Porto Nacional

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Município de Porto Nacional
"Capital do Agronegócio"
Bandeira de Porto Nacional
Brasão de Porto Nacional
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 13 de junho de 1859
Gentílico portuense
Lema A Capital Cultural do Tocantins
Padroeiro(a) Nossa Senhora das Mercês
Prefeito(a) Otoniel Andrade (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Porto Nacional
Localização de Porto Nacional no Tocantins
Porto Nacional está localizado em: Brasil
Porto Nacional
Localização de Porto Nacional no Brasil
10° 42' 28" S 48° 25' 01" O10° 42' 28" S 48° 25' 01" O
Unidade federativa  Tocantins
Mesorregião Oriental do Tocantins IBGE/2008[1]
Microrregião Porto Nacional IBGE/2008[1]
Região metropolitana Palmas
Municípios limítrofes Norte: Miracema do Tocantins, Leste: Palmas, Monte do Carmo e Silvanópolis, Sul: Ipueiras, Brejinho de Nazaré, Fátima, Oeste: Oliveira de Fátima, Nova Rosalândia, Pugmil e Paraíso do Tocantins.
Distância até a capital 60 km
Características geográficas
Área 4 449,892 km² [2]
População 51,500 hab. IBGE/2012[3]
Densidade 0,01 hab./km²
Altitude 212 m
Clima Tropical
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,740 (TO: 6º) – alto PNUD/2010[4]
PIB R$ 670,913 milhoes IBGE/2010[5]
PIB per capita R$ 9 765,30 IBGE/2008[5]
Página oficial

Porto Nacional é um município brasileiro do estado do Tocantins. Fundado no início do século XIX, Porto Nacional sempre esteve diretamente ligado histórica e culturalmente ao rio Tocantins. Ao longo daquele século e do XX, a principal via de acesso era o rio. Embarcações singravam o Tocantins transportando mercadorias entre Porto Nacional e Belém do Pará. Com a construção da rodovia BR-153, nos anos 1970, o fluxo de pessoas e mercadorias passou para a via terrestre. Após a construção da Usina Hidrelétrica Luiz Eduardo Magalhães, na cidade de Lajeado, a cidade deixou de conviver com o rio para conviver com o lago.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 10º42'29" Sul e a uma longitude 48º25'02" Oeste, estando a uma altitude de 212 metros. Sua população estimada pelo censo de 2010 era de 50.655 habitantes.

Possui uma área de 4464,11 km2.

História[editar | editar código-fonte]

O primeiro núcleo de povoação surgiu no fim do século XVIII, ao fluxo dos bandeirantes, aventureiros portugueses, que, auxiliados pelo braço forte do escravo africano, embrenhavam pelos sertões do Brasil à procura de ouro. De fato, as usinas de ouro de Carmo e Pontal, atraíam os aventureiros lusitanos e mamelucos a ponto de levá-los a enfrentar as tribos e animais selvagens daquelas regiões desconhecidas.

Pontal nasceu dentro deste processo de descoberta de garimpos na região setentrional da então capitania de São Paulo, tendo sido fundado quatro anos após Natividade (1734), dois anos antes de Arraias (1740) (Chaim, 1974:25) e oito anos antes do Carmo, cuja fundação deve datar de 1746 (Palacin, 1976:36).

Os índios Xerentes do Alto Tocantins se revoltaram contra os invasores e atacaram de surpresa o Arraial do Pontal, massacrando quase toda a população. Os sobreviventes do massacre ficaram à beira do Rio Tocantins, à margem direita, justamente no porto de passagem de transeuntes daquele arraial para o de Nossa Senhora do Carmo.

A navegação do Rio Tocantins foi um dos fatores que contribuiu, para o desenvolvimento acelerado daquele povoado. As grandes riquezas minerais eram levadas através do Rio Tocantins até Belém e, de lá, para as terras de Portugal.

Em 1835, foi criada, por determinação da Lei Providencial nº 14, de 23 de julho, a Paróquia de Nossa Senhora das Mercês, padroeira da cidade até hoje. Segue-se, abaixo um texto com interpretações sobre a história do surgimento da cidade:

"Alegoria da violência indígena na construção de identidade: O caso de Porto Nacional – TO." (autor) Giraldin, Odair (Antropólogo)

As interpretações sobre a relação da mito-história da fundação de Porto Nacional com ações de violência, foram inspiradas na seguinte afirmação de Leach: “Todas as sociedades humanas, grandes ou pequenas, elaboradas ou simples, têm suas histórias tradicionais. Sejam verdadeiras ou falsas, ou parcialmente verdadeiras e parcialmente falsas, todas essas histórias funcionam como mitos de origem, como documentos da existência humana; elas explicam ao iniciado ou ao principiante como é que ‘nós’ começamos e como é que ‘nós’ chegamos ao que somos hoje” (Leach, 1982:58-59).

A Sede Municipal só recebeu foros da Cidade por efeito da Resolução Providencial nº 333, de 13 de julho de 1961, com a denominação de Porto Imperial. Em virtude de Decreto Lei Estadual nº 21, de 7 de março de 1890, a cidade recebeu a denominação de Porto Nacional. Seu primeiro intendente foi o Tenente-Coronel Joaquim Alves da Silva, que governou até o ano de 1895. Pela Bula “Apostolatus Officium”, do Papa Bento XV, de 20 de dezembro de 1915, desmembrada da então Diocese de Goiás. O 1º Bispo foi Dom Domingos Carrerot, OP, (1920-1923).

Pouco mais tarde, começava-se a desenvolver em Porto Nacional o sistema de transporte e comunicação, que estava muito ligado ao Rio Tocantins, onde navegavam com botes impulsionados por remeiros ou vareiros. Somente em 1923, foi lançado nas águas do Tocantins o primeiro barco a vapor - a lancha Mercês. E motor somente na década de 40. No ano de 1929 os dois primeiros veículos - um caminhão e um carro - chegam ao município depois de meses de viagem, inclusive abrindo estradas. Eram conduzidos pelo Dr. Francisco Ayres da Silva, deputado e médico que lutava para a abertura de linha mais eficiente de comunicação.

A partir da década de 30, se desenvolve a ligação aérea feita pelo Correio Aéreo Nacional - CAN. Era a Rota do Tocantins que saia do Rio de Janeiro e chegava a Belém aterrissando nos aeroportos instalados por Lysias Rodrigues, entre eles Porto Nacional.

A imprensa portuense sempre foi muito atuante, desde o século XIX. Apresentado o cotidiano da cidade, prestando informações públicas e da vida social também eram arautos e porta vozes das reivindicações do norte do estado e defendiam ideias da divisão do estado. Como cidade mais importante do norte de Goiás, Porto Nacional sempre se destacou na política e na defesa dos interesses da região. O Manifesto Tocantinense, de 1956, por exemplo, consolida Porto Nacional como foco dos movimentos de emancipação.

Criado o Estado do Tocantins, em 1988, e definida a criação de uma nova capital, com a inspiração em Brasília, a cidade de Porto Nacional passa a ser, junto com Natividade e Arraias, uma das referências históricas mais importantes do Estado. Aqui estão plantadas as raízes do norte goiano.

Economia[editar | editar código-fonte]

Notável pelo potencial agropecuário, Porto Nacional vê no crescimento da capital Palmas, distante 63 km, uma oportunidade para movimentar o comércio local e permitir maior fluxo de capital no município.

Pontos turísticos[editar | editar código-fonte]

  • Centro Histórico - Dotado de ruas estreitas e prédios quase todos construídos no século XIX.
  • Lago da Usina do Lajeado – Constituindo-se em local propício para esportes náuticos e pesca esportiva, localizado em frente à cidade.
  • Catedral Nossa Senhora das Mercês - Construída pelos frades dominicanos, vindos da França, sua pedra fundamental foi colocada no dia 7 de maio de 1884.
  • Avenida Beira Rio – Via expressa, construída com mais de 3Km de extensão, na orla da cidade.
  • Nova Praia de Porto Real- Dotada de infra estrutura, local de eventos culturais e esportivos durante a temporada de junho a setembro.
  • Colégio Sagrado Coração de Jesus - Construído pelas irmãs dominicanas na década de 1950 em estilo francês.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 3 de agosto de 2013.
  5. a b Predefinição:Citar web http://cidades.ibge.gov.br/xtras/temas.php?lang=&codmun=171820&idtema=103&search=tocantins

Bibliografia citada[editar | editar código-fonte]

  • BARTH, Frederik (1976) – Los Grupos Étnicos y sus Fronteras. La organización social de las diferencias culturales. México, Fondo de Cultura Económica.
  • CARNEIRO DA CUNHA, Manuela (org.) (1992) - Legislação Indigenista no Século XIX. SP, Edusp/Comissão Pró-Índio.
  • CARDOSO DE OLIVERIA, Roberto (1976) – Identidade, Etnia e Estrutura Social. SP, Livraria Pioneira Editora.
  • CHAIM, Marivone de Matos (1974) - Os Aldeamentos Indígenas na Capitania de Goiás. Goiânia, Oriente.
  • DOLES, Dalísia (1993) - Navegação pelo Araguaia e Tocantins. Goiânia, Ed. UFG.
  • GODINHO, Durval C. (1988) - História de Porto Nacional. S/Ed.
  • LEACH, Edmund 1982. A Diversidade da Antropologia Lisboa, Perspectivas do Homem / Edições 70.
  • MAYBURY-LEWIS, David (1964) - A Sociedade Xavante. RJ, Francisco Alves.
  • MOTT, Luiz (1989) - “Conquista, aldeamento e domesticação dos Índios Gueguê do Piauí: 1674-1770”. Revista de Antropologia. 30/31/32:55-78.
  • PALACIN, Luiz (1976) - Goiás: 1722-1822. Goiânia, Oriente.
  • POHL, Johann Emanuel ([1821] 1976) - Viagem ao interior do Brasil (1817-1821). SP, Edusp / BH, Itatiaia.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]