Aquiraz

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Município de Aquiraz
Bandeira de Aquiraz
Brasão desconhecido
Bandeira Brasão desconhecido
Hino
Fundação 13 de fevereiro de 1699
Gentílico aquiraense
Prefeito(a) Antonio Fernando Freitas Guimarães (PSB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Aquiraz
Localização de Aquiraz no Ceará
Aquiraz está localizado em: Brasil
Aquiraz
Localização de Aquiraz no Brasil
03° 54' 03" S 38° 23' 27" O03° 54' 03" S 38° 23' 27" O
Unidade federativa  Ceará
Mesorregião Metropolitana de Fortaleza IBGE/2008[1]
Microrregião Fortaleza IBGE/2008[1]
Região metropolitana Fortaleza
Municípios limítrofes Norte: Oceano Atlântico, Fortaleza e Eusébio, Leste: Oceano Atlântico e Cascavel, Sul: Pindoretama e Horizonte, Oeste: Itaitinga
Distância até a capital 32 3 km
Características geográficas
Área 480,976 km² [2]
População 72 651 hab. IBGE/2010[3]
Densidade 151,05 hab./km²
Altitude 14 m
Clima Tropical atlântico subúmido
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,641 médio PNUD/2010[4]
PIB R$ 801 369 mil IBGE/2011[5]
PIB per capita R$ 10 893,80 IBGE/2011[5]
Página oficial
Prefeitura www.aquiraz.ce.gov.br

Aquiraz é um município brasileiro do estado do Ceará, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza.

Situada na costa leste do litoral cearense, a 27 km de Fortaleza, a cidade de Aquiraz guarda em suas raízes as tradições indígenas e do colonizador europeu, não esquecendo os marcantes traços da cultura africana espalhados em todo município.

A então vila foi criada pela ordem régia de 13 de fevereiro de 1699, efetivamente instalada em 27 de junho de 1713. Tornou-se, portanto, sede administrativa da capitania do Siará Grande até o ano de 1726, ou seja foi capital do Ceará até o ano de 1726, quando a capital foi transferida para Fortaleza.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo "Aquiraz" vem do tupi-guarani e significa "Água Logo Adiante". Sua denominação original era Aquiraz, em 1710, "São José de Ribamar do Aquiraz" e desde 1915, novamente Aquiraz.

História[editar | editar código-fonte]

A história de Aquiraz mistura os primeiros habitante destas terras, os índios potyguara e outras tribos pertencentes ao tronco tupi como os jenipapo-kanyndé,[6] com os portugueses religiosos e militares que vieram habitar esta região visando à catequização dos índios e à proteção do território contra invasões de outros povos europeus.

A localidade de Aquiraz conheceu a presença dos portugueses depois que estes resolveram explorar as terras ao norte da ponta do Iguape, na qual foi construído o Reduto Novo.

Ceará a partir do mapa de 1629 por Albernaz I.

Aquiraz é conhecida como "a primeira capital do Ceará". Em seu perímetro central, situado em torno da bucólica praça Cônego Araripe, a qual tem traçado de missão jesuítica, encontram-se as principais edificações de interesse histórico-arquitetônico do local. Entre elas, podemos citar a imponente Igreja Matriz de São José de Ribamar, construída no século XVIII. O templo apresenta ecletismo no estilo, predominando os traços barrocos e neoclássicos, frutos das várias modificações que passou ao longo dos anos. Destaca-se no nicho central do altar-mor a imagem do padroeiro São José de Ribamar, calçado de botas, relembrando o bandeirante audaz.

Outro monumento importante é a antiga Casa de Câmara e Cadeia iniciada no século XVIII e concluída no ano de 1877. Atualmente, o prédio sedia o Museu Sacro São José de Ribamar, fundado em 1967, sendo considerado o primeiro museu sacro do Ceará e o segundo do Norte-Nordeste. Seu acervo compõe-se de mais de 600 peças de caráter religioso datadas dos séculos XVII , XVIII e XIX, alusivas à fé do povo cearense. O antigo sobradão tem sua arquitetura original bastante conservada, pode-se observar as grades das antigas selas no pavimento inferior, e o assoalho reforçado com vigas de carnaúba na parte superior onde antes funcionava a câmara, o fórum e a prefeitura municipal. A peça mais importante do acervo é uma cruz processional de prata cinzelada datada do século XVIII, herança dos jesuítas que estiveram em Aquiraz.

O Mercado da Carne, hoje Mercado das Artes, século XIX, outrora centro comercial da cidade, impressiona o visitante pela particular técnica de construção, a qual prima pelo uso da carnaúba e do tijolo adobe. Sua parte central era o local de comercialização da carne, a harmonia geométrica da armação do telhado deixa transparecer o caráter arrojado do estilo. Os antigos pontos comerciais, situados na parte externa, foram durante décadas, o coração do comércio da cidade, fato que perdurou até o tombamento do prédio em 1988.

A Casa do Capitão-Mor é um raro exemplar do casario setecentista do estado. Conhecida também como casa da Ouvidoria, nome do primeiro núcleo judiciário do Ceará, o singelo edifício é feito com paredes de pau-a-pique, reforçada com amarras de couro de boi, uma referência material ao ciclo econômico das charqueadas, o qual predominou na região durante o século XVIII. A riqueza de detalhes confere ao "antigo palácio" uma atmosfera nostálgica; relembrando um passado distante, marcado por histórias de botijas, fugas de escravos e pela bravura e sagacidade do respeitado e temido "Capitão-Mor".

Os jesuítas que permaneceram por 32 anos (1727-1759), fundaram no local, hoje chamado "sitio colégio", o famoso "Hospício dos Jesuítas". Hospício, no linguajar da época, significava "posto de hospedagem", era lá aonde os padres missionários vinham recuperar suas forças para depois prosseguirem com sua missão de catequizar os aborígines nos mais longínquos confins da capitania.


A residência apostólica também abrigou o primeiro centro de ensino do estado e seu primeiro seminário, constituindo-se num dos únicos pólos difusores da cultura daquele tempo. O que restou do extinto estabelecimento são apenas as ruínas da antiga capela de Nossa Senhora do Bom sucesso, construída em 1753. Há ainda quem acredite numa famosa "maldição". Segundo a lenda, quando os jesuítas foram expulsos, eles profetizaram que um dia o mar haveria de passar sete metros acima das torres da igreja matriz, espalhando o caos por toda a vila. Todos os bens da ordem foram confiscados, porém reza a tradição que parte dessas riquezas permanece escondida em algum recanto daquela velha habitação.

Os escombros das antigas Pontes Imperiais ainda podem ser contemplados nas margens do rio Pacoti. Conta-se que elas foram erguidas com material retirado das fundações do antigo "hospício", quando este foi demolido em 1854.

A riqueza da aristocracia portuguesa de outrora ainda permanece a vista nas ruas do centro de Aquiraz, onde suntuosos casarões remetem aos modelos arquitetônicos de Portugal e do sertão. Algumas influências Mouras prevalecem intactas nas fachadas dos prédios, refletindo assim a opulência daqueles idos, conferindo um estilo "sui generis" ao casario da cidade.

Subdivisão[editar | editar código-fonte]

O município tem 9 distritos: Aquiraz(Sede), Camará, Caponga de Bernarda, Jacaúna, João de Castro, Justiniano de Serpa, Patacas, Tapera e Assis Teixeira. Tem também bairros oficiais, localizados no distrito sede:

Vista de parte do complexo turístico do Beach Park, com a Praia de Porto das Dunas ao fundo.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Clima[editar | editar código-fonte]

Tropical quente sub-úmido com pluviometria média de 1.532 mm[7] com chuvas concentradas de janeiro à abril.[8]

Hidrografia e recursos hídricos[editar | editar código-fonte]

As principais fontes de água são: Rio Pacoti, e a Lagoa do Catú.

Relevo e solos[editar | editar código-fonte]

As principais elevações são: Barra do Pacoti, e as Praias do Batoque, Porto das Dunas, Prainha e Iguape.

Vegetação[editar | editar código-fonte]

Vegetação costeira e manguezal.

Economia[editar | editar código-fonte]

Agricultura: algodão , banana, caju, cana-de-açúcar, mandioca e feijão. Pecuária: bovino, suíno e avícola.

Tem 23 indústrias, entre as quais cabe destacar a Usibras, e a Granja Regina.

O turismo é uma importante fonte de renda, devido a cidade velha, sua arquitetura barroca portuguesa, o Museu Sacro São José de Ribamar e as praias do Iguape, Porto das Dunas, Prainha, Marambaia, Barro Preto e Batoque.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os principais eventos são:

  • Festejos Do Coo-padroeiro São Sebastião. Suas comemorações são realizadas no mês de janeiro, na praça matriz da cidade;
  • São José de Ribamar, o padroeiro. Suas comemorações são realizadas no mês de Março, também na praça matriz da cidade;
  • Feira Metropolitana do Artesanato;
  • Festa de Nossa Senhora dos Navegantes;
  • Festival de Dança do Coco.

Política[editar | editar código-fonte]

A administração municipal localiza-se no distrito-sede, Aquiraz.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil. Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010. Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking IDH-M Ceará. Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Página visitada em 09 de setembro de 2013.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2011. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 20 dez. 2013.
  6. Sebok. Lou, Atlases published in the Netherlands in the rare atlas collection. Compiled and edited by Lou Seboek. National Map Collection (Canada), Ottawa. 1974
  7. Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos - FUNCEME.
  8. Instituto nacional de Pesquisa espacial - INPE.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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