Icó

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Município de Icó
"Princesa do Sertão"
Bandeira de Icó
Brasão de Icó
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 25 de outubro
Fundação 1842
Gentílico icoense
Prefeito(a) José Jaime Bezerra Rodrigues Júnior (DEM)
(2013–2016)
Localização
Localização de Icó
Localização de Icó no Ceará
Icó está localizado em: Brasil
Icó
Localização de Icó no Brasil
06° 24' 03" S 38° 51' 43" O06° 24' 03" S 38° 51' 43" O
Unidade federativa  Ceará
Mesorregião Centro-Sul Cearense IBGE/2008 [1]
Microrregião Iguatu IBGE/2008 [1]
Municípios limítrofes Norte: Jaguaribe e Pereiro;
Sul: Umari, Lavras da Mangabeira e Cedro;
Leste: Rio Grande do Norte (São Miguel, Venha-Ver) e Paraíba (Bernardino Batista e Poço Dantas);
Oeste: Iguatu e Orós
Distância até a capital 375 km
Características geográficas
Área 1 871,980 km² [2]
População 66,885 hab. IBGE/2013
Densidade 0,04 hab./km²
Altitude 153 m [3]
Clima Semiárido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,606 (CE: 109º) – médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 214 492,741 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 3 280,86 IBGE/2008[5]
Página oficial

Icó é um município brasileiro do estado do Ceará. A cidade do Icó foi a terceira vila instalada no Ceará e possui um sítio arquitetônico datado do século XVIII.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo "Icó" pode ser uma alusão a:

  • uma palavra da língua tapuia, onde i (água) + (roça), tornando "água ou rio da roça";
  • uma das tribos que habitavam às margens do Rio Salgado, denominada ikó;[6]
  • uma planta que poderia ter existido em abundância na região, o icozeiro, da família das caparidáceas (Capparis yco), cujo fruto é o icó.

Sua denominação original era "Arraial do Poço", depois "Povoação do Salgado", "Arraial da Senhora do O", "Arraial Velho", "Ribeira dos Icós", "Arraial Novo", "Arraial da Ribeira dos Icós", "Icós" e, desde 1860, "Icó".[6] [7]

História[editar | editar código-fonte]

As terras entre as serras do Cafundó, Camará e às margens do Rio Salgado eram habitadas por diversas etnias tapuias, entres elas os icó, icozinho, janduí e quixelô.[8] [9]

A colonização das terras de Icó data do final do século XVII e início do século XVIII. Os primeiros colonizadores da cidade eram conhecidos como "os homens do (Rio) São Francisco", que faziam parte de uma das frentes de ocupação do território cearense, a do "sertão-de-dentro", dominada pelos baianos, que serviu para tentar ocupar todo o interior cearense.

A entrada de Bartolomeu Nabo de Correia e mais 40 homens, chegou em 1683 e deu início à povoação conhecida como "Arraial Novo dos Icós", a sua primeira fase. Numa segunda fase, famílias se instalaram através das sesmarias e assim surgiram dois povoados às margens do Rio Salgado: o "Icó de Baixo" e o "Icó de Cima". Ambos, povoados dominados pelos membros das famílias Fonseca e Monte, respectivamente. Devido às constantes inundações, o povoado que prevaleceu foi o "Icó de Cima".[10] Tanto na fase de descobrimento quanto na de assentamento, os conflitos com os índigenas foram constantes, até que a Igreja Católica interveio e conseguiu um tipo de pacificação.[6]

A povoação foi elevada a vila em 1738, a terceira vila do Ceará, logo após Aquiraz e Fortaleza. Em 1842, obteve a categoria de cidade. Devido a sua importância econômica, Icó foi uma das cidades que tiveram projetos urbanísticos planejados na corte, Lisboa.[10]

Com a intensificão e o sucesso da indústria do carne-seca e do charque no Ceará, Icó destacou-se durante esta áurea época como um dos três centros comerciais e de serviços do estado, juntamente com Sobral e Aracati, devido a abundância de água, localização estratégica na rota das boiadas. A "Estrada Geral do Jaguaribe" escoava as boiadas entre as fazendas de gado do Sertão do Cariri ao porto e centro de salgagem da carne salgada de Aracati. A "Estrada das Boiadas" ou "Estrada dos Inhamuns" escoava o gado e os produtos entre a Paraíba e o Piauí.[10]

A partir do século XIX, com o final do Ciclo da Carne do Ceará, as plantações de algodão e café foram implementadas. Já na segunda metade deste a iluminação pública foi instalada..[10] Mesmo assim, Icó enfrentou um processo de degradamento político e econômico devido ao crescimento da importância política do Crato[10] e depois com a expansão da Estrada de Ferro de Baturité até a cidade do Crato em 1910, o que favoreceu o comércio de Iguatu.[11]

Na primeira metade do século XX, Icó volta a ter importância devido ao projeto de combate às secas com o Açude Lima Campos e a BR-116.


Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Tropical quente semi-árido com pluviometria média de 850 mm [12] com chuvas concentradas de janeiro a abril.[13]

Hidrografia e recursos hídricos[editar | editar código-fonte]

As principais fontes de água fazem parte das bacias do rio Salgado e do Baixo Jaguaribe, sendo os principais afluentes elas os riachos: Aba, Capim, capitão-mor, dos Cavalos, São Miguel, São João, dos Pedreiros, Lobato, Periquito, São Vicente, Santana, Tatajuba (este divisa com o município de Orós), Umari e outros tantos. Existem ainda 89 açudes, sendo os de maior porte os açudes: Lima Campos ou Estreito I e o Tatajuba.[14] [15]

Relevo e solos[editar | editar código-fonte]

As terras de Icó fazem parte da Depressão Sertaneja, com elevações significantes no lado leste com colinas e cristas dos maciços residuais como a serra do Padrede. As altitudes entre 200 e 700 metros acima do nível do mar. Os solos da região são constituído de arenitos, calcários do Mesozóico e folhelhos, gnaisses e migmatitos do Pré-Cambriano indiviso, conglomerados, siltitos e sedimentos arenosos inconsolidados, aluviais, do Quaternário, quartzitos.[14]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Na cobertura vegetal do município encontra-se a caatinga arbustiva densa, caatinga aberta, caatinga arbórea espinhosa, mata seca (floresta subcaducifólia tropical pluvial e mata ciliar).[14] .

Subdivisão[editar | editar código-fonte]

O município é dividido em seis distritos: Icó (sede), Cruzeirinho, Icozinho (em processo de emancipação), Lima Campos (em processo de emancipação), Pedrinhas e São Vicente .[16]

Aspectos socioeconômicos[editar | editar código-fonte]

A maior concentração populacional encontra-se na zona rural. A sede do município dispõe de abastecimento de água, fornecimento de energia elétrica, serviço telefônico, agência de correios e telégrafos, serviço bancário, hospitais, hotéis, ensino de 1° e 2° graus e a Faculdade Vale do Salgado (FVS).[14]

A partir de Fortaleza o acesso ao município, pode ser feito por via terrestre através da rodovia BR-116. As demais vilas, lugarejos, sítios e fazendas são acessíveis (com franco acesso durante todo o ano) através de estradas estaduais, asfaltadas ou carroçáveis.[17]

A economia local é baseada na agricultura: algodão arbóreo e herbáceo, banana, milho, feijão, mandioca, cana-de-açúcar, castanha de caju e frutas diversas; pecuária: bovino, avícola, ovino, caprino e suíno. Ainda existem vinte e nove indústrias: quatro de perfumaria, sabão e velas, uma de química, dez de produtos alimentares, três de madeira, quatro de produtos minerais não metálicos, seis de serviços de construção, uma de vestuário, calçados e artigos de tecidos de couro e peles.[18]

O extrativismo vegetal também é presente na fabricação de carvão vegetal, extração de madeiras diversas para lenha e construção de cercas. A atividades da extração da oiticica e carnaúba é amplamente explorada. A confecção de artesanato de redes, chapéus-de-palha e bordados destaca-se também como fonte de renda. A extração de rocha para cantaria, brita e usos diversos na construção civil é uma das atividades de mineração. A piscicultura é desenvolvida nos açudes locais, principalmente no açude Lima Campos.[14]

O turismo também é uma das fontes de renda, devido a belezas naturais, como o rio Salgado e em destaque pelo sítio histórico barroco oriundo do ciclo do charque e carne-seca, época de que esta cidade foi entreposto entre as capitais e o interior do Nordeste. O sítio arquitetônico de Icó, faz parte do Patrimônio Histórico Nacional.[19]

O sítio arquitetônico de Icó[editar | editar código-fonte]

Teatro da Ribeira dos Icós em 1900

Um sitio que é formado pelo perímetro urbano planejado pela Metrópole, na primeira metade do século XVII. Um projeto urbanístico com: ruas bem traçadas e retas (delimitando quadras relativamentes uniformes), praças bastante amplas, prédios públicos. O sítio nuclear situa-se entre as atuais ruas: 7 de Setembro, Ilídio Sampaio e Benjamin Constant, fechando-se ao lado leste com a praça principal.[10]

  • Teatro da Ribeira dos Icós: datado de 1860, obra do arquiteto Henrique Théberge, filho do médico e historiador que financiou esta obra neoclássica, Pedro Théberge. É o mais antigo teatro do estado do Ceará.É formado de dois pavimentos, no térreo encontram-se três galerias; no primeiro andar encontram-se camarotes superiores.
  • Casa de Câmara e Cadeia: datada da segunda metde do século XVIII, foi uma das mais seguras cadeias de sua época. Seus portões são verdadeiras fortalezas. As celas possuem um dos mais perfeitos esquemas de segurança, com paredes que possuem uma espessura é de um metro e meio, as chaves das celas são únicas e pesam aproximadamente meio quilo cada uma. No seu interior encontra-se a capela penitenciária com a imagem de São Domingos (protetor dos presidiários). O prédio compõe-se de dois pavimentos. No andar superior funcionou a Câmara e no térreo funcionou a Cadeia Pública. Atualmente está inativa e passará pelas últimas reformas de restauração.
  • Igreja de Nossa Senhora da Expectação: Igreja em estilo barroco, situada no Largo do Théberge, é a Igreja Matriz da cidade. Ao lado da igreja do Monte, antes da saída para Orós, encontra-se o cemitério centenário.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os principais eventos culturais são:

  • Semana Universitária (julho),
  • Festa de Nossa Senhora Santana (17 a 26 de julho),
  • Independência do Brasil (07/setembro),
  • Semana do Município (18 a 25 de outubro),
  • Festa do Senhor do Bonfim (23 de dezembro a 1 de janeiro),
  • Feira Municipal e Cultural (junho),
  • Festival do Milho Verde de Malhada Vermelha (abril),
  • Festa de Nossa Senhora da Expectação "Ó" (18/dezembro),
  • Forricó (julho)

Política[editar | editar código-fonte]

A administração municipal localiza-se na sede: Icó.[6] O atual administrador chama-se, José Jaime do DEM.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Ceará. Embrapa. Arquivado do original em 31 de agosto de 2011. Página visitada em 31 de agosto de 2011.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 2 de agosto de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. a b c d Página do IBGE. Página visitada em 02 de fevereiro de 2010.
  7. Página do Ceará
  8. Sebok. Lou, Atlases published in the Netherlands in the rare atlas collection. Compiled and edited by Lou Seboek. National Map Collection (Canada), Ottawa. 1974
  9. Aragão, R. B, Índios do Ceará e Topônimios Índigenas, Fortaleza, Barraca do Escritor Cearense. 1994
  10. a b c d e f Revista Oceanos 41 - Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses. Lisboa, 2000. Ceará do século XVII: Icó, Aracati e Sobral.pag. 105 a 108.
  11. Estações Ferroviárias. Página visitada em 02 de fevereiro de 2010.
  12. Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos - FUNCEME.
  13. Instituto nacional de Pesquisa espacial - INPE.
  14. a b c d e CPRM
  15. Atlas do Ceará
  16. Página do IBGE. Página visitada em 02 de fevereiro de 2010.
  17. Página do DER. Página visitada em 03 de fevereiro de 2010.
  18. Página do Ceará
  19. Governo do Icó

Ligações externas[editar | editar código-fonte]