Pernambuco
| Estado de Pernambuco | |
| Hino: Hino de Pernambuco | |
| Gentílico: Pernambucano (a) | |
| Localização | |
| - Região | Nordeste |
| - Estados limítrofes | Bahia, Piauí, Alagoas, Ceará e Paraíba |
| - Mesorregiões | 5 |
| - Microrregiões | 19 |
| - Municípios | 185 |
| Capital | |
| Governo | 2011 a 2015 |
| - Governador(a) | Eduardo Campos (PSB) |
| - Vice-governador(a) | João Lyra Neto (PDT) |
| - Deputados federais | 25 |
| - Deputados estaduais | 49 |
| - Senadores | Armando Monteiro Neto (PTB) Jarbas Vasconcelos (PMDB) Humberto Costa (PT) |
| Área | |
| - Total | 98 311,616 km² (19º) [1] |
| População | 2010 |
| - Estimativa | 8 796 032 hab. (7º)[2] |
| - Densidade | 89,47 hab./km² (6º) |
| Economia | 2009[3] |
| - PIB | R$78,428 bilhões (10º) |
| - PIB per capita | R$8 901,93 (20º) |
| Indicadores | 2009[4] |
| - Esper. de vida | 69,1 anos (25º) |
| - Mort. infantil | 35,7‰ nasc. (25º) |
| - Analfabetismo | 17,6% (21º) |
| - IDH (2005) | 0,718 (23º) – médio[5] |
| Fuso horário | UTC-3 |
| Clima | tropical atlântico (no litoral) e semi-árido (no agreste e sertão) Am, Bsh |
| Cód. ISO 3166-2 | BR-PE |
| Site governamental | www.pe.gov.br |
Pernambuco é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Está localizado no centro-leste da região Nordeste e tem como limites os estados da Paraíba (N), do Ceará (NO), de Alagoas (SE), da Bahia (S) e do Piauí (O), além de ser banhado pelo oceano Atlântico (L). Ocupa uma área de 98 311 km² (pouco menor que a Coreia do Sul). Também fazem parte do seu território os arquipélagos de Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo. Sua capital é a cidade do Recife e a sede administrativa é o Palácio do Campo das Princesas.[6][7][8]O atual governador é Eduardo Campos (PSB).[9]
O maior aglomerado urbano de Pernambuco é a Região Metropolitana do Recife (RMR), um dos principais polos industriais do Nordeste. Os municípios mais populosos da metrópole pernambucana são Recife, Jaboatão dos Guararapes, Olinda e Paulista.[10] E as cidades mais importantes fora da RMR são: Vitória de Santo Antão, Goiana, Carpina e Palmares, na Zona da Mata; Caruaru, Garanhuns, Santa Cruz do Capibaribe e Belo Jardim, no Agreste; e Petrolina, Serra Talhada, Araripina e Salgueiro no Sertão.
Uma das primeiras regiões do Brasil a ser ocupada pelos portugueses, Pernambuco foi também o mais importante núcleo econômico e um dos principais núcleos políticos do período colonial.[11] O estado teve ativa participação em diversos episódios da história brasileira: foi palco das Batalhas dos Guararapes, decisivas na Insurreição Pernambucana e consideradas a origem do Exército Brasileiro; e serviu de berço a movimentos de caráter nativista ou de ideais libertários, como a Guerra dos Mascates, a Revolução Pernambucana, a Confederação do Equador e a Revolta Praieira.[12]
Pernambuco é atualmente o décimo estado mais rico do Brasil; e Recife a cidade com o maior PIB per capita entre as capitais da Região Nordeste.[13] No estado nasceram nomes de destaque da indústria brasileira, como Norberto Odebrecht, José Ermírio de Morais, Edson Mororó Moura e Antônio de Queiroz Galvão. O nível de desenvolvimento social pernambucano é superior ao dos países menos avançados, mas ainda está abaixo da média brasileira. Não obstante, Pernambuco detém o melhor serviço de coleta de esgoto do Norte, Nordeste e Sul brasileiro segundo o IBGE, e apresenta a terceira melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste segundo a FIRJAN.[14][15][16]
Conhecido por sua ativa e rica cultura popular, Pernambuco é berço de várias manifestações tradicionais, como o frevo e o maracatu, bem como detentor de um vasto patrimônio histórico, artístico e arquitetônico, sobretudo no que se refere ao período colonial. Na década de 1990, surgiu em Pernambuco o manguebeat, amálgama do rock, do pop, do rap e do funk com os ritmos locais. Nasceram no estado nomes de peso no cenário internacional: Paulo Freire, um dos pensadores mais notáveis da história da pedagogia mundial e brasileiro mais homenageado de todos os tempos; Gilberto Freyre, um dos maiores sociólogos do século XX; Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente da República Federativa do Brasil; entre outros. O estado também deu origem a grandes literatos brasileiros, como Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Nabuco, entre muitos outros,[9] bem como a nomes de destaque das artes visuais e design, como Cícero Dias, Romero Britto, Abelardo da Hora e Andree Guittcis. Pernambuco deu origem ainda a grandes nomes das ciências exatas, como Mário Schenberg, Leopoldo Nachbin, Paulo Ribenboim, Israel Vainsencher, entre outros tantos.
O estado é representado na bandeira do Brasil pela estrela Mµ de Escorpião.[17]
Índice |
[editar] Etimologia
A origem do nome Pernambuco é controversa, alguns estudiosos afirmam que vem do nome tupi: pa'ra'nã = "mar" mais buka = ("furo de mar"), referência dada aos índios no canal de santa cruz que cerca a toda ilha de itamaracá.[18]; Segundo outros afirmam que era a denominação nas línguas indígenas locais da época do descobrimento para o pau-brasil; Pode se originar, ainda, da palavra tupi paranãbuku, que significa "mar comprido", através da junção dos termos paranã ("mar") e puku ("comprido, alto").[19].
Os habitantes naturais do estado do Pernambuco são denominados pernambucanos.[20] Quanto a pronúncia do gentílico (per.nam.bu.ca.no) significa do top. Pernambuco mais ano, que significa pessoa nascida ou que vive em Pernambuco, as pronúncias aceita de acordo com as flexões gramaticais, segue os exemplo: "o pernambucano e a pernambucana; os pernambucanos e as pernambucanas".[21]
[editar] História
[editar] Período pré-colonial
O Nordeste brasileiro concentra alguns dos mais antigos sítios arqueológicos conhecidos do país, com datação superior a 40 000 anos antes do presente.[22] Na região que hoje corresponde ao estado de Pernambuco, foram identificados vestígios seguros de ocupação humana superiores a 11 000 anos, nas regiões de Chã do Caboclo, em Bom Jardim, e Furna do Estrago, em Brejo da Madre de Deus. Nesta última região, foi descoberta uma importante necrópole pré-histórica, com 125 metros quadrados de área coberta, de onde foram resgatados 83 esqueletos humanos em bom estado de conservação.[23][24][25]
Dentre os grupos indígenas que habitaram o estado, identificou-se a tradição cultural Itaparica, responsável pela confecção de artefatos líticos lascados há mais de 6 000 anos.[26] No Agreste pernambucano, conservam-se pinturas rupestres com data aproximada de 2 000 anos antes do presente, atribuídas à subtradição denominada Cariris velhos.[27] Na época da colonização portuguesa, habitavam o litoral pernambucano os Tabajaras e os Caetés, já desaparecidos. Nos brejos interioranos do estado ainda é possível encontrar grupos indígenas remanescentes das antigas tradições, como os Pankararu (em Tacaratu) e os Atikum (em Floresta).[28]
[editar] Período colonial
- Os primeiros anos
Em 1501, ano seguinte ao da chegada dos portugueses ao Brasil, o território de Pernambuco, definido pelo Tratado de Tordesilhas como região pertencente à América portuguesa, é explorado pela expedição de Gaspar de Lemos, que teria criado feitorias ao longo da costa da colônia, incluindo, possivelmente na atual localidade de Igarassu, cuja defesa seria futuramente confiada a Cristóvão Jacques. O povoamento efetivo de Pernambuco, entretanto, inicia-se em 1534, quando a colônia portuguesa é dividida em capitanias hereditárias. O território do atual estado de Pernambuco equivale à quase totalidade da capitania de Pernambuco, doada a Duarte Coelho, e parte da capitania de Itamaracá, doada a Pero Lopes de Sousa. Estendia-se por 60 léguas entre o rio Igaraçu e o rio São Francisco
Em 1535, Duarte Coelho tomou posse da capitania, a princípio batizada de "Nova Lusitânia", mas que pouco tempo depois recebeu a denominação que mantém até hoje. Em 1537, os povoados de Igarassu e Olinda, estabelecidos em 1535, junto com chegada do donatário, foram elevados a vila. Olinda recebeu o status de capital administrativa e seu porto, habitado por pescadores, daria origem à cidade de Recife. As vilas de Igarassu e Olinda, entre os primeiros núcleos de povoamento do Brasil, serviram de ponto de partida de expedições desbravadoras do interior da capitania. Uma dessas expedições, chefiada pelo filho do donatário, Jorge de Albuquerque, penetrou o sertão até o rio São Francisco, assegurando o domínio e expansão do interior do território e combatendo os índios hostis. Duarte Coelho, por sua vez, tratou de instalar em Pernambuco os primeiros engenhos de açúcar da colônia, incentivando também o plantio do algodão.
Em pouco tempo, a capitania de Pernambuco se tornou a principal produtora de açúcar da colônia portuguesa. Consequentemente, era também a mais próspera e influente das capitanias hereditárias. Surge em Pernambuco o protótipo da sociedade açucareira dos grandes latifundiários da cana-de-açúcar, que perdurará de forma majoritária nos dois séculos seguintes. O cultivo da cana-de-açúcar adaptou-se facilmente ao clima pernambucano e ao solo massapê. A maior proximidade geográfica de Portugal, barateando o custo do transporte, a abundância do pau-brasil, o cultivo do algodão e os grandes investimentos feitos pelo donatário na fundação de vilas e na pacificação dos índios são outros fatores que ajudam a explicar o progresso da capitania. Tal prosperidade, entretanto, transformou a capitania em um ponto cobiçado por piratas europeus. Já em 1595, o corsário inglês James Lancaster tomou de assalto o porto de Recife e passou a saquear as riquezas transportadas do interior. Partiu um mês depois, levando as pilhagens em quinze embarcações.
[editar] Invasão holandesa
Em 1630, a capitania foi invadida pela Companhia das Índias Ocidentais. Por ocasião da União Ibérica (1580 a 1640) a então chamada República Holandesa, antes dominados pela Espanha tendo depois conseguido sua independência através da força, veem em Pernambuco a oportunidade para impor um duro golpe na Espanha, ao mesmo tempo em que tirariam o prejuízo do fracasso na Bahia. Em 26 de dezembro de 1629 partia de São Vicente, Cabo Verde, uma esquadra com 66 embarcações e 7.280 homens em direção a Pernambuco. Os holandeses, desembarcando na praia de Pau Amarelo, conquistam a capitania de Pernambuco em fevereiro de 1630 e estabelecem a colônia Nova Holanda. A frágil resistência portuguesa na passagem do Rio Doce, invadiu sem grandes contratempos Olinda e derrotou a pequena, porém aguerrida, guarnição do forte (que depois passaria a ser chamado de Brum), porta de entrada para o Recife através do istmo que ligava as duas cidades.
O governo de Maurício de Nassau ajudou a desenvolver a cidade (Mauritsstad, ou Mauriceia) - até então com poucos habitantes portugueses - com diversas obras de infra-estrutura, benefícios fiscais e empréstimos. Neste período, Recife foi considerada a mais próspera e urbanizada cidade das Américas e com a maior comunidade judaica de todo o continente, sendo construída nessa época a primeira sinagoga da América.[30] A primeira ponte da América Latina também foi construída na gestão de Nassau, em 1643.[31]
Por diversos motivos, sendo um dos mais importantes a exoneração de Maurício de Nassau do governo da capitania pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o povo de Pernambuco se rebelou contra o governo, juntando-se à fraca resistência ainda existente, num movimento denominado Insurreição Pernambucana. Com a chegada gradativa de reforços portugueses, os holandeses por fim foram expulsos em 1654, na segunda Batalha dos Guararapes. Foi nesta ocasião que se diz ter nascido o Exército brasileiro.
Após a expulsão holandesa, o estado passou a declinar junto com restante do Nordeste, devido à transferência do centro político-econômico para o Sudeste, o que resultou em conflitos como a Revolução Pernambucana e a Confederação do Equador, movimento separatista pernambucano. A qualidade do açúcar refinado holandês, agora produzido nas Antilhas, superior ao mascavo brasileiro, também ajudou a acelerar a decadência do estado, que era baseado nos latifúndios de cultivo de cana-de-açúcar. Buscando novos meios de renda, aumenta o comércio no estado gradativamente. Este efeito foi estopim de revoltas como a Guerra dos Mascates.
[editar] Insurreição Pernambucana
Em 15 de maio de 1645, reunidos no Engenho de São João, 18 líderes insurretos pernambucanos assinaram compromisso para lutar contra o domínio holandês na capitania. Com o acordo assinado, começa o contra-ataque à invasão holandesa. A primeira vitória importante dos insurretos se deu no Monte das Tabocas, (hoje localizada no município de Vitória de Santo Antão) onde 1200 insurretos mazombos armados de armas de fogo, foices, paus e flechas derrotaram numa emboscada 1900 holandeses bem armados e bem treinados.
O sucesso deu ao líder Antônio Dias Cardoso o apelido de Mestre das Emboscadas. Os holandeses que sobreviveram seguiram para Casa Forte, sendo novamente derrotado pela aliança dos mazombos, índios nativos e escravos negros. Recuaram novamente para as casas-forte em Cabo de Santo Agostinho, Pontal de Nazaré, Sirinhaém, Rio Formoso, Porto Calvo e Forte Maurício, sendo sucessivamente derrotados pelos insurretos.
Por fim, Olinda foi recuperada pelos rebeldes. Cercados e isolados pelos rebeldes numa faixa que ficou conhecida como Nova Holanda, indo do Recife a Itamaracá, os invasores começaram a sofrer com a falta de alimentos, o que os levou a atacar plantações de mandioca nas vilas de São Lourenço, Catuma e Tejucupapo. Em 24 de abril de 1646, ocorreu a famosa Batalha de Tejucupapo, onde mulheres camponesas armadas de utensílios agrícolas e armas leves expulsaram os invasores holandeses, humilhando-os definitivamente. Esse fato histórico consolidou-se como a primeira importante participação militar da mulher na defesa do território brasileiro.
Devido a Primeira Guerra Anglo-Neerlandesa, a República Holandesa não pôde auxiliar os holandeses no Brasil. Com o fim da guerra contra os ingleses, a República Holandesa exige a devolução da colônia em maio de 1654. Sob ameaça de uma nova invasão do Nordeste brasileiro, Portugal cede à exigência dos holandeses que Portugal pague 4 milhões cruzados para República Holandesa entre um período de 16 anos. Porém, em 6 de agosto de 1661 a República Holandesa cede formalmente o Nordeste brasileiro à Portugal através da Paz de Haia.
[editar] Movimentos nativistas e separatistas
[editar] Guerra dos Mascates (1710-1711)
Após a invasão holandesa, muitos comerciantes vindos de Portugal - chamados pejorativamente de "mascates" - estabelecem-se no Recife, trazendo prosperidade à vila. O desenvolvimento do Recife foi visto com desconfiança pelos olindenses, em grande parte formada por senhores de engenho em dificuldades econômicas. O conflito de interesses políticos e econômicos entre a nobreza açucareira pernambucana e os novos burgueses deu origem à Guerra dos Mascates, durante a qual o Recife foi palco de combates e cercos.[33][34][35][36]
A Guerra dos Mascates é considerada como um movimento nativista, precursor da Independência do Brasil, pela historiografia em História do Brasil.
[editar] Conspiração dos Suaçunas (1801)
A Conspiração dos Suaçunas, também conhecida por sua grafia arcaica – Conspiração dos Suassunas[37] –, foi um projeto de revolta que se registrou em Olinda no alvorecer do século XIX.
Influenciada pelas idéias do Iluminismo e pela Revolução Francesa (1789), algumas pessoas, entre as quais Manuel Arruda Câmara - membro da Sociedade Literária do Rio de Janeiro - , em 1796, fundaram a primeira loja maçônica do Brasil, Areópago de Itambé, localizada no município pernambucano de Itambé, da qual não participavam europeus.
As mesmas idéias também eram discutidas por padres e alunos do Seminário de Olinda, fundado pelo bispo dom José Joaquim da Cunha Azeredo Coutinho em 16 de fevereiro de 1800. Esta instituição teve, entre os seus membros, o padre Miguel Joaquim de Almeida Castro (padre Miguelinho), um dos futuros implicados na revolução pernambucana de 1817.
[editar] Revolução Pernambucana (1817)
A chamada Revolução Pernambucana, também conhecida como "Revolução dos Padres", eclodiu em 6 de março de 1817 na então Província de Pernambuco.
Dentre as suas causas destacam-se a crise econômica regional, o absolutismo monárquico português e a influência das idéias Iluministas, propagadas pelas sociedades maçônicas.
O movimento iniciou com ocupação do Recife, em 6 de março de 1817. No regimento de artilharia, o capitão José de Barros Lima, conhecido como Leão Coroado, reagiu à voz de prisão e matou a golpes de espada o comandante Barbosa de Castro. Depois, na companhia de outros militares rebelados, tomou o quartel e ergueu trincheiras nas ruas vizinhas para impedir o avanço das tropas monarquistas. O governador Caetano Pinto de Miranda Montenegro refugiou-se no Forte do Brum, mas, cercado, acabou se rendendo.
O movimento foi liderado por Domingos José Martins, com o apoio de Antônio Carlos de Andrada e Silva e de Frei Caneca. Tendo conseguido dominar o Governo Provincial, se apossaram do tesouro da província, instalaram um governo provisório e proclamaram a República.
[editar] Brasil imperial
A Capitania de Pernambuco tinha sido, até meados do século XVIII, o mais importante núcleo econômico e um dos principais núcleos políticos do Brasil.[38] No século XIX, a Província de Pernambuco era ainda uma das mais importantes do Império, mantendo a primazia em relação às vizinhas províncias do Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas e Sergipe. Todavia, a economia da província é afetada pela decadência do açúcar e do algodão. A estrutura agrária herdada do período colonial se mantém baseada no latifúndio e um pequeno número de famílias proprietárias controlava a maior parte das terras. Nabuco de Araújo afirmava: "Enumerai os engenhos da província e vos damos fiança de que um terço deles pertencem aos Cavalcanti.[39]
[editar] Movimentos separatistas
[editar] Confederação do Equador (1824)
A Confederação do Equador foi um movimento revolucionário, de caráter emancipacionista (ou autonomista) e republicano ocorrido em Pernambuco. Representou a principal reação contra a tendência absolutista e a política centralizadora do governo de D. Pedro I (1822-1831), esboçada na Carta Outorgada de 1824, a primeira Constituição do país.
O conflito possui raízes em movimentos anteriores na região: a Guerra dos Mascates e a Revolução Pernambucana, esta última de caráter republicano.
O centro irradiador e a liderança da revolta couberam à província de Pernambuco, que já se rebelara em 1817 e enfrentava dificuldades econômicas. Além da crise, a província se ressentia ao pagar elevadas taxas para o Império, que as justificava como necessárias para levar adiante as guerras provinciais pós-independência (algumas províncias resistiam à separação de Portugal).
Pernambuco esperava que a primeira Constituição do Império seria do tipo federalista, e daria autonomia para as províncias resolverem suas questões.
[editar] Revolta Praieira (1848-1850)
A Revolta Praieira, também denominada como "Insurreição Praieira", "Revolução Praieira" ou simplesmente "Praieira", foi um movimento de caráter liberal e separatista que eclodiu, durante o Segundo Reinado, na província de Pernambuco, entre 1848 e 1850.
A Última das revoltas provinciais está ligada às lutas político-partidárias que marcaram o Período Regencial e o início do Segundo Reinado. Sua derrota representou uma demonstração de força do governo de D. Pedro II (1840-1889).
[editar] Geografia
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Pernambuco é um dos menores estados do país. Apesar disso, possui paisagens variadas, entre elas estão: serras, planaltos, brejos, semi-aridez no sertão, e diversificadas praias na costa. O estado tem altitude crescente do litoral ao sertão. As planícies litorâneas tem baixa altitude de até 200m, apresentando relevo peneplano (mamelonar), e alguns pontos do planalto da Borborema ultrapassam os 1000m de altitude. Na margem oeste da mesorregião Agreste, há a Depressão Sertaneja, uma depressão relativa com altitude média de 400m que se estende até a margem oriental da Chapada do Araripe.
Faz divisa com Paraíba e Ceará ao norte, Alagoas e Bahia ao sul, Piauí ao oeste e o oceano Atlântico ao leste. Tem 187 km de costa, excluindo a costa do arquipélago de Fernando de Noronha.
Mais da metade do estado é localizado no Sertão, exclusivamente no oeste do estado. É um lugar onde há escassez de chuvas, e o clima é semi-desértico (semi-árido), devido à retenção de parte das precipitações pluviais no Planalto da Borborema e correntes de ar seco provenientes do sul da África. Está no domínio da caatinga, com período chuvoso restrito a cerca de quatro meses do ano, sendo que em anos periódicos as chuvas podem ficar abaixo da média ou até mesmo acima da média. As médias de precipitações pluviométricas variam entre 600 mm e 800 mm sendo que em trechos da região, podem ser menor que 500 mm, mas também podem se aproximar de 1.000 mm, como em áreas do alto pajeú e chapada do arapipe. No Agreste as precipitações são entre 600 mm e 900 mm, principalmente em áreas consideradas como Brejos de Altitude. A Zona da Mata do estado tem precipitações médias entre 1.500 e 2.000 mm anuais.[40]
[editar] Relevo
O relevo é moderado: 76% do território estão abaixo dos 600m. É formado basicamente por três tipos: (Baixada litorânea), (Planalto da Borborema) e (Depressão Sertaneja). O litoral é uma grande planície sedimentar (Baixadas Litorâneas do Nordeste), quase que em sua totalidade ao nível do mar, tendo alguns pontos abaixo do nível do mar, nessas planícies estão as principais cidades do estado, como Recife e Jaboatão dos Guararapes.
A baixada litorânea no litoral trata-se de uma grande planície costeira de origem sedimentar e altitude que oscila entre 0 a 10 metros, apresenta feiçoes onde sobressaem praias e restingas. A altitude aumenta conforme aumenta a distância da costa, junto a Zona da Mata tem como traço característico de sua paisagem um relevo marcado pela predominância de morros e colinas. A Zona da Mata é marcada por formações onduladas ou melonizadas, características denominadas pelo geógrafo francês Pierre Deffontaines e consagrada pelo geógrafo brasileiro Aziz Ab'Saber, como domínio de Mares-de-Morros, expressão para designar o relevo das colinas.
O Planalto da Borborema é a principal formação geológica na faixa de transição da Zona da Mata para o Agreste é conhecido popularmente como Serra das Russas, tem altitude média de 600m, . Há picos com 1000 m de altitude, e os planaltos tem cerca de 800 m de altitude, com destaque para o maciço dômico de Garanhuns, com altitude média de 800m. Na Microrregião do Pajeú, próximo ao município de Triunfo, localiza-se o Pico do Papagaio com 1.260 metros, no limite com o sudoeste da Paraíba.
O Agreste localiza-se sobre este planalto, sua altitude média é de 400m, podendo passar dos 1000m nos pontos mais elevados. A estrutura geológica predominante é a cristalina, sendo responsável, junto com o clima semi-árido, por formações abruptas (pedimentos e pediplanos).
No Sertão as cotas altimétricas decrescem em direção ao Rio São Francisco, formando, em relação ao Planalto da Borborema uma área de depressão relativa. As formações geomorfológicas predominantes são os inselbergues, serras e chapadas, estas últimas aparecendo em áreas sedimentares. A Chapada do Araripe tem altitude média de 800m.[42]
- Baixada Litorânea
Distinguem-se, de leste para oeste: praias protegidas pelos recifes; uma faixa de tabuleiros areníticos, com 40 a 60m de altura; e a faixa de terrenos cristalinos talhados em colinas, que se alteiam suavemente para oeste até alcançarem 200m no sopé da escarpa da Borborema. Tanto a faixa de tabuleiros como a de colinas são cortadas transversalmente por vales largos onde se abrigam amplas várzeas, chamadas planícies aluviais.
Fortes contrastes observam-se entre os solos pobres dos tabuleiros e os solos mais ricos das colinas e várzeas. Nos dois últimos repousa a aptidão do litoral pernambucano para o cultivo da cana-de-açúcar, base de sua economia agrícola.
- Planalto da Borborema
Seu rebordo oriental, escarpado, domina a baixada litorânea com um desnível de 300m, o que lhe confere ao topo uma altitude de 500m. Para o interior, o planalto ainda se alteia mais e alcança média de 800m em seu centro, donde passa a baixar até atingir 600m junto ao rebordo ocidental. Há picos com 1000 m de altitude como é o caso do Pico da Boa Vista 1 196 m e do Pico do Papagaio 1 260 m, o primeiro localiza-se no agreste e o último no sertão. Diferem consideravelmente as topografias da porção oriental e da porção ocidental.
A leste, erguem-se sobre a superfície do planalto cristas de leste para oeste, separadas por vales, que configuram parcos relevos de 300m. Aproximadamente no centro-sul do planalto eleva-se o maciço dômico de Garanhuns, que supera a altitude de 1.000m.
[editar] Clima
O estado está inserido na zona intertropical, logo apresenta predominantemente temperaturas altas, todavia o quadro climático é bem diversificado devido à interferência do relevo e das massas de ar.
Na Zona da Mata o clima é predominantemente pseudotropical, com fortes chuvas no outono e inverno. Já no Agreste as condições climáticas são diversificadas por ser uma região de ecótone, apresentando áreas mais úmidas e outras mais secas, onde predomina o clima semi-árido. No Sertão, o clima é semi-árido quente, devido à retenção das precipitações pluviais no Planalto da Borborema e correntes de ar seco provenientes do sul da África (tépida caalariana ou TK), entre outros fatores menos importantes.
O estado encontra-se com 89,01% de seu território dentro do polígono das secas, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).[45], que se estende do extremo norte de Minas Gerais, até o Piauí e está sujeita a secas periódicas. Essa área corresponde a 87.317 km², ocupando as regiões do agreste e sertão. É a região com as menores e mais irregulares precipitações pluviométricas. Com período chuvoso restrito a cerca de quatro meses do ano, com precipitaçoes pluviométricas entre 600mm a 800mm.
No agreste e sertão aparecem áreas de exceções - principalmente cidades com microclima de altitude, com temperaturas que podem chegar a 8 °C durante o inverno,[46] como Triunfo, Garanhuns e Taquaritinga do Norte, que são considerados Brejos de Altitude. Outra exceção é a mesorregião do São Francisco, mais úmida que as circundantes por conta do Rio São Francisco e a irrigação proveniente dele.
Municípios como Triunfo, Poção, Capoeiras, Caetés, Jupi, Garanhuns, Lajedo e Saloá são classificados como Cw'a ou Cs'a (temperatura média do mês mais frio abaixo de 18 °C[42]). Curiosamente, tais classificações são de clima mediterrânico, incomuns na região.
Por influência das massas de ar úmido com ação no inverno, a Zona da Mata e o Agreste tem chuvas concentradas durante a estação mais fria.
[editar] Vegetação e Hidrografia
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Ver página anexa: Rios de Pernambuco
A cobertura vegetal do estado é composta por vegetação Litorânea, floresta Tropical e Caatinga. A vegetação Litorânea predomina em áreas muito próximas ao oceanos, por isso apresenta, matas, manguezais e cerrados, que recebem a denominação de (tabuleiro). Apresentam árvores com raízes de suporte, adaptadas à sobrevivência neste tipo de ambiente natural, formado por gramíneas e arbustos tortuosos, predominantemente representados, entre outras espécies por batiputás e mangabeiras.
A floresta Tropical originalmente conhecida como floresta Atlântica, é encontrada apenas na faixa leste do estado, cujo espécies se misturam com a caatinga na denominada Áreas de Tensão ecológica (Contatos entre tipos de vegetação), na faixa de transição entre a zona da mata e agreste. Na floresta Atlântica, as matas registram a presença de árvores altas, sempre verdes, como a (peroba) e a (sucupira).
A caatinga, vegetação típica do Sertão, o Agreste apresenta uma vegetação de transição e suas características se misturam com a da Mata Atlântica, na parte mais oriental e com a da Caatinga, na parte mais ocidental. A caatinga pode ser do tipo arbóreo, com espécies como a (baraúna), ou arbustivo representado, entre outras espécies pelo (xique-xique) e o (mandacaru).
É característica do litoral norte suas formações geográficas mais variadas - ilhas fluviais como Itamaracá, diversos rios e suas desembocaduras, bancos de areia, entre outros. A fauna é variada, destacando-se as aves migratórias que periódicamente chegam à ilha Coroa do Avião e Fernando de Noronha. Ambas as ilhas têm estações de pesquisa ambiental.
Quanto à hidrografia, as grandes bacias hidrográficas de Pernambuco possuem duas vertentes: Faz parte da bacia do Atlântico Nordeste Oriental e da Bacia do rio São Francisco. Os rios que escoam para o rio São Francisco formam os chamados rios interiores, cujo todos os rios nascem em municípios limítrofes na divisa de estados da Região nordeste, os rios que escoam para o Oceano Atlântico, constituem os chamados rios litorâneos, fazem parte da bacia hidrográfica do Atlântico Nordeste Oriental, cujo quase todos nascem no planalto da borborema.[47]
Os três maiores reservatórios de água de pernambuco são: Reservatório Eng. Francisco Sabóia em Ibimirim no sertão, na bacia hidrográfica do rio Moxotó, o Reservatório de Jucazinho, localizado na mesorregião Agreste, próximo ao município de Surubim, na bacia do rio capibaribe, e a represa de Itaparica, inserida sobre o rio São Francisco, mediante o represamento das águas do Rio São Francisco, com vistas ao aproveitamento hidroelétrico do rio através da Usina Hidrelétrica de Itaparica, sendo uma das maiores usinas hidrelétricas do Brasil, além desses, existe um conjunto de reservatórios distribuídos por todo o estado.
Na Região Metropolitana do Recife há poucos lagos e reservatórios, destaque para os reservatórios de Tapacurá e Pirapama. Na periferia do município do Recife encontram-se dois belos cartões postais do município, a Lagoa do Araçá de Apipucos e a da Prata, sendo o último pertencente ao Parque Dois Irmãos. Os manguezais são abundantes em todo o litoral, porém foram praticamente extintos na RMR devido à urbanização (com a exceção do maior mangue urbano do Brasil, cercado por bairros da zona sul do município do Recife, como Boa Viagem). Porém, nos anos 90, houve um programa de re-implantação do mangue nas margens do Rio Capibaribe, desenvolvido pela prefeitura do Recife, trazendo de volta a vegetação ao rio por todo o município.
Rio São Francisco, Capibaribe, Ipojuca, Una, Pajeú e Jaboatão são os rios principais. O São Francisco é de importância vital para o interior do estado, principalmente para distribuição de umidade através de irrigação. Veja lista de rios de Pernambuco
[editar] Ecologia
Em Pernambuco, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade administra 11 unidades de conservação: dois parques nacionais, uma estação ecológica, uma floresta nacional, três áreas de proteção ambiental, uma Reserva Extrativista, e três reservas biológicas.[48] A lei estadual 13.787/09, de 8 de junho de 2009, instituiu o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC), sob o qual o estado mantém 66 Unidades de Conservação Estaduais, das quais 25 são de Proteção Integral e 41 de Uso Sustentável. 21 das unidades estaduais pertencem às categorias descritas pelo SEUC; 33 aguardam a recategorização e implantação; e 13 foram criadas para proteger os estuários pernambucanos.
As unidades de conservação administradas pelo governo brasileiro são o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha, (em Fernando de Noronha), o Parque Nacional do Catimbau (em Buíque, Ibimirim, Sertânia e Tupanatinga). a Área de Proteção Ambiental de Fernando de Noronha (em Fernando de Noronha), a Área de Proteção Ambiental Costa dos Corais, (em Barreiros, Rio Formoso, São José da Coroa Grande e Tamandaré). a Área de Proteção Ambiental Chapada do Araripe (em Araripina, Bodocó, Cedro, Exu, Ipubi, Serrita, Moreilândia e Trindade). a Reserva Extrativista Acaú-Goiana (em Goiana). a Floresta Nacional de Negreiros (em Serrita). a Estação Ecológica de Tapacurá (em São Lourenço da Mata). a Reserva Biológica da Serra Negra (em Floresta, Inajá e Tacaratu). a Reserva Biológica de Pedra Talhada (em Lagoa do ouro). a Reserva Biológica de Saltinho (em Rio Formoso e Tamandaré).
[editar] Demografia
| Crescimento populacional | |||
|---|---|---|---|
| Censo | Pop. | %± | |
| 1872 | 841 539 | ||
| 1890 | 1 030 224 | 22,4% | |
| 1900 | 1 178 150 | 14,4% | |
| 1920 | 2 154 835 | 82,9% | |
| 1940 | 2 688 240 | 24,8% | |
| 1950 | 3 395 185 | 26,3% | |
| 1960 | 4 138 289 | 21,9% | |
| 1970 | 5 253 901 | 27,0% | |
| 1980 | 6 173 753 | 17,5% | |
| 1991 | 7 127 855 | 15,5% | |
| 2000 | 7 911 397 | 11,0% | |
| 2010 | 8 796 032 | 11,2% | |
|
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Segundo o censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE, em 2010, a população do estado de Pernambuco possuía 8 796 032 habitantes, sendo o sétimo estado mais populoso do Brasil, representando 4,7% da população brasileira.[50]Segundo o censo de 2010, 4 230 681 habitantes eram homens e 4 565 767 habitantes eram mulheres.[50] Ainda segundo o mesmo censo, 7 052 210 habitantes viviam na zona urbana e 1 744 238 na zona rural.[50] Em dez anos, o estado registrou uma taxa de crescimento populacional de 11,2%. Em relação ao censo de 2000, a população do estado naquele ano era de 7 911 397 habitantes, onde 6 058 249 habitantes viviam na zona urbana e 1 860 095 na zona rural. Em relação ao ano de 1991, a população foi contada em 7 127 855 habitantes.[50]
O maior aglomerado urbano de Pernambuco é a Região Metropolitana do Recife, que além da capital possui mais 13 municípios, possuía 3.688.428 habitantes no ano de 2010, sendo a 5ª mais populosa do país e a mais populosa do Nordeste brasileiro.[51]As cidades mais importantes fora da RMR são: Vitória de Santo Antão, Goiana, Carpina e Palmares, na Zona da Mata; Caruaru, Garanhuns, Santa Cruz do Capibaribe e Belo Jardim, no Agreste; e Petrolina, Serra Talhada, Araripina e Salgueiro no Sertão.
A densidade demográfica no estado é de 89,47 hab./km², a sexta maior do Brasil. Esse indicador, entretanto, apresenta contrastes pronunciados de acordo com a região analisada, variando de 1 342,86 hab./km² na Região Metropolitana de Recife, até o valor mínimo de 23.2 hab./km² na Região do São Francisco Pernambucano.[52]O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do estado, considerado médio pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), era de 0,718 em 2005. Considerando apenas a educação, o índice é 0,811 (o brasileiro é 0,849); o índice de longevidade é 0,710 (o brasileiro é 0,638) e o índice de renda é 0,632.[53]O município com o maior IDH é Fernando de Noronha, com um valor de 0,862; enquanto Manari, situado no extremo Sertão do Moxotó, tem o menor valor (0,482), segundo dados do (PNUD) 2000.[53]
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Cidades mais populosas de Pernambuco (estimativa 2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística)[54] |
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|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Recife Jaboatão dos Guararapes |
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| Posição | Cidade | Pop. | Posição | Cidade | Pop. | Olinda Caruaru |
|||||
| 1 | Recife | 1 546 516 | 11 | São Lourenço da Mata | 103 854 | ||||||
| 2 | Jaboatão dos Guararapes | 649 787 | 12 | Igarassu | 103 536 | ||||||
| 3 | Olinda | 378 537 | 13 | Abreu e Lima | 94 843 | ||||||
| 4 | Caruaru | 319 579 | 14 | Santa Cruz do Capibaribe | 89 772 | ||||||
| 5 | Paulista | 303 400 | 15 | Ipojuca | 82 276 | ||||||
| 6 | Petrolina | 299 751 | 16 | Serra Talhada | 79 871 | ||||||
| 7 | Cabo de Santo Agostinho | 187 158 | 17 | Araripina | 77 794 | ||||||
| 8 | Camaragibe | 145 676 | 18 | Gravatá | 77 163 | ||||||
| 9 | Vitória de Santo Antão | 130 923 | 19 | Goiana | 75 987 | ||||||
| 10 | Garanhuns | 130 303 | 20 | Carpina | 75 706 | ||||||
[editar] Religião
A religião verificável no estado varia entre católicos e evangélicos ao lado de minorias como espíritas e judeus. A maior religião do estado é a católica de acordo com dados do censo de 2000, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A Igreja Católica divide-se administrativamente em uma arquidiocese: A arquidiocese de Olinda e Recife, e nove dioceses: Afogados da Ingazeira, Caruaru, Floresta, Garanhuns, Nazaré, Palmares, Pesqueira, Petrolina, e Salgueiro.[55][56]Dos 7.918.344 dos habitantes que residiam no estado naquele ano,70 % declaram-se católicos (5,9 milhões) seguidos por evangélicos (1,1 milhões).As principais igrejas protestantes do estado de Pernambuco são: Assembleia de Deus,Igreja Batista,Igreja Presbiteriana e Igreja Universal do Reino de Deus.
[editar] Etnias
Segundo dados da pesquisa de autodeclação 2008 do IBGE, a população de Pernambuco está composta por: Pardos (55,2%), Brancos (37,9%), Pretos (6,3%), e Amarelos e Indígenas (0,6%).[57]
[editar] Índios
Há os seguintes grupos indígenas: Fulniô, Xukuru e Kapinawá, que se encontram respectivamente nos municípios de Águas Belas, Pesqueira e Buíque, no agreste do estado; e os Kambiwá, Pankararu, Atikum e Truká, que se encontram respectivamente nos municípios de Ibimirim, Tacaratu, Floresta e Cabrobó, no sertão do estado.[58]
A presença autóctone no estado data de mais 10 mil anos. Pinturas rupestres são encontradas em várias áreas do sertão e agreste do estado, sendo as mais conhecidas as do Vale do Catimbau no município de Buíque, agreste pernambucano.
Hoje há cerca de 15 mil índios no estado, vivendo em reservas indígenas no agreste e sertão.
[editar] Portugueses
O Brasil foi colonizado por Portugal, o qual, além do legado genético, arquitetônico, musical e dialectual, se faz presente, no Recife, com o Clube Português do Recife Clube Português, o Real Hospital Português de Beneficência, o Gabinete Português de Leitura de Pernambuco Gabinete Português de Leitura e o Consulado de Portugal. O surgimento do tradicional hóquei sobre patins em Pernambuco, na década de 1950, por exemplo, é conseqüência da imigração portuguesa.[60] No sertão do estado, um grupo de 38 famílias portuguesas que vieram do Entre-douro-e-minho em Portugal se estabeleceram na Fazenda Panela d'água (Hoje no município de Carnaubeira da Penha) e de lá se espalharam principalmente pelas microrregiões de Itaparica, Salgueiro e Vale do Pajeú. Entre essas famílias estão: Aguiar, Alencar, Alves, Araújo, Barros, Brito, Brandão, Campos, Carvalho, Coelho, Cruz, Fernandes, Ferraz, Ferreira, Fonseca, Gomes, Gonçalves, Lima, Lira, Lustosa, Machado, Magalhães, Matos, Melo, Medeiros, Mendonça, Menezes, Miranda, Neves, Nogueira, Novaes, Sá, Sampaio, Silva, Silveira, Soares, Torres e Uchoa. Essas famílias se juntaram à outras que cá vieram para trabalhar na abertura de estradas, construções de açudes e na agricultura: Albuquerque, Belfort, Cantarelli, Caribé, Cavalcanti, Candeia, Freire, Leal, Luz, Marques, Moura, Ramalho, Roriz e Trapiá. Juntas, essas famílias correspondem a quase a totalidade dos habitantes da região.[61][62]
[editar] Espanhóis e italianos
Nos primórdios da colonização, junto aos portugueses, os espanhóis também se fizeram presentes.[63] No estado também há um número significativo de descendentes de italianos: cerca de 200 mil.[64]
[editar] Alemães
Os primeiros registros de alemães datam do século XVII, com a chegada da corte holandesa no Estado, que trouxe alguns alemães. As duas guerras mundiais também impulsionaram a colônia alemã no Recife, que era bastante pequena, contando com exíguos 1,2 mil imigrantes.[65] Esta presença alemã pode ser observada no Deutscher Klub Pernambuco, fundado em 1920, e que antes era restrito apenas à colônia alemã e seus descendentes. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Deutscher Klub Pernambuco, que tinha ligação com o Partido Nazista,[66][67][68][69] foi considerado propriedade alemã e sofreu uma desapropriação pelo Governo Federal, sendo reavido à colônia alemã pernambucana com o fim do conflito. A partir de 1960, o clube passou a organizar a sua Oktoberfest, a tradicional festa da cerveja do Sul da Alemanha.[70] Outra Oktoberfest menor é realizada em Olinda, conhecida como Oktoberfest in der Altstadt von Olinda.
Outras instituições que marcam a história alemã no Recife são o Instituto de Cultura Germânica, que era a escola para os filhos de imigrantes alemães e ingleses, e o Centro Cultural Brasil-Alemanha (CCBA), centro que difunde a língua e cultura alemãs na cidade, sendo reconhecido pelo Consulado Geral da República Federal da Alemanha no Recife e pelo Instituto Goethe. A presença alemã na cidade é também responsável pelo fato de o único consulado alemão que tem jurisdição sobre todo o Norte/Nordeste do país estar na capital pernambucana.
[editar] Holandeses
Os holandeses, apesar de terem quase majoritariamente partido do Estado, deixaram algumas famílias na capital. Gilberto Freyre, uma das maiores figuras públicas da história do Estado, certa vez escreveu: "Sou, aliás, descendente de espanhóis, tendo também sangue nórdico, holandês, português e, na quarta geração de antepassados, sangue ameríndio, e nenhum africano, admitindo ainda possível raiz árabe e judia."[71] Na época da invasão holandesa – embora a miscigenação não tenha sido oficialmente estimulada – há relatos de muitas uniões interraciais. A ausência de mulheres holandesas estimulou a união e mesmo o casamento de oficiais e colonos holandeses com filhas de abastados senhores de engenho luso-brasileiros[72] e, mais informalmente, destes com índias, negras, caboclas e mulatas locais. Esses colonizadores eram divididos em dois grupos: os Dienaaren ("servidores", sobretudo soldados à serviço da Coroa Holandesa) e os Vrijburghers ("homens livres", os colonos que vieram exercer a função de comerciantes).
Há evidência de que essas uniões deixaram traços genéticos que podem ser vistos na atualidade.[73] Em recente levantamento genômico da população brasileira, observou-se entre os nordestinos um excesso de um haplogrupo comum na Europa (haplogrupo 2) que pode ser derivado das uniões entre holandeses e os luso-brasileiros.[74] No interior de Pernambuco, especialmente no Sertão do Araripe e em comunidades do Agreste, há muitos loiros de olhos claros que, segundo a tradição, seriam descendentes de holandeses que se esconderam durante a Insurreição Pernambucana.[75][76][77][78]
[editar] Ingleses
No começo do século XIX, quando o príncipe regente D. João abriu os portos do país, os ingleses começaram a chegar ao Brasil - em especial, para Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. Naquela época, a cidade do Recife possuía aproximadamente 200.000 habitantes, e a colônia inglesa já se apresentava de forma bastante expressiva, com a presença das seguintes firmas, bancos e empresas concessionárias de serviços públicos: a Western Telegraph Company (que possibilitava o contato com o mundo, através do cabo submarino), Pernambuco Tramways and Power Company (que interligava o Recife, com os seus trens, às demais cidades de Pernambuco e do Nordeste), Huascar Purcell, Pernambuco Paper Mills, Western of Brazil Railway Company, Price Waterhouse, Machine Cotton, John A. Thom (negociante de algodão, borracha, açúcar, mamona, cera), Cory & Brothers, Bank of London & South America, London & River Plate Bank, Royal Bank of Canada, Boxwell & Cia. (o maior estabelecimento de enfardamento de algodão), Williams & Cia. (exportadores de açúcar e algodão), Conolly & Cia. (casa de câmbio), Ayres & Son (representante de várias firmas e fabricantes), e White Martins.[80]
Já que a colônia inglesa não se fez massivamente presente no resto do Brasil, Recife é uma das poucas cidades brasileiras que tem um cemitério próprio para os imigrantes ingleses e seus descendentes, o Cemitério dos Ingleses. O cemitério encontra-se fechado a maior parte do tempo. Apresenta um portão de ferro datado de 1852 - obra dos ingleses da Fundição d'Aurora - e possui um administrador particular, não remunerado, que é eleito por ingleses e seus descendentes.
Também fazem parte das paisagens recifenses mais antigas os bondes que circulavam pela cidade. Ainda hoje, é possível ver os trilhos em ruas no bairro do Recife Antigo, bairro que ainda preserva um pouco da história da cidade com ruas de pedra e trilhos de bonde, além de prédios antigos onde hoje funcionam cervejarias, bares e cafés. O último bonde inglês a circular no Recife fazia o trajeto Boa Vista - Madalena, e funcionou até março de 1954. O bonde permanece exposto na Fundação Joaquim Nabuco.[81]
[editar] Árabes e judeus
O imperador Dom Pedro II, que falava árabe,[82] visitou o Líbano e a Síria em 1876. Em Damasco, capital síria, o imperador escreveu um poema, que enviou ao Visconde de Taunay, onde lia-se: "Damasco dos milênios, berço da civilização, e quem a construiu ajudará a construir o Brasil".[82] O fluxo migratório árabe para o Brasil foi estimulado e intensificado no fim do século XIX. No Recife, uma das marcas dos imigrantes é o Clube Líbano Brasileiro, erguido pela colônia libanesa, no bairro do Pina. O primeiro contato árabe com o Estado, entretanto, se fez com missionários católicos sírios que chegaram a Pernambuco nas caravanas portuguesas.[83] O estado de Pernambuco abriga ainda a segunda maior comunidade palestina do Brasil, concentrada na cidade do Recife, que começou a receber os primeiros imigrantes em 1903. Hoje a comunidade tem cerca de 5 mil pessoas.[84]
O judaísmo em Pernambuco está presente desde o século XVI, quando os judeus convertidos ao cristianismo eram considerados cristãos-novos, sendo muitos deles senhores de engenho.[85] Porém, existia a suspeita de prática escondida da religião judaica. Obtiveram liberdade de professar a religião nos tempos de Maurício de Nassau, que logo foi combatida quando os portugueses voltaram ao domínio da economia açucareira. Com isso muitos imigraram para as Antilhas Holandesas ou para Nova Amsterdã, que viria a ser o bairro de Manhattan futuramente. No inicio do século XX, o estado recebeu judeus de origem russa, ucraniana e romena. A imigração eslava levou ao Recife famílias como a de Clarice Lispector, Leôncio Basbaum, Noel Nutels, entre outras.[86] No Recife há hoje uma comunidade de 1,6 mil judeus.[87]
[editar] Orientais
O estado tem a sexta maior comunidade nipônica do país, concentrada no Recife, em Bonito e em Petrolina. Alguns vieram do Japão ainda em 1908, outros de São Paulo e do Pará, por falta de espaço no mercado de trabalho, após a segunda Guerra Mundial. Hoje há aproximadamente 200 famílias nipônicas no estado.[88]
Os chineses estão presentes desde meados de 1920: uma pequena leva vinda da Guiana inglesa. A partir de 1970 migraram chinenes de Taiwan. Havia cerca de 200 pessoas no fim dos anos 1980. Só na década de 1990 a comunidade começou a ganhar o tamanho que apresenta hoje, com a vinda de chineses da fronteira do Brasil com o Paraguai. Hoje a comunidade chinesa conta com pouco mais de 2 mil pessoas.[89]
[editar] Africanos
A Capitania de Pernambuco contou com a presença do negro desde o final do século XVI. Naquele período, os portugueses introduziram a cultura da cana-de-açúcar na região, utilizando-se da mão-de-obra escrava de origem indígena e africana. Os engenhos multiplicaram-se rapidamente e a produção de açúcar tornou-se a principal atividade econômica da colônia. O número de cativos de origem africana também cresceu bastante naquela Capitania. Em 1584, 15 mil escravos labutavam em pelo menos 50 engenhos. Este número subiu para 20 mil escravos em 1600. Já na metade do século XVII a população escrava somava entre 33 e 50 mil pessoas.[90]
[editar] Outras etnias
Houve, em menor escala , imigração de outros povos. Famílias de outros países germânicos além de Inglaterra e Alemanha chegaram a marcar presença em Pernambuco. Em pequeno número, encontram-se ainda descendentes russos, tendo o primeiro grupo da Rússia chegado ainda no século XIX, no porto do Recife nos navios Nadejda e Neva. Uma lenda pernambucana, aliás, diz que os passos de frevo teriam sido incorporados à música por influência dos passos da dança folclórica russa quando estes foram convidados pelos recifenses para uma festa. Em escala ainda pequena, existem os descendentes de franceses (Famílias Callou e Belfort), que se estabaleceram na região de Salgueiro, Serrita, Terra Nova e Serra Talhada.
[editar] Política
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Ver página anexa: Eleições estaduais de 2010
O estado de Pernambuco é governado por três poderes, o executivo, representado pelo governador, o legislativo, representado pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, e o judiciário, representado pelo Tribunal de Justiça do Estado de Pernambuco e outros tribunais juízes. Também é permitida a participação popular nas decisões do governo através de referendos e plebiscitos.[91] A atual constituição do estado de Pernambuco foi promulgada em 5 de outubro de 1989, acrescida das alterações resultantes de posteriores emendas constitucionais.[92]
O poder executivo pernambucano está centralizado no governador do estado, que é eleito em sufrágio universal e voto direto e secreto, pela população para mandatos de até quatro anos de duração, e pode ser reeleito para mais um mandato. Sua sede é o Palácio do Campo das Princesas, construído em 1841 pelo engenheiro Morais Âncora, a mando do governador Francisco do Rego Barros. Várias pessoas já passaram pelo governo do estado, sendo o mais recente deles Eduardo Henrique Accioly Campos, natural de Recife[93][94], Ele foi eleito no primeiro turno das eleições de 2006,[95] e reeleito nas eleições de 2010.[96][97] Além do governador, há ainda no estado a função de vice-governador, atualmente exercido por João Soares Lyra Neto.[98]
O Poder Legislativo pernambucano é unicameral, constituído pela Assembleia Legislativa de Pernambuco, localizado no bairro de Boa Vista, na cidade do Recife. Ela é constituída por 49 deputados, que são eleitos a cada 4 anos. No Congresso Nacional, a representação pernambucana é de 3 senadores e 25 deputados federais.[92][99]
O Poder Judiciário é exercido pelos juízes e possui a capacidade e a prerrogativa de julgar, de acordo com as regras constitucionais e leis criadas pelo poder legislativo em determinado país. Atualmente a presidência é exercida pelo desembargador José Fernandes de Lemos, além de Jovaldo Nunes Gomes como vice e Bartolomeu Bueno de Freitas Morais como corregedor-geral.[100] Representações deste poder estão espalhadas por todo o estado por meio de Comarcas, termo jurídico que designa uma divisão territorial específica, que indica os limites territoriais da competência de um determinado juiz ou Juízo de primeira instância.[101]
[editar] Símbolos estaduais
Os símbolos oficiais do estado de Pernambuco são a bandeira, o brasão e o hino.[102]
[editar] Bandeira
A bandeira de Pernambuco foi originada na revolução de 1817, sendo oficializada pelo decreto nº 459/1917, na comemoração do centenário da mesma revolução, pelo Governador Manuel Antônio Pereira Borba. Em seu primeiro desenho era incorporado símbolos pertinentes a ideais políticos, onde haviam três estrelas que representavam às capitanias insurgentes: Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Já o arco íris, nas cores lilás e laranja, representavam o acordo oferecido aos que quisessem unir seus destinos aos de Pernambuco. A cruz estava relacionado ao primeiro nome do Brasil - Terra de Santa Cruz.
Ela é formada por duas faixas, uma superior (na cor azul) e uma inferior (na cor branca). A cor azul do retângulo superior simboliza a grandeza do céu pernambucano; a cor branca representa a paz; o arco-íris (verde, amarelo, vermelho) representa a união de todos os pernambucanos; a estrela caracteriza o estado no conjunto da Federação, que na bandeira nacional é representado por Denebakrab; o Sol é a força e a energia de Pernambuco; finalmente, a cruz representa a fé na justiça e no entendimento.[103]
[editar] Brasão
O governador Alexandre Barbosa Lima oficializou o Brasão do Estado do Pernambuco, através da lei estadual nº 75 em 1895. Em seu primeiro desenho, o escudo era no estilo redondo português de prata, onde havia uma donzela com uma cana-de-açúcar na mão direita, olhando sua imagem refletida em um espelho seguro por sua mão esquerda, simbolizando a verdade.
Formam o Brasão do estado de Pernambuco um Leão na parte superior (representando a bravura do povo pernambucano), um escudo contendo ramos de algodão e de cana-de-açúcar (caracterizando as riquezas), o Sol (representando a luz cintilante do equador), além das Estrelas, que caracterizam os municípios pernambucanos.
[editar] Hino
O hino do Estado de Pernambuco foi criado no ano de 1908. e exalta as belezas, as conquistas históricas e o passado de batalhas do povo pernambucano.[104] Tem (letra) de Oscar Brandão da Rocha e (música) de Nicolino Milano. No total, há quatro estrofes, cada uma contendo contendo seis versos, e um estribilho (refrão).[105]
[editar] Subdivisões
O estado de Pernambuco, assim como todos os outros estados brasileiros, está politicamente dividido pelo IBGE em municípios. Ao total, existem 185 municípios pernambucanos, o que torna Pernambuco a décima primeira unidade da federação com o maior número de municípios e a quinta do Nordeste (atrás da Bahia, Piauí, Paraíba, e do Maranhão).[106]
Os 185 municípios estão agrupados em cinco mesorregiões, São elas: Agreste Pernambucano, Metropolitana do Recife, São Francisco Pernambucano, Sertão Pernambucano, e Zona da Mata Pernambucana. E em 19 microrregiões, São elas: Alto Capibaribe, Araripina, Brejo Pernambucano, Garanhuns, Fernando de Noronha, Itamaracá, Itaparica, Mata Meridional, Mata Setentrional, Médio Capibaribe, Petrolina, Recife, Salgueiro, Sertão do Moxotó, Suape, Vale do Ipanema, Vale do Ipojuca, Vale do Pajeú, e Vitória de Santo Antão.[107]
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também define um grupo de municípios como região metropolitana ou RIDE, oficialmente existem uma região metropolitana no estado de Pernambuco: a do Recife, e uma Região integrada de desenvolvimento econômico, a região integrada Polo Petrolina e Juazeiro.
[editar] Economia
| PIB | R$ 87,170 bilhões (2010) |
|---|---|
| Composição do PIB | indústria 31,1% serviços 57,4% agropecuária 9,5%(2005) |
| PIB per capita | R$ 8.901,00 (2009) |
| Exportações | Açúcar (35,6%), petroquímicos (7,1%), Peixes e Crustáceos (12,3%), Frutas (12,3%), Materiais Elétricos (11,1%), Outros (22,3%)(2005) |
| Importações | petroquímicos (17,5%), combustíveis (14,8%), máquinas e equipamentos (11,4%), cereais (11,0%), materiais e ligas (7,0%) Outros (38,3%)(2005) |
Desde o início da dominação portuguesa Pernambuco foi basicamente agrícola, tendo destaque na produção nacional de cana-de-açúcar devido ao clima e ao solo tipo massapê. O estado foi, à época do Brasil colônia, responsável por mais da metade das exportações brasileiras de açúcar. Sua riqueza foi alvo do interesse de outras nações e, no Século XVII, os holandeses se estabelecem no estado. Nas últimas décadas, porém, a cana-de-açúcar deixou de ser o principal produto agrícola da Zona da Mata, embora ainda tenha participação significava.
Atualmente a economia de Pernambuco tem como base a agricultura, a indústria e os serviços. O setor de serviços é predominante, seguido pela indústria (alimentícia, química, metalúrgica, eletroeletrônica, comunicação, minerais não-metálicos, têxtil e naval).
Após ter ficado estagnada durante a chamada "década perdida" (1985 a 1995), a economia pernambucana vem crescendo rapidamente desde o final do século XX. No final da década de 2000 a construção civil liderou o crescimento econômico de Pernambuco, seguida pelo setor industrial e pelo de serviços.[108]
O estado assiste a uma importante mudança em seu perfil econômico com os recentes investimentos nos setores petroquímico, biotecnológico, farmacêutico, de informática, naval e automotivo, que estão dando novo impulso à economia do estado, que vem crescendo acima da média nacional.[109][110] Além da importância crescente do setor de informática (o Porto Digital é o maior parque tecnológico do Brasil), do setor terciário – sobretudo das atividades turísticas –, e do setor industrial em torno do Porto de Suape, merecem destaque a produção irrigada de frutas ao longo do Rio São Francisco, quase que totalmente voltada para exportação, concentrada no município de Petrolina, em parte devido ao aeroporto internacional com grande capacidade para aviões cargueiros do município; e a floricultura, que começa a ganhar espaço, com plantações de rosas, gladiolus, e crisântemos. Outros polos dinâmicos de desenvolvimento são: o polo gesseiro no Araripe; o mármore, a pecuária leiteira e a indústria têxtil no Agreste; e a cana-de-açúcar e a biomassa na Zona da Mata, a capacidade energética instalada é de 5.740 GWh GWh.[111]
| Evolução do PIB (R$)[112][113][114] | ||
|---|---|---|
| Ano | PIB (bilhões de R$) | Per Capita (R$) |
| 2005 | R$ 49,903 | 5.931 |
| 2006 | R$ 55.505 | 6.528 |
| 2007 | R$ 62.256 | 7.337 |
| 2008 | R$ 70.441 | 8.065 |
| 2009 | R$ 78.428 | 8.901 |
| 2010 | R$ 87.170* | 9.910* |
| 2011 | R$ 110.671* | 12.450* |
| *Estimativa | ||
[editar] Setor primário
[editar] Agropecuária
Entre os principais produtos agrícolas cultivados em Pernambuco encontram-se o algodão arbóreo, a banana, o feijão, a cana-de-açúcar, a cebola, a mandioca, o milho, o tomate e a uva. Na pecuária destacam-se as criações de bovinos, suínos, caprinos e galináceos. Merece destaque, em Pernambuco, a expansão que vem tendo a partir dos anos 70 da agricultura irrigada no Sertão do São Francisco com projetos de irrigação hortifrutícolas implantadas com o apoio da CODEVASF. São grandes os investimentos aplicados em uma produção voltada para o mercado externo. Sobressaem-se frutas, como: acerola, graviola goiaba, manga, melão, melancia e a uva.
A cana-de-açúcar, que durante séculos dominou a agricultura de Pernambuco cultivada na chamada zona da mata canavieira, sendo que atualmente a zona da mata pernambucana começa a explorar culturas de subsistência, além de fruticultura, hortaliças e plantações de flores. No agreste cidades como Garanhuns, Chã Grande e Gravatá passam a se dedicar à floricultura o estado se destaca na produçaõ de flores tropicais e tradicionais.
Além das flores, vêm crescendo as lavouras de café e as plantações de seringueiras. A fruticultura irrigada, produz, toneladas de frutas por ano, como uva, manga, melancia e banana. O pólo principal fica em Petrolina, no vale do rio São Francisco. Aumenta também a criação de cavalos e de gado bovino de leite e de corte. Pernambuco é ainda um dos maiores produtor nacional de ovos e de frangos de corte.
Na mineração, destacam-se a argila, calcário, ferro, gipsita, granito, ouro e quartzo. A Microrregião de Araripina destaca-se pela extração mineral da gipsita, onde localizam-se as maiores reservas do país, e é fornecedor de 95% do gesso consumido no Brasil.[117]
[editar] Setor secundário
[editar] Indústria
Entre 1997 e 1999, o Complexo Industrial Portuário de Suape, localizado no litoral sul do estado, teve crescimento de 16,7%. Suape tem o poder de duplicar a renda de Pernambuco até 2020 e triplicar o PIB até 2030.[119] O estado tem a segunda maior produção industrial do Nordeste, ficando atrás apenas da Bahia. No período de outubro de 2005 a outubro de 2006, o crescimento industrial do estado foi o segundo maior do Brasil - 6,3%, mais do dobro da média nacional no mesmo período (2,3%).[120] A construção do Porto de Suape foi prevista para operar produtos combustíveis e cereais a granel, substituindo o Porto do Recife.
Recentemente Pernambuco foi escolhido para a implantação dos seguintes empreendimentos: Refinaria Abreu e Lima, do Polo Famacoquímico e de Biotecnologia, a Montadora FIAT e Shineray o Estaleiro Atlântico Sul, a Hemobrás, a Novartis, a Bunge, a CSN, a Gerdau, a Mossi & Ghisolfi, a Pepsico, a Amanco, a General Motors e o Terminal ferroviário da Transnordestina.
Em 7 de novembro de 1978, uma lei estadual criou a empresa Suape Complexo Industrial Portuário para administrar o desenvolvimento das obras. Hoje o porto é um dos maiores do Brasil, administrado pelo governo de Pernambuco. Suape opera navios nos 365 dias do ano, sem restrições de horário de marés. O Porto dispõe de um sistema de monitoração de atracação de navios a laser, que possibilita um controle efetivo e seguro, oferecendo condições técnicas nos padrões dos portos mais importantes do mundo.
A matriz da multinacional pernambucana acumuladores Moura S.A. (Baterias Moura) está localizada na cidade de Belo Jardim. A Baterias Moura fornece baterias para a metade dos carros fabricados no Brasil. O conglomerado pernambucano Queiroz Galvão reúne mais de 50 empresas nos segmentos de Construção, Desenvolvimento Imobiliário, Alimentos, Participações e Concessões, Óleo e Gás, Siderurgia e Engenharia Ambiental. O grupo está presente em todos os estados brasileiros assim como em países da América Latina e da África, exportando seus produtos para Estados Unidos, Canadá e Europa, e empregando cerca de 30.000 trabalhadores.[121] O Grupo Industrial João Santos, fundado em Pernambuco, é o produtor do Cimento Nassau e um dos mais importantes conglomerados industriais do país. Controla 24 empresas e mais de 60 estabelecimentos comerciais, com atividades nos ramos de papel e celulose, açúcar, transportes, comunicação e cimento, gerando 10 mil empregos diretos em vários estados brasileiros.[122][123]
[editar] Setor terciário
- Comércio
O RioMaR Shopping, que está sendo construído na Zona Sul do Recife, será o maior centro de compras do Norte-Nordeste.[127] O Grupo JCPM, conglomerado fundado pelo empresário sergipano João Carlos Paes Mendonça e sediado em Recife, é proprietário, entre outros centros comerciais no Nordeste, do Shopping Recife e do Salvador Shopping (dois dos maiores shoppings do país), além do Shopping Villa Lobos em São Paulo.
Recife, capital de Pernambuco, foi eleita por pesquisa encomendada pela MasterCard Worldwide como uma das 65 cidades com economia mais desenvolvida dos mercados emergentes no mundo.[128] Apenas cinco capitais brasileiras entraram na lista: São Paulo, que foi a cidade brasileira mais bem colocada, na 12ª posição; Rio de Janeiro (36ª posição); Brasília (42ª); Recife (47ª); e por último Curitiba (49ª). Xangai e Pequim, na China, ocuparam as duas primeiras posições.
A Tupan, atacadista distribuidora de materiais de construção fundada em Serra Talhada, no sertão do estado, é a maior empresa do ramo no Norte-Nordeste e a quinta maior do Brasil segundo o IBOPE.[129] O grupo atende mais de 12.000 clientes lojistas em todo o Norte-Nordeste, contando com três Centros de Distribuição, localizados em Pernambuco e Alagoas (Serra Talhada, Recife e Maceió), além de sete lojas de varejo sendo: quatro em Serra Talhada, duas em Recife e uma em Maceió. Possui ainda uma frota própria de 130 caminhões, 120 Representantes Comerciais e um efetivo de mais de 1.000 colaboradores.[130]
Recife abriga o Porto Digital, reconhecido como o maior parque tecnológico do Brasil em faturamento e número de empresas, totalizando 173 empresas em 2010, entre elas multinacionais como Motorola, Borland, Oracle, Sun, Nokia, Ogilvy, IBM e Microsoft. Emprega cerca de seis mil pessoas, e tem 3,9% de participação no PIB do estado.[131][132][133][134]
Pernambuco abriga o polo de confecções do Agreste, o segundo maior produtor têxtil do Brasil, abarcando 13 cidades, em 2009, que se concentram pouco mais de 18 mil empresas do setor.[135] Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama formam o triângulo e o principal ponto de escoação de vendas e fabricação de confecções do agreste. Santa Cruz do Capibaribe possuí o maior parque de confecções da América Latina o Moda Center Santa Cruz. Toritama é responsável por 15% das confecções feitas com jeans produzido no Brasil. Caruaru tem sua produção textil é escoada através da Feira de Caruaru.
[editar] Turismo
O turismo no estado de Pernambuco oferece diversas atrações históricas, naturais e culturais. As principais atrações turísticas do estado de Pernambuco são: Gravatá, Caruaru, Fernando de Noronha, Garanhuns, Goiana, Igarassu, Itamaracá, Olinda, Porto de Galinhas, Cabo de Santo Agostinho e Recife. A igreja católica mais antiga do país fica localizada em Igarassu e foi construída em 1535. O Galo da Madrugada é considerado o maior bloco carnavalesco do mundo, reunindo quase 2 milhões de pessoas.
Segundo a pesquisa "Hábitos de Consumo do Turismo Brasileiro 2009", realizada pelo Vox Populi em novembro de 2009, Pernambuco foi segundo destino turístico preferido dos brasileiros segundo pesquisa Vox Populi[136], com 11,9%, nas categorias pesquisadas.
O litoral é o principal atrativo do estado. Milhões de turistas desembarcam todos os anos no aeroporto de Recife. Há alguns anos o estado vêm investindo intensamente na melhora da infraestrutura, e em projetos de interiorização do turismo, como o desenvolvimento do ecoturismo.
O litoral do estado de Pernambuco tem cerca de 187 km de extensão, entre praias e falésias, zonas urbanas e locais praticamente intocados, faz divisa ao norte com a Paraíba e ao sul com Alagoas. Além das praias, possui o arquipélago de Fernando de Noronha, Patrimônio Natural da Humanidade, e suas 16 praias.
Pernambuco oferece dez rotas de turismo que vão do litoral ao interior criada pela EMPETUR , que visam explorar os principais pontos turisticos de cada região do estado, com as mais diversificadas funçoes turísticas como: Rural-Ecoturismo, Religiosas, Históricos-Culturais, Serranas, Praias e Diversificadas.
Entre as praias mais procuradas do estado estão: Boa Viagem, Barra de Jangada, Calhetas, Porto de Galinhas, Serrambi, Guadalupe, Praia dos Carneiros, Maria Farinha, Nossa Senhora do Ó, Ilha de Itamaracá e a Ilhota da Coroa do Avião.
O Litoral Sul do estado, que têm cerca de 110 km de praias totalmente protegidas por corais, formando irresistíveis piscinas naturais de águas mornas, é famoso por diversas praias conhecidas nacional e internacionalmente, como Porto de Galinhas. Turistas de todo o país se hospedam nos luxuosos hotéis e resorts do litoral. Atualmente o litoral sul vive uma fase de progresso franco e rápido.
O Litoral Norte do Estado é mais densamente habitado do que o litoral sul, quase urbanizado por completo desde a Região Metropolitana do Recife até a divisa da Paraíba. Tem um dos sítios históricos mais importantes da região, como os municípios de Olinda, Itamaracá e Goiana, que começaram a ser povoados em 1508. Construções do brasil-colônia, como o Forte Orange, são muito visitadas por turistas que passam pela região, além das praias, também é conhecido por ter o Veneza Water Park, um dos maiores parques aquáticos do Brasil, situa-se na praia de Marinha Farinha.
O arquipélago de Fernando de Noronha está ganhando destaque nacional e mundial. Pelas ilhas é possível avistar os golfinhos saltadores, os locais turistico são: Forte de Nossa Senhora dos Remédios de Fernando de Noronha, Vila dos Remédios, Praia da Conceição ou de Italcable, Praia do Boldró, Baía dos Porcos, Baía do Sancho (cercada por falésias cobertas de vegetação), Baía dos Golfinhos ou Enseada de Pedra, Praia da Cacimba do Padre, Praia do Leão, Morro Dois Irmãos, Reduto de São Joaquim de Fernando de Noronha, Reduto de Santa Cruz do Morro do Pico de Fernando de Noronha e Reduto de Santana de Fernando de Noronha. Todo o arquipélago é tombado pelo Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.
[editar] Infraestrutura
[editar] Saúde
| Mortalidade infantil (2006) | 37,7 por mil nascimentos[138] |
|---|---|
| Médicos | 12,6 por 10 mil hab. (2005)[139] |
| Leitos hospitalares | 2,7 por mil hab. (2005).[140] |
Em 2005, existiam, no Estado, 4 149 estabelecimentos hospitalares, com 19 204 leitos.[141] Em 2005, da população, 75,1% dos pernambucanos tinham acesso à rede de água,[142] enquanto 40,6% se beneficiam da rede de esgoto sanitário.[143]
Embora tenha logrado notáveis avanços nas últimas décadas, reduzindo por exemplo a mortalidade infantil em quase 50% entre 1990 e 2005[144]e a taxa de analfabetismo (para 17,6% em 2009[145]), segundo o IBGE em 2010 um número considerável dos habitantes do estado ainda vive abaixo da linha da pobreza[146] e seu sistema de saúde pública ainda é precário.[147] Os baixos indicadores são mais presentes nas áreas rurais e em algumas partes do sertão do estado.
Apesar da grande carência de instalações de saúde básicas no interior do estado, a capital possui dezenas de grandes hospitais e três grandes hospitais públicos (da Restauração, Barão de Lucena e Getúlio Vargas; além do Hospital das Clínicas da UFPE). O Hospital da Restauração é a maior emergência pública e o mais complexo serviço de urgência e trauma do Norte-Nordeste,[148] recebendo pacientes de todo o estado e de estados vizinhos. O HR, referência nas áreas de trauma, neurocirurgia, neurologia, cirurgia geral, clínica médica e ortopedia, possui 482 leitos registrados no Ministério da Saúde (MS), mas, incluindo os extras, funciona com um total de 723 leitos para atender a demanda que lhe é submetida. Desde junho de 2010, a antiga Emergência Geral foi desmembrada em três emergências com entradas e espaços independentes: Emergência Pediátrica, Emergência Traumatológica e Emergência Clínica.[148]
Os hospitais particulares do Recife, equipados com máquinas de última geração, fazem da capital Recife o segundo maior polo médico e hospitalar do Brasil.[149][150]
[editar] Educação
-
Ver página anexa: Lista de instituições de ensino superior de Pernambuco
| Ano | Portugues | Redação |
|---|---|---|
| 2006[151] Média |
35,97 (9º) 36,90 |
51,01 (13º) 52,08 |
| 2007[152] Média |
49,75 (10º) 51,52 |
55,35 (12º) 55,99 |
| 2008[153] Média |
40,05 (10º) 41,69 |
57,29 (21º) 59,35 |
As principais instalações educacionais do estado estão concentradas na capital, que conta com a vigésima melhor universidade da América Latina, a UFPE.[154]
Pernambuco tem suas principais faculdades e universidades fundadas nos séculos XIX e XX. Algumas se destacam nacionalmente. A centenária Faculdade de Direito do Recife, hoje vinculada à UFPE, fundada a 11 de agosto de 1827, foi o primeiro curso superior de direito do Brasil, juntamente com o curso de São Paulo, ainda sob governo de Dom Pedro I. Nela importantes nomes da história brasileira estudaram, destacando, dentre inúmeros outros expoentes, Barão do Rio Branco, Castro Alves, Clóvis Bevilaqua, Tobias Barreto, Joaquim Nabuco, Eusébio de Queirós, Teixeira de Freitas, Marquês de Paranaguá, Epitácio Pessoa, Assis Chateaubriand, Solidônio Leite, José Lins do Rego e Pontes de Miranda. Ainda hoje a festejada faculdade de Direito do Recife, honrando sua tradição, é um centro de excelência no ensino do direito, estando, tanto em nivel de graduação como de pós-graduação, entre os cinco melhores cursos jurídicos do Brasil, segundo a OAB e o MEC.[155]
A UFPE, que, completou 60 anos em 2006, é uma das mais antigas instituições federais do Brasil. Há também a Universidade Federal Rural de Pernambuco UFRPE, fundada em 1912 como Escola Superior de Agricultura, hoje a instituição desenvolve suas atividades voltadas para a busca intensa do conhecimento científico nas áreas de Ciências Agrárias, Humanas, Sociais, Biológicas, Exatas e da Terra. O Estado possui dois Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco e o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano), antigos CEFETs e escolas técnica e agrotécnicas federais, que além de se dedicarem ao ensino técnico, a quase 100 anos, têm oferecido com excelência cursos superiores tecnológicos. Outra instituição importante é a UPE, Universidade de Pernambuco, antiga FESP, que é uma universidade estadual com campus avançados em várias cidades do interior do estado.[158] A Univasf é a primeira Universidade Federal implantada no sertão nordestino.[159] Está situada nos estados de Pernambuco, Bahia e Piauí, com sede na cidade de Petrolina em Pernambuco. Iniciou suas atividades acadêmicas em 2004.[160]
Pernambuco se destaca no ensino tecnológico. O Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco (CIn UFPE), responsável pelos cursos de Ciência da Computação, Sistemas de Informação e Engenharia da Computação, é grande fornecedor de mão de obra especializada em tecnologia para a Microsoft.[161][162] A UFPE foi uma cinco instituições de ensino selecionadas em todo o mundo para o programa mundial de pesquisas da Microsoft, o que permitiu o seu acesso ao código-fonte dos componentes do Visual Studio. As outras quatro universidades selecionadas foram a Yale University - Estados Unidos; a Monash University - Austrália; a University of Hull - Inglaterra; além da UNESP, sendo o Brasil o único país que teve duas universidades escolhidas.[163] A UFPE foi homenageada pela Microsoft pela participação dos alunos do Centro de Informática da instituição na magine Cup, evento promovido pela empresa que é considerada a "copa do mundo de computação". A homenagem aconteceu durante a apresentação pública dos projetos vencedores do Imagine Cup 2009, e vem se repetindo desde 2003, já que alunos pernambucanos vêm vencendo a competição desde então.[164] Alunos do curso de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Pernambuco participaram em 2011 da Competição Baja Sae Brasil-Petrobras e garantiram vaga para a Baja SAE Kansas, nos Estados Unidos. Apenas a UFPE e duas universidades paulistas, USP e FEI, conquistaram o direito de representar o Brasil na edição internacional da competição.[165]
[editar] Transportes
Pernambuco conta com cobertura de do todos os tipos de transporte como o aéreo, marítimo, rodoviário e ferroviário. No estado a Infraero administra dois aeroporto: O Aeroporto Internacional do Recife - Gilberto Freyre é o maior aeroporto do Norte-Nordeste, com uma pista de 3305 m e capacidade para 9 milhões de passageiros ao ano.[167] É um dos mais modernos aeroportos do Brasil,[168] tendo sido eleito um dos 5 melhores aeroportos do mundo pelas companhias de aviação.[169] O Aeroporto de Petrolina possui a segunda maior pista de pouso do Nordeste e o seu principal emprego é no transporte da produção de frutas do Vale do São Francisco para o exterior. Veja lista de aeroportos de Pernambuco.
Pernambuco apresenta dois portos marítimos: o de Suape, segundo maior do Brasil, localizado no município de Ipojuca, e o do Recife, um dos mais antigos do Brasil, que muitos estudiosos afirmam ter dado início ao Recife, possui também o porto fluvial de Petrolina.
A rede de rodovias em pernambuco apresenta quinze rodovias federais, as rodovias é a principal forma de transporte do estado. As mais importantes são a BR-101, que, avançando pela costa pernambucana, liga o norte ao sul do estado, passando pela RMR, e a BR-232, ligando a capital ao interior do estado, no sentido leste-oeste
- BR-232 - Que se estende em sentido leste-oeste partindo da cidade do Recife, onde começa no trevo da avenida Abdias de Carvalho com a BR-101, com trecho de 150 km duplicados em direção ao interior do estado, passando por cidades importantes como: Vitória de Santo Antão, Gravatá, Caruaru, Belo Jardim, Pesqueira, Arcoverde, Serra Talhada, e Salgueiro
- BR-101 - Na costa do estado, no sentido de norte-sul, com todo seu trecho duplicado passsando pela Grande Recife.
- BR-316/BR-122/BR-407/BR-428/BR-110 - Faz a ligação das localidades da margem esquerda do São Francisco em Pernambuco entre Petrolina e Petrolândia.
Quanto as ferrovias o estado foi o primeiro estado do Nordeste e o segundo do Brasil a ter uma estrada de ferro: a ferrovia Recife-Cabo, inaugurada a 8 de setembro de 1855, com extensão de 31,5 km, ainda no Brasil Império, construída para transporte de passageiros e carga, a novidade provocou curiosidade e festividade entre os recifenses. Em sua estreia, o trem da linha Recife-Cabo, partindo do Forte das Cinco Pontas transportou mais de 400 pessoas. A locomotiva partiu às 12h e 30 minutos depois atingiu o ponto de chegada, onde uma multidão aguardava. Desde então foram construídos 900 quilômetros de ferrovias, foram iniciados os trechos Ipojuca-Olinda-Escada e em seguida Limoeiro-Ribeirão-Água Preta-Palmares. Em 1882, foi completado o trecho Palmares-Catende, seguido de Garanhuns (1887), Mimoso (1911), Arcoverde (1912) e Salgueiro. Formavam assim três linhas troncos destinavam-se a cidade do Recife. O tronco norte ligava os portos pernambucanos e aos estados da Paraíba e Rio Grande do Norte, com suas respctivas capitais e o tronco sul ligava o sul do estado e às cidades de Maceió(capital de Alagoas) e Aracaju (capital de Sergipe). O tronco oeste ligava os portos da Região Metropolitana de Recife às cidades do interior pernambucano. Durante várias décadas, o transporte ferroviário exerceu decisiva influência na economia do estado, a partir do ano de 1960, foram abandonadas dando espaço às rodovias.
O Metrô do Recife foi inaugurado em março de 1985, com a linha Werneck-Centro, de 6,2 km de extensão. Seguiram-se construções de outras estações, e em outubro de 1986 chegou ao Terminal Integrado de Passageiros, TIP (rodoviária do Recife), o TIP foi inaugurada em outubro de 1986, sendo a segunda maior estação rodoviária do país. É operado pela CBTU Metrorec e é composto atualmente de 28 estações, com linhas que somam 39,5 quilômetros de extensão, transportando cerca de 225 mil usuários por dia, sendo 205 mil na Linha Centro e 20 mil na Linha Sul, ocupa 446.000 m², e possui diversas lojas em seus quatro pisos.[172].
A Transnordestina consiste em 1758 km de ferrovias interligando o porto de suape ao porto de pecém, foi sugerida já no século XIX, mas só em 2006 foi concebido um investimento R$ 1,3 bilhão será uma importante conexão entre o litoral e o Sertão. O projeto é para ser uma estrada de ferro para interligar o Nordeste (pelo centro da região) com o Sudeste do Brasil, com o objetivo de facilitar o escoamento da produção econômica nordestina. Em Pernambuco consiste na construção dos trechos entre os municípios de Petrolina e Salgueiro (231 km), de Salgueiro-Trindade-Araripina (171 km), a partir de Araripina, em direção ao oeste, inicialmente até Eliseu Martins (PI), de Salgueiro-Missão Velha, no Ceará, (114 km), de Salgueiro-Recife (514 km), Recife-Palmares-catende (142 km) a partir de Palmares em direção ao sul inicialmente até Propriá (SE).[173].
[editar] Cultura
A cultura pernambucana é bastante diversificada, uma vez que foi influenciada por indígenas, africanos e europeus.
Tendo sido uma das primeiras áreas efetivamente colonizadas por portugueses, ainda no século XVI, que aí encontraram as populações nativas e foram acompanhados por africanos trazidos como escravos, Pernambuco tem uma cultura bastante particular e típica, apesar de extremamente variada. Sua base é luso-brasileira, com grandes influências africanas, e ameríndias, em especial no sertão e agreste do estado.
[editar] Conhecimento
No estado de Pernambuco nasceram personalidades de destaque em todas as áreas do conhecimento.
O pernambucano Paulo Freire foi um dos pensadores mais notáveis da história da pedagogia mundial. A pedagogia crítica foi fortemente influenciada pelos trabalhos deste intelectual, um dos mais aclamados educadores críticos. Foi o brasileiro mais homenageado de todos os tempos: ganhou 41 títulos de Doutor Honoris Causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford.[177][178][179]
Gilberto Freyre, um dos mais importantes sociólogos do século XX, representa um marco na história do Brasil devido ao seu livro Casa-Grande & Senzala, que demonstra a importância dos escravos para a formação do país e que brancos e negros são absolutamente iguais.
Os literatos pernambucanos são muitos. Alguns deles: Joaquim Nabuco, Nelson Rodrigues, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Álvaro Lins, Marcos Vilaça, Martins Júnior, Josué de Castro, Olegário Mariano, Adelmar Tavares, Carlos Pena Filho, José Condé, Marcelino Freire, Manuel Correia de Andradre, Roberto Lira, João Carneiro de Sousa Bandeira e Antonio Herculano de Sousa Bandeira. João Cabral de Melo Neto foi o primeiro brasileiro a ser galardoado com o Prêmio Camões, o mais importante prêmio literário da língua portuguesa.
Mário Schenberg, largamente considerado o físico teórico mais importante do Brasil, publicou trabalhos nas áreas de termodinâmica, mecânica quântica, mecânica estatística, relatividade geral, astrofísica e matemática, e instaurou os primeiros cursos de computação da Universidade de São Paulo. Outros pernambucanos de grande destaque nas ciências exatas e biológicas são: Leopoldo Nachbin, Paulo Ribenboim, Norberto Odebrecht, Correia Picanço, Israel Vainsencher, Antonio Mário Antunes Sette, José Leite Lopes, Edson Mororó Moura, Fernando Antonio Figueiredo Cardoso da Silva, Antônio de Queiroz Galvão, João Santos, entre outros.
[editar] Música e dança
Vários gêneros musicais e danças surgiram no estado de Pernambuco ao longo dos anos.
O Frevo, um dos principais gêneros musicais e danças do estado e símbolo do Carnaval Recife/Olinda, se caracteriza pelo ritmo acelerado e pelos passos que lembram a capoeira. Esse gênero já revelou e influenciou grandes músicos, como Alceu Valença, Elba Ramalho, Geraldo Azevedo, Moraes Moreira, Zé Ramalho, Armandinho, Pepeu Gomes, Antônio Nóbrega, Hermeto Pascoal, entre muitos outros. Antes da criação da axé music na década de 1980 o frevo era utilizado também no Carnaval de Salvador.
Nos anos 90 surgia em Pernambuco o Manguebeat, movimento da contracultura que mistura ritmos regionais, como o maracatu, com rock, hip hop, funk e música eletrônica.[180][181] O movimento tem como principais críticas o abandono econômico-social do mangue, da desigualdade de Recife (não apenas desta, sendo apenas um reflexo do descaso do Estado fora do eixo Rio-São Paulo). Apesar de ter sido inventado já na década de 1970 pelo guitarrista Robertinho de Recife com os álbuns "Jardim da Infância" (1977), "Robertinho no Passo" (1978) e "E Agora pra Vocês... Suingues Tropicais" (1979), tem como ícone o músico Chico Science, ex-vocalista, já falecido, da banda Chico Science e Nação Zumbi, idealizador do rótulo mangue e principal divulgador das ideias, ritmos e contestações do manguebeat. Outro grande responsável pelo crescimento desse movimento foi Fred Zero Quatro, vocalista da banda Mundo Livre S/A e autor do primeiro manifesto do Mangue de 1992, intitulado "Caranguejos com cérebro".
O Maracatu Nação é uma manifestação cultural da música folclórica pernambucana afro-brasileira. É formada por uma percussão que acompanha um cortejo real. Como a maioria das manifestações populares do Brasil, é uma mistura das culturas indígena, africana e europeia. Surgiu em meados do século XVIII. Os Maracatus mais antigos do Carnaval do Recife nasceram da tradição do Rei do Congo. A notícia mais remota até há pouco conhecida sobre a instituição do Rei do Congo, em Pernambuco, data de 1711, em Olinda, e fala de uma instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança. A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do Rei do Congo.
O Maracatu Rural é outra manifestação cultural de Pernambuco, na qual figuram os conhecidos caboclos de lança. É conhecido também como Maracatu de Baque Solto. Distingue-se do Maracatu Nação ou Maracatu de Baque Virado em organização, personagens e ritmo. O Maracatu Rural mais antigo é o Cambinda Brasileira. O grupo foi fundado em 1898 e a sede permanece no mesmo lugar, no Engenho do Cumbe, Nazaré da Mata, Zona da Mata de Pernambuco. O Maracatu Rural significa para seus integrantes algo a mais que uma brincadeira: é uma herança secular, motivo de muito orgulho e admiração. É formado por pessoas simples, principalmente por trabalhadores rurais que com as mesmas mãos que cortam cana, lavram a terra e carregam peso, também bordam golas de caboclo, cortam fantasias, enfeitam guiadas, relhos e chapéus; dedicando-se ao bem mais valioso que possuem: a cultura. O cortejo do Maracatu Rural diferencia-se dos outros maracatus por suas características musicais próprias e pela essência de sua origem refletida no sincretismo de seus personagens. A orquestra é formada por instrumentos de percussão e sopro transmitindo sonoras simbologias. Uma apresentação deste se constitui em um ritual magnífico. É todo um conjunto espetacular de criatividade e beleza, que formam uma representação simbólica notável, deixando a todos encantados.
O Baião teve como precursor o pernambucano Luiz Gonzaga. O ritmo, ao lado de outros como xote, xaxado e côco, faz parte do chamado forró. Vários artistas deram continuidade ao legado de Luiz Gonzaga, como é o caso de Dominguinhos, entre muitos outros. O baião é uma dança muito popular no interior do Nordeste brasileiro; denomina, também, o gênero de música tocada nessas festas e um pequeno trecho musical executado pelos cantadores de viola nos intervalos dos improvisos de uma cantoria. O conjunto típico exigido pelo baião (baile e música) inclui sanfona, triângulo e zabumba.
O Xaxado é uma das principais danças típicas do sertão/agreste pernambucano. Exclusivamente masculina, originária do sertão de Pernambuco e, segundo Luís da Câmara Cascudo (Dicionário do Folclore Brasileiro), divulgada até regiões da Bahia pelo cangaceiro Lampião e pelos integrantes do seu bando. Segundo o poeta Jayme Griz, Lampião não foi o inventor da dança (que já era conhecida no sertão e agreste pernambucanos desde 1922), mas apenas seu divulgador. A dança é um rápido e deslizado sapateado. Originalmente, não tinha acompanhamento instrumental, os dançarinos apenas repetiam, em uníssono, a quadra e o refrão. No caso dos cangaceiros, justificava-se a ausência da figura feminina "porque o rifle era a dama". Posteriormente, o xaxado ganhou acompanhamento musical - zabumba, pífano, triângulo, sanfona- e passou a aceitar a participação de mulheres.[182]
Muito comuns em Pernambuco são as Bandas de Pífanos, além de outras músicas e danças oriundas do estado, como a Ciranda. Também são comuns o Pastoril, o Coco, a Embolada, entre outras manifestações.
[editar] Artes e artesanato
O estado de Pernambuco apresenta uma grande variedade de produtos artesanais. Além do tipo figurativo, composto por peças que são verdadeiras obras de arte, há uma enorme quantidade de produtos utilitários, indispensáveis no dia-a-dia da nossa população. Pelos principais ramos, o artesanato pernambucano está assim dividido: Cestaria e trançados; bordados e rendas; cerâmica; couro; tecelagem; madeira; metal; tapeçaria.
Cerâmica - É a argila modelada e aquecida a ponto de manter a forma definitiva desejada. Basicamente, existem dois tipos: a cerâmica utilitária e a ornamental, embora atualmente grande número de peças de cerâmica utilitária seja utilizada para efeito decorativo. O processo de produção é único: pegar determinada quantidade de argila, misturá-la à água para formar o barro destinado à curtição durante dois ou três dias. Depois, vem a etapa do amassamento para tornar o barro homogêneo. O barro ganha consistência pastosa, ideal para a modelagem. As peças modeladas passam pela fase de secagem e, depois, vem a etapa do cozimento, geralmente em fornos rudimentares. As peças são: vasos, panelas, jarros, bonecos e outra infinidade de objetos.
Cestaria e trançados - São muitos os artigos produzidos com fibras vegetais: bolsas de vários tamanhos e modelos, tapetes, chapéus, cestas, esteiras, sacolas, estandartes etc. As fibras que servem de matéria-prima também são muitas, como o sisal (ou agave), folha de carnaubeira, folha de bananeira, de coqueiro, de ouricuri, buriti, catolé e outros. Além disso, também servem como matéria-prima: linhas de coser, cordões, cordas, linha de náilon, cola e arame. Boa parte dos artigos comercializados em Pernambuco vem de um dos maiores produtores nordestinos de artigos desse tipo, o Rio Grande do norte, onde as matérias-primas predominantes são o sisal e a palma da carnaubeira.
Bordados - O bordado, executado sobre o tecido com agulha e linha, difere da renda porque esta não é aplicada sobre funda já existente: ela mesma é um tecido de malhas abertas e com textura delicada, cujos fios se entrelaçam formando um desenho. Os bordados existem em vários tipos: ponto-de-cruz, ponto-cheio, labirinto, renascença e outros. Já as rendas mais famosas são as de bilros. Tanto com o bordado quanto com as rendas, são confeccionados artigos de cama e mesa e peças de vestuário.
Redes - Grande parte das redes produzidas atualmente em Pernambuco já são através de processos industriais. Mas, em algumas regiões -como, por exemplo, o município de Tacaratu - ainda está presente o processo artesanal, através do qual a rede é produzida num penoso trabalho de mais de 20 etapas. A parte mais pesada do trabalho (a de tecelagem do pano que serve de corpo da rede) é feita através dos chamados teares de batelão. Outras partes fundamentais são as de confecção da corda de trancelim e do punho. A matéria-prima principal para o fabrico da rede é o fio de algodão.
Artigos de couro - São artigos como bolsas, cintos, chapéus, sapatos e outros, do tipo popular, destinados à população de baixa renda. Além desses produtos, também são confeccionados arreios para cavalo, bainhas para faca, moringas, cartucheiras, gibões e selas para montaria em animais. Os maiores centros produtores de artigos artesanais em couro do Estado são os municípios de Toritama e Timbaúba, produtores sobretudo de calçados, bolsas e cintos.
Artigos em madeira - Como a cerâmica, os artigos artesanais em madeira dividem-se em dois tipos: o utilitário e o decorativo. Entre as peça utilitárias, destacam-se a colher de pau, cabides, saleiros, açucareiros, etc. Entre as peças decorativas, destacam-se as talhas. Segundo o pesquisador Olímpio Bonald Neto, a arte do entalhamento, de origem européia, chegou a Pernambuco em meados do Século XVI, com a construção de templos e fortificações.
[editar] Teatro, cinema e televisão
Todos os anos, nas semanas que antecedem a Páscoa, realiza-se o espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém no distrito de Fazenda Nova, na cidade do Brejo da Madre de Deus, agreste pernambucano. O evento, que é encenado naquele local, é reconhecido como o maior teatro ao ar livre do mundo. A cidade-teatro de Nova Jerusalém impressiona pela arquitetura. A construção é uma réplica da Judeia sagrada, com lagos artificiais, nove palcos, uma muralha de 3.500 m e 70 torres. Vários atores e atrizes de sucesso da Rede Globo já atuaram em Nova Jerusalém. A Paixão de Cristo existe desde 1951, como espetáculo teatral. No início, era simplesmente uma manifestação religiosa de iniciativa do morador local Epaminondas Mendonça. Ele se inspirou na Paixão que é encenada anualmente numa cidade alemã. As primeiras apresentações eram feitas pelas ruas do povoado de Fazenda Nova, a um quilômetro da atual cidade-teatro, com a participação de artistas amadores, familiares e amigos. A idéia de construir uma réplica dos locais onde se desenrolaram os sofrimentos e a morte de Jesus Cristo, em Jerusalém, partiu de Plínio Pacheco, genro de Epaminondas. O projeto só começou a se concretizar em 1968, quando foi realizada a primeira encenação na hoje chamada Nova Jerusalém. Os atores tomam cerca de duas horas para percorrer toda a área da encenação; sim, em vez de os cenários serem alterados a cada cena, como em um teatro convencional, são os atores que se locomovem pelos cenários.
A história do cinema pernambucano começa em 1922, quando o ourives Edson Chagas e o gravador Gentil Roiz se juntam com o propósito de produzir filmes de enredo. Daí, surge "Retribuição" (de autoria de Roiz; assistente de direção Ari severo; tendo como protagonista os atores Barreto Júnior e Almeri Steves), que estreou em 1923 com grande sucesso nos cinemas do Recife e que é considerado o primeiro filme de enredo realizado no Nordeste - anteriormente só havia algumas experiências com documentários. A produtora foi a Aurora Filmes, primeira criada em Pernambuco, que logo em seguida realizaria o seu segundo longa metragem: "Jurado para Vingar", argumento de Gentil Roiz que era também o ator principal e direção de Ari Severo. Depois, a Aurora Filmes produz "Aitaré da Praia", direção de Roiz; argumento de Ari Severo que foi também o ator principal e que, para contracenar com a atriz Almeri Steves, sua noiva, foi obrigado a casar porque o filme tinha cenas de beijo. Com o sucesso desses filmes, surgem em Pernambuco outras empresas produtoras, entre as quais: Planeta Filmes (que realizou "Filho Sem Mãe"), Vera Cruz Filmes ("História de Uma Alma"), Goiana Filmes ("Sangue de Irmão", direção de Jota Soares), Olinda Filmes ("Reveses", direção de Chagas Ribeiro), Spia Filmes ("Destino das Rosas", direção de Ari Severo) e outras. Um dos filmes mais importantes do chamado Ciclo do Recife (a fase do cinema mudo em Pernambuco) foi "A Filha do Advogado", dirigido por Ari Severo (ator principal) e Jota Soares, que fez grande sucesso em 1926, sendo exibido também em outros Estados nordestinos. A mais ambiciosa produção da época foi "História de Uma Alma", que contava a vida de Santa Terezinha e tinha 14 partes.
Em Pernambuco há diversas emissoras de televisão. A TV Globo Nordeste, pertencente às Organizações Globo, tem sede em Olinda e concessão no Recife.
[editar] Museus e parques
O Museu da Cidade do Recife está instalado no Forte das Cinco Pontas, construído pelos holandeses no Recife em 1630, para defender a entrada da cidade e os poços de água potável existentes nas imediações. Dispõe de biblioteca especializada sobre o Recife Antigo.
O Museu do Estado de Pernambuco está localizado no Recife. Seu acervo inclui mobiliário, artes decorativas, documentos e livros históricos, joalheria e etnografia indígena. O Centro de Documentação do Espaço Cícero Dias oferece para consulta uma biblioteca de 4 mil volumes que inclui obras raras.
O Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco é um museu público estadual, localizado na cidade de Olinda. Inaugurado em 23 de dezembro de 1966, o museu integra a rede de equipamentos culturais da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Tem por objetivo a preservação, o estudo e a divulgação do seu acervo artístico, bem como a realização de atividades educativas e culturais. É um dos mais importantes museus em sua tipologia na região Nordeste, tendo exercido ao longo da história significativa influência para o desenvolvimento das artes plásticas em Pernambuco e região. Desde a inauguração, o museu encontra-se instalado no edifício da antiga Casa de Câmara e Cadeia Pública, um prédio erguido em meados do século XVIII para servir de sede ao Aljube da Diocese de Olinda, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1966. O Museu de Arte Contemporânea de Pernambuco conserva um acervo de aproximadamente 4.000 obras, de variados suportes, procedências e técnicas, abrangendo majoritariamente a produção artística moderna e contemporânea do Brasil, com grande ênfase na arte pernambucana. Seu núcleo original é a coleção de arte doada por Assis Chateaubriand ao governo pernambucano, posteriormente ampliada por meio de doações e aquisições.
O Parque 13 de Maio, localizado entre as ruas da Saudade, João Lira, Princesa Isabel e do Hospício, na Boa Vista, Recife, é a maior concentração de área verde da cidade, com pista de cooper, pequeno zoológico, parque infantil e vários monumentos. Em seu entorno, estão alguns prédios centenários, como o da Faculdade de Direito do Recife (a primeira do país) e a sede da Câmara de Vereadores. Teve sua construção iniciada em 1892, na gestão do governador Alexandre José Barbosa Lima. Em 1939, foi transformado em parque pelo então prefeito Antônio Novaes Filho.
O Parque de esculturas de Francisco Brennand, Situado no molhe do Bairro do Recife, de frente à Praça do Marco Zero, foi inaugurado em dezembro de 2000. O espaço foi criado em comemoração aos 500 anos do Descobrimento do Brasil, em realização ao projeto da Prefeitura do Recife "Eu vi o Mundo... Ele começava no Recife". O museu ao ar livre abriga 90 obras que retratam mistérios do artista plástico pernambucano Francisco de Paula de Almeida Brennand. No local, podem-se observar diversos monumentos de cerâmica, como as sereias, e várias esculturas em bronze, como os pelicanos. O destaque do ambiente é a "Torre de Cristal", construída com 32 metros de altura, composta por argila e bronze.
[editar] Festividades
O Carnaval do Recife é um carnaval multifacetado, com formas diferentes de carnaval de rua, desfiles de agremiações carnavalescas e apresentações de cantores e conjuntos musicais em palanques específicos. O Recife possui o maior bloco carnavalesco do mundo, o Galo da Madrugada, que se apresenta no sábado de carnaval, ou "Sábado de Zé Pereira". Em 2006 o Galo reuniu mais de um milhão e meio de pessoas, mais que a população do Recife, façanha que o incluiu no Livro Guiness de Recordes. Em fins do Século XVII havia organizações, denominadas "Companhias", que se reuniam para comemorar a Festa de Reis. Essas companhias eram constituídas em sua maioria de pessoas de raça negra, escravos ou não, que suspendiam seus trabalhos e comemoravam o dia dos Santos Reis. Com a abolição da escravatura, começaram a aparecer agremiações carnavalescas baseadas nos maracatus e nos festejos dos Reis Magos. O primeiro clube carnavalesco de que se tem notícia foi o "Clube dos Caiadores", criado por Antônio Valente. Os participantes do clube compareciam à Matriz de São José, no bairro de São José, executando marchas. Seus participantes, levando nas mãos baldes, latas de tinta, escadinhas e varas com pincéis, subiam os degraus da igreja e a caiavam (pintavam), simbolicamente.
O Carnaval de Olinda é conhecido mundialmente pelos desfiles dos Bonecos de Olinda, bonecos de mais de dois metros, coloridos e de fácil localização, que saem às ruas junto com os foliões. Em seus primórdios, a história do carnaval de Olinda confunde-se com a história da folia no Recife e em Pernambuco. Tal como hoje a conhecemos, a maior festa popular do mundo é um evento relativamente recente, sendo marcado pelo surgimento de agremiações como o Clube Carnavalesco Misto Lenhadores, fundado em 1907, e o Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas, de 1912, ambos ainda presentes nos carnavais da atualidade. O carnaval de Olinda preserva as mais puras tradições da folia pernambucana e nordestina. Todo ano, pelas ruas e ladeiras da Cidade Alta desfilam centenas de agremiações carnavalescas e tipos populares, que mantêm vivas as genuínas raízes da mais popular festa do Brasil. São clubes de frevo, troças, blocos, maracatus, caboclinhos, afoxés, cujas manifestações traduzem a mistura dos costumes e tradições de brancos, negros e índios, base da formação do nosso povo e de nossa cultura.
O São João de Caruaru é um dos mais famosos do Brasil. Tem diversos polos de animação, shows artísticos, apresentação de grupos folclóricos e regionais e culinária típica rica em canjica, pamonha, bolo de milho, pé de moleque e outras iguarias à base de milho. Na maior festa de São João do mundo, o público chega a 1,5 milhão de pessoas. Jornalistas de várias partes do mundo registram a festa, que está no Guinness Book, na categoria maior festa country (regional) ao ar livre do mundo.[187]
[editar] Culinária
A culinária pernambucana foi influenciada diretamente pelas culturas portuguesa, africana e indígena. Diversas receitas originais provenientes de outros continentes foram adaptadas com ingredientes encontrados com facilidade na região, resultando em combinações únicas de sabores, cores e aromas.
Os pratos mais conhecidos são: a carne de sol, a tapioca, o arrumadinho de charque, o queijo de coalho, o escondidinho de charque, o sarapatel, o sururu, a caldeirada, o cozido e o feijão de coco, entre outros. Entre as sobremesas podemos citar: o bolo de rolo, bolo pé de moleque, bolo de macaxeira e o sorvete de tapioca.
O bolo de rolo e a tapioca receberam, por lei, status de patrimônio imaterial de Pernambuco e de Olinda, respectivamente.
[editar] Esportes
Assim como no restante do país, Pernambuco tem como principal esporte o futebol.
Recife foi uma das 5 sedes da Copa do Mundo de 1950 (única do Norte-Nordeste). Na capital pernambucana ocorreu uma partida no Estádio da Ilha do Retiro entre Estados Unidos e Chile, com vitória dos americanos por 5 a 2. Recife também será uma das sedes da Copa do Mundo FIFA de 2014.
O Campeonato Pernambucano de Futebol, um dos principais torneios estaduais do país, é disputado desde 1915, tendo como campeão sempre um time da capital.
Os principais times do estado são o Sport Club do Recife, o que mais títulos estaduais possui (39), sendo ainda campeão da Copa do Brasil de 2008, vice-campeão da Copa do Brasil de 1989, vice-campeão da Copa dos Campeões de 2000, Campeão Brasileiro da Série B de 1990 e Campeão Brasileiro de 1987 (título contestado pelo Flamengo);[188][189][190]. o Santa Cruz Futebol Clube, com 25 títulos pernambucanos, além de vice-campeão da Série B em 2005 e da Série D em 2011 e 3º colocado no Campeonato Brasileiro de 1975, e detentor de um título de honra, o Fita Azul, concedido aos clubes de futebol que, após suas excursões internacionais, retornavam invictos ao Brasil; e o Clube Náutico Capibaribe, que detém a marca de mais títulos estaduais consecutivos (Hexacampeão), o 2º lugar na Taça Brasil de 1967 e títulos de vice-campeão da Série B nos anos de 1988 e 2011.
O Sport, em parceria com a Faculdade Maurício de Nassau, também participa de competições nacionais de voleibol e basquete.
Outros clubes esportivos importantes no estado são o América Pernambuco, com seis títulos estaduais de futebol,[191][192][193] além de Central, Porto, Ypiranga, Salgueiro, Petrolina, Serra Talhada, Belo Jardim e Araripina no interior.
Os maiores times de Pernambuco possuem estádios próprios. O maior estádio construído é o Estádio do Arruda, pertencente ao Santa Cruz. Destaque ainda para a Ilha do Retiro, pertencente ao Sport, e para o Estádio dos Aflitos, que pertence ao Náutico. Um novo e moderno estádio está sendo construído em São Lourenço da Mata, na Região Metropolitana do Recife, para a Copa do Mundo de 2014. A Arena Pernambuco terá em seu entorno a Cidade da Copa, primeira smart city (cidade inteligente) da América Latina, e seu mandante será o Clube Náutico Capibaribe.[194]
[editar] Ver também
- Dia de Pernambuco
- Hino de Pernambuco
- Bandeira de Pernambuco
- Municípios de Pernambuco por população
- Municípios de Pernambuco
- Governadores de Pernambuco
- Mesorregiões de Pernambuco
- Região Metropolitana do Recife
- RIDE Petrolina-Juazeiro
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- ↑ http://globoesporte.globo.com/futebol/noticia/2011/06/cbf-volta-reconhecer-sport-como-unico-campeao-de-1987.html
- ↑ http://www.campeoesdofutebol.com.br/especial2.html
- ↑ http://www.flamengo.com.br/flapedia/Campeonato_Brasileiro_1987
- ↑ http://www.americafcpe.com.br/
- ↑ Clube Português do Recife.
- ↑ http://www.americafcpe.com.br/
- ↑ http://ne10.uol.com.br/canal/esportes/copa-2014/noticia/2011/12/27/video-a-900-dias-do-mundial-maquete-da-cidade-da-copa-e-divulgada-317776.php
[editar] Bibliografia
- Martin, Gabriela. Pré-história do Nordeste do Brasil. Recife: Editora da Universidade Federal de Pernambuco, 1996. ISBN 8573150831
- Vários. Almanaque Abril 2007. São Paulo: Abril, 2007. 692-693 p.
- Vários. Grande Enciclopédia Larousse Cultural. Santana do Parnaíba: Plural, 1998. 4558-1561 p. vol. XIX. ISBN 85-13-00773-0
[editar] Ligações externas
- Governo de Pernambuco
- Legitima Poesia Pernambucana - S.J. Egito
- História de Pernambuco
- Fernando de Noronha
- Página do IBGE sobre Pernambuco
- Poder Judiciário de Pernambuco
Referências
Assembleia Legislativa de Pernambuco