Porto Calvo

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Município de Porto Calvo
"Terra de Calabar"
Bandeira de Porto Calvo
Brasão desconhecido
Bandeira Brasão desconhecido
Hino
Aniversário 12 de abril
Fundação 1636
Gentílico porto-calvense
Prefeito(a) Ormindo de Mendonça Uchôa (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Porto Calvo
Localização de Porto Calvo em Alagoas
Porto Calvo está localizado em: Brasil
Porto Calvo
Localização de Porto Calvo no Brasil
09° 02' 42" S 35° 23' 52" O09° 02' 42" S 35° 23' 52" O
Unidade federativa  Alagoas
Mesorregião Leste Alagoano IBGE/2008[1]
Microrregião Mata Alagoana IBGE/2008[1]
Região metropolitana Zona da Mata
Municípios limítrofes Matriz de Camaragibe, Porto de Pedras, Jundiá, Jacuípe, Japaratinga e Maragogi.
Distância até a capital 96 km
Características geográficas
Área 260,158 km² [2]
População 25 708 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 98,82 hab./km²
Altitude 35 m
Clima tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,586 baixo PNUD/2010[4]
PIB R$ 116 550,887 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 4 505,25 IBGE/2008[5]
Página oficial

Porto Calvo é um município brasileiro do estado de Alagoas. Sua população estimada em 2004 era de 24 614 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

O município de Porto Calvo é a freguesia mais antiga do estado, pois já existia no século XVI. Sua fundação é atribuída a Cristóvão Lins, a quem foram doadas terras que se estendiam do rio Manguaba ao Cabo de Santo Agostinho. "A sesmaria recebeu o nome de Santo Antônio dos Quatro Rios – Manguaba, Camarajibe, Santo Antônio Grande e Tatuamunha – compreendia as terras entre os rios Manguaba, passando pelo Camarajibe (Matriz e Passo do Camaragibe), Tatuamunha (Porto de Pedras) e chegando ao rio Santo Antônio, em São Luiz do Quitunde". Nesta região, ele iniciou a cultura canavieira, e construiu uma capela e sete engenhos. Os novos proprietários procuraram logo fazer a derrubada das matas e plantar cana-de-açúcar, surgindo daí os engenhos bangüês que sustentaram a economia alagoana durante quatro séculos, até serem substituídos pelas usinas. Os primeiros engenhos foram construídos por Cristóvão Lins, no qual ele batizou com os nomes de Escurial, Maranhão e Buenos Aires.

Porto Calvo foi um dos primeiros locais a ser habitado pelos portugueses. A cruzada organizada por Cristóvão Lins percorreu parte do litoral, expulsando os índios e se apossando de suas terras. Cristóvão Lins recebeu o título de alcaide-mor de Porto Calvo em 1600. O povoado foi se formando com o movimento entre o norte e o sul, assumindo características de vila nos primeiros trinta anos do século XVII. A origem do nome vem de uma lenda na qual um velho calvo, que morava às margens do rio, construiu um porto, conhecido como o "Porto do Calvo". Quando foi elevada à vila, passou a se chamar Bom Sucesso, em homenagem à vitória de Matias de Albuquerque contra os holandeses, mas permaneceu Porto Calvo até os dias atuais.

Sempre presente em fatos políticos, Porto Calvo teve papel saliente nos diversos acontecimentos sociais e políticos da Capitania de Pernambuco, haja vista, que à época esta como o Estado de Alagoas eram parte do Estado de Pernambuco. Fez-se notável pela parte que tomou na guerra com os holandeses, serviu de base para as forças expedicionárias e como entreposto comercial durante o período da destruição do célebre Quilombo dos Palmares. Tem como filhos ilustres Calabar, Zumbi e Guedes de Miranda, sendo que Domingos Fernandes Calabar se tornou o caso mais famoso de deserção da história do país. Figura muito discutida por historiadores, com duas correntes antagônicas, uns considerando-o herói e outros o julgando traidor da pátria por ter se aliado aos holandeses. Na época do Brasil Colônia, num tempo em que não se encontrava solidificado o sentimento nativista e a consciência de uma pátria como a temos nos dias atuais, a deserção era fato corriqueiro dentro das fileiras dos exércitos. Calabar não foi o único a desertar, outros que por diversos motivos e pertencentes às mais diferentes etnias e nacionalidades mudavam de lado rotineiramente.

A freguesia, sob invocação de N.S. da Apresentação, foi criada por volta de 1575. Sendo elevado de povoado à vila em 12 de Abril de 1636, e foi elevada à categoria de cidade pela Resolução nº 1.115, de 14 de Novembro de 1889 e depois pelo Decreto nº 10, de 10 de Abril de 1890. Como atrativos (além da própria história), o município oferece a Igreja Matriz, considerada Monumento Nacional em 6 de Junho de 1952, pelo Senado Federal e tombada em 17 de janeiro de 1955 pelo serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, a Igreja de Nossa Senhora da Apresentação traz estampada em seu frontispício a data de 1610, como ano de sua conclusão. Temos o Alto da Forca e o rio Manguaba, além das festas da padroeira (21/11) e do aniversário (12/04).

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município de Porto Calvo localiza-se na região norte do litoral alagoano, limitando-se com Jundiá (33Km), Matriz de Camaragibe (25Km), Porto de Pedras (30Km), Japaratinga (20Km), Maragogi (30Km) e Jacuípe (18 km). Distante de Maceió 96 quilômetros e está situado 35 metros acima do nível do mar. Ocupa uma área de 335 km², é a 31ª região em extensão territorial do Estado de Alagoas.

Seu relevo apresenta duas feições: a primeira a dos tabuleiros, com uma topografia plana e suavemente ondulada, modelada em rochas sedimentares argiloarenosas. A segunda corresponde a do modelado em rochas cristalinas, com uma topografia ondulada e movimentada, destacando-se as serras do Café, do Urubu e Benfica. A altitude oscila de poucos metros a 200 metros.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

A rede hidrográfica é constituída pelos Rios Salgados, Grupiuna, Manguaba, e seus afluentes, Comandatuba, Muicatá e Tapamundé.

Clima e vegetação[editar | editar código-fonte]

Situado em altitudes muito baixas no litoral do Estado de Alagoas, o clima desse município é tropical megatérmico e úmido, quase subúmido. A variação climática sazonal é assegurada, principalmente pelo regime de chuvas: há uma estação muito chuvosa, centralizada no inverno (Junho, Julho e Agosto) e uma estação seca centralizada no verão (Novembro, Dezembro e Janeiro). Os totais anuais de chuvas são elevados, normalmente entre 1400 e 1500 mm, porém as chuvas são mal distribuídas ao longo do ano. Embora a estação da chuva inicie-se normalmente em março e termine em agosto (61% do total anual), somente a partir de maio iniciam-se as chuvas, estendendo-se até agosto, onde há uma grande formação de água (500 a 600 mm, normalmente) que fica disponível para o escoamento superficial. Em contra partida, de outubro a fevereiro, chove apenas 15 a 20% do total anual. Considerando que as temperaturas permanecem em níveis predominante elevados durante todo ano, a necessidade natural de águas nessa época torna 15% a 20% de chuvas insuficientes, daí resultam grande déficit de água nos solos; que costumam prosseguir até abril. Tem as características de um clima temperado ocorrendo máxima de 30º e mínima de 20º. O inverno tem seu início em abril e termina em setembro.

O município de Porto Calvo era coberto pela Mata Atlântica, hoje bastante rara, preservada em alguns pontos e em recuperação em outros. Porto Calvo era dotado de consideráveis riquezas florestais, havendo madeiras de várias espécies. O junco e o peri-peri, destinados à confecção de esteiras, são encontradas em grandes quantidades em vários rios portocalvenses. Já a riqueza de origem animal se constata em grande quantidade nos rios e lagoas.

Esta vegetação exuberante aos poucos foi sendo substituída por outra, muito pouco diversificada, de sua principal cultura a cana-de-açúcar. O clima também é favorável à lavoura de subsistência (mandioca, milho, etc.)

População e economia[editar | editar código-fonte]

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no recenseamento de 2000, Porto Calvo tinha aproximadamente uma população de 23.951 habitantes divididos entre zona rural (8.689 habitantes) e zona urbana (14.983 habitantes), sendo que o total de homens é 12.132 e de mulheres é de 11.819. Porém, fontes extra-oficiais estimam uma população aproximada de 30.000 habitantes.

A argila ou barro para a fabricação de telhas e tijolos, constitui a principal riqueza mineral. Como riqueza de origem animal existem peixes e camarões nos principais rios e lagoas, o que propicia também uma pequena atividade pesqueira, havendo também criatórios particulares para comercialização. A atividade agropecuária e a indústria açucareira constituem a base econômica local. As demais atividades que têm predominância na economia municipal são a produção de açúcar, de álcool, através da Usina Santa Maria; e as cerâmicas. Seguem-se o arroz, mandioca e coco-da-baía. A cana-de-açúcar é escoada para a Usina Santa Maria enquanto os demais produtos são exportados para Maceió. A pecuária, que anos atrás, ocupava uma posição de destaque em sua economia está reduzida a uma criação considerada apenas regular. Não há indústrias significativas no município, exceto a usina.

Porto Calvo concentra um comércio de variadas opções e economia estável, além de feira livre ás sextas e sábados, considerada a maior da região. Os estabelecimentos bancários são a Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e Bradesco, de grande movimento diário. Há uma agência dos Correios, várias serralherias, proporcionado um bom número de empregos diretos e indiretos e uma casa lotérica.

Aspectos socioeconômicos[editar | editar código-fonte]

Na construção da sua história ao longo dos seus 371 anos de existência quando foi elevado de povoado à vila, o município tem se desenvolvido em alguns aspectos, sendo que em período passados a sua história ficou esquecida. A comunidade portocalvense até o ano de 1965 ficava às escuras no horário de 22:00 horas por diante, por possuir na sede deste município um pequeno motor a óleo acompanhado de um pequeno gerador que fornecia energia elétrica para o município até o horário acima citado. Hoje as comunidades urbanas e rurais são beneficiadas pela CHESF, por meio da Companhia Energética de Alagoas (Ceal), sendo a mesma responsável pela distribuição da energia elétrica no município.

Para transportar a produção açucareira da Usina Santa Maria (única indústria de porte médio em 1967), para o Porto de Maceió, o Sr. "Zeca Galego", que possuiu um Alfa Romeo (caminhão de Carroceria); que quando passava pela fazenda Bereguedé e outras, alegrava as crianças com suas buzinadas e a rapaziada se divertia quando as crianças gritavam assim: "Apita, Zeca Galego".

Em relação ao abastecimento de água, Porto Calvo foi beneficiado com a construção de barragem para tratamento, beneficiando toda o município, além dos povoados da Mangazala, Caxangá.

Com exceção da sua Igreja Matriz, concluída na primeira década do século XVII, tudo o que era antigo foi destruído tanto pela ânsia de seus habitantes por casas novas e modernas, quanto pela imposição de administrações do passado, que com pressa em modernizar as calçadas e as fachadas das casas, sem conhecimento do valor histórico das construções antigas, destruiu grande parte do patrimônio histórico do município, a expansão do setor comercial, pela exiguidade de espaço também operou grande destruição neste sentido. A própria Matriz, única relíquia histórica que resiste ao tempo, não se sabe como era no tempo de sua inauguração, por causa das inúmeras reformas e deformações que sofreu ao longo dos séculos. Por isso, Porto Calvo, atualmente é apenas uma referência histórica. Um município modernizado, apenas antigo na história.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Nenhuma administração procurou reconstruir a importante história do município, dando ênfase e apoio às manifestações culturais e as atrações do município, onde se destacam:

Educação[editar | editar código-fonte]

No campo educacional, o município é responsável por 43 escolas, distribuídas entre a zona rural e urbana, oferecendo da educação infantil ao ensino fundamental. Havendo duas escolas estaduais com ensino fundamental e médio e uma particular do maternal ao fundamental I, além de uma extensão da Universidade Federal de Alagoas – Ufal, oferecendo curso de graduação à distância.

Símbolos da cidade[editar | editar código-fonte]

A bandeira do município reflete toda a riqueza que o município produz. A bandeira foi criada no dia 7 de setembro de 1978 pelo portocalvense Isaías Soares da Silva.

Suas cores e significado são:

  • Verde: representa as matas.
  • Branco: representa a paz.
  • Azul: representa o céu.
  • Vermelho: representa o sangue derramado pelo herói Calabar.

O símbolo: representado pelas três moendas dos engenhos de cana-de-açúcar Escurial, Água Fria e Comandatuba.

A primeira moenda é a representação da principal cultura e riqueza: a cana-de-açúcar.

A segunda moenda é a representação dos três morros: Cemitério, Hospital e Igreja Matriz. As listas Brancas lembram os quatro rios que circundam a cidade: Comandatuba. Mucaitá, Tapamundé e Manguaba.

Finalmente, a terceira moenda, é a representação da cultura do arroz, que alimenta o povo alegre e acolhedor.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 de dezembro de 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 23 de outubro de 2011.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 31 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 de dezembro de 2010.

Referências bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  • COSTA, Craveiro. História das Alagoas, Comp. Melhoramentos de São Paulo, SP, 1983 p. 18.
  • DIÉGUES JÚNIOR, Manuel. O Bangüê nas Alagoas. Ed. do Int. do Açúcar e do Álcool, RJ, 1949, p. 18.
  • MELLO, Antônio Gonsalves de. Administração da Conquista, CEPE, Recife – PE, V.II, 2004, p. 206.
  • Secretaria Municipal de Educação de Porto Calvo


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