Evento de impacto

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Concepção artística de um evento de impacto. A colisão entre a Terra e um asteróide de poucos quilômetros de diâmetro pode liberar tanta energia quanto vários milhões de armas atômicas explodindo em sequência.

Um evento de impacto é a colisão de um enorme meteorito, asteróide, cometa ou outro objeto celeste com a Terra ou outro planeta. Eventos de impacto tem sido usados como enredo e elemento de fundo da ficção científica desde que o conhecimento de impactos reais se tornou fato estabelecido na ciência.

Tamanhos e frequências[editar | editar código-fonte]

Pequenos objetos colidem frequentemente com a Terra. Existe uma relação inversa entre o tamanho do objeto e a frequência dos impactos.

Asteroides com diâmetro de 1 km atingem a Terra a cada 500.000 anos em média.[1] Colisões grandes - com objetos de cinco quilômetros - acontecem aproximadamente uma vez a cada dez milhões de anos. O último impacto conhecido de um objeto de 10 km ou mais de diâmetro foi o evento de extinção do cretáceo-terciário, 65 milhões de anos atrás.

Asteroides com diâmetros de 5-10 m atingem a atmosfera terrestre aproximadamente uma vez por ano, com tanta energia quanto a Little Boy, a bomba atômica de Hiroshima, com aproximadamente 15 quilotons. Normalmente elas explodem na atmosfera superior, e a maioria ou todos os componentes sólidos são vaporizados.[2] Objetos com diâmetros superiores a 50 metros atingem a Terra aproximadamente uma vez a cada mil anos, produzindo explosões comparáveis à observada no evento Tunguska em 1908.[3] Pelo menos um asteróide conhecido com diâmetro de mais de 1 km, (29075) 1950 DA, tem uma probabilidade calculada de atingir a Terra em março de 2880, com um o valor de dois na escala de Turim.

Através da história, centenas de eventos de impacto menores (e explosões de bólidos) têm sido registrados, com algumas ocorrências causando mortes, ferimentos, danos a propriedades e outras consequências localizadas significantes.[4]

A geologia de eventos de impacto terrestres[editar | editar código-fonte]

A Terra passou por períodos de mudanças abruptas e catastróficas, alguns devido ao impacto de grandes asteróides e cometas no planeta. Poucos destes impactos causaram mudanças climáticas massivas e a extinção de grande número de espécies de plantas e animais. A origem da Lua é atribuída a um enorme impacto no princípio da história da Terra. Eventos de impacto mais cedo na história da Terra tem sido atribuídos a eventos tanto destrutivos quanto criativos; tem sido proposto que a água dos oceanos terrestres foi resultado da queda de cometas, e alguns tem sugerido que a origem da vida pode ter sido influenciada pelo impacto de objetos trazendo químicos orgânicos ou formas de vida na superfície da Terra, uma teoria conhecida como exogênese.

Eugene Merle Shoemaker foi o primeiro a provar que impactos de meteoros afetaram a Terra.

Estas visões modificadas da história da Terra não emergira senão recentemente, principalmente devido a uma ausência de observações diretas e a dificuldade em reconhecer os sinais de impacto na Terra. Impactos terrestres em larga escala do tipo que produziu a Cratera de Barringer no Arizona são raros. Em vez disso, pensava-se que as crateras fossem resultados de vulcanismo: a cratera de Barringer, por exemplo, era tida como uma explosão vulcânica pré-histórica (uma hipótese bastante razoável, dado que o monte vulcânico San Francisco Peaks fica apenas a 30 km a oeste). De forma similar, pensava-se que as crateras na superfície da Lua fossem resultado de vulcanismo.

Apenas entre 1903–1905 que a Cratera de Barringer foi corretamente identificada como sendo uma cratera de impacto, e só em 1963 que a pesquisa feita por Eugene Merle Shoemaker conclusivamente provou esta hipótese. As descobertas da exploração espacial do final do século XX e o trabalho de cientistas como Shoemaker demonstrou que as crateras de impacto eram o processo geológico mais disseminado a acontecer nos corpos sólidos do Sistema Solar. Como literalmente todos os corpos sólidos examinados no Sistema Solar tem crateras, não há razão para acreditar que a Terra de alguma forma tenha escapado do bombardeio do espaço. A primeira observação de um grande evento de colisão aconteceu em 1994: a colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter; até o momento nenhum evento semelhante foi observado na Terra.

Baseado na taxa de formação de crateras deterimada pela companheira mais próxima da Terra, a Lua, astrogeólogos determinaram que durante os últimos 600 milhões de anos, a Terra foi atingida por 60 objetos com diâmetro de cinco quilômetros ou maiores. O menor destes objetos liberaria a energia equivalente a dez milhões de megatons de TNT e deixaria uma cratera de 95 km de diâmetro. Em comparação, a maior arma nuclear já detonada, a Tsar Bomba, liberou 50 megatons.

Eventos pré-históricos recentes[editar | editar código-fonte]

Além dos impactos enormes que acontecem a cada poucas dezenas de milhões de anos, existem muitos impactos menores que acontecem com frequência muito maior mas que deixam traços correspondentemente menores. Devido às forças de erosão trabalhando na Terra, somente exemplos relativamente recentes destes impactos menores são conhecidos. Alguns dos mais famosos ou interessantes são:

Vista aérea da Cratera de Barringer no Arizona.
  • Cratera de Barringer nos EEUU, a primeira cratera que foi provada ser resultado de um impacto;
  • as crateras de Rio Cuarto na Argentina, produzidas por um impacto de asteróide em ângulo baixo cerca de 10.000 anos atrás;
  • a Cratera Henbury na Austrália e a Cratera Kaali, na Estônia, aparentemente produzidas por objetos que se partiram antes do impacto. Ambas tem uma idade estimada entre 4.000 e 5.000 anos;
  • as crateras Wabar na Arábia, que podem ter sido criadas em algum momento nas últimas poucas centenas de anos.

A hipótese do cometa Clóvis é uma teoria de que o movimento de ar criado por um grande cometa sobre ou mesmo dentro da camada de gelo Laurentidea a norte dos Grandes Lagos deixou todo o continente norte americano em chamas cerca de 12.900 anos atrás. A teoria tenta explicar a extinção da maioria dos grandes animais na América do Norte e o desaparecimento da cultura Clóvis da idade da pedra na época do Pleistoceno. Proponentes da hipótese alegam a existência de uma camada de solo queimado rico em carbono encontrada em cerca de 50 sítios arqueológicos da era clovis por todo o continente.[5] Ela tem sido criticada por não ser consistente com a estimativa da população paleoíndia.[6]

Existem teorias de que impactos pré-históricos mais recenteos criadas pelo Holocene Impact Working Group, incluindo Dallas Abbot do Lamont-Doherty Earth Observatory em Palisades, NY.[7] Este grupo aonta para quatro enormes depósitos cuneiformes no sul de Madagáscar, contendo microfósseis de oceano profundo fundidos com metais formados tipicamente por impactos cósmicos. Todos os depósitos cuneiformes apontam em direção a um ponto no meio do Oceano Índico onde foi descoberta recentementa a cratera Burckle,,[8] com 29 km de diâmetro, 3.800 metros abaixo da superfície. Este grupo defende que um enorme impacto de asteróide ou cometa a 4.500-5.000 anos atrás, produzido um mega-tsunami com pelo menos 180 m de altura. Se este e outros impactos recentes forem corretos, a taxa de impactos de asteróide é muito maior que se pensa atualmente.

Os eventos do impacto dos anos 533-534 CE ± 2 foram, segundo hipótese proposta pelo dendrocronologista Mike Baillie como possíveis causas de sérias mudanças climáticas breves (tipicamente 5-10 anos) registradas em padrões de anéis de árvores antigas. No seu livro 'Exodus to Arthur: Catastrophic encounters with comets' ('Êxodo a Artur: encontros catastróficos com cometas') ele destaca quatro eventos deste tipo e sugere que podem ter sido causados pela nuvem de poeira arremessada pelo impacto de debris cometários.

Eventos de impacto modernos[editar | editar código-fonte]

Na província chinesa de Shanxi, acredita-se que 10.000 pessoas foram mortas em 1490 pelo granizo de "pedras cadentes" que alguns astrônomos imaginam ser o resultado da quebra de um grande asteróide.[9]

Árvores derrubadas pela explosão de Tunguska.

O impacto mais significante no registro recente foi o evento Tunguska, que aconteceu na Sibéria, Rússia, em 1908. Este incidente envolveu uma explosão que provavelmente foi causada pelo deslocamento de ar de um asteróide ou cometa a 5 ou 10 quilômetros sobre a superfície da Terra, derrubando um número de árvores estimado em 80 milhões, em uma área de 2.150 quilômetros quadrados. Apesar do evento Tunguska ser tanto espetacular quanto sem paralelo no registro histórico, ele não mais parece tão único quanto já foi considerado.

O falecido Eugene Shoemaker do U.S. Geological Survey fez uma estimativa da taxa de impactos com a Terra, e sugeriu que um evento do tamanho da bomba nuclear que destruiu Hiroshima acontece cerca de uma vez por ano. Estes eventos deveriam ser espetacularmente óbvios, mas eles seguem não percebidos por várias razões: a maior parte da superfície da Terra é coberta por água; uma boa porção da superfície seca não é habitada; e as explosões acontecem geralmente a grandes altitudes, resultando em um flash imenso e uma trovoada, mas sem danos reais.

Alguns foram observados. Alguns exemplos dignos de nota incluem o Meteorito Sikhote-Alin, que caiu em Krai do Litoral, no extremo oriental da Rússia, em 1947, e a bola de fogo de Revelstoke de 1965, que aconteceu sobre as neves da Colúmbia Britânica, Canadá.

Um pequeno número de quedas de meteoritos tem sido observados com câmeras automáticas e recuperados a partir de cálculos do ponto de impacto. O primeiro destes foi o meteorito Pribram, que caiu na Tchecoslováquia (agora República Tcheca) em 1959.[10] Neste caso, duas câmeras usadas para fotografar meteoros capturaram imagens da bola de fogo. As imagens foram usadas tanto para determinar a localização das pedras no chão e, mais importante, para calcular pela primeira vez uma órbita precisa de um meteorito recuperado.

Seguindo a queda de Pribram, outras nações estabeleceram programas de observação automática objetivando o estudo de meteoritos em queda. Uma delas foi a Prairie Network, operada pelo Observatório Astrofísico Smithsonian de 1963 a 1975 no meio oeste dos EUA. Este probrama também observou a queda de um meteorito, o condrito Lost City, permitindo sua recuperação e o cálculo de sua órbita.[11] Outro porgrama no Canadá, o Meteorite Observation and Recovery Project (Projeto de Observação e Recuperação de Meteoritos), funcionou de 1971 a 1985. Ele também recuperou apenas um meteorito, Innisfree, em 1977.[12] Finalmetne, observações da Rede de Bólidos Européia, um descendente do programa tcheco original que recuperou Pribram, levou à descoberta e cálculo de órbita do meteorito Neuschwanstein em 2002.[13]

A única fatalidade reportada de impactos de meteoritos é um cachorro egípcio que foi morto em 1911 pelo meteorito Nakhla, apesar de haver controvérsias sobre este relato. O meteorito que atingiu esta área foi identificado nos anos 1980 como de origem marciana.

O primeiro caso moderno de um humano atingido por uma rocha espacial ocorreu em 30 de novembro de 1954, em Sylacauga, Alabama.[14] Um condrito de 4 kg atravessou um teto e atingiu Ann Hodges em seu living depois de bater no seu rádio. Ann ficou bastante machucada. Várias pessoas desde então alegaram ter sido atingidas por 'meteoritos', mas nenhum meteorito verificável foi apresentado.

Em 10 de agosto de 1972, um meteoro que se tornou conhecido como A Grande Bola de Fogo Diurna de 1972 foi testemunhada por muitas pessoas se movendo ao norte sobre as Montanhas Rochosas do Sudoeste dos EUA ao Canadá. Ele foi filmado por um turista no Parque Nacional Grand Teton em Wyoming com uma câmera de vídeo colorido de 8 milímetros.[15] O objeto tinha o tamanho aproximado de um carro ou de uma casa e poderia ter terminado sua vida como uma explosão como a de Hiroshima, mas nunca houve qualquer explosão. Análises da trajetória indicaram que ele nunca baixou de 58 quilômetros do chão, ea conclusão é que ele cruzou a atmosfera terrestre pro 100 segundos, então saiu da atmosfera para retornar a sua órbita em torno do Sol.

Nas horas escuras da manhã de 18 de janeiro de 2000, uma bola de fogo explodiu sobre a cidade de Whitehorse no Yukon canadense a uma altitude de cerca de 26 quilômetros, iluminando a noite como dia. O meteoro que produziu a bola de fogo tinha um diâmetro estimado de 4,6 metros e com um peso de 180 toneladas. Esta explosão foi também apresentada na série Killer Asteroids do The Science Channel, com entrevistas a várias testemunhas de residentes em Atlin, na Colúmbia Britânica.

Marca deixada pelo Cometa Shoemaker-Levy 9 em Júpiter (área escura no canto superior esquerdo da imagem)
Uma imagem da marca do Evento de impacto em Júpiter de 2009 capturada pelo telescópio Keck II e sua câmera de infravermelho próximo no Observatório W. M. Keck, em 20 de Julho.

Foi observado um impacto de meteoro em Reisadalen na municipalidade de Nordreisa, condado de Troms, Noruega, em 7 de junho de 2006. Apesar dos relatos iniciais das testemunhas dizerem que a bola de fogo resultante era equivalente à explosão nuclear de Hiroshima, a análise científica coloca a força da explosão equivalente a 100-500 toneladas de TNT, cerca de 3% da potência liberada em Hiroshima.[16]

Em 15 de setembro de 2007, um meteoro condrítico caiu próximo à vila de Carancas no sudeste do Peru, próximo ao lago Titicaca, deixando um buraco cheio de água, e liberando gases na área. Muitos moradores ficaram doentes, aparentemente dos gases tóxicos liberados logo após o impacto.

Muitos eventos de impacto acontecem sem ser observados por ninguém no solo. Entre 1975 e 1992, os satelites americanos do sistema de alerta de mísseis descobriram 136 explosões na atmosfera superior. Na edição de 12 de novembro de 2002 do jornal Nature, Peter Brown, da Universidade do Ontário Ocidental relatou seu estudo de registros de satélites americanos para os 8 anos anteriores. Ele identificou 300 explosões causadas por meteoros de tamanho de 1 m a 10 m neste período de tempo e estimou a taxa de eventos do porte do evento Tunguska como sendo de 1 em 400 anos.[17] Shoemaker estimou que um desta magnitude deve acontecer a cada 300 anos, apesar de a análise mais recente sugerir que ele exagerou em uma ordem de magnitude.

O impacto de 1994 do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter também serviu como um alerta, e os astrônomos responderam ao mesmo começando programas como o Lincoln Near-Earth Asteroid Research (LINEAR), Near-Earth Asteroid Tracking (NEAT), Lowell Observatory Near-Earth-Object Search (LONEOS) e vários outros que aumentaram drasticamente a taxa de descoberta de asteróides. Entretanto, muitos objetos permanecem ainda indetectados.

Em 7 de outubro de 2008, um meteoróide de nome 2008 TC3 foi rastreado por 20 horas conforme se aproximava da Terra e caiu através da atmosfera, atingindo o Sudão. Foi a primeira vez que um objeto foi detectado antes de atingir a atmosfera e centenas de pedaços do meteorito foram recuperado do deserto Núbio.[18]

Em 19 de julho de 2009, uma nova mancha escura com o tamanho aproximado da Terra foi descoberta no hemisfério sul de Júpiter por um astrônomo amador. A análise termal de infravermelho mostrou que a mancha estava morna, e os métodos de espectroscopia detectara amônia. Cientistas do JPL confiraram que outro evento de impacto em Júpiter aconteceu, provavelmente um pequeno cometa não conhecido ou outro corpo de gelo.[19] [20] [21]

Passagens próximas e previsões[editar | editar código-fonte]

Veja também Near Earth Objetct

Em 19 de maio de 1996, um asteroide de 300–500 m, o 1996 JA1, passou a cerca de 450.000 km da Terra. Ele foi detectado poucos dias antes.

Em 18 de março de 2004, um asteroide de 30 m, 2004 FH, passou a cerca de 40.000 km da Terra poucos dias depois de ter sido detectado. Este asteroide provavelmente teria detonado na atmosfera e traria pouco dano à superfície, se tivesse em um curso de impacto.

Em 31 de março de 2004, um meteoróide, 2004 FU162 fez a segunda passagem mais próxima registrada (a mais próxima foi A Grande Bola de Fogo Diurna de 1972) com uma separação de somente 1,02 raios terrestres da superfície (6.500 km). Como este objeto é muito pequeno para atravessar a atmosfera, ele é classificado como um meteoróide em vez de asteróide.

Trilha de risco do possível impacto do 99942 Apophis em 2036.

Em 2004, um asteróide recentemente descoberto, de 320 m, o 99942 Apophis (denominado anteriormente de 2004 MN4), alcançou a mais alta probabilidade de impacto de qulaquer objeto potencialmente perigoso. A probabilidade de impacto em 13 de abril de 2029 foi estimada como sendo de 1 em 17 por Steve Chesley do Jet Propulsion Laboratory da Nasa, apesar do número previamente publicado apresentava probabilidades um pouco menores, de 1 em 37, calculada em dezembro de 2004. Observações posteriores mostraram que o asteróide irá errar a Terra por 25.600 km (interior à órbita de satélites de comunicação) em 2029, mas sua órbita será alterada de uma forma imprevisível de uma forma que não permite descartar uma colisão em 13 ou 14 de abril de 2036, ou mais tarde ainda no século XXI. Estas datas futuras possíveis tem uma probabilidade cumulativa de 1 em 45.000 para um impacto no século XXI.

O asteróide 2004 VD17, de 580 m, teve uma probabilidade estimada de 1 em 63.000, de atingir a Terra em 4 de maio de 2102 (previsão em Julho de 2006), com risco 1 na escala de Turim, mas observações posteriores baixaram o valor da estimativa. Com as observações em 17 de dezembro de 2006, o JPL atribuiu ao 2004 VD17 um valor 0 na escala de Turim e uma probabilidade de 1 em 41,667 milhões nos próximos 100 anos.

O asteróide (29075) 1950 DA pode vir a colidir com a Terra em 16 de março de 2880. A probabilidade de impacto é ou 1 em 300 ou zero, dependendo de uma das duas possíveis direções para o polo de rotação do asteróide ser correta. Este asteróide tem um diâmetro médio de cerca de 1,1 km. A energia liberada pela colisão causaria efeitos importantes no clima e na biosfera e pode ser devastador para a civilização humana.

O asteróide 2007 TU24, com um diâmetro estimado entre 300-500 metros, aproximou-se bastante da órbita da Terra, a uma distância de 1,4 dl (distância lunar) em 29 de janeiro de 2008. A órbita do asteróide é apresentada no website da Nasa.[22]

Objetos relativamente pequenos que queimam na atmosfera podem apresentar mais perigo do que aparentam. Em 2002, o Brig. Gen. Simon P. Worden da Força Aérea dos Estados Unidos falou a membros do subcomitê de ciências do Congresso dos Estados Unidos que os Estados Unidos possuem instrumentos para determinar se uma explosão atmosférica é natural ou artificial, mas nenhuma outra nação com armas nucleares possui esta tecnologia de detecção. Ele disse que sua preocupação é de que alguns destes países poderia tomar por um ataque uma explosão natural, e lançar uma retaliação nuclear. No verão de 2001, satélites americanos detectaram um flash de eenrgia sobre o Mediterrâneo, semelhante a uma arma nuclear, mas determinaram que foi causado por um asteróide.

Em março de 2008, o asteróide próximo à Terra com a maior probabilidade de impacto nos próximos 100 anos era o 2007 VK184, com um valor 1 na escala de Turim.[23] [24] [25]

Extinções em massa e impactos[editar | editar código-fonte]

Nos últimos 540 milhões de anos, aceita-se que houve cinco grandes extinções em massa que na média eliminam metade de todas as espécies. A maior extinção em massa a afetar a vida na Terra foi no Permiano-Triássico, que terminou com o período Permiano a 250 milhões de anos atrás e matou 90% de todas as espécies.[26] A última extinção em massa levou ao fim dos dinossauros e coincidou com um enorme impacto de meteorito; é a extinção do Cretáceo-Terciário (também conhecido como a extinção K-T). Não há uma evidência definitiva de impactos que tenham levado às quatro outras granes extinções em massa, apesar de um relatório recente dos cientistas do estado de Ohio declarar que eles localizaram uma cratera de impacto de 483 km de diâmetro abaixo da camada de gelo da Antártica Oriental que pode ter cerca de 250 milhões de anos, baseados em medições de gravidade, que poderia estar associada com o evento de extinção do Permiano-Triássico.

Em 1980, o físico Luiz Alvarez, seu filho, o geólog Walter Alvarez, e os químicos nucleares Frank Asaro e Helen V. Michael da Universidade da Califórnia, Berkeley, descobriram concentrações altas e incomuns de irídio em uma camada específica de rocha na crosta terrestre. O irídio é um elemento que é raro na Terra, mas relativamente abundante em muitos meteoritos. Pela quantidade e distribuição do irídio preente na "camada de irídio" de 65 milhões de anos, a equipe de Alvarez fez uma estimativa de que um asteróide de 10 a 14 quilômetros deve ter colidido com a Terra. Esta camada de irídio no limite K-T foi encontrada no mundo inteiro em 100 locais diferentes. Quartzo chocado multidirecionalmente (coesita), cuja formação é atribuída como resultado de fortes impactos ou explosões de bomba atômica, tambémf oram encontrados na mesma camada em mais de 30 locais. Fuligem e cinzas em quantidades de dezenas de milhares de vezes maiores que os níveis normais foram encontrados junto.

Anomalias nas taxas de crômio isotópico encontrados na camada do limite K-T dão apoio à teoria do impacto. As taxas de crômio isotópicos são homogêneas na Terra, portanto estas anomalias isotópicas exluem uma origem vulcânica que também tem sido proposta como causa para o enriquecimento de irídio. Além disso as taxas de crômio isotópico medidos no limite K-T são semelhantes às taxas de crômio isotópico encontrado em condritos carbonáceos. Assim um candidato possível para corpo de impacto é um asteróide carbonáceo mas também é possível que fosse um cometa, que se acreditam que consistem de material similar ao dos condritos carbonáceos.

Provavelmente a evidência mais convincente apra uma catástrofe mundial foi a descoberta de uma cratera que recebeu o nome de Cratera de Chicxulub. Esta cratera está centrada na península de Iucatã, no México, e foi descoberta por Toni Camargo e Glen Pentfield enquatno trabalhavam como geofísicos para a companhia petrolífera mexicana PEMEX. O que eles relataram como uma estrutura circular acabou se revelando como uma cratera estimada em 180 km de diâmetro. Outros pesquisadores mais tarde descobriram que a extinção do fim do Cretáceo que liquidou os dinossauros durou vários milhares de anos em vez de milhões de anos como antes se pensava. Isto convenceu a maioria dos cientistas que a extinção resultaou de um evento pontual que é muito provavelmente um impacto extraterrestre e não a partir de vulcanismo e mudança climática (que estenderia seus efeitos por um período de tempo muito maior).

Recentemente, várias crateras em torno do mundo foram datadas com idade semelhante à de Chicxulub - por exemplo, a cratera Silverpit no Reino Unido e a cratera de Boltysh na Ucrânia. Especulou-se a partir disto que o impacto de Chicxulub foi um de vários que ocorreram quase simultaneamente, talvez devido a um cometa partido atingindo a Terra de uma forma similar à colisão do cometa Shoemaker-Levy 9 com Júpiter em 1994.

Foi a falta de altas concentração de irídio e de quartzo chocado que tem impedido a aceitação da idéia de que a extinção do Permiano (também chamada de mãe das extinções em massa) também tenha sido causada por um impacto. Entretanto, durante o final do Permiano todos os continentes estavam combinado em um spercontinente chamado Pangeia e todos os oceanos formavam um só superoceano, Pantalassa. Se um impacto tivesse ocorrido no oceano e não em terra, haveria pouco quartzo chocado liberado (já que a crosta oceânica possui relativamente pouca sílica) e muito menos material. Nenhum destes leva em conta a cratera da camada de gelo da Antártica Oriental, que é uma descoberta recente.

Apesar de ser de aceitação geral que houve um grande impacto no fim do Cretáceo que levou ao enriquecimento de irídio da camada do limite K-T, restos de outros impactos foram encontrados na mesma ordem de magnitude e que não resultaram em nenhuma extinção em massa, e não há uma ligação clara entre um impacto e qualquer outro incidente de extinção em massa.

Não obstante, acredita-se que as extinções em massa devido a impactos sejam um evento ocasional na história da Terra. Uma hipótese controversa deste tipo é a do bólido hipotético de Tollmann, que alega que o Holoceno foi iniciado por um impacto.

Os paleontólogos David M. Raup e Jack Sepkoski proporam que extinções acontecem a cada 26 milhões de anos aproximadamente (apesar da maioria ser relativamente pequena). Isto levou ao físico Richard A. Muller sugerir que estas extinções devem-se a uma estrela companheira hipotética do Sol chamada Nêmesis periodicamente perturbando as órbitas de cometas na nuvem de Oort, e levando a um grande aumento no número de cometas atingindo o sistema solar interior onde eles poderiam atingir a Terra.

De fato, no início da história da Terra (cerca de quatro bilhões de anos atrás) os impactos de bólidos eram certamente comuns já que o sistema solar continha muito mais corpos discretos que atualmente. Estes impactos devem ter incluído colisões por asteróides de centenas de quilômetros de diâmetro, com explosões tão poderosas que vaporizaram todos os oceanos da Terra. Foi somente após este pesado bombardeio começar a diminuir que a vida parece ter começado a evoluir na Terra.

A teoria mais aceita para a origem da Lua é a teoria do Big Splash, que aponta que a Terra foi atingida por um planetóide do tamanho de Marte. Se esta teoria se comprovar então aquele impacto certamente foi o maior golpe que a Terra já recebeu.

Fim da civilização[editar | editar código-fonte]

Um evento de impacto é geralmente visto como um cenário[27] [28] que poderia trazer o fim da civilização. Em 2000, a Discover Magazine publicou uma lista de possíveis cenários de fim do mundo com os eventos de impacto listados como o mais provável de acontecer.[29] Até os anos 1980 a idéia não era levada seriamente, mas tudo mudou após a descoberta da cratera Chicxulub e recebeu um reforço com o evento do Cometa Shoemaker-Levy 9. Desde então a comunidade científica tem apresentado cada vez mais interesse, e o público está conscientizado da possibilidade de eventos de impacto.

Eventos de Impacto na cultura[editar | editar código-fonte]

Numerosas estórias e novelas de ficção científica tem como tema um evento de impacto; possivelmente a mais vendida foi a novela Lucifer's Hammer de Larry Niven e Jerry Pournelle. A novela de Arthur C. Clarke Encontro com Rama começa com um impacto de asteróide significante no norte da Itália no ano 2077, o que dá origem ao Spaceguard Project, que mais tarde acaba descobrindo a nave Rama. Em 1992 um estudo do Congresso nos EEUU levou a Nasa a começar uma 'Pesquisa Spaceguard' com a novela sendo apontada como inspiração para o nome da busca por asteróides que impactassem a Terra.[30] Por sua vez este projeto inspirou a novela de Clarke The Hammer of God em 1993. Uma variação das histórias tradicionais de impacto foi dada por Jack McDevitt em 1999, em sua novela Moonfall, em que um grande cometa, viajando a velocidades interestelares colide e destrói parcialmente a Lua, com a queda de fragmentos da Lua na Terra. A novela de Niven e Pournelle de 1974, The Mote in God's Eye analisa os efeitos da guerra planetária conduzida por uma espécie alienígena que culmina com o uso de asteróides para bombardear o planeta, criando enorme crateras e a quase extinção da espécie.

Vários filmes de catástrofe também foram feitos: When Worlds Collide (1951), conta a história de dois planetas em curso de colisão com a Terra, o menor deles passando próximo, causando danos e destrução extensivos, seguidos por um impacto direto com o planeta maior.[31] Meteor (1979) tem vários fragmentos pequenos e um asteróide de 8 quilômetros em direção à Terra. Armas nucleares americanas e soviéticas em órbita são desviadas de seus alvos terrestres, e atacam a ameaça. Em 1998, dois filmes foram lançados nos Estados Unidos tendo como tema tentativas de parar eventos de impacto: Armageddon, da Tochstone Pictures, sobre um asteróide e Deep Impact, da Paramount Pictures/DreamWorks, sobre um cometa. Os dois envolvem o uso de naves derivadas do ônibus espacial para levar poderosas armas nucleares para destruir seus alvos. Também em 1998, o filme canadense premiado Last Night descreve o comportamento de vários personagens antecipando o fim do mundo devido a um certo perigo certo mas não declarado com uma data conhecida para acontecer- assemelhando-se assim um evento de impacto que termina com a civilização.

Muito tem sido feito para considerar as previsões bíblicas de um armagedon incluindo um evento de impacto. A estrela Absinto (estrela) na Bíblia alude a interpretações futuristas sugerindo uma mudança química na atmosfera coincidindo com um impacto de cometa ou asteróide com a Terra. Um cenário aplicavel teoriza uma mudança na atmosfera devido ao "choque térmico" durante a entrada e/ou impacto com um grande asteróide ou cometa, reagindo oxigênio e nitrogênio na atmosfera para produzir chuva de ácido nítrico.[32] O amargor produzido pela estrela absinto em um terço da água potável da Terra poderia ser a predição bíblica de "chuva ácida" do "choque térmico" de um impacto de um grande cometa ou asteróide com a Terra.[33]

Referências

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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