Congonhas

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Município de Congonhas
"Cidade dos Profetas"
Sanctuary of Bom Jesus do Congonhas.jpg

Bandeira de Congonhas
Brasão desconhecido
Bandeira Brasão desconhecido
Hino
Fundação 17 de dezembro de 1938
Gentílico congonhense
CEP 36415-000
Prefeito(a) José de Freitas Cordeiro (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Congonhas
Localização de Congonhas em Minas Gerais
Congonhas está localizado em: Brasil
Congonhas
Localização de Congonhas no Brasil
20° 30' 00" S 43° 51' 28" O20° 30' 00" S 43° 51' 28" O
Unidade federativa  Minas Gerais
Mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte IBGE/2008 [1]
Microrregião Conselheiro Lafaiete IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Belo Vale, Jeceaba, São Brás do Suaçuí, Conselheiro Lafaiete, Ouro Branco, Ouro Preto
Distância até a capital 75 km
Características geográficas
Área 305,579 km² [2]
População 48 550 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 158,88 hab./km²
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,788 alto PNUD/2000 [4]
PIB R$ 851 473,257 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 17 714,67 IBGE/2008[5]
Página oficial

Congonhas é um município brasileiro do estado de Minas Gerais.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 20º29'59" sul e a uma longitude 43º51'28" oeste, estando entre serras, a uma altitude de 871 metros. Sua população estimada em 2009 era de 45 742 habitantes. Possui uma área de 306,45 km².

A cidade é formada por três distritos: O distrito de Congonhas (distrito-sede), Alto Maranhão e Lobo Leite [6] .

A região é atravessada pelo rio Maranhão (em cujas margens se fundou o arraial primitivo), que recebe as águas dos córregos Santo Antônio, Goiabeiras e Soledade. É do encontro do rio Maranhão com o córrego Santo Antônio que tem-se início o rio rio Paraopeba. O solo é rico em minério de ferro de alto teor, sendo que no passado também já foi expressiva a mineração em busca de ouro, metal encontrado até nos dias atuais, apesar de não ser em escala industrial.

Situada a setenta quilômetros de Belo Horizonte, Congonhas possui um expressivo conjunto de riqueza barroca do maior artista do gênero no Brasil: Antônio Francisco Lisboa, mais conhecido pelo apelido Aleijadinho. No adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Aleijadinho esculpiu em pedra-sabão as famosas imagens de doze profetas em tamanho real que são visitadas anualmente por milhares de turistas do Brasil e de todo o mundo.

Beco dos Canudos, antiga pousada dos romeiros. Hoje, um mercado de artesanato

Além disto, as seis capelas que compõem o Jardim dos Passos em frente à basílica representam a via Sacra com belíssimas imagens esculpidas em cedro também por este grande artista barroco. Em 1985, todo este conjunto foi tombado pela UNESCO e transformado em patrimônio cultural da humanidade.

Os principais atrativos de Congonhas são: Basílica Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, Romaria, Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Igreja do Rosário, museu da Imagem e Memória e o Parque da Cachoeira.

Antes de ser a "Cidade dos Profetas", Congonhas foi e ainda é um grande centro de peregrinação. Todo ano, o município reúne milhares de fiéis em busca de cura das suas aflições. São, aproximadamente, cinco milhões de peregrinos que visitam Congonhas entre sete e catorze de setembro, período em que é comemorado no município o jubileu do Senhor Bom Jesus do Matozinhos.

Vista do santuário a partir do jardim dos Passos da Paixão

O município possui como maior fonte de renda a extração mineral e a indústria metalúrgica com destaque para a mina de Casa de Pedra (Companhia Siderúrgica Nacional- CSN), a Mina da Fábrica (antiga Ferteco Mineração S/A, hoje incorporada à CVRD) e a Mina Viga [7] (que atualmente pertence à Ferrous).

História[editar | editar código-fonte]

Teve origem em 1757 quando foi fundado o Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, por Feliciano Mendes, de Guimarães, nascido em Portugal, de início modesta cruz e oratório; ele era tão pobre que até morrer, em 1765, pedia esmolas.

Contribuíram com grandes quantias Francisco de Lima; Manuel Rodrigues Coelho, Bernardo Pires da Silva, de modo que se começou a nave central da igreja; em 1787 foi colocada diante do altar-mor a imagem do Cristo morto; custódia e vasos sacros de prata foram encomendados ao ourives Felizardo Mendes. Em 1819 requisitaram-se os serviços do pintor Manuel da Costa Ataíde para restaurar pintura da capela-mor. De 1769 a 1772 trabalhou ali o mestre João de Carvalhais, recebendo 32 oitavas «à conta da pintura do altar de Santo Antônio». Data de 1781 a última menção a Carvalhais: recebeu oito oitavas « de feitio de duas imagens de Cristo dos colaterais» para a igreja.

Em 1812 o barão Wilhelm Ludwig von Eschwege instalou no arraial, com a intenção pioneira no país de produzir ferro, sua Fábrica Patriotica, com Friedrich Ludwig Wilhelm Varnhagen e o intendente Câmara, sendo tal local situado às margens da rodovia BR 040, nas proximidades da Mina da Fábrica (nome dado em alusão a "Fábrica Patriótica"), hoje pertencente à VALE. Assim escreveu von Eschwege:

Por ocasião de minha chegada a Minas, em 1811, era comum esse processo bárbaro de produção de ferro. A maioria dos ferreiros e grandes fazendeiros que possuíam ferraria, tinham também o seu forninho de fundição, sempre diferente um do outro, pois cada proprietário, na construção, seguia suas próprias ideias. (...) Itabira do Mato Dentro foi o único lugar onde havia uma espécie de forno de peito fechado, cujo ar era fornecido por grande fole de couro, acionado por uma roda d'água, que punha em movimento, também um engenho de serra. O proprietário possuía várias forjas de ferreiro para fundição de ferro, e uma pequena máquina de perfurar, para fabricação de canos de espingarda. Dei a esse homem todas as instruções necessárias para o assentamento de um malho hidráulico, de que ninguém fazia ideia. Enviei-lhe mesmo, por algum tempo, um ferreiro alemão, de modo que o nosso homem fez grandes progressos na fabricação de ferro. Foi o primeiro que, no mês de abril de 1812, estirou ferro por meio de malho hidráulico. Este era de madeira, circulada de aros de ferro. A partir dessa ocasião, quatro outras pessoas do lugar imitaram minhas instalações da Fábrica de Ferro do Prata, perto de Congonhas do Campo e, em pouco tempo, trabalhavam 16 pequenos fornos, com diversos malhos de ferro forjado, movidos à água.[8]

Vendo a determinação do intendente Câmara em produzir ferro no Brasil em escala industrial, e o andamento dos projetos já existentes, von Eschewege se propôs a construir em Congonhas uma fundição a custo muito mais baixo:

Direi somente que, até o ano de 1818, quando a fábrica sueca de São João do Ipanema foi transformada por von Varnhagen em uma fábrica do tipo alemão, minha usina de Congonhas produzia mais ferro do que a do Morro do Pilar e tanto quanto a de São João do Ipanema. E também que, tendo as duas primeiras custado 300 mil cruzados cada uma, as despesas com a construção da minha atingiram somente a 13 mil. Além disso, havia ainda a grande diferença de ter dado bons lucros aos proprietários, enquanto as duas outras somente produziram prejuízos consideráveis.[9]

Santuário do Bom Jesus de Matosinhos[editar | editar código-fonte]

Célebre monumento histórico e artístico de Congonhas é o santuário barroco de Bom Jesus de Matosinhos, que é desde 1985 Patrimônio da Humanidade. Construído em várias etapas, nos séculos XVIII e XIX, por vários mestres, artesãos e pintores, como o Aleijadinho e Manuel da Costa Ataíde, é uma das maiores realizações do barroco brasileiro.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. Biblioteca do IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Página visitada em 4 de março de 2010.
  7. Jornal Hoje em Dia - Nairo Alméri. (16 de janeiro de 2010). "Ferrous dá partida no porto e o mineroduto" (em português). Hoje em Dia. Página visitada em 27 de janeiro de 2012.
  8. ESCHWEGE, Wilhelm Ludwig von. Pluto Brasiliensis: memórias sobre as riquezas do Brasil em ouro, diamantes e outros metais. Vol. 2 (1944), pg. 341. Disponível na Biblioteca Brasiliana [1], acessado em 1 de fevereiro de 2013.
  9. ESCHWEGE, Wilhelm Ludwig von. Pluto Brasiliensis: memórias sobre as riquezas do Brasil em ouro, diamantes e outros metais. Vol. 2 (1944), pg. 345. Disponível na Biblioteca Brasiliana [2], acessado em 1 de fevereiro de 2013.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]