Seca

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A seca ou estiagem é um fenómeno climático causado pela insuficiência de precipitação pluviométrica, ou chuva numa determinada região por um período de tempo muito grande[1] [2] .

Existe uma pequena diferença entre seca e estiagem pois estiagem é o fenômeno que ocorre num intervalo de tempo ou seja a estiagem não é permanente, já a seca é permanente.

Este fenômeno provoca desequilíbrios hidrológicos importantes. Normalmente a ocorrência da seca se dá quando a evapotranspiração ultrapassa por um período de tempo a precipitação de chuvas.

A diminuição do volume de água no Mar de Aral é considerado um dos maiores desastres ambientais e humanos da história, que produziram uma situação de seca.

Tipos de secas[editar | editar código-fonte]

As secas podem ser geradas pelos mais diversos fenómenos climatológicos, em função disto, criou-se uma tipologia da seca:

Solo seco
  • Seca permanente: É caracterizada pelo clima desértico, onde a vegetação se adaptou às condições de aridez, inexistindo cursos de água. Estes só aparecem depois das chuvas que normalmente são fortíssimas tempestades. Este tipo de seca impossibilita a agricultura sem irrigação permanente.
  • Seca sazonal: A seca sazonal é uma particularidade de regiões onde o clima é semiárido. Nestas a vegetação reproduz-se porque os vegetais adaptados geram sementes e morrem em seguida, ou mantêm a vida em estado latente durante a seca. Nestas regiões os rios só sobrevivem se a sua água for oriunda de outras regiões onde o clima é úmido.Mas Este tipo de seca possibilita a plantação em períodos de chuvas, ou por irrigação.
  • Seca irregular e variável: A seca irregular pode ocorrer em qualquer região onde o clima seja húmido ou sub-húmido e é caracterizado por apresentar uma variabilidade climática do ponto de vista estatístico. Estas, são secas cujo período de retorno é breve e incerto. Normalmente são limitadas em áreas, e não em grandes regiões, não ocorrem numa estação definida e a sua ocorrência é imprevisível, isto é, não há um ciclo bem definido. Trata-se de um fenômeno estatístico (ou estocástico), cuja estrutura de eventos pode ser descrita por uma teoria mais geral que o cálculo de médias e desvios, por exemplo pela teoria da Cadeia de Markov, aplicando ordem superior e um grupo de quantis: extremamente seco, muito seco, seco, normal, húmido, muito úmido, extremamente úmido, separando classes de mesma probabilidade de ocorrência. Acredita-se que a estação de verão favoreça as secas pois existe um grande aumento da evapotranspiração devido ao incremento da irradiância solar incidente, sobretudo quando as taxas de precipitação estão abaixo do quantil seco ou muito seco. Assim, várias variáveis meteorológicas devem ser consideradas na definição da ocorrência das secas, não somente a taxa de precipitação, mas também a temperatura, a humidade do solo, o grau de verdejamento da vegetação, a radiação solar incidente etc. A Região Nordeste do Brasil apresenta variabilidade climática.
  • Seca "invisível": De todos, este tipo de seca é o pior, pois a precipitação não é interrompida, porém, o índice de evapotranspiração é maior que o índice pluviométrico, causando um desequilíbrio da humidade regional. Este desequilíbrio gera uma redução da humidade do ar que por sua vez aumenta o índice de evapotranspiração, que resulta na perda de humidade subterrânea para a atmosfera, que devolve esta em forma de chuva, mas porém não é suficiente para aumentar a humidade do solo.

Geralmente, a precipitação está relacionada com a sua quantidade e ponto de orvalho [determinada pela temperatura do ar] de vapor de água transportado pela atmosfera regional e com a força ascendente da massa de ar que contém vapor de água. Se estes factores combinados não suportam volumes de precipitação suficientes para atingir a superfície, o resultado é uma seca. Isso pode ser provocado pelo elevado nível de luz reflectida, [alto albedo], e uma prevalência média de elevados sistemas de pressão; ventos que transportam massas de ar continentais, em vez de oceânicas (isto é, conteúdo de água reduzido); e cumes de áreas de alta pressão a partir de condutas que impedem ou restringem o desenvolvimento de tempestades ou de chuva, numa determinada região. Ciclos climáticos oceânicos e atmosféricos como o El Niño- Oscilação Sul (ENOS) fazem uma seca característica regular recorrente das Américas ao longo do Centro-Oeste e Austrália. Guns, Germs, and Steel autor Jared Diamond vê o impacto de forma dramática a ENSO multi-ano ciclos sobre os padrões climáticos na Austrália como um dos principais motivos que aborígenes australianos permaneceram uma sociedade de caçadores-coletores , em vez de adotar a agricultura. [36] Outra oscilação climática conhecida como a Oscilação do Atlântico Norte foi relacionado a secas no nordeste da Espanha. [37]

Causas[editar | editar código-fonte]

A atividade humana pode desencadear acontecimentos graves, como sobre a agricultura, irrigação excessiva, [38] o desmatamento e erosão afetam negativamente a capacidade da terra para capturar e reter a água. [39] Enquanto estes tendem a ser relativamente isolados em seu âmbito, estas atividades resultam numa mudança climática global. São esperados para provocar secas com um impacto substancial sobre a agricultura [40] em todo o mundo, e especialmente nos países em desenvolvimento . [41] [42] [43] No geral, o aquecimento global vai resultar em chuvas maiores. [ 44] Junto com a seca em algumas áreas, inundações e erosão vai aumentar em outras. Paradoxalmente, algumas propostas de soluções para o aquecimento global com foco em técnicas mais ativas, gestão de radiação solar através do uso de um guarda-sol espaço para um, também podem levar com eles um aumento das chances de seca. [45]

Secas na Índia[editar | editar código-fonte]

  • 1877 - Seca seguinte à falha no regime de Monção.
  • 1899 - Nova seca que igualmente seguiu à falha no regime de Monção. Milhões morreram famintos em consequência das secas de 1877 e 1899 na Índia, o que trouxe a consciência da inter-relação entre vida e morte da população, a agricultura e a Monção. O famoso meteorologista Gilbert Walker investigou estas secas, sua relação com a monção, causas locais e externas. Descobre a Oscilação Sul no início do século XX, descrita como o balanço da pressão entre Pacifico oeste e leste, muitos anos depois reconhecida como Southern-Oscillation El Niño (ENSO), cujo impacto é global. Interessante que a seca na Índia, mote inicial da investigação de Walker, apresenta pequena correlação negativa com o ENSO, enquanto este tem enorme impacto, seis meses depois, sobre o inverno e verão seguintes, em muitas outras partes do globo via teleconexőes.[3]

Referências

  1. GASPAR, Lúcia. Seca no Nordeste brasileiro. Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em:5 de Fevereiro de 2010
  2. Centro integrado de informações agrometeorológicas: Definição de seca. Visitado em 5 de Fevereiro de 2010.
  3. Cox, J. D., Storm Watchers - The turbulent history of weather prediction from Franklin's kite to El Nino. Wiley. Chapiter 16, 252 pp.ISBN 0-471-38108-X

Ver também[editar | editar código-fonte]