Hibernação

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A hibernação é um estado letárgico pelo qual muitos animais homeotérmicos, em grande maioria de pequeno porte, passam durante o inverno, principalmente em regiões temperadas e árticas. Os animais mergulham num estado de sonolência e inatividade, em que as funções vitais do organismo são reduzidas ao absolutamente necessário à sobrevivência.

Mãe e filho do Urso negro americano em hibernação

A respiração quase cessa, o número de batimentos cardíacos diminui, o metabolismo, ou seja, todo o conjunto de processos bioquímicos que ocorrem no organismo, restringe-se ao mínimo. Pode-se dizer que qualquer animal que permanece inativo durante muitas semanas, com temperatura corporal inferior à normal, está em hibernação, embora as mudanças fisiológicas que acontecem durante o letargo sejam muito diferentes, de acordo com as diferentes espécies.

Estivação[editar | editar código-fonte]

Normalmente este fenômeno ocorre em regiões onde existe um inverno rigoroso e escassez de comida, mas existem algumas espécies que dormem na estação quente e seca, porque para elas as maiores ameaças são a alta temperatura e a falta de água. Este caso é conhecido como estivação[1] [2] [3] . Muitos caracóis passam por este estado durante as estações quentes e secas, durante as quais há pouco alimento e a humidade é escassa[1] .

Os animais que geralmente mergulham em letargo são os homeotérmicos . Os ursos, pinguins e os gansos da neve dormem durante o inverno, mas, como sua temperatura permanece relativamente alta - pouco abaixo do normal (de 30 a 35oC), suas taxas respiratória e cardíaca se mantém, e seu sistema sensorial funciona normalmente, não são considerados animais hibernantes, ao contrário do que se difunde, e sim adaptados ao jejum, como se fosse uma hibernação menos profunda, na qual o urso pode acordar se algo externo ocorrer[carece de fontes?].

Os verdadeiros animais hibernantes são: musaranho e o ouriço (o mamífero, não o ouriço do mar) que cavam suas tocas no solo; os esquilos, a marmota, que abrigam-se nos ocos das árvores; o morcego que se acomoda em velhas casas, cavernas e túmulos e alguns sapos. A única ave conhecida que hiberna é o noitibó-de-nuttall[carece de fontes?].

Nem sempre a mudança de temperatura é o estímulo para o letargo. Muitas vezes o estímulo é a falta de alimento, como ocorre com o Perognathus, pequeno roedor da América do Norte[carece de fontes?]. Existem animais que, independente da temperatura e alimento, hibernam assim mesmo, motivados, provavelmente, por alterações que reduzem a atividade glandular. Experiências com o esquilo demonstraram que mesmo mantidos em ambiente aquecido e com fartura de comida, eles hibernaram de outubro a maio[carece de fontes?].

As fases de hibernação variam desde o simples adormecimento, como no caso dos ursos e do castor, até o letargo verdadeiro, que atinge algumas espécies de monotremados, quirópteros, insetívoros e roedores. Nestes animais, durante o letargo, registra-se um marcante declínio da temperatura corpórea – na marmota, por exemplo, pode descer a 4 °C[carece de fontes?].

Este processo de hibernação desenvolve-se de formas diferentes e em várias etapas. Existem animais, como a marmota, que comem muitíssimo, acumulando reservas; outros, como os esquilos, armazenam alimentos na toca[carece de fontes?].

Durante a hibernação, os primeiros consomem a sua gordura armazenada; os outros acordam por curtos espaços de tempo para comer e evacuar. Durante o letargo profundo, a temperatura corpórea é apenas 1 ou 2 °C superior à ambiental; o número de batimentos cardíacos varia de 3 a 15 por minuto (na marmota é de 3-4 por minuto comparativamente aos 90-130 batimentos normais); os movimentos respiratórios são de 2 a 5 por minuto, menos de um décimo do número normal; o consumo de oxigênio reduz-se à vigésima parte do normal e o metabolismo, à trigésima. [4]

Os ursos pretos da América do Norte (Ursus americanus) chegam a reduzir o consumo de oxigênio e a taxa metabólica pela metade e respirar apenas uma vez a cada 45 segundos. A frequência cardíaca pode cair periodicamente para 8-21 batimentos por minuto, reduzindo o fluxo de sangue para o músculo esquelético, principalmente as pernas, em 45% ou mais. [5]

Para algumas espécies que vivem em clima quente e árido, os períodos de seca e calor excessivos podem ser tão terríveis quanto os invernos rigorosos. Para se defender, muitos animais entram em sono profundo ou sono estival. Este fenômeno ocorre com moluscos, artrópodes, peixes, répteis e mamíferos. Certos peixes pulmonados, como, por exemplo, a pirambóia, enterram-se na lama quando os rios em que vivem secam, abrigando-se ali até à chegada das chuvas.

Encistamento[editar | editar código-fonte]

Outro fenômeno é o encistamento ou enquistamento, que consiste no enclausuramento do animal numa espécie de cápsula, denominada cisto, onde se mantém por um período de tempo variável e se manifesta apenas em animais inferiores, de dimensões muito reduzidas ou microscópicas, como os protozoários, os rotíferos, os copépodos e os tardígrados[carece de fontes?].

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Estivação InfoEscola. Visitado em 7 de Janeiro de 2014.
  2. Aestivation - Definition Biology-Online.com. Visitado em 7 de Janeiro de 2014.
  3. William Charles Miller. Trace Fossils: Concepts, Problems, Prospects. [S.l.]: Elsevier, 2007. p. 206. ISBN 978-0-444-52949-7.
  4. Wiesner, Henning. As marmotas são dorminhocas? (cap. 31 p.131-132) in: In: Wiesner, Henning. Dinossauros podem ser adestrados? - e outras perguntas a um diretor de zoológico. (Trad..: Mônica Rodrigues da Costa). SP Cosac & Naify Edições LTDA. 2013
  5. North American Bear Center. 5 Stages of Activity and Hibernation Bear. org Acesso em Março 2014