New Horizons

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Current event marker.png
Este artigo ou seção contém material sobre uma missão espacial atual.
As informações podem mudar durante o progresso da missão.
CELstart-rocket.png
New Horizons
Operação NASA
Tipo de missão sobrevoo
Lançamento 19 de janeiro de 2006
Local do Lançamento Cabo Canaveral, EUA
Veículo de Lançamento Atlas V-551
Duração da missão 8 anos, 8 meses e 2 dias
Designação COSPAR 2006-001A
Massa 478 kg
New Horizons - Logo2 big.png

New Horizons é uma missão não-tripulada da NASA para estudar o planeta-anão Plutão e o Cinturão de Kuiper. Ela deverá ser a primeira espaçonave a sobrevoar Plutão e suas pequenas luas Caronte, Nix, Hydra, Cérbero e Estige, com uma data estimada de chegada ao sistema Plutão-Caronte em 14 de julho de 2015, após cerca de nove anos e meio de viagem interplanetária.

O principal objetivo desta missão é o de caracterizar globalmente a geologia e a morfologia de Plutão e suas luas, além de mapear as suas superfícies. Também vai procurar estudar a atmosfera neutra de Plutão e sua taxa de fuga. Outros objetivos secundários incluem o estudo das variações da superfície e da atmosfera de Plutão e de Caronte ao longo do tempo. Serão obtidas imagens de alta-definição em estéreo de determinadas áreas dos dois corpos celestes, para caracterizar a sua atmosfera superior, a ionosfera, as partículas energéticas do meio ambiente e a sua interação com o vento solar. Além disso, a sonda vai procurar pela existência de alguma atmosfera em torno de Caronte e caracterizar a ação das partículas energéticas entre Plutão e Caronte. Também irá procurar por satélites ainda não descobertos e por possíveis anéis que envolvam o planeta-anão e seu satélite, antes de ser direcionado para o Cinturão de Kuiper e de lá para o espaço interestelar.

Lançada, em 19 de janeiro de 2006, diretamente numa trajetória de escape Terra-Sol com uma velocidade relativa de 16,26 km/s ou 58.536 km/h e usando uma combinação de foguete monopropulsor e assistência gravitacional, ela sobrevoou a órbita de Marte em 7 de abril de 2006, a de Júpiter em 28 de fevereiro de 2007, a de Saturno em 8 de junho de 2008 e a de Urano em 18 de março de 2011, a caminho da órbita de Netuno, que deverá cruzar em 25 de agosto de 2014,[1] em sua jornada até Plutão.

Em dezembro de 2013, a nave encontra-se a uma distância de 28,98 AU da Terra (4.335.350.000 km ou 4,01 horas-luz, o tempo que os sinais de rádio enviados da Terra demoram para chegar à espaçonave) e a 4,61 AU (689.646.000 km) de Plutão, com a frente virada para a Constelação de Sagitário.[2] Os cientistas esperam que ela se torne a quinta sonda interestelar já construída pelo Homem – após deixar o Sistema Solar em direção à heliosfera – e o segundo objeto artificial mais veloz da história de exploração espacial.

Contexto[editar | editar código-fonte]

New Horizons é a primeira missão na categoria do Programa New Frontiers da NASA, maior e mais caro que o Programa Discovery mas menor que o Programa Flagship. O custo da missão, incluindo espaçonave, desenvolvimento dos equipamentos a bordo, lançamento, operação da missão, análise de dados, etc, é de aproximadamente US$700 milhões pelo período de quinze anos (2001–2016).[3] Uma proposta anterior de uma missão a Plutão – Pluto Kuiper Express – foi cancelada em 2000 por razões orçamentárias. A sonda foi construída através de um consórcio formado entre o Southwest Research Institute e o John Hopkins Applied Physics Laboratory. O cientista coordenador da missão é S. Alan Stern da Southwest Research.[4]

O controle geral, após a separação da sonda do foguete lançador, é feito pelo Centro de Operações de Missão do Applied Physics Laboratory da Universidade John Hopkins. Os instrumentos científicos são operados desde o Clyde Tombaugh Science Operations Center (T-SOC), em Boulder, Colorado.[5] A navegação, que não é feita em tempo real, é realizada em várias instalações subcontratadas enquanto os dados de posição de navegação e quadros de referência celestes relacionados a ela são feitos pelo United States Naval Observatory Flagstaff Station através de seus quartéis-generais na NASA e na JPL. A empresa privada KinetX, no Arizona, comanda a equipe de navegação da New Horizons e é a responsável pelo planejamento de ajustes de trajetória à medida que a espaçonave viaja pelo Sistema Solar exterior.

A missão New Horizons foi inicialmente planejada como uma viagem ao único dos planetas que ainda não havia sido explorado. Quando a sonda foi lançada, Plutão ainda era classificado com uma planeta, porém poucos meses depois (agosto de 2006) foi reclassificado como planeta-anão pela União Astronômica Internacional (UAI).[6] Alguns membros da equipe de missão, como o cientista-chefe Alan Stern, discordam da UAI e ainda consideram Plutão como o nono planeta.[7] Os satélites Nix e Hydra também tem uma ligação com a espaçonave: as primeiras letras de seus nomes, "N" e "H", são as iniciais de New Horizons. Em 2005, quando estas pequenas luas foram descobertas, seus descobridores escolheram seus nomes por esta razão, além da relação mitológica de Nix e Hydra com o mitológico deus Plutão.[8]

Além do sofisticado equipamento científico, uma série de artefatos culturais viajam a bordo da espaçonave. Aí se incluem uma relação de 434.738 nomes gravados num CD[9] , moedas do estado da Flórida, uma bandeira dos Estados Unidos e um pequeno recipiente redondo com cinzas do descobridor de Plutão, Clyde Tombaugh, morto em 1997.[10] Uma das cargas científicas a bordo – um contador de poeira cósmica – chama-se Venetia Burney, o nome da menina de onze anos que, em 1930, com a descoberta do planeta por Tombaugh, sugeriu que seu nome fosse Plutão, aceito pelo descobridor.[11]

A sonda[editar | editar código-fonte]

A sonda New Horizons, podendo ser visto o seu RTG.

A sonda espacial tem as dimensões e a aparência de um grande piano, e vem sendo comparada a um piano atrelado a uma enorme antena parabólica do tamanho de um balcão de bar.[12] Como ponto de partida para o desenho da nave, a equipe responsável por sua criação escolheu a espaçonave Ulysses,[13] que também carregava um gerador termoelétrico de radioisótopos e antena em forma de prato numa estrutura em forma de caixa por todo o Sistema Solar exterior.

O corpo da nave apresenta a forma de um largo triângulo medindo 0,68 x 2,11 x 2,74 metros de lado, com a estrutura cilíndrica do gerador termoelétrico de radioisótopos saindo de um de seus vértices, no plano do triângulo e uma antena parabólica de 2,5 metros de diâmetro apoiada em um das faces do triângulo. Tem uma massa de 478 kg,[3] incluindo 77 kg de hidrazina e 30 kg de instrumentos científicos.

Uma estrutura cilíndrica de alumínio situada no meio da sonda serve de base para todas os demais secções da sonda e ela é o tanque de propelente da sonda. Toda a estrutura é coberta por várias camadas de material térmico. As comunicações com a sonda deverão ser efetuadas na banda X da faixa de microondas e em Plutão, a taxa de transferência de dados deverá ser de 600 bps para se comunicar com as antenas de espaço profundo de 70 metros de diâmetro da NASA.

O gerador termoelétrico de radioisótopos deverá fornecer aproximadamente 200 W de energia quando do encontro da sonda com Plutão em 2015. No lançamento o gerador tinha uma capacidade de energia de 240 watts.[3] Um tanque com monopropelente a hidrazina deverá fornecer combustível para os 16 empurradores distribuídos ao longo da sonda. Ela é estabilizada em seus três eixos além de poder girar em torno de sí de forma controlada. Câmeras voltadas para as estrelas estão montadas nas laterais da sonda, para auxilia-la na navegação. A massa total dos instrumentos científicos da sonda é de 30 kg e eles necessitam de apenas 21 Watts de energia para fazer funcionar os seus sete instrumentos científicos.

Instrumentos científicos[editar | editar código-fonte]

LORRI
  • Long Range Reconnaisance Imager (LORRI) - Câmera de longa distância focal projetada para responsividade e resolução elevadas em comprimentos de onda visíveis. O instrumento é equipado com um sensor CCD monocromático de alta resolução (1024×1024) com abertura de 208,3 mm, capaz de uma resolução de 5 microrradianos (aproximadamente um segundo de arco). O CCD é mantido a uma temperatura bem abaixo de zero por um radiador passivo na face anti-solar da sonda. Este diferencial de temperatura requer isolamento térmico e isolamento físico do resto da estrutura. Os espelhos Ritchey-Chrétien e a estrutura de medição são feitos de carbeto de silício para aumentar a rigidez, reduzir o peso, e evitar a deformação em temperaturas baixas. Os elementos ópticos ficam em um escudo de luz composto, com um suporte de titânio e fibra de vidro para isolamento térmico. A massa total é de 8,6 kg, com a montagem do tubo óptico pesando cerca de 5,6 kg,[14] um dos maiores telescópios de carbeto de silício já lançados ao espaço.
Ralph
  • Ralph - O Ralph irá criar dois mapas cor das superfícies de Plutão e Caronte com uma resolução de até 250 m por pixel, bem como mapear a composição das superfícies dos dois corpos. O instrumento consiste de um telescópio de 6 cm de abertura, com estruturas que registram a luz em dois canais separados: a Câmara de Imagem Visível Multispectral (Multispectral Visible Imaging Camera - MVIC), que tem quatro CCDs para imagens coloridas com três CCDs para imagens pancromáticas (preto e branco), e a Matriz de Imagens Espectrais de Etalons Lineares (Linear Etalon Imaging Spectral Array - LEISA). A MVIC atua na faixa de 400-950 nm da luz visível e a LEISA no infravermelho em comprimentos de onda de 1,25 a 2,5 mícrons. A resolução da MVIC é de 20 microrradianos, e a da LEISA é de 62 microrradianos. O Ralph pesa 10,3 kg e utiliza 6,3 watts de potência média. O instrumento foi desenvolvido pela Ball Aerospace, o Goddard Space Flight Center da NASA e o Southwest Research Institute.
Alice
  • Alice - Um espectrômetro de imagens ultravioleta para estudar a atmosfera de Plutão. Alice pode ser operado em dois modos: o modo "airglow" em que as emissões da atmosfera são medidos, e o modo "ocultação", que aponta o instrumento para o sol ou para outro astro luminoso através da atmosfera de Plutão e determinará a composição desta através da análise de como a luz do sol é absorvida. Alice trabalha na faixa de luz ultravioleta de 50 a 180 nm e consiste de um telescópio compacto, um espectrógrafo e um sensor que tem 32 áreas separadas ("pixels"), cada uma com 1024 canais espectrais. Alice pesa 4,5 kg e requer uma média de 4,4 watts de potência. O instrumento é uma versão atualizada do instrumento Alice na sonda europeia Rosetta, que também veio dos EUA, e foi desenvolvido pelo Southwest Research Institute.[15]
  • Pluto Energetic Particle Spectrometer Science Investigation (PEPSSI) - É um espectrômetro de íons e elétrons para procurar átomos neutros que escapam da atmosfera de Plutão e são eletricamente carregados pelo vento solar. No instrumento, íons com energia entre 1 e 5000 keV e elétrons com energias de 20 a 700 keV são detectados, e a massa e energia de cada partícula são medidas. O PEPSSI pesa 1,5 kg e requer, em média, 2,5 watts de potência. O instrumento foi desenvolvido pelo Laboratório de Física Aplicada (Applied Physics Laboratory - APL) da Universidade Johns Hopkins.[16]
  • SWAP - Tem a finalidade de medir a interação de Plutão com o vento solar.[17]
  • Radio Science Experiment (REX) - Consiste em um pequeno circuito integrado que contém um sofisticado sistema de processamento de sinais de rádio. A sonda dispõem de duas cópias do REX e pode utilizar ambas simultaneamente. A finalidade deste instrumento é a de medir a temperatura da atmosfera e a sua pressão, medir a densidade da ionosfera e procurar por atmosfera em Caronte.
  • Venetia Burney Student Dust Counter (VBSDC) - Consiste em um medidor de poeira interestelar, construído por estudantes da Universidade do Colorado em Boulder, que opera todo otempo da viagem fazendo a medição de poeira. Nomeado em homenagem à menina que deu nome ao planeta em 1930, um documentário de treze minutos sobre este aparelho ganhou o Prêmio Emmy de melhor desempenho escolar em 2006.[18]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

O lançamento da New Horizons estava agendado originalmente para 11 de janeiro de 2006, mas foi adiado até 17 de janeiro para que inspeções no tanque de querosene do foguete Atlas V fossem realizadas. Dificuldades como nuvens baixas na rota do foguete, ventos fortes e problemas técnicos sem relação com o próprio foguete atrasaram o lançamento por mais dois dias. A sonda finalmente decolou da Plataforma 41 da Estação da Força Aérea de Cabo Canaveral, Flórida (diretamente ao sul do complexo de lançamentos 39 para ônibus espaciais), às 19:00 UTC do dia 19 de janeiro de 2006.

Decolagem do foguete Atlas V com a New Horizons em seu topo.

O segundo estágio Centaur foi acionado às 19:30 UTC, enviando com sucesso a sonda em uma trajetória de escape solar. A New Horizons demorou apenas nove horas para atingir a órbita da Lua, ultrapassando-a antes das 05:00 UTC de 20 de janeiro de 2006.

Embora houvesse outras oportunidades de lançamento em fevereiro de 2006 e fevereiro de 2007, apenas os primeiros 23 dias de 2006 favoreciam um sobrevoo de Júpiter. Qualquer lançamento fora desse período teria forçado a sonda a voar por uma trajetória mais lenta até Plutão, atrasando seu encontro por 2 a 4 anos.

A sonda foi lançada por um foguete Atlas V 551 da Lockheed Martin, com um terceiro estágio adicional Star 48B da Alliant Techsystems para aumentar a velocidade de escape heliocêntrica. Este foi o primeiro lançamento da configuração 551 do Atlas V, bem como o primeiro lançamento do Atlas V com um terceiro estágio adicional (foguetes Atlas V geralmente não têm um terceiro estágio). Voos anteriores haviam usado nenhum, dois, ou três boosters sólidos, mas nunca com cinco. Isto colocou a aceleração de decolagem do Atlas V 551 em mais de 9 MN, mais que o Delta IV Heavy. A maior parte deste impulso vem do motor russo RD-180, capaz de 4,152 MN. O Delta IV Heavy continua sendo o maior veículo, com mais de 726 toneladas, contra 572 toneladas do ​​Atlas AV-010. O foguete Atlas V já havia sido ligeiramente danificado quando o furacão Wilma atingiu a Flórida em 24 de outubro de 2005. Um dos boosters sólidos foi atingido por uma porta. A solução foi substituí-lo por uma unidade idêntica, ao invés de inspecionar e requalificar o original.[19]

Correção de trajetória e teste de instrumentos[editar | editar código-fonte]

Em 28 e 30 de janeiro de 2006 os técnicos do Controle de Missão fizeram os primeiros ajustes na trajetória da sonda, divididos em duas partes. A mudança total na velocidade foi de 18 m/s ou 65 km/h. A manobra foi feita com tanta precisão que dispensou a segunda das três correções previstas.[20] Durante a semana de 20 de fevereiro, os controladores de voo fizeram os primeiros testes em voo de três equipamentos científicos a bordo, o espectrômetro de imagens ultra-violeta Alice, o sensor de plasma PEPSSI e a câmera de longa distância focal LORRI. Nenhuma medição científica ou imagens foram feitas mas os instrumentos eletrônicos, e, no caso de Alice, alguns sistemas eletromecânicos, mostraram estar funcionando corretamente.[21]

Em 7 de março de 2006, às 17:00 UTC, os controladores fizeram a terceira correção de curso prevista. Os motores da sonda queimaram por 76s ajustando a velocidade da espaçonave em 1,16m/s ou 4,2km/h. Em 25 de setembro de 2007 outro ajuste foi feito, com 15m37s de combustão dos motores, mudando novamente a velocidade da nave e em 30 de junho de 2010 a última correção foi feita, com os motores queimando por 35,6s.[22]

Passando a órbita de Marte e encontro com asteróide[editar | editar código-fonte]

asteróide 132524 APL fotografado pela New Horizons

Em 7 de abril de 2006, às 10:00 UTC, a sonda passou a órbita de Marte, afastando-se a cerca de 21 km/s do Sol (76.000 km/h) e a uma distância solar de 243 milhões de quilômetros.[23]

A New Horizons fez um sobrevoo distante do pequeno asteróide 132524 APL (anteriormente conhecido por sua designação provisória de 2002 JF56), a uma distância de 101.867 km às 04:05 UTC de 13 de junho de 2006. A melhor estimativa atual de diâmetro do asteróide é de aproximadamente 2,3 km, e a análise espectral feita pela New Horizons revelou que o APL é um asteróide tipo S.

A sonda rastreou com sucesso o asteróide de 10 a 12 de junho de 2006. Isto permitiu à equipe da missão testar a capacidade da sonda para rastrear objetos em movimento rápido. Imagens foram feitas através do telescópio Ralph.[24] [25]

Auxílio gravitacional de Júpiter[editar | editar código-fonte]

A câmera de Reconhecimento de Longo Alcance (Long Range Reconnaissance Imager - LORRI) da New Horizons fez as primeiras fotografias de Júpiter em 4 de Setembro de 2006. A sonda iniciou estudos aprofundados do sistema Joviano em Dezembro de 2006.[26]

A nave recebeu um auxílio gravitacional de Júpiter após a máxima aproximação às 05:43:40 UTC de 28 de Fevereiro de 2007. Ela passou através do sistema joviano a 21 km/s em relação a Júpiter (23 km/s em relação ao Sol). O sobrevoo aumentou a velocidade em aproximadamente 4 km/s em relação ao Sol, pondo a sonda em uma trajetória mais rápida até Plutão, cerca de 2,5 graus distante do plano da órbita terrestre (a "eclíptica"). Até outubro de 2011, a atração gravitacional do Sol desacelerou a sonda até cerca de 15,6 km/s[27] . A New Horizons foi a primeira sonda lançada diretamente até Júpiter desde a sonda Ulysses em 1990.

Enquanto em Júpiter, os instrumentos da New Horizons realizaram medições refinadas das órbitas das luas interiores de Júpiter, particularmente Amalteia. As câmeras da sonda analisaram os vulcões em Io e estudaram as quatro luas galileanas detalhadamente, assim como realizaram estudos a longa distância das luas exteriores Himalia e Elara. Imagens do sistema joviano começaram a ser feitas em 4 de setembro de 2006.[28] A sonda também estudou a Pequena Mancha Vermelha de Júpiter e a magnetosfera do planeta e seu sistema de anéis.[29]

Io
Júpiter e as luas galileanas fotografadas pela New Horizons durante o sobrevoo. (em tons de cinza)

Observação de Júpiter[editar | editar código-fonte]

Detalhe de Júpiter através da câmera infra-vermelha.

O sobrevoo do planeta gigante foi feito a cerca de 3 gigametros (3 milhões de quilômetros) e foi o foco de quatro meses de observações intensas. Júpiter é um alvo interessante e sempre mutante, observado intermitentemente desde o fim da missão Galileu. A New Horizons tem instrumentos construídos usando a mais moderna tecnologia, especialmente na área de câmeras, que possui recursos muito maiores que as da sonda Galileu, que eram versões evoluídas das câmeras das Voyager, por sua vez versões modernizadas das câmeras das pioneiras sondas Mariner. O encontro com Júpiter também serviu como um ensaio geral para o futuro encontro com Plutão. Por causa da distância consideravelmente menor entre Júpiter e a Terra, os links de comunicação podem transmitir muito mais dados de sua memória do que o que se espera seja possível transmitir de Plutão. As imagens de Júpiter começaram a chegar em 4 de setembro de 2006, após o qual diversas imagens foram feitas.[30]

Os primeiros objetivos do encontro incluíam o estudo da dinâmica das nuvens jovianas, que foram muito reduzidas no programa Galileu, e a leitura de partículas da magnetosfera joviana. A New Horizon também examinou o lado escuro à procura de auroras e raios. A nave também foi a primeira a fazer uma observação mais detalhada da Oval BA, a tempestade – menor que a Grande Mancha Vermelha – que tem sido informalmente chamada de "Pequena Mancha Vermelha", desde que se tornou desta cor.[31] Ela tinha a cor branca quando foi sobrevoada pela nave Cassini em dezembro de 2000, a caminho de Saturno.

Observação das luas jovianas[editar | editar código-fonte]

Durante a passagem da New Horizon, as maiores luas de Júpiter, as Luas de Galileu, estavam numa posição difícil de serem observadas. O ponto no espaço destinado à manobra de uso da assistência gravitacional de Júpiter para impulsionar a nave estava a milhões de quilômetros de qualquer das grandes luas. Ainda assim, os instrumentos a bordo da nave foram concebidos para localizar pequenos alvos, sendo assim ainda úteis para a observação destes satélites à grande distância. LORRI procurou por vulcões em Io e a capacidade em infra-vermelho de "Ralph" procurou por composições químicas ( incluindo as camadas de gelo de Europa) e temperaturas nos lados escuros. A observação de Io propiciou imagens do vulcão norte-polar Tvashtar a meio de uma espetacular erupção vulcânica.[32] Satélites menores, as luas interiores de Júpiter, como Amalteia, tiveram medições refinadas de suas órbitas.

Futuro[editar | editar código-fonte]

Em razão de sua grande velocidade, a sonda não deverá entrar em órbita de Plutão quando dele se aproximar por volta de 14 de Julho de 2015, dado que a manobra para inserção orbital requeriria grandes quantidades de combustível para a frenagem. Mas a fase ativa da missão deverá se iniciar cerca de seis meses antes da máxima aproximação. Desta forma se poderá observar metade da rotação entre Plutão e Caronte, que permitirá coletar imagens da lateral de ambos os corpos celestes.

A sonda New Horizons deverá passar abaixo de 10.000 km de Plutão a uma velocidade relativa de 14 km/s quando de sua máxima aproximação e deverá se aproximar cerca de 27.000 km de Caronte.[33] Depois de estudar o planeta anão e seu satélite, ela deverá seguir em direção ao Cinturão de Kuiper onde se espera que pesquise de um a três objetos deste cinturão, que tenham o diâmetro entre 40–90 km, efetuando pesquisas semelhantes às feitas em Plutão.[34]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. On the Path to Pluto, 5 AU and Closing New Horizons. Página visitada em 13/12/2013.
  2. Where Is New Horizons? New Horizons. Página visitada em 12/12/2013.
  3. a b c New Horizons NASA. Página visitada em 12/12/2013.
  4. The New Horizons Pluto Kuiper belt Mission: An Overview with Historical Context boulder.swri.edu. Página visitada em 12/12/2013.
  5. Southwest Research Institute Planetary Science Directorate website. Southwest Research Institute Southwest Research Institute. Página visitada em 12/12/2013.
  6. IAU 2006 General Assembly: Result of the IAU Resolution votes International Astronomical Union. Página visitada em 12/12/2013.
  7. The PI's Perspective New Horizons/NASA. Página visitada em 12/12/2013.
  8. Pluto's Two Small Moons Christened Nix and Hydra John Hopkins. Página visitada em 12/12/2013.
  9. Send Your Name to Pluto New Horizons. Página visitada em 12/12/2013.
  10. To Pluto, with postage: Nine mementos fly with NASA's first mission to the last planet CollectSpace.com. Página visitada em 12/12/2013.
  11. Rincon, Paul. The girl who named a planet BBC News. Página visitada em 12/12/2013.
  12. Moore, Patrick. The Sky at Night Google Books. Página visitada em 12/12/2013.
  13. The New Horizons Spacecraft. Página visitada em 12/12/2013.
  14. A. F. Cheng et al.. Long-Range Reconnaissance Imager on New Horizons (em inglês). Página visitada em 20 de outubro de 2011.
  15. Alice - an ultraviolet imaging spectrometer. Página visitada em 12/12/2013.
  16. The Pluto Energetic Particle Spectrometer Science Investigation (PEPSSI) on the New Horizons Mission. Página visitada em 12/12/2013.
  17. New Horizons' SWAP instrument observes solar wind interactions before Jupiter encounter, prepares for revealing science mission Southwest Research Institute. Página visitada em 12/12/2013.
  18. The Venetia Burney Student Dust Counter (VBSDC) University of Colorado in Boulder. Página visitada em 12/12/2013.
  19. Damage prompts booster replacement for Pluto probe (em inglês) spaceFlightNow (2 de novembro de 2005). Página visitada em 19 de outubro de 2011.
  20. Our Aim Is True. Página visitada em 13/12/2013.
  21. Boulder and Baltimore. Página visitada em 13/12/2013.
  22. Course Correction Keeps New Horizons on Path to Pluto New Horizons. Página visitada em 13/12/2013.
  23. "Outbound for the Frontier, New Horizons Crosses the Orbit of Mars", Johns Hopkins APL, April 7, 2006. [ligação inativa] Outbound for the Frontier, NASA New Horizons Crosses the Orbit of Mars Pluto Today. SpaceRef Interactive Inc. (April 7, 2006). Página visitada em 2013-02-03. Outbound for the Frontier, New Horizons Crosses the Orbit of Mars Solar System Exploration. NASA (April 10, 2006). Página visitada em 2013-02-03.
  24. New Horizons Tracks an Asteroid (2 de abril de 2006). Página visitada em 20 de outubro de 2011.
  25. "New Horizons Tracks an Asteroid", Johns Hopkins APL, June 15, 2006.
  26. Jupiter Ahoy! (em inglês) JHU/APL (26 de setembro de 2006). Página visitada em 18 de outubro de 2011.
  27. Chris Peat. Spacecraft escaping the Solar System (em inglês) Heavens Above GmbH. Página visitada em 18 de outubro de 2011.
  28. Amir Alexander (27 de setembro de 2006). New Horizons Snaps First Picture of Jupiter (em inglês) The Planetary Society. Página visitada em 18 de outubro de 2011.
  29. Fantastic Flyby (em inglês) NASA (1 de maio de 2007). Página visitada em 18 de outubro de 2011.
  30. Pluto probe gets an eyeful in Jupiter flyby NBCNews.com. Página visitada em 13/12/2013.
  31. Jupiter's New Red Spot NASA. Página visitada em 13/12/2013.
  32. New Horizons The Planetary Society. Página visitada em 13/12/2013.
  33. PLuto-Charon flyby:closest approach New Horizons. Página visitada em 13/12/2013.
  34. Timeline New Horizons. Página visitada em 13/12/2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre New Horizons