no município de Ipojuca; e o do Recife, um dos mais antigos do Brasil, que muitos estudiosos afirmam ter dado início ao Recife. Possui também o porto fluvial de Petrolina.

A rede rodoviária em Pernambuco apresenta quinze rodovias federais. As mais importantes são a BR-101, que, avançando pela costa pernambucana, liga o norte ao sul do estado, passando pela RMR; e a BR-232, que liga a capital ao interior do estado, no sentido leste-oeste.

Túnel Cascavel, trecho da BR-232, na Serra das Russas, em Gravatá.
O Porto de Suape é a melhor infraestrutura portuária do Brasil.[227]

Quanto às ferrovias, o estado foi o primeiro do Nordeste e o segundo do Brasil a ter uma estrada de ferro: a ferrovia Recife-Cabo, inaugurada a 8 de setembro de 1855, com extensão de 31,5 km, ainda no Brasil Império, construída para transporte de passageiros e carga. A novidade provocou curiosidade e festividade entre os recifenses. Em sua estreia, o trem da linha Recife-Cabo, partindo do Forte das Cinco Pontas transportou mais de 400 pessoas. A locomotiva partiu às 12h e 30 minutos depois atingiu o ponto de chegada, onde uma multidão aguardava.

O Metrô do Recife, terceiro sistema metroviário do Brasil, inaugurado após os metrôs de São Paulo e Rio de Janeiro, além de segundo mais extenso do país, liga a capital pernambucana a municípios da Região Metropolitana.[228]

Desde então foram construídos 900 quilômetros de ferrovias: os trechos Ipojuca-Olinda-Escada e Limoeiro-Ribeirão-Água Preta-Palmares. Em 1882, foi concluído o trecho Palmares-Catende, seguido de Garanhuns (1887), Mimoso (1911), Arcoverde (1912) e Salgueiro. Formavam assim três linhas, que se destinavam à cidade do Recife. O tronco norte ligava os portos pernambucanos aos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, com suas respectivas capitais; e o tronco sul ligava o sul do estado às cidades de Maceió (capital de Alagoas) e Aracaju (capital de Sergipe). O tronco oeste ligava os portos da Região Metropolitana de Recife às cidades do interior pernambucano. Durante várias décadas, o transporte ferroviário exerceu decisiva influência na economia do estado. A partir do ano de 1960 foram abandonadas, dando espaço às rodovias.

O Aeroporto Internacional do Recife é o melhor aeroporto do Brasil e um dos cinco melhores do mundo segundo a Revista TAM.[229]

O Metrô do Recife, primeiro sistema metroviário do Norte-Nordeste, foi inaugurado em março de 1985, com a linha Werneck-Centro, de 6,2 km de extensão. Seguiram-se construções de outras estações, e em outubro de 1986 chegou ao Terminal Integrado de Passageiros, TIP (rodoviária do Recife), o TIP foi inaugurada em outubro de 1986, sendo a segunda maior estação rodoviária do país. É operado pela CBTU Metrorec e é composto atualmente de 28 estações, com linhas que somam 39,5 quilômetros de extensão, transportando cerca de 225 mil usuários por dia, sendo 205 mil na Linha Centro e 20 mil na Linha Sul, ocupa 446.000 m², e possui diversas lojas em seus quatro pisos.[230] .

A Transnordestina consiste em 1758 km de ferrovias interligando o porto de suape ao porto de pecém, foi sugerida já no século XIX, mas só em 2006 foi concebido um investimento R$ 1,3 bilhão será uma importante conexão entre o litoral e o Sertão. O projeto é para ser uma estrada de ferro para interligar o Nordeste (pelo centro da região) com o Sudeste do Brasil, com o objetivo de facilitar o escoamento da produção econômica nordestina. Em Pernambuco consiste na construção dos trechos entre os municípios de Petrolina e Salgueiro (231 km), de Salgueiro-Trindade-Araripina (171 km), a partir de Araripina, em direção ao oeste, inicialmente até Eliseu Martins (PI), de Salgueiro-Missão Velha, no Ceará, (114 km), de Salgueiro-Recife (514 km), Recife-Palmares-catende (142 km) a partir de Palmares em direção ao sul inicialmente até Propriá (SE).[231] .

Mídia[editar | editar código-fonte]

A Rede Globo Nordeste, única emissora própria da Rede Globo no Norte-Nordeste, tem sede em Pernambuco.

Os jornais foram a primeira mídia de massa do estado. O Aurora Pernambucana foi o primeiro jornal de Pernambuco e o terceiro publicado no Brasil. A edição nº 1 circulou no dia 27 de março de 1821, em formato de 25 x 17 cm, com quatro páginas, em papel de linho e impresso na Oficina do Trem Nacional de Pernambuco, no Recife.[232]

Os principais jornais do estado são: Diario de Pernambuco (o mais antigo periódico em circulação da América Latina), Jornal do Commercio e Folha de Pernambuco.

A primeira estação de rádio surgiu no ano de 1919. A Rádio Clube de Pernambuco (também conhecida como Clube AM ou Super Rádio Clube) é a mais antiga emissora de rádio do Brasil. Realizou sua primeira transmissão radiofônica a partir de um estúdio improvisado na Ponte d'Uchoa, no Recife, em 6 de abril de 1919, tendo à frente o radiotelegrafista Antônio Joaquim Pereira.[233]

As principais emissoras afiliadas de Pernambuco são: TV Globo Nordeste (Globo - Recife), TV Asa Branca (Globo - Caruaru), TV Grande Rio (Globo - Petrolina), TV Clube Pernambuco (Rede Record - Recife), TV Jornal Caruaru (SBT - Caruaru), TV Jornal Recife (SBT - Recife), e a TV Tribuna (Band - Recife).

Cultura[editar | editar código-fonte]

A cultura pernambucana é bastante diversificada, uma vez que foi influenciada por indígenas, africanos e europeus.

Tendo sido uma das primeiras áreas efetivamente colonizadas por portugueses, ainda no século XVI, que aí encontraram as populações nativas e foram acompanhados por africanos trazidos como escravos, Pernambuco tem uma cultura bastante particular e típica, apesar de extremamente variada. Sua base é luso-brasileira, com grandes influências africanas e ameríndias.

Produção do conhecimento[editar | editar código-fonte]

Mário Schenberg (à esquerda) é o físico teórico mais importante do Brasil; e Luís Freire (à direita) influenciou cientistas pernambucanos como o próprio Schenberg, Leopoldo Nachbin (maior matemático do país) e José Leite Lopes (único físico brasileiro detentor do UNESCO Science Prize). Pernambuco se destaca fortemente entre os estados brasileiros nas Ciências Exatas, com nomes como Paulo Ribenboim, Joaquim Cardoso, Aron Simis, Israel Vainsencher, entre diversos outros.

No estado de Pernambuco nasceram personalidades de grande destaque em todas as áreas do conhecimento.

O pernambucano Paulo Freire é considerado um dos pensadores mais notáveis da história da pedagogia mundial.[234] A pedagogia crítica foi fortemente influenciada pelos trabalhos deste intelectual, o mais aclamado educador crítico. Foi o brasileiro mais homenageado de todos os tempos: ganhou 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford.[235] [236]

Paulo Freire, educador pernambucano, é um dos pensadores mais notáveis na história da Pedagogia mundial, e o brasileiro mais homenageado da história, com 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. Outro pernambucano de grande destaque internacional é Gilberto Freyre, um dos mais importantes sociólogos do século XX. Pernambuco revelou grandes nomes das Ciências Humanas, como Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, Josué de Castro, Joaquim Nabuco, dentre muitos.

Gilberto Freyre, um dos mais importantes sociólogos do século XX, representa um marco na história do Brasil devido ao seu livro Casa-Grande & Senzala, que demonstra a importância dos escravos para a formação do país e que brancos e negros são absolutamente iguais.[237]

Os literatos pernambucanos são muitos. Alguns deles: João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Clarice Lispector, Nelson Rodrigues, Joaquim Nabuco, Joaquim Cardoso, Josué de Castro, Álvaro Lins, Marcos Vilaça, Martins Júnior, Mauro Mota, Mário Pedrosa, Manuel de Oliveira Lima, Osman Lins, Dantas Barreto, Geraldo Holanda Cavalcanti, Carneiro Vilela, Olegário Mariano, Mário Sette, Adelmar Tavares, Carlos Pena Filho, Antonio Lavareda, Barbosa Lima Sobrinho, José Luiz Passos, Luiz Felipe Pondé, Ricardo Noblat, Marcelino Freire, Manuel Correia de Andradre, Roberto Lira, Evaldo Cabral de Mello, Fátima Quintas, José Condé, João Carneiro de Sousa Bandeira, Antonio Herculano de Sousa Bandeira e Leôncio Basbaum. João Cabral de Melo Neto foi o primeiro brasileiro a ser galardoado com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa.

Clarice Lispector, um dos maiores nomes da literatura brasileira, se declarava pernambucana embora nascida na Ucrânia; e o escritor pernambucano João Cabral de Melo Neto, único brasileiro galardoado com o Prêmio Neustadt, era especulado como forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura quando de sua morte.

Pernambucanos também alcançaram grande destaque nas ciências exatas e biológicas. Mário Schenberg, considerado o físico teórico mais importante do Brasil, instaurou os primeiros cursos de computação da USP;[15] Leopoldo Nachbin, considerado o mais importante matemático brasileiro, foi cofundador do IMPA e do CBPF;[238] e Correia Picanço fundou a primeira escola de medicina do Brasil. Outros pernambucanos de grande notoriedade nas ciências exatas e biológicas são: José Leite Lopes, Joaquim Cardoso, Paulo Ribenboim, Josué de Castro, Aron Simis, Gauss Moutinho Cordeiro, Israel Vainsencher, Luís Freire, Norberto Odebrecht, Antonio Mário Antunes Sette, Cristovam Buarque, Fernando de Souza Barros, Ricardo de Carvalho Ferreira, Leandro do Santíssimo Sacramento, José Tibúrcio Pereira Magalhães, Edson Mororó Moura, Fernando Antonio Figueiredo Cardoso da Silva, Antônio de Queiroz Galvão, João Santos, entre outros.

Música e dança[editar | editar código-fonte]

Frevo, manifestação típica de Pernambuco. Enquanto música, é um dos gêneros mais influentes do país: revelou músicos como Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Antônio Nóbrega, entre muitos outros, e, além de símbolo do Carnaval Recife/Olinda, foi o ritmo utilizado no Carnaval de Salvador antes do surgimento da axé music. Em 2012, o frevo foi declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO.[239]

Vários gêneros musicais e danças surgiram no estado de Pernambuco ao longo dos anos.

O Frevo, um dos principais gêneros musicais e danças do estado e símbolo do Carnaval Recife/Olinda, se caracteriza pelo ritmo acelerado e pelos passos que lembram a capoeira. Esse gênero já revelou e influenciou grandes músicos, como Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Moraes Moreira, Armandinho, Pepeu Gomes, Antônio Nóbrega, Hermeto Pascoal, entre muitos outros. Antes da criação da axé music na década de 1980 o frevo era utilizado também no Carnaval de Salvador. Em cerimônia realizada na cidade de Paris, França, no ano de 2012, a UNESCO anuncia que, aprovado com unanimidade pelos votantes, o frevo foi eleito Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.[240]

O Manguebeat, gênero musical pernambucano que despontou na cena underground dos anos 90, revelou e influenciou diversos grupos musicais e artistas do estado, como Chico Science (à esquerda na imagem), Nação Zumbi, Otto, Lenine (à direita na imagem), Mundo Livre S/A, Cordel do fogo encantado, Mestre Ambrósio, Fred Zero Quatro, entre outros. O manguebeat foi criado pelo guitarrista Robertinho do Recife.

Nos anos 90 surgia em Pernambuco o Manguebeat, movimento da contracultura que mistura ritmos regionais, como o maracatu, com rock, hip hop, funk e música eletrônica.[241] [242] O movimento tem como principais críticas o abandono econômico-social do mangue, a desigualdade de Recife (não apenas desta, sendo apenas um reflexo do descaso do Estado fora do eixo Rio-São Paulo). Apesar de ter sido inventado já na década de 1970 pelo guitarrista Robertinho do Recife com os álbuns "Jardim da Infância" (1977), "Robertinho no Passo" (1978) e "E Agora pra Vocês... Suingues Tropicais" (1979), tem como ícone o músico Chico Science, ex-vocalista, já falecido, da banda Chico Science e Nação Zumbi, idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das ideias, ritmos e contestações do manguebeat. Outro grande responsável pelo crescimento desse movimento foi Fred Zero Quatro, vocalista da banda Mundo Livre S/A e autor do primeiro manifesto do Mangue de 1992, intitulado "Caranguejos com cérebro".

O Maracatu Nação é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo real. Como a maioria das manifestações populares do Brasil, é uma mistura das culturas indígena, africana e europeia. Surgiu em meados do século XVIII. Os Maracatus mais antigos do Carnaval do Recife nasceram da tradição do Rei do Congo. A notícia mais remota até há pouco conhecida sobre a instituição do Rei do Congo, em Pernambuco, data de 1711, em Olinda, e fala de uma instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do Rei do Congo.

Maracatu Nação em Olinda. O "Maracatu de Baque Virado", como também é conhecido, é uma secular manifestação folclórica pernambucana, praticada em todas as regiões do Brasil.
O Caboclo de lança do Maracatu Rural é um dos símbolos da cultura pernambucana.

O Maracatu Rural é outra manifestação cultural de Pernambuco, na qual figuram os conhecidos caboclos de lança. É conhecido também como Maracatu de Baque Solto. Distingue-se do Maracatu Nação ou Maracatu de Baque Virado em organização, personagens e ritmo. O Maracatu Rural mais antigo é o Cambinda Brasileira. O grupo foi fundado em 1898 e a sede permanece no mesmo lugar, no Engenho do Cumbe, Nazaré da Mata, Zona da Mata de Pernambuco. O Maracatu Rural significa para seus integrantes algo a mais que uma brincadeira: é uma herança secular, motivo de muito orgulho e admiração. É formado por pessoas simples, principalmente por trabalhadores rurais, que com as mesmas mãos que cortam cana, lavram a terra e carregam peso, bordam golas de caboclo, cortam fantasias, enfeitam guiadas, relhos e chapéus; dedicando-se ao bem mais valioso que possuem: a cultura.

Bacamarteiros, tradicional festa popular realizada no Dia de São João na cidade de Caruaru.

O cortejo do Maracatu Rural diferencia-se dos outros maracatus por suas características musicais próprias e pela essência de sua origem refletida no sincretismo de seus personagens. A orquestra é formada por instrumentos de percussão e sopro transmitindo sonoras simbologias. Uma apresentação deste se constitui em um ritual magnífico. É todo um conjunto espetacular de criatividade e beleza, que formam uma representação simbólica notável, deixando a todos encantados.

Olinda foi eleita a 1ª Capital Brasileira da Cultura, após concorrer com as cidades de Salvador e João Pessoa.[243]

O Baião teve como precursor o pernambucano Luiz Gonzaga. O ritmo, ao lado de outros como xote, xaxado e côco, faz parte do chamado forró. Vários artistas deram continuidade ao legado de Luiz Gonzaga, como é o caso de Dominguinhos, entre muitos outros. O baião é uma dança muito popular no interior do Nordeste brasileiro; e denomina, também, o gênero de música tocada nessas festas e um pequeno trecho musical executado pelos cantadores de viola nos intervalos dos improvisos de uma cantoria. O conjunto típico exigido pelo baião (baile e música) inclui sanfona, triângulo e zabumba.

Muito comuns em Pernambuco são as Bandas de Pífanos, além de outras músicas e danças oriundas do estado, como a Ciranda. Também são comuns o Pastoril, o Coco, a Embolada, entre outras manifestações.

O Xaxado é uma das principais danças típicas do sertão/agreste pernambucano. Exclusivamente masculina, originária do sertão de Pernambuco e, segundo Luís da Câmara Cascudo (Dicionário do Folclore Brasileiro), divulgada até regiões da Bahia pelo cangaceiro Lampião e pelos integrantes do seu bando.

Os pernambucanos Luiz Gonzaga e Lampião são figuras antológicas do sertão nordestino. O primeiro, conhecido como o Rei do Baião, foi um dos artistas mais influentes da música brasileira; e o segundo, conhecido como o Rei do Cangaço, difundiu uma das principais danças típicas sertanejas, o xaxado.
As cantoras pernambucanas Cynthia Zamorano e Clarice Falcão, assim como muitos artistas oriundos do estado, diversificaram sua área de atuação: a primeira tornou-se jurada em importantes programas de TV; e a segunda tornou-se um fenômeno da internet brasileira ao atuar no canal de humor Porta dos Fundos.

Segundo o poeta Jayme Griz, Lampião não foi o inventor da dança (que já era conhecida no sertão e agreste pernambucanos desde 1922), mas apenas seu divulgador. A dança é um rápido e deslizado sapateado. Originalmente, não tinha acompanhamento instrumental: os dançarinos apenas repetiam, em uníssono, a quadra e o refrão. No caso dos cangaceiros, justificava-se a ausência da figura feminina "porque o rifle era a dama". Posteriormente, o xaxado ganhou acompanhamento musical - zabumba, pífano, triângulo, sanfona- e passou a aceitar a participação de mulheres.[244]

Em Pernambuco nasceram nomes de destaque da música brasileira, como Luiz Gonzaga, Bezerra da Silva, Lenine, Alceu Valença, Michael Sullivan, Chico Science, Siba, Otto, Geraldo Azevedo, Nando Cordel, Dominguinhos, Fred Zero Quatro, Reginaldo Rossi, Clarice Falcão, Lula Queiroga, Ortinho, José Carlos Burle, Fernando Lobo, Cynthia Zamorano, Jorge de Altinho, Petrúcio Amorim, Capiba, Johnny Hooker, DJ Filipe Guerra, entre muitos outros; além de instrumentistas de renome internacional, como Naná Vasconcelos, Walter Wanderley, Antônio Meneses, Robertinho do Recife, Miguel Kertsman, Moacir Santos, Antônio Nóbrega, Marlos Nobre, Luperce Miranda, James Strauss, João Pernambuco, Luís Álvares Pinto, dentre outros tantos.

Teatro, cinema e televisão[editar | editar código-fonte]

Nova Jerusalém, localizada no município de Brejo da Madre de Deus, Agreste de Pernambuco, é o maior teatro a céu aberto do mundo. Trata-se de uma réplica da Judeia sagrada, com lagos artificiais, nove palcos, uma muralha de 3.500 m e 70 torres.[245]
Pernambuco é berço do Teatro de Bonecos Popular do Brasil. Na foto, fantoches típicos no Museu do Mamulengo, em Olinda.[246]

Todos os anos, nas semanas que antecedem a Páscoa, realiza-se o espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém no distrito de Fazenda Nova, na cidade do Brejo da Madre de Deus, agreste pernambucano. O evento, que é encenado naquele local, é reconhecido como o maior teatro ao ar livre do mundo. A cidade-teatro de Nova Jerusalém impressiona pela arquitetura. A construção é uma réplica da Judeia sagrada, com lagos artificiais, nove palcos, uma muralha de 3.500 m e 70 torres. Vários atores e atrizes de sucesso da Rede Globo já atuaram em Nova Jerusalém. A Paixão de Cristo existe desde 1951, como espetáculo teatral.

Pernambuco deu origem ao Mamulengo, nome dado ao teatro de bonecos brasileiro, tido como um dos mais ricos espetáculos populares do país. É uma representação de dramas através de bonecos, em pequeno palco elevado coberto por uma empanada, atrás do qual ficam as pessoas que dão vida e voz aos personagens. Glória do Goitá, município da na Zona da Mata pernambucana, detém o título de "berço do mamulengo".[246] [247]

Já o Cinema de Pernambuco tem sua história iniciada em 1922, quando o ourives Edson Chagas e o gravador Gentil Roiz se juntam com o propósito de produzir filmes de enredo. Daí, surge a película "Retribuição", que estreou em 1923 com grande sucesso nos cinemas do Recife e que é considerado o primeiro filme de enredo realizado no Nordeste — anteriormente só havia algumas experiências com documentários.

Os pernambucanos Chacrinha e Marco Nanini são ícones do teatro, cinema e televisão do Brasil. Arlete Salles, Aguinaldo Silva, Guel Arraes, dentre muitos nomes do estado, alcançaram grande notoriedade em diversas vertentes artísticas. Guel Arraes dirigiu dois grandes sucessos do cinema nacional ambientados no sertão nordestino: O Auto da Compadecida e Lisbela e o Prisioneiro.

O Cinema Pernambucano já recebeu inúmeros prêmios nacionais e internacionais e é recordista de indicações e premiações em diversas edições de festivais. Filmes de cineastas e roteiristas pernambucanos como os dramas Baile Perfumado (1996), Amarelo Manga (2002), Cinema, Aspirinas e Urubus (2005), Baixio das Bestas (2006), O Som ao Redor (2013), Serra Pelada (2013), ou mesmo romances e comédias como O Auto da Compadecida (1999), Caramuru - A Invenção do Brasil (2001), Lisbela e o Prisioneiro (2003), A Máquina (2005), Fica Comigo Esta Noite (2006), O Bem Amado (2010), entre muitas outras produções, alcançaram grande projeção.

Realizadores como Cláudio Assis, Marcelo Gomes, Guel Arraes, Kleber Mendonça Filho, Heitor Dhalia, Lírio Ferreira, Hilton Lacerda, entre outros tantos cineastas oriundos do estado, atingiram notoriedade internacional. Um dos muitos êxitos recentes foi o filme O Som ao Redor, do recifense Kleber Mendonça Filho, que foi incluído na respeitada lista dos 10 melhores do ano do jornal The New York Times, ao lado de produções como Django Livre de Quentin Tarantino e Lincoln de Steven Spielberg. Heitor Dhalia, por sua vez, teve sua estreia em Hollywood em 2012, com o longa-metragem 12 Horas, estrelado pela atriz norte-americana Amanda Seyfried.[248] [249] [250] [251]

Em um período de doze meses, o Cinema de Pernambuco conquistou os principais prêmios dos três maiores festivais nacionais: os filmes Era uma vez eu, Verônica, de Marcelo Gomes, e Eles voltam, de Marcelo Lordello, dividiram o Candango de Melhor Filme no Festival de Brasília; O Som ao Redor, de Kleber Mendonça Filho, conquistou o Troféu Redentor de Melhor Filme no Festival do Rio; e Tatuagem, de Hilton Lacerda, ganhou o Kikito de Melhor Filme no Festival de Gramado.[252] [253]

Em Pernambuco há diversas emissoras de televisão. A TV Globo Nordeste, pertencente às Organizações Globo, tem sede em Olinda e concessão no Recife.

Os atores Bruno Garcia e Fabiana Karla são exemplos de artistas pernambucanos que têm inclinação para a comédia, muito embora também interpretem papéis dramáticos.
O Cinema de Pernambuco é muito respeitado pela crítica, além de recordista entre os estados brasileiros em indicações e premiações em diversas edições de festivais. Cineastas pernambucanos como Heitor Dhalia, Kleber Mendonça Filho, Cláudio Assis, Marcelo Gomes (à esquerda na imagem), Lírio Ferreira (à direita na imagem), entre outros, atingiram notoriedade internacional.[254] [255] [256]

Na televisão, diretores, produtores, roteiristas e dramaturgos pernambucanos como Aguinaldo Silva, Guel Arraes, João Falcão e George Moura realizaram diversas novelas, séries, minisséries e programas de auditório, como Senhora do Destino, Sexo Frágil, Cinquentinha, Esquenta!, entre muitas outras produções. George Moura, criador de sucessos como a minissérie Amores Roubados, foi seis vezes indicado ao Emmy International pelo roteiro de episódios do especial Por Toda a Minha Vida da Rede Globo.[257]

Pernambuco deu origem a nomes notórios do teatro, cinema e televisão, como Marco Nanini, Arlete Salles, Chacrinha, Hermila Guedes, Carmem Verônica, Virgínia Cavendish, Bruno Garcia, Guilherme Berenguer, Patrícia França, Rebecca da Costa, Arlindo Grund, Caio Braz, Armando Babaioff, Irandhir Santos, Anthero Montenegro, Tuca Andrada, Fabiana Karla, Chandelly Braz, Ernani Moraes, Luiz Armando Queiroz, Germano Haiut, Lucy Ramos, Cynthia Zamorano, Bruno Dubeux, Carolina Holanda, Arnaud Rodrigues, Aramis Trindade, André Valli, Beatriz Lyra, Déa Selva, Carvalhinho, Ilva Niño, Walter Breda, Gustavo Falcão, Giselle Tigre, Pedro Malta, Rodrigo Garcia, Lívia Falcão, Rayana Carvalho, Raquel Galvão, Edmílson Barros, Renato Góes, Johnny Hooker, Magdale Alves, Eleonora Prado, Aguinaldo Silva, Guel Arraes, João Falcão, George Moura, Cláudio Assis, Marcelo Gomes, Kleber Mendonça Filho, Heitor Dhalia, Lírio Ferreira, Hilton Lacerda, Katia Mesel, José de Anchieta, dentre outros tantos. Também nasceram em Pernambuco modelos de grande destaque internacional e nomes notórios da moda, como Arthur Sales, Emanuela de Paula, Isabella Melo, Rhaisa Batista, Rebecca da Costa, Kamila Hansen, Arlindo Grund, Camila Coutinho, Thereza Collor, entre outros.

Arte e artesanato[editar | editar código-fonte]

Os seguidores do ceramista pernambucano Mestre Vitalino fizeram de Caruaru o maior centro de arte figurativa das Américas – segundo a UNESCO.[258]
O artista plástico pernambucano Romero Britto e a presidente Dilma Rousseff na entrega do quadro Presidente Dilma. Em Pernambuco nasceram pintores, escultores e desiners de renome internacional, como Cícero Dias, Abelardo da Hora, Francisco Brennand, Aloísio Magalhães, Andree Guittcis, entre muitos outros.

O estado de Pernambuco apresenta uma grande variedade de produtos artesanais. Além do tipo figurativo, composto por peças que são verdadeiras obras de arte, há uma enorme quantidade de produtos utilitários, indispensáveis no dia-a-dia da população pernambucana. Pelos principais ramos, o artesanato pernambucano está assim dividido: Cestaria e trançados; bordados e rendas; cerâmica; couro; tecelagem; madeira; metal; tapeçaria.

O Instituto Ricardo Brennand abriga um dos maiores acervos de armas brancas do mundo, com mais de 3.000 peças, entre elas 27 armaduras medievais completas.[259]

Cerâmica - É a argila modelada e aquecida a ponto de manter a forma definitiva desejada. Basicamente, existem dois tipos: a cerâmica utilitária e a ornamental, embora atualmente grande número de peças de cerâmica utilitária seja utilizada para efeito decorativo.

Cestaria e trançados - São muitos os artigos produzidos com fibras vegetais: bolsas de vários tamanhos e modelos, tapetes, chapéus, cestas, esteiras, sacolas, estandartes etc. As fibras que servem de matéria-prima também são muitas, como o sisal (ou agave), folha de carnaubeira, folha de bananeira, de coqueiro, de ouricuri, buriti, catolé e outros. Além disso, também servem como matéria-prima: linhas de coser, cordões, cordas, linha de náilon, cola e arame.

Bordados - O bordado, executado sobre o tecido com agulha e linha, difere da renda porque esta não é aplicada sobre funda já existente: ela mesma é um tecido de malhas abertas e com textura delicada, cujos fios se entrelaçam formando um desenho. Os bordados existem em vários tipos: ponto-de-cruz, ponto-cheio, labirinto, renascença e outros. Já as rendas mais famosas são as de bilros.

Artigos de couro - São artigos como bolsas, cintos, chapéus, sapatos e outros, do tipo popular, destinados à população de baixa renda. Além desses produtos, também são confeccionados arreios para cavalo, bainhas para faca, moringas, cartucheiras, gibões e selas para montaria em animais. Os maiores centros produtores de artigos artesanais em couro do Estado são os municípios de Toritama e Timbaúba, produtores sobretudo de calçados, bolsas e cintos.

Artigos em madeira - Como a cerâmica, os artigos artesanais em madeira dividem-se em dois tipos: o utilitário e o decorativo. Entre as peça utilitárias, destacam-se a colher de pau, cabides, saleiros, açucareiros, etc. Entre as peças decorativas, destacam-se as talhas. Segundo o pesquisador Olímpio Bonald Neto, a arte do entalhamento, de origem européia, chegou a Pernambuco em meados do Século XVI, com a construção de templos e fortificações.

Pernambucanos como Cícero Dias, Vicente do Rego Monteiro, Romero Britto, Francisco Brennand, Telles Júnior, Abelardo da Hora, Murillo La Greca, Mestre Vitalino, J. Borges, Eudes Mota, Gilvan Samico, Paulo Bruscky, Galo de Souza, Aloísio Magalhães, Andree Guittcis, dentre muitos, alcançaram grande notoriedade nas artes plásticas e design.

Museus e parques[editar | editar código-fonte]

O Museu da Cidade do Recife está instalado no Forte das Cinco Pontas, construído pelos holandeses no Recife em 1630 para defender a entrada da cidade e os poços de água potável existentes nas imediações. Dispõe de biblioteca especializada sobre o Recife Antigo.

O Museu do Estado de Pernambuco está localizado no Recife. Seu acervo inclui mobiliário, artes decorativas, documentos e livros históricos, joalheria e etnografia indígena. O Centro de Documentação do Espaço Cícero Dias oferece para consulta uma biblioteca de 4 mil volumes que inclui obras raras.

O Museu do Homem do Nordeste, localizado no Recife, foi fundado em 1979, e criado a partir dos acervos do antigo Museu do Açúcar, do Museu de Antropologia e do Museu de Arte Popular. Fazendo parte do Instituto de Documentação da Fundação Joaquim Nabuco, sua concepção museológica e museográfica foi inspirada no conceito de museu regional, idealizado pelo sociólogo-antropólogo Gilberto Freyre.[260]

O Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco é um museu público estadual, localizado na cidade de Olinda. Inaugurado em 23 de dezembro de 1966, o museu integra a rede de equipamentos culturais da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Tem por objetivo a preservação, o estudo e a divulgação do seu acervo artístico, bem como a realização de atividades educativas e culturais. É um dos mais importantes museus em sua tipologia na região Nordeste, tendo exercido ao longo da história significativa influência para o desenvolvimento das artes plásticas em Pernambuco e região.

O Parque 13 de Maio, localizado entre as ruas da Saudade, João Lira, Princesa Isabel e do Hospício, na Boa Vista, Recife, é a maior concentração de área verde da cidade, com pista de cooper, pequeno zoológico, parque infantil e vários monumentos. Em seu entorno, estão alguns prédios centenários, como o da Faculdade de Direito do Recife (a primeira do país) e a sede da Câmara de Vereadores. Teve sua construção iniciada em 1892, na gestão do governador Alexandre José Barbosa Lima. Em 1939, foi transformado em parque pelo então prefeito Antônio Novaes Filho.

O Parque de esculturas de Francisco Brennand, Situado no molhe do Bairro do Recife, de frente à Praça do Marco Zero, foi inaugurado em dezembro de 2000. O espaço foi criado em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil, em realização ao projeto da Prefeitura do Recife "Eu vi o Mundo... Ele começava no Recife". O museu ao ar livre abriga 90 obras que retratam mistérios do artista plástico pernambucano Francisco de Paula de Almeida Brennand. No local, podem-se observar diversos monumentos de cerâmica, como as sereias, e várias esculturas em bronze, como os pelicanos. O destaque do ambiente é a "Torre de Cristal", construída com 32 metros de altura, composta por argila e bronze.

Festividades[editar | editar código-fonte]

Carnaval em Olinda. O Carnaval Recife/Olinda é considerado o mais democrático e culturalmente diverso do país.[261]

O Carnaval do Recife é um carnaval multifacetado, com formas diferentes de carnaval de rua, desfiles de agremiações carnavalescas e apresentações de cantores e conjuntos musicais em palanques específicos. O Recife possui o maior bloco carnavalesco do mundo, o Galo da Madrugada, que se apresenta no sábado de carnaval, ou "Sábado de Zé Pereira". Em 2006 o Galo reuniu mais de um milhão e meio de pessoas, mais que a população do Recife, façanha que o incluiu no Livro Guiness de Recordes. Em fins do Século XVII havia organizações, denominadas "Companhias", que se reuniam para comemorar a Festa de Reis. Essas companhias eram constituídas em sua maioria de pessoas de raça negra, escravos ou não, que suspendiam seus trabalhos e comemoravam o dia dos Santos Reis. Com a abolição da escravatura, começaram a aparecer agremiações carnavalescas baseadas nos maracatus e nos festejos dos Reis Magos. O primeiro clube carnavalesco de que se tem notícia foi o "Clube dos Caiadores", criado por Antônio Valente. Os participantes do clube compareciam à Matriz de São José, no bairro de São José, executando marchas. Seus participantes, levando nas mãos baldes, latas de tinta, escadinhas e varas com pincéis, subiam os degraus da igreja e a caiavam (pintavam), simbolicamente.

São João no Recife Antigo. Em Pernambuco são realizadas das principais festas juninas do país. Os festejos de Caruaru, no agreste pernambucano, disputam com os de Campina Grande na Paraíba o título de Maior São João do Mundo, embora Caruaru já esteja consolidada no Guinness Book.[262]

O Carnaval de Olinda é conhecido mundialmente pelos desfiles dos Bonecos de Olinda, bonecos de mais de dois metros, coloridos e de fácil localização, que saem às ruas junto com os foliões. Em seus primórdios, a história do carnaval de Olinda confunde-se com a história da folia no Recife e em Pernambuco. Tal como hoje a conhecemos, a maior festa popular do mundo é um evento relativamente recente, sendo marcado pelo surgimento de agremiações como o Clube Carnavalesco Misto Lenhadores, fundado em 1907, e o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, de 1912, ambos ainda presentes nos carnavais da atualidade. O carnaval de Olinda preserva as mais puras tradições da folia pernambucana e nordestina. Todo ano, pelas ruas e ladeiras da Cidade Alta desfilam centenas de agremiações carnavalescas e tipos populares, que mantêm vivas as genuínas raízes da mais popular festa do Brasil. São clubes de frevo, troças, blocos, maracatus, caboclinhos, afoxés, cujas manifestações traduzem a mistura dos costumes e tradições de brancos, negros e índios, base da formação do nosso povo e de nossa cultura.

O São João de Caruaru é um dos mais famosos do Brasil. Tem diversos polos de animação, shows artísticos, apresentação de grupos folclóricos e regionais e culinária típica rica em canjica, pamonha, bolo de milho, pé de moleque e outras iguarias à base de milho. Na maior festa de São João do mundo, o público chega a 1,5 milhão de pessoas. Jornalistas de várias partes do mundo registram a festa, que está no Guinness Book, na categoria maior festa country (regional) ao ar livre do mundo.[262]

Culinária[editar | editar código-fonte]

O bolo de rolo, um dos símbolos de Pernambuco. Outros doces criados no estado e considerados patrimônio imaterial são o bolo Souza Leão e a cartola.[263] Há ainda o nego bom, doce pernambucano muito popular, também conhecido como "bala de banana".

A culinária pernambucana foi influenciada diretamente pelas culturas portuguesa, africana e indígena. Diversas receitas originais provenientes de outros continentes foram adaptadas com ingredientes encontrados com facilidade na região, resultando em combinações únicas de sabores, cores e aromas.

A Tapioca do Alto da Sé de Olinda é considerada a mais tradicional do Brasil. A iguaria de origem indígena foi descoberta em Pernambuco, e se popularizou no Nordeste e Norte do país.[264]

Os pratos mais conhecidos são: a carne de sol, o queijo coalho, o arrumadinho, o escondidinho, o sururu, a caldeirada, o cozido, o caldinho de peixe ou camarão, a peixada pernambucana, o chambaril, o charque à brejeira, o bredo de coco, o quibebe, a tapioca, o angu, o mungunzá salgado, o sarapatel, a buchada e o feijão de coco, entre outros. Entre as sobremesas típicas de Pernambuco podemos citar o bolo de rolo, o bolo Souza Leão, o bolo pé de moleque, o bolo de macaxeira, o bolo de mandioca, o bolo barra branca, a cartola, o nego bom e o sorvete de tapioca. No São João as comidas de milho estão presentes na pamonha, na canjica, no bolo de milho, no mungunzá doce, dentre outras iguarias.

Recife é o terceiro polo gastronômico do Brasil, e Pernambuco o estado com o maior número de restaurantes estrelados pelo Guia Quatro Rodas no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul brasileiro.[265] [266]

O bolo Sousa Leão, o bolo de rolo e a cartola receberam, por lei, status de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de Pernambuco.

A Tapioca do Alto da Sé de Olinda, considerada a mais tradicional do Brasil e preservada pela "Associação das Tapioqueiras de Olinda", recebeu o título de patrimônio imaterial da cidade.

O Recife é o terceiro maior polo gastronômico do Brasil segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), com cerca de 10 mil estabelecimentos, perdendo apenas para Rio de Janeiro e São Paulo.[265] [267] A Rua da Hora, no bairro do Espinheiro, Zona Norte da capital pernambucana, vem se tornando um reduto da culinária recifense, com os mais variados cardápios: da culinária japonesa à nikkei, passando pelos ingredientes regionais.[268] [269]

Pernambuco é o estado com o maior número de restaurantes estrelados pelo exigente Guia Quatro Rodas no Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sul brasileiro, e o quarto do Brasil, atrás somente de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. 16 estabelecimentos pernambucanos, que contam com chefs renomados e que vão da cozinha regional às cozinhas lusitana, italiana, francesa, japonesa e peruana, foram agraciados.[270]

Esportes[editar | editar código-fonte]

Os pernambucanos Karol Meyer e Carlos Burle entraram para o Guinness Book: ela como o ser humano com o maior tempo de mergulho em apneia; e ele com a maior onda surfada no planeta.

O esporte mais popular no estado de Pernambuco é o futebol.

Pernambuco é líder entre os estados do Norte-Nordeste no ranking da CBF, sendo o segundo colocado a Bahia e o terceiro o Ceará.[271]

Pernambuco é também o estado do Norte-Nordeste que mais se destaca em outras modalidades esportivas: é o segundo estado brasileiro em número de títulos nacionais de hóquei, tanto no campeonato masculino quanto no feminino, atrás somente de São Paulo, e o Sport Club do Recife um dos dois únicos clubes brasileiros a conquistar um Campeonato Sul-Americano de Hóquei; e é o único estado fora do Centro-Sul com títulos Brasileiro e Sul-Americano de basquete, obtidos pela equipe feminina do Sport Club do Recife entre 2013 e 2014.[272] [273] [274]

Como ocorreu em outros estados brasileiros, o futebol em Pernambuco também foi introduzido por um brasileiro que estudou na Europa, no caso o pernambucano Guilherme de Aquino Fonseca.

As pernambucanas Jaqueline e Dani Lins foram decisivas na conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Londres 2012 pela Seleção Brasileira de Voleibol Feminino. Pernambuco deu origem a atletas de alto rendimento, como Pampa, Yane Marques, Joanna Maranhão, entre diversos outros.

Filho de João de Aquino Fonseca e Maria Eugênia Regadas de Aquino Fonseca, Guilherme foi estudar na Inglaterra, aos 13 anos de idade, no Hooton Lown Schoool, onde aprendeu a técnica do jogo. Em 1903, ao voltar para o Recife e fascinado pelo esporte, resolveu fundar um clube onde se praticasse o futebol, o críquete, o rugby e o tênis. Trouxe da Inglaterra o material e os apetrechos necessários para a prática desses esportes, porém teve que enfrentar muitas dificuldades. Na época, já existiam dois clubes esportivos na cidade, o Internacional e o Náutico. Nenhum dos dois, no entanto, oferecia atividades para uma vida esportiva atuante. O Internacional, originário de um clube de regatas, limitava-se a realização de bailes e jogos de carta. O Náutico, por sua vez, fundado no dia 7 de abril de 1901 e dedicado exclusivamente a esportes aquáticos, como o remo, praticamente não tinha competições por falta de concorrentes.

O pernambucano Rivaldo é o único futebolista do Norte-Nordeste eleito melhor jogador do mundo pela FIFA; já Juninho Pernambucano foi eleito o melhor batedor de faltas da história do futebol mundial.[275] [276] Pernambuco deu origem a jogadores de futebol e futsal destacados, como Vavá, Ademir Menezes, Ricardo Rocha, Hernanes, dentre muitos nomes.

Guilherme fez várias tentativas com os dirigentes do Náutico para que o clube aderisse ao futebol, mas havia um grupo contrário que afirmava não ser o futebol um esporte, mas sim uma troca de pontapés. Ele recorreu, então, aos funcionários da firma inglesa Great Western, que costumavam jogar bola nos finais de semana em suas casas, conseguindo realizar alguns jogos, em campos improvisados no bairro do Derby. Em 1904, reunindo onze jogadores, ele conseguiu disputar uma partida experimental contra o time da Great Western. No dia 13 de maio do ano seguinte, fundou oficialmente o Sport Club do Recife.

Recife foi uma das 6 sedes da Copa do Mundo de 1950 (única do Norte-Nordeste). Na capital pernambucana ocorreu uma partida no Estádio da Ilha do Retiro entre Chile e Estados Unidos, com vitória dos chilenos por 5 a 2. Recife também será uma das sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014.

O Campeonato Pernambucano de Futebol, um dos principais torneios estaduais do país, é disputado desde 1915, tendo como campeão sempre um time da capital.

Os principais times do estado são:

O Sport Club do Recife, o que mais títulos estaduais possui (40), sendo ainda campeão da Copa do Brasil de 2008, Campeão Brasileiro de 1987, vice-campeão da Copa do Brasil de 1989, Campeão Brasileiro da Série B de 1990 e vice-campeão da Copa dos Campeões de 2000;[277] [278] [279]

O Santa Cruz Futebol Clube, com 27 títulos pernambucanos, além de 3º colocado no Campeonato Brasileiro de 1975, Campeão Brasileiro da Série C de 2013, vice-campeão da Série B em 1999 e 2005 e da Série D em 2011, e detentor de um título de honra, o Fita Azul do Brasil, por ter retornado invicto ao país após uma excursão internacional na qual enfrentou times de futebol como o Paris Saint-Germain e as seleções da Romênia, do Kuwait, do Bahrein e do Catar;

O Náutico, clube mais antigo de Pernambuco e terceiro time em número de torcedores no futebol do estado, é mandante na Arena Pernambuco (foto), estádio administrado pela Anschutz Entertainment Group, construído para a Copa das Confederações de 2013 e para a Copa do Mundo FIFA de 2014.

E o Clube Náutico Capibaribe, que detém a marca de mais títulos estaduais consecutivos (Hexacampeão) de um total de 21 conquistas e os títulos de Vice-Campeão Brasileiro de 1967 (além de dois terceiros e dois quartos lugares na Taça Brasil) e vice-campeão da Série B nos anos de 1988 e 2011.

Os três principais clubes pernambucanos estão entre os mais antigos e tradicionais do Brasil.

O Sport, em parceria com a Faculdade Maurício de Nassau, também participa de competições nacionais de voleibol, basquete e hóquei em patins.

O Santa Cruz, segundo time pernambucano em número de torcedores, tem a maior média de público do Brasil e a 39ª do mundo.[280] Manda os seus jogos no Estádio do Arruda (foto), maior estádio de Pernambuco.

Outros clubes esportivos importantes no estado são o América Pernambuco, com seis títulos estaduais de futebol e o Troféu Nordeste,[281] além do Clube Português do Recife, do Central, do Porto, do Ypiranga, do Salgueiro, do Petrolina, do Serra Talhada, do Belo Jardim e do Araripina.

Os maiores times de Pernambuco possuem estádios próprios. O maior estádio construído é o Estádio do Arruda, pertencente ao Santa Cruz. Destaque ainda para a Ilha do Retiro, pertencente ao Sport, e para o Estádio dos Aflitos, que pertence ao Náutico, sendo que o Náutico manda os seus jogos atualmente na Arena Pernambuco, um novo e moderno estádio construído em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, para a Copa das Confederações de 2013 e para a Copa do Mundo FIFA de 2014, e que terá em seu entorno a Cidade da Copa, primeira cidade inteligente da América Latina.[282]

Pernambuco deu origem a nomes de destaque do esporte brasileiro, como Vavá, Rivaldo, Juninho Pernambucano, Hernanes, Ricardo Rocha, Josué, Manga, Biro-Biro, Ademir Menezes, Almir Pernambuquinho, Manoel Tobias, Karol Meyer, Carlos Burle, Jaqueline Carvalho, Dani Lins, Pampa, Yane Marques, Bráulio Estima, Samira Rocha, Deborah Hannah, Beto Monteiro, Teliana Pereira, Joanna Maranhão, Keila Costa, João Paulo Batista, Wagner Domingos, Luizomar de Moura, Dado Cavalcanti, Gustavo Zloccowick, entre outros. Nelson Piquet, tricampeão mundial de Fórmula 1, é filho do casal pernambucano Estácio Gonçalves Souto Maior e Clotilde Piquet. O pai, médico e político, se mudou para o Rio de Janeiro (então capital do Brasil), onde nasceu o automobilista.

O Sport é um dos principais clubes esportivos de Pernambuco. Na foto a Ilha do Retiro, sede oficial da agremiação e único estádio do Norte-Nordeste que sediou jogo da Copa do Mundo de 1950. A estrutura do clube abriga quadras de vôlei, basquete, tênis, handebol, hóquei, entre outros esportes.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Igreja do Carmo com o mar azul turquesa de Olinda ao fundo, cartão postal de Pernambuco.

O turismo no estado de Pernambuco oferece diversas atrações históricas, naturais e culturais. As principais localidades turísticas do estado de Pernambuco são: Fernando de Noronha, Porto de Galinhas, Cabo de Santo Agostinho, Olinda, Recife, Igarassu, Itamaracá, Gravatá, Triunfo, Garanhuns e Caruaru.

O templo católico mais antigo do país localiza-se em Igaraçu e foi construída em 1535. O Galo da Madrugada é considerado o maior bloco carnavalesco do mundo, reunindo quase 2 milhões de pessoas.

Segundo a pesquisa "Hábitos de Consumo do Turismo Brasileiro 2009", realizada pela Vox Populi, Pernambuco foi o segundo destino turístico preferido dos brasileiros, já que 11,9% dos turistas optaram pelo estado nas categorias pesquisadas;[283] e segundo a International Congress And Convention Association (ICCA), Pernambuco é o terceiro melhor polo de eventos internacionais do Brasil.[284]

Recife, conhecida como a "Capital Brasileira dos Naufrágios", atrai mergulhadores de todo o mundo por sua rica vida marinha e suas águas calmas e cristalinas com temperaturas próximas dos 30 graus.[285] [286] [287] Fora do litoral da capital pernambucana há também o Arquipélago de Fernando de Noronha (foto), pertencente à Mesorregião Metropolitana do Recife e considerado um dos melhores lugares para a prática de mergulho do planeta.

O litoral é o principal atrativo. Milhões de turistas desembarcam todos os anos no aeroporto do Recife. Há alguns anos o estado vem investindo intensamente na melhora da infraestrutura e em projetos de interiorização do turismo, como no desenvolvimento do ecoturismo.

O litoral do estado de Pernambuco tem cerca de 187 km de extensão, entre praias e falésias, zonas urbanas e locais praticamente intocados. Faz divisa ao norte com a Paraíba e ao sul com Alagoas. Além das praias, possui o arquipélago de Fernando de Noronha, Patrimônio Natural da Humanidade, e suas 16 praias.

Porto de Galinhas foi eleita por 10 vezes consecutivas a Melhor Praia do Brasil — segundo a Revista Viagem e Turismo, da Editora Abril.[288]

Pernambuco oferece dez rotas de turismo que vão do litoral ao interior criadas pela Empetur, que visam explorar os principais pontos turísticos de cada região do estado de acordo com suas potencialidades, que vão do turismo de sol e mar e ecoturismo ao turismo serrano e religioso.

Entre as praias mais procuradas do estado estão: Boa Viagem, Barra de Jangada, Calhetas, Porto de Galinhas, Serrambi, Guadalupe, Praia dos Carneiros, Maria Farinha, Nossa Senhora do Ó, Ilha de Itamaracá e a Ilhota da Coroa do Avião.

O Litoral Sul do estado, que tem cerca de 110 km de praias, é totalmente protegido por corais, que formam irresistíveis piscinas naturais de águas mornas. É famoso por diversas praias conhecidas nacional e internacionalmente, como Porto de Galinhas. Turistas de todo o país se hospedam nos luxuosos hotéis e resorts do litoral sul do estado.

Triunfo tem temperatura amena apesar de estar situada no sertão pernambucano. Isso é possível graças à sua altitude (1.010 m), uma das mais elevadas do Norte-Nordeste. Na cidade ocorre uma das etapas do Circuito do Frio, evento multicultural realizado entre julho e agosto em cinco cidades serranas (as outras etapas acontecem em Garanhuns, Gravatá, Pesqueira e Taquaritinga do Norte).[289]

O Litoral Norte do estado é mais densamente habitado que o litoral sul, quase urbanizado por completo desde a Região Metropolitana do Recife até a divisa com a Paraíba. Tem alguns dos sítios históricos mais importantes do Brasil, como os dos municípios de Olinda, Igarassu, Itamaracá e Goiana. Construções do brasil-colônia, como o Forte Orange na ilha de Itamaracá e a Igreja dos Santos Cosme e Damião em Igarassu (a mais antiga igreja do Brasil em funcionamento), são muito visitadas por turistas que passam pela região. As praias também são muito procuradas. O litoral norte pernambucano também é conhecido por abrigar o Veneza Water Park, um dos maiores parques aquáticos do Brasil, situado na praia de Maria Farinha em Paulista.

A Baía do Sancho, em Fernando de Noronha, foi eleita a melhor praia do mundo pelos usuários do TripAdvisor.[290]

O arquipélago de Fernando de Noronha tem destaque nacional e mundial. Pelas ilhas é possível avistar os golfinhos saltadores. As principais atrações do arquipélago são: Forte de Nossa Senhora dos Remédios de Fernando de Noronha, Vila dos Remédios, Praia da Conceição, Praia do Boldró, Baía dos Porcos, Baía do Sancho (cercada por falésias cobertas de vegetação), Baía dos Golfinhos, Praia da Cacimba do Padre, Morro Dois Irmãos, Reduto de São Joaquim de Fernando de Noronha, Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico de Fernando de Noronha e Reduto de Santana de Fernando de Noronha. Todo o arquipélago é tombado pelo Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

O município de Bonito, no agreste de Pernambuco, é o principal destino de turismo de aventura no estado. Em meio a cachoeiras e natureza exuberante, pratica-se rapel, tirolesa, trekking, arborismo, entre outras atividades.[291]

O Circuito do Frio é uma opção para os que procuram um clima ameno. Trata-se de um evento multicultural, realizado no mês de julho e começo de agosto em cinco cidades serranas do interior pernambucano: Garanhuns, Triunfo, Gravatá, Pesqueira e Taquaritinga do Norte. O Festival de Inverno de Garanhuns (FIG), criado em 1991, foi o primeiro evento, que deu início ao costume de seguir para o interior de Pernambuco na época mais fria do ano. O FIG apresenta uma maratona de atrações nacionalmente conhecidas nas praças e parques. São 12 polos, espalhados por toda a cidade de Garanhuns, num evento que mistura diversos estilos musicais – rock, MPB, blues, jazz, forró e música instrumental, para citar alguns –, teatro, cinema, circo, gastronomia, folguedos populares e outras formas de manifestação cultural. Triunfo, por sua vez, é um dos destinos mais concorridos do circuito. Poucos municípios têm o privilégio de reunir tantos atrativos quanto Triunfo: o clima (a cidade está a 1.004 metros de altitude) que propicia o cultivo de flores, o casario singelo, as antigas construções, os seculares conventos, o Cine-Teatro Guarany, os engenhos de cana-de-açúcar e a Lagoa João Barbosa. Gravatá, localizada a 85 quilômetros do Recife, é um dos locais mais acessíveis do evento. Andar pela cidade, tomar chocolate quente, parar nos restaurantes tradicionais de culinária típica para comer galinha à cabidela ou buchada de bode são programas imperdíveis. Em Gravatá, o Circuito do Frio recebe o nome de Festa da Estação. Cidade de larga tradição rendeira, Pesqueira realiza há cinco anos a Festa da Renascença, justamente o nome da renda feita na região. Já a cidade das praças e das flores, Taguaritinga do Norte, comanda a Festa das Dálias.[289]

Feriados[editar | editar código-fonte]

No estado de Pernambuco são observados as seguintes datas comemorativas[292] :

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Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Vários. Almanaque Abril 2007. São Paulo: Abril, 2007. 692-693 pp.
  • Vários. Grande Enciclopédia Larousse Cultural. Santana do Parnaíba: Plural, 1998. 4558-1561 pp. vol. XIX. ISBN 85-13-00773-0

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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