Parambu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Município de Parambu
"Cachoeirinha"
Entrada de Parambu.

Entrada de Parambu.
Bandeira de Parambu
Brasão de Parambu
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 15 de setembro
Fundação 1956
Gentílico parambuense
Prefeito(a) Keylly Mateus Noronha (PMDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Parambu
Localização de Parambu no Ceará
Parambu está localizado em: Brasil
Parambu
Localização de Parambu no Brasil
06° 12' 39" S 40° 41' 38" O06° 12' 39" S 40° 41' 38" O
Unidade federativa  Ceará
Mesorregião Sertões Cearenses IBGE/2008 [1]
Microrregião Sertão de Inhamuns IBGE/2008 [1]
Região metropolitana Nenhuma
Municípios limítrofes Quiterianópolis, Tauá, Arneiroz, Aiuaba; Pio IX e Pimenteiras do estado do Piaui.
Distância até a capital 400 km
Características geográficas
Área 2 303,402 km² [2]
População 31 309 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 13,59 hab./km²
Altitude 496 m
Clima Tropical Quente semi-árido(Bsw'h')
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,613 médio PNUD/2000 [4]
PIB R$ 108 010,338 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 3 377,12 IBGE/2008[5]
Página oficial

Parambu é um município brasileiro do estado do Ceará. Localiza-se na Microrregião do Sertão de Inhamuns. Sua população em 2010 era de 31.309 habitantes. A cidade de Parambu está distanciada cerca de 400 km de Fortaleza e o acesso é feito através das rodovias BR-020 e CE-277.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo Parambu vem do tupi-guarani para (rio) e juru ou yuru (o que ronca), significando rio roncador.[6] Sua denominação original era Fazenda Cachoeirinha, depois São Pedro da Cachoeira, em seguida São Pedro da Cachoeirinha, Cachoeirinha e, desde 1943, Parambu.[7]

História[editar | editar código-fonte]

Parambu localiza-se no território que foi habitado, antes da chegada das entradas vindas do Pernambuco, pelos índios jucás,[8] candandus e inhamuns.[9] . Com a doação de sesmarias ao longo do rio Puiú e a disseminação da criação de gado bovino na região, surge um povoamento com o nome de São Pedro da Cachoeira formado em torno das fazendas de gado e de uma capela, cujo patrimônio foi doado em 1772 por Enéas de Castro Feitosa.[7]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Tropical quente semi-árido com pluviometria média de 556,8 mm [10] com chuvas concentradas de janeiro à abril. O tipo climático de Parambu, de acordo com a classificação de Köeppen, é o Bsw'h' com período chuvoso iniciando-se em janeiro e fevereiro, prolongando-se até maio, sendo os meses mais secos agosto, setembro e outubro. Também caracterizado por escassez de chuvas e grande irregularidade em sua distribuição, baixa nebulosidade, forte insolação, índices elevados de evapotranspiração, temperaturas médias elevadas (por volta de 27 °C) e por vezes chuvas torrenciais.[11]

Hidrografia e recursos hídricos[editar | editar código-fonte]

As principais fontes de água de Parambu fazem parte da bacia do Alto Jaguaribe, sendo os rios e riachos de maior expressão: o rio Puiú, o rio Jucá, riachos São José, do Cordão, do Coronzó, do Rosário, Capivara, Riachão, São Gonçalo e João da Costa. Os açudes de maior porte são Espírito Santo, Monte Sion, Jucá e Parambu. O município é dotado de 132 poços tubulares, 58 poços Amazonas e 03 fontes naturais.[12]

Geologia, Relevo e Solos[editar | editar código-fonte]

Ocorrem na área terrenos pré-cambrianos, caracterizados por uma predominância de biotitagnaisse, com ocorrências restritas de migmatitos e granitos. Próximos às margens dos rios, observa-se a presença de aluviões (Quaternário), formado por sedimentos de granulometria variável, predominando de forma geral, os argilosos. Morfologicamente, o relevo está caracterizado por um modelado suave, geralmente sub-aplainado, fundamentalmente homogêneo, apresentando formas colinosas cujas elevaçoes são pouco acentuadas e com vertentes algo arredondadas e suaves; em alguns locais, as rochas graníticas adquirem maiores altitudes. Sobressaindo-se desse comportamento, ocorrem eventualmente, formas residuais de antiga superfície de erosão, como os “hogbacks”, reflexo de tipos litológicos mais resistentes como quartzitos e gnaisse fortemente quartzosos.[13] A menor altitude encontra-se em torno dos 300 metros e a maior altitude fica em torno dos 800 metros (Serra da Ibiapaba/Serra Grande/Serra dos Cariris Novos), próximo da fronteira do Ceará com o Piauí.[14] Os tipos de solos que ocorrem na região são variados, com predomínio das seguintes classes de solos: Argissolos, Neossolos litólicos, Latossolos, Neossolos flúvicos, Planossolos e Vertissolos. As principais elevações são as serras: dos Cariris Novos (Batistas, Paulos, Moças, Meio, Baixões, Cariás) e Serra da Charita[15]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A vegetação natural está bastante alterada pela ação antrópica. Nas porções mais baixas é composta por caatinga arbustiva aberta, com variação para a caatinga arbórea (ou floresta caducifólia espinhosa); nas vertentes e altos é composta de floresta subcaducifólia tropical pluvial e no planalto encontra-se carrasco(vegetação arbustiva densa, com caules finos, xerófila). É comum a presença de plantas como o juazeiro (Zizyphus joazeiro), angico (Anadenanthera macrocarpa), catingueira (Caesalpinia piramidalis), mandacaru (Cereus jamacaru), marmeleiro (Croton sonderianus) e aroeira (Myracroduon urundeuva), oiticica (Licania rigida), umburana (Bursera leptophlaveos), jucá (Caesalpinia ferrea cearense) e umbuzeiro (Spondias tuberosa).[14]

Subdivisão[editar | editar código-fonte]

O município tem sete distritos: Parambu (sede), Cococi(Cidade Fantasma atualmente), Gavião, Miranda, Monte Sion, Novo Assis, Oiticica [16]

DESTAQUE: Existe uma cidade fantasma que há 44 anos deixou de ser habitada. Idealizada pelo Major Feitosa, o lugar foi habitado por centenas de famílias e entre 1954 e 1968 foi um Município. Os moradores foram embora depois que um decreto do então Governo Militar rebaixou o lugar a distrito. Agora as casas estão em ruínas, histórias incríveis, e quem ainda mora no Cococi, um lugar assustador e deserto. Não tem calçamento, não tem luz, não tem água, não tem médico, nem dentista, nem parteira, nem farmácia, nem barbeiro, nada. Uma história por si só extraordinária, avassaladora como a paisagem do sertão. O município existiu por poucos anos e sucumbiu à descoberta pelo poder federal das irregularidades que nem eram diferentes do que acontece em outras cidades interioranas. Cidade de Cococi, no sul do estado do Ceará, abandonada após vida política intensa e progresso social. Contribuição de Roberto A B Lobo / Gama-DF

Mapa do Ceará na época em que o Cococi(no centro da imagem) era o Distrito Sede em 1861.

Economia[editar | editar código-fonte]

Cultura[editar | editar código-fonte]

De acordo com o IBGE(2009), foram realizadas 6265 matrículas no ensino fundamental e 1426 matrículas no ensino médio com 219 docentes no ensino fundamental e 47 no nível médio. Existem 89 escolas de ensino pré-escolar, 91 escolas de ensino fundamental e 01 escola de nível médio. Curso de Nível Superior (Licenciatura Específica em Português) através da Universidade do Vale do Acaraú (UVA). Os principais eventos culturais são:

  • Festa do padroeiro: São Pedro (junho)
  • Vaquejada (junho)
  • Parambu Fest (dezembro)
  • Festa do Município (setembro)
  • Festa de Nossa Senhora da Conceição-Cococi (dezembro)
  • Festa de São Francisco-Novo Assis (outubro)
Igreja de Nossa Senhora da Conceição por dentro.
Igreja de Nossa Senhora da Conceição no Distrito de Cococi.

A gastronomia do município é tradicionalmente representada por pratos como o "baião de dois" (de fava ou feijão), queijo coalho, carneiro assado na brasa, farinha branca de mandioca, "tapioca da serra", mel de abelha, doce de leite com queijo coalho e doce de caju.

  • Patrimônio histórico: Igreja de Nossa Senhora da Conceição na vila do Cococi, cuja construção foi iniciada por volta de 1720.
  • Patrimônio arqueológico: "Buraco da Velha" (caverna) com desenhos rupestres, feitos por populações autóctones em tempos imemoriais, na Serra dos Lopes(Serra dos Cariris Novos).
  • Patrimônio paleontológico: Sítio fossilífero pleistocênico com a presença de fósseis de elefante pré-histórico (mastodonte), na localidade Canabrava(distrito do Cococi).
  • Reserva Particular do Patrimônio Natural: Localizada na fazenda Olho D´agua do Urucum (distrito do Cococi), criada em 1991, tem uma área de 2.610 hectares com fitosionomia e fauna típica da caatinga. É uma propriedade particular gravada com perpetuidade, por iniciativa do proprietário, que objetiva preservar a biodiversidade.
  • Curiosidade: Existe na Índia, uma localidade denominada de Tunchan Parambu, situada no município do Tirur, distrito de Malappuran no Estado de Kerala (sul da Índia). Nessa localidade nasceu o poeta Thunchathu Ezhuthchan Ramanujan (sec. 16),considerado o pai da literatura Malayalam.

Política[editar | editar código-fonte]

A partir da implantação da fazenda Cachoeirinha e da edificação da capela, cujo patrimônio foi doado em 1772 por Enéas de Castro Feitosa, surgiu São Pedro da Cachoeira. Com a construção da capela, deu-se o início de um agregamento populacional que originou o atual Parambu.

  • Através da lei estadual nº 2677 de 02-08-1929 foi criado o distrito de São Pedro da Cachoeirinha, com terras desmembradas do distrito de Marrecas, subordinado ao município de Tauá;
  • Com o decreto estadual nº 448 de 20-12-1938, o distrito de São Pedro da Cachoeirinha passou a denominar-se simplesmente Cachoeirinha;
  • O decreto-lei estadual nº 1114 de 30-12-1943 mudou a denominação do distrito de Cachoeirinha para Parambu;
  • O distrito Parambu foi elevado à categoria de município através da lei estadual nº 3338 de 15-09-1956, desmembrado de Tauá e constituído por 02 distritos: Parambu e Cococi. O município foi instalado oficialmente em 14-09-1957.
Vista aérea de Parambu.

A administração municipal localiza-se na sede: Parambu.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de abril de 2011). Página visitada em 26 de maio de 2011.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  6. Aragão, R. B, Indios do Ceará e Topônimios Indiígenas, Fortaleza, Barraca do Escritor Cearense. 1994
  7. a b http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/ceara/parambu.pdf
  8. Nimuendaju, Curt. Mapa etno-histórico de Curt. Rio de Janeiro IBGE, 2002
  9. Aragão, R. B, Indios do Ceará e Topônimios Indígenas, Fortaleza, Barraca do Escritor Cearense. 1994
  10. Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (FUNCEME)
  11. Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(INPE).
  12. http://atlas.srh.ce.gov.br/
  13. http://marte.dpi.inpe.br/col/sid.inpe.br/
  14. a b http://www.cprm.gov.br/
  15. http://www2.ipece.ce.gov.br/cartografia_1/Mapas%20Municipais/N-O-P_pdf/Parambu.pdf
  16. http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/ceara/.pdf

Ligações externas[editar | editar código-fonte]