Rosetta

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Rosetta
Rosetta philae.jpg
Concepção artística mostra a sonda Rosetta e o aterrissador Philae.
Operação União EuropeiaESA
Tipo de missão Orbitador, aterrissador
Sobrevoo de Terra, Marte, 21 Lutetia, 2867 Šteins
Destino 67P/Churyumov-Gerasimenko
Lançamento 2 de Março de 2004 às 07:17 UTC
Veículo de Lançamento Ariane 5G+
Local do Lançamento Kourou, Guiana Francesa
Designação COSPAR 2004-006A
Site ESA
Massa 1200.0 kg
Portal Astronomia


A sonda Rosetta é uma missão da Agência Espacial Européia - ESA, lançada pelo foguete Ariane 5 G+ na base de Kourou, na Guiana Francesa, em 2 de Março de 2004. Sua missão é o de estudar o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, cometa esse que viaja entre as órbitas da Terra e de Júpiter. A sonda consiste em duas estruturas. A parte principal, a sonda que foi denominada de Rosetta, e o módulo de aterrissagem, que foi denominado de Philae. A sonda recebeu este nome em honra a Pedra da Rosetta, pedra esta que auxiliou o entendimento dos hieróglifos egípcios. O módulo de aterrissagem recebeu o nome de uma ilha de Philae no rio Nilo que contém um obelisco, que também contribuiu para decifrar os hieróglifos.

No momento a sonda executa manobras de assistência gravitacional com o auxílio da Terra.

Índice

O módulo aterrizador [editar]

Após 21 dias de seu lançamento, o módulo de aterrissagem da sonda Rosetta, recebeu o nome de Philae. Philae é o nome de uma ilha do rio Nilo que contém um obelisco onde nele foi encontrada uma inscrição bilíngüe, que incluía os nomes de Cleópatra e de Ptolomeu em hieróglifos egípcios. Esta inscrição forneceu ao historiador francês Jean-François Champollion as últimas informações necessárias que lhe permitiram decifrar a antiga escrita egípcia que estava escrita na Pedra da Rosetta.

A missão [editar]

Para estudar as origens dos cometas e as relações entre os cometas e o material interestelar e suas implicações com as origens do Sistema Solar; uma série de medições deverão ser feitas.

  • Caracterização global do núcleo do cometa, determinação de suas propriedades dinâmicas e de sua composição e de sua morfologia.
  • Determinação de suas características químicas, mineralógicas e isotópicas das composições voláteis e refratárias do núcleo do cometa.
  • Determinação das propriedades físicas e a inter-relação entre as substâncias voláteis e refratárias do núcleo do cometa.
  • O estudo do desenvolvimento da atividade do cometa e os processos que envolvem a sua camada superficial com o interior de sua cauda. (analisar a interação entre a poeira e o gás)
  • O estudo das características globais deste cometa, suas propriedades dinâmicas, morfologia e a composição de sua superfície.

A sonda [editar]

O corpo principal da nave espacial mede 2,8 x 2,1 x 2,0 metros, onde estão dispostos todos os seus subsistemas e demais equipamentos. A sonda tem dois painéis solares de 14 metros de comprimento, perfazendo uma área total de 64 metros quadrados. Ela tem uma massa de 3.065 kg e mais de 50% de sua massa é representado pelo propelente.

Em uma das faces do orbitador existe uma antena de alto-ganho em forma de prato de 2,2 metros do diâmetro móvel. Do lado oposto da sonda temos o módulo de aterrissagem.

Como a sonda Rosetta deverá operar a uma distância de 720 milhões de km do Sol, onde o nível de luz será apenas de 4% do nível de iluminação da Terra, a sonda está equipada com painéis solares gigantes.

  • Massa total da sonda: 3.000 kg (aprox.)
  • Propelente: 1.670 kg (aprox.)
  • Massa total dos instrumentos: 165 kg
  • Massa do aterrizador: 100 kg
  • Potência dos painéis solares: 850 Watts a 3,4 UA, e 395 Watts a 5,25 UA
  • Sistema de propulsão: 24 propulsores a bipropelente com força de 10 N
  • Tempo de duração da missão: 12 anos.

Propulsão [editar]

No coração do orbitador está localizado o sistema de propulsão. Montandos em volta do tubo de descarga estão os dois grandes tanques de propelente. No tanque superior contém o combustível, no tanque inferior contém o oxidante.

O orbitador transporta 24 empuxadores para a correção da trajetória e para o controle de altitude. Cada um destes empuxadores aplica uma força de 10 Newtons.

Lutetia e Šteins [editar]

A sonda Rosetta, como missão secundária, passou pelos asteroides 2867 Šteins e 21 Lutetia, a caminho do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. A aproximação aconteceu em 5 de setembro de 2088 e 10 de julho de 2010, respectivamente.

O asteroide 21 Lutetia foi descoberto em 15 de novembro de 1852 por Hermann Goldschmidt. Ele tem aproximadamente 100 km de diâmetro.

O asteroide 2867 Steins foi descoberto em 4 de novembro de 1969 por Nikolai Stepanovich Chernykh. Ele tem cerca de 10 km de diâmetro.

Sumário do cometa [editar]

Nome do cometa: 67P/Churyumov-Gerasimenko
Diâmetro do núcleo: 4 km
Período de orbitação: 6,6 anos
Mínima distância com o Sol: 186 milhões de km
Máxima distância com o Sol: 857 milhões de km
Excentricidade orbital: 0.6
Inclinação orbital: 7.1º
Trajetória: Viaja entre as órbitas da Terra e de Júpiter
Ano de sua descoberta: 1969
Descobridores: K. Churyumov da Universidade de Kiev, Ucrânia e S. Gerasimenko do Instituto de Astrofísica, Dushanbe, Tadjiquistão

Cometa [editar]

O objetivo inicial da missão Rosetta era visitar o cometa denominado 46P/Wirtanen. Mas devido a contratempos no veículo lançador Ariane 5, a Agência especial européia teve que escolher um outro cometa a ser visitado. Após cuidadosas análises, o escolhido foi o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Com esta escolha a sonda Rosetta terá que executar uma trajetória bastante complexa que vai incluir três passagens pela Terra e uma passagem por Marte, para realizar manobras com o auxílio da força gravitacional destes planetas, para que a sonda chegue ao cometa. Essas manobras são denominadas de assistência gravitacional. Neste caminho a sonda irá visitar por duas vezes o Cinturão de Asteróides. Quando finalmente conseguir chegar ao cometa 67P, a sonda vai entrar em órbita do mesmo e vai acompanhar o cometa em sua viagem em direção ao Sol.

A sonda pesquisará o cometa por um período de 18 meses seguidos, utilizando todos os seus 11 instrumentos de pesquisa durante seu mergulho para o interior do Sistema Solar. Como o cometa Churyumov-Gerasimenko é tipicamente mais ativo quando ele se encontra mais próximo do Sol, os cientistas poderão observar de perto as mudanças que o cometa sofrerá. Espera-se que esta bola de gelo sofra grandes alterações e passe a jorrar gases através de furos na sua superfície. Porém o cometa apresenta um grande periélio e a sonda não deverá ser afetada pelo calor do Sol. Pouco se sabe sobre este cometa, pois ele reflete muita pouca luz e seu núcleo fica totalmente envolvido por gases e partículas, quando ele viaja próximo ao Sol.

Toda esta missão deverá terminar em Dezembro de 2015, seis meses depois que o cometa passar pelo seu periélio e iniciará o seu retorno para as regiões frias de Júpiter. O período de orbitação do cometa é de 6,57 anos.

O telescópio espacial Hubble tirou 61 fotos do cometa Churyumov-Gerasimenko, revelando que o cometa tem um núcleo de 3 a 5 quilômetros de comprimento e uma forma elipsoidal (como uma bola de rugby). Leva 12 horas para completar uma rotação. Este cometa será três vezes maior que o cometa anteriormente escolhido.

Etapas da aproximação [editar]

Entre Janeiro até Maio de 2014, a sonda deverá fazer a sua aproximação inicial com o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko. Imagens obtidas pela sonda, auxiliadas por observações da Terra, deverão ser fundamentais para garantir uma aproximação segura.

A sonda deverá acionar seus empuxadores de manobras, para diminuir a velocidade relativa entre eles em torno de 25 metros por segundos. Feito isso, a sonda deverá nos próximos três meses, de Junho a Agosto, lentamente diminuir sua velocidade relativa para apenas 2 metros por segundo.

Em Agosto, já com uma distância inferior a cerca de 200 quilômetros do núcleo, serão feitas o mapeamento do cometa. Eventualmente a sonda entrará em órbita ao redor do cometa. A velocidade relativa já deverá ser de apenas alguns centímetros por segundo. Serão selecionados cinco pontos no cometa, como áreas de pouso para o módulo de aterrissagem.

Em Novembro quando já tiver sido escolhido o local do pouso, o módulo de aterrissagem será liberado, quando a sonda estiver cerca de um quilômetro de distância. O módulo pousará a uma velocidade de um metro por segundo. Uma vez realizado o pouso, a sonda enviará imagens de alta-resolução, além de outros dados do cometa.

Os dados coletados serão armazenados no orbitador e retransmitidos para a Terra no primeiro período de contacto com as estações de rastreamento.

Entre Novembro de 2014 e Janeiro de 2015, o orbitador continuará a orbitar o cometa , observando o que vai acontecer com o seu núcleo de gelo, quando ele se aproximar do Sol.

A missão vai se encerrar em Dezembro de 2015. A sonda Rosetta deverá novamente viajar próximo a órbita da Terra, isso depois de 4.000 dias após o seu lançamento.

Instrumentos do orbitador [editar]

O orbitador Rosetta dispõe de 11 instrumentos científicos. São eles:

  • ALICE - Ultraviolet Imaging Spectrometer
  • CONSERT - Comet Nucleus Sounding
  • COSIMA - Cometary Secondary Ion Mass Analyser
  • GIADA - Grain Impact Analyser and Dust Accumulator
  • MIDAS - Micro-Imaging Analysis System
  • MIRO - Microwave Instrument for the Rosetta Orbiter
  • OSIRIS - Rosetta Orbiter Imaging System
  • ROSINA - Rosetta Orbiter Spectrometer for Ion and Neutral Analysis
  • RPC - Rosetta Plasma Consortium
  • RSI - Radio Science Investigation
  • VIRTIS - Visible and Infrared Mapping Spectrometer

O módulo de aterrissagem [editar]

O módulo de aterrissagem tem uma massa de 100 kg e foi construído através de um consórcio europeu liderado pela German Aerospace Research Institute (DLR). Outros membros deste consórcio são a ESA e institutos da Áustria, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Itália e a Inglaterra.

Instrumentos do módulo de aterrissagem [editar]

O módulo de aterrissagem transporta nove instrumentos científicos. São eles:

  • APXS - Alpha Proton X-ray Spectrometer
  • ÇIVA / ROLIS - Rosetta Lander Imaging System
  • CONSERT - Comet Nucleus Sounding
  • COSAC - Cometary Sampling and Composition experiment
  • MODULUS PTOLEMY - Evolved Gas Analyser
  • MUPUS - Multi-Purpose Sensor for Surface and Subsurface Science
  • ROMAP - RoLand Magnetometer and Plasma Monitor
  • SD2 - Sample and Distribution Device
  • SESAME - Surface Electrical and Acoustic Monitoring Experiment, Dust Impact Monitor

Cronograma [editar]

  • Lançamento: Fevereiro de 2004
  • Primeira orbitação em torno da Terra: Novembro de 2005
  • Orbitação em torno de Marte: Fevereiro de 2007
  • Segunda orbitação em torno da Terra: Novembro de 2007
  • Terceira orbitação em torno da Terra: Novembro de 2009
  • Hibernação no espaço profundo: de Maio de 2011 até Janeiro de 2014

Durante a sua jornada, a sonda Rosetta deverá seguir as seguintes fases em relação ao asteróide:

  • Aproximação do cometa: de Janeiro a Maio de 2014
  • Mapeamento do cometa: Agosto de 2014
  • Aterrissagem no cometa: Novembro 2014
  • Escoltando o cometa em torno do Sol: de Novembro de 2014 até Dezembro de 2015

Situação atual da sonda [editar]

Comunicado de 28 de Novembro de 2005

Ressalta-se o apoio dado ao choque que a sonda Deep Impact causou no cometa Tempel 1, ocorrido em 4 de Julho de 2005. Na ocasião foram utilizados cerca de quatro instrumentos científicos da sonda na observação do cometa Tempel 1. Os instrumentos eram: OSIRIS, MIRO, VIRTIS e Alice, que juntamente com a câmera de navegação, observaram o cometa no período que se iniciou em 28 de Junho e terminou em 14 de Julho.

OSIRIS foi o único instrumento que pôde monitorar o cometa Tempel 1 continuamente antes do impacto até depois do impacto. Estas observações resultaram na publicação de dois artigos na revista Science e na revista Nature.

Ligações externas [editar]